 

<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?><rss version="2.0"
	xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"
	xmlns:wfw="http://wellformedweb.org/CommentAPI/"
	xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/"
	xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom"
	xmlns:sy="http://purl.org/rss/1.0/modules/syndication/"
	xmlns:slash="http://purl.org/rss/1.0/modules/slash/"
	>

<channel>
	<title>Brasiliana Fotográfica &#187; música</title>
	<atom:link href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?feed=rss2&#038;tag=musica" rel="self" type="application/rss+xml" />
	<link>https://brasilianafotografica.bn.gov.br</link>
	<description></description>
	<lastBuildDate>Wed, 22 Jul 2026 18:49:47 +0000</lastBuildDate>
	<language>pt-BR</language>
	<sy:updatePeriod>hourly</sy:updatePeriod>
	<sy:updateFrequency>1</sy:updateFrequency>
	<generator>https://wordpress.org/?v=4.1.41</generator>
	<item>
		<title>Série &#8220;Hotéis do Brasil&#8221; IX, Série &#8220;Os arquitetos do Rio de Janeiro&#8221; IX e Série &#8220;O Rio de Janeiro desaparecido&#8221; XXXIII &#8211; O Hotel Avenida, um ícone da &#8220;Belle Époque&#8221; carioca, projetado por Francisco de Azevedo Monteiro Caminhoá</title>
		<link>https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=39216</link>
		<comments>https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=39216#comments</comments>
		<pubDate>Fri, 08 Aug 2025 16:55:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Andrea Wanderley]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Análise de documento]]></category>
		<category><![CDATA[Carlos Drummond de Andrade]]></category>
		<category><![CDATA[Edifício Avenida Central]]></category>
		<category><![CDATA[Flávio Pinheiro]]></category>
		<category><![CDATA[Francisco de Azevedo Monteiro Caminhoá]]></category>
		<category><![CDATA[Galeria Cruzeiro]]></category>
		<category><![CDATA[história]]></category>
		<category><![CDATA[homenagem]]></category>
		<category><![CDATA[Hotel Avenida]]></category>
		<category><![CDATA[Leny Eversong]]></category>
		<category><![CDATA[música]]></category>
		<category><![CDATA[poesia]]></category>
		<category><![CDATA[Rio de Janeiro]]></category>
		<category><![CDATA[Série "Hotéis do Brasil"]]></category>
		<category><![CDATA[Série "O Rio de Janeiro desaparecido"]]></category>
		<category><![CDATA[Série Os arquitetos do Rio de Janeiro]]></category>

		<guid isPermaLink="false">https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=39216</guid>
		<description><![CDATA[Com registros de Augusto Malta, de Guilherme Santos e de Marc Ferrez, nosso artigo de hoje é "Série "Hotéis do Brasil" IX, Série "Os arquitetos do Rio de Janeiro" IX e Série "O Rio de Janeiro desaparecido" XXXIII - O Hotel Avenida", que foi um ícone da "Belle Époque" carioca, um marco arquitetônico e cultural do Rio de Janeiro. Foi projetado pelo baiano Francisco de Azevedo Monteiro Caminhoá e inaugurado, em julho de 1908,  na então recém aberta Avenida Central, posteriormente Avenida Rio Branco. Sob protestos da população, o Hotel Avenida foi demolido em 1957. Seu desaparecimento foi tema da música "Adeus à Galeria Cruzeiro", de autoria de Edel Ney e Aires Viana, cantada por Leny Eversong, e do poema "A um hotel em demolição", de Carlos Drummond de Andrade, no qual o fotógrafo Augusto Malta é citado. Este artigo foi escrito a partir de uma sugestão de Flávio Pinheiro, um dos criadores da Brasiliana Fotográfica, e é dedicado a ele.]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><strong><span style="color: #800000;"><em>Série &#8220;Hotéis do Brasil&#8221; IX, Série &#8220;Os arquitetos do Rio de Janeiro&#8221; IX e Série &#8220;O Rio de Janeiro desaparecido&#8221; XXXIII &#8211; O Hotel Avenida no Rio de Janeiro, projetado por Francisco de Azevedo Monteiro Caminhoá*</em></span></strong></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Com registros de <a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=1322" target="_blank">Augusto Malta (1864-1957)</a>, que foi fotógrafo da prefeitura do Rio de Janeiro entre 1903 e 1936; do fotógrafo amador <a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-admin/post.php?post=5545&amp;action=edit" target="_blank">Guilherme Santos (1871 &#8211; 1966)</a> e de <a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=13570" target="_blank">Marc Ferrez (1843 &#8211; 1923)</a>, brilhante cronista visual do Rio de Janeiro; o tema de nosso artigo é o Hotel Avenida, um marco arquitetônico e cultural carioca. Uma das fotografias de Marc Ferrez e as duas de Guilherme Santos são estereografias. Este último foi um entusiasta da fotografia estereoscópica, tendo sido um dos pioneiros dessa técnica no Brasil, ao adquirir, em 1905, na França, o Verascope, um sistema de integração entre câmera e visor, que permitia ver imagens em 3D, produzidas a partir de duas fotos quase iguais, porém tiradas de ângulos um pouco diferentes.</p>
<p>&nbsp;</p>
<dl class="wp-caption aligncenter" style="width: 729px;">
<dt class="wp-caption-dt"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/9889" target="_blank"><img src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/bitstream/handle/20.500.12156.1/9889/002080RJN0707.jpg.jpg?sequence=2&amp;isAllowed=y" alt="Thumbnail" width="719" height="310" /></a></dt>
<dd class="wp-caption-dd"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/9889" target="_blank">Guilherme Santos. Hotel Avenida, c. 1920. Rio de Janeiro, RJ / Acervo IMS</a></dd>
</dl>
<p>&nbsp;</p>
<div style="width: 717px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/9747" target="_blank"><img src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/bitstream/handle/20.500.12156.1/9747/007_IMG_1809.jpg.jpg?sequence=2&amp;isAllowed=y" alt="" width="707" height="329" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/9747" target="_blank">Marc Ferrez. Hotel Avenida, c. 1912 . Rio de Janeiro, RJ / Acervo IMS</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong><span style="color: #800000;"><a style="color: #800000;" href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/visualizar-grupo-trabalho/410" target="_blank">Acessando o link para as fotografias do Hotel Avenida disponíveis na Brasiliana Fotográfica, o leitor poderá magnificar as imagens e verificar todos os dados referentes a elas.</a></span></strong></p>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_39268" style="width: 869px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://memoria.bn.gov.br/docreader/259063/3891" target="_blank"><img class="wp-image-39268 size-full" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2025/03/avenida3.jpg" alt="avenida3" width="859" height="376" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="http://memoria.bn.gov.br/docreader/259063/3891" target="_blank"><em>Fon-Fon</em>, 15 de janeiro de 1910</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>Foi projetado pelo baiano Francisco de Azevedo Monteiro Caminhoá (1838 &#8211; 1915) e inaugurado, em julho de 1908 (<em>A Imprensa</em>, <a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/245038/4363" target="_blank">30 de junho, segunda coluna</a>; <a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/245038/4374" target="_blank">2 de julho, segunda coluna</a>), na então recém aberta <a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=5880" target="_blank">Avenida Central, posteriormente Avenida Rio Branco.</a></p>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_39264" style="width: 951px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/245038/4377" target="_blank"><img class="wp-image-39264 size-full" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2025/03/avenida7.jpg" alt="avenida7" width="941" height="548" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/245038/4377" target="_blank"><em>A Imprensa</em>, 2 de julho de 1908</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>Caminhoá, nascido em Santo Amaro da Purificação, em 1838, foi também responsável pelos projetos da Catedral de Petrópolis e da oficina de consertos dos bondes da Companhia de Ferro Carril Jardim Botânico e atual edifício do Instituto dos Arquitetos do Brasil. Havia estudado arquitetura na Academia Imperial de Belas Artes do Rio de Janeiro e recebeu, da Assembleia Provincial da Bahia, em 1855, a subvenção de 200 francos mensais para estudar na Europa, onde frequentou a École de Beaux-Arts de Paris e foi aspirante, em 1857, no ateliê do arquiteto francês Louis-Hyppolyte Lebas (1782 &#8211; 1862), um dos mais influentes e populares profissionais de seu tempo. Regressou ao Brasil, em 1867. Faleceu em 14 de outubro de 1915 (<a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/364568_10/50825" target="_blank"><em>Jornal do Commercio</em><em>,</em> 15 de outubro de 1915, última coluna</a>).</p>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_39232" style="width: 200px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://www.dicionario.belasartes.ufba.br/wp/verbete/donativo-caminhoa/" target="_blank"><img class="wp-image-39232" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2025/03/caminhoá.jpg" alt="caminhoá" width="190" height="290" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="http://www.dicionario.belasartes.ufba.br/wp/verbete/donativo-caminhoa/" target="_blank">Francisco de Azevedo Monteiro Caminhoá / Fonte: AHEBA/UFBA</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>A localização do luxuoso Hotel Avenida, em estilo eclético, ícone da <em>Belle Époque</em> carioca, e a presença de uma estação de bondes da Companhia Ferro-Carril do Jardim Botânico, proprietária do hotel, diante dele, propiciou que ele fosse muito mais do que um estabelecimento de hospedagem: foi o centro de gravidade de eventos sociais e culturais da cidades, dentre eles o carnaval.</p>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_39262" style="width: 911px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://memoria.bn.gov.br/docreader/083712/11452" target="_blank"><img class="size-full wp-image-39262" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2025/03/avenida4.jpg" alt="Careta, 18 de abril de 1914" width="901" height="524" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="http://memoria.bn.gov.br/docreader/083712/11452" target="_blank">Ponto de bondes em frente ao Hotel Avenida<em> / Careta</em>, 18 de abril de 1914</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>O Hotel Avenida possuía 220 quartos, todos com telefone; restaurante, salão de jogos, água quente, iluminação elétrica e elevadores, tendo sido, na época de sua inauguração, o mais moderno e importante hotel do Brasil e um dos mais belos da América do Sul. Sua fachada frontal tinha 60 metros e cinco pavimentos. A altura do edifício era de quase 23 metros. Ao longo de sua existência hospedou importantes personalidades do cenário nacional e internacional. Abrigava a Galeria Cruzeiro, assim denominada devido a duas passagens em cruz, que ficava no andar térreo do hotel. Repleta de bares,  restaurantes e cafés, dentre eles o Nacional, o Ao Franziskaner (da Brahma), a Leiteria Mineira e o Laranjada Brasil, atraía um público de turistas, artistas e intelectuais. Ocupava uma quadra delimitada pela Avenida Central, o Largo da Carioca, a então denominada Rua de Santo Antônio, atual Bittencourt da Silva; e a Rua São José.</p>
<p>&nbsp;</p>
<div style="width: 486px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://www.estilosarquitetonicos.com.br/hotel-avenida/" target="_blank"><img src="http://www.estilosarquitetonicos.com.br/wp-content/uploads/2017/07/Hotel-Avenida-Galeria-Cruzeiro-2.jpg" alt="Hotel Avenida - Galeria Cruzeiro" width="476" height="481" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://www.estilosarquitetonicos.com.br/hotel-avenida/" target="_blank">Galeria Cruzeiro / Estilos Arquitetônicos</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_39263" style="width: 831px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://memoria.bn.gov.br/docreader/259063/4299" target="_blank"><img class="size-full wp-image-39263" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2025/03/avenida5.jpg" alt="Fon-Fon, 9 de abril de 1910" width="821" height="524" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="http://memoria.bn.gov.br/docreader/259063/4299" target="_blank">Leiteria Mineira na Galeria Cruzeiro<em> / Fon-Fon</em>, 9 de abril de 1910</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p><em>Por imposição do progresso vai abaixo a velha Galeria Cruzeiro</em>. Essa foi a manchete da primeira página do <a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/093718_03/58473" target="_blank"><em>Diário de Notícias</em>, 2 de março de 1957</a>. A demolição do Hotel Avenida começou em outubro de 1957 (<a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/348970_05/44500" target="_blank"><em>A Noite</em>, 25 de setembro de 1957, terceira coluna</a>; <a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/110523_05/56042" target="_blank"><em>O Jornal</em>, 15 de outubro de 1957, primeira coluna</a>). Em seu lugar foi construído o Edifício Avenida Central, com 34 andares e o primeiro em estrutura metálica do Rio de Janeiro, inaugurado em 22 de maio de 1961 (<a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/089842_07/18788" target="_blank"><em>Correio da Manhã</em>, 23 de maio de 1961, primeira coluna</a>; <a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/004120/39459" target="_blank"><em>Manchete</em>, 3 de junho de 1961</a>). Foi projetado pelo Escritório Henrique Mindlin, também responsável pelo Shopping dos Antiquários e pelos hotéis Sheraton e Intercontinental.</p>
<p>Com a demolição do Hotel Avenida, começava na cidade uma transição para uma era de modernização e mudanças urbanas &#8211; muitos edifícios históricos foram demolidos e substituídos por construções modernas. Para a despedida, o <em>Jornal do Brasil</em>, a Rádio Jornal do Brasil e a Loja Palermo organizaram uma grande manifestação chamada <em><a href="https://www.google.com/search?q=Adeus+%C3%A0+Galeria+Cruzeiro&amp;rlz=1C1GCEU_pt-BRBR1077BR1077&amp;oq=Adeus+%C3%A0+Galeria+Cruzeiro&amp;gs_lcrp=EgZjaHJvbWUyBggAEEUYOTIHCAEQIRigAdIBBzUwOWowajeoAgCwAgA&amp;sourceid=chrome&amp;ie=UTF-8#fpstate=ive&amp;vld=cid:1ccd6fbe,vid:13T_8V5xgvU,st:0" target="_blank">Adeus à Galeria Cruzeiro</a>, </em>mesmo nome da música de autoria de Edel Ney e Aires Viana, cantada por Leny Eversong (1920 &#8211; 1984).</p>
<p style="text-align: center;"><em><a href="https://www.google.com/search?q=Adeus+%C3%A0+Galeria+Cruzeiro&amp;rlz=1C1GCEU_pt-BRBR1077BR1077&amp;oq=Adeus+%C3%A0+Galeria+Cruzeiro&amp;gs_lcrp=EgZjaHJvbWUyBggAEEUYOTIHCAEQIRigAdIBBzUwOWowajeoAgCwAgA&amp;sourceid=chrome&amp;ie=UTF-8#fpstate=ive&amp;vld=cid:1ccd6fbe,vid:13T_8V5xgvU,st:0" target="_blank">Adeus à Galeria Cruzeiro</a></em></p>
<p style="text-align: center;">Você viu, você leu, você ouviu<br />
O comentário que corre pela cidade?<br />
Você viu, você leu, você ouviu<br />
A dolorosa verdade?</p>
<p style="text-align: center;">É certo que a Galeria Cruzeiro<br />
Vai desaparecer<br />
É a lei do progresso<br />
Que faz a cidade crescer<br />
Praça Onze, Café Nice</p>
<p style="text-align: center;">(O samba chorou<br />
E a saudade ficou no coração do sambista)</p>
<p style="text-align: center;">Galeria (Galeria)</p>
<p style="text-align: center;">Este samba (triste samba)<br />
É o adeus do artista<br />
Adeus Galeria do chopp gelado</p>
<p style="text-align: center;">Das noites de boemia<br />
Dos carnavais do passado<br />
Adeus Galeria reduto do samba<br />
De Chico, Noel e de tanta gente bamba</p>
<p style="text-align: center;">Galeria (adeus)<br />
Galeria (adeus)</p>
<p>No dia da festa caia uma forte chuva na cidade mas personalidades importantes como Ademilde Fonseca (1921 &#8211; 2012), Altamiro Carrilho (1924 &#8211; 2012), Linda Batista (1919 &#8211; 1988), Pixinguinha (1897 &#8211; 1973), Pato Preto (1928 &#8211; 2005), Risadinha (1921 &#8211; 1976) e Silvinha Chioso (1938-), dentre outros, compareceram ao evento, que contou também com a participação de bandas militares e agremiações carnavalescas, como o<a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=10849" target="_blank"> Cordão da Bola Preta</a>. Milhares de pessoas compareceram (<em>Jornal do Brasil</em>, <a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/030015_07/81311" target="_blank">24 de novembro de 1957, sexta coluna</a>, 26 de novembro de 1957, <a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/030015_07/81401" target="_blank">capa</a> e <a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/030015_07/81413" target="_blank">página 13</a>).</p>
<p>&nbsp;</p>
<div style="width: 711px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/9410" target="_blank"><img src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/bitstream/handle/20.500.12156.1/9410/007A5P4F02-020.jpg.jpg?sequence=2&amp;isAllowed=y" alt="Thumbnail" width="701" height="535" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/9410" target="_blank">Augusto Malta. Hotel Avenida, c. 1920. Rio de Janeiro, RJ / Acervo IMS</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>No poema<em> A um hotel em demolição</em>, sobre o desaparecimento do Hotel Avenida, seu autor, o poeta Carlos Drummond de Andrade (1902 &#8211; 1987), cita o fotógrafo Augusto Malta.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: center;"><strong> <span style="color: #800000;"><em>A um hotel em demolição</em></span></strong></p>
<p style="text-align: center;"> (Publicado no livro <em>A vida passada a limpo</em> (1973))</p>
<p style="text-align: center;">Carlos Drummond de Andrade</p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #800000;"><em>Vai, Hotel Avenida,</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> vai convocar teus hóspedes</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> no plano de outra vida.</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> Eras vasto vermelho,</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> em cada quarto havias</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> um ardiloso espelho.</em></span></p>
<p style="text-align: left;"><span style="color: #800000;"><em>Nele se refletia</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> cada figura em trânsito</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> e o mais que se não lia</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> nem mesmo pela frincha</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> da porta: o que um esconde,</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> polpa do eu, e guincha</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> sem se fazer ouvir.</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> E advindo outras faces</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> em contínuo devir,</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> o espelho eram mil máscaras</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> mineiroflumenpau-</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> listas, boas, más; caras.</em></span></p>
<p style="text-align: left;"><span style="color: #800000;"><em>50 anos-imagem</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> e 50 de catre</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> 50 de engrenagem</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> noturna e confidente</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> que nos recolhe a úrica</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> verdade humildemente.</em></span></p>
<p style="text-align: left;"><span style="color: #800000;"><em>(Pois eras bem longevo, Hotel, e no teu bojo</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> o que era nojo se sorria, em pó, contigo.)</em></span></p>
<p style="text-align: left;"><span style="color: #800000;"><em>O tardo e rubro alexandrino decomposto.</em></span></p>
<p style="text-align: left;"><span style="color: #800000;"><em>Casais entrelaçados no sussurro</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> do carvão carioca, bondes fagulhando, políticos</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> politicando em mornos corredores</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> estrelas italianas, porteiros em êxtase</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> cabineiros</em></span></p>
<p style="text-align: left;"><span style="color: #800000;"><em>em pânico:</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> por que tanta suntuosidade se encarcera</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> entre quatro tabiques de comércio?</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> A bandeja vai tremulargentina:</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> desejo café geleia matutinos que sei eu.</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> A mulher estava nua no centro e recebeu-me</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> com a gravidade própria aos deuses em viagem:</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> Stellen Sie es auf den Tisch!</em></span></p>
<p style="text-align: left;"><span style="color: #800000;"><em>Sim, não fui teu quarteiro, nem ao menos</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> boy em teu sistema de comunicações louça</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> a serviço da prandial azáfama diurna.</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> Como é que vivo então os teus arquivos</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> e te malsinto em mim que nunca estive</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> em teu registro como estão os mortos</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> em seus compartimentos numerados?</em></span></p>
<p style="text-align: left;"><span style="color: #800000;"><em>Represento os amores que não tive</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> mas em ti se tiveram foice-coice.</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> Como escorre</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> escada serra abaixo a lesma</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> das memórias</em></span></p>
<p style="text-align: left;"><span style="color: #800000;"><em>de duzentos mil corpos que abrigaste</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> ficha ficha ficha ficha ficha</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> fichchchchch.</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> O 137 está chamando</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> depressa que o homem vai morrer</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> é aspirina? padre que ele quer?</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> Não, se ele mesmo é padre e está rezando</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> por conta dos pecados deste hotel</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> e de quaisquer outros hotéis pelo caminho</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> que passa de um a outro homem, que em nenhum</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> ponto tem princípio ou desemboque;</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> e é apenas caminho e sempre sempre</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> se povoa de gestos e partidas</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> e chegadas e fugas e quilômetros.</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> Ele reza ele morre e solitária</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> uma torneira</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> pinga</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> e o chuveiro</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> chuvilha</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> e a chama</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> azul do gás silva no banho</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> sobre o Largo da Carioca em flor ao sol.</em></span></p>
<p style="text-align: left;"><span style="color: #800000;"><em>(Entre tapumes não te vejo</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> roto desventrado poluído</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> imagino-te ileso emergindo dos sambas dos dobrados da polícia militar, do coro ululante de torcedores do campeonato mundial pelo rádio</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> a todos oferecendo, Hotel Avenida,</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> uma palma de cor nunca esbatida.)</em></span></p>
<p style="text-align: left;"><span style="color: #800000;"><em>Eras o Tempo e presidias</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> ao febril reconhecimento de dedos</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> amor sem pouso certo na cidade</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> à trama dos vigaristas, à esperança</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> dos empregos, à ferrugem dos governos,</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> à vida nacional em termos de indivíduo</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> e a movimentos de massa que vinham espumar</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> sob a arcada conventual de teus bondes.</em></span></p>
<p style="text-align: left;"><span style="color: #800000;"><em>Estavas no centro do Brasil,</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> nostalgias januárias balouçavam</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> em teu regaço, capangueiros vinham</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> confiar-te suas pedras, boiadeiros</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> pastoreavam rebanhos no terraço</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> e um açúcar de lágrimas caipiras</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> era ensacado a todo instante em envelopes</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> (azuis?) nos escaninhos da gerência</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> e eras tanto café e alguma promissória.</em></span></p>
<p style="text-align: left;"><span style="color: #800000;"><em>Que professor professa numa alcova</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> irreal, Direito das Coisas, doutrinando</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> a baratas que atarefadas não o escutam?</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> Que flauta insiste na sonatina sem piano</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> em hora de silêncio regulamentar?</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> E as manias de moradores antigos</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> que recebem à noite a visita do prefeito Passos para discutir novas técnicas urbanísticas?</em></span></p>
<p style="text-align: left;"><span style="color: #800000;"><em>E teus mortos</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> incomparavelmente mortos de hotel fraudados</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> na morte familiar a que aspiramos</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> como a um não morrer morrido;</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> mortos que é preciso despachar</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> rápido, não se contagiem lençóis</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> e guarda-pires</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> dessa friúra diversa que os circunda</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> nem haja nunca memória nesta cama</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> do que não seja vida na Avenida.</em></span></p>
<p style="text-align: left;"><span style="color: #800000;"><em>Ouves a ladainha em bolhas intestinas?</em></span></p>
<p style="text-align: left;"><span style="color: #800000;"><em>Balcão de mensageiros imóveis saveiros</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> banca de jornais para nunca e mais</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> alvas lavanderias de que restam estrias</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> bonbonnières onde o papel de prata</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> faz serenata em boca de mulheres</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> central telefônica soturnamente afônica</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> discos lamentação de partidos meniscos</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> papelariasconversariaschope da Brahma louco de quem ama</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> e o Bar Nacional pura afetividade</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> súbito ressuscita Mário de Andrade.</em></span></p>
<p style="text-align: left;"><span style="color: #800000;"><em>Que fazer do relógio</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> ou fazer de nós mesmos</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> sem tempo sem mais ponto</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> sem contraponto sem medida de extensão</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> sem sequer necrológio</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> enquanto em cinza foge o</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> impaciente bisão</em></span></p>
<div style="text-align: left;"><span style="color: #800000;"><em>a que ninguém os chifres</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> sujigou, aflição?</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> Ele marcava mar-</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> cavacava cava cava</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> e eis-nos sós marcados</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> de todos os falhados</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> amores recolhidos</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> relógio que não ouço</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> e nem me dá ouvidos</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> robô de puro olfato</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> a farejar o imenso</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> país do imóvel tacto</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> as vias que corria teu comando fecham-se</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> nas travessas em I</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> nos vagos pesadelos</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> nos sombrios dejetos</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> em que nossos projetos</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> se estratificaram. A ti não te destroem</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> como as térmitas papam</em></span></div>
<div style="text-align: left;"><span style="color: #800000;"><em>livro terra existência.</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> Eles sim teus ponteiros</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> vorazes esfarelam</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> a túnica de Vênus</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> o de mais o de menos</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> este verso tatuado</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> e tudo que hei andado</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> por te iludir e tudo</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> que nas arkademias</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> institutos autárquicos</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> históricos astutos</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> se ensina com malícia</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> sobre o evolver das coisas</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> ó relógio hoteleiro</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> deus do cauto mineiro,</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> silêncio,</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> pudicícia.</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> Mas tudo que moeste</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> hoje de ti se vinga</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> por artes</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> de pensada mandinga.</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> Deglutimos teu vidro</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> abafando a linguagem</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> que das próprias estilhas</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> se afadiga em pulsar</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> o minuto de espera</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> quando cessa na tarde</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> a brisa de esperar.</em></span></div>
<div style="text-align: left;"><span style="color: #800000;"><em> </em></span></div>
<div style="text-align: left;"><span style="color: #800000;"><em>Rangido de criança nascendo.</em></span></div>
<div style="text-align: left;">
<p><span style="color: #800000;"><em>Por favor, senhor poeta Martins Fontes, recite mais baixo suas odes enquanto minha senhora acaba de parir no quarto de cima, e o poeta velou a voz, mas quando o bebê aflorou ao mundo é o pai que faz poesia saltarilha e pede ao poeta que eleve o diapasão para celebrarem todos, hóspedes, camareiros e pardais, o grato alumbramento.</em></span></p>
<p><span style="color: #800000;"><em>Anoitecias. Na cruz dos quatro caminhos, lá embaixo, apanhadores, ponteiros, engole-listas de sete prêmios repousavam degustando garapa.</em></span></p>
<p><span style="color: #800000;"><em>Mujer malvada, yo te mataré! artistas ensaiavam nos quartos? I wil grind your bones to dust, and with your blood and it I’ll make a paste. Bagaço de cana, lá embaixo.</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> Todo hotel é fluir. Uma corrente</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> atravessa paredes, carreando o homem,</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> suas exalações de substância. Todo hotel</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> é morte, nascer de novo; passagem; se pombos</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> nele fazem estação, habitam o que não é de ser habitado</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> mas apenas cortado. As outras casas prendem</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> e se deixam possuir ou tentam fazê-lo, canhestras.</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> O espaço procura fixar-se. A vida se espacializa,</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> modela-se em cristais de sentimento.</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> A porta se fecha toda santa noite.</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> Tu não se encerras, não podes. A cada instante</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> alguém se despede de teus armários infiéis</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> e os que chegam já trazem a volta na maleta.</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> 220 Fremdenzimmer e te vês sempre vazio</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> e o espelho reflete outro espelho</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> o corredor cria outro corredor</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> homem quando nudez indefinidamente.</em></span></p>
</div>
<div style="text-align: left;"><span style="color: #800000;"><em> </em></span></div>
<div style="text-align: left;"><span style="color: #800000;"><em>No centro do Rio de Janeiro</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> ausência</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> no curral da manada dos bondes</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> ausência</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> no desfile dos sábados</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> no esfregar no repinicar dos blocos</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> ausência</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> nas cavatinas de Palermo</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> no aboio dos vespertinos</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> ausência</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> verme roendo maçã</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> verme roído por verme</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> verme autorroído</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> roer roendo o roer</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> e a ânsia de acabar, que não espera</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> o termo veludoso das ruínas</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> nem a esvoaçante morte de hidrogênio.</em></span></div>
<div style="text-align: left;"><span style="color: #800000;"><em>Eras solidão tamoia</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> vir a ser de casa</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> em vir a ser de cidade onde lagartos</em></span></div>
<div style="text-align: left;"><span style="color: #800000;"><em> </em></span></div>
<div>
<p style="text-align: left;"><span style="color: #800000;"><em>Vem, ó velho Malta,</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> saca-me uma foto</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> pulvicinza efialta</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> desse pouso ignoto.</em></span></p>
<p style="text-align: left;"><span style="color: #800000;"><em>Junta-lhe uns quiosques</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> mil e novecentos,</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> nem iaras nem bosques</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> mas pobres piolhentos.</em></span></p>
<p style="text-align: left;"><span style="color: #800000;"><em>Põe como legenda</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> Q u e i j o I t a t i a i a</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> e o mais que compreenda</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> condição lacaia.</em></span></p>
<p style="text-align: left;"><span style="color: #800000;"><em>Que estas vias feias</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> muito mais que sujas</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> são tortas cadeias</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> conchas caramujas</em></span></p>
<p style="text-align: left;"><span style="color: #800000;"><em>do burro sem rabo</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> servo que se ignora</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> e de pobre-diabo</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> dentro, fome fora.</em></span></p>
<p style="text-align: left;"><span style="color: #800000;"><em>Velho Malta, please,</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> bate-me outra chapa:</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> hotel de marquise</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> maior que o rio Apa.</em></span></p>
<p style="text-align: left;"><span style="color: #800000;"><em>Lá do acento etéreo,</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> Malta, sub-reptício</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> inda não te fere o</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> super edifício</em></span></p>
<p style="text-align: left;"><span style="color: #800000;"><em>que deste chão surge?</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> Dá-me seu retrato</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> futuro, pois urge</em></span></p>
<p style="text-align: left;"><span style="color: #800000;"><em>documentar as sucessivas posses da terra até o juízo final e mesmo depois dele se há como três vezes três confiamos que haja um supremo ofício de registro imobiliário por cima da instantaneidade do homem e da pulverização das galáxias.</em></span></p>
<p style="text-align: left;"><span style="color: #800000;"><em>Já te lembrei bastante sem que amasse</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> uma pedra sequer de tuas pedras</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> mas teu nome — A V E N I D A — caminhava</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> à frente de meu verso e era mais amplo</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> e mais formas continha que teus cômodos</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> (o tempo os degradou e a morte os salva),</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> e onde abate o alicerce ou foge o instante</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> estou comprometido para sempre.</em></span></p>
<p style="text-align: left;"><span style="color: #800000;"><em>Estou comprometido para sempre,</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> eu que moro e desmoro há tantos anos</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> o Grande Hotel do Mundo sem gerência</em></span></p>
<p style="text-align: left;"><span style="color: #800000;"><em>em que nada existindo de concreto</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> — avenida, avenida — tenazmente</em></span><br />
<span style="color: #800000;"><em> de mim mesmo sou hóspede secreto</em></span></p>
<p style="text-align: left;">
</div>
<p>Leia aqui a crônica <a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/089842_06/25424" target="_blank"><em>Galeria</em></a>, de autoria de Rubem Braga (1913 &#8211; 1990), publicada no <em>Correio da Manhã</em>, 10 de abril de 1953, sexta coluna.</p>
<p>A Brasiliana Fotográfica agradece ao jornalista e poeta André Luis Câmara (1965-) por sua colaboração na construção deste artigo.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><span style="color: #800000;"><strong>*</strong>Este artigo foi escrito a partir de uma sugestão de Flávio Pinheiro, um dos criadores da Brasiliana Fotográfica, e é dedicado a ele.</span></p>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_42965" style="width: 870px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://online.fliphtml5.com/yrpqc/yeos/#p=101" target="_blank"><img class="wp-image-42965 size-full" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2025/08/dods10.jpg" alt="dods10" width="860" height="517" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://online.fliphtml5.com/yrpqc/yeos/#p=101" target="_blank">Obras de pavimentação do Largo da Carioca. À direita, o Hotel Avenida, 17 de fevereiro de 1941. Rio de Janeiro, RJ / <em>Achados e Perdidos: imagens inéditas do Rio de Janeiro (1937-1945)</em>, página 98 &#8211; Acervo AGCRJ</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>Andrea C.T. Wanderley</p>
<p>Editora e pesquisadora da Brasiliana Fotográfica</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><span style="color: #800000;"><strong>Fontes:</strong></span></p>
<p><a href="https://agenciabrasil.ebc.com.br/geral/noticia/2022-07/catedral-de-petropolis-e-reaberta-ao-publico" target="_blank">Agência Brasil</a></p>
<p><a href="http://www.dicionario.belasartes.ufba.br/wp/verbete/donativo-caminhoa/" target="_blank">Dicionário de Belas Artes UFBA</a></p>
<p><a href="https://www.jornalfolhadocentro.com.br/index.php?edicao=295&amp;pagina=3&amp;id_noticia=2288" target="_blank"><em>Folha do Centro</em>, junho de 1921</a></p>
<p><a href="https://memoria.bn.gov.br/hdb/periodico.aspx" target="_blank">Hemeroteca Digital da Biblioteca Nacional</a></p>
<p>PAIVA, Claudia dos Reis. <a href="file:///C:/Users/a466734/Downloads/claudiadosreispaiva.pdf" target="_blank"><em>Abrindo passagem para o futuro: Galeria Pio X</em></a>. Dissertação apresentada ao Programa de Pós-Graduação em Ambiente Construído da Universidade Federal de Juiz de Fora, como requisito parcial à obtenção do título de Mestre em Ambiente Construído, 2018.</p>
<p>PEREIRA, Sonia  Gomes. <a href="http://cbha.art.br/coloquios/2002/textos/texto41.pdf" target="_blank"><em>O Ensino de Arquitetura e a Trajetória dos Alunos Brasileiros na École des Beaux-Arts em Paris no Século XIX.</em></a> XXII Colóquio Brasileiro de História da Arte, 2002.</p>
<p><a href="https://discografiabrasileira.com.br/composicao/129830/adeus-galeria-cruzeiro" target="_blank">Site Discografia Brasileira &#8211; IMS</a></p>
<p><a href="https://www.estilosarquitetonicos.com.br/hotel-avenida/">Site Estilos Arquitetônicos</a></p>
<p><a href="https://www.riodejaneiroaqui.com/portugues/rio-antigo-h-avenida.html" target="_blank">Site Rio de Janeiro Aqui</a></p>
<p><a href="https://urbecarioca.com.br/antigo-hotel-avenida-o-fim-de-um-periodo-cultural-rico-e-vibrante/" target="_blank">Site Urbe Carioca</a></p>
<p><a href="https://www.youtube.com/watch?v=HVW4He0737I&amp;t=18s" target="_blank">Youtube &#8211; Hotel Avenida</a></p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?feed=rss2&#038;p=39216</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Série &#8220;1922 &#8211; Hoje, há 100 anos&#8221; III &#8211; A eleição de Artur Bernardes e a derrota de Nilo Peçanha</title>
		<link>https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=26624</link>
		<comments>https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=26624#comments</comments>
		<pubDate>Wed, 02 Mar 2022 02:37:33 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Andrea Wanderley]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Análise de documento]]></category>
		<category><![CDATA[Efemérides]]></category>
		<category><![CDATA[Artur Bernardes]]></category>
		<category><![CDATA[carta]]></category>
		<category><![CDATA[crise política]]></category>
		<category><![CDATA[eleição presidencial]]></category>
		<category><![CDATA[falsificação]]></category>
		<category><![CDATA[fundação]]></category>
		<category><![CDATA[história do Brasil]]></category>
		<category><![CDATA[marcha carnavalesca]]></category>
		<category><![CDATA[música]]></category>
		<category><![CDATA[Nilo Peçanha]]></category>
		<category><![CDATA[Partido Comunista do Brasil]]></category>
		<category><![CDATA[partido político]]></category>
		<category><![CDATA[perfil]]></category>
		<category><![CDATA[racismo]]></category>
		<category><![CDATA[sátira]]></category>
		<category><![CDATA[Série 1922]]></category>

		<guid isPermaLink="false">https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=26624</guid>
		<description><![CDATA[No 3º artigo da "Série 1922 - Hoje, há 100 anos A eleição de Artur Bernardes", a Brasiliana Fotográfica traz três fotografias de Artur Bernardes (1875 - 1955), da Coleção Presidentes da República, e oito de Nilo Peçanha (1867 - 1924), todas do acervo do Museu da República, uma das instituições parceiras do portal.]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p>No 3º artigo da Série <em>1922 &#8211; Hoje, há 100 anos,</em> <em>A eleição de Artur Bernardes e a derrota de Nilo Peçanha, </em>a Brasiliana Fotográfica traz três fotografias de Artur Bernardes (1875 &#8211; 1955), da Coleção Presidentes da República, e oito de Nilo Peçanha (1867 &#8211; 1924), todas do acervo do Museu da República, uma das instituições parceiras do portal. Uma das imagens de Bernardes foi produzida pela Annunciato Photo e as outras duas são de autoria de fotógrafos ainda não identificados. Um dos registros de Nilo Peçanha, o candidato derrotado, é de autoria de <a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=5398" target="_blank">Juan Gutierrez (c. 1860 -1897).</a> Há também a imagem do verso de um estojo de madeira que protege o álbum fotográfico da <a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=18379" target="_blank">Escola de Aprendizes e Artífices do Estado de Alagoas</a>, que já foi tema de um artigo do portal, onde Nilo aparece desenhado entre as bandeiras do Brasil e de Alagoas.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: center;"><span style="color: #800000;"><em><strong>O candidato vitorioso, Artur Bernardes (1875 &#8211; 1955)</strong></em></span></p>
<p>&nbsp;</p>
<div style="width: 710px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/8418" target="_blank"><img src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/bitstream/handle/20.500.12156.1/8418/Artur%20Bernardes.%20PR04ab.JPG.jpg?sequence=4&amp;isAllowed=y" alt="Thumbnail" width="700" height="516" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/8418" target="_blank">Artur Bernardes, s/d / Acervo Museu da República</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/visualizar-grupo-trabalho/297   " target="_blank">Acessando o link para as fotografias de Artur Bernardes disponíveis na Brasiliana Fotográfica, o leitor poderá magnificar as imagens e verificar todos os dados referentes a elas.</a></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Mineiro de Viçosa, Artur Bernardes foi eleito pelo Partido Republicano Mineiro, em 1º de março de 1922, quando derrotou Nilo Peçanha, candidato do Movimento Reação Republicana, tornando-se o 12º presidente do Brasil (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/110523_02/9227" target="_blank"><em>O Jornal</em>, 2 de março de 1922</a>).</p>
<p>No mesmo mês de março, foi fundado o Partido Comunista do Brasil, por iniciativa do Grupo Comunista de Porto Alegre, que realizou, no Rio e em Niterói, nos dias 25, 26 e 27 de março, um congresso. Abílio de Nequete (1888 &#8211; 1960) foi eleito secretário geral.</p>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_28233" style="width: 529px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2022/03/pcb.jpg"><img class="size-full wp-image-28233" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2022/03/pcb.jpg" alt=" De pé, da esquerda para a direita: Manuel Cendon, Joaquim Barbosa, Astrogildo Pereira, João da Costa Pimenta, Luís Peres e José Elias da Silva; sentados, da esquerda para a direita: Hermogênio Silva, Abílio de Nequete e Cristiano Cordeiro / Nosso Século" width="519" height="360" /></a><p class="wp-caption-text">De pé, da esquerda para a direita: Manuel Cendon, Joaquim Barbosa, Astrogildo Pereira, João da Costa Pimenta, Luís Peres e José Elias da Silva; sentados, da esquerda para a direita: Hermogênio Silva, Abílio de Nequete e Cristiano Cordeiro / Nosso Século</p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>Voltando às eleições: foram 466.877 votos contra 317.714 e o pleito dividiu o país: Bahia, Pernambuco, Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul deram apoio a Nilo Peçanha enquanto Minas Gerais e São Paulo apoiaram a candidatura de Bernardes, que tomou posse em 15 de novembro de 1922 e ficou no cargo até 15 de novembro de 1926. Governou grande parte de seu mandato sob estado de sítio, decretado por ele.</p>
<p>&nbsp;</p>
<div style="width: 599px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/8419" target="_blank"><img src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/bitstream/handle/20.500.12156.1/8419/Artur%20Bernardes%20PR.09%281%29.ab.JPG.jpg?sequence=4&amp;isAllowed=y" alt="Thumbnail" width="589" height="800" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/8419" target="_blank">Anunciato. Artur Bernardes, s/d / Acervo Museu da República</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>Formado em Direito, Bernardes foi vereador, deputado, secretário das Finanças e governador de Minas Gerais antes de chegar à presidência da República. Sua eleição para o governo de Minas representou a ascensão de uma nova geração de políticos no estado e durante seu mandato fez grande oposição às atividades do proprietário da Itabira Iron Ore Company, o empresário norte-americano Percival Farquhar (1865–1953).</p>
<p>Era o representante da política que ficou conhecida como <em>Café com Leite</em>, que alternava candidatos das oligarquias de São Paulo e Minas Gerais. Durante a campanha presidencial houve o episódio das <em>cartas falsas: </em>ele foi acusado de ter escrito cartas ao senador Raul Soares (1877 &#8211; 1924), publicadas no jornal <em>Correio da Manhã</em>, atacando seu opositor, Nilo Peçanha, chamado de<em> moleque</em>, e o marechal Hermes da Fonseca (1855 – 1923) referido como um <em>sargentão sem compostura</em>, o que acirrou os ânimos dos militares contra sua candidatura. Bernardes chegou ao Rio de Janeiro, em 15 de outubro de 1921, para apresentar sua plataforma de governo e foi recebido por uma multidão raivosa na avenida Rio Branco. Houve um quebra-quebra na cidade e seus retratos foram arrancados das vitrines das lojas e queimados (<em>Correio da Manhã</em>, <a href="http://memoria.bn.br/DocReader/089842_03/7966" target="_blank">9 de outubro, última coluna</a>; <a href="http://memoria.bn.br/docreader/089842_03/8013" target="_blank">13 de outubro</a> e <a href="http://memoria.bn.br/DocReader/089842_03/8049" target="_blank">16 de outubro </a>de 1921).</p>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_26650" style="width: 778px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://memoria.bn.br/DocReader/089842_03/8049" target="_blank"><img class="size-large wp-image-26650" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2021/12/cartas-1024x408.jpg" alt="Correio da Manhã, 16 de outubro de 1921" width="768" height="306" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="http://memoria.bn.br/DocReader/089842_03/8049" target="_blank"><em>Correio da Manhã</em>, 16 de outubro de 1921</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>Os reponsáveis pelas cartas foram Jacinto Cardoso de Oliveira Guimarães, Oldemar Lacerda e Pedro Burlamaqui e, ainda durante a campanha, foi provado que haviam sido forjadas, mas a contestação a Bernardes nos meios militares já era irreversível. Apesar da importante crise política, Artur Bernardes se elegeu, mas, durante seu governo, enfrentou o movimento tenentista, que deu início a um processo de ruptura política que teria como consequência a Revolução de 1930. Seu governo foi fortemente marcado pela dura repressão a seus oposiocionistas e pela censura à imprensa.</p>
<p>&nbsp;</p>
<div style="width: 519px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/8410" target="_blank"><img src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/bitstream/handle/20.500.12156.1/8410/Artur%20Bernardes.%20PR.03.ab.JPG.jpg?sequence=4&amp;isAllowed=y" alt="Thumbnail" width="509" height="800" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/8410" target="_blank">Artur Bernardes, s/d / Acervo Museu da República</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>Curiosidades: Freire Júnior (1881 &#8211; 1956) e Luiz Nunes Sampaio (1886 &#8211; 1953) compuseram a marcha carnavalesca conhecida como &#8220;<i>Ai, Seu Mé&#8221;</i>, em 1922. <em>Seu Mé</em> era um apelido dado pela oposição a Bernardes. Versos como <i>O queijo de Minas está bichado, seu Zé Não seu porquê é, não sei porquê é </i>e <i>Aí, seu Mé! Aí Mé, Mé Lá no Palácio das Águias, Olé Não hás de pôr o pé </i>ironizavam o candidato. Apesar de nas gravações da música não aparecer o nome dis compositores e sim o nome do conjunto <em>A Canalha das Ruas</em>, com a eleição de Bernardes, eles foram presos. <a href="https://www.youtube.com/watch?v=4UiP5U1Tr6c" target="_blank">Ouça aqui a músicas</a>.</p>
<p style="text-align: left;"><span style="font-size: medium;">O compositor José Barbosa da Silva, conhecido pelo pseudônimo Sinhô (1888 &#8211; 1930), também compôs uma música alfinetando Artur Bernardes. Foi a marcha carnavalesca <em>Fala baixo</em>, cujo título denunciava a censura policial da época. Nos versos, as invocações de uma “rolinha”, que era o apelido injurioso dado a Artur Bernardes pelos jornais do Rio, complicaram a vida do artista que foi perseguido e teve que sumir por uns tempos.</span></p>
<p>&nbsp;</p>
<div style="text-align: center;"><strong><span style="color: #800000;"> <em>Fala baixo (1919-1921)</em></span></strong></div>
<div style="text-align: center;"></div>
<div style="text-align: center;"><span style="color: #800000;"><em>Quero te ouvir cantar </em></span></div>
<div style="text-align: center;"><span style="color: #800000;"><em>Vem cá, rolinha, vem cá </em></span></div>
<div style="text-align: center;"><span style="color: #800000;"><em>Vem para nos salvar </em></span></div>
<div style="text-align: center;"><span style="color: #800000;"><em>Vem cá, rolinha, vem cá </em></span></div>
<div style="text-align: center;"><span style="color: #800000;"><em>Não é assim </em></span></div>
<div style="text-align: center;"><span style="color: #800000;"><em>Não é assim </em></span></div>
<div style="text-align: center;"><span style="color: #800000;"><em>Não é assim </em></span></div>
<div style="text-align: center;"><span style="color: #800000;"><em>Que se maltrata uma mulher </em></span></div>
<div style="text-align: center;"><span style="color: #800000;"><em>És a minha paixão </em></span></div>
<div style="text-align: center;"><span style="color: #800000;"><em>Vem cá, rolinha, vem cá </em></span></div>
<div style="text-align: center;"><span style="color: #800000;"><em>És o meu coração </em></span></div>
<div style="text-align: center;"><span style="color: #800000;"><em>Vem cá, rolinha, vem cá </em></span></div>
<div style="text-align: center;"><span style="color: #800000;"><em>Não é assim&#8230;</em></span></div>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: center;"><span style="color: #800000;"><em><strong>Um pouco sobre o candidato derrotado, Nilo Peçanha (1867 &#8211; 1924)</strong></em></span><em><strong> </strong></em></p>
<p>&nbsp;</p>
<div style="width: 604px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/8402" target="_blank"><img src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/bitstream/handle/20.500.12156.1/8402/Nilo%20Pe%c3%a7anha%20NP74.JPG.jpg?sequence=4&amp;isAllowed=y" alt="Thumbnail" width="594" height="800" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/8402" target="_blank">Nilo Peçanha, s/d / Acervo Museu da República</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>O candidato derrotado nas eleições presidenciais de 1922, Nilo Peçanha, era fluminense, de Campos de Goytacazes. Sua candidatura iniciou o movimento chamado de Reação Republicana que protestava contra as oligarquias de São Paulo e Minas Gerais. Inaugurava-se, então, o nilismo &#8211; uma nova forma de fazer política.</p>
<p>&nbsp;</p>
<div style="width: 540px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/8404" target="_blank"><img src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/bitstream/handle/20.500.12156.1/8404/Nilo%20Pe%c3%a7anha%20NP237.JPG.jpg?sequence=4&amp;isAllowed=y" alt="Thumbnail" width="530" height="800" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/8404" target="_blank">Juan Gutierrez, s/d / Acervo Museu da República</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><a href=" https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/visualizar-grupo-trabalho/298" target="_blank">Acessando o link para as fotografias de Nilo Peçanha disponíveis na Brasiliana Fotográfica, o leitor poderá magnificar as imagens e verificar todos os dados referentes a elas.</a></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Já havia sido presidente, o primeiro com um perfil popular, entre junho de 1909 e novembro de 1910, quando Afonso Pena (1847 &#8211; 1909) faleceu no exercício do cargo (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/103730_04/20122" target="_blank"><em>Gazeta de Notícias</em>, 15 de junho de 1909, sétima coluna</a>). Quando assumiu a presidência, Peçanha declarou que as bases de seu governo seriam a paz e o amor<em>. </em>Era formado em Direito e antes de chegar à presidência participou das campanhas abolicionista e republicana e havia sido deputado, governador do Rio de Janeiro e vice-presidente da República. Depois foi ministro das Relações Exteriores e senador. Era um excelente orador, fazia frequentemente discursos em praças do Rio de Janeiro, então capital do Brasil. Gostava de andar pelas ruas da cidade, parando em bares e lojas para conversar.</p>
<p>Foi, muitas vezes, vítima de racismo. Segundo o diplomata e membro da Academia Brasileira de Letras, Alberto Costa e Silva:</p>
<p><em>&#8220;Nilo Peçanha era mulato escuro, assim como diversos outros presidentes da república, a começar por Rodrigues Alves, que era mulato, e também Washington Luís. A questão é que nenhum desses políticos brasileiros era considerado mulato ou negro. Eles eram tidos como brancos, por terem uma posição social elevada. Faziam parte do “mundo dos brancos”, e não de uma minoria. A população dita “branca” no Brasil na realidade era composta por muitos mestiços&#8221;.</em></p>
<p style="text-align: right;"><a href="http://revistaepoca.globo.com/Revista/Epoca/0,,EMI17729-15254,00-O+BRASIL+JA+TEVE+SEU+OBAMA.html" target="_blank"><em>Revista Época</em>, 22 de novembro de 2008</a></p>
<p>&nbsp;</p>
<div style="width: 710px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/8406" target="_blank"><img src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/bitstream/handle/20.500.12156.1/8406/Nilo%20Pe%c3%a7anha%20NP526.JPG.jpg?sequence=4&amp;isAllowed=y" alt="Thumbnail" width="700" height="478" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/8406" target="_blank">Nilo Peçanha. Niterói, Rio de Janeiro, 1915 / Acervo Museu da República</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>Conforme já abordado pelo artigo publicado na Brasiliana Fotográfica, em 26 de março de 2020, <em><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=18379" target="_blank">Escola de Aprendizes e Artífices de Alagoas, 1910</a>,</em><strong><em> </em></strong>de Paulo Celso Corrêa, cientista político do Arquivo Histórico e Institucional do Museu da República, as Escolas de Aprendizes e Artífices foram criadas durante o governo do presidente Nilo Peçanha, em 1909. Sob a responsabilidade do recém-criado Ministério da Agricultura, Indústria e Comércio, elas ofereciam ensino primário e profissional para menores de idade pobres, com a finalidade de formá-los em operários e contramestres para a indústria. Com o texto, estão disponibilizadas as 14 fotos de um álbum da Coleção Nilo Peçanha referentes ao tema. São cenas dos cinco primeiros meses de funcionamento da escola, com as crianças tendo aulas e participando de oficinas de marcenaria, funilaria, sapataria, entre outras. Em 1937, as Escolas de Aprendizes e Artífices foram transformadas em Liceus de Artes e Ofícios. Estas instituições de ensino técnico e profissionalizante deram origem às posteriores Escolas Técnicas, Centros Federais de Educação Tecnológica e Institutos Federais de Educação, Ciência e Tecnologia.</p>
<p>&nbsp;</p>
<div style="width: 711px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/7902" target="_blank"><img src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/bitstream/handle/20.500.12156.1/7902/Verso%20do%20estojo%20de%20madeira%20que%20serve%20de%20prote%c3%a7%c3%a3o%20ao%20%c3%a1lbum%20fotogr%c3%a1fico%20da%20Escola%20de%20Aprendizes%20e%20Art%c3%adfices%20do%20Estado%20de%20Alagoas%2c%20na%20qual%20aparece%20desenhado%20Nilo%20Pe%c3%a7anha%2c%20entre%20dua.JPG.jpg?sequence=4&amp;isAllowed=y" alt="Thumbnail" width="701" height="569" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/7902" target="_blank">Verso do estojo de madeira que serve de proteção ao álbum fotográfico da Escola de Aprendizes e Artífices do Estado de Alagoas, na qual aparece desenhado Nilo Peçanha, entre duas bandeiras, a do Brasil e a do Estado de Alagoas, 1910 / Acervo Museu da República</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>Também criou o <a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=11970" target="_blank">Serviço de Proteção ao Índio (SPI)</a>, precursor da Funai, em 1910. O primeiro diretor do órgão foi o marechal Cândido Rondon (1865 &#8211; 1958).</p>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_41122" style="width: 359px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://memoria.bn.gov.br/docreader/025909_02/1619" target="_blank"><img class="size-full wp-image-41122" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2022/03/nilo.jpg" alt="Revista da Semana, 12 de novembro de 1921" width="349" height="524" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="http://memoria.bn.gov.br/docreader/025909_02/1619" target="_blank"><em>Revista da Semana</em>, 12 de novembro de 1921</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>Andrea C.T. Wanderley</p>
<p>Editora e pesquisadora do portal Brasiliana Fotográfica</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><span style="color: #800000;"><strong>Fontes:</strong></span></p>
<p><a href="https://atlas.fgv.br/verbetes/cartas-falsas" target="_blank">Atlas Histórico do Brasil</a></p>
<p>BARTZ, Frederico Duarte. <a href="https://ojs.ifch.unicamp.br/index.php/rhs/article/view/129/124" target="_blank"><em>Abílio de Nequete (1888-1960): os múltiplos caminhs de uma militância operária</em></a>. Dossiês Mundo do Trabalho, 14 de janeiro de 2011 in <em>História Social,</em> uma publicação semestral dos alunos do Programa de Pós-Graduação em História da Unicamp.</p>
<div class="page" data-page-number="2" data-loaded="true"></div>
<p><a href="https://blogln.ning.com/profiles/blogs/sinho-80-anos-sem-o-rei-do" target="_blank">Blog do Luis Nassif</a></p>
<p><a href="https://acervo.casadochoro.com.br/cards/view/1076" target="_blank">Casa do Choro</a></p>
<p>CPDOC &#8211; <a href="https://cpdoc.fgv.br/producao/dossies/AEraVargas1/biografias/artur_bernardes" target="_blank">Artur Bernardes</a>, <a href="https://cpdoc.fgv.br/sites/default/files/verbetes/primeira-republica/PE%C3%87ANHA,%20Nilo.pdf" target="_blank">Nilo Peçanha</a>, <a href="http://www.fgv.br/cpdoc/acervo/dicionarios/verbete-tematico/partido-comunista-brasileiro-pcb">PCB</a> e <a href="http://cpdoc.fgv.br/sites/default/files/verbetes/primeira-republica/SOARES,%20Raul.pdf" target="_blank">Raul Soares</a></p>
<p>FRANZINI, Fábio. <a href="https://www.anpocs.com/index.php/papers-26-encontro/gt-23/gt06-7/4375-ffranzini-no-campo/file" target="_blank"><em>No campo das ideias &#8211; Gilberto Freyre e a invenção da brasilidade futebolística</em></a>. Departamento de História da Unesp</p>
<p><a href="https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2019/10/com-o-slogan-paz-e-amor-nilo-pecanha-foi-o-primeiro-presidente-de-perfil-popular-do-brasil.shtml?origin=folha" target="_blank"><em>Folha de São Paulo</em>, 18 de outubro de 2019</a></p>
<p><a href="https://jornalggn.com.br/memoria/ai-seu-me-uma-satira-ao-candidato-artur-bernardes/" target="_blank">GGN &#8211; O jornal de todos os Brasis</a></p>
<p><a href="https://www.bn.gov.br/explore/acervos/hemeroteca-digital" target="_blank">Hemeroteca Digital da Biblioteca Nacional </a></p>
<p>Nosso Século</p>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: center;"><span style="color: #800000;"><strong>Links para os artigos já publicados da Série<em> 1922 &#8211; Hoje, há 100 anos</em></strong></span></p>
<p style="text-align: left;"><span style="color: #800000;"><a style="color: #800000;" href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=22501" target="_blank">Série <em>1922 &#8211; Hoje, há 100 anos I &#8211; Os Batutas embarcam para Paris</em>, de autoria de Andrea C.T. Wanderley, publicado em 29 de janeiro de 2022</a></span></p>
<p style="text-align: left;"><span style="color: #800000;"><a style="color: #800000;" href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=26620" target="_blank">Série <em>1922</em> &#8211; <em>Hoje, há 100 anos</em> <em>II</em>-<em> A Semana de Arte Moderna</em>, de autoria de Andrea C.T. Wanderley, publicado em 13 de fevereiro de 2022, na Brasiliana Fotográfica</a></span></p>
<p style="text-align: left;"><a style="color: #800000;" href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=27434" target="_blank" rel="bookmark">Série <em>1922 &#8211; Hoje, há 100 anos</em> <em>IV</em> – A primeira travessia aérea do Atlântico Sul, realizada pelos aeronautas portugueses Gago Coutinho e Sacadura Cabral, de autoria de Andrea C. T. Wanderley, publicada em 17 de junho de 2022, na Brasiliana Fotográfica</a></p>
<p style="text-align: left;"><span style="color: #800000;"><a style="color: #800000;" href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=27715" target="_blank">Série <em>1922 &#8211; Hoje, há 100 anos</em> <em>V</em> – A Revolta do Forte de Copacabana, de autoria de Andrea C. T. Wanderley, publicada em 5 de julho de 2022, na Brasiliana Fotográfica</a></span></p>
<p style="text-align: left;"><a style="color: #800000;" href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=26964" target="_blank">Série <em>1922</em> &#8211; <em>Hoje, há 100 anos VI</em> e série <em>Feministas, graças a Deus XI</em> &#8211; A fundação da Federação Brasileira para o Progresso Feminino, de autoria de Andrea C. T. Wanderley, publicado em 9 de agosto de 2022, na Brasiliana Fotográfica</a></p>
<p style="text-align: left;"><a style="color: #800000;" href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=11397">Série <em>1922 – Hoje, há 100 anos VII</em> &#8211; A morte de Gastão de Orleáns, o conde d´Eu (Neuilly-sur-Seine, 28/04/1842 &#8211; Oceano Atlântico 28/08/1922), de autoria de Andrea C. T. Wanderley, publicado em 28 de agosto de 2022, na Brasiliana Fotográfica.</a></p>
<p style="text-align: left;"><span style="color: #800000;"><a style="color: #800000;" href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=17940" target="_blank">Série <em>1922 &#8211; Hoje, há 100 anos VIII</em> &#8211; A abertura da Exposição Internacional do Centenário da Independência do Brasil e o centenário da primeira grande transmissão pública de rádio no país, de autoria de Andrea C. T. Wanderley, publicado em 7 de setembro de 2022, na Brasiliana Fotográfica.</a></span></p>
<p style="text-align: left;"><a style="color: #800000;" href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=29862" target="_blank">Série <em>1922 &#8211; Hoje, há 100 anos IX</em> – O centenário do Museu Histórico Nacional, de autoria de Maria Isabel Lenzi, historiadora do Musseu Histórico Nacional, publicado em 12 de outubro de 2022, na Brasiliana Fotográfica.</a></p>
<p style="text-align: left;"><a style="color: #800000;" href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=28798" target="_blank">Série <em>1922 &#8211; Hoje, há 100 anos X</em> &#8211;  A morte do escritor Lima Barreto (1881 &#8211; 1922), de autoria de Andrea C. T. Wanderley, publicado em 1º denovembro de 2022, na Brasiliana Fotográfica</a></p>
<p style="text-align: left;"><a style="color: #800000;" href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=30702" target="_blank">Série <em>1922 &#8211; Hoje, há 100 anos XI</em> e série <em>Feministas, graças a Deus XII</em> –<strong> </strong>1ª Conferência pelo Progresso Feminino e o “bom” feminismo, de autoria de Maria Elizabeth Brêa Monteiro, antropóloga do Arquivo Nacional, publicado em 19 de dezembro de 2022, na Brasiliana Fotográfica.</a></p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?feed=rss2&#038;p=26624</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Os 90 anos do Cristo Redentor, um dos mais importantes símbolos e pontos turísticos do Rio de Janeiro e do Brasil</title>
		<link>https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=25960</link>
		<comments>https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=25960#comments</comments>
		<pubDate>Fri, 08 Oct 2021 18:53:05 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Andrea Wanderley]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Análise de documento]]></category>
		<category><![CDATA[Efemérides]]></category>
		<category><![CDATA[90 anos]]></category>
		<category><![CDATA[Alfredo Krausz]]></category>
		<category><![CDATA[Alma Carioca]]></category>
		<category><![CDATA[art déco]]></category>
		<category><![CDATA[Augusto Malta]]></category>
		<category><![CDATA[comemoração]]></category>
		<category><![CDATA[Cristo Redentor]]></category>
		<category><![CDATA[Estátua da Liberdade]]></category>
		<category><![CDATA[Getulio Vargas]]></category>
		<category><![CDATA[Gheorghe Leonida]]></category>
		<category><![CDATA[Guilherme Santos]]></category>
		<category><![CDATA[Heitor da Silva Costa]]></category>
		<category><![CDATA[Heitor Levy]]></category>
		<category><![CDATA[história]]></category>
		<category><![CDATA[Lélio Landucci]]></category>
		<category><![CDATA[Margarida Lopes de Almeida]]></category>
		<category><![CDATA[Mario Lucarell]]></category>
		<category><![CDATA[Moacyr Luz]]></category>
		<category><![CDATA[Morro do Corcovado]]></category>
		<category><![CDATA[música]]></category>
		<category><![CDATA[Paul Landowsky]]></category>
		<category><![CDATA[Pedro Maria Bos]]></category>
		<category><![CDATA[Pedro Maria Boss]]></category>
		<category><![CDATA[Princesa Isabel]]></category>
		<category><![CDATA[Rio de Janeiro]]></category>
		<category><![CDATA[S.H. Holland]]></category>
		<category><![CDATA[Samba do avião]]></category>
		<category><![CDATA[Tom Jobim]]></category>

		<guid isPermaLink="false">https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=25960</guid>
		<description><![CDATA[Para comemorar os 90 anos do Cristo Redentor, um dos mais importantes símbolos e pontos turísticos do Rio de Janeiro e do Brasil, além de um dos maiores e mais famosos monumentos em estilo "art déco" do mundo, a Brasiliana Fotográfica republica um artigo sobre ele, com mais informações e novas fotografias. Usem a ferramenta "zoom" e façam um passeio pelas imagens! Localizado no morro do Corcovado, a 710 metros de altitude, a estátua tem 38 metros de altura e pesa 1.145 toneladas e foi inaugurada pelo presidente Getulio Vargas (1882-1954) e por Pedro Ernesto (1884-1942), interventor do Distrito Federal, em 12 de outubro de 1931. ]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><a href="https://www.youtube.com/watch?v=aK-k0SstIJQ" target="_blank"><em><strong><span style="color: #800000;">Samba do avião</span></strong></em></a></p>
<div class="ujudUb" style="text-align: center;"><a href="https://www.youtube.com/watch?v=aK-k0SstIJQ" target="_blank">Tom Jobim</a></div>
<div class="ujudUb" style="text-align: center;"></div>
<div class="ujudUb" style="text-align: center;"><a href="https://www.youtube.com/watch?v=aK-k0SstIJQ" target="_blank"><em>Minha alma canta</em></a><br />
<a href="https://www.youtube.com/watch?v=aK-k0SstIJQ" target="_blank"><em>Vejo o Rio de Janeiro</em></a><br />
<a href="https://www.youtube.com/watch?v=aK-k0SstIJQ" target="_blank"><em>Estou morrendo de saudade</em></a><br />
<a href="https://www.youtube.com/watch?v=aK-k0SstIJQ" target="_blank"><em>Rio seu mar, praias sem fim</em></a><br />
<a href="https://www.youtube.com/watch?v=aK-k0SstIJQ" target="_blank"><em>Rio você foi feito pra mim</em></a></div>
<div class="ujudUb" style="text-align: center;"><strong><span style="color: #800000;"><a style="color: #800000;" href="https://www.youtube.com/watch?v=aK-k0SstIJQ" target="_blank"><em>Cristo Redentor</em></a></span></strong><br />
<strong> <span style="color: #800000;"> <a style="color: #800000;" href="https://www.youtube.com/watch?v=aK-k0SstIJQ" target="_blank"><em>Braços abertos sobre a Guanabara</em></a></span></strong></div>
<div class="ujudUb" style="text-align: center;"><a href="https://www.youtube.com/watch?v=aK-k0SstIJQ" target="_blank"><em>Este samba é só porque</em></a><br />
<a href="https://www.youtube.com/watch?v=aK-k0SstIJQ" target="_blank"><em>Rio eu gosto de você</em></a><br />
<a href="https://www.youtube.com/watch?v=aK-k0SstIJQ" target="_blank"><em>A morena vai sambar</em></a><br />
<a href="https://www.youtube.com/watch?v=aK-k0SstIJQ" target="_blank"><em>Seu corpo todo balançar</em></a></div>
<div class="ujudUb" style="text-align: center;"><a href="https://www.youtube.com/watch?v=aK-k0SstIJQ" target="_blank"><em>Rio de sol, de céu, de mar</em></a><br />
<a href="https://www.youtube.com/watch?v=aK-k0SstIJQ" target="_blank"><em>Dentro de mais um minuto</em></a><br />
<a href="https://www.youtube.com/watch?v=aK-k0SstIJQ" target="_blank"><em>Estaremos no Tom Jobim</em></a></div>
<div class="ujudUb" style="text-align: center;"><a href="https://www.youtube.com/watch?v=aK-k0SstIJQ" target="_blank"><em>Te encontrar</em></a><br />
<a href="https://www.youtube.com/watch?v=aK-k0SstIJQ" target="_blank"><em>Minha alma canta</em></a><br />
<a href="https://www.youtube.com/watch?v=aK-k0SstIJQ" target="_blank"><em>Vejo o Rio de Janeiro</em></a></div>
<div class="ujudUb" style="text-align: center;"><a href="https://www.youtube.com/watch?v=aK-k0SstIJQ" target="_blank"><em>Cristo Redentor</em></a><br />
<a href="https://www.youtube.com/watch?v=aK-k0SstIJQ" target="_blank"><em>Braços abertos sobre a Guanabara</em></a></div>
<div class="ujudUb" style="text-align: center;"><a href="https://www.youtube.com/watch?v=aK-k0SstIJQ" target="_blank"><em>Este samba é só porque</em></a><br />
<a href="https://www.youtube.com/watch?v=aK-k0SstIJQ" target="_blank"><em>Rio eu gosto de você</em></a><br />
<a href="https://www.youtube.com/watch?v=aK-k0SstIJQ" target="_blank"><em>A morena vai sambar</em></a><br />
<a href="https://www.youtube.com/watch?v=aK-k0SstIJQ" target="_blank"><em>Seu corpo todo balançar</em></a></div>
<div class="ujudUb WRZytc" style="text-align: center;"><a href="https://www.youtube.com/watch?v=aK-k0SstIJQ" target="_blank"><em>Aperte o cinto, vamos chegar</em></a><br />
<a href="https://www.youtube.com/watch?v=aK-k0SstIJQ" target="_blank"><em>Água brilhando, olha a pista chegando</em></a><br />
<a href="https://www.youtube.com/watch?v=aK-k0SstIJQ" target="_blank"><em>E vamos nós aterrar</em></a></div>
<div class="ujudUb WRZytc" style="text-align: center;"></div>
<p>&nbsp;</p>
<div style="width: 315px" class="wp-caption alignleft"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/9804" target="_blank"><img class="" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/bitstream/handle/20.500.12156.1/9804/002037AAK5039.JPG.jpg?sequence=2&amp;isAllowed=y" alt="Thumbnail" width="305" height="417" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/9804" target="_blank">Alfredo Krausz. Cristo Redentor, c. 1933. Rio de Janeiro, RJ / Acervo IMS</a></p></div>
<p>Cantado em prosa e verso, o Cristo Redentor completa, no próximo dia 12 de outubro, 90 anos e confunde-se com a própria identidade dos cariocas, aliás, dos brasileiros. É um dos mais importantes símbolos e pontos turísticos do Rio de Janeiro e do país, além de ser também um dos maiores e mais famosos monumentos em estilo a<em>rt déco</em> do mundo. A Brasiliana Fotográfica comemora o ícone nonagenário que, de certa forma, confirma a beleza e a vocação exibicionista do Rio de Janeiro, com a republicação de um artigo sobre ele, porém com mais informações e novas imagens. Quando o primeiro artigo sobre a <a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=2602" target="_blank">inauguração do Cristo Redentor</a> foi publicado, em 12 de outubro de 2015, o acervo fotográfico do portal possuia seis registros do monumento &#8211; um de autoria de <a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=1322" target="_blank">Augusto Malta (1864 &#8211; 1957)</a> e um de <a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=12930" target="_blank">S. H. Holland (1883 &#8211; 1936)</a>, ambas do acervo do Instituto Moreira Salles (IMS); e quatro da LTM Firma, do acervo da Fundação Biblioteca Nacional (FBN).</p>
<p>O IMS e a FBN são as instituições fundadoras da Brasiliana Fotográfica e, até abril de 2016, as únicas representadas no acervo fotográfico do portal. Em 2021, o portal já conta com a parceria de mais nove instituições: o <span class="Z3988">Arquivo Geral da Cidade do Rio de Janeiro</span>, o <span class="Z3988">Arquivo Nacional</span>, a <span class="Z3988">Diretoria do Patrimônio Histórico e Documentação da Marinh</span><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/3541/discover"><span class="Z3988">a</span></a>, a <span class="Z3988">Fiocruz</span>, a <span class="Z3988">Fundação Joaquim Nabuco</span>, o <span class="Z3988">Leibniz-Institut fuer Laenderkunde, Leipzig;</span> o <span class="Z3988">Museu Aeroespacial</span>, o <span class="Z3988">Museu da República</span> e o <span class="Z3988">Museu Histórico Nacional</span>.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/visualizar-grupo-trabalho/292" target="_blank">Acessando o link para as fotografias do Cristo Redentor disponíveis na Brasiliana Fotográfica, o leitor poderá magnificar as imagens e verificar todos os dados referentes a elas.  </a></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Hoje a Brasiliana Fotográfica  traz para seus leitores, além das seis imagens publicadas em 2015, mais 17 fotografias do Cristo Redentor ou produzidas a partir dele: uma da Escola de Aviação Militar, uma de Mario Lucarell, sete do húngaro Alfredo Krausz (1902 – 1953), duas de fotógrafos ainda não identificados do <a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=4991" target="_blank">Acervo Geral da Cidade do Rio de Janeiro</a>, e duas também realizadas por fotógrafos ainda não conhecidos, que pertencem à Coleção Sebastião Lacerda, sob a guarda do Instituto Moreira Salles; mais uma da LTM Firma e três estereoscopias de autoria do<a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=5545" target="_blank"> fotógrafo amador Guilherme Santos (1871 &#8211; 1966)</a>. Usem a ferramenta <em>zoom</em> e façam um passeio pelas imagens! Além dessas fotos, destacamos registros belíssimos publicados em revistas na época da inauguração da estátua.</p>
<p>&nbsp;</p>
<div style="width: 776px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/9864" target="_blank"><img src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/bitstream/handle/20.500.12156.1/9864/002080Vol02Cx0711.jpg.jpg?sequence=3&amp;isAllowed=y" alt="Thumbnail" width="766" height="320" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/9864" target="_blank">Guilherme Santos. Estátua do Cristo Redentor, 12 de outubro de 1931. Rio de Janeiro, RJ / Acervo IMS</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
<div style="width: 586px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/9866" target="_blank"><img src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/bitstream/handle/20.500.12156.1/9866/037SL03109.jpg.jpg?sequence=3&amp;isAllowed=y" alt="Thumbnail" width="576" height="800" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/9866" target="_blank">Etapa da construção da estátua do Cristo Redentor &#8211; cabeça, c. 1930. São Gonçalo, RJ / Acervo IMS</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p><a href="https://youtu.be/E9euzIPPxoE" target="_blank">Link para a música <em>Alma Carioca</em>, especialmente composta por Moacyr Luz para a celebração dos 90 anos do Cristo Redentor.</a></p>
<p>&nbsp;</p>
<div style="width: 711px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/9806" target="_blank"><img src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/bitstream/handle/20.500.12156.1/9806/002037AAK5041.JPG.jpg?sequence=2&amp;isAllowed=y" alt="Thumbnail" width="701" height="509" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/9806" target="_blank">Alfredo Krausz. Vista da cidade; a partir do Cristo Redentor, c. 1933. Rio de Janeiro, RJ / Acervo IMS</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>Localizado no <a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=19898" target="_blank">Morro do Corcovado</a> &#8211; os morros do Pão de Açúcar e o Morro de Santo Antônio foram cogitados para abrigá-lo &#8211; o Cristo Redentor fica a 710 metros de altitude, e a estátua tem 38 metros de altura, pesando 1.145 toneladas. Foi inaugurado, num dia chuvoso, pelo presidente Getulio Vargas (1882-1954) e por Pedro Ernesto (1884-1942), interventor do Distrito Federal. Várias celebrações ocorreram para marcar o acontecimento (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/DocReader.aspx?bib=093718_01&amp;PagFis=7379" target="_blank"><em>Diário de Notícias</em>, 13 de outubro de 1931</a>; <a href="http://memoria.bn.br/DocReader/DocReader.aspx?bib=003581&amp;PagFis=6004" target="_blank"><em>O Cruzeiro</em>, 17 de outubro de 1931</a>; <a href="http://memoria.bn.br/DocReader/169072/5191" target="_blank"><em>Excelsior</em>, novembro de 1931</a>).</p>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_26058" style="width: 434px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://memoria.bn.br/DocReader/003581/6002" target="_blank"><img class="size-full wp-image-26058" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2021/10/heitordasilvacosta.jpg" alt="Texto de Heitor da Silva Costa / O Cruzeiro, 17 de outubro de 1931" width="424" height="539" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="http://memoria.bn.br/DocReader/003581/6002" target="_blank">Texto de Heitor da Silva Costa, engenheiro e autor do projeto do Cristo Redentor / <em>O Cruzeiro</em>, 17 de outubro de 1931</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<div style="width: 719px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/9862" target="_blank"><img src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/bitstream/handle/20.500.12156.1/9862/002080RJ0219.jpg.jpg?sequence=3&amp;isAllowed=y" alt="Thumbnail" width="709" height="291" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/9862" target="_blank">Guilherme Santos. Missa de inauguração da estátua do Cristo Redentor; entre os presentes, Getulio e Darcy Vargas, 12 de outubro de 1931. Rio de Janeiro, RJ / Acervo IMS</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>Na edição da <a href="http://memoria.bn.br/DocReader/259063/77873" target="_blank"><em>Fon-Fon</em>, de 17 de outubro de 1931</a>, que trouxe uma ampla cobertura das festividades da inauguração do Cristo Redentor com diversas e lindas fotos, publicação do poema <em>Cristo Redentor do Corcovado</em>, de autoria do alagoano Jorge de Lima (1893 &#8211; 1853).</p>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_26045" style="width: 488px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://memoria.bn.br/DocReader/259063/77877" target="_blank"><img class="size-full wp-image-26045" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2021/10/pessoas2.jpg" alt="Fon-Fon, 17 de outubro de 1931" width="478" height="544" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="http://memoria.bn.br/DocReader/259063/77877" target="_blank"><em>Fon-Fon</em>, 17 de outubro de 1931</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_26046" style="width: 794px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://memoria.bn.br/DocReader/259063/77876" target="_blank"><img class="size-full wp-image-26046" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2021/10/linda.jpg" alt="Fon-Fon, 17 de outubro de 1931" width="784" height="523" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="http://memoria.bn.br/DocReader/259063/77876" target="_blank"><em>Fon-Fon,</em> 17 de outubro de 1931</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_26047" style="width: 790px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://memoria.bn.br/docreader/259063/77888" target="_blank"><img class=" wp-image-26047" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2021/10/linda1.jpg" alt="Fon-Fon, 17 de outubro de 1931" width="780" height="424" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="http://memoria.bn.br/docreader/259063/77888" target="_blank"><em>Fon-Fon</em>, 17 de outubro de 1931</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>Mas foi no século XIX, que o padre lazarista francês Pietre-Marie (Pedro Maria) Bos (c.1834-1916), capelão do Colégio Imaculada Conceição, em Botafogo, que chegou ao Rio de Janeiro em torno de 1859, teve a ideia de erigir na capital do Império do Brasil um monumento que exaltasse a fé cristã (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/799670/2591" target="_blank"><em>A União</em>, 30 de janeiro de 1916, quinta coluna</a>). O padre Boss deixou a ideia registrada no prefácio do livro <em>Imitação de Cristo</em>, edição de 1903:</p>
<p><em>&#8220;O Corcovado! Lá se ergue o gigante de pedra alcantilado, altaneiro e triste, como interrogando o horizonte imenso&#8230; quando virá? Há tantos séculos espero. Sim, aqui está o pedestal único no mundo; quando vem a estátua colossal, imagem de quem me fez? Ai, Brasil amado! Acorda depressa, levanta naquele cume sublime a imagem de Jesus Salvador! Nem todos, por causas diversas, lerão o Livro, ao passo que em todas as línguas e linguagens a imagem dirá ao grande e ao pequeno, ao sábio e ao analfabeto&#8230;’&#8221;</em></p>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_26048" style="width: 361px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://diariodocorcovado.blogspot.com/p/o.html" target="_blank"><img class="size-full wp-image-26048" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2021/10/boss.jpg" alt="Padre Boss" width="351" height="405" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://diariodocorcovado.blogspot.com/p/o.html" target="_blank">Padre Pedro Maria Bos (1834 &#8211; 1916)</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>Ainda no século XIX, pouco depois da <a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=16006" target="_blank">princesa Isabel (1846 &#8211; 1921)</a> ter assinado a Lei Áurea, que aboliu a <a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?page_id=556" target="_blank">escravidão no Brasil</a>, em 13 de maio de 1888, um grupo de abolicionistas queria homenageá-la com uma estátua no alto do <a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=19898" target="_blank">Morro do Corcovado</a>. Ela declinou, em um documento de 2 de agosto de 1888:</p>
<p><em>&#8220;Manda Sua Alteza a Princesa Imperial Regente em Nome de Sua Magestade o Imperador agradecer a oferta da Commição Organizadora constituída da Sociedade Brazileira de Beneficência de Paris, da Cia. Estrada de Ferro do Cosme Velho ao Corcovado e do Jornal O Paiz, para erguer huma estátua em sua honra pela extinção da escravidão no Brasil, e faz mudar a dita homenagem e o projecto, pelo officio de 22 de julho do corrente anno, por huma estátua do Sagrado Coração de Nosso Senhor Jezus Christo, verdadeiro redentor dos homens, que se fará erguer no alto do morro do Corcovado&#8221;.</em></p>
<p>&nbsp;</p>
<div style="width: 711px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/2927" target="_blank"><img src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/bitstream/handle/20.500.12156.1/2927/imagem.jpg.jpg?sequence=2&amp;isAllowed=y" alt="Thumbnail" width="701" height="451" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/2927" target="_blank">Isabel, Princesa do Brasil : retrato, c. 1880 / Acervo FBN</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>Os viscondes de Mauá, Irineu Evangelisa de Souza  (1813 &#8211; 1889), e de Santa Vitória,<strong> </strong>Manuel Afonso de Freitas Amorim (1831 &#8211; 1906), viajaram a Paris encomendando o projeto e a execução de uma estátua de bronze do Sagrado Coração de Jesus, com 15 metros de altura, mas o monumento nunca foi construído.</p>
<p>&nbsp;</p>
<div style="width: 537px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/3656" target="_blank"><img src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/bitstream/handle/20.500.12156.1/3656/imagem.jpg.jpg?sequence=2&amp;isAllowed=y" alt="Thumbnail" width="527" height="800" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/3656" target="_blank">Mario Lucarell. Monumento Cristo Redentor : Christ Statue, 193?. Rio de Janeiro, RJ / Acervo FBN</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>Voltando ao século XX. Em 1917, o engenheiro Eduardo Limoeiro, presidente da recém criada Associação Auxiliar dos Engenheiros e Industriais, sugeriu, como parte das comemorações do centenário da independência do Brasil, que ocorreria em 1922, a edificação de um monumento em forma de esfera, sobre o qual se elevaria uma grande cruz, homenageando Jesus Cristo, no alto do Morro de Santo Antônio. O projeto era do engenheiro Alberto Pacca, mas a ideia não foi em frente (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/030015_03/39456" target="_blank"><em>Jornal do Brasil</em>, 21 de setembro de 1917, segunda coluna</a>).</p>
<p>Em 24 de fevereiro de 1921, numa sessão solene da Ação Social Nacionalista, presidida pelo Conde Afonso Celso (1860 -1938), o general Pedro Carolino Pinto de Almeida (1856 &#8211; 1922) sugeriu que fosse construido um monumento do Cristo Redentor para a comemoração do centenário da independência do Brasil. Em 20 de março de 1921, no Círculo Católico, foi realizada a primeira assembleia para estudar o projeto, cuja iniciativa foi aprovada pelo cardeal Arcoverde (1850 &#8211; 1930). Na ocasião, a ideia era que o monumento fosse de bronze e erigido no cume do Pão de Açúcar (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/089842_03/5578" target="_blank"><em>Correio de Manhã</em>, 21 de março de 1921, primeira coluna</a>). Em 24 de abril, ocorreu outra reunião (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/110523_02/5874" target="_blank"><em>O Jornal,</em> 25 de abril de 1922, penúltima colun</a>a) e, pela primeira vez, em 3 de maio, a comissão técnica do empreendimento, presidida pelo almirante José Carlos de Carvalho (1847 &#8211; 1934), se reuniu (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/030015_04/7883" target="_blank"><em>Jornal do Brasil</em>, 7 de maio de 1921, quinta coluna</a>). O arquiteto Heitor da Silva Costa (1873-1947), José Agostinho dos Reis(18? &#8211; 19?) e Adolfo Morales de Los Rios (1858 &#8211; 1928), cujos projetos concorreram para a construção do monumento, participavam da comissão.</p>
<p>Um abaixo-assinado organizado pela escritora Laurita Lacerda solicitava ao presidente Epitácio Pessoa (1865 &#8211; 1942) que a estátua do Cristo Redentor fosse construída. A iniciativa foi uma reação ao despacho do ministro da Fazenda, Homero Baptista (1861-1924), que havia negado a licença necessária para a construção do monumento. O documento foi entregue, com cerca de 30 mil nomes, ao presidente, em uma audiência, no Palácio Rio Negro, em Petrópolis, em 18 de fevereiro de 1922 (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/178691_05/7803" target="_blank"><em>O Paiz</em>, 11 de novembro de 1921, quinta coluna</a>; <a href="http://memoria.bn.br/DocReader/025909_02/1620" target="_blank"><em>Revista da Semana</em>, 12 de novembro de 1921, última coluna</a>; <a href="http://memoria.bn.br/DocReader/110523_02/9127" target="_blank"><em>O Jornal</em>, 19 de fevereiro de 1922, última coluna</a>).</p>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_26097" style="width: 312px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://memoria.bn.br/docreader/110523_02/9127" target="_blank"><img class="size-full wp-image-26097" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2021/10/colocação.jpg" alt="O Jornal, 19 de fevereiro de 1922" width="302" height="434" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="http://memoria.bn.br/docreader/110523_02/9127" target="_blank"><em>O Jornal</em>, 19 de fevereiro de 1922</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>Houve manifestações de igrejas protestantes e de outras religiões contrárias ao apoio do governo à construção do monumento, um símbolo católico, já que o Estado era laico. Por exemplo, seguidores da igreja Batista declararam, em nota publicada em <em>O Jornal Batista</em>, órgão oficial da Convenção Batista Brasileira, em 22 de março de 1923, que a construção &#8220;<em>será, a um tempo, um atestado eloquente de idolatria da igreja de Roma</em>&#8220;.</p>
<p>Epitácio justificou a permissão por ter sido requerida em primeiro lugar: se um representante de qualquer outra religião tivesse solicitado algo semelhante antes, a ele teria sido dada igualmente a autorização. A decisão para a construção do monumento no Morro do Corcovado foi concedida em 1º de junho de 1922 por Homero Baptista, ministro da Fazenda (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/178691_05/9786" target="_blank"><em>O Paiz</em>, 2 de junho de 1922, terceira coluna)</a>.</p>
<p>Em setembro de 1922, foi realizada uma cerimônia no local onde o Cristo seria construído, com a presença de várias autoridades (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/DocReader.aspx?bib=178691_05&amp;PagFis=10792" target="_blank"><em>O Paiz</em>, 12 de setembro de 1922, terceira coluna</a>) e, em 4 de outubro, foi lançada a pedra fundamental da obra (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/DocReader.aspx?bib=178691_05&amp;PagFis=11030" target="_blank"><em>O Paiz</em>, 5 de outubro de 1922</a>). No ano seguinte, teve início uma grande campanha de arrecadação de recursos para a construção do monumento, sob a coordenação de dom Sebastião Leme (1882 &#8211; 1942), o cardeal do Rio de Janeiro. Em setembro de 1923, as comissões já estavam formadas e <em>O Paiz</em> publicou uma extensa matéria sobre a realização de uma semana de coleta de doações para a construção do monumento que, aliás, foi totalmente construído a partir de doações populares. Uma curiosidade: na época com sete anos, o futuro atleta e presidente da Fifa, João Havelange (1916 &#8211; 2016), ajudou a arrecadar dinheiro para a construção do Cristo durante a semana do monumento (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/DocReader.aspx?bib=178691_05&amp;PagFis=12574" target="_blank"><em>O Paiz</em>, 16 de março de 1923, sexta coluna</a>; <a href="http://memoria.bn.br/DocReader/DocReader.aspx?bib=178691_05&amp;PagFis=14391" target="_blank"><em>O</em> <em>Paiz</em>, 2 de setembro de 1923</a>).</p>
<p>&nbsp;</p>
<div style="width: 710px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/6128" target="_blank"><img src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/bitstream/handle/20.500.12156.1/6128/BR%20RJ.AGCRJ.OR.NEG.ZS.04.JPG.jpg?sequence=3&amp;isAllowed=y" alt="Thumbnail" width="700" height="562" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/6128" target="_blank">Cristo Redentor, 1931(?). Rio de Janeiro, RJ / Acervo AGCRJ</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p><a href="http://memoria.bn.br/DocReader/docreader.aspx?bib=030015_04&amp;PagFis=24231" target="_blank">Em 21 de setembro de 1923,<em> </em>o<em> Jornal do Brasil</em></a> publicou uma matéria noticiando que, em 22 maio de 1923, o projeto do engenheiro Heitor da Silva Costa (1873-1947) para o monumento havia sido escolhido em assembleia geral da Comissão Executiva do Monumento Nacional ao Cristo Redentor, com a presença do monsenhor Macedo Costa, representando o cardeal Arcoverde, e de Cesario Alvim, representando o ministro da Viação. Os outros concorrentes foram José Agostinho dos Reis e Adolfo Morales de Los Rios. A reportagem também contou toda a história do empreendimento. A principal inspiração para o projeto de Silva Costa foi a estátua de São Carlos Borromeu, construída no século XVII, que ele havia examinado, em Arona, na Itália, durante uma viagem de estudos, em 1912 (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/364568_12/4201" target="_blank"><em>Jornal do Commercio</em>, 27 de julho de 1930</a>).</p>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_26079" style="width: 342px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://memoria.bn.br/docreader/003581/5961" target="_blank"><img class="wp-image-26079" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2021/10/arona1.jpg" alt="arona" width="332" height="533" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="http://memoria.bn.br/docreader/003581/5961" target="_blank">Estátua de São Carlos Borromeu, Arona, Itália / <em>O Cruzeiro</em>, 10 de outubro de 1931</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_25990" style="width: 208px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://memoria.bn.br/DocReader/030015_04/24231" target="_blank"><img class=" wp-image-25990" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2021/09/maquetes.jpg" alt="Jornal do Brasil, de 1923" width="198" height="481" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="http://memoria.bn.br/DocReader/030015_04/24231" target="_blank"><em>Jornal do Brasil</em>, 21 de setembro de 1923</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_26085" style="width: 196px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://memoria.bn.br/docreader/003581/5961" target="_blank"><img class="size-full wp-image-26085" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2021/10/anteprojeto.jpg" alt="Primeiro anteprojeto / O Cruzeiro, 10 de outubro de 1931" width="186" height="516" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="http://memoria.bn.br/docreader/003581/5961" target="_blank">Primeiro anteprojeto / <em>O Cruzeiro,</em> 10 de outubro de 1931</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>A mobilização popular em torno da construção do Cristo foi grande e um filme sobre o assunto, &#8220;O monumento do Christo Redemptor&#8221;, uma produção da Botelho Film, foi exibido no cinema Odeon (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/025909_02/5421" target="_blank"><em>Revista da Semana</em>, 8 de setembro de 1923</a>; <a href="http://memoria.bn.br/DocReader/DocReader.aspx?bib=178691_05&amp;PagFis=14950" target="_blank"><em>O Paiz</em>, 16 de outubro de 1923, na quinta coluna sob o título &#8220;Cinemas e fitas&#8221;</a>).</p>
<p><span style="color: #000000;">A concepção inicial para o monumento foi modificada: no projeto original, a figura de Jesus Cristo empunharia em sua mão direita um globo e na esquerda uma cruz. </span></p>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_16492" style="width: 551px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://memoria.bn.br/docreader/025909_02/5387" target="_blank"><img class="size-full wp-image-16492" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2015/10/cristoilu.jpg" alt="Projeto original do Cristo Redentor / Revista da Semana, 1923" width="541" height="769" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="http://memoria.bn.br/docreader/025909_02/5387" target="_blank">Projeto original de Heitor da Silva Costa para o Cristo Redentor / <em>Revista da Semana</em>, 1º de setembro de 1923</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>O responsável pelo desenho final do monumento, a figura de Cristo com os braços estendidos, com o corpo na vertical e disposto sobre o Corcovado que, olhado à distância por qualquer ângulo é visto como uma cruz plantada no granito, foi o italiano Carlos Oswald (1882 &#8211; 1971), na época professor de gravura e desenho do Liceu de Artes e Ofícios do Rio de Janeiro, e grande amigo de Silva Costa.</p>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_25993" style="width: 461px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://institutopoimenica.com/2013/05/17/a-gravura-de-carlos-oswald-1882-1971/" target="_blank"><img class="size-full wp-image-25993" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2021/09/maquetes32.jpg" alt="Carlos Oswald / Site Instituto Poimenica" width="451" height="337" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://institutopoimenica.com/2013/05/17/a-gravura-de-carlos-oswald-1882-1971/" target="_blank">Carlos Oswald, em Paris, 1911 / Site Instituto Poimenica</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_26086" style="width: 277px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://memoria.bn.br/docreader/003581/5961" target="_blank"><img class="size-full wp-image-26086" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2021/10/anteprojeto1.jpg" alt="Segundo anteprojeto, redesenhado por Carlos Oswald / O Cruzeiro, 10 de outubro de 1931" width="267" height="405" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="http://memoria.bn.br/docreader/003581/5961" target="_blank">Segundo anteprojeto, redesenhado por Carlos Oswald / <em>O Cruzeiro,</em> 10 de outubro de 1931</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_26102" style="width: 344px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2021/10/colocação1.jpg" target="_blank"><img class="size-full wp-image-26102" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2021/10/colocação1.jpg" alt="Trecho da palestra de Heitor Silva, na Sociedade / Jornal do commercio, 1930" width="334" height="71" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="http://memoria.bn.br/docreader/364568_12/4201">Trecho da palestra de Heitor Silva Costa, na Sociedade / Jornal do Commercio, 27 de julho de 1930</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p><span style="color: #000000;">Com os croquis de Oswald e suas convicções sobre o monumento a ser construído, Silva Costa foi para a Europa , em 1924 (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/164380/10265" target="_blank"><em>Eu sei tudo</em>, janeiro 1924</a>). Esteve na Alemanha, na Itália e na França. Para colaborar no trabalho, escolheu um especialista em estatuária, o artista francês, de origem polonesa, Paul Landowsky (1875-1961), e o engenheiro francês Albert Caquot (1881 &#8211; 1976), mestre em cálculos estruturais. Silva Costa, em texto publicado em <em>O Cruzeiro,</em> de 10 de outubro de 1931, justificou a escolha por Landowsky.</span></p>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_26071" style="width: 711px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://memoria.bn.br/DocReader/003581/5963" target="_blank"><img class=" wp-image-26071" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2021/10/povo.jpg" alt="O Cruzeiro, 10 de outubro de 1931" width="701" height="421" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="http://memoria.bn.br/DocReader/003581/5963" target="_blank">Heitor da Silva Costa (sentado) e Heitor Levy (terceiro da esquerda paraa a direita) em seu escritório técnico em Paris, com auxiliares e escultores e desenhistas, em 1926 /<em> O Cruzeiro</em>, 10 de outubro de 1931</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_26069" style="width: 309px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://memoria.bn.br/DocReader/003581/5962" target="_blank"><img class="size-full wp-image-26069" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2021/10/damas1.jpg" alt="O Cruzeiro, 10 de outubro de 1931" width="299" height="325" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="http://memoria.bn.br/DocReader/003581/5962" target="_blank"><em>O Cruzeiro</em>, 10 de outubro de 1931</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p><span style="color: #000000;">As duas mais famosas obras parisienses de Landowsky são a estátua de Sainte Geneviève, na Ponte de Tournelle, e a fonte da Porte de Saint-Cloud. </span></p>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_25994" style="width: 304px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://br.lucindariley.co.uk/seven-sisters-series/the-seven-sisters/paul-landowski/" target="_blank"><img class="size-full wp-image-25994" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2021/09/maquetes3.jpg" alt="Paul Landowsky / Site " width="294" height="293" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="http://br.lucindariley.co.uk/seven-sisters-series/the-seven-sisters/paul-landowski/" target="_blank">Paul Landowsky</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_26055" style="width: 195px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://www.annales.org/archives/x/caquot.html" target="_blank"><img class="wp-image-26055 size-full" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2021/10/caquotjpg.jpg" alt="Albert Caquot / " width="185" height="262" /></a><p class="wp-caption-text">A<a href="http://www.annales.org/archives/x/caquot.html" target="_blank">lbert Caquot / Photo collections ENSMP</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_26070" style="width: 815px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://memoria.bn.br/DocReader/003581/5963" target="_blank"><img class="wp-image-26070 size-full" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2021/10/montagem1.jpg" alt="O Cruzeiro, 10 de outubro de 1931" width="805" height="253" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="http://memoria.bn.br/DocReader/003581/5963" target="_blank">Montagem do modelo da estátua no ateliê de Landowsky, em Paris, 1926 /<em> O Cruzeiro</em>, 10 de outubro de 1931</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>Colaborador de Landowsky, o escultor italiano Lelio Landucci (? &#8211; 1954) participou do processo da evolução do projeto do Cristo. Landucci veio morar no Brasil e foi o autor do primeiro livro sobre o pintor Cândido Portinari (1903 &#8211; 1962) (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/093092_04/25461" target="_blank"><em>Diário Carioca</em>, 1º de outubro de 1954, terceira coluna</a>).</p>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_26110" style="width: 253px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://artsandculture.google.com/asset/retrato-de-l%C3%A9lio-landucci-candido-portinari/qgGGwwrp97Hj2Q" target="_blank"><img class="size-full wp-image-26110" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2021/10/lelio.jpg" alt="Retrato de Lélio Landucci por Cândido Portinari, 1932" width="243" height="366" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://artsandculture.google.com/asset/retrato-de-l%C3%A9lio-landucci-candido-portinari/qgGGwwrp97Hj2Q" target="_blank">Retrato de Lélio Landucci por Cândido Portinari, 1932 / Google Arts &amp; Culture</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>A obra de instalação do Cristo Redentor começou em 1926. De execução considerada complicadíssima, durou cinco anos. As peças foram transportadas de trem, pois ainda não havia estrada de rodagem até o Corcovado, só inaugurada, em 1936. Além disso, os depósitos de material, maquinário e os barracões para abrigar o pessoal envolvido na obra ficavam em um platô bem abaixo do cume, ocupado pelos andaimes. Pela primeira vez uma estátua era construída como um monumento arquitetônico e não simplesmente como uma escultura.</p>
<p><span style="color: #000000;">Silva Costa, após passar 14 meses na Europa, chegou ao Brasil trazendo uma</span> maquete e algumas peças do monumento <a href="http://memoria.bn.br/DocReader/DocReader.aspx?bib=843822&amp;PagFis=949" target="_blank">(</a><a href="http://memoria.bn.br/DocReader/843822/949" target="_blank"><em>Lar Catholico</em>, 14 de agosto de 1927, primeira coluna</a>). Um documento, datado de 14 de fevereiro de 1925, assinado por Landowsky, delegava a Silva Costa e à comissão do monumento <em>plenos poderes para conceder as necessárias autorizações para as reproduções da imagem da maquete desse monumento</em>.</p>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_26065" style="width: 375px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://www.riodejaneiroaqui.com/portugues/cristo-redentor-fatos-1.html" target="_blank"><img class="wp-image-26065 size-full" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2021/10/cessão.jpg" alt="cessão" width="365" height="502" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://www.riodejaneiroaqui.com/portugues/cristo-redentor-fatos-1.html" target="_blank">Documento de cessão de direitos assinado por Paul Landowsky / Acervo de Bel Noronha, bisneta de Heitor Silva Costa</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>Uma exposição com os modelos de gesso das mãos do Cristo, modeladas por Landowsky, foi realizada no Corcovado (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/DocReader.aspx?bib=093092_01&amp;PagFis=1899" target="_blank"><em>Diário Carioca</em>, 24 de janeiro de 1929, sexta coluna</a>). Reza a lenda que teria usado as mãos da poetisa, atriz e declamadora Margarida Lopes de Almeida (1896 &#8211; 1979) como modelos para as mãos da estátua. Ela sempre confirmou essa história mas perto de morrer a desmentiu, deixando uma dúvida quanto a sua veracidade.</p>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_26037" style="width: 205px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://www.oguialegal.com/maosdecristo.htm"><img class="size-full wp-image-26037" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2021/10/margarida1.jpg" alt="Margarida Lopes de Almeida" width="195" height="265" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="http://www.oguialegal.com/maosdecristo.htm" target="_blank">Margarida Lopes de Almeida</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>A cabeça do Cristo foi executada pelo escultor romeno Gheorghe Leonida (1892/1893 &#8211; 1942), que estudava em Paris. O molde de gesso foi recortado em 50 partes e foi remontado e concretado no sítio do arquiteto italiano Heitor Levy, em São Gonçalo (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/221961_01/5756" target="_blank"><em>Diário da Noite</em>, 22 de abril de 1931, última coluna</a>). As únicas coisas que foram construídas na França foram justamente os moldes da cabeça e das mãos, porém em gesso, em tamanho natural, que foram recortadas, trazidas ao Brasil e aqui reconstruídas em concreto armado.</p>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_25997" style="width: 188px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Gheorghe_Leonida#/media/Ficheiro:Gheorghe_Leonida.jpg" target="_blank"><img class="wp-image-25997 size-full" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2021/09/maquetes5jpg.jpg" alt="maquetes5jpg" width="178" height="200" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Gheorghe_Leonida#/media/Ficheiro:Gheorghe_Leonida.jpg" target="_blank">Gueorghe Leonida</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_25991" style="width: 605px" class="wp-caption aligncenter"><a href="www.al.sp.gov.br/noticia/?id=310849" target="_blank"><img class="wp-image-25991 size-full" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2021/09/maquetes1.jpg" alt="maquetes1" width="595" height="436" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="www.al.sp.gov.br/noticia/?id=310849" target="_blank">Heitor da Silva Costa (em destaque), o engenheiro-supervisor Pedro Fernandes Vianna da Silva, o engenheiro Antonio Ferreira Antero e o arquiteto-executor Heitor Levy / Site Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>O braço direito de Heitor da Silva, Heitor Levy, de credo judaico, que quase morreu em um acidente nos aidaimes do monumento, converteu-se ao catolicismo. Teria escrito os nomes de sua família num pergaminho guardado dentro do coração interno da estátua do Cristo Redentor.</p>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_26053" style="width: 555px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://diariodocorcovado.blogspot.com/p/o.html" target="_blank"><img class="wp-image-26053 size-full" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2021/10/heitorlevi.jpg" alt="Heitor Levy / Corcovado" width="545" height="395" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://diariodocorcovado.blogspot.com/p/o.html" target="_blank">Heitor Levy / <em>Diário do Corcovado</em></a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<div style="width: 590px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/9865" target="_blank"><img src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/bitstream/handle/20.500.12156.1/9865/037SL03108.jpg.jpg?sequence=4&amp;isAllowed=y" alt="Thumbnail" width="580" height="800" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/9865" target="_blank">Etapa da construção da estátua do Cristo Redentor &#8211; cabeça, c. 1930. Sâo Gonçalo, RJ / Acervo IMS</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>As obras foram visitadas por autoridades, guiadas pelo engenheiro Heitor da Silva Costa e o monsenhor Gonzaga do Carmo foi fotografado ao lado de dedos da mão da escultura (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/DocReader.aspx?bib=089842_03&amp;PagFis=40908" target="_blank"><em>Correio da Manhã</em>, de 29 de junho de 1929</a>).</p>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_26044" style="width: 242px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://memoria.bn.br/DocReader/089842_03/40908" target="_blank"><img class="size-full wp-image-26044" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2021/10/pessoas1.jpg" alt="Correio da Manhã, 29 de junho de 1929" width="232" height="521" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="http://memoria.bn.br/DocReader/089842_03/40908" target="_blank"><em>Correio da Manhã</em>, 29 de junho de 1929</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>A convite da Sociedade Brasileira de Engenheiro, Costa Silva proferiu uma conferência sobre os trabalhos da construção do monumento, quando palestrou sobre sua história, a observação de outros monumentos, a escolha de Landowsky, a filosofia pitagoriana e a <em>divina geometria, </em>a técnica utilizada e finalmente, a compara com a Estátua da Liberdade, inaugurada em 1886, em Nova York &#8211; um presente da França aos Estados Unidos, cujo projeto foi do escultor francês Frédéric Auguste Bartholdi (1834 &#8211; 1904) (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/364568_12/4201" target="_blank"><em>Jornal do Commercio</em>, 27 de julho de 1930, primeira coluna</a>).</p>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_26103" style="width: 684px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://memoria.bn.br/DocReader/364568_12/4201" target="_blank"><img class="size-full wp-image-26103" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2021/10/colocação2.jpg" alt="Jornal do Commercio, 26 de julho de 1930" width="674" height="360" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="http://memoria.bn.br/docreader/364568_12/4201" target="_blank"><em>Jornal do Commercio</em>, 27 de julho de 1930</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_26114" style="width: 215px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://en.wikipedia.org/wiki/Fr%C3%A9d%C3%A9ric_Auguste_Bartholdi#/media/File:Leslie_Liberty.jpg" target="_blank"><img class="size-full wp-image-26114" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2021/10/liberdade.jpg" alt="Capa do jornal Leslie, da semana que terminava em de 1885" width="205" height="291" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://en.wikipedia.org/wiki/Fr%C3%A9d%C3%A9ric_Auguste_Bartholdi#/media/File:Leslie_Liberty.jpg" target="_blank">Capa do periódico<em> Frank Leslie´s Illustrated Newspaper</em>, da semana que terminava em 13 de junho de 1885 / Wikipedia</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>Foi publicada uma notícia sobre a construção do Cristo Redentor no Rio de Janeiro e de um nos Alpes, na revista <a href="http://memoria.bn.br/DocReader/025909_03/3051" target="_blank"><em>A Semana</em>, de 25 de abril de 1931</a>, com a publicação de uma fotografia da estátua alpina e de quatro do Cristo Redentor carioca: de sua construção, de uma de suas mãos, de um de seus olhos e de sua cabeça.</p>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_25988" style="width: 289px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://memoria.bn.br/DocReader/025909_03/3051" target="_blank"><img class="size-full wp-image-25988" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2021/09/cristo.jpg" alt="Revista da Semana, de 1931" width="279" height="402" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="http://memoria.bn.br/DocReader/025909_03/3051" target="_blank"><em>Revista da Semana</em>, 25 de abril de 1931</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>A estrutura do monumento é formada por quatro pilares e 12 andares em concreto armado, o que não era muito comum na época de sua construção. Era uma técnica relativamente recente, patenteada, em 1892, pelo engenheiro francês François Hennebique (1842 &#8211; 1921).</p>
<p><em>&#8220;O Cristo, com evidente propósito figurativo, foi provavelmente a primeira obra escultórica do mundo a utilizar o concreto como material de base. O diálogo entre forma e estrutura, em concreto, aí presente, pautaria, anos depois, em outtras nuances mais próprias à arquitetura, boa parte da produção modernista brasileira&#8221;.</em>(1)</p>
<p>Com exceção das mãos, a estrutura da estátua é oca, o que possibilita o acesso interno através de uma escadaria metálica. O Cristo Redentor tem um coração, localizado no oitavo andar, e, em sua cabeça e braços, encontram-se para-raios. A superfície externa foi revestida com pedras-sabão, coladas por senhoras da sociedade carioca.</p>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_26068" style="width: 609px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://memoria.bn.br/DocReader/003581/5970" target="_blank"><img class="size-full wp-image-26068" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2021/10/damas.jpg" alt="O Cruzeiro, 10 de outubro de 1931" width="599" height="280" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="http://memoria.bn.br/DocReader/003581/5970" target="_blank"><em>Mulheres na casa paroquial fazendo mosaicos de pedra-sabão / O Cruzeiro</em>, 10 de outubro de 1931</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<div style="width: 711px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/6147" target="_blank"><img src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/bitstream/handle/20.500.12156.1/6147/BR%20RJ.AGCRJ.OR.NEG.ZS.11.JPG.jpg?sequence=3&amp;isAllowed=y" alt="Thumbnail" width="701" height="539" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/6147" target="_blank">Cristo Redentor, 1931. Rio de Janeiro, RJ / Acervo AGCRJ</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>No dia da inauguração, foi o físico Guglielmo Marconi (1874-1937), inventor do telégrafo, que, da Itália, ligou os refletores da estátua. Assis Chateaubriand, diretor dos <em>Diários Associados</em>, enviou um telegrama a ele dizendo: <em>&#8220;No instante em que iluminais o monumento de Jesus Cristo, os católicos brasileiros saúdam em vós a faísca do gênio latino que descobriu e construiu o novo mundo&#8221;</em> ( <a href="http://memoria.bn.br/DocReader/DocReader.aspx?bib=003581&amp;PagFis=6005"><em>O Cruzeiro</em>, 17 de outubro de 1931</a>).</p>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_26073" style="width: 432px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://memoria.bn.br/DocReader/003581/5978" target="_blank"><img class="size-full wp-image-26073" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2021/10/marconi.jpg" alt="O Cruzeiro, 10 de outubro de 1931" width="422" height="544" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="http://memoria.bn.br/DocReader/003581/5978" target="_blank"><em>O Cruzeiro</em>, 10 de outubro de 1931</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>Segundo o site do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, o Iphan, <em>&#8220;o sistema não funcionou como o esperado, mas o Cristo foi iluminado graças à habilidade do engenheiro Gustavo Corção e sua equipe, atribui-se a Rinaldo Franco o ato de ter acionado o interruptor responsável pela iluminação&#8221;</em>.</p>
<p>&nbsp;</p>
<div style="width: 574px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/3213" target="_blank"><img src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/bitstream/handle/20.500.12156.1/3213/imagem.jpg.jpg?sequence=2&amp;isAllowed=y" alt="Thumbnail" width="564" height="800" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/3213" target="_blank">LTM. Mon. A Christo Redemptor, 12 de outubro de 1931. Rio de Janeiro, RJ / Acervo FBN </a> <a href="http://memoria.bn.br/DocReader/169072/5191" target="_blank">Uma fotografia muito semelhante a essa está publicada na capa da revista <em>Excelsior</em>, novembro de 1931</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_26059" style="width: 293px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://memoria.bn.br/DocReader/003581/6021" target="_blank"><img class="size-full wp-image-26059" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2021/10/monumento.jpg" alt="O Cruzeiro, 17 de outubro de 1931" width="283" height="413" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="http://memoria.bn.br/DocReader/003581/6021" target="_blank"><em>O Cruzeiro</em>, 17 de outubro de 1931</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_26060" style="width: 711px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://memoria.bn.br/DocReader/003581/6022" target="_blank"><img class=" wp-image-26060" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2021/10/missacampal.jpg" alt="O Cruzeiro, 17 de outubro de 1931" width="701" height="434" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="http://memoria.bn.br/DocReader/003581/6022" target="_blank"><em>O Cruzeiro</em>, 17 de outubro de 1931</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>Em 1973, o conjunto paisagístico do monumento foi tombado pelo Iphan &#8211; Instituto do Patrimônio Histórico Nacional.</p>
<p>O carro abre-alas da Escola de Samba Beija-Flor de Nilópolis, cujo samba-enredo de 1989 era <em>Ratos e Urubus, Larguem Minha Fantasia</em>, traria uma reprodução do Cristo Redentor vestido como um mendigo, mas a Arquidiocese do Rio de Janeiro conseguiu uma ordem judicial proibindo a apresentação da alegoria. O carnavalesco Joãosinho Trinta (1933 &#8211; 2011) cobriu a alegoria com um plástico preto e acrescentou uma faixa com a frase &#8220;<em>mesmo proibido, olhai por nós</em>&#8220;.</p>
<p>Em 1990, a estátua foi restaurada e, em 7 de julho de 2007, o Cristo Redentor foi eleito uma das Sete Maravilhas do Mundo Moderno (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/DocReader.aspx?bib=030015_12&amp;PagFis=208121" target="_blank"><em>Jornal do Brasil</em>, 8 de julho de 2007</a>). Ficou em terceiro lugar, atrás da Muralha da China e da Cidade de Petra, na Jordânia.</p>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_26056" style="width: 224px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://memoria.bn.br/DocReader/030015_12/208122" target="_blank"><img class="size-full wp-image-26056" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2021/10/classificação.jpg" alt="Classificação das 7 maravilhas do mundo moderno / Jornal do Brasil, 8 de julho de 19" width="214" height="431" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="http://memoria.bn.br/DocReader/030015_12/208122" target="_blank">Classificação das 7 Maravilhas do Mundo Moderno / <em>Jornal do Brasil</em>, 8 de julho de 2007</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>O resultado foi divulgado pela empresa suíça promotora do concurso, a Fundação <em>New  7 Wonders </em>e o título foi recebido pelo técnico de futebol Luiz Felipe Scolari (1948 -) e pelo embaixador do Brasil em Portugal, Celso de Souza, no Estádio da Luz, sede do clube Benfica, em Lisboa, Portugal.</p>
<p>&nbsp;</p>
<div style="width: 710px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/3175" target="_blank"><img src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/bitstream/handle/20.500.12156.1/3175/imagem.jpg.jpg?sequence=2&amp;isAllowed=y" alt="Thumbnail" width="700" height="455" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/3175" target="_blank">LTM (Firma). Rio de Janeiro : : Pan. da Vista Chinesa, 1935?. Rio de Janeiro, RJ / Acervo FBN</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>Em 2008, a bisneta de Heitor da Silva Costa, Bel Noronha, lançou o documentário <em>De Braços abertos</em>, sobre a história do Cristo Redentor.</p>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_26062" style="width: 780px" class="wp-caption alignnone"><a href="http://memoria.bn.br/docreader/030015_12/248091" target="_blank"><img class="size-full wp-image-26062" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2021/10/margarida2.jpg" alt="Jornal do Brasil, de 2008" width="770" height="270" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="http://memoria.bn.br/docreader/030015_12/248091" target="_blank"><em>Jornal do Brasil</em>, 12 de outubro de 2008</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>Em 30 de setembro do mesmo ano, o Cristo Redentor foi tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional &#8211; Iphan &#8211; por sua importância histórica (<a href="http://portal.iphan.gov.br/noticias/detalhes/3313/cristo-redentor-rj-completa-sete-anos-como-patrimonio-cultural" target="_blank">Portal Iphan</a>). Em 1º de março de 2011, aniversário da cidade do Rio de Janeiro, foi inaugurada uma nova iluminação no monumento com 300 projetores de LED de última geração que deram mais cor à estátua do Cristo Redentor, com um consumo de energia bem menor, e com a possibilidade de criar diferentes efeitos e cores.</p>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_25996" style="width: 559px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2021/09/maquetes4.jpg"><img class="size-full wp-image-25996" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2021/09/maquetes4.jpg" alt="O Globo, 1º de março de 2011" width="549" height="424" /></a><p class="wp-caption-text"><em>O Globo</em>, 1º de março de 2011</p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>Desde sua inauguração, o Cristo Redentor já recebeu diversas visitas de personalidades importantes no cenário internacional como o cientista Albert Einstein (1879 &#8211; 1955), o cantor Michael Jackson (1958 &#8211; 2009), o papa João Paulo II (1920 &#8211; 2005), o Dalai Lama (1935-), a Princesa Diana (1961 &#8211; 1997), o príncipe Charles (1948-) e o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama (1961-), com sua família. Algumas pessoas que já subiram na cabeça da estátua foram a jornalista Glória Maria (1949-), a atriz Ingrid Guimarães (1972-), a apresentadora de televisão Patrícia Abravanel (1977-), o comediante Renato Aragão (1935-), a atriz Tatá Werneck (1983-) e a bisneta de Heitor Silva Costa, Bel Noronha.</p>
<p>&nbsp;</p>
<div style="width: 710px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/7304" target="_blank"><img src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/bitstream/handle/20.500.12156.1/7304/Alb%200294%20003ct.jpg.jpg?sequence=5&amp;isAllowed=y" alt="Thumbnail" width="700" height="482" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/7304" target="_blank">Escola de Aviação Militar. Vista Aérea do Cristo Redentor, 28 de junho de 1935. Rio de Janeiro, RJ / Acervo Museu Aeroespacial</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: center;"><a href="https://www.youtube.com/watch?v=W-YnyZG8fNU" target="_blank"><em><span style="color: #800000;"><strong>Corcovado</strong></span></em></a></p>
<p style="text-align: center;"><a href="https://www.youtube.com/watch?v=W-YnyZG8fNU" target="_blank">João Gilberto </a></p>
<p style="text-align: center;"><a href="https://www.youtube.com/watch?v=W-YnyZG8fNU" target="_blank"><em>Um cantinho e um violão</em></a><br />
<a href="https://www.youtube.com/watch?v=W-YnyZG8fNU" target="_blank"><em>Este amor, uma canção</em></a><br />
<a href="https://www.youtube.com/watch?v=W-YnyZG8fNU" target="_blank"><em>Pra fazer feliz a quem se ama</em></a></p>
<p style="text-align: center;"><a href="https://www.youtube.com/watch?v=W-YnyZG8fNU" target="_blank"><em>Muita calma pra pensar</em></a><br />
<a href="https://www.youtube.com/watch?v=W-YnyZG8fNU" target="_blank"><em>E ter tempo pra sonhar</em></a><br />
<strong><span style="color: #800000;"><a style="color: #800000;" href="https://www.youtube.com/watch?v=W-YnyZG8fNU" target="_blank"><em>Da janela vê-se o Corcovado</em></a></span></strong><br />
<strong> <span style="color: #800000;"><a style="color: #800000;" href="https://www.youtube.com/watch?v=W-YnyZG8fNU" target="_blank"><em>O Redentor, que lindo</em></a></span></strong></p>
<p style="text-align: center;"><a href="https://www.youtube.com/watch?v=W-YnyZG8fNU" target="_blank"><em>Quero a vida sempre assim</em></a><br />
<a href="https://www.youtube.com/watch?v=W-YnyZG8fNU" target="_blank"><em>Com você perto de mim</em></a><br />
<a href="https://www.youtube.com/watch?v=W-YnyZG8fNU" target="_blank"><em>Até o apagar da velha chama</em></a></p>
<p style="text-align: center;"><a href="https://www.youtube.com/watch?v=W-YnyZG8fNU" target="_blank"><em>E eu que era triste</em></a><br />
<a href="https://www.youtube.com/watch?v=W-YnyZG8fNU" target="_blank"><em>Descrente deste mundo</em></a><br />
<a href="https://www.youtube.com/watch?v=W-YnyZG8fNU" target="_blank"><em>Ao encontrar você eu conheci</em></a><br />
<a href="https://www.youtube.com/watch?v=W-YnyZG8fNU" target="_blank"><em>O que é felicidade meu amor</em></a></p>
<h2></h2>
<div style="width: 539px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/3172" target="_blank"><img src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/bitstream/handle/20.500.12156.1/3172/imagem.jpg.jpg?sequence=2&amp;isAllowed=y" alt="Thumbnail" width="529" height="800" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/3172" target="_blank">LTM Firma. Rio de Janeiro : : Rua Paissandú, c. 1935. Rio de Janeiro, RJ / Acervo FBN</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://memoria.bn.br/DocReader/003581/5946" target="_blank">Link a revista <em>O Cruzeiro</em>, de 10 de outubro de 1931, edição dedicada ao Cristo Redentor, com textos do Conde de Affonso Celso, de Heitor Silva Costa, de Arrojado Lisboa, de Felipe dos Santos Reis, do padre José Natuzzi, dentre outros, abordando a história, a concepção, a construção e outros aspectos do monumento. Publicação também do <em>Cântico ao Cristo do Corcovado</em>, de Tasso da Silveira; da história da Estrada de Ferro do Corcovado, das cartas trocadas entre o papa Pio XI  e o cardeal Sebastião Leme, da programação oficial e da lista das autoridades eclesiásticas que participariam dos eventos relacionados à inauguração do monumento.</a></p>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_26067" style="width: 390px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://memoria.bn.br/DocReader/003581/5946" target="_blank"><img class="size-full wp-image-26067" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2021/10/cruzeirojpg.jpg" alt="Capa da edição da  revista O Cruzeiro, de 10 de outubro de 1931" width="380" height="525" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="http://memoria.bn.br/DocReader/003581/5946" target="_blank">Capa da edição da revista <em>O Cruzeiro</em>, 10 de outubro de 1931</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>Para saber um pouco da história do Morro do Corcovado antes do Cristo Redentor, acesse aqui o artigo Série<a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=19898" target="_blank"><em> “O Rio de Janeiro desaparecido” (11) – A Estrada de Ferro do Corcovado e o mirante Chapéu de Sol</em></a>, publicado em 22 de julho de 2021, na Brasiliana Fotográfica.</p>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_26072" style="width: 880px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://memoria.bn.br/DocReader/003581/5972" target="_blank"><img class="size-full wp-image-26072" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2021/10/holland.jpg" alt="Fotografia de autoria e creditada de S. H. Holland, publicada em O Cruzeiro, 10 de outubro de 1931" width="870" height="540" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="http://memoria.bn.br/DocReader/003581/5972" target="_blank">Fotografia de autoria e creditada a S. H. Holland, publicada em <em>O Cruzeiro</em>, 10 de outubro de 1931</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>A Brasiliana Fotográfica agradece a colaboração para a realização desse artigo de Roberta Mociaro Zanatta, coordenadora do Núcleo de Catalogação e Indexação do IMS e uma das responsáveis pela gestão e atualização de conteúdos do portal Brasiliana Fotográfica., e de Guilherme Dias, Conservador de Fotografias do Núcleo de Conservação e Preservação de Acervos, do IMS.</p>
<p>(1) KAZ, Leonel; LODDI, Nigge. <em>Cristo Redentor História e Arte de um Símbolo do Brasil</em>. Rio de Janeiro : Aprazível, 2008, página 75.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Andrea C. T. Wanderley</p>
<p>Editora e pesquisadora do portal Brasiliana Fotográfica</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><span style="color: #800000;"><strong>Fontes:</strong></span></p>
<p>Agenda do Centro de Documentação da TV Globo</p>
<p>ALVAREZ, Rodrigo. <em>Redentor</em>. Rio de Janeiro : GloboLivros, 2021.</p>
<p><a href="http://biblioteca.cl.df.gov.br/dspace/bitstream/123456789/1756/1/Os%20tecnicos%20militares%20da%20miss%C3%A3o%20cruls%20-%20GEN.Alberto%20Martins%20da%20Silva.pdf" target="_blank">Biblioteca da Câmara Legislativa do Distrito Federal</a></p>
<p><a href="https://diariodocorcovado.blogspot.com/p/o.html" target="_blank">Blog Diário do Corcovado</a></p>
<p>CERQUEIRA, Bruno da Silva Antunes de; ARGON, Maria de Fátima Moraes. <i class="bbc-h1y5j7 ewc4zcb0">Alegrias e Tristezas: Estudos Sobre a Autobiografia de D. Isabel do Brasil. </i>Rio de Janeiro : Linotipo Digital Editora, 2020.</p>
<p>Conforme está relatado no livro <i class="bbc-h1y5j7 ewc4zcb0">Alegrias e Tristezas: Estudos Sobre a Autobiografia de D. Isabel do Brasil</i> (Linotipo Digital Editora) — escrito pelo historiador e advogado Bruno da Silva Antunes de Cerqueira, fundador do Instituto Cultural D. Isabel A Redentora, e pela historiadora e arquivista Maria de Fátima Moraes Argon, pesquisadora aposentada do Museu Imperial</p>
<p><em>Coleção Nosso Século Brasil</em> 10 Volumes. São Paulo : Abril Cultural, 1987.</p>
<p><a href="https://www.youtube.com/watch?v=glNl6G5kPw8" target="_blank">Entrevista com Bel Noronha, bisneta de Heitor da Silva Costa e diretora do documentário <em>De braços abertos</em>, no <em>Programa do Jô</em></a></p>
<p><a href="https://www1.folha.uol.com.br/fol/cult/cu26072.htm" target="_blank">Folha de São Paulo</a></p>
<p><a href="https://artsandculture.google.com/" target="_blank">Google Arts &amp; Culture</a></p>
<p><a href="http://bndigital.bn.br/hemeroteca-digital/" target="_blank">Hemeroteca Digital da Biblioteca Nacional</a></p>
<p>KAZ, Leonel; LODDI, Nigge. <em>Cristo Redentor História e Arte de um Símbolo do Brasil</em>. Rio de Janeiro : Aprazível, 2008.</p>
<p>OSWALD, Carlos. Como me tornei pintor.  Petrópolis, RJ: Vozes, 1957.</p>
<p><a href="http://portal.iphan.gov.br/ans.net/tema_consulta.asp?Linha=tc_arque.gif&amp;Cod=1718" target="_blank">Portal Iphan</a></p>
<p>RIBEIRO, Antônio Sérgio. <a href="https://www.al.sp.gov.br/noticia/?id=310849" target="_blank"><em>Cristo Redentor: 80 anos de um símbolo</em></a>. Agência de Notícias da Assembleia Legislativa de São Paulo.<span class="reference-accessdate"> </span></p>
<p>SEMENOVITCH, Jorge Scévola. <em>Corcovado: a conquista da montanha</em> <em>de Deus</em>. Rio de Janeiro : Editora Lutecia, 2010</p>
<p><a href="http://arqrio.org/noticias/detalhes/7835/o-cristo-redentor-e-a-princesa-isabel" target="_blank">Site Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro</a></p>
<p><a href="https://capitalmundialdaarquitetura.rio/rio-capital-mundial-da-arquitetura/a-importancia-do-patrimonio-cultural-para-a-identidade-das-cidades/" target="_blank">Site Capital Mundial da Arquitetura &#8211; Rio 2020</a></p>
<p><a href="https://engenharia360.com/como-o-cristo-redentor-foi-construido/" target="_blank">Site Engenharia 360</a></p>
<p><a href="https://www.riodejaneiroaqui.com/portugues/cristo-redentor-fatos-1.html" target="_blank">Site Rio de Janeiro aqui</a></p>
<p><a href="https://www.rio.rj.gov.br/web/riotur/exibeconteudo?id=157317" target="_blank">Site Riotur</a></p>
<p><a href="http://www.santuariocristoredentor.com.br/curiosidades" target="_blank">Si</a><a href="https://vejario.abril.com.br/cidade/construcao-cristo/" target="_blank">te Santuário Cristo Redentor</a></p>
<p><a href="https://simsaogoncalo.com.br/sao-goncalo/de-bracos-abertos-sobre-sao-goncalo-cristo-redentor/" target="_blank">Site Sim São Gonçalo</a></p>
<p><a href="https://vejario.abril.com.br/cidade/construcao-cristo/" target="_blank"><em>Veja Rio</em>, 5 de junho de 2017</a></p>
<p><a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Wikip%C3%A9dia:P%C3%A1gina_principal" target="_blank">Wikipedia</a></p>
<p><a href="https://www.youtube.com/" target="_blank">Youtube</a></p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?feed=rss2&#038;p=25960</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>As doenças do Rio de Janeiro no início do século XX e a Revolta da Vacina em 1904</title>
		<link>https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=19095</link>
		<comments>https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=19095#comments</comments>
		<pubDate>Mon, 06 Apr 2020 00:47:14 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Andrea Wanderley]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Análise de documento]]></category>
		<category><![CDATA[Biografia]]></category>
		<category><![CDATA[Afonso Pena]]></category>
		<category><![CDATA[Alberto Figueiredo Pimentel]]></category>
		<category><![CDATA[Alexandre Yersin]]></category>
		<category><![CDATA[Alfredo Varela]]></category>
		<category><![CDATA[Aline Lopes de Lacerda]]></category>
		<category><![CDATA[Alípio Costallat]]></category>
		<category><![CDATA[análise geral]]></category>
		<category><![CDATA[Augusto Malta]]></category>
		<category><![CDATA[Avenida Central]]></category>
		<category><![CDATA[Avenida Niemeyer]]></category>
		<category><![CDATA[Bambino]]></category>
		<category><![CDATA[Barbosa Lima]]></category>
		<category><![CDATA[Belisário Penna]]></category>
		<category><![CDATA[Belle Époque]]></category>
		<category><![CDATA[bonde]]></category>
		<category><![CDATA[bota-abaixo]]></category>
		<category><![CDATA[Calisto Cordeiro]]></category>
		<category><![CDATA[campanhas sanitárias]]></category>
		<category><![CDATA[caricatura]]></category>
		<category><![CDATA[Casemiro da Rocha]]></category>
		<category><![CDATA[charge]]></category>
		<category><![CDATA[coronavírus]]></category>
		<category><![CDATA[Covid-19]]></category>
		<category><![CDATA[Cristiane d’Avila]]></category>
		<category><![CDATA[crítica]]></category>
		<category><![CDATA[cronologia das pandemias]]></category>
		<category><![CDATA[dados estatísticos]]></category>
		<category><![CDATA[destruição]]></category>
		<category><![CDATA[Escola Militar de Realengo]]></category>
		<category><![CDATA[estado de sítio]]></category>
		<category><![CDATA[favela]]></category>
		<category><![CDATA[febre amarela]]></category>
		<category><![CDATA[Francisco de Paula Argollo]]></category>
		<category><![CDATA[Francisco Pereira Passos]]></category>
		<category><![CDATA[Gripe Asiática]]></category>
		<category><![CDATA[Gripe de Hong Kong]]></category>
		<category><![CDATA[Gripe Espanhola]]></category>
		<category><![CDATA[Hermes da Fonseca]]></category>
		<category><![CDATA[Influenza do tipo A pandêmico]]></category>
		<category><![CDATA[Instituto Soroterápico Federal]]></category>
		<category><![CDATA[J. J. Seabra]]></category>
		<category><![CDATA[Jaime Benchimol]]></category>
		<category><![CDATA[Juan Carlos Finlay]]></category>
		<category><![CDATA[Klisto]]></category>
		<category><![CDATA[Lauro Muller]]></category>
		<category><![CDATA[Lauro Sodré]]></category>
		<category><![CDATA[Leônidas]]></category>
		<category><![CDATA[Liga Contra a Vacina Obrigatória]]></category>
		<category><![CDATA[Ludwig Ferdinand Schmid]]></category>
		<category><![CDATA[música]]></category>
		<category><![CDATA[navio Lombardia]]></category>
		<category><![CDATA[Olavo Bilac]]></category>
		<category><![CDATA[Olímpio da Silveira]]></category>
		<category><![CDATA[pandemia]]></category>
		<category><![CDATA[peste bubônica]]></category>
		<category><![CDATA[polca Rato]]></category>
		<category><![CDATA[positivismo]]></category>
		<category><![CDATA[premiação]]></category>
		<category><![CDATA[Raimundo Teixeira Mendes]]></category>
		<category><![CDATA[rato]]></category>
		<category><![CDATA[ratoeiros]]></category>
		<category><![CDATA[Raul Pederneiras]]></category>
		<category><![CDATA[reforma]]></category>
		<category><![CDATA[revogação]]></category>
		<category><![CDATA[revolta militar]]></category>
		<category><![CDATA[revolta popular]]></category>
		<category><![CDATA[Ricardo Augusto dos Santos]]></category>
		<category><![CDATA[Rodrigues Alves]]></category>
		<category><![CDATA[século XX]]></category>
		<category><![CDATA[Shibasaburo Sato]]></category>
		<category><![CDATA[Silvestre Travassos]]></category>
		<category><![CDATA[XIV Congresso Internacional de Higiene e Demografia de Berlim]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://brasilianafotografica.bn.br/?p=19095</guid>
		<description><![CDATA[No início do século XX, no Rio de Janeiro, providências em torno do combate de diversas doenças já provocavam grandes polêmicas. A campanha de combate à varíola resultou, em novembro de 1904, em uma revolta popular e militar, a Revolta da Vacina ou Quebra-Lampiões - um protesto contra a lei que tornava obrigatória a vacinação em massa contra a doença, instituída pelo prefeito Pereira Passos e colocada em prática pelo então Diretor Geral de Saúde Pública, Oswaldo Cruz, contratado para o cargo para combater a varíola, assim como a peste bubônica e a febre amarela, que grassavam na cidade. Vamos hoje contar um pouco dessa história.]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p>No início do século XX, no Rio de Janeiro, providências em torno do combate de diversas doenças já provocavam grandes polêmicas. A campanha de combate à varíola resultou, em novembro de 1904, em uma revolta popular e militar, a Revolta da Vacina ou Quebra-Lampiões &#8211; um protesto contra a lei que tornava obrigatória a vacinação em massa contra a doença, instituída pelo prefeito Pereira Passos e colocada em prática pelo então Diretor Geral de Saúde Pública, Oswaldo Cruz, contratado para o cargo para combater a varíola, assim como a peste bubônica e a febre amarela, que grassavam na cidade. Vamos contar um pouco dessa história.</p>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_19107" style="width: 607px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://memoria.bn.br/docreader/116300/3402" target="_blank"><img class="size-full wp-image-19107" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2020/04/ale.jpg" alt="O Malho" width="597" height="480" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="http://memoria.bn.br/docreader/116300/3402" target="_blank"><em>O Malho</em>, 1º de outubro de 1904</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>Em 30 de dezembro de 1902, por decreto, Francisco Pereira Passos (1836 – 1913) foi nomeado prefeito do então Distrito Federal, o Rio de Janeiro, pelo presidente <a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=18866" target="_blank">Rodrigues Alves (1848 – 1919)</a>, que prometia marcar seu governo pela modernização e pelo saneamento. Assumiu no mesmo dia (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/103730_04/5088" target="_blank"><em>Gazeta de Notícias</em>, 31 de dezembro de 1902, na sexta coluna</a>), sucedendo Carlos Leite Ribeiro (1858 – 1945). Ocupou o cargo até 16 de novembro de 1906, quando foi sucedido por Francisco Marcelino de Sousa Aguiar (1855 – 1935) (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/178691_03/12834" target="_blank"><em>O Paiz</em><em>,</em> 17 de novembro de 1906, na sexta coluna</a>). Durante seu mandato, o prefeito Pereira Passos realizou uma significativa reforma urbana na cidade.</p>
<p>Para saneá-la e modernizá-la realizou diversas demolições, conhecidas popularmente como a política do “bota-abaixo”, que contribuiu fortemente para o surgimento do Rio de Janeiro da <em>Belle </em><em>Époque,</em> sendo a abertura da <a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=5880" target="_blank">Avenida Central</a> dos seus maiores símbolos, festejada em uma crônica de Olavo Bilac (1865 &#8211; 1918) (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/146420/109" target="_blank"><em>Kosmos, </em>março de 1904</a>) .<em> </em>Essas transformações foram definidas por Alberto Figueiredo Pimentel (1869-1914), autor da seção “Binóculo”, da <em>Gazeta de Notícias</em>, com a máxima “O Rio civiliza-se”, que se tornou o <em>slogan</em> da reforma urbana carioca. Foi também Pereira Passos que contratou, em 1903, o primeiro fotógrafo oficial da prefeitura, <a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=1322" target="_blank">Augusto Malta (1864 &#8211; 1957)</a>, justamente para documentar todas essas inúmeras e radicais mudanças na cidade.</p>
<p>&nbsp;</p>
<div style="width: 354px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/2418" target="_blank"><img class="" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/bitstream/handle/20.500.12156.1/2418/007A5P4F1-12.jpg.jpg?sequence=2&amp;isAllowed=y" alt="Thumbnail" width="344" height="458" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/2418" target="_blank">Augusto Malta. Francisco Pereira Passos e José Maria da Silva Paranhos Júnior, barão do Rio Branco, 14 de junho de 1911. Rio de Janeiro, RJ / Acervo IMS</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>Mas as reformas urbanas não eram o bastante para mudar o perfil do Rio de Janeiro, na época uma cidade bastante insalubre, assolada por doenças e sem saneamento básico, certamente obstáculos para o estabelecimento de uma sociedade moderna e cosmopolita nos moldes das capitais europeias. Lembramos do caso do cruzador italiano <em>Lombardia</em> que aportou na cidade, em novembro de 1895, e teve grande parte de sua tripulação infectada pela febre amarela. O capitão-de-fragata e comandante do navio, Olivari, e outros tripulantes, faleceram da doença (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/178691_02/14298" target="_blank"><em>O Paiz</em>, 28 de novembro de 1895, quinta coluna</a>;<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/178691_02/14914" target="_blank"><em> O Paiz</em>, 15 de fevereiro de 1896, quarta coluna</a>; <a href="http://memoria.bn.br/DocReader/178691_02/14948" target="_blank"><span style="text-decoration: underline;"><em>O Paiz</em></span>, 17 de fevereiro de 1896, quinta coluna</a>; <a href="http://memoria.bn.br/DocReader/178691_02/15010" target="_blank"><em>O Paiz</em>, 25 de fevereiro, sexta coluna</a>; <a href="http://memoria.bn.br/DocReader/178691_02/15040" target="_blank"><em>O Paiz</em>, 29 de fevereiro de 1896, sexta coluna</a>; <a href="http://memoria.bn.br/DocReader/178691_02/15048" target="_blank"><em>O Paiz</em>, 1º de março de 1896, penúltima coluna</a>; <a href="http://memoria.bn.br/DocReader/178691_02/15114" target="_blank"><em>O Paiz</em>, 9 de março de 1896, quarta coluna</a>; <a href="http://memoria.bn.br/DocReader/178691_02/15356" target="_blank"><em>O Paiz</em>, 10 de abril de 1896, penúltima coluna</a>).</p>
<p>O Rio de Janeiro era inclusive conhecido internacionalmente como &#8220;túmulo dos estrangeiros&#8221;, possivelmente devido a versos sobre o verão carioca atribuídos ao escritor suíço Ludwig Ferdinand Schmid (1823-1888), que havia sido cônsul no Rio de Janeiro na década de 1860:</p>
<p>“<em>Oh! sombra, sobre a imagem encantada / Cores escuras pousam sobre os campos e florestas / O mal da natureza paira, poderoso / Sobre a florida superfície tropical /O poder supremo/ Deste Império não é de nenhum Herodes / No entanto é a terra da morte diária / Túmulo insaciável do estrangeiro</em>”.</p>
<p>Pereira Passos assumiu a prefeitura de uma cidade que no fim do Império tinha uma população de cerca de 500 mil habitantes e que atingira cerca de 700 mil pessoas em 1904. Ele aliou a reforma urbanística e arquitetônica da cidade &#8211; que incluiria a construção de um novo porto, de novas avenidas, o aterramento de praias, o desmonte de morros, a derrubada de casas e cortiços e o embelezamento de praças e jardins, que não deixou de ter seu lado excludente e criticado, deslocando parte da população do centro para o subúrbio e também contribuindo para o surgimento das favelas &#8211; a uma nova política higienista. Para implementar medidas sanitárias arrojadas foi nomeado pelo presidente Rodrigues Alves para a direção geral de Saúde Pública o jovem médico <a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=10762" target="_blank">Oswaldo Cruz (1872 &#8211; 1917)</a>, que tomou posse em 23 de março de 1903. Ficou no cargo até 1909.</p>
<p><span style="color: #ff0000;">. </span></p>
<div id="attachment_19133" style="width: 302px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://memoria.bn.br/docreader/178691_03/5765" target="_blank"><img class="size-full wp-image-19133" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2020/04/impressão.jpg" alt="O Paiz, 25 de março de 1903" width="292" height="489" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="http://memoria.bn.br/docreader/178691_03/5765" target="_blank"><em>O Paiz</em>, 25 de março de 1903</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>Oswaldo Cruz havia estudado microbiologia, soroterapia e imunologia no Instituto Pasteur, e medicina legal no Instituto de Toxicologia, na França, entre 1897 e 1898. Quando voltou ao Brasil, tomou posse, em 24 de agosto de 1899, na Academia Nacional de Medicina, e, em 1900, assumiu a direção técnica do Instituto Soroterápico Federal, o qual passou a dirigir em 1902.</p>
<p>&nbsp;</p>
<div style="width: 430px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/5387" target="_blank"><img class="" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/bitstream/handle/20.500.12156.1/5387/OC_Petropolis_IOC%28OC%29%203-22.jpg.jpg?sequence=3&amp;isAllowed=y" alt="Thumbnail" width="420" height="601" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/5387" target="_blank">Oswaldo Cruz em Petrópolis, 19?. Petrópolis, Rio de Janeiro / Acervo Casa de Oswaldo Cruz</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>Os principais problemas que Oswaldo Cruz teve que enfrentar como Diretor Geral de Saúde Pública foram a febre amarela, a peste bubônica e a varíola. Um de seus colaboradores foi o sanitarista <a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=12777" target="_blank">Belisário Penna (1868 &#8211; 1939)</a>.</p>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_19164" style="width: 589px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://memoria.bn.br/DocReader/709689/1692" target="_blank"><img class="size-full wp-image-19164" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2020/04/tagarela.jpg" alt="Tagarela, 25 de agosto de 1904" width="579" height="556" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="http://memoria.bn.br/DocReader/709689/1692" target="_blank"><em>Charge</em> de Raul Pederneiras<em> / Tagarela</em>, 25 de agosto de 1904</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: center;"><span style="color: #800000;"><em><strong>A febre amarela</strong></em></span></p>
<p>&nbsp;</p>
<div style="width: 711px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/5747" target="_blank"><img src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/bitstream/handle/20.500.12156.1/5747/IOC_V_II_1430.jpg.jpg?sequence=3&amp;isAllowed=y" alt="Thumbnail" width="701" height="502" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/5747" target="_blank">Brigada contra mosquito do Serviço de Profilaxia da febre amarela, 1905. Rio de Janeiro, RJ / Acervo Casa de Oswaldo Cruz</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>Em 1902, a febre amarela havia sido responsável pela morte de cerca de mil pessoas no Rio de Janeiro. Oswaldo Cruz era adepto da teoria do médico cubano Carlos Finlay (1833 &#8211; 1915) sobre a transmissão da febre amarela pelos mosquitos <em>Stegomyia fasciata. </em>Para exterminá-los, em abril de 1903, iniciou a campanha de combate à doença. Em 15 de abril, foi criado o Serviço de Profilaxia Específica da Febre Amarela (<em>O Paiz</em><a href="http://memoria.bn.br/DocReader/178691_03/5867" target="_blank">, 18 de abril de 1903, sexta coluna;</a><a href="http://memoria.bn.br/DocReader/178691_03/5885" target="_blank"> 22 de abril de 1903, quarta coluna;</a> <a href="http://memoria.bn.br/DocReader/178691_03/5889" target="_blank">25 de abril, quinta coluna</a>; e <a href="http://memoria.bn.br/DocReader/178691_03/5915" target="_blank">29 de abril, quarta coluna</a>).</p>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_19135" style="width: 426px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://memoria.bn.br/DocReader/116300/717" target="_blank"><img class="wp-image-19135 size-full" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2020/04/malho.jpg" alt="malho" width="416" height="338" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="http://memoria.bn.br/DocReader/116300/717" target="_blank"><em>O Malho</em>, 4 de abril de 1903</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_19191" style="width: 289px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://memoria.bn.br/DocReader/709689/1290" target="_blank"><img class="size-full wp-image-19191" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2020/04/tagarela21deabril.jpg" alt="Tagarela, 21 de abril de 1904" width="279" height="413" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="http://memoria.bn.br/DocReader/709689/1290" target="_blank"><em>Tagarela,</em> 21 de abril de 1904</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>A execução dessa profilaxia foi regulamentada pelas “Instruções para o Serviço de Profilaxia Específica de Febre-Amarela” nos primeiros dias de maio de 1903, do ministro da Justiça e Negócios Interiores, J.J. Seabra (1855 &#8211; 1942) (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/178691_03/5953" target="_blank"><em>O Paiz</em>, 7 de maio de 1903, penúltima coluna</a>).</p>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_19173" style="width: 297px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://memoria.bn.br/DocReader/178691_03/5953" target="_blank"><img class="size-full wp-image-19173" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2020/04/profi.jpg" alt="O Paiz, 7 de maio de 1903" width="287" height="302" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="http://memoria.bn.br/DocReader/178691_03/5953" target="_blank"><em>O Paiz</em>, 7 de maio de 1903</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>Foram criadas as brigadas sanitárias, que &#8220;<em>eram constituídas por 1 inspetor do serviço, responsável por toda a execução das atividades e nomeado por decreto; 10 médicos que o auxiliam, destacados dentre os inspetores sanitários pelo diretor geral de saúde pública, mediante indicação do inspetor do serviço; 70 auxiliares acadêmicos e 9 chefes de turma, nomeados pelo diretor geral de saúde pública; 1 administrador do serviço, 1 almoxarife e 1 escrituario-arquivista, nomeados por portaria do Ministro; 200 capatazes, 18 guardas de saúde de primeira classe e 18 de segunda classe, 18 carpinteiros e pedreiros, bombeiros, cocheiros, nomeados pelo inspetor do serviço; e quantos mais trabalhadores fossem necessários</em>&#8221; (BRASIL, 1905).</p>
<p>&nbsp;</p>
<div style="width: 639px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/6057" target="_blank"><img src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/bitstream/handle/20.500.12156.1/6057/BR_RJ_COC_02_10_20_40_002_002.jpg.jpg?sequence=3&amp;isAllowed=y" alt="" width="629" height="444" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/6057" target="_blank">Serviço de Profilaxia Específica da Febre Amarela, 1905 / Acervo Casa de Oswaldo Cruz</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>Guardas “mata-mosquitos” visitavam casas nas diversas regiões da cidade, muitas vezes acompanhados por soldados da polícia. A cidade foi dividida em distritos sanitários, sob jurisdição das delegacias de Saúde, que recebiam notificações dos enfermos, aplicavam multas e intimavam os donos de imóveis considerados insalubres a reformá-los ou até mesmo a demoli-los. Providenciava-se a remoção de pessoas infectadas para hospitais, o isolamento domiciliar dos enfermos assim como a desinfecção dos ambientes. Ao mesmo tempo, Oswaldo Cruz fazia circular na imprensa os folhetos <em>Conselhos ao Povo,</em> de divulgação das medidas adotadas.</p>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_19142" style="width: 177px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://memoria.bn.br/docreader/089842_01/3726" target="_blank"><img class="size-full wp-image-19142" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2020/04/meios.jpg" alt="O Globo, 28 de abril de 1903" width="167" height="413" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="http://memoria.bn.br/docreader/089842_01/3726" target="_blank"><em>Correio da Manhã</em>, 28 de abril de 1903</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>A doença foi perdendo a força e, em 1907, Oswaldo Cruz escreveu ao presidente Afonso Pena (1847 &#8211; 1909): “<em>graças à firmeza e vontade do governo, a febre amarela já não mais devasta sob a forma epidêmica a capital da República</em>”. Nesse mesmo ano, a delegação brasileira de cientistas de Maguinhos, liderada por Oswaldo Cruz, recebeu a medalha de ouro no XIV Congresso Internacional de Higiene e Demografia de Berlim.</p>
<p>&nbsp;</p>
<div style="width: 722px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/5749" target="_blank"><img src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/bitstream/handle/20.500.12156.1/5749/IOC_V_II_1433.jpg.jpg?sequence=3&amp;isAllowed=y" alt="Thumbnail" width="712" height="520" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/5749" target="_blank">Aparelhos Clayton para os serviços de Profilaxia terrestre. 1905. Rio de Janeiro, RJ / Acervo Casa de Oswaldo Cruz</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/discover?rpp=10&amp;page=2&amp;query=febre+amarela&amp;group_by=none&amp;etal=0" target="_blank"><strong>Acessando o link para as fotografias relativas à febre amarela disponíveis na Brasiliana Fotográfica, o leitor poderá magnificar as imagens e verificar todos os dados referentes a elas.</strong></a></p>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_19188" style="width: 288px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://memoria.bn.br/DocReader/709689/1633" target="_blank"><img class="size-full wp-image-19188" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2020/04/tagarela12deagosto.jpg" alt="Charge de J. Carlos. &quot; o mais domador de mosquitos&quot; / Tagarela, 12 de gosto de 1904" width="278" height="408" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="http://memoria.bn.br/DocReader/709689/1633" target="_blank">Charge de J. Carlos. &#8221; O mais extraordinário caçador de &#8230; mosquitos&#8221; / <em>Tagarela</em>, 12 de agosto de 1904</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p><span style="color: #800000;"><strong>Aline Lopes de Lacerda</strong></span>, historiadora e chefe do Departamento de Arquivo e Documentação da COC/Fiocruz,  escreveu o artigo <a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=11509" target="_blank"><em>Febre amarela: imagens da produção da vacina no início do século XX</em></a>, publicado na Brasiliana Fotográfica, em 25 de março de 2018. <span style="color: #800000;"><strong>Cristiane d’Avila,</strong></span> jornalista do Departamento de Arquivo e Documentação da Casa de Oswaldo Cruz, escreveu <a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=12743" target="_blank"><em>Vacinação no Brasil, uma história centenária</em></a>, publicado em 17 de agosto de 2018. <span style="color: #800000;"><strong>Ricardo Augusto dos Santos</strong></span>, pesquisador titular da Fundação Oswaldo Cruz, escreveu o artigo <em><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=12777" target="_blank">O sanitarista Belisário Penna (1868-1939), um dos protagonistas da história da saúde pública no Brasil</a>,</em> também publicado no portal, em 28 de setembro de 2018. A Fiocruz é uma das instituições parceiras da Brasiliana Fotográfica.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: center;"><span style="color: #800000;"><em><strong>A peste bubônica</strong></em></span></p>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_19168" style="width: 378px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://memoria.bn.br/DocReader/030015_02/14458" target="_blank"><img class="size-full wp-image-19168" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2020/04/aute1.jpg" alt="Jornal do Brasil, 11 de agosto de 1904" width="368" height="395" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="http://memoria.bn.br/DocReader/030015_02/14458" target="_blank"><em>Jornal do Brasil</em>, 11 de agosto de 1904</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>A peste bubônica, doença transmitida pela picada de pulgas infectadas por ratos contaminados pela bactéria <em>Yersinia pestis</em>, o bacilo descoberto pelo suíço Alexandre Yersin (1863 &#8211; 1943) e pelo japonês Shibasaburo Sato (1852 &#8211; 1931), em 1894, chegou ao Brasil, pelo porto de Santos, em 1900. Foi combatida por Oswaldo Cruz e as medidas contra a peste bubônica não encontraram resistência da população. Foi intensificada a limpeza urbana e a notificação dos doentes era compulsória, o que ajudava no isolamento e no tratamento dos mesmos com o soro fabricado no Instituto Soroterápico Federal. Foi também promovida a vacinação de pessoas residentes nas áreas mais atingidas e uma abrangente campanha de desratização foi realizada: os funcionários destacados para a função tinham que recolher 150 ratos por mês, pelos quais recebiam 60 mil-réis.</p>
<p>A Diretoria Geral de Saúde Pública (DGSP) passou a comprar ratos: para cada animal morto apresentado, pagava-se a quantia de duzentos réis, o que ocasionou o surgimento da profissão de &#8220;ratoeiro&#8221; &#8211; compravam ratos a baixo preço ou até mesmo os criavam em casa e os revendiam para a DGSP. A &#8220;guerra aos ratos&#8221; virou motivo de piada, de críticas (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/025909_01/2368" target="_blank"><em>Revista da Semana</em>, 21 de agosto de 1904</a> e <a href="http://memoria.bn.br/DocReader/146420/480" target="_blank"><em>Kosmos</em>, outubro 1904</a>) e até uma música sobre o tema, a polca <em>Rato, rato, </em>composta por Casemiro da Rocha (1880 &#8211; 1912), integrante da banda do Corpo de Bombeiros do Rio de Janeiro, com letra de Claudino Costa, foi um grande sucesso no carnaval de 1904. Foi gravada na Casa Edison.</p>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_19147" style="width: 288px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://memoria.bn.br/docreader/025909_01/2312" target="_blank"><img class="size-full wp-image-19147" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2020/04/ratos.jpg" alt="O comprador de tatos / Semana Illustrada, 7 de agosto de 1904" width="278" height="547" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="http://memoria.bn.br/docreader/025909_01/2312" target="_blank">O comprador de ratos /<em> Revista da Semana</em>, 7 de agosto de 1904</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>O fato é que as mortes por peste bubônica que, em 1903, atingiram o índice de 48,74 mortes para cada 100 mil habitantes, caíram vertiginosamente e quando Oswaldo Cruz deixou a Diretoria Geral de Saúde Pública, em 1909, esse índice chegou ao seu mais baixo patamar: 1,73.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: center;"><span style="color: #800000;"><em><strong>A varíola e a Guerra da Vacina</strong></em></span></p>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_19161" style="width: 620px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://memoria.bn.br/DocReader/116300/3567" target="_blank"><img class="size-full wp-image-19161" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2020/04/vacina2.jpg" alt="O Malho, 29 de outubro de 1904" width="610" height="441" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="http://memoria.bn.br/DocReader/116300/3567" target="_blank"><em>Charge de Leônidas / O Malho,</em> 29 de outubro de 1904</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>Até meados de 1904, as internações causadas pela varíola já chegavam a 1800 no Hospital São Sebastião. Oswaldo Cruz pretendeu controlar a doença com a vacinação em massa da população. Pediu que fosse enviado ao Congresso Nacional um projeto de lei para resgatar a obrigatoriedade da vacinação e revacinação antivariólica. A vacinação já estava contemplada em uma lei em vigor desde 1837, mas que nunca havia sido cumprida.</p>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_19137" style="width: 778px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://memoria.bn.br/DocReader/116300/4754" target="_blank"><img class="size-large wp-image-19137" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2020/04/seb1-1024x421.jpg" alt="O Malho, 20 de maio de 1905" width="768" height="316" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="http://memoria.bn.br/DocReader/116300/4754" target="_blank"><em>O Malho</em>, 20 de maio de 1905</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_19192" style="width: 598px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://memoria.bn.br/DocReader/116300/2335" target="_blank"><img class="size-full wp-image-19192" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2020/04/omalho19demarço.jpg" alt="O Malho, 19 de março de 1904" width="588" height="540" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="http://memoria.bn.br/DocReader/116300/2335" target="_blank"><em>Charge</em> de Klisto / <em>O Malho</em>, 19 de março de 1904</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>A medida enfrentou a oposição liderada pelo senador paraense Lauro Sodré (1858 &#8211; 1944), líder do Partido Republicano Federal, e pelos deputados pernambucano Barbosa Lima (1862 &#8211; 1931) e gaúcho Alfredo Varela (1864 &#8211; 1943), todos contra o governo do presidente Rodrigues Alves, do Partido Conservador. O Apostolado Positivista do Brasil, liderado por <a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=16066" target="_blank">Raimundo Teixeira Mendes (1855 – 1927)</a>, também se opôs à lei.</p>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_19105" style="width: 286px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://memoria.bn.br/docreader/116300/2917" target="_blank"><img class="size-full wp-image-19105" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2020/04/teixeira.jpg" alt="O Malho, de 1904" width="276" height="416" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="http://memoria.bn.br/docreader/116300/2917" target="_blank"><em>O Malho</em>, 9 de julho de 1904</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_19104" style="width: 299px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://memoria.bn.br/DocReader/116300/2915" target="_blank"><img class="size-full wp-image-19104" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2020/04/vacina.jpg" alt="O Malho, novembro de 1904" width="289" height="409" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="http://memoria.bn.br/DocReader/116300/2915" target="_blank"><em>O Malho</em>, 9 de julho de 1904</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_19106" style="width: 302px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://memoria.bn.br/DocReader/116300/3021" target="_blank"><img class="wp-image-19106 " src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2020/04/senado.jpg" alt="senado" width="292" height="395" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="http://memoria.bn.br/DocReader/116300/3021" target="_blank"><em>O Malho</em>, 23 de julho de 1904</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>Jornais e políticos lançaram uma campanha contra a medida, incitando a desobediência à lei, que eles classificavam como despótica e ameaçadora, já que estranhos tocariam nas pessoas no caso da vacinação, além de entrarem nas casas para desinfecção. Além disso, a vacina, que consistia no líquido de pústulas de vacas doentes, era rejeitada pelas camadas populares &#8211; havia um boato de que os vacinados adquiriam feições bovinas&#8230;</p>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_19189" style="width: 287px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://memoria.bn.br/DocReader/709689/1786" target="_blank"><img class="size-full wp-image-19189" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2020/04/tagarela15desetembro.jpg" alt="Tagarela, 15 de setembro de 1904" width="277" height="405" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="http://memoria.bn.br/DocReader/709689/1786" target="_blank"><em>Charge de Raul Pederneiras / Tagarela</em>, 15 de setembro de 1904</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_19113" style="width: 319px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://memoria.bn.br/docreader/025909_01/2530" target="_blank"><img class="size-full wp-image-19113" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2020/04/capa5.jpg" alt="Revista da Semana, 2 de outubro de 1904" width="309" height="417" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="http://memoria.bn.br/docreader/025909_01/2530" target="_blank"><em>Charge </em>de Bambino<em> / Revista da Semana</em>, 2 de outubro de 1904</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>Finalmente, foi promulgada, em 31 de outubro de 1904, <a href="https://www2.camara.leg.br/legin/fed/lei/1900-1909/lei-1261-31-outubro-1904-584180-publicacaooriginal-106938-pl.html" target="_blank">uma lei que tornou a vacinação e a revacinação contra a varíola obrigatória.</a></p>
<p>&nbsp;</p>
<h4 style="text-align: center;"><span style="color: #993300;">Lei n° 1.261, de 31 de outubro de 1904</span></h4>
<p>&nbsp;</p>
<div class="textoNorma">
<p class="ementa">Torna obrigatorias, em toda a Republica, a vaccinação e a revaccinação contra a variola.</p>
<div class="texto">
<div align="justify">
<p><span style="font-family: ti;">O Presidente da Republica dos Estados Unidos do Brazil:<br />
</span><span style="font-family: ti;">Faço saber que o Congresso Nacional decretou e eu sancciono a lei seguinte:</span></p>
</div>
<div align="justify">
<p><span style="font-family: ti;">     Art. 1º A vaccinação e revaccinação contra a variola são obrigatorias em toda a Republica.</span></p>
<p><span style="font-family: ti;">     Art. 2º Fica o Governo autorizado a regulamental-a sob as seguintes bases:</span></p>
</div>
<div align="justify">
<p><span style="font-family: ti;">     a) A vaccinação será praticada até o sexto mez de idade, excepto nos casos provados de molestia, em que poderá ser feita mais tarde;</span></p>
<p><span style="font-family: ti;">     b) A revaccinação terá logar sete annos após a vaccinação e será repetida por septennios;</span></p>
<p><span style="font-family: ti;">     c) As pessoas que tiverem mais de seis mezes de idade serão vaccinadas, excepto si provarem de modo cabal terem soffrido esta operação com proveito dentro dos ultimos seis annos;</span></p>
<p><span style="font-family: ti;">     d) Todos os officiaes e soldados das classes armadas da Republica deverão ser vaccinados e revaccinados, ficando os commandantes responsaveis pelo cumprimento desta;</span></p>
<p><span style="font-family: ti;">     e) O Governo lançara mão, afim de que sejam fielmente cumpridas as disposições desta lei, da medida estabelecida na primeira parte da lettra f do § 3º do art. 1º do decreto n. 1151, de 5 de janeiro de 1904;</span></p>
<p><span style="font-family: ti;">     f) Todos os serviços que se relacionem com a presente lei serão postos em pratica no Districto Federal e fiscalizados pelo Ministerio da Justiça e Negocios Interiores, por intermedio da Directoria Geral de Saude Publica.</span></p>
</div>
<div align="justify">
<p><span style="font-family: ti;">     Art. 3º Revogam-se as disposições em contrario.</span></p>
</div>
<div align="justify">
<p><span style="font-family: ti;">Rio de Janeiro, 31 de outubro de 1904, 16º da Republica.</span></p>
<p><span style="font-family: ti;">FRANCISCO DE PAULA RODRIGUES ALVES.<br />
</span><span style="font-family: ti;">J. J. Seabra.</span></p>
</div>
</div>
</div>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_19126" style="width: 615px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://portal.fiocruz.br/noticia/revolta-da-vacina-2" target="_blank"><img class="wp-image-19126 size-full" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2020/04/sub.jpg" alt="sub" width="605" height="436" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://portal.fiocruz.br/noticia/revolta-da-vacina-2" target="_blank">Revista<em> A Avenida,</em> 10 de outubro de 1904/ Portal da Fiocruz</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_19111" style="width: 470px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://memoria.bn.br/docreader/103730_04/8720" target="_blank"><img class="size-full wp-image-19111" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2020/04/gazeta2.jpg" alt="Gazeta de Notícias, 12 de novembro de 1904" width="460" height="347" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="http://memoria.bn.br/docreader/103730_04/8720" target="_blank"><em>Gazeta de Notícias</em>, 12 de novembro de 1904</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_19110" style="width: 319px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://memoria.bn.br/docreader/103730_04/8724" target="_blank"><img class="size-full wp-image-19110" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2020/04/gazeta1.jpg" alt="Gazeta de Notícias, 12 de novembro de 1904" width="309" height="451" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="http://memoria.bn.br/docreader/103730_04/8724" target="_blank"><em>Gazeta de Notícias</em>, 13 de novembro de 1904</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>Em um encontro presidido pelo senador Lauro Sodré, no Centro das Classes Operárias, em 5 de novembro de 1904, foi fundada a Liga Contra a Vacina Obrigatória (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/178691_03/8611" target="_blank"><em>O Paiz</em>, 6 de novembro de 1904, penúltima coluna</a>). O descontentamento popular se agravou quando, no dia 9 de novembro de 1904, o governo divulgou seu plano de regulamentação da aplicação da vacina obrigatória contra a varíola (<a href="http://memoria.bn.br/docreader/103730_04/8706" target="_blank"><em>Gazeta de Notícias</em>, 10 de novembro de 1904, quinta coluna</a>). Nos dias 10 e 11, no Largo de São Francisco, estudantes contrários à lei se reuniram e, no dia 13 de novembro, acirrou-se a rebelião popular, que ficou conhecida como <em>Revolta da Vacina</em>, marcada por diversos distúrbios urbanos em várias regiões da cidade, embates com a polícia e prisões. Mais de 20 bondes da Companhia Carris Urbanos e muitos lampiões da iluminação pública foram destruídos, daí o apelido <em>Quebra Lampiões</em> atribuído ao movimento (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/103730_04/8736" target="_blank"><em>Gazeta de Notícias</em>, 14 de novembro de 1904</a>; e <a href="http://memoria.bn.br/DocReader/030015_02/15214" target="_blank"><em>Jornal do Brasil</em>, 14 de novembro de 1904</a>).</p>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_19112" style="width: 768px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://memoria.bn.br/DocReader/103730_04/8736" target="_blank"><img class="size-full wp-image-19112" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2020/04/gazeta3.jpg" alt="Gazeta de Notícias, 14 de novembro de 1904" width="758" height="495" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="http://memoria.bn.br/DocReader/103730_04/8736" target="_blank"><em>Gazeta de Notícias</em>, 14 de novembro de 1904</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_19119" style="width: 692px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://acervo.oglobo.globo.com/incoming/revolta-da-vacina-22296384" target="_blank"><img class="wp-image-19119 size-full" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2020/04/bonde.jpg" alt="bonde" width="682" height="390" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://acervo.oglobo.globo.com/incoming/revolta-da-vacina-22296384" target="_blank">Marianno da Silva. Aspecto da Praça da República no dia 14 de novembro de 1904 / Acervo Fiocruz</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>Paralelamente à revolta popular, aconteceu um movimento militar orquestrado pelos generais Silvestre Travassos (1848 &#8211; 1904) e Olímpio da Silveira (1887 &#8211; 1935), Lauro Sodré, Barbosa Lima, o major Gomes de Castro e o capitão Augusto Mendes de Moraes, que se reuniram no dia 14 de novembro de 1904, no Clube Militar. Tinham por objetivo derrubar o governo de Rodrigues Alves, que foi aconselhado a ir para um navio de guerra, onde teria mais segurança &#8211; ele recusou.</p>
<p>Houve no mesmo dia uma tentativa fracassada de levante na Escola de Tática do Realengo, sufocada pelo então diretor da instituição, general Hermes da Fonseca (1855 &#8211; 1923), futuro presidente do Brasil. O comandante da Escola Militar de Realengo, o general Alípio Costallat (c. 1853 &#8211; 1933), foi deposto pelo general Travassos que liderou, durante a noite, a marcha dos alunos em direção ao Palácio do Catete. Os revoltosos trocaram tiros com uma brigada de ataque enviada pelo governo, na rua da Passagem, em Botafogo. O tiroteio, de cerca de meia hora, matou um aluno da Escola Militar, Silvestre Cavalcanti, e um sargento da tropa legalista, chamado Camargo. O general Travassos ficou gravemente ferido e faleceu oito dias depois, em 22 de novembro. A Escola Militar, bombardeada durante a noite por navios de guerra posicionados na baía de Guanabara, foi ocupada pelo ministro da Guerra, o marechal Francisco de Paula Argollo (1847 &#8211; 1930) e pelo ministro da Indústria, Viação e Obras Públicas, Lauro Müller (1863 &#8211; 1926). Seus alunos foram presos, expulsos da Escola e levados para portos na região Sul do país. Obviamente, o desfile comemorativo dos 15 anos da Proclamação da República foi cancelado (<a href="http://memoria.bn.br/docreader/103730_04/8742" target="_blank"><em>Gazeta de Notícias</em>, 15 de novembro de 1904</a>, <a href="http://memoria.bn.br/DocReader/030015_02/15230" target="_blank"><em>Jornal do Brasil</em>, 15 de novembro de 1904</a>; <a href="http://memoria.bn.br/docreader/103730_04/8746" target="_blank"><em>Gazeta de Notícias</em>, 16 de novembro de 1904</a>; <a href="http://memoria.bn.br/DocReader/030015_02/15234" target="_blank"><em>Jornal do Brasil</em>, 16 de novembro de 1904</a>).</p>
<p>No dia 16 de novembro, foi decretado o estado de sítio e revogada a obrigatoriedade da vacinação. Com isso, o movimento popular arrefeceu, os serviços voltaram a funcionar e a cidade se apazigou. Saldo do movimento: 945 prisões, 461 deportações, 110 feridos e 30 mortos <em>(<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/103730_04/8750" target="_blank">Gazeta de Notícias</a></em><a href="http://memoria.bn.br/DocReader/103730_04/8750" target="_blank">, 17 de novembro de 1904</a> e <a href="http://memoria.bn.br/DocReader/103730_04/8756" target="_blank">18 de novembro de 1904</a>).</p>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_19153" style="width: 711px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://memoria.bn.br/DocReader/178691_03/8667" target="_blank"><img class=" wp-image-19153" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2020/04/opaiz.jpg" alt="O Paiz, 17" width="701" height="286" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="http://memoria.bn.br/DocReader/178691_03/8667" target="_blank"><em>O Paiz,</em> 17 de novembro de 1904</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>Segundo o historiador Jaime Larry Benchimol: <em>Todos saíram perdendo. Os revoltosos foram castigados pelo governo e pela varíola. A vacinação vinha crescendo e despencou, depois da tentativa de torná-la obrigatória. A ação do governo foi desastrada e desastrosa, porque interrompeu um movimento ascendente de adesão à vacina</em>”.</p>
<p>Apenas nove pessoas morreram por varíola em 1906 no Rio de Janeiro. Porém, dois anos depois, em 1908, uma violenta epidemia da doença ocorreu na cidade, causando mais de 6.500 casos.</p>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_19180" style="width: 280px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://memoria.bn.br/docreader/025909_01/7160" target="_blank"><img class="size-full wp-image-19180" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2020/04/capa7.jpg" alt="Revista da Semana, 2 de fevereiro de 1908 / Charge de Bambino" width="270" height="387" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="http://memoria.bn.br/docreader/025909_01/7160" target="_blank"><em>Revista da Semana</em>, 2 de fevereiro de 1908 / Charge de Bambino</a></p></div>
<p><a href="http://memoria.bn.br/DocReader/025909_01/7160" target="_blank"> </a></p>
<p><a href="http://oswaldocruz.fiocruz.br/musicas/#rato-rato" target="_blank">Link para músicas sobre Oswaldo Cruz e também sobre as campanhas de combate à febre amarela, à peste bubônica e à vacinação obrigatória contra a varíola, publicadas na Biblioteca Virtual Oswaldo Cruz</a></p>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: center;"><span style="color: #800000;"><em><strong>Retrospectiva das pandemias do século XX e XXI</strong></em></span></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>O mundo, ao longo dos séculos XX e XXI, enfrentou cinco pandemias: a Gripe Espanhola, em 1918, tema de uma recente publicação da Brasiliana Fotográfica, <em><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=18866" target="_blank">E o ex e futuro presidente do Brasil morreu de gripe…a Gripe Espanhola de 1918</a>;</em> a Gripe Asiática, em 1957; a Gripe de Hong Kong, em 1968, a identificação de um novo vírus da influenza do tipo A pandêmico que desencadeou a Emergência de Saúde Pública de Importância Internacional, decretada pela Organização Mundial da Saúde (OMS), em 2009; e cerca de 11 anos depois, em 11 de abril de 2020, a OMS declarou uma pandemia do novo coronavírus, chamado de Sars-Cov-2, causador da Covid-19, surgido na cidade de Wuhan, na China, em fins de 2019.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Andrea C. T. Wanderley</p>
<p>Editora e pesquisadora do portal Brasiliana Fotográfica</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><span style="color: #993300;"><strong>Fontes:</strong></span></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>BENCHIMOL, Jaime Larry. <em>Pereira Passos: um Haussmann Tropical. A renovação urbana na cidade do Rio de Janeiro no início do século XX</em>. Rio de Janeiro: Secretaria Municipal de Cultura, Departamento Geral de Documentação e Informação Cultural, 1992.</p>
<p>BENCHIMOL, Jaime Larry. <em class="hf">Reforma urbana e Revolta da Vacina na cidade do Rio de Janeiro</em>. In: Jorge Ferreira e Lucilia de Almeida Neves Delgado (org.) <em class="hf">O Brasil Republicano. O tempo do liberalismo excludente. Da proclamação da República à Revolução de 1930</em>. 3. ed. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2008.</p>
<p>BIBEL, David J.; CHEN, T.H. <a href="https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC413974/pdf/bactrev00053-0115.pdf" target="_blank"><em>Diagnosis of Plague: an Analysis of the Yersin-Kitasato Controversy</em></a>. American Society for Microbiology, 1976.</p>
<p><a href="http://oswaldocruz.fiocruz.br/" target="_blank">Biblioteca Virtual Oswaldo Cruz</a></p>
<p>BRASIL. Ministério da Justiça. Relatório 1904 &#8211; 1905. Imprensa Nacional, Rio de Janeiro, 1905.</p>
<p>CARVALHO, José Murilo de: <em>Os Bestializados &#8211; O Rio de Janeiro e a República que não foi</em>. São Paulo : Companhia das Letras, 1987.</p>
<p>COSTA, Zouraide; ELKHOURY, Ana; FLANNERY, Brendan; ROMANO, Alessandro. <em><a href="http://scielo.iec.gov.br/pdf/rpas/v2n1/v2n1a02.pdf" target="_blank">Evolução histórica da vigilância epidemiológica e do controle da febre amarela no Brasil</a>,</em> 2011.</p>
<p>CURY, Bruno da Silva Mussa. <a href="http://www.unirio.br/cch/escoladehistoria/pos-graduacao/ppgh/dissertacao_bruno-cury" target="_blank"><em>Combatendo ratos, mosquitos e pessoas: Oswaldo Cruz e a saúde pública na reforma da capital do Brasil (1902-1904)</em></a>. / Bruno da Silva Mussa Curry. &#8211; 2012. 160 f. Dissertação (Mestrado em História) – Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro, Programa de Pós-graduação em História, Rio de Janeiro, 2012.</p>
<p><a href="http://dicionariompb.com.br/casimiro-rocha/dados-artisticos" target="_blank">Dicionário Cravo Alvim</a></p>
<p><a href="http://bndigital.bn.br/hemeroteca-digital/" target="_blank">Hemeroteca Digital da Biblioteca Nacional</a></p>
<p><a href="http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/0110historia_febre.pdf" target="_blank">Ministério da Saúde</a></p>
<p>MOURELLE, Thiago. <a href="http://querepublicaeessa.an.gov.br/temas/200-revolta-da-vacina.html" target="_blank"><em>A revolta da vacina</em></a>. Arquivo Nacional: Que República é essa?, 21 de janeiro de 2020.</p>
<p><em>Nosso Século</em>. São Paulo : Abril Cultural, 1980.</p>
<p><a href="https://portal.fiocruz.br/trajetoria-do-medico-dedicado-ciencia" target="_blank">Portal Fiocruz &#8211; <em>A trajetória do médico dedicado à ciência</em></a></p>
<p><a href="http://www.projetomemoria.art.br/OswaldoCruz/biografia/02_revolta.html" target="_blank">Portal Fiocruz  &#8211; <em>A Revolta da Vacina</em></a></p>
<p><a href="http://www.projetomemoria.art.br/OswaldoCruz/biografia/02_revolta.html" target="_blank">Projeto Memória &#8211; Fundação Banco do Brasil</a></p>
<p>ROCHA, Oswaldo; CARVALHO, Lia de Aquino. <em>A era das demolições Habitações Populares</em>. Rio de Janeiro : Biblioteca Carioca, 1986</p>
<p>SEVCENKO, Nicolau. <em class="hf">A Revolta da Vacina: mentes insanas em corpos rebeldes</em>. São Paulo: Cosac Naify, 2010.</p>
<p><a href="http://cpdoc.fgv.br/sites/default/files/verbetes/primeira-republica/REVOLTA%20DA%20VACINA.pdf" target="_blank">Site CPDOC</a></p>
<p><a href="http://multirio.rio.rj.gov.br/index.php/leia/reportagens-artigos/artigos/11429-a-revolta-da-vacina" target="_blank">Site Multirio</a></p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?feed=rss2&#038;p=19095</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
	</channel>
</rss>
