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	<title>Brasiliana Fotográfica &#187; Pedro Weingartner</title>
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		<title>Lunara (1864 &#8211; 1937), um fotógrafo amador e fotoclubista de Porto Alegre</title>
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		<pubDate>Wed, 05 Sep 2018 15:02:19 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Andrea Wanderley]]></dc:creator>
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		<description><![CDATA[A Brasiliana Fotográfica apresenta o álbum Vistas de Porto Alegre - Fotografias Artísticas, com 20 imagens assinadas pelo fotógrafo amador gaúcho Lunara (1864 - 1937), e produzido pelos Editores Krahe &#038; Cia. As fotografias nos revelam uma Porto Alegre bucólica de fins do século XIX, início do século XX.  Lunara era um dos pseudônimos do comerciante Luiz do Nascimento Ramos (1864 - 1937).  Em torno de 1899, como fotógrafo amador passou a integrar a associação Sploro Photo-Club, em Porto Alegre, um dos fotoclubes pioneiros do Brasil.]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p>A Brasiliana Fotográfica apresenta o álbum <em>Vistas de Porto Alegre &#8211; Fotografias Artísticas, </em>com 20 imagens assinadas pelo fotógrafo amador gaúcho Lunara (1864 &#8211; 1937), e produzido pelos Editores Krahe &amp; Cia. As fotografias nos revelam uma Porto Alegre bucólica de fins do século XIX, início do século XX. <em> </em>Lunara era um dos pseudônimos do comerciante Luiz do Nascimento Ramos (1864 &#8211; 1937). Pseudônimo composto a partir das primeiras sílabas de seus três nomes e que ele usava para expor suas fotos e também para participar de concursos fotográficos. Mas Lunara não foi seu único pseudônimo: quando escrevia crônicas para <em>O Athleta </em>(1883 &#8211; 1889), semanário do Clube Caixeiral Porto Alegrense, assinava com os pseudônimos Bitu ou Sancho.  Em torno de 1899, como fotógrafo amador passou a integrar a associação Sploro Photo-Club, em Porto Alegre, um dos fotoclubes pioneiros do Brasil.</p>
<p>&nbsp;</p>
<div style="width: 711px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/5635" target="_blank"><img class="" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/bitstream/handle/20.500.12156.1/5635/014ALUN010.jpg.jpg?sequence=2&amp;isAllowed=y" alt="Thumbnail" width="701" height="585" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/5635" target="_blank">Lunara. Vistas de Porto Alegre, c. 1900. Porto Alegre, Rio Grande do Sul / Acervo IMS</a></p></div>
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<p>Segundo Denise Burges Stumvoll, mestre em Artes Visuais pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul e autora da dissertação <em>Fotografia e aproximações com a arte no início do século xx : um olhar para as narrativas visuais de Lunara, </em>o álbum Vistas de Porto Alegre &#8220;&#8230;propõe um percurso realizado pelo fotógrafo, em que somos conduzidos pelas bordas e margens da cidade, bem como aos lugares e às pessoas que ali viveram, como se interessasse, ao autor das imagens, produzir uma metáfora da marginalidade, social e cultural, revelando o que geralmente ficava à sombra da memória visual sobre a modernidade na paisagem urbana.&#8221;</p>
<p>Participante ativo da vida cultural e econômica da cidade, adotou a fotografia como um hobby. Aos domingos, Lunara costumava sair com sua máquina fotográfica, um tripé e várias chapas de vidro 13 x 18cm. Uma de suas companhias mais constantes nesses passeios por Porto Alegre era seu amigo, o pintor Pedro Weingartner (1853 &#8211; 1929), um dos mais importantes artistas do sul do Brasil. Seus destinos favoritos eram as margens do rio Guaíba ou dos arroios Cascatinha e Dilúvio. A convivência entre Weingartner e Lunara é um exemplo de uma relação estreita entre fotógrafos e pintores, o que ajudou a sedimentar &#8220;o papel de vanguarda dos estúdios fotográficos na disseminação da arte moderna&#8221; (1).  Ainda sobre a a proximidade dos dois: &#8220;Suas pinceladas minuciosas e cheias de detalhes assemelham-se , em seu estilo, à precisão realista das imagens de Lunara, que reitera as qualidades miméticas da linguagem fotográfica para constituir um registro histórico de grande relevância para sua cidade&#8221;. Outros exemplos da interação entre fotógrafos e pintores são o apoio do fotógrafo francês Félix Nadar (1820 &#8211; 1910) à exposição dos pintores impressionistas em 1874, em Paris; e o trabalho do fotógrafo norte-americano Alfred Stieglitz (1864 &#8211; 1946) na realização das mostras de artistas como o espanhol Pablo Picasso (1881 &#8211; 1973) e o francês Georges Braque (1882 &#8211; 1966), em Nova York</p>
<p>Alguns dos temas mais abordados nas fotografias de Lunara foram os ex-escravizados, cenas de família, os carreteiros, as aguadeiras e os viajantes. Seus registros eram influenciados pelo movimento pictorialista internacional, movimento que se desenvolveu a partir do surgimento dos fotoclubes e que caracterizava-se pelo resultado da fotografia, que se aproximava da pintura. Em suas imagens, Lunara, com um olhar artístico que acentuava aspectos bucólicos, mostrava seu universo familiar com sensibilidade e humor. Suas fotografias revelavam também a incipiente modernização da capital gaúcha.</p>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_12518" style="width: 435px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://memoria.bn.br/docreader/025909_01/496"><img class="wp-image-12518" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2018/06/lunara.jpg" alt="lunara" width="425" height="540" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="http://memoria.bn.br/docreader/025909_01/496" target="_blank"><em>Revista da Semana</em>, 5 maio de 1901</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>Na <em>Gazeta do Comércio</em> de Porto Alegre, de 25 de março de 1903, o jornalista Artur Pinto da Rocha (1864 &#8211; 1930) escreveu sobre o fotógrafo:</p>
<p>&#8216;<em>Lunara é outro incorrigível amador da fotografia, que trata simultaneamente de açúcar e de tudo quanto passa&#8230; na Praça. Laureado nos concursos a que tem comparecido, é um artista que faz honra ao nosso meio. Tem sobre todos os seus brilhantes colegas a qualidade superior de descobrir na natureza os melhores assuntos e de saber vê-los através da objetiva com uma perfeição inexcedível de arte. E, vistos os motivos e interpretadas as cenas e observada a perspectiva e encantadoramente preparado o conjunto com uma empolgante sobriedade de elementos, Lunara tem ainda o soberbo dom de aplicar a seus trabalhos o título preciso e flagrante, com verve, com verdade e com justeza de conceito</em>&#8216;.</p>
<p>Nas fotografias selecionadas pela Brasiliana Fotográfica, alguns desses títulos inspirados, que ajudam a exprimir a visão e o objetivo do fotógrafo, podem ser apreciados, dentre eles <em><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/5619" target="_blank">Nhô João deixa disso</a></em>, <em><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/5620" target="_blank">As cantigas do vovô</a></em> e <em><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/5630" target="_blank">Mourejando</a></em>.</p>
<p><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/discover?rpp=10&amp;page=1&amp;query=lunara&amp;group_by=none&amp;etal=0" target="_blank">Acessando o link para as fotografias de Lunara disponíveis na Brasiliana Fotográfica, o leitor poderá magnificar as imagens e verificar todos os dados referentes a elas. </a></p>
<p>&nbsp;</p>
<div style="width: 535px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/5625" target="_blank"><img src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/bitstream/handle/20.500.12156.1/5625/014ALUN01015.jpg.jpg?sequence=2&amp;isAllowed=y" alt="Thumbnail" width="525" height="700" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/5625" target="_blank">Lunara. Dois filósofos, c. 1910. Porto Alegre, Rio Grande do Sul / Acervo IMS</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>Outro amigo de Lunara, Geraldino Silveira, publicou no <em>O Athleta</em> , em 1886, um pequeno perfil de Lunara, no qual fica evidente seu bom temperamento e gosto pelas mulheres. Revela também que ele tinha um problema de vista:</p>
<p>&#8216;<em>Luiz Ramos. Acanho-me em tratar deste bom amigo. Eu quisera dizer aqui tudo que sei a seu respeito; descobrir-lhe os segredos que povoam-lhe o coração. Um coração afeito a todas as doçuras do amor, moldado para a conquista dos sorrisos castos. Mas para quê?; prefirom guardar comigo a história de nossas confidências, a história de suas aventuras, como ele guarda consigo a ventura de seus afetos, o juramento de suas belas. É o fraco do Luiz; morre por um olhar de mulher, que é para ele o supremo ideal da vida. Se depois de um jejum de oito dias pusessem diante do Ramos um bife ensanguentado e uma mulher formosa, ele jamais olharia para o bife enquanto a deusa olhasse para ele.</em></p>
<p><em>Alimenta-se do belo; arrebatasse ante a plástica de uns contornos lânguidos e abundantes de carne. Jesus foi sacrificado sobre o Calvário; o Luiz também há de ter um dia o seu Calvário sobre a montanha azul de um amor imenso. Seria esse o ponto mais saliente da vida do Ramos, se ela não gostasse de literatura; se ele também já não tivesse produzido belas páginas de prosa; uma prosa temperada de verve e de elegância. Quem não tgerá aí lido o Bitu ou o Sancho?</em></p>
<p><em>Tem talento; mas um talento abandonado à fantasia dos diálogos romanescos dos salões de baile. Pouco estuda; um incômodo de olhos privou-o dos livros e o vidro azul dos óculos que traz sobre o nariz, enche-lhe a imaginação de volúpia e a alma de ternura. Tem facilidade admirável para o estudo das línguas; poderia vir a ser um filólogo se não estivesse diariamente debruçado sobre a escrivaninha de um escritório comercial. Gosta de preferência de falar o italiano; pudera, se o italiano é a língua dos amores, da música e das paixões enormes.</em></p>
<p><em>Nunca vi o Ramos incomodado; é um todo de bondade e de indulgênica. Se alguma vez o spleen o assoberba, embriaga-se à fumaça de um caporal e pouco fala. Nesse estado finge sorrir, mas nem mesmo ri. O céu do coração também tem suas tormentas&#8230;</em></p>
<p><em>É este o Luiz de que vos falo, e que agora desfruta a primavera de seus vinte e dois anos. No mais, um bom amigo, sincero, delicado e simpático.&#8217;</em></p>
<p>&nbsp;</p>
<div style="width: 712px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/5627" target="_blank"><img src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/bitstream/handle/20.500.12156.1/5627/014ALUN01018.jpg.jpg?sequence=2&amp;isAllowed=y" alt="Thumbnail" width="702" height="521" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/5627" target="_blank">Lunara. Carga miuda &#8211; Jacuhy, c. 1900. Porto Alegre, Rio Grande do Sul / Acervo IMS</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: center;"><strong><span style="color: #800000;"><em>Cronologia do fotógrafo Luiz do Nascimento Ramos, conhecido como Lunara (1864 &#8211; 1937)</em></span></strong></p>
<p style="text-align: left;"><span style="color: #800000;"><strong>1864 </strong></span>- Luiz do Nascimento Ramos nasceu, em Porto Alegre, no Rio Grande do Sul.</p>
<p style="text-align: left;"><span style="color: #800000;"><strong>1883 -</strong></span> Passou a integrar a comissão editorial do jornal <em>O Athleta </em>(1883-1889), vinculado ao Club Caixeiral Porto Alegrense. No período de existência do jornal, escrevia e publicava crônicas bem-humoradas sob os pseudônimos Bitu ou Sancho. O Club Caixeiral Porto Alegrense foi fundado, em 1882, por imigrantes alemães vinculados ao comércio.</p>
<p style="text-align: left;"><span style="color: #800000;"><strong>1886</strong></span> &#8211; Era um dos integrantes do Club Caixeral que seria homenageado com um <em>espetáculo de gala em honra da simpática e brisosa classe caixeiral, </em>no Theatro São Pedro<em> </em>(<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/388653/2688" target="_blank"><em>A Federação</em>, <em>Orgam do partido Republicano</em>, 17 de maio de 1886</a>).</p>
<p style="text-align: left;"><span style="color: #800000;"><strong>1888</strong></span> &#8211; De novo os comerciários foram homenageados com um espetáculo de ópera no Theatro São Pedro e os integrantes do Club Caixeral, dentre eles Lunara, representaram a classe (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/388653/4261" target="_blank"><em>A Federação</em>, <em>Orgam do partido Republicano</em>, 10 de março de 1888</a>).</p>
<p style="text-align: left;"><span style="color: #800000;"><strong>Década de 1890</strong></span> &#8211; Em fins dessa década, sua fotografia intitulada <em><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/5634" target="_blank">Aguadeira</a> </em>foi publicada na revista francesa <em>Photo-Gazette .</em></p>
<p>&nbsp;</p>
<div style="width: 533px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/5634" target="_blank"><img src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/bitstream/handle/20.500.12156.1/5634/014ALUN01006.jpg.jpg?sequence=2&amp;isAllowed=y" alt="Thumbnail" width="523" height="700" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/5634" target="_blank">Lunara. Aguadeira, c. 1900. Porto Alegre, Rio Grande do Sul / Acervo IMS</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p><span style="color: #800000;"><strong>1891</strong></span> &#8211; Trabalhava na firma Caetano Pinto &amp; Franco (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/388653/5973" target="_blank"><em>A Federação</em>, <em>Orgam do partido Republicano</em>, 17 de fevereiro de 1891</a>).</p>
<p><span style="color: #800000;"><strong>1894</strong> </span>- Contratou casamento com Maria Isabel Borges Ramos (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/388653/9191" target="_blank"><em>A Federação</em>, <em>Orgam do partido Republicano</em>, 10 de maio de 1894, segunda coluna</a>).</p>
<p style="text-align: left;"><span style="color: #800000;"><strong>1896</strong> </span>- Associou-se a Adwaldo Franco e abriu a firma de importações Franco, Ramos &amp; Cia. Também trabalhava como contador contábil em outras empresas.</p>
<p style="text-align: left;"><span style="color: #800000;"><strong>c. 1899</strong></span>- Registrava a periferia da cidade aos domingos e utilizava o pseudônimo Lunara para expor suas imagens.</p>
<p style="text-align: left;">Como fotógrafo amador passou a integrar a associação Sploro Photo-Club, em Porto Alegre, um dos fotoclubes pioneiros do Brasil. Funcionava na Drogaria Ingleza , que pertencia a Sépia, também fotógrafo amador.</p>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_12541" style="width: 550px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2018/06/lunara2.jpg"><img class="wp-image-12541 size-full" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2018/06/lunara2.jpg" alt="lunara2" width="540" height="389" /></a><p class="wp-caption-text">Acervo de Imprensa da Museu de Comunicação Hipólito José da Costa, 1901</p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: left;"><span style="color: #800000;"><strong>1899</strong></span> &#8211;  Ele fotografou as festas da inauguração do velódromo da União Velocipédica e algumas ficaram expostas nas vitrines da Drogaria Ingleza, em Porto Alegre. Seu amigo, o fotógrafo Virgílio Callegari (1868 &#8211; 1937) faria as ampliações (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/388653/11163" target="_blank"><em>A Federação</em>, <em>Orgam do partido Republicano</em>, 23 de novembro de 1899, segunda coluna</a>).</p>
<p style="text-align: left;">Lunara participou de um evento promovido pela associação Sploto Photo-Club, na Drogaria Ingleza. O júri do evento era formado por Augusto Daisson, Miguel Weingartner e Virgilio Callegari.</p>
<p style="text-align: left;"><span style="color: #800000;"><strong>Década de 1900</strong> </span>- Foi editado e publicado o álbum <em>Vistas de Porto Alegre &#8211; Fotografias Artísticas, </em>com 20 imagens assinadas pelo fotógrafo amador gaúcho Lunara (1864 &#8211; 1937), e produzido pelos Editores Krahe &amp; Cia, cuja loja e livraria ficavam na rua dos Andradas, em Porto Alegre.</p>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_12540" style="width: 368px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2018/06/lunara3.jpg"><img class="wp-image-12540 size-full" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2018/06/lunara3.jpg" alt="lunara3" width="358" height="540" /></a><p class="wp-caption-text">Acervo de Imprensa da Museu de Comunicação Hipólito José da Costa, 1901</p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: left;"><span style="color: #800000;"><strong>1900</strong> </span>- Endereçou à Repartição Central da Secretaria de Estado de Negócios do interior e exterior em Porto Alegre uma carta sugerindo a adoção de um novo método marcas e sinais para gado (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/388653/12068" target="_blank"><em>A Federação</em>, <em>Orgam do partido Republicano</em>, 27 de agosto de 1900</a>).</p>
<p style="text-align: left;">Nascimento de seu filho, Áureo.</p>
<p style="text-align: left;"><strong><span style="color: #800000;">1901</span></strong> &#8211; Lunara já era um próspero comerciante e membro da diretoria da Associação Comercial de Porto Alegre.</p>
<p style="text-align: left;">Recebeu a medalha de bronze no segundo concurso para amadores da fotografia realizado nos salões da fotografia Leterre, na rua da Carioca, com um registro do busto de perfil da filha de um amigo. Fazia parte do júri o fotógrafo <a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=6048" target="_blank">Joaquim Insley Pacheco (1830 &#8211; 1912)</a>, além do escultor Rodolfo Bernardelli (1852 &#8211; 1931) e do pintor Hilarião Teixeira (1860 &#8211; 1952). Nos dois primeiros lugares ficaram o carioca Narciso Braga e o gaúcho Luiz Manuel de Souza Filho (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/030015_02/2007" target="_blank"><em>Jornal do Brasil</em>, de 2 de março de 1901, sexta coluna</a> e <a href="http://memoria.bn.br/DocReader/388653/12685" target="_blank"><em>A Federação</em>, <em>Orgam do partido Republicano</em>, 9 de março de 1901, segunda coluna</a>).</p>
<p style="text-align: left;">Realização da Exposição Estadual no Campo da Redenção, quando foi exibido o desenvolvimento da indústria e do comércio do Rio Grande do Sul. Luiz do Nascimento Ramos foi membro do júri do concurso de fotografias que integrava o evento. Os outros membros do júri foram Balduíno Rohrig e Luiz Manuel de Souza Filho (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/388653/12712" target="_blank"><em>A Federação</em>, <em>Orgam do partido Republicano</em>, 10 de março de 1901, quinta coluna</a>). Na ocasião, fotografou todos os pavilhões da exposição. Forneceu as fotografias publicadas na  <a href="http://memoria.bn.br/docreader/025909_01/496"><em>Revista da Semana</em>, 5 de maio de 1901,</a> uma edição especial comemorativa da Exposição Estadual Riograndense.</p>
<p style="text-align: left;"><span style="color: #800000;"><strong>1902 &#8211; </strong><span style="color: #333333;">Publicação do artigo intitulado “Artigo Infamante – Aos Amadores de Fotografia no Brasil – Aos profissionais e a meus clientes e amigos “, de autoria de A. Laterre  em resposta a uma publicação de 5 de abril d e 1902 na <em>Gazeta do Commercio</em>, em Porto Alegre, que relatava que durante uma reunião do Sploro Photo-Club, da qual Lunara participou, haviam sido feitos protestos contra um artigo publicado pela revista<em> </em>parisiense<em> Photographie Française, </em>de janeiro de 1902, e também protestos contra o fotógrafo sr. A. Leterre, acusado de prejudicar os fotógrafos amadores do Rio Grande nos concursos que promovia. Nele o fotógrafo Joaquim Insley Pacheco, um dos juízes dos concursos, era mencionado (<a style="color: #333333;" href="http://memoria.bn.br/DocReader/030015_02/4357" target="_blank"><em>Jornal do Brasil</em>, 20 de abril de 1902</a>).</span></span></p>
<p style="text-align: left;">Publicação da fotografia &#8220;Sono Pesado&#8221;, de sua autoria, na <a href="http://memoria.bn.br/DocReader/025909_01/1448" target="_blank"><em>Revista da Semana</em> de 16 de novembro de 1902</a>.</p>
<p style="text-align: left;"><span style="color: #800000;"><strong>1903</strong> </span>- Conquistou medalha de ouro na Mostra Grupal de Artes Plásticas, promovida pelo jornal <em>Gazeta do Comércio. </em>Concorreu com diversas fotografias, dentre elas <a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/5626" target="_blank"><em>Águas correntes</em></a>, <em>Dois Filósofos e </em><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/5619" target="_blank">Nhô João, deixa disso&#8230;</a>, que fazem parte do álbum<em> Vistas de Porto Alegre.</em></p>
<p>&nbsp;</p>
<div style="width: 325px" class="wp-caption alignleft"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/5626" target="_blank"><img src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/bitstream/handle/20.500.12156.1/5626/014ALUN01016.jpg.jpg?sequence=2&amp;isAllowed=y" alt="Thumbnail" width="315" height="423" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/5626" target="_blank">Lunara. Águas correntes, c. 1900. Porto Alegre, Rio Grande do Sul / Acervo IMS</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: left;">Nascimento de sua filha, Zaida (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/388653/12712" target="_blank"><em>A Federação</em>, <em>Orgam do partido Republicano</em>, 28 de julho de 1901</a>, terceira coluna).</p>
<p style="text-align: left;"><span style="color: #800000;"><strong>1904</strong></span> &#8211; Foi eleito para integrar o conselho fiscal da companhia de seguros marítimos e terrestre Phenix de Porto Alegre (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/388653/15129" target="_blank"><em>A Federação</em>, <em>Orgam do partido Republicano</em>, 11 de março de 1904, terceira coluna).</a></p>
<p style="text-align: left;">Foi eleito em 9 de outubro, conselheiro fiscal do Club Caixeiral Porto Alegrense (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/313394/27896" target="_blank">Almanak Laemert, 1905</a>).</p>
<p style="text-align: left;">Recebeu 1 voto na eleição municipal para intendente e conselheiro (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/388653/15828" target="_blank"><em>A Federação</em>, <em>Orgam do partido Republicano</em>, 11 de outubro de 1904, terceira coluna)</a>.</p>
<p style="text-align: left;"><span style="color: #800000;"><strong>1904 /1905</strong></span> &#8211; Foram publicados cartões-postais colorizados de Lunara. A maioria pelos Editores Krahe &amp;  Cia.</p>
<p style="text-align: left;"><span style="color: #800000;"><strong>1905</strong></span> &#8211; Foi eleito diretor da Praça do Comércio de Porto Alegre (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/388653/16101" target="_blank"><em>A Federação</em>, <em>Orgam do partido Republicano</em>, 1 de janeiro de 1905, quinta coluna)</a>.</p>
<p style="text-align: left;"><span style="color: #800000;"><strong>1908</strong></span> &#8211; Foi noticiada a chegada do negociante Luiz Nascimento Ramos ao Rio de Janeiro (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/224782/2571" target="_blank"><em>O Século</em>, 19 de setembro de 1908, quarta coluna</a>).</p>
<p style="text-align: left;"><span style="color: #800000;"><strong>Década de 10</strong></span> &#8211; Publicava regularmente seu trabalho na revista <em>Máscara</em>.</p>
<p style="text-align: left;"><span style="color: #800000;"><strong>1910</strong></span> &#8211; Fotografou uma excursão automobilística (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/388653/23373" target="_blank"><em>A Federação</em>, <em>Orgam do partido Republicano</em>, 14 de novembro de 1910, primeira coluna)</a>.</p>
<p style="text-align: left;"><span style="color: #800000;"><strong>1913</strong></span> &#8211; Lunara foi o testamenteiro do pintor Pedro Weingartner (1853 &#8211; 1929).</p>
<p style="text-align: left;"><span style="color: #800000;"><strong>1922</strong> </span>-Recebeu o prêmio da publicação La <em>Revue de Photographie</em>, de Paris, pela fotografia <em>O Lago</em> (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/107468/5659" target="_blank"><em>Illustração Brasileira, </em>24 de junho de 1922)</a>.</p>
<p style="text-align: left;">Publicação da fotografia <em>Sono pesado</em>, de autoria de Lunara (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/107468/5839" target="_blank"><em>Illustração Brasileira</em>, 15 de agosto de 1922</a>).</p>
<p style="text-align: left;"><strong><span style="color: #800000;">1937</span></strong> &#8211; Faleceu em Porto Alegre e, durante décadas, sua obra permaneceu guardada por familiares.</p>
<p style="text-align: left;"><span style="color: #800000;"><strong>1976</strong></span> &#8211; A jornalista e fotógrafa gaúcha Eneida Serrano (1952 &#8211; ) entrou em contato com o filho de Lunara, Áureo, de 76 anos, que mostrou a ela o acervo de seu pai: uma máquina fotográfica, recortes de jornais, 15 chapas de vidro, 13 x 18cm, e dois álbuns com 60 fotografias de sua autoria.</p>
<p style="text-align: left;"><span style="color: #800000;"><strong>1979</strong></span> &#8211; Eneida Serrano realizou a exposição <em>Lunara &#8211; Amador 1900</em>, no Museu de Comunicação Hypólito José da Costa, em Porto Alegre.</p>
<p style="text-align: left;"><span style="color: #800000;"><strong>2001</strong></span> &#8211; Em homenagem ao fotógrafo, foi inaugurado no centro cultural Usina do Gasômetro, na capital gaúcha, a Galeria Lunara, espaço especializado em fotografias.</p>
<p style="text-align: left;">Suas fotos foram reunidas no livro <em>Lunara Amador 1900,</em> de Eneida Serrano.</p>
<p style="text-align: left;"><span style="color: #800000;"><strong>2018</strong></span> &#8211; Exposição, no Museu de Arte do Rio Grande do Sul, de 20 fotografias de autoria de Lunara na 11ª Bienal de Artes Visuais do Mercosul, realizada em Porto Alegre e Pelotas. As imagens fazem parte do álbum <em>Vistas de Porto Alegre – Photographias Artísticas</em>, do acervo fotográfico do Museu da Comunicação Hipólito José da Costa.</p>
<p style="text-align: center;"><span style="color: #800000;"><em> <strong>Duas crônicas de Lunara com os pseudônimos Bitu e Sancho </strong></em></span></p>
<p style="text-align: center;"><span style="color: #333333;">(transcritas do livro<em> Lunara Amador 1900</em>, de Eneida Serrano)</span></p>
<p style="text-align: center;"><em><span style="color: #800000;"><strong>É moda </strong></span></em></p>
<p style="text-align: left;">Tudo é moda, até dizer-se o que não se sente e sentir-se o que não se diz.</p>
<p style="text-align: left;">Não sei quem disse isto; mas quem disse tinha razão.</p>
<p style="text-align: left;">Uma moça conversando com um rapaz bem desempenado, de fácil verbiagem, dizia-lhe com o ar todo afetado:</p>
<p style="text-align: left;">- Sr. F&#8230; pelo o que o sr. acaba de dizer-me, detesta a maneira exagerada de usarem as modas hoje em dia?&#8230;</p>
<p style="text-align: left;">- Na verdade, minha senhora: e mil vezes bem digo a sorte por ter nascido homem, quando vejo passar-me pela frente essas moças, todas cheia de barbatanas, polvilhos, tintas, algodões e de tantas outras composições, que as francesas têm inventado para fazer do feio belo, do gordo magro, do pardo branco&#8230;</p>
<p style="text-align: left;">- Pois pensa inteiramente como eu&#8230; são coisas estas, que não só aborreço como também detesto.</p>
<p style="text-align: left;">- Pois então somos dois a pensar da mesma forma?!&#8230;</p>
<p style="text-align: left;">- Oh! naturalmente&#8230;</p>
<p style="text-align: left;">-Pois creia minha senhora&#8230;</p>
<p style="text-align: left;">Nisto entra o moleque da casa com um embrulho, e depositando-o sobre uma cadeira, diz todo vitorioso: &#8220;nhnhãsinha, o seu Juca deu a anquinha por um patacão, e mandou dizer prá nhanhãsinha que recebeu daqueles pós que nhanhãsinha&#8230;</p>
<p style="text-align: left;">- Minha senhora, sente-se incomodada? está vermelha&#8230;o que tem&#8230;</p>
<p style="text-align: left;">- Não é nada, costumo&#8230; sim&#8230; a enxaqueca&#8230;</p>
<p style="text-align: left;">- Queira receber as minhas despedidas e permita-me vir amanhã, saber de sua apreciável saúde&#8230;</p>
<p style="text-align: left;">- Pois não&#8230;quero dizer, queira não incomodar-se&#8230;</p>
<p style="text-align: left;">Saiu o homem&#8230; atravessou a rua&#8230; quis fazer um cumprimento ainda à moça da anquinha e teve a decepção de ver a sua cabeleira descolar-se do seu caco nu e descrever um semicírculo na sua frente&#8230;</p>
<p style="text-align: left;">Oh! malditas anquinhas!&#8230;</p>
<p style="text-align: left;">Impagabilíssimos chinós!&#8230;</p>
<p style="text-align: center;"><em>Publicado no O Athleta de 14 de julho de 1886 e assinado Sancho (um dos pseudônimos de Luiz Nascimento Santos)</em></p>
<p style="text-align: center;"><em><strong><span style="color: #800000;">No baile do recreio</span></strong></em></p>
<p style="text-align: left;"> Vi-a pela primeira vez, ainda me lembro bem, foi numa quinta-feira. Ela negociava uma caixinha de pós de arroz, com o Gama, na loja do Felizardo. Pisquei-lhe um olho, ela compreendeu.</p>
<p>A negrita que acompanhava a família estava à porta. Dei-lhe um níquel e fiquei logo ciente que Iaiá ia ao baile do Recreio.</p>
<p>Chegara o sábado. O Cosmopolita estava repleto das mais esplêndidas flores do nosso jardim.</p>
<p>Magnífica <em>soirée</em>.</p>
<p>Dançava-se com frenesi.</p>
<p>Fazia as honras da sala o simpático diretor, o roliço Guilherme.</p>
<p>Iaiá lá estava. Cumprimentei-a e tirei-a para uma valsa.</p>
<p>Ressoaram no salão as notas brilhantes de uma composição de Strauss. Cingindo aquela cinturinha breve, quis falar-lhe do meu amor. Pela primeira vez achei-me acanhado e senti que a amava deveras.</p>
<p>Guardaria-me para a quinta quadrilha. Armaria-me de coragem e estabeleceríamos as bases do nosso casamento.</p>
<p>Passeávamos na sala acalentando eu essa ideia, que me viera tirar de uma crítica posição.</p>
<p>Chega-se a nós, choramingas a morder um esquecido, uma encantadora criancinha. Agarra-se ao vestido da Iaiá, e com a mão esquerda a coçar-lhe o canto da vista repete-lhe três vezes:</p>
<p>&#8211; Eu quero ir pra casa, eu tô cum sono.</p>
<p>&#8211; Que belo irmãozinho</p>
<p>&#8211; Não tenho irmãos. Este é o meu filhinho mais velho.</p>
<p>Fiquei enfiado e viria para casa sem chapéu se o marido de Iaiá não me dissesse a chacotear.</p>
<p>&#8211; O Sr, vai sem cabeça?!&#8230;</p>
<p style="text-align: center;"><em>Publicado no O Athleta de 24 de outubro de 1886 e assinado Bitu (um dos pseudônimos de Luiz Nascimento Santos)</em></p>
<p style="text-align: left;">A fotografia abaixo, <em>Nhô João, deixa disso</em>!,  inspirou o <a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=11605" target="_blank">texto homônimo de Elvia Bezerra,</a> coordenadora de Literatura do IMS, que foi publicado na Brasiliana Fotográfica, no Dia dos Namorados, 12 de junho de 2018.</p>
<p>&nbsp;</p>
<div style="width: 711px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/5619" target="_blank"><img src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/bitstream/handle/20.500.12156.1/5619/014ALUN01012.jpg.jpg?sequence=2&amp;isAllowed=y" alt="Thumbnail" width="701" height="525" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/5619" target="_blank">Lunara. Nhô João, deixa disso, c. 1900. Porto Alegre, Rio Grande do Sul / Acervo IMS</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong><span style="color: #800000;">Links para artigos já publicados na Brasiliana Fotográfica sobre fotógrafos amadores:</span></strong></p>
<p><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=4924" target="_blank">Ipanema, que completa 122 anos, pelas lentes de José Baptista Barreira Vianna (1860 &#8211; 1925)</a>, publicado em 26 de abril de 2016</p>
<p><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=5545" target="_blank">O fotógrafo amador Guilherme Santos (1871 &#8211; 1966)</a>, publicado em 28 de julho de 2016</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>(1)  PEREGRINO, Nadja Fonseca; MAGALHÃES, Ângela. <em>Fotoclubismo no Brasil: o legado da Sociedade Fluminense de Fotografia, pág. 119.</em></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Andrea C. T. Wanderley</p>
<p>Editora-assistente e pesquisadora do portal Brasiliana Fotográfica</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><span style="color: #800000;"><strong>Fontes:</strong></span></p>
<p><a href="http://bndigital.bn.gov.br/hemeroteca-digital/">Hemeretoteca Digital da Biblioteca Nacional</a></p>
<p>KOSSOY, Boris. <i>Dicionário Histórico-Fotográfico Brasileiro: fotógrafos e ofício da fotografia no Brasil (1833-1910)</i>. São Paulo: Instituto Moreira Salles, 2002.</p>
<p>PEREGRINO, Nadja Fonseca; MAGALHÃES, Ângela. <em>Fotoclubismo no Brasil: o legado da Sociedade Fluminense de Fotografia</em>. Rio de Janeiro: Senac Nacional, 2012, 336 p.II.</p>
<p>SANTOS, Alexandre. <em>O gabinete do Dr. Cellegari: considerações sobre um bem-sucedido fabricante de imagens</em>. In: ACHUTTI, Luiz (org). Ensaios sobre o fotográfico. Porto Alegre: Unidade Editorial, 1998.</p>
<p>SERRANO, Eneida. Lunara amador 1900. Porto Alegre: E.S..,2002.</p>
<p><a href="http://enciclopedia.itaucultural.org.br/pessoa22098/lunara" target="_blank">Site Enciclopédia Itaú Cultural</a></p>
<p><a href="https://gauchazh.clicrbs.com.br/cultura-e-lazer/artes/noticia/2018/04/porto-alegre-de-1900-fotos-de-lunara-revelam-peculiaridades-da-velha-provincia-cjggv1suw002t01pa821l7it2.html" target="_blank">Site GaúchaZH Artes</a></p>
<p><a href="https://www.metmuseum.org/art/collection/search/269443" target="_blank">Site Metropolitan Museum of New York</a></p>
<p><a href="http://www.ufrgs.br/secom/ciencia/fotografia-e-arte-porto-alegre-sob-a-otica-de-lunara/" target="_blank">Site UFRGS Ciência</a></p>
<p>STUMVOLL, Denise Bujes. <a href="http://www.lume.ufrgs.br/handle/10183/114657" target="_blank"><em>Fotografia e aproximações com a arte no início do século xx : um olhar para as narrativas visuais de Lunara.</em></a> Dissertação de mestrado, 2014. Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Instituto de Artes. Programa de Pós-Graduação em Artes Visuais.</p>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_12524" style="width: 550px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2018/06/lunara1.jpg"><img class="wp-image-12524 size-full" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2018/06/lunara1.jpg" alt="lunara1" width="540" height="387" /></a><p class="wp-caption-text">Virgilio Calegari. Retrato de Luis do Nascimento Santos, c. 1900. Porto Alegre, Rio Grande do Sul / Fototeca Sioma Breitman / Museu Joaquim Felizardo</p></div>
<p>&nbsp;</p>
]]></content:encoded>
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		<title>O retratista português Joaquim Insley Pacheco (31 de março de 1830 &#8211; 14 de outubro de 1912)</title>
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		<pubDate>Fri, 14 Oct 2016 16:50:22 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Andrea Wanderley]]></dc:creator>
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		<description><![CDATA[Um dos mais prestigiados e famosos retratistas do Brasil no século XIX, o fotógrafo e pintor português Joaquim José Pacheco, posteriormente Joaquim Insley Pacheco, nasceu em Cabeceiras de Bastos, em 1830. No fim dos anos 40, já estava em Fortaleza, onde teve contato com a fotografia com o daguerreotipista e mágico irlandês Frederick Walter, que tornou-se seu mestre. Em 1855, já estava estabelecido no Rio de Janeiro e nesse mesmo ano fotografou o imperador Pedro II, a imperatriz Teresa Cristina e a filha do casal, princesa Leopoldina, na Quinta da Boa Vista e foi agraciado com o título de "Fotógrafo da Casa Imperial". Faleceu em 1912.]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<div style="width: 327px" class="wp-caption alignleft"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/3923" target="_blank"><img src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/bitstream/handle/20.500.12156.1/3923/001AVA009027v.jpg.jpg?sequence=2&amp;isAllowed=y" alt="Thumbnail" width="317" height="523" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/3923" target="_blank">Joaquim Insley Pacheco. Retrato de homem (verso), c. 1865. Rio de Janeiro, RJ / Acervo IMS</a></p></div>
<p>Um dos mais prestigiados e famosos retratistas do Brasil no século XIX, o fotógrafo e pintor português Joaquim José Pacheco, posteriormente Joaquim Insley Pacheco, nasceu em Cabeceiras de Bastos, em 31 de março de 1830. Era muito requisitado pela corte imperial brasileira e, além de ter sido muito procurado para a execução de retratos, era reconhecido por seu trabalho com fotopintura.</p>
<p>Uma crônica do poeta e jornalista Faustino Xavier de Novais (1820 &#8211; 1869), de 24 de outubro de 1863, chamava atenção para a popularidade de Insley Pacheco no Rio de Janeiro:</p>
<p><em>&#8220;&#8230;Pouco distante do meu pouso eleva-se uma casa cuja fachada pintada de cores vivas provoca a atenção dos que passam. É aí o palácio do fotógrafo mais afamado da capital, J. Insley Pacheco, que tem tido a honra de copiar todos os narizes do Rio&#8230;&#8221;</em></p>
<p>No fim dos anos 1840, já estava em Fortaleza, capital do Ceará, onde teve contato com a fotografia com o daguerreotipista e mágico irlandês Frederick Walter (1811- 18?)*, uma das figuras mais pitorescas do início da fotografia no Brasil, que tornou-se seu mestre. Insley produzia desenhos para as exibições de mágica de Walter e, em troca, Walter ensinava a ele a arte da daguerreotipia. Segundo Mello Moraes Filho, Insley possuía uma <em>natureza em demasia curiosa, índole decidida e aventureira</em>. De acordo com o mesmo autor, Insley foi o introdutor da ambrotipia no Brasil. Ele teria adquirido, de um capitão de navio ancorado no porto do Rio de Janeiro, fórmulas e máquinas do referido processo.</p>
<p>O primeiro estabelecimento fotográfico de Insley de que se tem notícia ficava na rua Formosa, em Fortaleza. Entre 1950 e 1951, viajou pelos Estados Unidos, onde estudou com os fotógrafos Mathew Brady (c.1822 &#8211; 1896), Jeremiah Gurney (1812 &#8211; 1895) e Henry E. Insley (1811 &#8211; 1894). Acredita-se que em homenagem a esse último adotou o sobrenome Insley.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/discover?query=insley&amp;submit=Ir" target="_blank"><span style="color: #800000;">Acessando o link para as fotografias de Joaquim Insley Pacheco disponíveis na Brasiliana Fotográfica, o leitor poderá magnificar as imagens e verificar todos os dados referentes a elas. </span></a></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Em 1851, após uma breve passagem por São Luís, no Maranhão, voltou à Fortaleza e seu estúdio ficava na rua da Palma (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/709506/1714" target="_blank"><em>O Cearense</em>, 9 de maio de 1851, na última coluna</a>).  Um ano depois, vendeu <em>por menos de seu valor todos os utensílios pertencentes a sua profissão de retratista</em> (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/216828/720" target="_blank"><em>Pedro II</em> (CE), 21 de agosto de 1852, na terceira coluna</a>). <span style="color: #333333;">Partiu para Sobral (</span><a href="http://memoria.bn.br/DocReader/216828/894" target="_blank"><em>Pedro II</em> (CE), 8 de dezembro de 1852</a><span style="color: #333333;">) e d</span>epois de uma rápida permanência em Pernambuco, em 1854, onde seu ateliê ficava no Aterro da Boa Vista, nº 4, no Recife, foi para o Rio de Janeiro e anunciava, em 1855, sua <em>Novíssima e esplêndida galeria de retratos pelo sistema cristalotipo</em>, em seu novo estúdio fotográfico, na rua do Ouvidor, nº 31, posteriormente 40 (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/364568_04/8119" target="_blank"><em>Jornal do Commercio  7</em><span style="color: #000000;"> <span style="color: #0000ff;">de fevereiro de 1855</span></span></a> e <a href="http://memoria.bn.br/DocReader/217280/10006" target="_blank"><span style="color: #0000ff;"><em>Correio Mercantil, </em>9 de fevereiro de 1855<em> </em></span></a><em><span style="color: #0000ff;">)</span>. </em>Já assinava com o sobrenome Insley. No estabelecimento, também eram comercializados quadros, caixas, molduras e alfinetes (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/364568_04/8870" target="_blank"><em>Jornal do Commercio</em>, 2 de agosto de 1855</a>). O ateliê também funcionava, eventualmente, como uma galeria para exposições de artes plásticas.</p>
<p>Insley Pacheco fotografou, em 10 de agosto de 1855, o imperador <a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=7183" target="_blank">Pedro II (1825 &#8211; 1891)</a>, a imperatriz <a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=6798" target="_blank">Teresa Cristina (1822 &#8211; 1829)</a> e a filha do casal, princesa Leopoldina (1847 &#8211; 1871), na Quinta da Boa Vista (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/094170_01/42449" target="_blank"><em>Diário do Rio de Janeiro</em>, 9 de janeiro de 1856</a>). Segundo Guilherme Auler (1914-1965), sob o pseudônimo de Ricardo Martim, em dois artigos publicados na <em>Tribuna de Petrópolis,</em> em 1º e 8 de abril de 1956, Insley teria sido agraciado com o título de &#8220;Fotógrafo da Casa Imperial&#8221;, em 22 de dezembro de 1855. Mas o fato só foi noticiado em 19 de dezembro 1857, no <em>Diário do Rio de Janeiro</em>. Foi também agraciado com a Ordem de Cavaleiro Real da Ordem de Cristo.</p>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_41935" style="width: 500px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://memoria.bn.gov.br/docreader/094170_01/45559" target="_blank"><img class="size-full wp-image-41935" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2016/10/insley22.jpg" alt="Diário do Rio de Janeiro, 19 de dezembro de 1857" width="490" height="216" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="http://memoria.bn.gov.br/docreader/094170_01/45559" target="_blank"><em>Diário do Rio de Janeiro</em>, 19 de dezembro de 1857</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>Tudo isso contribuiu para que seu público fosse consistentemente de representantes da elite e retratos realizados em seu estabelecimento eram presenças constantes em álbuns fotográficos de famílias da alta sociedade do século XIX.</p>
<p><span style="color: #000000;"><span style="color: #333333;">Em 1858, foi anunciado <em>um grande passo na arte fotográfica</em> no ateliê de Insley Pacheco: <em>É o ambrotipo e a pintura dando-se as mãos para reunirem a fidelidade da cópia à duração e à persistência das cores</em> </span></span><span style="color: #333333;">(<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/094170_01/45659" target="_blank"><em>Diário do Rio de Janeiro</em>, 17 de janeiro de 1858, na quarta coluna</a>). No mesmo ano, em um anúncio de seu estabelecimento, apresentava-se como <em>primeiro e único retratista em vidro</em> (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/364568_04/12833" target="_blank"><em>Jornal do Commercio,</em> 13 de maio de 1858</a>).</span></p>
<p><span style="color: #333333;">Em 1860, a firma </span><span style="color: #000000;"><span style="color: #333333;">Pacheco e Irmão Ambrotypista da Augusta Caza Imperial abriu um estúdio em Salvador, que fecharia no mesmo ano, e outro em São Luís, fechado em 1861. Em 1863, abriu um novo estabelecimento, na rua do Ouvidor, nº 102, no Rio de Janeiro</span> (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/094170_02b/16933" target="_blank"><em>Diário do Rio de Janeiro </em>, 1º de abril de 1863, na quarta coluna</a>).</span></p>
<p>Após diversas tentativas fracassadas, o Ministério do Império, com o decreto 5613, de 25 de abril, <em>concedeu privilégio de cinco anos a Joaquim Insley Pacheco, para fazer fotografias de sua invenção, aplicadas à porcelana, vidro opalino e marfim</em> (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/094170_02b/31631" target="_blank"><em>Diário do Rio de Janeiro</em>, 15 de maio de 1874, na última coluna</a>).</p>
<p>Insley Pacheco foi condecorado pelo governo português com a Ordem de Cristo  (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/702951/2198" target="_blank"><em>Semana Ilustrada</em>, 3 de março de 1866</a>) e participou das exposições universais de Paris (1867 e 1889), de Viena (1873), e da Filadéfia (1876) e de outras exposições internacionais como as do Porto (1865), de Santiago do Chile (1875), de Buenos Aires (1882) e de Chicago (1893). No Brasil, esteve presente em diversas exposições nacionais e também em várias exposições da Academia Imperial de Belas Artes.</p>
<p>Em torno de 1892, na folha de proteção sobreposta às suas fotografias, Insley Pacheco identificava-se como <em>Fotógrafo e pintor. Cavaleiro da Real Ordem de Cristo. Premiado com a Menção de Honra nas exposições de Vienna e mais 16 medalhas nas exposições de Philadelphia, Porto, Brazil, Chile, Buenos Aires e Chicago. Novo sistema de platinotipia &#8211; Rua dos Ourives, 38 &#8211; Rio de Janeiro</em>.</p>
<p>Nas artes plásticas, seu mestre foi o pintor Arsênio da Silva (1833 &#8211; 1883) e seus quadros foram muitas vezes premiados. Eram adquiridos por destacadas figuras da sociedade como o <a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=7462" target="_blank">Barão do Rio Branco (1845 &#8211; 1912)</a>. Insley Pacheco foi, em 1903, o primeiro presidente da Associação dos Aquarelistas. Em seu ateliê foram realizadas diversas exposições de pintores como Firmino Monteiro (1855 &#8211; 1888) e Pedro Weingarten (1853 &#8211; 1929).</p>
<p>Em 14 de outubro de 1912, faleceu Joaquim Insley Pacheco, <em>o fotógrafo tradicional do Rio</em> (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/030015_03/16002" target="_blank"><em>Jornal do Brasil</em>, 15 de outubro de 1912</a> e <a href="http://memoria.bn.br/DocReader/178691_04/14176" target="_blank"><em>O Paiz</em>, 16 de outubro de 1912, ambos na penúltima coluna</a>).</p>
<p>&nbsp;</p>
<div style="width: 665px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/508" target="_blank"><img src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/bitstream/handle/20.500.12156.1/508/imagem.jpg.jpg?sequence=2&amp;isAllowed=y" alt="Thumbnail" width="655" height="800" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/508" target="_blank">Joaquim Insley Pacheco. Pedro II, imperador do Brasil: retrato, 1883 / Acervo FBN</a></p></div>
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<p>Comentário de Boris Kossoy sobre o retrato acima: &#8230;um retrato do imperador, entretanto, datado de 1883, isto é, quando contava 58 anos de idade, é particularmente interessante pelo &#8220;clima&#8221; tropical criado no ateliê: cenário de natureza &#8220;plantada&#8221; como fundo para o retrato (bem ao contrário dos tradicionais fundos com paisagens europeias complementados por uma mescla de mobiliário vitoriano e clássico, recursos tão utilizados pelos fotógrafos no século XIX). Com a nova montagem do velho teatro tem-se explicitada a ideologia de uma civilização nos trópicos&#8221; (KOSSOY, Boris. <em>Dicionário histórico-fotográfico brasileiro: fotógrafos e ofício da fotografia no Brasil (1833-1910).</em> São Paulo: Instituto Moreira Salles, 2002. 408 p., il. p&amp;b.).</p>
<p><em><strong> </strong></em></p>
<p><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=20924" target="_blank"><span style="color: #800000;"><strong>Acesse aqui a</strong></span> <em><strong><span style="color: #800000;">Cronologia de Joaquim Insley Pacheco (1830 &#8211; 1912)</span></strong></em></a></p>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_41857" style="width: 373px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://objdigital.bn.br/objdigital2/acervo_digital/div_iconografia/icon276816/icon1421708.jpg" target="_blank"><img class="wp-image-41857 size-full" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2021/01/insley5.jpg" alt="insley5" width="363" height="531" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://objdigital.bn.br/objdigital2/acervo_digital/div_iconografia/icon276816/icon1421708.jpg" target="_blank">Joaquim Insley Pacheco, s/d / Acervo FBN</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>*Segundo Mello Moraes Filho  (1844 &#8211; 1919), Frederick Walter <em>&#8220;desembarcara no Ceará, trazendo consigo um aparelho de daguerreótipo, que usava durante o dia, e um gabinete de mágica, que funcionava à noite nos teatrinhos</em>&#8220;. Walter tornou-se o mestre do jovem Pacheco.</p>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_41959" style="width: 325px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://memoria.bn.gov.br/docreader/089842_01/3603" target="_blank"><img class="size-full wp-image-41959" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2021/01/insley31.jpg" alt="Correio da Manhã. " width="315" height="302" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="http://memoria.bn.gov.br/docreader/089842_01/3603" target="_blank">Mello Moraes Filho em &#8220;Artistas do meu tempo&#8221; / <em>Correio da Manhã,</em> 5 de abril de 1903</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>O nome abrasileirado do mestre irlandês de Insley era Guilherme Frederico Walter e ele havia trabalhado, em 1840, no Rio de Janeiro, com o mágico Jacomo Luiz Marques (18?-?); e, em 1846, no Recife, como assistente do mágico inglês George Sutton (18? -?) (<a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/364568_03/947" target="_blank"><em>Jornal do Commercio</em>, 12 de setembro de 1840, penúltima coluna</a>; e <a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/029033_02/7650" target="_blank"><em>Diário de Pernambuco</em>, 9 de maio de 1846, última coluna</a>).</p>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_45219" style="width: 399px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://memoria.bn.gov.br/docreader/364568_03/947" target="_blank"><img class=" wp-image-45219" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2021/01/ceará2.jpg" alt="Jornal do Commercio, de 1840" width="389" height="448" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="http://memoria.bn.gov.br/docreader/364568_03/947" target="_blank"><em>Jornal do Commercio,</em> 12 de setembro de 1840</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_45216" style="width: 398px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/029033_02/7650" target="_blank"><img class="size-full wp-image-45216" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2021/01/ceará1.jpg" alt="Diário de Pernambuco, de 1846" width="388" height="538" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/029033_02/7650" target="_blank"><em>Diário de Pernambuco</em>, 9 de maio de 1846</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>Após as apresentações no Recife, Walter seguiu para São Luís, capital do Maranhão, onde aprendeu a daguerreotipia com o norte-americano Charles DeForest Fredericks (1823 &#8211; 1894) que, na ocasião, estava trabalhando na cidade (<em>O Espelho de Papel &#8211; A fotografia de Insley Pacheco na coleção do IHGB (</em>2025)). Em 1849, no Recife, Walter estabeleceu sua galeria de daguerreótipos na Rua da Cadeia de Santo Antônio, nº 26, no segundo andar (<a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/029033_02/11333" target="_blank"><em>Diário de Pernambuco</em>, 21 de fevereiro de 1849, última coluna</a>).</p>
<p style="text-align: left;">Segundo <em>História da fotografia no Ceará</em> (Edição do Autor, 2019), de Ary Bezerra Leite, Pacheco pintava cenários para os espetáculos de magia do seu professor/empregador e, em troca, recebia dele aulas de daguerreotipia.  Guilherme Frederico Walter chegou ao Ceará, em 30 de maio de 1848, e anunciou, poucos dias depois, que tirava <em>retratos pelo daguerreótipo com toda a perfeição. </em>Assim começava a história da fotografia no Ceará (<a href="http://memoria.bn.gov.br/docreader/709506/622" target="_blank"><em>O Cearense</em>, 8 de junho de 1848, última coluna</a>).</p>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_45209" style="width: 429px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/709506/622" target="_blank"><img class=" wp-image-45209" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2016/10/ceará.jpg" alt="O Cearense, 8 de junho de 1848" width="419" height="341" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/709506/622" target="_blank"><em>O Cearense</em>, 8 de junho de 1848</a> ( no anúncio está escrito, erradamente, 1849)</p></div>
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<p>Andrea C.T. Wanderley</p>
<p>Editora e pesquisadora da Brasiliana Fotográfica</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong><span style="color: #800000;">Fontes:</span></strong></p>
<p>ERMAKOFF , George. <em>Rio de Janeiro 1840 &#8211; 1900 &#8211; Uma crônica fotográfica</em>. Rio de Janeiro: G. Ermakoff Casa Editorial, 2006.</p>
<p>FÁBIO, Flávia.<a href="https://repositorio.unicamp.br/acervo/detalhe/479654" target="_blank"> <em>Insley Pacheco: um álbum imaginário</em></a>. Tese de Mestrado em Multimeios, Universidade Estadual de Campinas, 2005.</p>
<p>FERREZ, Gilberto. <em>A Fotografia no Brasil: 1840-1900</em> / Gilberto Ferrez; [prefácio por Pedro Vasquez] – 2ª ed. – Rio de Janeiro: FUNARTE: Fundação Nacional Pró-Memória, 1985.</p>
<p>FERREZ, Gilberto; NAEF, Weston J.. <em>Pioneer Photographers of Brazil, 1840-1920</em>. New York: Center for Inter-American Relations, 1976.</p>
<p>GONÇALVES, Joaquim Castro. <a href="https://ocastromanco.blogspot.com.br/2016_02_01_archive.html" target="_blank"><em>O fotógrafo do imperador</em></a>. O Castro Manco, 9 de fevereiro de 2016.</p>
<p>KOSSOY, Boris. <em>Dicionário histórico-fotográfico brasileiro: fotógrafos e ofício da fotografia no Brasil (1833-1910).</em> São Paulo: Instituto Moreira Salles, 2002. 408 p., il. p&amp;b.</p>
<p>LAGO, Bia Corrêa do;LAGO, Pedro Corrêa do. <em>Coleção Princesa Isabel: fotografia do século XIX</em>. Rio de Janeiro: Capivara, 2008.432p.:il., retrs.</p>
<p>MEIRELLES, Victor. “Photographia” In BRASIL. Exposição Nacional. Relatório da Segunda Exposição Nacional de 1866, publicado [&#8230;] pelo Dr. Antonio José de Souza Rego, 1o secretário da Commissão Directora. Rio de Janeiro: Typ. Nacional, 1869, 2ª parte, pp. 158-170</p>
<p>MORAES FILHO, Melo. <em>Artistas do meu tempo</em>. Rio de Janeiro: Garnier, 1904.</p>
<p>PINHO, Wanderley. <em>Salões e Damas do Segundo Reinado</em>. São Paulo:Martins, 1942.</p>
<p><a href="https://www.emerald.com/jmipi/article/124/1896/432/442387/OBITUARY-ALFREDO-HENRIQUE-PACHECO-1855-1895" target="_blank">Site Emerald Insight</a></p>
<p><a href="http://enciclopedia.itaucultural.org.br/pessoa21635/insley-pacheco" target="_blank">Site Encilopédia Itaú Cultural</a></p>
<p>Site Family Search</p>
<p><a href="http://ocastromanco.blogspot.com.br/2016/02/o-fotografo-do-imperador.html" target="_blank">Site O Castro Manco</a></p>
<p>TURAZZI, Maria Inez. <em>Poses e trejeitos: a fotografia e as exposições na era do espetáculo: 1839/1889</em>. Prefácio Pedro Karp Vasquez. Rio de Janeiro: Funarte. Rocco, 1995. 309 p., il. p&amp;b. (Coleção Luz &amp; Reflexão, 4). ISBN 85-85781-08-4.</p>
<p>VASQUEZ, Pedro Karp. <em>Mestres da fotografia no Brasil</em>. Centro Cultural do Banco do Brasil Rio de Janeiro, 1995.</p>
<p>VASQUEZ, Pedro Karp. <em>O Brasil na fotografia oitocentista. </em>Editora Metalivros, 2003.</p>
<p><span style="color: #800000;">A Brasiliana Fotográfica também pesquisou em diversos periódicos na Hemeroteca Digital da Biblioteca Nacional.</span></p>
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