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	<title>Brasiliana Fotográfica &#187; fotografias inéditas</title>
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		<title>&#8220;Achados e Perdidos: imagens inéditas do Rio de Janeiro (1937-1945)&#8221;, do acervo do Arquivo Geral da Cidade do Rio de Janeiro. Destaque para a identificação da casa de Tia Ciata</title>
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		<pubDate>Tue, 10 Feb 2026 13:59:45 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Andrea Wanderley]]></dc:creator>
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		<description><![CDATA[A Brasiliana Fotográfica publica imagens inéditas do Rio de Janeiro, do acervo do Arquivo Geral da Cidade do Rio de Janeiro (AGCRJ), instituição parceira do portal, desde abril de 2016, quando celebrávamos um ano de existência. Sob a presidência do internacionalista e doutor em Ciência Política, Eliseu Santiago, em parceria com a Aprazível Edições, do jornalista, editor de livros, curador de museus e exposições, Leonel Kaz, o AGCRJ lançou o livro digital "Achados e Perdidos: imagens inéditas do Rio de Janeiro (1937-1945)", que revela um valioso e inédito acervo iconográfico da cidade do Rio no período do Es]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p>A Brasiliana Fotográfica publica imagens inéditas do Rio de Janeiro, do acervo do Arquivo Geral da Cidade do Rio de Janeiro (AGCRJ), instituição parceira do portal desde abril de 2016, quando celebrávamos um ano de existência. Sob a presidência do internacionalista e doutor em Ciência Política, Eliseu Santiago, em parceria com a Aprazível Edições, do jornalista, editor de livros, curador de museus e exposições, Leonel Kaz, o AGCRJ lançou o livro digital <em>Achados e Perdidos: imagens inéditas do Rio de Janeiro (1937-1945), </em>que revela<em> </em>um valioso e inédito acervo iconográfico da cidade do Rio no período do Estado Novo, sob a presidência de Getúlio Vargas (1882 &#8211; 1954).  A publicação reforça a importância da preservação e difusão do patrimônio histórico e iconográfico do Rio de Janeiro.</p>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_42917" style="width: 448px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://online.fliphtml5.com/yrpqc/yeos/#p=1" target="_blank"><img class="wp-image-42917 size-full" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2026/02/achados.jpg" alt="achados" width="438" height="531" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://online.fliphtml5.com/yrpqc/yeos/#p=1" target="_blank">Capa do livro digital <em>Achados e Perdidos: imagens inéditas do Rio de Janeiro (1937-1945)</em></a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>O livro digital está disponível gratuitamente no site do Arquivo Geral da Cidade do Rio de Janeiro e da Aprazível Edições promovendo acessibilidade e difusão cultural. Foi financiado pelo Programa de Fomente à Cultura Carioca &#8211; PRÓ-CARIOCA LINGUAGENS, via Edição PNAB &#8211; Política Nacional Aldir Blanc. Lembramos aqui que o acervo do AGCRJ reúne cerca de quatro milhões de itens identificados, além de outros milhões de documentos, fotos e registros ainda em processo de organização.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><span style="color: #800000;"><a style="color: #800000;" href="https://www.rio.rj.gov.br/web/arquivogeral/achados-e-perdidos" target="_blank"><strong>Link para o livro digital <em>Achados e Perdidos: imagens inéditas do Rio de Janeiro (1937-1945) </em></strong></a></span></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Hoje a Brasiliana Fotográfica disponibiliza 20 das centenas de imagens publicadas no livro. A partir de recursos tecnológicos como a digitalização e o <em>zoom</em>, os registros fotográficos passam a ter outra visibilidade, podendo ser acessados em sua qualidade plena.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><a style="color: #800000;" href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/visualizar-grupo-trabalho/441" target="_blank"><strong>Acessando o link para as fotografias publicadas no livro <em>Achados e Perdidos: imagens inéditas do Rio de Janeiro (1937 -1945)</em> disponíveis na Brasiliana Fotográfica, o leitor poderá magnificar as imagens e verificar todos os dados referentes a elas.</strong></a></p>
<p>&nbsp;</p>
<div style="width: 710px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/14339" target="_blank"><img src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/bitstream/handle/20.500.12156.1/14339/5979.jpg.jpg?sequence=3&amp;isAllowed=y" alt="Thumbnail" width="700" height="505" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/14339" target="_blank">Provável autoria de Uriel Malta. Praça da República, 9 de maio de 1941. Rio de Janeiro, RJ / Acervo AGCRJ. Vista panorâmica da Praça da República tomada do alto do Paço Municipal</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<div style="width: 716px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/14324" target="_blank"><img src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/bitstream/handle/20.500.12156.1/14324/10674.jpg.jpg?sequence=3&amp;isAllowed=y" alt="Thumbnail" width="706" height="505" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/14324" target="_blank">Provável autoria de Uriel Malta. Praça da República, 24 de janeiro de 1944. Rio de Janeiro, RJ / Acervo AGCRJ. Obras de redução da Praça da República para a abertura da Avenida Presidente Vargas</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p><em>Achados e Perdidos: imagens inéditas do Rio de Janeiro (1937-1945) </em>é o resultado de uma extensa pesquisa, da recuperação e da digitalização de imagens realizadas por diversos profissionais do AGCRJ. São fotografias inéditas produzidas pelos filhos de Augusto Malta (1864 &#8211; 1957) &#8211; Aristógiton (1904-1954) e Uriel (1910 – 1994). Augusto Malta foi, entre 1903 e 1936, o fotógrafo oficial da prefeitura do Rio de Janeiro &#8211; cargo criado para ele -, e o mais  importante cronista fotográfico da cidade nas primeiras décadas do século XX, responsável por um legado fotográfico incontornável.</p>
<p>&nbsp;</p>
<div style="width: 277px" class="wp-caption aligncenter"><img src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2015/06/Foto-do-Arquivo-recortada-267x300.jpg" alt="Foto do Arquivo recortada" width="267" height="300" /><p class="wp-caption-text">Anônimo. Augusto Malta. Rio de Janeiro. Acervo Arquivo Geral da Cidade do Rio de Janeiro</p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>Aristógiton Malta, nasceu em 1904, no Rio de Janeiro, e começou a auxiliar o pai na prefeitura, em 1925, ano em que Augusto, quando prestava um serviço para a Sul América, teve um de seus dedos dilacerados, devido a uma explosão ocasionada pelo <em>flash</em> de sua máquina fotográfica. Foi operado e ficou internado no Hospital da Ordem Terceira da Penitência. Aristógiton era filho da primeira esposa de Augusto, Laura Oliveira Campos (1874 &#8211; 1905).  Casou-se com Helena de Freitas Moutinho (1906 – 1975), em 1933. Em 25 de agosto de 1936, Augusto Malta aposentou-se da Prefeitura e foi substituído por ele, a partir de 9 de setembro do mesmo ano. Em 1938, O presidente da República, Getúlio Vargas (1882 – 1954), visitou a “Feira de Amostras”,  uma exposição de diversas secretarias da Prefeitura do Rio de Janeiro. Um dos <em>stands</em> de maior sucesso foi o da Secretaria de Viação, Trabalho e Obras Públicas, que expôs fotos de Augusto Malta e de seu filho, Aristógiton (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/DocReader.aspx?bib=348970_03&amp;PagFis=58598"><em>A</em> <em>Noite</em>, 31 de outubro de 1938</a>, sob o título “A evolução do Rio através da fotografia”). Foi noticiado que uma foto de sua autoria do Estádio do Maracanã estava nas paredes de todas as repartições da Prefeitura, no hall do Banco da Prefeitura, e também em hotéis em países da Europa, da América do Sul e nos Estados Unidos (<a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/348970_05/18597" target="_blank"><em>A Noite</em>, 18 de maio de 1953, primeira coluna</a>). Faleceu em 15 de agosto de 1954 (<a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/348970_05/18597" target="_blank"><em>A Noite</em>, 18 de maio de 1953, primeira coluna</a>; <a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/093718_03/34521" target="_blank"><em>Diário de Notícias</em>, 17 de agosto de 1954, sexta coluna</a>).</p>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_42799" style="width: 313px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2015/07/aristogiton.jpg"><img class="size-full wp-image-42799" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2015/07/aristogiton.jpg" alt="Aristogiton Malta (1896-1954) / Site Family Search" width="303" height="387" /></a><p class="wp-caption-text">Aristógiton Malta (1896-1954) / Site Family Search</p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>Uriel Malta nasceu, em 28 de setembro de 1910, no Rio de Janeiro, filho da segunda esposa de Augusto, Celina Augusta Verscheuren (1884 – 1969). Passou a trabalhar com o irmão, no Serviço de Fotografia da Prefeitura, em 1937. Já era casado com Hilda de Abreu em 1944. Foi fotógrafo da Prefeitura até fins da década de 1960 e, em 1970, teve assinada a apostila <em>fixando os proventos anuais de inatividade</em>. Uriel faleceu, em Magé, em 5 de agosto de 1994 (Registro Civil do Rio de Janeiro, Site Family Search; <a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/103730_06/5372" target="_blank"><em>Gazeta de Notícias</em>, 4 de julho de 1935, terceira coluna</a>; <a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/030015_05/73665"><em>Jornal do Brasil</em>, 12 de março de 1937, primeira coluna</a>; <a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/093718_04/73653" target="_blank"><em>Diário de Notícias</em>, 3 de abril de 1968, segunda coluna</a>; <a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/093718_04/78362" target="_blank"><em>Diário de Notícias</em>, 20 de outubro de 1968, primeira coluna</a>; <a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/093718_04/80888" target="_blank"><em>Diário de Notícias</em>, 31 de janeiro de 1969, terceira coluna</a>; <a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/093718_05/1993" target="_blank"><em>Diário de Notícias</em>, 7 de abril de 1970, última coluna</a>).</p>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_42797" style="width: 296px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2026/01/urielmalta.jpg"><img class="size-full wp-image-42797" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2026/01/urielmalta.jpg" alt="Uriel Malta / Site Family Search" width="286" height="477" /></a><p class="wp-caption-text">Uriel Malta / Site Family Search</p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>O trabalho de Aristógiton e Uriel ficou durante muitas décadas à sombra da extraordinária obra de seu pai. As imagens de <em>Achados e Perdidos: imagens inéditas do Rio de Janeiro (1937-1945)</em> resgatam a importância do trabalho dos filhos de Augusto Malta, que fotografaram os últimos anos da <em>belle époque</em> carioca assim como seu desaparecimento.</p>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_42943" style="width: 356px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://online.fliphtml5.com/yrpqc/yeos/#p=291" target="_blank"><img class="wp-image-42943 size-full" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2026/02/dods3.jpg" alt="Aristogiton e Ariel Malta / " width="346" height="236" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://online.fliphtml5.com/yrpqc/yeos/#p=291" target="_blank">Aristógiton e Uriel Malta / <em>Achados e Perdidos: imagens inéditas do Rio de Janeiro (1937-1945)</em>, página 288 &#8211; Acervo AGCRJ</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>O lançamento do livro digital foi realizado, em 27 de janeiro último, por Elizeu Santiago e Leonel Kaz, em um evento no AGCRJ. Em seguida, o professor Antonio Edmilson Martins Rodrigues proferiu a palestra <em>Reformas Urbanas e Cultura no Rio do Estado Novo. </em>O Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Rio de Janeiro (CAU/RJ), entidade que apoiou a publicação do livro, foi representada pelo seu presidente, Sydnei Menezes. No dia seguinte, foi realizada uma roda de conversa sob o tema <em>O Rio de Janeiro no Estado Novo: uma perspectiva iconográfica</em>, com os professores Pedro Marreca e Rafael Martins de Araujo, gerente e sub-gerente de Pesquisa do AGCRJ, respectivamente.</p>
<p>&nbsp;</p>
<div style="width: 604px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/14342" target="_blank"><img src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/bitstream/handle/20.500.12156.1/14342/10155.jpg.jpg?sequence=3&amp;isAllowed=y" alt="Thumbnail" width="594" height="800" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/14342" target="_blank">Provável autoria de Uriel Malta. Magazine Parc Royal, 14 de julho de 1943 . Rio de Janeiro, RJ / Acervo AGCRJ. Aspecto do edifício da Magazine Parc Royal durante sua demolição</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<div style="width: 710px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/14336" target="_blank"><img src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/bitstream/handle/20.500.12156.1/14336/5776.jpg.jpg?sequence=3&amp;isAllowed=y" alt="Thumbnail" width="700" height="502" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/14336" target="_blank">Provável autoria de Uriel Malta. Abertura da Avenida Brasil, 3 de abril de 1941. Rio de Janeiro, RJ / Acervo AGCRJ. Trabalhadores durante obras para abertura da Avenida Brasil. Ao fundo, à esquerda, o Pavilhão Mourisco, ocupado pela Fundação Oswaldo Cruz.</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<div style="width: 710px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/14329" target="_blank"><img src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/bitstream/handle/20.500.12156.1/14329/3399.jpg.jpg?sequence=3&amp;isAllowed=y" alt="Thumbnail" width="700" height="514" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/14329" target="_blank">Provável autoria de Uriel Malta. Avenida Delfim Moreira, 25 de abril de 1940. Rio de Janeiro, RJ / Acervo AGCRJ. Trabalhadores durante obras de canalização da Avenida Delfim Moreira, no Leblon</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>O lançamento do livro digital foi antecedido pelo resgate de cerca de 14 mil imagens &#8211; em positivos com nitrato de prata e negativos &#8211; distribuídas em 11 álbuns, que ainda estão em tratamento arquivístico e que futuramente serão disponibilizadas nos bancos de dados do AGCRJ. Foi uma das descobertas mais relevantes realizadas pela instituição nos últimos anos. As imagens capturam as transformações urbanas, culturais e sociais do Rio de Janeiro, entre 1937 e 1945, quando o interventor do então Distrito Federal, o Rio de Janeiro, era Henrique Dodsworth (1895 &#8211; 1975).</p>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_42940" style="width: 397px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://online.fliphtml5.com/yrpqc/yeos/#p=26" target="_blank"><img class="wp-image-42940 size-full" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2026/02/dods.jpg" alt="&quot;Achados e Perdidos&quot;, página 24." width="387" height="272" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://online.fliphtml5.com/yrpqc/yeos/#p=26" target="_blank">O presidente da República, Getúlio Vargas, e o interventor do Distrito Federal, Henrique Dodsworth, visitam o Instituto de Educação por ocasião do batismo de fogo da Força Expedicionária Brasileira na Segunda Guerra Mundial , 1944. Rio de Janeiro, RJ /<em> Achados e Perdidos: imagens inéditas do Rio de Janeiro (1937-1945)</em>, página 24 &#8211; Acervo AGCRJ</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>Retratam um período de grandes transformações na cidade do Rio: por exemplo, a abertura da<a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=27822" target="_blank"> Avenida Presidente Vargas</a> e da Avenida Brasil, a expansão dos subúrbios, a urbanização da Pavuna e da Zona Sul, a finalização da esplanada do Castelo e a inauguração do Jardim de Alah. Mais de 500 edifícios desapareceram.</p>
<div class="x14z9mp xat24cr x1lziwak x1vvkbs xtlvy1s x126k92a"></div>
<div style="width: 711px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/14334" target="_blank"><img src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/bitstream/handle/20.500.12156.1/14334/5574.jpg.jpg?sequence=3&amp;isAllowed=y" alt="Thumbnail" width="701" height="505" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/14334" target="_blank">Provável autoria de Uriel Malta. Esplanada do Castelo, 15 de março de 1941. Rio de Janeiro, RJ / Acervo AGCRJ</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>Essas obras realizadas na região pela Prefeitura do Rio de Janeiro reduziram muito a <a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=27390" target="_blank">Praça Onze de Junho</a>. Logo no início da década de 40, durante o Estado Novo, o então presidente Getúlio Vargas (1882 – 1954) decidiu construir a avenida Presidente Vargas e, pelo projeto, os quarteirões entre as ruas Visconde de Itaúna e Senador Eusébio desapareceriam para sua abertura (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/116300/94123" target="_blank"><em>O Malho</em>, dezembro de 1941</a>).</p>
<p>&nbsp;</p>
<div style="width: 711px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/14341" target="_blank"><img src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/bitstream/handle/20.500.12156.1/14341/6616.jpg.jpg?sequence=3&amp;isAllowed=y" alt="Thumbnail" width="701" height="508" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/14341" target="_blank">Provável autoria de Uriel Malta. Abertura da Avenida Presidente Vargas, 14 de outubro de 1941. Rio de Janeiro, RJ / Acervo AGCRJ. Aspecto da Rua Visconde de Itaúna com prédios já demolidos para abertura da Avenida Presidente Vargas. Ao fundo, a torre do relógio da Central do Brasil, ainda em obras</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>Começaram as demolições. Inúmeras famílias foram desalojadas, prédios foram derrubados, dentre eles algumas construções históricas, como a<a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=26587" target="_blank"> Igreja de São Pedro dos Clérigos.</a></p>
<p>&nbsp;</p>
<div style="width: 711px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/14343" target="_blank"><img src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/bitstream/handle/20.500.12156.1/14343/10613.jpg.jpg?sequence=3&amp;isAllowed=y" alt="Thumbnail" width="701" height="520" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/14343" target="_blank">Provável autoria de Uriel Malta. Igreja de São Pedro dos Clérigos, 9 de janeiro de 1944. Rio de Janeiro, RJ / Acervo AGCRJ. Obras de demolição para abertura da Avenida Presidente Vargas. Destaque para Igreja de São Pedro dos Clérigos, trecho da Avenida Rio Branco e, ao fundo, a Igreja da Candelária</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<div style="width: 710px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/14332" target="_blank"><img src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/bitstream/handle/20.500.12156.1/14332/4914.jpg.jpg?sequence=3&amp;isAllowed=y" alt="Thumbnail" width="700" height="507" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/14332" target="_blank">Provável autoria e Uriel Malta. Rua Visconde de Itaúna, 19 de fevereiro de 1941. Rio de Janeiro, RJ / Acervo AGCRJ. Aspecto da Rua Visconde de Itaúna, esquina com a Rua General Caldwell</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<div style="width: 718px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/14338" target="_blank"><img src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/bitstream/handle/20.500.12156.1/14338/5962.jpg.jpg?sequence=3&amp;isAllowed=y" alt="Thumbnail" width="708" height="505" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/14338" target="_blank">Provável autoria de Uriel Malta. Edifício demolido &#8211; Rua Visconde de Itaúna, 22-24, 6 de maio de 1941. Rio de Janeiro, RJ / Acervo AGCRJ. Trabalhadores durante remoção de escombros dos edifícios de número 22 e 24 da Rua Visconde de Itaúna.</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>O segundo trecho da nova avenida foi concluído em 10 de novembro de 1942; e, em 10 de novembro de 1943, foi batizada de Presidente Vargas. Finalmente, em 7 de setembro de 1944, foi inaugurada (<em>O Malho</em>, <a href="http://memoria.bn.br/DocReader/116300/95124" target="_blank">dezembro de 1942</a>, <a href="http://memoria.bn.br/DocReader/116300/95489" target="_blank">abril de 1943</a>, <a href="http://memoria.bn.br/DocReader/116300/96145" target="_blank">dezembro de 1943</a>; <a href="http://memoria.bn.br/DocReader/030015_06/24751" target="_blank"><em>O País</em>, 10 de novembro de 1943</a>; <a href="http://memoria.bn.br/DocReader/030015_06/29331" target="_blank"><em>Jornal do Brasil</em>, 8 de setembro de 1944</a>).</p>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_42817" style="width: 418px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://memoria.bn.gov.br/docreader/030015_06/29331" target="_blank"><img class="size-full wp-image-42817" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2026/02/omalho1.jpg" alt="Jornal do Brasil, 8 de setembro de 1944" width="408" height="533" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="http://memoria.bn.gov.br/docreader/030015_06/29331" target="_blank"><em>Jornal do Brasil</em>, 8 de setembro de 1944</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>Na fotografia abaixo, foi identificada a casa da lendária Tia Ciata (1854 – 1924), Hilária Batista de Almeida, localizada na Rua Visconde de Itaúna, 117.</p>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_42816" style="width: 713px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/14333" target="_blank"><img class="wp-image-42816" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2026/01/tiaciata.jpg" alt="Provável autoria de Uriel Malta. Rua Visconde de Itaúna, . Rio de Janeiro, RJ / Acervo AGCRJ. A casa de Tia Ciata é a número 17" width="703" height="513" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/14333" target="_blank">Provável autoria de Uriel Malta. Rua Visconde de Itaúna, 19 de fevereiro de 1941. Rio de Janeiro, RJ / Acervo AGCRJ. A casa de Tia Ciata éstá identificada pelo número 117</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>A casa ficava na região da Pequena África do Brasil, expressão baseada numa afirmação do cantor e pintor Heitor dos Prazeres (1898 – 1966) se referindo à área que começava no Porto do Rio de Janeiro e abrangia os atuais bairros da Saúde, Estácio, Santo Cristo, Gamboa e Cidade Nova, até a Praça Onze de Junho. Foi lá que, a partir da década de 1870, a comunidade baiana se estabeleceu no Rio de Janeiro, fazendo da área um local de concentração de diversas manifestações da cultura afro-brasileira. Havia também as tias Bebiana, Carmen e Mônica, dentre outras, que fizeram de suas casas pontos de referência e de convívio, que garantiram a manutenção das tradições africanas na cidade. Nessas casas eram cultuadas a música e a religiosidade afro-brasileira. As casas de Tia Prisciliana, mãe de João da Baiana (1887-1974), e, principalmente, a de Tia Ciata, considerada a matriarca do samba, foram espaços fundamentais da música popular carioca e eram frequentados por Donga, Pixinguinha (1897 – 1973), João da Baiana (1887-1974), o jornalista e dramaturgo <em>Vagalume</em>, pseudônimo de Francisco Guimarães (c. 1880 &#8211; 1946), e agitadores culturais como, por exemplo, Hilário Jovino (1873- 1933), Germano Lopes da Silva (? &#8211; 1933), o compositor e jornalista Mauro de Almeida(1882 -1956), dentre outros. Foi também na Pequena África que a <em>Deixa Falar</em>, considerada a primeira escola de samba, foi fundada, em 12 de agosto de 1928, pelos sambistas Bide, Mano Edgar, Brancura, Baiaco, dentre outros, além de Ismael Silva, que reivindicava a autoria da expressão <em>escola de samba</em>.</p>
<p>Na época da demolição, a Praça Onze não era apenas um logradouro carioca, mas uma espécie de bairro, pois englobava todas as ruas das imediações. Hoje, esta importante referência na história da formação do Rio de Janeiro, da cultura brasileira e da criação do samba, não existe mais, porém sua região continua sendo importante para o samba: o Sambódromo e o Terreirão do Samba, inaugurados em 1984 e 1991, respectivamente, estão localizados na área. Da Praça Onze resta um pequeno jardim, onde foi instalado um monumento em homenagem a<a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=17370" target="_blank"> Zumbi</a>, em 1986.</p>
<p>&nbsp;</p>
<div style="width: 711px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/14325" target="_blank"><img src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/bitstream/handle/20.500.12156.1/14325/586.jpg.jpg?sequence=3&amp;isAllowed=y" alt="Thumbnail" width="701" height="512" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/14325" target="_blank">Aristógiton Malta. Mesa do Imperador, 14 de julho de 1938. Rio de Janeiro, RJ / Acervo AGCRJ. Trabalhadores durante obras na Mesa do Imperador, localizada no Parque Nacional da Tijuca</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<div style="width: 710px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/14328" target="_blank"><img src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/bitstream/handle/20.500.12156.1/14328/2897.jpg.jpg?sequence=3&amp;isAllowed=y" alt="Thumbnail" width="700" height="498" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/14328" target="_blank">Provável autoria de Uriel Malta. Rua do Lavradio, 30 de janeiro de 1940, Rio de Janeiro, RJ / Acervo AGCRJ. Aspecto da Rua do Lavradio após enchente, em quadra compreendida entre a Rua do Rezende e a Avenida Mém de Sá. Vê-se, ao fundo, Hospital da Ordem do Carmo e morro de Santa Tereza</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<div style="width: 711px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/14326" target="_blank"><img src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/bitstream/handle/20.500.12156.1/14326/596.jpg.jpg?sequence=3&amp;isAllowed=y" alt="Thumbnail" width="701" height="520" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/14326" target="_blank">Aristógiton Malta. Esplanada do Castelo, 14 de julho de 1938. Rio de Janeiro, RJ / Acervo AGCRJ. Panorâmica da Esplanada do Castelo. À esquerda, o prédio do Ministério da Agricultura. Ao fundo, o Aeroporto Santos Dumont em obras</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_42945" style="width: 653px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://online.fliphtml5.com/yrpqc/yeos/#p=102" target="_blank"><img class="wp-image-42945 size-full" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2026/02/dods4.jpg" alt="Obras no antigo terminal de bondes no Largo da Carioca, conhecido como o Tabuleiro da Baiana, 8 de fevereiro de 1939 / Achados e Perdidos, página. À direita, o prédio do Liceu Literário Português e a escultura da águia do Teatro Municipal" width="643" height="481" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://online.fliphtml5.com/yrpqc/yeos/#p=102" target="_blank">Obras no antigo terminal de bondes no Largo da Carioca, conhecido como o Tabuleiro da Baiana. À direita, o prédio do Liceu Literário Português e a escultura da águia do Teatro Municipal, 8 de fevereiro de 1939. Rio de Janeiro, RJ / <em>Achados e Perdidos: imagens inéditas do Rio de Janeiro (1937-1945)</em>, página 101 &#8211; Acervo AGCRJ</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_42949" style="width: 710px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://online.fliphtml5.com/yrpqc/yeos/#p=136" target="_blank"><img class=" wp-image-42949" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2026/02/dods5.jpg" alt="Praça da Bandeira alagada, 29 de janeiro de 1940. Rio de Janeiro, RJ / Achados e Perdidos: imagens inéditas do Rio de Janeiro (1937-1945), página 134" width="700" height="420" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://online.fliphtml5.com/yrpqc/yeos/#p=136" target="_blank">Praça da Bandeira alagada, 29 de janeiro de 1940. Rio de Janeiro, RJ / <em>Achados e Perdidos: imagens inéditas do Rio de Janeiro (1937-1945)</em>, página 134 &#8211; Acervo AGCRJ</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_42951" style="width: 688px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://online.fliphtml5.com/yrpqc/yeos/#p=144" target="_blank"><img class="size-full wp-image-42951" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2026/02/dods6.jpg" alt="Sede do Cordão da Bola Preta, na Rua 13 de maio, 31 de dezembro de 1941. Rio de Janeiro, RJ / " width="678" height="502" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://online.fliphtml5.com/yrpqc/yeos/#p=144" target="_blank">Sede do Cordão da Bola Preta, na Rua 13 de maio, 31 de dezembro de 1941. Rio de Janeiro, RJ /<em>Achados e perdidos: imagens inéditas do Rio de Janeiro (1937-1945),</em> página 143 &#8211; Acervo AGCRJ</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_42953" style="width: 680px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://online.fliphtml5.com/yrpqc/yeos/#p=194" target="_blank"><img class="size-full wp-image-42953" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2026/02/dods7.jpg" alt="Canalização em Botafogo.  Obras de melhoramentos urbanos na orla de Botafogo. Destaque para o frentista postado diante da antiga bomba de gasolina da Empresa Nacional de Petróleo. Rio de Janeiro, RJ / Achados e perdidos: imagens inéditas o Rio de Janeiro (1937-1945, página" width="670" height="497" /></a><p class="wp-caption-text">C<a href="https://online.fliphtml5.com/yrpqc/yeos/#p=194" target="_blank">analização Botafogo. Obras de melhoramentos urbanos na orla de Botafogo. Destaque para o frentista postado diante da antiga bomba de gasolina da Empresa Nacional de Petróleo, 17 de junho de 1940. Rio de Janeiro, RJ / Achados e perdidos: imagens inéditas o Rio de Janeiro (1937-1945, página 193 &#8211; Acervo AGCRJ</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_42962" style="width: 710px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://online.fliphtml5.com/yrpqc/yeos/#p=87" target="_blank"><img class=" wp-image-42962" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2026/02/dods9.jpg" alt="Duas fotografias do relógio da Central do Brasil. A primeira de 1941 e a segunda, produzida após a" width="700" height="420" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://online.fliphtml5.com/yrpqc/yeos/#p=87" target="_blank">Duas fotografias do relógio da Central do Brasil. Rio de Janeiro, RJ / <em>Achados e Perdidos: imagens inéditas do Rio de Janeiro</em> (1937 &#8211; 1945), página 85- Acervo AGCRJ</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_42974" style="width: 677px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://online.fliphtml5.com/yrpqc/yeos/#p=222" target="_blank"><img class="size-full wp-image-42974" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2026/02/dods12.jpg" alt="Rua Copacabana, atual Avenida Nossa Senhor de Copacabana, 2 de janeiro de 1939. Rio de Janeiro, RJ / Achados e Perdios: imagens inéditas o Rio de Janeiro (1937-1945 - Acervo AGCRJ" width="667" height="488" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://online.fliphtml5.com/yrpqc/yeos/#p=222" target="_blank">Rua Copacabana, atual Avenida Nossa Senhora de Copacabana, 2 de janeiro de 1939. Rio de Janeiro, RJ / <em>Achados e Perdidos: imagens inéditas do Rio de Janeiro (1937-1945)</em> , página 220- Acervo AGCRJ</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_42977" style="width: 850px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://online.fliphtml5.com/yrpqc/yeos/#p=241" target="_blank"><img class="wp-image-42977 size-full" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2026/02/dods13.jpg" alt="dods13" width="840" height="301" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://online.fliphtml5.com/yrpqc/yeos/#p=241" target="_blank">Jardim de Alah, 8 de janeiro de 1942. Rio de Janeiro, RJ / <em>Achados e Perdidos: imagens inéditas do Rio de Janeiro (1937-1945)</em>, páginas 238 e 239 &#8211; Acervo AGCRJ</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_42978" style="width: 656px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://online.fliphtml5.com/yrpqc/yeos/#p=242" target="_blank"><img class="size-full wp-image-42978" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2026/02/dods14.jpg" alt="Avenida Vieira Souto, Ipanema, 1938. Rio de Janeiro, RJ / Achados e Perdidos: imagens inéditas do Rio de Janeiro (1937-1945), página - Acervo AGCRJ" width="646" height="486" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://online.fliphtml5.com/yrpqc/yeos/#p=242" target="_blank">Avenida Vieira Souto, Ipanema, 21 de novembro de 1938. Rio de Janeiro, RJ / <em>Achados e Perdidos: imagens inéditas do Rio de Janeiro (1937-1945)</em>, página 240 e 241 &#8211; Acervo AGCRJ</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_42979" style="width: 393px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://online.fliphtml5.com/yrpqc/yeos/#p=271" target="_blank"><img class=" wp-image-42979" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2026/02/dods15.jpg" alt="Estrqada VElha da Pavuna, 22 de junho de 1938. Rio de Janeiro, RJ / Achados e Perdidos: imagens inéditas do Rio de Janeiro (1937-1945), página - Acervo AGCRJ" width="383" height="259" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://online.fliphtml5.com/yrpqc/yeos/#p=271" target="_blank">Estrada Velha da Pavuna, 22 de junho de 1938. Rio de Janeiro, RJ / Achados e Perdidos: imagens inéditas do Rio de Janeiro (1937-1945), página 269 &#8211; Acervo AGCRJ</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>São esses os profissionais responsáveis pelo extraordinário <em>Achados e Perdidos: imagens inéditas do Rio de Janeiro (1937-1945)</em>:</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2026/02/dods16.jpg"><img class=" size-full wp-image-42989 aligncenter" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2026/02/dods16.jpg" alt="dods16" width="544" height="473" /></a></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>O livro físico foi lançado em 14 de julho de 2026, no Palácio da Cidade, no Rio de Janeiro, Na ocasião, discursaram Lucas Padilha, secretário de Cultura do Rio de Janeiro, e Eliseu Santiago, como já mencionado, presidente do Arquivo Geral da Cidade do Rio de Janeiro (informação inserida no texto em 14 de julho de 2026).</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Andrea C.T. Wanderley</p>
<p>Editora e pesquisadora da Brasiliana Fotográfica</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><span style="color: #800000;"><strong>Fontes:</strong></span></p>
<p>BUENO, Eduardo. <a href="https://www.youtube.com/watch?v=n7sz5MRGifI" target="_blank"><em>TIA CIATA E A PRAÇA ONZE: COMO SURGIRAM AS ESCOLAS DE SAMBA</em></a></p>
<div data-google-query-id="CLr-gJDN5vYCFbMEuQYdOcwKOw">
<p><a href="https://diariodorio.com/historia-da-avenida-presidente-vargas/" target="_blank">Diário do Rio – Avenida Presidente Vargas</a></p>
</div>
<p><a href="https://diariodorio.com/historia-da-praca-onze/" target="_blank">Diário do Ri0 – Praça Onze</a></p>
<p>Dicionário de Música Cravo Alvim</p>
<p>GERSON, Brasil. <em>História das Ruas do Rio</em>. Rio de Janeiro: Bem-Te-Vi, 2013.</p>
<p><a href="https://www.bn.gov.br/explore/acervos/hemeroteca-digital" target="_blank">Hemeroteca Digital da Biblioteca Nacional</a></p>
<p>MALAMUD, Samuel. <em>Recordando a Praça Onze</em>. 1ª edição, Rio de Janeiro, Editora Kosmos, 1988</p>
<p>MOURA, Roberto. <i>Tia Ciata e a pequena África no Rio de Janeiro</i>. Rio de Janeiro: Funarte, 1983.</p>
<p>SILVA, Beatriz Coelho. <em>Negros e Judeus na Praça Onze. A História que não ficou na memória</em>. Rio de Janeiro : Bookstart, 2015.</p>
<p><a href="https://www.rio.rj.gov.br/web/arquivogeral/seminario-e-lancamento-do-livro-achados-e-perdidos" target="_blank">Site Arquivo Geral da Cidade do Rio de Janeiro</a></p>
<p>Site Family Search</p>
<p>WANDERLEY, Andrea C.T. <a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=1322" target="_blank"><em>O alagoano Augusto Malta, fotógrafo oficial do Rio de Janeiro entre 1903 e 1936</em></a> in Brasiliana Fotográfica, 10 de julho de 2015.</p>
<p>__________________. <a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=27390" target="_blank">Série </a>“<a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=27390" target="_blank">O Rio de Janeiro desaparecido” XVIII – <em>A Praça Onze </em></a>in Brasiliana Fotográfica, 20 de abril de 2022<a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=27390" target="_blank">.</a></p>
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		<title>Novos acervos: Museu Paraense Emílio Goeldi</title>
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		<pubDate>Mon, 12 Jan 2026 13:54:18 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Andrea Wanderley]]></dc:creator>
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		<description><![CDATA[A Brasiliana Fotográfica inicia 2026 anunciando com alegria e entusiasmo a adesão do Museu Paraense Emilio Goeldi como sua 15ª instituição parceira. Fundado em 1866, localiza-se em Belém, capital do Pará, e é o mais antigo instituto de pesquisa da Amazônia. Vinculado ao Ministério da Ciência e Tecnologia e Inovação do Brasil, como museu e instituto de pesquisa é essencial tanto para a produção como para a difusão de conhecimento sobre a maior floresta tropical do mundo, a Floresta Amazônica. Nosso novo parceiro estreia no portal com o artigo Belém na coleção fotográfica do Museu Goeldi, de autoria de Nelson Sanjad, Lilian Bayma de Amorim e Pablo Borges, servidores da instituição,no dia em que Belém do Pará completa 410 anos de fundação, ocorrida em 12 de janeiro de 1616. A maior parte das imagens do artigo é publicada aqui pela primeira vez. Ao ingressarem na Brasiliana Fotográfica, esses registros ficarão disponíveis para a consulta e para futuras pesquisas nos campos da história, das artes e em outros possíveis caminhos. Boas-vindas, Museu Paraense Emilio Goeldi!]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p>A Brasiliana Fotográfica inicia 2026 anunciando com alegria e entusiasmo a adesão do Museu Paraense Emílio Goeldi como sua 15ª instituição parceira. Fundado em 1866, localiza-se em Belém, capital do Pará, e é o mais antigo instituto de pesquisa da Amazônia. Vinculado ao Ministério da Ciência e Tecnologia e Inovação do Brasil, como museu e instituto de pesquisa é essencial tanto para a produção como para a difusão de conhecimento sobre a maior floresta tropical do mundo, a Floresta Amazônica. Nosso novo parceiro estreia no portal com o artigo <em>Belém na coleção fotográfica do Museu Goeldi</em>, de autoria de<em> </em>Nelson Sanjad, Lilian Bayma de Amorim e Pablo Borges, servidores da instituição, no dia em que Belém do Pará completa 410 anos de fundação, ocorrida em 12 de janeiro de 1616. A maior parte das imagens do artigo é publicada aqui pela primeira vez. Ao ingressarem na Brasiliana Fotográfica, esses registros ficarão disponíveis para a consulta e para futuras pesquisas nos campos da história, das artes e em outros possíveis caminhos. Boas-vindas, Museu Paraense Emílio Goeldi!</p>
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<p style="text-align: center;"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2025/12/museugoeldi1.jpg"><img class="alignnone size-full wp-image-42414" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2025/12/museugoeldi1.jpg" alt="museugoeldi1" width="283" height="233" /></a></p>
<p>No final do artigo, está disponibilizada a matéria da edição do <em>Diário do Pará</em> dos dias 10 e 11 de janeiro de 2026, <span style="color: #800000;"><em><strong>Belém em imagens raras: acervo histórico ganha primeira exposição digital</strong></em></span>, com chamada na capa do jornal, sobre a entrada do Museu Paraense Emílio Goeldi na Brasiliana Fotográfica. Sobre o mesmo assunto, o jornal <em>O Liberal</em>, de 19 de janeiro de 2026, publicou a reportagem <em><span style="color: #800000;"><strong>Belém antiga no portal Brasiliana</strong></span></em>, também disponibilizada no final deste artigo.</p>
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<p style="text-align: center;"><span style="color: #800000;"><strong><em>Belém na coleção fotográfica do Museu Goeldi</em></strong></span></p>
<p style="text-align: center;">Nelson Sanjad, Lilian Bayma de Amorim e Pablo Borges*</p>
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<p>A fundação de Belém é celebrada no dia 12 de janeiro. Em 2026, contam-se 410 anos desde que o capitão português Francisco Caldeira Castelo Branco deu início à construção do Forte do Presépio e do povoado Feliz Lusitânia. Não foi o primeiro entreposto militar nem a primeira vila fundada pelos europeus no norte do Brasil, pois Gurupá e Vigia de Nazaré antecedem Belém. Essa cidade, contudo, ganharia, nos séculos seguintes, uma importância estratégica para a colonização de toda a bacia amazônica e também para a conexão da região com os principais portos europeus. Em Belém se concentram os marcos arquitetônicos e históricos do processo de conquista do território amazônico, incentivado, sobretudo, pela exploração de recursos vegetais pelas metrópoles imperiais, primeiro Lisboa, com as drogas do sertão; e depois Londres, com a borracha.</p>
<p>O final do século XIX é um momento particularmente importante na história da cidade, quando a população e a economia cresceram de maneira exponencial em razão do comércio da borracha. No extraordinário livro de Rosário Lima Silva e Paulo Chaves Fernandes (1996) é possível apreciar a produção de imagens da cidade no período através de cartões postais. Eles documentam a rápida expansão da malha urbana, a instalação de infraestrutura, os meios de transporte, a ampliação do comércio, a construção de praças e parques, a introdução de edificações de padrão eclético, a eliminação das florestas próximas e o desenvolvimento de um modo de vida burguês e cosmopolita – pelo menos entre as classes privilegiadas.</p>
<p>Na coleção fotográfica do Museu Goeldi também existem vários registros de Belém, feitos a partir de 1890. Esses registros incluem negativos de vidro, reproduções em papel, cópias digitais de coleções privadas (cuja reprodução e divulgação foram autorizadas) e impressões em fototipia. Todos os registros são de autoria de pesquisadores e técnicos que trabalharam no Museu Goeldi e que fizeram da fotografia uma tecnologia auxiliar para a documentação de cidades, artefatos, pessoas, paisagens, plantas e animais. Isso significa que as imagens aqui divulgadas têm origem nas atividades de pesquisa da própria instituição, em eventos familiares e em interesses pessoais dos funcionários.</p>
<p>Organizamos cinco conjuntos de imagens, acompanhados de comentários para a devida contextualização. Todas as fotografias estão preservadas no Arquivo Guilherme de La Penha, do Museu Goeldi. A maior parte delas é publicada aqui pela primeira vez. Ao ingressarem na Brasiliana Fotográfica, ficarão disponíveis para a consulta e para futuras pesquisas nos campos da história, das artes e em outros possíveis caminhos.</p>
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<p><span style="color: #800000;"><a style="color: #800000;" href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/visualizar-grupo-trabalho/437" target="_blank"><strong>Acessando o link para as fotografias do acervo do Museu Paraense Emílio Goeldi mostradas neste artigo, o leitor poderá magnificar as imagens e verificar todos os dados referentes a elas.</strong></a></span></p>
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<p><strong><span style="color: #800000;">A modernização da cidade</span></strong></p>
<p>A arquitetura em ferro e as ferrovias são os grandes símbolos da modernização de cidades ocidentais no final do século XIX (Derenji, 1993; Borges, 2011; Palácios, Sanjad, Oliveira, 2024). Esses são os elementos destacados em uma fotografia do alemão Ernst Lohse (1873-1930), datada de 15 de agosto de 1901. Em primeiro plano, uma locomotiva a vapor puxa vários vagões do bonde urbano, em direção à estação ferroviária, no atual bairro de São Brás. Por trás, ergue-se a imensa caixa d’água em ferro fundido, importada da Europa e inaugurada em 1885 (Ramos, 2019). Essa caixa d’água, ainda existente, mas não funcional, é um ícone da arquitetura em ferro de Belém, não apenas pela impressionante estrutura capaz de sustentar 1,5 milhão de litros de água, mas também porque representa a instalação do sistema de tratamento e distribuição de água na cidade. Das nascentes existentes próximas ao Igarapé do Utinga (ver fotos adiante), a água era transferida para esta caixa d’água, sendo de lá redistribuída.</p>
<p>São Brás é um bom exemplo do que aconteceu com muitos bairros de Belém. Localizado na periferia da cidade e habitado por pequenos agricultores, transformou-se rapidamente com a inauguração da Estação Ferroviária, em 1884, e da caixa d’água, no ano seguinte. Na fotografia de Lohse, vê-se, à esquerda, postes da fiação elétrica e pequenas casas já alinhadas na antiga Estrada da Independência, incluindo a Pharmácia S. Braz, no canto; mas também ainda existia, do outro lado da rua, uma chácara, à direita, como era comum na periferia da cidade. O movimento das pessoas denuncia que era um local de grande circulação: um rapaz olha para o fotógrafo diante dos trilhos do trem, um homem mais velho avança pelo outro lado, dois carregadores levam imensos cestos às costas e pessoas caminham no comércio que já se estrutura nas imediações. Pequenos detalhes, quase imperceptíveis, revelam o contraste que o bairro já vivia: estacas de madeira, possivelmente sendo transportadas em uma carroça, à esquerda, sugerem que obras estavam sendo executadas por perto, enquanto uma galinha aparece sobre o chão, bem junto da locomotiva que avança intrepidamente.</p>
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<div style="width: 710px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/14230" target="_blank"><img src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/bitstream/handle/20.500.12156.1/14230/MPEG639.jpg.jpg?sequence=3&amp;isAllowed=y" alt="Thumbnail" width="700" height="508" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/14230" target="_blank">Ernst Lohse. Largo de São Brás, 15 de agosto de 1901. Belém, PA / Acervo Museu Paraense Emílio Goeldi</a></p></div>
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<p>O bonde puxado por locomotiva aparece em uma outra foto, não assinada nem datada, mas certamente feita por Lohse na mesma época. A foto também foi feita no bairro de São Brás, na Estrada da Independência, ao lado do Museu Goeldi. Em primeiro plano, um homem bem vestido atravessa a rua, em direção a uma padaria. Na sequência, aparecem os trilhos do bonde, os postes de ferro da iluminação pública, algumas mangueiras ainda bem jovens (e que depois se tornariam um dos símbolos de Belém), a rede elétrica, o trem, algumas casas e um sobrado. Sobre a rua, montes de paralelepípedos revelam que obras de calçamento estavam sendo executadas.</p>
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<div style="width: 710px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/14252" target="_blank"><img src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/bitstream/handle/20.500.12156.1/14252/MPEG646.jpg.jpg?sequence=3&amp;isAllowed=y" alt="Thumbnail" width="700" height="515" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/14252" target="_blank">Estrada da Independência, c. 1901. Belém, PA / Acervo Museu Paraense Emílio Goeldi</a></p></div>
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<p>Em uma terceira fotografia, datada de 26 de junho de 1901, Lohse continua a registrar o processo de modernização do bairro de São Brás: ali estão os trilhos do bonde, os paralelepípedos que estavam sendo assentados na rua e a fiação elétrica que cruzava os céus. Essa foto, em particular, feita na esquina da Estrada da Independência com a Travessa Vinte e Dois de Junho (atual Av. Alcindo Cacela), do outro lado do Museu Goeldi, é notável pelo enquadramento e pela composição. Uma enorme árvore plantada no passeio público domina o centro da fotografia (seria remanescente da antiga floresta?), enquanto um homem portando maleta e guarda-sol atravessa os trilhos, carroceiros passam com seus veículos e um garoto sentado no meio da rua sorri para o fotógrafo. Ao fundo, mais mudas de mangueiras aparecem plantadas na calçada e uma grande cerca de madeira sugere a existência de uma chácara.</p>
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<div style="width: 714px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/14235" target="_blank"><img src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/bitstream/handle/20.500.12156.1/14235/MPEG647.jpg.jpg?sequence=3&amp;isAllowed=y" alt="Thumbnail" width="704" height="492" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/14235" target="_blank">Travessa Vinte e dois de junh0, 25 de junho de 1901. Belém, PA / Acervo Museu Paraense Emílio Goeldi</a></p></div>
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<p>Duas outras fotografias merecem destaque por registrarem outro ícone da modernização de Belém, o Ver-o-Peso. Esse mercado existe desde o século XVII, quando foi criado um entreposto fiscal para aferir as mercadorias que chegavam do interior, vendidas ali mesmo, ao lado da “Casa do Haver o Peso” (Cruz, 1962). No final do século XIX, uma grande reforma transformou completamente a feira que se espalhava do Forte do Presépio até o porto da cidade, com a construção de armazéns, de um mercado de carne e outro mercado de peixe. Este último também é conhecido como “mercado de ferro”, pois foi importado da Europa e montado na antiga feira para a comercialização do pescado ali desembarcado. A fotografia de Ernst Lohse, tirada no ano da inauguração desse mercado (1902), mostra uma das laterais do edifício, com suas pequenas lojas voltadas para a rua. Ao fundo, vê-se os mastros dos barcos fundeados na doca, o necrotério e galpões do porto. Os transeuntes, incluindo o cachorro e a mulher que leva um paneiro à cabeça, à esquerda, dão movimento à cena.</p>
<p>A outra foto, reproduzida em papel e em estado de conservação delicado, é um registro bem mais raro. Foi feito pelo botânico suíço Jacques Huber (1867-1914), antes de 1910. Huber apontou a lente da câmera não para o mercado de ferro, mas para a feira que se estendia entre ele e o porto – escolha pouco usual entre os fotógrafos da época. Em primeiro plano, à esquerda, vários carros de mão estão posicionados lado a lado. Não é possível depreender se os homens presentes vendem algum produto ou se aguardam pedidos para transportar algo. À direita, trabalhadores preparam caixas de madeira para serem embarcadas em um navio. Muitas pessoas aparecem ao fundo, assim como um galpão do porto, um pequeno quiosque, mastros, postes de ferro, um cavalo e uma pilha de paneiros, embalagem bastante comum ainda hoje para o transporte de gêneros alimentícios. A mureta que separava a feira da praia, à direita, comprova a data da imagem. Essa mureta existiu até o início das obras de ampliação do porto, a partir de 1907 (Penteado, 1973; Teixeira, 2003).</p>
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<div style="width: 711px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/14234" target="_blank"><img src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/bitstream/handle/20.500.12156.1/14234/MPEG645.jpg.jpg?sequence=3&amp;isAllowed=y" alt="Thumbnail" width="701" height="503" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/14234" target="_blank">Mercado do Ver-o-Peso, c. 1902. Belém, PA / Acervo Museu Paraense Emílio Goeldi</a></p></div>
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<div style="width: 710px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/14261" target="_blank"><img src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/bitstream/handle/20.500.12156.1/14261/Ver-o-Peso_manipulada.JPG.jpg?sequence=3&amp;isAllowed=y" alt="Thumbnail" width="700" height="493" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/14261" target="_blank">Jacques Huber, Feira do Ver-o-Peso, antes de 1910. Belém, PA / Acervo Museu Paraense Emílio Goeldi</a></p></div>
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<p><strong><span style="color: #800000;">Os quintais de Belém</span></strong></p>
<p>Os quintais de Belém foram mencionados por muitos viajantes desde o século XVIII. Por exemplo, o naturalista luso-brasileiro Alexandre Rodrigues Ferreira (1756-1815), que chegou à cidade em 1783, notou a grande diversidade de vegetais cultivados em quintais e chácaras. Ele concluiu, em suas próprias palavras, que eram “espaços de experimentação”, isto é, locais onde as plantas trazidas do interior eram introduzidas e domesticadas pelos colonos (Sanjad, Pataca, Santos, 2021). Podemos considerá-los verdadeiros laboratórios, que cumpriram uma função essencial no processo de globalização de espécies vegetais amazônicas. Ainda hoje são estudados como repositórios de conhecimentos etnobotânicos, como bancos de diversidade genética e local de sociabilidade familiar e feminina (WinklerPrins e Oliveira, 2010; Tourinho e Silva, 2016).</p>
<p>Em Belém restam muito poucos quintais e nenhuma chácara ou “rocinha” – o nome que se dava até meados do século XX para pequenas unidades de produção agrícola, localizadas na periferia da cidade e associadas a uma casa de família (Soares, 1996). Temos, contudo, registros fotográficos desses quintais, feitos no início do XX por Jacques Huber. Na foto abaixo, tirada em 17 de setembro de 1902, vê-se uma esquina da Estrada Boaventura da Silva (atual Rua Boaventura da Silva), onde uma enorme <em>Cassia fastuosa</em> se ergue em flor por trás de uma cerca de estacas. Essa cerca e a rua perpendicular à estrada, sem calçamento e bem arborizada, com alguns poucos transeuntes, dão um ar bucólico à cena, apesar de este quintal estar localizado bem próximo ao centro da cidade.</p>
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<div style="width: 711px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/14254" target="_blank"><img src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/bitstream/handle/20.500.12156.1/14254/MPEG659.jpg.jpg?sequence=3&amp;isAllowed=y" alt="Thumbnail" width="701" height="504" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/14254" target="_blank">Rua Boaventura da Silva, s/d. Belém, PA / Acervo Museu Paraense Emílio Goeldi</a></p></div>
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<p>As três fotografias abaixo também são registros de quintais, mas das casas ocupadas pelo próprio Museu Goeldi ou pelos seus pesquisadores (Suescun, Sanjad, Okada, 2018). A primeira delas apresenta uma bela composição, com uma cerca de tábuas (tomada por formigueiros), troncos, folhagens, com destaque para os tajás, e, à direita, o canto de uma gaiola. Na foto seguinte, uma cerca também bloqueia a visão do espectador, dando proeminência a um uxizeiro que se ergue à frente, árvore muito comum nos quintais da época, mas, por incrível que pareça, ainda não descrita pelos botânicos. Foi exatamente esse pé de uxi – plantado no pomar da rocinha de Bento José da Silva Santos, que Huber utilizou para descrever a espécie <em>Sacoglottis uchi</em> (atual <em>Endopleura uchi</em> (Huber) Cuatrec.) (Huber, 1898). Finalmente, um pé de urucum (<em>Bixa orellana</em>) tomado por flores e frutos foi registrado em outro quintal. O fruto era (e ainda é) utilizado como condimento e na produção de tintura, matéria-prima do vermelho vibrante utilizado pelos indígenas em pinturas corporais e para colorir artefatos. O homem que aparece bem junto ao arbusto, envolto na folhagem, não foi identificado e muito provavelmente foi ali colocado pelo fotógrafo como escala para a apreensão do real tamanho da planta.</p>
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<div style="width: 710px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/14260" target="_blank"><img src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/bitstream/handle/20.500.12156.1/14260/MPEG1348.jpg.jpg?sequence=3&amp;isAllowed=y" alt="Thumbnail" width="700" height="512" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/14260" target="_blank">Cerca de madeira com formigueiros e tajás, Museu Goeldi, s/d. Belém, PA / Acervo Museu Paraense Emílio Goeldi</a></p></div>
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<div style="width: 500px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/14245" target="_blank"><img src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/bitstream/handle/20.500.12156.1/14245/Estampa%2006.jpg.jpg?sequence=3&amp;isAllowed=y" alt="Thumbnail" width="490" height="700" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/14245" target="_blank">Jacques Huber. Árvore de uxi,  Museu Goeldi, c. 1898. Belém, PA / Acervo Museu Paraense Emílio Goeldi</a></p></div>
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<div style="width: 510px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/14246" target="_blank"><img src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/bitstream/handle/20.500.12156.1/14246/Estampa%2009.jpg.jpg?sequence=3&amp;isAllowed=y" alt="Thumbnail" width="500" height="709" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/14246" target="_blank">Jacques Huber. Urucum no Parque Zoobotânico do Museu Goeldi, antes de 1900. Belém, PA / Acervo Museu Paraense Emílio Goeldi</a></p></div>
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<p><span style="color: #800000;"><strong>A Ilha do Mosqueiro</strong></span></p>
<p>Mosqueiro é uma das 42 ilhas que compõem o município de Belém. É a maior delas, eleita, desde o final do século XIX, como balneário da elite econômica da cidade. Curiosamente, foram os estrangeiros os primeiros a construir casas para o veraneio nas principais praias da ilha. Atribui-se aos ingleses a urbanização dessas praias, a partir da antiga vila localizada na ponta oeste da ilha (Meira Filho, 1978).</p>
<p>Mosqueiro foi visitada por um grupo de funcionários do Museu Goeldi e suas famílias entre o final de julho e o início de agosto de 1901. Essa é a época do verão amazônico. O objetivo da viagem foi declarado no verso de uma das fotografias tiradas por Ernst Lohse, em expressão anotada por Jacques Huber: “Verlobungsausflug nach Mosqueiro”. O termo <em>Verlobungsausflug</em> é utilizado em países de língua alemã para caracterizar uma “viagem de noivado”, isto é, uma viagem a um local considerado especial, com a intenção de oficializar um pedido de casamento. Os locais prediletos dos nubentes eram praias ao pôr-do-sol e montanhas. O compromisso matrimonial era sacramentado durante caminhadas e piqueniques.</p>
<p>O noivado celebrado em Mosqueiro ocorreu entre o próprio Huber e Sophie Müller (1875-1959), filha de uma família suíça residente em Belém, proprietária de uma escola para imigrantes denominada Colégio Suíço-Brasileiro. De sua viagem de noivado existem quatro registros na coleção fotográfica do Museu Goeldi. As duas primeiras imagens documentam a paisagem da ilha, tanto a costa mais elevada que caracteriza a antiga vila (28/07/1901) quanto uma das praias próximas, em maré baixa, ainda margeada por densa vegetação (04/08/1901).</p>
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<div style="width: 712px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/14233" target="_blank"><img src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/bitstream/handle/20.500.12156.1/14233/MPEG644.jpg.jpg?sequence=3&amp;isAllowed=y" alt="Thumbnail" width="702" height="519" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/14233" target="_blank">Ilha de Mosqueiro, 28 de julho de 1901. Ilha do Mosqueiro, Belém, PA / Acervo Museu Paraense Emílio Goeldi</a></p></div>
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<div style="width: 710px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/14262" target="_blank"><img src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/bitstream/handle/20.500.12156.1/14262/Mosqueiro%201.JPG.jpg?sequence=3&amp;isAllowed=y" alt="Thumbnail" width="700" height="488" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/14262" target="_blank">Ernst Lohse. Praia na Ilha do Mosqueiro, 4 de agosto de 1901. Ilha do Mosqueiro, Belém, PA / Acervo Museu Paraense Emílio Goeldi</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>As outras duas imagens foram, certamente, feitas para a memória familiar. Na primeira, de 4 de agosto de 1901, Emílio Goeldi aparece na praia, com um guarda-sol, acompanhado de seu filho mais velho, Walther Eugen (1890-1960) e de um homem não identificado. A segunda registra parte do grupo que celebrava o noivado, posando sobre rochas próximas à água. Goeldi aparece mais elevado, em pose majestática, olhando para o horizonte. Logo abaixo estão suas três filhas, Mathilde (1894-1983), Cornélia (1891-1975) e Leonie (1892-1965). Ao lado, o casal Sophie e Jacques, em trajes muito formais para uma caminhada na praia, um homem e uma menina não identificados e mais dois filhos de Goeldi, Oswaldo (1895-1961) e Walther Eugen. Foi no verso dessa fotografia que Huber anotou a razão da viagem, confirmando o lugar que Mosqueiro já havia assumido para o sociedade belenense. O casamento de Sophie e Jacques foi celebrado em Belém no dia 7 de dezembro de 1901 (Aerni, 1991).</p>
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<div style="width: 712px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/14257" target="_blank"><img src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/bitstream/handle/20.500.12156.1/14257/MPEG733.jpg.jpg?sequence=3&amp;isAllowed=y" alt="Thumbnail" width="702" height="508" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/14257" target="_blank">Ernst Lohse. Praia na Ilha de Mosqueiro, 4de agosto de 1901. Ilha do Mosqueiro, Belém, PA / Acervo Museu Paraense Emilio Goeldi</a></p></div>
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<div style="width: 711px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/14263" target="_blank"><img src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/bitstream/handle/20.500.12156.1/14263/Mosqueiro%202.JPG.jpg?sequence=3&amp;isAllowed=y" alt="Thumbnail" width="701" height="498" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/14263" target="_blank">Ernst Lohse. Passeio à Ilha do Mosqueiro, 4 de agosto de 1901. Ilha do Mosqueiro, Belém, PA / Acervo Museu Paraense Emílio Goeldi</a></p></div>
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<p><span style="color: #800000;"><strong>Cidade-Floresta</strong></span></p>
<p>No final do século XIX, ainda havia muitas áreas florestadas no entorno de Belém. Emílio Goeldi (1897, p. 23), em um de seus relatórios ao governador do Pará, afirmou não ser “preciso ir muito longe [de Belém] para aprender, investigar e até descobrir”, pois havia, nas proximidades da cidade, florestas repletas de animais e vegetais à espera de pesquisadores. De fato, nas coleções e na documentação preservada no Museu Goeldi são frequentes as menções a coletas feitas nos bairros de São Brás, Pedreira, Sacramenta, Marco da Légua, Val de Cans, Utinga e mesmo Nazaré, hoje completamente urbanizados. Os animais e as plantas coletados nesses locais, assim como as fotografias preservadas no Arquivo Guilherme de La Penha, são testemunhos de ambientes, de uma fauna e de uma flora que não existem mais.</p>
<p>Um dos registros mais importantes dos ecossistemas originais de Belém foi publicado por Jacques Huber em 1900. A foto foi feita na  “mata de Jupatituba”, onde hoje se estende o bairro superpovoado da Terra Firme. Huber quis registrar o ambiente onde a palmeira mumbaca (<em>Astrocaryum gynacanthum</em>) ocorre e o fez com extrema habilidade fotográfica. O local era densamente vegetado, com pouca luz e nenhuma distância entre as plantas. Para fotografar a pequena palmeira de sub-bosque, Huber limpou o terreno à frente da planta e posicionou um homem para fazer as vezes de escala. O resultado é uma imagem com belo jogo de sombras e texturas, com a palmeira ocupando o centro da foto.</p>
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<div style="width: 576px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/14243" target="_blank"><img src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/bitstream/handle/20.500.12156.1/14243/Estampa%2002.jpg.jpg?sequence=3&amp;isAllowed=y" alt="Thumbnail" width="566" height="800" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/14243" target="_blank">Jacques Huber. Palmeira Mumbaca, Jupatituba, antes de 1900. Belém, PA / Acervo Museu Paraense Emilio Goeldi</a></p></div>
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<p>Outro local usualmente frequentado pelos pesquisadores do Museu Goeldi era o entorno do Igarapé do Utinga. Nessa região havia muitas nascentes e o local foi escolhido para a instalação da primeira usina de bombeamento de água de Belém, na década de 1880 (Ramos, 2019). Na primeira foto, feita em 1900 por Gottfried Hagmann (1874-1946), vê-se a casa das máquinas a vapor, alguns trabalhadores vestidos apenas com largas calças e um funcionário do museu, possivelmente Andreas Goeldi. A floresta domina a paisagem. A segunda foto, do mesmo autor e feita na mesma data, mostra algo completamente diferente: uma criança negra posa para o fotógrafo, com uma cabana de madeira e palha ao fundo, além da floresta. Podemos crer que a cabana era a residência da família dessa criança – o que corrobora ser as matas do Utinga local de refúgio de afrodescendentes libertos ou escravizados, desde o século XIX. Atualmente, há pelo menos uma comunidade quilombola reconhecida naquela região, o Quilombo de Abacatal (Sousa, Ribeiro e Sanches, 2020).</p>
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<div style="width: 711px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/14253" target="_blank"><img src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/bitstream/handle/20.500.12156.1/14253/MPEG648.jpg.jpg?sequence=3&amp;isAllowed=y" alt="Thumbnail" width="701" height="505" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/14253" target="_blank">Gottfried Hagmann. Mata do Utinga, 1900. Belém, PA / Acervo Museu Paraense Emilio Goeldi</a></p></div>
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<div style="width: 711px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/14264" target="_blank"><img src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/bitstream/handle/20.500.12156.1/14264/Utinga.JPG.jpg?sequence=3&amp;isAllowed=y" alt="Thumbnail" width="701" height="497" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/14264" target="_blank">Gottfried Hagmann. Criança e casa no Utinga, 1900. Igarapé do Utinga, Belém, PA / Acervo Museu Paraense Emílio Goeldi</a></p></div>
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<p>No outro lado da cidade, às margens da Baía de Guajará, o Igarapé do Una também era visitado pelos pesquisadores do Museu Goeldi para coletas botânicas e zoológicas. Hoje em dia, a região do entorno desse igarapé é ocupada pelos bairros do Telégrafo, da Sacramenta e do Barreiro, com cursos d’água completamente degradados e nenhuma cobertura vegetal. Há 120 anos, a paisagem era outra: três fotografias de Jacques Huber, tiradas entre junho de 1901 e dezembro de 1902, mostram uma floresta pujante, observada a partir de uma embarcação que margeava a baía e adentrava a Bacia do Una.</p>
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<div style="width: 711px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/14265" target="_blank"><img src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/bitstream/handle/20.500.12156.1/14265/Una%201.JPG.jpg?sequence=3&amp;isAllowed=y" alt="Thumbnail" width="701" height="509" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/14265" target="_blank">Jacques Huber. Foz do Igarapé do Una, junho de 1901. Igarapé do Una, Belém, PA / Acervo Museu Paraense Emílio Goeldi</a></p></div>
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<div style="width: 498px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/14267" target="_blank"><img class="" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/bitstream/handle/20.500.12156.1/14267/Una%203.JPG.jpg?sequence=3&amp;isAllowed=y" alt="Thumbnail" width="488" height="701" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/14267" target="_blank">Jacques Huber. Vegetação no Igarapé do Una, dezembro de 1902. Igarapé do Una, Belém, PA / Acervo Museu Paraense Emílio Goeldi</a></p></div>
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<div style="width: 516px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/14266" target="_blank"><img src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/bitstream/handle/20.500.12156.1/14266/Una%202.JPG.jpg?sequence=3&amp;isAllowed=y" alt="Thumbnail" width="506" height="702" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/14266" target="_blank">Jacques Huber. Vegetação no Igarapé do Una, dezembro de 1902. Igarapé do Una, Belém, PA / Acervo Museu Paraense Emílio Goeldi</a></p></div>
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<p>Um pouco mais ao norte da Foz do Una, também às margens da Baía de Guajará, localizava-se a Fazenda Val-de-Cans, antiga propriedade dos Padres Mercedários, construída no século XVII (Meira Filho, 1976). No final do século XIX, a fazenda pertencia a Joaquim Francisco de Araújo Danin. A partir de 1907, foi sendo desmembrada pelos herdeiros e pelas desapropriações feitas pelo governo em benefício da Estrada de Ferro Belém-Bragança e da companhia inglesa responsável pela construção do porto. Na década de 1930, a área foi escolhida para receber o aeroporto de Belém e, depois, a base aérea norte-americana, durante a Segunda Guerra Mundial. Na década seguinte, ali também foram instalados a Base Naval de Val-de-Cans e o Terminal Petroquímico de Miramar. Todo esse complexo deu origem aos atuais bairros que margeiam o aeroporto e a base naval, como a Maracangalha, o Marex, a Pratinha, o Bengui, a Cabanagem e o Tapanã (Ventura Neto e Moura, 2021; Lopes <em>et al.</em>, 2023; Costa, Chagas e Netto, 2025).</p>
<p>Existem alguns poucos registros fotográficos da antiga fazenda que deu origem à toda a região norte de Belém, até o distrito de Icoaraci. O levantamento fotográfico feito por Gottfried Hagmann em julho de 1901 talvez seja o menos conhecido. Aqui apresentamos uma sequência de fotografias feitas durante uma excursão do Museu Goeldi, que documenta a sede da fazenda, as margens da baía e o interior da floresta. Na última delas, Hagmann aparece de pé, com roupas brancas, portando uma espingarda. O outro homem carrega um puçá aos ombros e o menino sentado pesca com uma vara no igarapé.</p>
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<div style="width: 712px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/14268" target="_blank"><img src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/bitstream/handle/20.500.12156.1/14268/Val-de-Cans%201.JPG.jpg?sequence=3&amp;isAllowed=y" alt="Thumbnail" width="702" height="509" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/14268" target="_blank">Gottfried Hagmann. Sede da Fazenda de Val-de-Cans, julho de 1901. Fazenda Val-de-Cans, Belém, PA / Acervo Museu Paraense Emílio Goeldi</a></p></div>
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<div style="width: 711px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/14269" target="_blank"><img src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/bitstream/handle/20.500.12156.1/14269/Val-de-Cans%202.JPG.jpg?sequence=3&amp;isAllowed=y" alt="Thumbnail" width="701" height="477" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/14269" target="_blank">Gottfried Hagmann. Antigo trapiche na Fazenda de Val-de-Cans, julho de 1901. Fazenda Val-de-Cans, Belém, PA / Acervo Museu Paraense Emílio Goeldi</a></p></div>
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<div style="width: 712px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/14270" target="_blank"><img src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/bitstream/handle/20.500.12156.1/14270/Val-de-Cans%203.JPG.jpg?sequence=3&amp;isAllowed=y" alt="Thumbnail" width="702" height="493" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/14270" target="_blank">Gottfried Hagmann. Vegetação na Fazenda de Val-de-Cans, julho de 1901. Fazenda Val-de-Cans, Belém, PA / Acervo Museu Paraense Emílio Goeldi</a></p></div>
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<div style="width: 508px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/14271" target="_blank"><img class="" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/bitstream/handle/20.500.12156.1/14271/Val-de-Cans%204.JPG.jpg?sequence=3&amp;isAllowed=y" alt="Thumbnail" width="498" height="700" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/14271" target="_blank">Gottfried Hagmann. Grupo de naturalistas na Fazenda de Val-de-Cans, julho de 1901. Fazenda Val-de-Cans, Belém, PA / Acervo Museu Paraense Emílio Goeldi</a></p></div>
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<p>Assim como as áreas continentais, as ilhas no entorno de Belém também mereceram a atenção dos pesquisadores do Museu Goeldi. A maior delas é a Ilha do Mosqueiro, já aqui mencionada. A mais populosa é a Ilha de Caratateua, onde fica o distrito de Outeiro. Em todas elas existem ecossistemas complexos, alternando-se entre várzeas, igapós, praias e manguezais (Moreira, 1966; Sales, 2005). As duas fotos abaixo documentam a várzea da Ilha das Onças, que não pertence a Belém, e sim ao município vizinho de Barcarena, embora essa ilha esteja mais próxima e seja mais integrada à economia da capital. Ambas as fotos são de Hagmann, feitas em 1901.</p>
<p>A primeira é um belo registro de um dos igarapés que cortam a ilha, enquadrado a partir do tronco de uma samaumeira, à esquerda. Em primeiro plano, destacam-se a lama característica da várzea amazônica e restos de uma canoa e de uma jangada. Um aningal aparece à margem do outro lado do igarapé. A segunda foto parece ser um igapó ou uma várzea inundada durante uma maré muito alta, com a vegetação parcialmente submersa. Ambas são preciosos documentos de uma paisagem característica de Belém, na qual a água é o elemento preponderante. Hoje essa paisagem desapareceu por completo da cidade, mas as ilhas do entorno, felizmente, pouco mudaram desde que Hagmann lá esteve, há mais de 120 anos.</p>
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<div style="width: 712px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/14258" target="_blank"><img src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/bitstream/handle/20.500.12156.1/14258/MPEG767.jpg.jpg?sequence=3&amp;isAllowed=y" alt="Thumbnail" width="702" height="506" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/14258" target="_blank">Gottfried Hagmann. Ilha das Onças, 1901. Barcarena, PA / Acervo Museu Paraense Emílio Goeldi</a></p></div>
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<div style="width: 721px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/14272" target="_blank"><img src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/bitstream/handle/20.500.12156.1/14272/Ilha%20das%20Oncas.JPG.jpg?sequence=3&amp;isAllowed=y" alt="Thumbnail" width="711" height="495" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/14272" target="_blank">Gottfried Hagmann. Várzea na Ilha das Onças, 1901. Ilha das Onças, Barcarena, PA / Acervo Museu Paraense Emílio Goeldi</a></p></div>
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<p><span style="color: #800000;"><strong>Floresta-Ruína</strong></span></p>
<p>De todos os pesquisadores do Museu Goeldi que manejaram a máquina fotográfica no final do século XIX e início do XX, Jacques Huber foi o único que criou um conjunto significativo de imagens, não apenas em razão do número de fotos assinadas ou atribuídas a ele, mas por ter desenvolvido uma técnica e uma estética particulares. Esse mérito já foi reconhecido por historiadores da fotografia e da ciência (Fieschi, 2008; Sanjad, 2016, 2023a, 2023b), não cabendo aqui retomar o assunto. O que importa ressaltar é que a linguagem fotográfica de Huber contrasta com a produção imagética de outro grande fotógrafo da instituição, Ernst Lohse. Isso decorre da posição que ambos ocupavam no museu e dos usos atribuídos por eles à tecnologia fotográfica. Enquanto Lohse aparece como o fotógrafo “oficial” do Museu Goeldi, produzindo imagens que documentam as atividades institucionais e a serviço de demandas da direção do museu ou do próprio governo do estado, Huber, enquanto vice-diretor e depois diretor, tinha muito mais liberdade para experimentar a aplicação da fotografia em suas atividades científicas e até mesmo para forçar os limites dessa tecnologia enquanto meio de expressão e documentação. A série de fotografias do Círio de Nazaré, produzida entre 1902 e 1905, e o álbum iconográfico “Arboretum Amazonicum”, publicado entre 1900 e 1906, têm sido estudados como indícios do poder criativo de Huber e de sua capacidade em expandir a técnica fotográfica e as tecnologias de reprodução de imagens.</p>
<p>Um bom exemplo do contraste entre Lohse e Huber pode ser observado nas fotografias que ambos fizeram de Belém. Lohse, como já vimos, produziu imagens extraordinárias da cidade que se modernizava, com todos os ícones característicos da época: a locomotiva, a arquitetura de ferro, a rede de iluminação pública, o calçamento de ruas, os trabalhadores braçais etc. Huber, por sua vez, ao olhar para Belém, não via uma cidade em expansão ou o processo acelerado de urbanização, mas uma floresta que estava desaparecendo, sendo substituída, se arruinando. Trata-se de uma inversão epistêmica, que repõe, no lugar do humano, o vegetal como o principal protagonista das imagens que ele criou.</p>
<p>Observemos a sequência de fotografias que Huber fez ao redor do próprio museu, à época, localizado na periferia da cidade, o bairro de São Brás, que, como já mencionamos, transformava-se rapidamente. A primeira delas é o registro da Travessa Vinte e Dois de Junho (atual Av. Alcindo Cacela), que passa ao lado do Museu Goeldi. Na foto, produzida em abril de 1896, observamos a larga avenida, ainda ocupada por chácaras de ambos os lados. Alguns poucos transeuntes e uma única carruagem, talvez a do próprio Huber, foram enquadrados, dando a impressão de grande quietude ou pouco movimento urbano. Mas veja o leitor que o destaque não foi dado para a grande rua vazia, uma das muitas abertas em Belém no final do século XIX e que atraíram a atenção de tantos viajantes. Huber utiliza as margens da avenida como ponto de fuga, para dar profundidade à sua foto e para ressaltar o lindo pé de angelim (<em>Andira retusa</em>) “esquecido” no meio fio. Sim, trata-se de um remanescente da floresta que havia naquele local – e que não foi removido por razões imponderáveis. Ele permaneceu ali, no meio do caminho, como árvore-ruína.</p>
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<div style="width: 710px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/14248" target="_blank"><img class="" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/bitstream/handle/20.500.12156.1/14248/Estampa%2014.jpg.jpg?sequence=3&amp;isAllowed=y" alt="Thumbnail" width="700" height="498" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/14248" target="_blank">Jacques Huber. Árvore Angelim na Travessa Vinte e Dois de Junho, abril de 1896. Belém, PA / Acervo Museu Paraense Emílio Goeldi</a></p></div>
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<p>Na Estrada da Constituição (atual Av. Gentil Bittencourt), que passa nos fundos do museu, Huber registrou em junho de 1896 outro habitante da antiga floresta que dominava a cidade: um enorme exemplar de cumaru (<em>Dipteryx odorata</em>), também mantido no meio do caminho da estrada que estava sendo ampliada e rapidamente ocupada por novos habitantes – os humanos. Um pouco mais adiante, já no Largo de São Brás, um visgueiro (<em>Parkia pendula</em>) resiste em meio à construção de várias casas. A foto foi feita em 18 de setembro de 1895. O mesmo acontecia com um segundo visgueiro, também fotografado no Largo de São Brás, mas em data incerta. Nessa terceira imagem, a copa da árvore aparece junto aos postes da fiação elétrica e da iluminação pública, como se já fosse um incômodo ou um obstáculo à expansão da cidade.  Esse antigo habitante da floresta parece deslocado de seu próprio chão.</p>
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<div style="width: 509px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/14247" target="_blank"><img src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/bitstream/handle/20.500.12156.1/14247/Estampa%2013.jpg.jpg?sequence=3&amp;isAllowed=y" alt="Thumbnail" width="499" height="700" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/14247" target="_blank">Jacques Huber. Árvore de Cumarú na Estrada Gentil Bittencourt, junho de 1896. Belém, PA / Acervo Museu Paraense Emílio Goeldi</a></p></div>
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<div style="width: 515px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/14251" target="_blank"><img src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/bitstream/handle/20.500.12156.1/14251/Estampa%2036.jpg.jpg?sequence=3&amp;isAllowed=y" alt="Thumbnail" width="505" height="700" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/14251" target="_blank">Jacques Huber. Visgueiro no Largo de São Brás, 18 de setembro de 1895. Belém, PA / Acervo Museu Paraense Emílio Goeldi</a></p></div>
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<div style="width: 712px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/14232" target="_blank"><img src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/bitstream/handle/20.500.12156.1/14232/MPEG641.jpg.jpg?sequence=3&amp;isAllowed=y" alt="Thumbnail" width="702" height="529" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/14232" target="_blank">Jacques Huber. Visgueiro no Largo de São Brás, s/d. Belém, PA / Acervo Museu Paraense Emilio Goeldi</a></p></div>
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<p>Huber seguiu registrando as árvores-ruína pela Estrada de Ferro Belém-Bragança (atual Av. Almirante Barroso), que saia dali mesmo, do Largo de São Brás. No bairro vizinho do Marco, fotografou um bacurizeiro (<em>Platonia insignis</em>) por trás do edifício da Escola de Agronomia do Pará, do qual só se veem as torres e os prédios anexos. Mais adiante, uma outra árvore permaneceu de pé junto a uma casa, à margem da estrada de ferro. Parece ser o único remanescente da floresta original em toda a redondeza.</p>
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<div style="width: 512px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/14259" target="_blank"><img class="" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/bitstream/handle/20.500.12156.1/14259/MPEG829.jpg.jpg?sequence=3&amp;isAllowed=y" alt="Thumbnail" width="502" height="698" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/14259" target="_blank">Jacques Huber. Bacurizeiro no Marco da Légua, s/d. Belém, PA / Acervo Museu Paraense Emílio Goeldi</a></p></div>
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<div style="width: 513px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/14256" target="_blank"><img src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/bitstream/handle/20.500.12156.1/14256/MPEG724.jpg.jpg?sequence=3&amp;isAllowed=y" alt="Thumbnail" width="503" height="700" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/14256" target="_blank">Jacques Huber. Árvore na beira da Estrada de Ferro, s/d. Belém, PA / Acervo Museu Paraense Emílio Goeldi</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>Além da solidão de grandes árvores mantidas vivas em meio à cidade, quando todo o seu entorno já havia sido devastado, Huber documentou ecossistemas naturais que ainda existiam na zona urbana. Um deles foi o igapó ao sul do Museu Goeldi, onde hoje está o canal da Travessa Três de Maio. Em junho de 1896, a área ainda não havia sido ocupada pelos humanos: não havia rua, a mata dominava o cenário e o curso d’água corria livremente até o rio Guamá. Ao longo do século XX, o igapó foi drenado e canalizado. Suas águas transformaram-se em esgoto a céu aberto, percorrendo os bairros da Condor e do Guamá. É considerado uma sub-bacia hidrográfica em uma área densamente ocupada (Araújo Júnior, 2014). Nenhuma parcela da vegetação registrada por Huber foi mantida.</p>
<p>Outro igapó preservado até o final do século XIX ficava ao sul da igreja de Nossa Senhora de Nazaré, onde atualmente corre a Travessa Quatorze de Março. Na fotografia de Huber, datada de junho de 1896, um grupo de homens, mulheres e crianças, todos aparentemente negros, aparece em meio à vegetação, em uma área que parece estar em declive até um curso d’água. Ao fundo, vê-se uma igreja com torre única, em área mais elevada. Na legenda da foto, anotada no verso por Huber, lê-se: “Kirche von Nazareth, in vordergrund Igapó” (Igreja de Nazaré; em primeiro plano, igapó). Assim como na Travessa Três de Maio, o igarapé original foi drenado, canalizado e transformado em esgoto a céu aberto. Ele compõe uma outra sub-bacia hidrográfica, indo unir-se aos canais que descem da Avenida Generalíssimo Deodoro e da Travessa Dr. Moraes, para depois desaguar no Rio Guamá pelo canal da Travessa Quintino Bocaiúva (Araújo Júnior, 2014).</p>
<p>&nbsp;</p>
<div style="width: 507px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/14273" target="_blank"><img class="" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/bitstream/handle/20.500.12156.1/14273/Igapo%20sul%20do%20museu.JPG.jpg?sequence=3&amp;isAllowed=y" alt="Thumbnail" width="497" height="701" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/14273" target="_blank">Jacques Huber. Igapó, junho de 1896. Belém, PA / Acervo Museu Paraense Emílio Goeldi</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<div style="width: 711px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/14274" target="_blank"><img src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/bitstream/handle/20.500.12156.1/14274/Kirche%20von%20Nazareth.jpg.jpg?sequence=3&amp;isAllowed=y" alt="Thumbnail" width="701" height="485" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/14274" target="_blank">Jacques Huber. Igapó (Travessa Quatorze de Março), junho de 1896. Belém, PA / Acervo Museu Paraense Emílio Goeldi</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>O registro das transformações nos ambientes naturais de Belém também foi feito por Ernst Lohse. Por exemplo, em fotografia de 15 de agosto de 1901, feita em local não identificado, um igarapé repleto de ninfeias aparece em primeiro plano, enquanto, ao fundo, à esquerda, um conjunto de edificações começa a substituir a vegetação. O contraste com o ambiente natural é evidente – e anuncia que, em breve, toda aquela mata que aparece à direita desaparecerá, assim como o curso d’água à frente.</p>
<p>&nbsp;</p>
<div style="width: 572px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/14275" target="_blank"><img src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/bitstream/handle/20.500.12156.1/14275/Ninfeia.JPG.jpg?sequence=3&amp;isAllowed=y" alt="Thumbnail" width="562" height="800" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/14275" target="_blank">Ernst Lohse. Igapó, 15 de agosto de 1901. Belém, PA / Acervo Museu Paraense Emilio Goeldi</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>Nessa imagem, assim como no conjunto fotográfico de Huber, a presença humana, seja explícita ou sugerida, como no caso das casas em construção ou de um simples trilho de trem, já caracteriza o entorno como ruína ou resto. A solidão de imensas árvores em ambiente já urbanizado as transforma em destroços, em fantasmas que sobrevivem à destruição. A cidade que se modernizava era, também, a que degradava um mundo de águas e vegetais, um mundo que deixou de existir ou que estava prestes a sucumbir. Através dessas fotografias pode-se contar a história de Belém de uma outra maneira, caso nos permitamos estranhar as narrativas que exaltam a modernidade e se ufanam do progresso.</p>
<p><strong> </strong></p>
<p><span style="color: #800000;"><strong>O que as imagens antigas podem nos contar</strong></span></p>
<p>A leitura que fizemos das 34 fotografias aqui apresentadas é muito particular. Ela tem origem nas investigações que desenvolvemos no Arquivo Guilherme de La Penha, voltadas, simultaneamente, para as técnicas fotográficas utilizadas no Museu Goeldi desde o final do século XIX, para os usos das imagens pelos pesquisadores e administradores da instituição, para a circulação e para o contexto de produção dessas imagens. Nosso universo de pesquisa inclui fotografias produzidas por Emilio Goeldi, Jacques Huber, Ernst Lohse, Gottfried Hagmann, Emilia Snethlage, Andreas Goeldi, Friedrich Katzer, Adolf Ducke, Rodolpho de Siqueira Rodrigues e outros funcionários que sabiam manejar a máquina e a carregavam toda vez que se deslocavam pela cidade de Belém e pelas excursões que faziam no território amazônico.</p>
<p>Os registros produzidos por esses homens e por essas mulheres podem nos contar muito sobre os habitantes da região, humanos e não humanos; sobre as paisagens do passado, a cultura material, a arquitetura de cidades; sobre nosso legado colonial e também sobre nossa perspectiva de futuro. Esperamos que, ao estudar e interpretar esse acervo, possamos valorizá-lo no que ele tem de melhor: a diversidade de olhares e de percepções do mundo que nos rodeia.</p>
<p>&nbsp;</p>
<div>* Lilian Bayma de Amorim, é jornalista e museóloga; Nelson Sanjad é historiador e Pablo Borges é administrador especialista em gestão pública. São todos servidores do Museu Paraense Emilio Goeldi.</div>
<p>&nbsp;</p>
<p><span style="color: #800000;"><strong>Referências:</strong></span></p>
<p style="text-align: justify;">AERNI, Agathon. <em>Jacques (Jakob) Huber.</em> <em>Schaffhauser Beiträge zur Geschichte (Biographien V)</em>, Schaffhausen, v. 68, p. 87-93, 1991.</p>
<p>ARAÚJO JÚNIOR, Antônio Carlos Ribeiro. <em>Áreas de Proteção Permanente ou Áreas de Ocupação Permanente: sub-bacias hidrográficas Quintino e Três de Maio, Belém (PA).</em> Seminário Nacional sobre o Tratamento de Áreas de Preservação Permanente em Meio Urbano e Restrições Ambientais ao Parcelamento do Solo – APPUrbana, Anais. Belém, Universidade Federal do Pará, 2014, s.p.</p>
<p>BORGES, Barsanufo Gomides. <em>Ferrovia e modernidade</em>. Revista UFG, v. 13, n. 11, p. 27-36, 2011.</p>
<p>COSTA, Antônio Cleison; CHAGAS, Clay Anderson; NETTO, Roberto Magno. <em>Materialidade e resistências na Amazônia urbana: pensando os aspectos socioespaciais da historicidade do bairro Cabanagem em Belém/PA</em>. Revista da Casa da Geografia de Sobral, v. 27, n. 1, p. 161-180, 2025.</p>
<p>CRUZ, Ernesto. <em>O Ver-o-Peso: um capítulo da história colonial do Pará</em>. Revista de História USP, v. 24, n. 50, p. 519-526, 1962.</p>
<p>DERENJI, Jussara. <em>Arquitetura do ferro: memória e questionamento</em>. Belém: CEJUP, 1993.</p>
<p>FIESCHI, Caroline. <em>Photographier les plantes au XIXe siècle: la photographie dans les livres de botanique</em>. Paris : CTHS Éditions, 2008.</p>
<p>GOELDI, Emílio. <em>Relatório apresentado pelo Director do Museu Paraense ao Sr. Dr. Lauro Sodré, Governador do Estado do Pará</em>. Boletim do Museu Paraense de História Natural e Ethnographia, Belém, v. 2, n. 1, p. 1-27, 1897.</p>
<p>HUBER, Jacques. <em>Notícia sobre o “Uchi” (Saccoglottis uchi nov. spec.)</em>. Boletim do Museu Paraense de Historia Natural e Ethnographia, Belém, v. 2, n. 4, p. 489-495, 1898.</p>
<p>HUBER, Jacques. <em>Arboretum Amazonicum</em>. Iconographia dos mais importantes vegetaes espontâneos e cultivados da região amazonica. Primeira década (1-10). Belém: Museu Paraense de História Natural e Ethnographia, 1900a.</p>
<p>HUBER, Jacques. <em>Arboretum Amazonicum</em>. Iconographia dos mais importantes vegetaes espontâneos e cultivados da região amazonica. Segunda década (11-20). Belém: Museu Paraense de História Natural e Ethnographia, 1900b.</p>
<p>HUBER, Jacques. <em>Arboretum Amazonicum.</em> Iconographia dos mais importantes vegetaes espontâneos e cultivados da região amazonica. Terceira década (21-30). Belém: Museu Paraense de História Natural e Ethnographia, 1906a.</p>
<p>HUBER, Jacques. <em>Arboretum Amazonicum</em>. Iconographia dos mais importantes vegetaes espontâneos e cultivados da região amazonica. Quarta década (31-40). Belém: Museu Paraense de História Natural e Ethnographia, 1906b.</p>
<p>LOPES, Rebeca; LIMA, José Júlio; FISCHER, Luly; MIRANDA, Thales. <em>Presença militar na Amazônia e seus impactos urbanos: a ocupação do Cinturão Institucional de Belém</em>. Revista Amazônia Moderna, v. 3, p. 1-34, 2023.</p>
<p>MEIRA FILHO, Augusto. <em>Evolução histórica de Belém do Grão-Pará</em>. Volume 1. Belém: Grafisa, 1976.</p>
<p>MEIRA FILHO, Augusto. <em>Mosqueiro: ilhas e vilas</em>. Belém: Grafisa, 1978.</p>
<p>MOREIRA, Eidorfe. <em>Belém e sua expressão geográfica</em>. Belém: Imprensa Universitária, 1966.</p>
<p>PALÁCIOS, Flávia; SANJAD, Thaís; OLIVEIRA, Mário. <em>A trajetória da arquitetura de ferro em Belém (PA, Brasil): do apogeu ao desaparecimento dos edifícios inteiramente metálicos da Belle Époque.</em> Revista Angelus Novus, v. 15, n. 20, 211433, 2024.</p>
<p>PENTEADO, Antônio Rocha. <em>O sistema portuário de Belém.</em> Belém: Universidade Federal do Pará, 1973.</p>
<p>RAMOS, Marina Fonseca. <em>A história de uma ausência: a caixa d’água de Belém</em>. Monografia (Curso de Arquitetura e Urbanismo), Universidade Federal do Pará, 2019.</p>
<p>SALES, Gil Mendes. <em>Ecologia da paisagem da Ilha de Mosqueiro, NE do Estado do Pará</em>. Dissertação (Mestrado em Geologia). Universidade Federal do Pará, Instituto de Geociências, 2005.</p>
<p>SANJAD, Nelson. <em>De Basileia a Belém: a carreira transnacional do botânico Jacques Huber (1867-1914)</em>. In: CAVALCANTE, Maria Juraci; HOLANDA, Patrícia; LUSTOSA, Francisca; DIAS, Roberto (Orgs.). Histórias da Pedagogia, Ciência e Religião: discursos e correntes de cá e do além-mar. Fortaleza: Edições UFC, 2016. p. 159-181.</p>
<p>SANJAD, Nelson. <em>O moderno nas imagens híbridas de Jacques Huber</em>. In: Heloisa Espada (Org.). Moderna pelo avesso: fotografia e cidade, Brasil, 1890-1930. São Paulo: Instituto Moreira Salles, 2023a. p. 34-42.</p>
<p>SANJAD, Nelson.<em> O Círio negro de Jacques Huber</em>. Portal Ensaio, 19 set. 2023b. Disponível em: https://medium.com/@ensaio/o-c%C3%ADrio-negro-de-jacques-huber-6b21e4502689. Acesso em: 21 dez. 2025.</p>
<p>SANJAD, Nelson; PATACA, Ermelinda; SANTOS, Rafael Rogério Nascimento. <em>Knowledge and Circulation of Plants: Unveiling the Participation of Amazonian Indigenous Peoples in the Construction of Eighteenth and Nineteenth Century Botany</em>. Journal of History of Science and Technology – HoST, v. 15, p. 11-38, 2021.</p>
<p>SILVA, Rosário Lima; FERNANDES, Paulo Chaves. <em>Belém da Saudade: a memória de Belém do início do século em cartões-postais</em>. Belém: Secult, 1996.</p>
<p>SOARES, Roberto de la Rocque. <em>Vivendas rurais do Pará: rocinhas e outras (do século XIX ao XX)</em>. Belém: Fumbel, 1996.</p>
<p>SOUSA, Eliezilda Oliveira; RIBEIRO, Priciane Cristina C.; SANCHES, Heloisa Negri. <em>Os reflexos socioambientais da expansão metropolitana de Belém sobre a Comunidade Remanescente Quilombola de Abacatal</em> (CRQA). Cerrados, v. 18, n. 1, p. 129-158, 2020.</p>
<p>SUESCUN, Lilian; SANJAD, Nelson; OKADA, Wanda. <em>Construção do espaço museal: ciência, educação e sociabilidade na gênese do Parque Zoobotânico do Museu Goeldi (1895-1914)</em>. Anais do Museu Paulista: História e Cultura Material, v. 26, p. 1-67, 2018.</p>
<p>TEIXEIRA, Luciana Guimarães.<em> Intervenções em áreas portuárias e revitalização urbana: o caso da zona portuária de Belém do Pará.</em> Dissertação (Mestrado em Arquitetura e Urbanismo) – Universidade Presbiteriana Mackenzie, São Paulo, 2003.</p>
<p>TOURINHO, Helena Lucia Zagury; SILVA, Maria Goreti Costa A. <em>Quintais urbanos: funções e papéis na casa brasileira e amazônica.</em> Boletim do Museu Paraense Emílio Goeldi. Ciências Humanas, v. 11, n. 3, p. 633-651, 2016.</p>
<p>VENTURA NETO, Raul; MOURA, Beatriz. <em>Das linhas (in)visíveis da Fazenda Val-De-Cães aos muros e condomínios fechados da Nova Belém.</em> In: LIMA, José Júlio Ferreira (Org.). Mudanças espaciais e no modo de morar na Nova Belém. Belém: Paka-Tatu, 2021. p. 43-68.</p>
<p>WINKLERPRINS, Antoinette; OLIVEIRA, Perpetuo Socorro S. <em>Urban agriculture in Santarém, Pará, Brazil: diversity and circulation of cultivated plants in urban homegardens</em>. Boletim do Museu Paraense Emílio Goeldi. Ciências Humanas, v. 5, n. 3, p. 571-585, 2010.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: center;"><span style="color: #800000;"><em><strong> Repercussão na imprensa do Pará</strong></em></span></p>
<p>Na edição do <em>Diário do Pará</em> dos dias 10 e 11 de janeiro de 2026 foi publicado o artigo <span style="color: #800000;"><em><strong>Belém em imagens raras: acervo histórico ganha primeira exposição digital</strong></em></span>, com chamada na capa do jornal, sobre a entrada do Museu Paraense Emílio Goeldi na Brasiliana Fotográfica.</p>
<p><a href="https://dol.com.br/digital/Page?editionId=3342#book/13" target="_blank"><span style="color: #800000;">Link do artigo: https://dol.com.br/digital/Page?editionId=3342#book/13</span></a></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><a href="https://dol.com.br/digital/Page?editionId=3342#book/" target="_blank"><img class=" size-full wp-image-42512 aligncenter" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2026/01/goeldijornal1.jpg" alt="goeldijornal1" width="195" height="367" /></a></p>
<p style="text-align: center;"><a href="https://dol.com.br/digital/Page?editionId=3342#book/" target="_blank"><img class="alignnone size-full wp-image-42513" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2026/01/goeldijornal2.jpg" alt="goeldijornal2" width="215" height="228" /></a></p>
<p style="text-align: center;"> <a href="https://dol.com.br/digital/Page?editionId=3342#book/13" target="_blank"><img class="alignnone size-full wp-image-42514" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2026/01/goeldijornal3.jpg" alt="goeldijornal3" width="235" height="444" /></a></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Na edição de <em>O Liberal</em>, de 19 de janeiro de 2026, foi publicado o artigo <em>Belém do passado no portal Brasiliana</em>:</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2026/01/goeldi6.jpg"><img class="alignnone size-full wp-image-42609" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2026/01/goeldi6.jpg" alt="goeldi6" width="797" height="484" /></a><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2026/01/goeldi7.jpg"><img class="alignnone size-full wp-image-42610" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2026/01/goeldi7.jpg" alt="goeldi7" width="799" height="468" /></a><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2026/01/goeldi8.jpg"><img class="alignnone size-full wp-image-42611" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2026/01/goeldi8.jpg" alt="goeldi8" width="799" height="444" /></a></p>
]]></content:encoded>
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		<title>Oswaldo Cruz, o Dr. Photographo, em Paris</title>
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		<pubDate>Tue, 13 May 2025 12:44:20 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Andrea Wanderley]]></dc:creator>
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		<description><![CDATA[No artigo de hoje, de autoria da jornalista Cristiane d´Avila e da historiadora Ana Luce Girão, ambas da Casa de Oswaldo Cruz/Fiocruz, uma das instituições parceiras da Brasiliana Fotográfica, são divulgadas imagens inéditas de Paris, realizadas em 1907, "frutos do olhar de um célebre autor: Oswaldo Cruz". Estão sob a guarda do arquivo histórico do Departamento de Arquivo e Documentação da Casa de Oswaldo Cruz. Com um olhar de "flanêur", o cientista percorre as ruas de Paris produzindo com um "Verascope Richard" fotografias estereoscópicas da cidade. A publicação deste artigo coincide com a realização da Temporada Brasil-França, ano cultural estabelecido pelos presidentes do Brasil e da França, quando uma série de eventos acontecerão entre abril e dezembro deste ano, em ambos os países.]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: left;">No artigo de hoje, de autoria da jornalista Cristiane d´Avila e da historiadora Ana Luce Girão, ambas da Casa de Oswaldo Cruz/Fiocruz, uma das instituições parceiras da Brasiliana Fotográfica, são divulgadas imagens inéditas de Paris, realizadas em 1907, &#8220;frutos do olhar de um célebre autor: Oswaldo Cruz&#8221;.</p>
<p>&nbsp;</p>
<div style="width: 710px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/13337" target="_blank"><img src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/bitstream/handle/20.500.12156.1/13337/br_rjcoc_fo_01_03_v04_48.jpg.jpg?sequence=4&amp;isAllowed=y" alt="Thumbnail" width="700" height="304" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/13337" target="_blank">Oswaldo Cruz. Jardim do Trocadéro com a Torre Eiffel ao fundo, outubro de 1907. Paris, França / Acervo Casa de Oswaldo Cruz</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p><span style="color: #800000;"><a style="color: #800000;" href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/visualizar-grupo-trabalho/413" target="_blank"><strong>Acessando o link para as fotografias de autoria de Oswaldo Cruz produzidas em Paris, em 1907, o leitor poderá magnificar as imagens e verificar todos os dados referentes a elas.</strong></a></span></p>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: left;">O cientista flanou pelas ruas de Paris e produziu fotografias estereoscópicas com um <em>Verascope Richard</em>, sistema de integração entre câmera e visor, que permitia ver imagens em 3D, produzidas a partir de duas fotos quase iguais, porém tiradas de ângulos um pouco diferentes. Eram impressas em uma placa de vidro e reproduziam a sensação de profundidade de maneira bem próxima da visão real. No Brasil se destacaram na produção de registros estereoscópicos o comerciante, colecionador de selos e pinturas e fotógrafo amador carioca <a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=5545" target="_blank">Guilherme dos Santos (1871 &#8211; 1966) </a>e o francês <a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=5809" target="_blank">Revert Henrique Klumb (1826 – c. 1886)</a>, “Photographo da Casa Imperial”, favorito da imperatriz <a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=6798" target="_blank">Teresa Christina</a> e professor de fotografia da <a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=1797">princesa Isabel</a>. A <a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=2492">Casa Leuzinger</a> também produziu fotografias estereoscópicas. A técnica da estereoscopia foi desenvolvida pelo escocês David Brewster (1781 – 1868), em 1844, poucos anos após a <a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=1987" target="_blank">invenção da fotografia</a>. O lançamento do <em>Verascope</em>, pela <em>Maison Richard</em>, na França, em 1893, contribuiu para que a estereoscopia voltasse a se proliferar, atraindo a atenção de fotógrafos amadores e de foto clubes europeus.</p>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_39582" style="width: 362px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://vintageclassiccamera.com/index.php?main_page=product_info&amp;products_id=9463" target="_blank"><img class="size-full wp-image-39582" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2025/04/oswaldo1.jpg" alt="Verascope Richard" width="352" height="291" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://vintageclassiccamera.com/index.php?main_page=product_info&amp;products_id=9463" target="_blank">Verascope Richard</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: center;"><span style="color: #800000;"><em><strong>Oswaldo Cruz, o Dr. Photographo, em Paris</strong></em></span></p>
<p style="text-align: center;"> Cristiane d’Avila e Ana Luce Girão*</p>
<p>&nbsp;</p>
<div style="width: 389px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/11962" target="_blank"><img src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/bitstream/handle/20.500.12156.1/11962/br_rj_coc_fo_01_02_08.jpg.jpg?sequence=3&amp;isAllowed=y" alt="Thumbnail" width="379" height="501" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/11962" target="_blank">Oswaldo Cruz, s/d / Acervo Casa de Oswaldo Cruz</a></p></div>
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<p>Entre os meses de abril e dezembro deste ano, Brasil e França realizam uma série de eventos, em ambos os países, para reforçar as relações diplomáticas bilaterais e as parcerias entre instituições brasileiras e francesas. Trata-se da Temporada Brasil-França, ano cultural estabelecido pelos presidentes Luiz Inácio Lula da Silva (1945-) e Emmanuel Macron (1977-), que coincide com os dez anos do Acordo de Paris e a COP 30, em Belém do Pará, em dezembro próximo. A proposta é debater temas referentes a clima e transição ecológica, diversidade, democracia e globalização equitativa.</p>
<p style="text-align: left;">Motivado pela celebração, o Departamento de Arquivo e Documentação da Casa de Oswaldo Cruz traz a público imagens estereoscópicas inéditas de Paris, sob a guarda do arquivo histórico, datadas de 1907. O ineditismo, nesse caso, tem duplo sentido: além de não divulgadas até então, as imagens são frutos do olhar de um célebre autor: Oswaldo Cruz (1872-1917), em suas deambulações pelas ruas da capital francesa. Neste artigo, seguiremos o caminhante <a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=34024" target="_blank">Dr. Photographo</a>, alcunha carinhosamente atribuída ao médico por estudantes da Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro, em sua <em>flânerie</em> pela cidade-luz, durante a qual registrou suas emblemáticas praças e monumentos.</p>
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<div style="width: 714px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/13334" target="_blank"><img src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/bitstream/handle/20.500.12156.1/13334/br_rjcoc_fo_01_03_v04_78.jpg.jpg?sequence=4&amp;isAllowed=y" alt="Thumbnail" width="704" height="304" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/13334" target="_blank">Oswaldo Cruz. Praça Trocadéro em Paris, outubro de 1907. Paris, França / Acervo Casa de Oswaldo Cruz</a></p></div>
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<p>“Em Paris não se escreve, vive-se.”, sentenciou o genial João do Rio, pseudônimo mais famoso do jornalista e cronista Paulo Barreto (1881-1921), em carta ao amigo português, o poeta e pedagogo João de Barros (1881-1960), em fevereiro de 1909<a href="#_edn1" name="_ednref1">[i]</a>. O sentimento captado pelo <em>flâneur</em> da alma encantadora das ruas pode ter igualmente arrebatado seu contemporâneo na Academia Brasileira de Letras, o cientista Oswaldo Cruz , que viveu a cidade-luz registrando suas praças e monumentos por estereoscópio<a href="#_edn2" name="_ednref2"><em><strong>[ii]</strong></em></a>. Homem de seu tempo atento aos avanços tecnológicos da modernidade, Oswaldo parece ter se deslumbrado com a capital francesa, lócus da <em>belle époque</em> por excelência, o que o declara nas imagens aqui publicadas.</p>
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<div style="width: 714px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/13338" target="_blank"><img src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/bitstream/handle/20.500.12156.1/13338/br_rjcoc_fo_01_03_v04_47.jpg.jpg?sequence=4&amp;isAllowed=y" alt="Thumbnail" width="704" height="304" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/13338" target="_blank">Oswaldo Cruz. Avenida Marceau em Paris, outubro de 1907. Paris, França / Acervo Casa de Oswaldo Cruz</a></p></div>
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<p>O périplo acadêmico-científico do médico, então diretor do Instituto Soroterápico Federal (que logo passou a Instituto Oswaldo Cruz, embrião da Fiocruz), foi iniciado em Paris, de onde rumou para outras capitais da Europa, Estados Unidos e México. Como de costume à época, o roteiro do cientista pelo continente europeu começou em Lisboa, onde o “Avon”, navio transatlântico da grandiosa companhia de transporte britânica <em>Royal Mail Steam Packet Company</em>, aportou em 7 de agosto de 1907.</p>
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<div id="attachment_39575" style="width: 807px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://commons.wikimedia.org/w/index.php?curid=21344526" target="_blank"><img class="wp-image-39575 size-full" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2025/04/avon.jpg" alt="avon" width="797" height="523" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://commons.wikimedia.org/w/index.php?curid=21344526" target="_blank">Sala de jantar da primeira classe do RMST Avon, 1909 / Wikipedia Commons</a></p></div>
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<p>A bordo do navio, ainda em alto-mar, Cruz escreveu duas longas cartas à esposa Emília, a quem carinhosamente chamava de Miloca ou Miloquinha. Nas missivas, o cientista queixou-se: “O <em>spleen</em> que me devora em palavras representadas por estes garranchos (&#8230;) evade-me o espírito e assenhora-se por completo de mim”. O comentário melancólico, tão ao gosto do Decadentismo baudelairiano e dos estrangeirismos, não impediu que Oswaldo observasse que o “flirt” (flerte) “imperava em todos os cantos” do “Avon”.</p>
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<div style="width: 532px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://basearch.coc.fiocruz.br/index.php/xv-exposicao-de-demografia-e-higiene" target="_blank"><img src="https://basearch.coc.fiocruz.br/uploads/r/fundacao-oswaldo-cruz-casa-de-oswaldo-cruz/d/1/8/d18836828fadbbe1c9f0d7254db5d9447d5151a683bad868aa131f8a96de0f62/2023-07-13_152234.jpg" alt="Open original objeto digital" width="522" height="791" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://basearch.coc.fiocruz.br/index.php/xv-exposicao-de-demografia-e-higiene" target="_blank">Correspondência pessoal do Fundo Oswaldo Cruz sob a guarda da Casa de Oswaldo Cruz/Fiocruz. Dossiê 05 &#8211; XV Exposição de Demografia e Higiene de Berlim [iii]</a></p></div>
<p>Após desembarcar em Lisboa, onde ficou tempo suficiente para visitar a cidade serrana de Sintra e almoçar no famoso restaurante Leão D’Ouro, partiu no mesmo dia para Paris, permanecendo alguns dias na cidade. Da capital francesa foi para Berlim e, posteriormente, Nova Iorque, Washington e Cidade do México.</p>
<p><span style="color: #800000;"><strong>O sucesso em Berlim</strong></span></p>
<p>A viagem foi motivada pelo convite do governo alemão para que o Brasil participasse do XIV Congresso Internacional de Higiene e Demografia, que se reuniria em Berlim, em setembro daquele ano. Representando o Brasil, o então Instituto Soroterápico Federal apresentou uma exposição composta, entre outras coisas, por peças anátomo- patológicas, coleções de mosquitos, imagens do expurgo dos mosquitos nas residências e modelo de isolamento hospitalar dos pacientes de febre amarela. No evento, os cientistas demonstraram como se deu o combate vitorioso contra a febre amarela no Rio de Janeiro.</p>
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<div id="attachment_39581" style="width: 532px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://memoria.bn.gov.br/docreader/116300/9748" target="_blank"><img class="size-full wp-image-39581" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2025/04/oswaldo.jpg" alt="O Malho, 3 de agosto de 1907" width="522" height="513" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="http://memoria.bn.gov.br/docreader/116300/9748" target="_blank"><em>O Malho</em>, 3 de agosto de 1907</a></p></div>
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<p>A exposição do Instituto Soroterápico Federal recebeu o 1º prêmio, representado por uma medalha de ouro oferecida pela Imperatriz alemã Augusta Vitória de Schleswig-Holstein (1858 &#8211; 1921). A enorme repercussão deste prêmio no Brasil trouxe um grande prestígio para Oswaldo Cruz e para o instituto que dirigia. Isso fez com que sua viagem se estendesse.</p>
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<div style="width: 306px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://www.museudavida.fiocruz.br/index.php/museologico/objeto-em-foco/acervo-museologico-medalha-do-congresso-de-higiene-e-demografia-de-berlim" target="_blank"><img src="https://www.museudavida.fiocruz.br/images/Acervo/Objeto/medalhaberlimobjetoemfoco.jpg" alt="" width="296" height="291" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://www.museudavida.fiocruz.br/index.php/museologico/objeto-em-foco/acervo-museologico-medalha-do-congresso-de-higiene-e-demografia-de-berlim" target="_blank">Medalha de Ouro da Exposição de Higiene do XIV Congresso Internacional de Higiene e Demografia</a></p></div>
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<p>Assim, por designação do governo brasileiro, seguiu para a Cidade do México (passando antes para conhecer Nova Iorque) para participar da 3ª Convenção Sanitária Internacional das Repúblicas Americanas. Da capital mexicana partiu para Washington, uma vez que o então embaixador brasileiro, Joaquim Nabuco (1849 &#8211; 1910), agendara um encontro dele com o presidente Theodore Roosevelt (1858 &#8211; 1919). O objetivo da missão era comunicar ao chefe estadunidense a extinção da febre amarela no Rio de Janeiro.</p>
<p>Nessa mesma temporada, da América cruzou mais uma vez o Atlântico Norte para visitas às Escolas de Higiene e Medicina Tropical de Londres e Liverpool. Na carta que escreve de Liverpool à esposa, em 21 de dezembro de 1907, Oswaldo diz que pretende finalizar sua viagem em Paris, para descansar e comprar os presentes e vestidos que ela havia encomendado a ele. Outra ‘missão’ que deveria cumprir na capital era a promessa, também feita a Miloca, de depositar uma placa comemorativa na Igreja de <em>Notre Dame des Victoires </em>por uma graça recebida.</p>
<p>Em 19 de outubro escreveu a Egydio Salles Guerra (1858 – 1945), seu amigo e posterior biógrafo: “Depois de ter percorrido uma longa via sacra estou instalado no meu antigo &#8220;<em>quartier</em> dos <em>Champs Elysées</em>: Avda • Marignan, 17, num <em>pequeno rez de chaussée </em>mais ou menos confortável!”<a href="#_edn4" name="_ednref4">[iv]</a>.</p>
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<div style="width: 710px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/13333" target="_blank"><img src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/bitstream/handle/20.500.12156.1/13333/br_rjcoc_fo_01_03_v04_85.jpg.jpg?sequence=5&amp;isAllowed=y" alt="Thumbnail" width="700" height="302" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/13333" target="_blank">Oswaldo Cruz. Interior do apartamento de Oswaldo Cruz na Rua Marignan n. 17 em Paris, outubro de 1907. Paris, França / Acervo Casa de Oswaldo Cruz</a></p></div>
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<p>Em carta seguinte, datada de 5 de janeiro de 1908, se congratula com a esposa pelo aniversário de casamento de ambos, dá notícias sobre o andamento das encomendas de vestidos e chapéus, e informa que partirá de Paris em 24 do mesmo mês, devendo finalmente chegar ao Rio de Janeiro em 10 de fevereiro (<a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/103730_04/16683" target="_blank"><em>Gazeta de Notícia</em>s, 10 de fevereiro de 1908, sétima coluna</a>).</p>
<p>O retorno a Paris, de fato, teria sido sugestão de Salles Guerra, muito preocupado com a saúde de Oswaldo Cruz. Salles Guerra havia sugerido que Oswaldo fosse para a Suíça e permanecesse algum tempo no Sanatório de <em>Val Mont,</em> em Montreaux para tratar de uma nefrite, recentemente diagnosticada, motivo de grande preocupação de sua família e amigos. Conselho que o amigo e “paciente” não acatou, afirmando ter horror a sanatórios.</p>
<p>Na última carta da série (iniciada em agosto de 1907), datada de 14 de janeiro de 1908, escrita de Paris, vê-se um Oswaldo Cruz circunspecto, que evita contatos formais e sofre com o rigor do inverno parisiense. Imerso em grande nostalgia do tempo em que morou com a esposa e os três filhos mais velhos na <em>Rue Marbeuf, </em>entre 1897 e 1898<em>, </em>relata que os lagos do <em>Bois de Boulogne</em> estão congelados, atraindo muitos patinadores, e pede para Miloca informar às crianças que o circo da <em>Avenue des Champs Elysée</em><a href="#_edn5" name="_ednref5">[v]</a> já não existe mais.</p>
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<p><a href="#_ednref1" name="_edn1">[i]</a> RIO, João do. <em>Cartas de João do Rio a João de Barros e Carlos Malheiro Dias</em>. Org.: Cristiane d’Avila. Prefácio: Zuenir Ventura. Rio de Janeiro: Funarte, 2013, p.75.</p>
<p><a href="#_ednref2" name="_edn2">[ii]</a> Para saber mais sobre a estereoscopia, ver o interessante artigo <a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=14719"><em>A estereoscopia e o olhar da modernidad</em>e</a> de Maria Isabela Mendonça dos Santos na Brasiliana Fotográfica.</p>
<p><a href="#_ednref3" name="_edn3">[iii]</a> As cartas de Oswaldo Cruz para sua esposa compõem este Dossiê e parte delas está transcrita em <a href="https://oswaldocruz.fiocruz.br/index.php/acervos/#correspondencias">Biblioteca Virtual Oswaldo Cruz &#8211; Acervos</a></p>
<p><a href="#_ednref4" name="_edn4">[iv]</a> SALES GUERRA, Egydio. <em>Oswaldo Cruz</em>. Primeira Edição. Rio de Janeiro: Casa Editora Vecchi Limitada, 1940, p.391.</p>
<p><a href="#_ednref5" name="_edn5">[v]</a> Cirque d’Été, demolido em 1900.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>* Cristiane  d’Avila é jornalista e Ana Luce Girão é historiadora do Departamento de Arquivo e Documentação da Casa de Oswaldo Cruz (COC/Fiocruz)</p>
]]></content:encoded>
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		<title>Fotografias da Gripe Espanhola do fundo Moncorvo Filho, da Casa de Oswaldo Cruz</title>
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		<pubDate>Fri, 11 Mar 2022 16:00:31 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Andrea Wanderley]]></dc:creator>
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		<description><![CDATA[Hoje, data que marca os dois anos da caracterização da Covid-19 como uma pandemia, pela Organização Mundial da Saúde, a Brasiliana Fotográfica traz para seus leitores fotografias da pandemia de Gripe Espanhola, em 1918, descobertas, em meados de março de 2020, no arquivo do médico Moncorvo Filho. Os autores do artigo "Fotografias da Gripe Espanhola" são Ricardo Augusto dos Santos, Felipe Almeida Vieira e Francisco dos Santos Lourenço, pesquisadores do Departamento de Arquivo e Documentação da Casa de Oswaldo Cruz/Fiocruz, uma das instituições parceiras do portal.]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: left;">Hoje, data que marca os dois anos da caracterização da Covid-19 como uma pandemia, pela Organização Mundial da Saúde, a Brasiliana Fotográfica traz para seus leitores fotografias da pandemia de Gripe Espanhola, em 1918, descobertas, em meados de março de 2020, no arquivo do médico Moncorvo Filho. Os autores do artigo <span style="color: #000000;"><em>Fotografias da Gripe Espanhola </em></span>são Ricardo Augusto dos Santos, Felipe Almeida Vieira e Francisco dos Santos Lourenço, pesquisadores Departamento de Arquivo e Documentação da Casa de Oswaldo Cruz/Fiocruz, uma das instituições parceiras do portal.</p>
<p style="text-align: center;"><strong><span style="color: #800000;"><em>Fotografias da Gripe Espanhola</em></span></strong><strong> </strong></p>
<p style="text-align: center;"><em>Ricardo Augusto dos Santos, Felipe Almeida Vieira e Francisco dos Santos Lourenço*</em></p>
<p><em> </em></p>
<p><span style="color: #800000;"><em>“Grande vozerio, gritos e gemidos de repente ouvi que partiam do saguão da entrada e contiguo à minha sala. Corro a ver o que era. Uma onda humana invadia o prédio de nossa sede: eram homens, mulheres e crianças, em sua maioria andrajosos, comprimindo-se para entrar e agasalhar-se em todas as salas do nosso estabelecimento. Havia gente de todas as classes sociais, indivíduos brancos e de cor, velhos, moços e crianças, carregados uns pelos outros, alguns que entravam a cambalear, esquálidos, ardendo em febre, outros a vomitar e finalmente alguns encontrados já a expirar na via pública&#8230;”</em></span> (Moncorvo Filho, 1924:49)</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Em meados de março de 2020, durante o início da quarentena imposta pela epidemia de Covid-19, encontramos imagens inéditas da Gripe Espanhola no arquivo do médico Moncorvo Filho. Sabíamos da importância deste acervo, entretanto, não possuíamos a real dimensão do inestimável patrimônio que estava em nossas mãos. Apresentamos algumas das imagens neste breve trabalho.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/visualizar-grupo-trabalho/301" target="_blank">Acessando o link para as fotografias inéditas da Gripe Espanhola no arquivo do médico Moncorvo Filho disponíveis na Brasiliana Fotográfica, o leitor poderá magnificar as imagens e verificar todos os dados referentes a elas.</a></p>
<p>&nbsp;</p>
<div style="width: 711px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/10325" target="_blank"><img src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/bitstream/handle/20.500.12156.1/10325/MF_GI_IP_15_30.jpg.jpg?sequence=3&amp;isAllowed=y" alt="Thumbnail" width="701" height="493" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/10325" target="_blank">Octávio de Barros atendendo um doente durante a Gripe Espanhola, 1918. Morro da Mangueira, RJ / Acervo Casa de Oswaldo Cruz</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>Em setembro de 1918, no Rio de Janeiro, os habitantes começaram a apresentar febre alta. Era a Gripe Espanhola, doença que vinha da Europa pelos navios que ancoravam nos portos brasileiros. Numa cidade com um milhão de habitantes, morreram, segundo os registros oficiais, quase 15 mil pessoas. Os médicos receitavam canja e limão. Não que o Brasil não estivesse avisado. A gripe estava dizimando na Europa e mataria, de acordo com as estimativas mais cautelosas, trinta milhões de pessoas em todo o mundo.</p>
<p>Médicos e autoridades não sabiam como proceder e que atitudes tomar diante da pandemia. As instituições governamentais de saúde concentraram sua atuação no atendimento aos doentes. O que melhorou um pouco a trágica situação foram as ações isoladas. Hospitais e enfermarias provisórias foram montadas. Toda ajuda era bem-vinda, mas era pouca. Alguns círculos operários também contribuíram fornecendo auxílio.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><span style="color: #800000;"><em>“Morrer na cama era um privilégio abusivo e aristocrático. O sujeito morria nos lugares mais impróprios, insuspeitados: – na varanda, na janela, na calçada, na esquina, no botequim&#8230; Muitos caíam, rente ao meio-fio, com a cara enfiada no ralo. E ficavam, lá, estendidos, não como mortos, mas como bêbados. Ninguém os chorava, ninguém. Nem um vira-latas vinha lambê-los. Era como se o cadáver não tivesse nem mãe, nem pai, nem amigo, nem vizinho e, nem ao menos, inimigo.”</em></span> (, 1967:72)</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Os cariocas morriam em casa, na rua, no trabalho, sendo recolhidos pelos funcionários da Prefeitura. Estes jogavam os corpos nas carroças da companhia de limpeza pública. Conta-se que quando descobriam alguém dado como morto e ainda vivo, acabavam de matá-lo com as pás. Nos cemitérios, coveiros abriram valas, onde eram despejadas dezenas de mortos. E, quanto mais corpos acumulados, mais a situação piorava.</p>
<p>Frente ao desconhecimento ou ineficácia das medidas que pudessem impedir o contágio ou cuidar dos doentes, as autoridades públicas inicialmente restringiram-se a orientar a população a evitar aglomeração. A cidade transformou-se num caos, faltavam alimentos e ocorriam saques aos armazéns. Para completar este quadro tenebroso ainda havia o problema dos cadáveres insepultos. Não havendo pessoal suficiente para enterrar os mortos, foram utilizados os presidiários. O cenário de corpos amontoados pelos cemitérios ou abandonados pelas ruas era desolador.</p>
<p>&nbsp;</p>
<div style="width: 710px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/10324" target="_blank"><img src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/bitstream/handle/20.500.12156.1/10324/MF_GI_IP_15_27.jpg.jpg?sequence=3&amp;isAllowed=y" alt="Thumbnail" width="700" height="490" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/10324" target="_blank">Manoel Peregrino da Silva examinando doente durante a Gripe Espanhola, 1918. Morro da Mangueira, Rio de Janeiro / Acervo Casa de Oswaldo Cruz</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>Com o desenrolar dos fatos, aumentava o temor coletivo. No período mais crítico, a população ficou desesperada. A divulgação pela imprensa do número de óbitos, da ausência de assistência médica e das atrocidades cometidas intensificava o clima de medo. A todo esse cenário podemos acrescentar o ar fétido, emanado das covas, casas e ruas, onde os corpos permaneciam à espera de sepultamento. Outro aspecto que deve ser considerado diz respeito às atitudes desencadeadas a partir do terror instalado com a gripe. Narrativas terríveis falam de atos insensatos cometidos por pessoas transtornadas com a situação.</p>
<p>A interrupção das atividades econômicas e outras adversidades inerentes aos fenômenos epidêmicos não foram evitadas e tampouco houve planejamento para aplacar os efeitos da <em>espanhola</em>. A doença inicialmente apresentou-se aos habitantes do país como um mal distante. Tanto órgãos da imprensa quanto os responsáveis pelos serviços de saúde pública colocavam em dúvida a existência da <em>espanhola</em> no Brasil. Os casos observados poderiam ser moléstias ainda não identificadas. Para além da discussão científica, um fator deve ser observado: a aceitação de que a epidemia havia invadido o país evidenciaria a fragilidade das políticas públicas de saúde.</p>
<p>A gripe é transmitida por contágio direto, tendo como sintomas principais febre, prostração e dores musculares. Embora não seja incorreta a ideia do caráter “democrático” das doenças contagiosas, que atacam de forma indiferenciada as classes sociais, as observações mostram que enfermidades epidêmicas podem ser fulminantes em organismos debilitados por condições de sobrevivência precárias.</p>
<p>Embora os políticos e administradores do Rio de Janeiro não acreditassem, ou não quisessem aceitar, a epidemia foi dominando a cidade. Em outubro, a imprensa noticiou a existência de doentes em quartéis, fábricas e escolas. Por volta da segunda semana era enorme a quantidade de casos. Nesse momento, o número de pessoas atingidas havia crescido, deixando a população apavorada. A violência da gripe transformava a cidade, paralisando vários setores das atividades urbanas.</p>
<p><span style="color: #800000;"><em>“Nas habitações coletivas, em estado grave caiam quase fulminados pelo terrível morbo inúmeros de seus moradores. A população estava muito justamente alarmadíssima e todos os serviços públicos já se mostravam em 10 de outubro sensivelmente desfalcados do seu pessoal, por doença afastado de seus misteres, sendo em número assaz elevado as guias extraídas pelas Delegacias de Polícia para o internamento de gripantes no Hospital da Misericórdia. Os miseráveis e mendigos, como sempre sucede, eram os que primeiro caiam vítimas do devastador morbo e nos quais a doença de maior gravidade era desde logo emprestada.”</em></span> (Moncorvo Filho, 1924:52)</p>
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<div style="width: 711px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/10321" target="_blank"><img src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/bitstream/handle/20.500.12156.1/10321/MF_GI_IP_15_25.jpg.jpg?sequence=3&amp;isAllowed=y" alt="Thumbnail" width="701" height="490" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/10321" target="_blank">Distribuição de alimentos no Instituto de Proteção e Assistência à Infância, 1918. Rio de Janeiro / Acervo Casa de Oswaldo Cruz</a></p></div>
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<p>Nos primeiros dias de novembro, a situação era alarmante. A epidemia forçara o fechamento do comércio e indústrias, bem como a interrupção dos serviços públicos. A cidade estava paralisada. O governo passou a distribuir quinino. Sem esclarecer o valor terapêutico dessa substância no combate à gripe ou o perigo da sua ingestão sem controle. Surgiam na imprensa receitas peculiares, que prometiam curar a doença. Além disso, os produtos &#8211; galinhas, ovos e limão &#8211; supostamente eficazes no combate ao mal, sofreram intensa especulação comercial.</p>
<p>A desorganização das atividades comerciais provocou uma grave crise de abastecimento. Se nas áreas próximas do centro urbano havia dificuldade em conseguir alimentos, nas áreas suburbanas eles eram extremamente escassos. Para amenizar a situação, o governo passou a distribuir leite, sopa e pão para a população. Entretanto, noticiadas pela imprensa, as reclamações de moradores dos subúrbios deixam evidente que essa medida foi inoperante.</p>
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<p><span style="color: #800000;"><em>“Era apavorante a rapidez com que ela ia da invasão ao apogeu, em poucas horas, levando a vítima às sufocações, às diarréias, às dores lancinantes, ao letargo, ao coma, à uremia, à síncope e à morte em algumas horas ou poucos dias. Aterravam a velocidade do contágio e o número de pessoas que estavam sendo acometidas. Nenhuma de nossas calamidades chegara aos pés da moléstia reinante: o terrível não era o número de casualidades, mas não haver quem fabricasse caixões, quem os levasse ao cemitério, quem abrisse covas e enterrasse os mortos. O espantoso já não era a quantidade de doentes, mas o fato de estarem quase todos doentes, a impossibilidade de ajudar, tratar, transportar comida, vender gêneros, aviar receitas, exercer, em suma, os misteres indispensáveis à vida coletiva.”</em></span> (Pedro Nava, 1976:201)</p>
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<div style="width: 711px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/10322" target="_blank"><img src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/bitstream/handle/20.500.12156.1/10322/MF_GI_IP_15_26.jpg.jpg?sequence=3&amp;isAllowed=y" alt="Thumbnail" width="701" height="496" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/10322" target="_blank">Maurity Santos e enfermeiras atendendo doente no Morro do Salgueiro, 1918. Rio de Janeiro / Acervo Casa de Oswaldo Cruz</a></p></div>
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<p>Acreditava-se que um corpo bem alimentado resistiria melhor à doença. Até galinhas foram distribuídas à população. Para auxiliar o atendimento dos cariocas acometidos pela gripe, associações filantrópicas tomaram providências para tratar os doentes. Uma das instituições que participaram dessa mobilização foi o Instituto de Proteção e Assistência à Infância do Rio de Janeiro (IPAI). Em suas dependências, funcionou um dos postos de socorros criados.</p>
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<div style="width: 710px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/10323" target="_blank"><img src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/bitstream/handle/20.500.12156.1/10323/MF_GI_IP_15_25%20.jpg.jpg?sequence=3&amp;isAllowed=y" alt="Thumbnail" width="700" height="473" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/10323" target="_blank"> Prédio do Instituto de Proteção e Assistência à Infância, 1918. Rio de Janeiro / Acervo Casa de Oswaldo Cruz</a></p></div>
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<p>O instituto fora criado pelo médico Arthur Moncorvo Filho (1871-1944), em 1899. Dedicava-se ao auxílio de crianças, mas, durante a epidemia, transformou-se num local de assistência emergencial, onde as pessoas atingidas pela <em>espanhola</em>, recebiam atendimento médico. Suas dependências ficaram lotadas e formaram-se filas para a distribuição de produtos alimentícios. Além disto, grupos de médicos e enfermeiras eram enviados aos bairros mais populares. Chamadas de <em>Caravanas do Bem</em>, saíam do IPAI em direção ao Morro do Salgueiro, Morro do Andaraí, Morro do Telégrafo (Mangueira), Engenho de Dentro, Cascadura e Ramos.</p>
<p>As imagens que retratam o cotidiano do IPAI durante a pandemia de Gripe de 1918 podem ser encontradas no acervo da Casa de Oswaldo Cruz. São registros originais que documentam o período da Gripe Espanhola no Rio de Janeiro. Elas pertencem ao Arquivo Arthur Moncorvo Filho. Além destas imagens documentando a pandemia, este arquivo reúne mais de mil itens, entre fotografias, cartas, relatórios, publicações e recortes de jornais acumulados pelo médico, gestor e membro de associações científicas, tanto no Brasil quanto no exterior.</p>
<p>Nascido em 13 de setembro de 1871, na cidade do Rio de Janeiro, Arthur Moncorvo Filho viveu na Europa, onde Carlos Arthur Moncorvo de Figueiredo (1846-1901) estagiava em Paris com os professores Eugène Bouchut (1818-1891) e Henri-Louis Roger (1809-1891). Retornando ao Brasil, seu pai o convenceu a estudar medicina. Terminou o curso em 1897 na Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro, diplomando-se com a tese <em>Das linfangites na infância e suas consequências</em>. Durante o curso, trabalhou na Policlínica Geral do Rio de Janeiro, instituição fundada por Carlos Arthur Moncorvo em 1881. Com seu falecimento, em 1901, o filho ocuparia seu lugar no serviço de moléstias de crianças da policlínica.</p>
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<div style="width: 586px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/10327" target="_blank"><img src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/bitstream/handle/20.500.12156.1/10327/MF_GI_IP_15_73.jpg.jpg?sequence=3&amp;isAllowed=y" alt="Thumbnail" width="576" height="800" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/10327" target="_blank">Moncorvo Filho no Instituto de Proteção e Assistência à Infância, 193?. Rio de Janeiro / Acervo Casa de Oswaldo Cruz</a></p></div>
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<p>Criado em 1899, o IPAI funcionava na casa da família, localizada na rua da Lapa. Neste mesmo local, seu pai criara, em 1881, a Policlínica Geral. Dois anos depois, o instituto foi instalado em prédio alugado, à rua Visconde do Rio Branco. Em 1914, o presidente da República, Hermes da Fonseca, doou o terreno onde foi construída a sede do instituto, na rua do Areal, atual rua Moncorvo Filho. Hoje, funciona no local o Hospital Moncorvo Filho, nomeado em sua homenagem.</p>
<p>Moncorvo Filho foi membro de várias sociedades médicas. Em 1919 foi eleito membro honorário da Academia Nacional de Medicina. Em 1921 tornou-se sócio da Sociedade de Medicina e Cirurgia do Rio de Janeiro. Em 1933 veio a ser presidente da Sociedade Brasileira de Pediatria. Publicou obras de referência para a história da pediatria no Brasil: Hygiene infantil (1917), Formulário de doenças das creanças (1923) e Histórico da protecção à infância no Brasil (1926).</p>
<p>As muitas atividades associativas contribuíram para a influência de Moncorvo Filho. Reconhecido como um pioneiro pelos membros do campo da pediatria, participou de encontros científicos nacionais e internacionais em cargos de coordenação. Por exemplo, foi encarregado da organização do 1º Congresso Americano da Criança, realizado em julho de 1916 na cidade de Buenos Aires. No 1º Congresso Brasileiro de Proteção à Infância, em 1922, ocupou o cargo de presidente. Nesses eventos defendia ideias de proteção à saúde das crianças, como a proibição da fabricação de chupetas, até ações de saneamento das cidades. Desde o início de sua carreira, Moncorvo Filho fazia críticas às instituições de amparo à infância. Para ele, a saúde das crianças dependia de condições de higiene, da exposição a luz solar, além de boa alimentação. Seus pronunciamentos nos congressos médicos eram publicados na imprensa, alimentando o debate político do período.</p>
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<div style="width: 710px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/10326" target="_blank"><img src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/bitstream/handle/20.500.12156.1/10326/MF_GI_IP_15_24.jpg.jpg?sequence=3&amp;isAllowed=y" alt="Thumbnail" width="700" height="495" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/10326" target="_blank">Gripe Espanhola no Morro do Salgueiro, 1918. Rio de Janeiro / Acervo Casa de Oswaldo Cruz</a></p></div>
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<p>* Ricardo Augusto dos Santos, Felipe Almeida Vieira e Francisco dos Santos Lourenço<em> </em>são pesquisadores do Departamento de Arquivo e Documentação da Casa de Oswaldo Cruz/Fiocruz.</p>
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<p><span style="color: #800000;"><strong>Fontes: </strong></span></p>
<p>MONCORVO FILHO, Arthur. <em>O Pandemônio de 1918:<strong> </strong>subsídio ao histórico da epidemia de grippe que em 1918 assolou o território do Brasil</em>. Rio de Janeiro: Departamento da Criança no Brasil, 1924.</p>
<p>NAVA, Pedro. <em>Chão de ferro</em>. <em>Memórias/3</em>. Rio de Janeiro: J. Olympio, 1976.</p>
<p>RODRIGUES, Nelson. <em>Memórias</em>. Rio de Janeiro: Ed. Correio da Manhã, 1967.</p>
<p>SANTOS, Ricardo Augusto dos. O Carnaval, a Peste e a Espanhola.  <em>História, Ciências, Saúde-Manguinhos</em>. vol.13, no.1. Rio de Janeiro, 2006.<a href="https://www.scielo.br/j/hcsm/a/Z9Lr5HqtjXzFsTD5FFvGFBQ/?lang=pt">https://www.scielo.br/j/hcsm/a/Z9Lr5HqtjXzFsTD5FFvGFBQ/?lang=pt</a></p>
<p>FREIRE, Maria Martha de Luna; LEONY, Vinícius da Silva. A caridade científica: Moncorvo Filho e o Instituto de Proteção e Assistência à Infância do Rio de Janeiro (1899-1930). <em>História, Ciências, Saúde-Manguinhos</em>. vol.18, supl. 1. Rio de Janeiro, 2011.<a href="https://www.scielo.br/j/hcsm/a/pMzXR6Xv9xBJgG9gyc4ZrZv/?lang=pt">https://www.scielo.br/j/hcsm/a/pMzXR6Xv9xBJgG9gyc4ZrZv/?lang=pt</a></p>
<p>VENANCIO JUNIOR, André Luiz &amp; MIGNOT, Ana Chrystina. O Pandemônio de 1918: Testemunho de um médico para a posteridade. <em>Revista Educação em Questão</em>, Natal, v. 58 n. 58, out./dez. 2020. <a href="https://periodicos.ufrn.br/educacaoemquestao/article/view/21540/13358">https://periodicos.ufrn.br/educacaoemquestao/article/view/21540/13358</a></p>
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<p>Link para o artigo <a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=18866" target="_blank"><em>E o ex e futuro presidente do Brasil morreu de gripe…a Gripe Espanhola de 1918</em></a>, de autoria de Andrea C. T. Wanderley, publicado em 23 de março de 2020, na Brasiliana Fotográfica.</p>
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