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	<title>Brasiliana Fotográfica &#187; Estados Unidos</title>
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		<title>Oswaldo Cruz, o Dr. Photographo, em Paris</title>
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		<pubDate>Tue, 13 May 2025 12:44:20 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Andrea Wanderley]]></dc:creator>
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		<description><![CDATA[No artigo de hoje, de autoria da jornalista Cristiane d´Avila e da historiadora Ana Luce Girão, ambas da Casa de Oswaldo Cruz/Fiocruz, uma das instituições parceiras da Brasiliana Fotográfica, são divulgadas imagens inéditas de Paris, realizadas em 1907, "frutos do olhar de um célebre autor: Oswaldo Cruz". Estão sob a guarda do arquivo histórico do Departamento de Arquivo e Documentação da Casa de Oswaldo Cruz. Com um olhar de "flanêur", o cientista percorre as ruas de Paris produzindo com um "Verascope Richard" fotografias estereoscópicas da cidade. A publicação deste artigo coincide com a realização da Temporada Brasil-França, ano cultural estabelecido pelos presidentes do Brasil e da França, quando uma série de eventos acontecerão entre abril e dezembro deste ano, em ambos os países.]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: left;">No artigo de hoje, de autoria da jornalista Cristiane d´Avila e da historiadora Ana Luce Girão, ambas da Casa de Oswaldo Cruz/Fiocruz, uma das instituições parceiras da Brasiliana Fotográfica, são divulgadas imagens inéditas de Paris, realizadas em 1907, &#8220;frutos do olhar de um célebre autor: Oswaldo Cruz&#8221;.</p>
<p>&nbsp;</p>
<div style="width: 710px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/13337" target="_blank"><img src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/bitstream/handle/20.500.12156.1/13337/br_rjcoc_fo_01_03_v04_48.jpg.jpg?sequence=4&amp;isAllowed=y" alt="Thumbnail" width="700" height="304" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/13337" target="_blank">Oswaldo Cruz. Jardim do Trocadéro com a Torre Eiffel ao fundo, outubro de 1907. Paris, França / Acervo Casa de Oswaldo Cruz</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p><span style="color: #800000;"><a style="color: #800000;" href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/visualizar-grupo-trabalho/413" target="_blank"><strong>Acessando o link para as fotografias de autoria de Oswaldo Cruz produzidas em Paris, em 1907, o leitor poderá magnificar as imagens e verificar todos os dados referentes a elas.</strong></a></span></p>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: left;">O cientista flanou pelas ruas de Paris e produziu fotografias estereoscópicas com um <em>Verascope Richard</em>, sistema de integração entre câmera e visor, que permitia ver imagens em 3D, produzidas a partir de duas fotos quase iguais, porém tiradas de ângulos um pouco diferentes. Eram impressas em uma placa de vidro e reproduziam a sensação de profundidade de maneira bem próxima da visão real. No Brasil se destacaram na produção de registros estereoscópicos o comerciante, colecionador de selos e pinturas e fotógrafo amador carioca <a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=5545" target="_blank">Guilherme dos Santos (1871 &#8211; 1966) </a>e o francês <a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=5809" target="_blank">Revert Henrique Klumb (1826 – c. 1886)</a>, “Photographo da Casa Imperial”, favorito da imperatriz <a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=6798" target="_blank">Teresa Christina</a> e professor de fotografia da <a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=1797">princesa Isabel</a>. A <a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=2492">Casa Leuzinger</a> também produziu fotografias estereoscópicas. A técnica da estereoscopia foi desenvolvida pelo escocês David Brewster (1781 – 1868), em 1844, poucos anos após a <a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=1987" target="_blank">invenção da fotografia</a>. O lançamento do <em>Verascope</em>, pela <em>Maison Richard</em>, na França, em 1893, contribuiu para que a estereoscopia voltasse a se proliferar, atraindo a atenção de fotógrafos amadores e de foto clubes europeus.</p>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_39582" style="width: 362px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://vintageclassiccamera.com/index.php?main_page=product_info&amp;products_id=9463" target="_blank"><img class="size-full wp-image-39582" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2025/04/oswaldo1.jpg" alt="Verascope Richard" width="352" height="291" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://vintageclassiccamera.com/index.php?main_page=product_info&amp;products_id=9463" target="_blank">Verascope Richard</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: center;"><span style="color: #800000;"><em><strong>Oswaldo Cruz, o Dr. Photographo, em Paris</strong></em></span></p>
<p style="text-align: center;"> Cristiane d’Avila e Ana Luce Girão*</p>
<p>&nbsp;</p>
<div style="width: 389px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/11962" target="_blank"><img src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/bitstream/handle/20.500.12156.1/11962/br_rj_coc_fo_01_02_08.jpg.jpg?sequence=3&amp;isAllowed=y" alt="Thumbnail" width="379" height="501" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/11962" target="_blank">Oswaldo Cruz, s/d / Acervo Casa de Oswaldo Cruz</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>Entre os meses de abril e dezembro deste ano, Brasil e França realizam uma série de eventos, em ambos os países, para reforçar as relações diplomáticas bilaterais e as parcerias entre instituições brasileiras e francesas. Trata-se da Temporada Brasil-França, ano cultural estabelecido pelos presidentes Luiz Inácio Lula da Silva (1945-) e Emmanuel Macron (1977-), que coincide com os dez anos do Acordo de Paris e a COP 30, em Belém do Pará, em dezembro próximo. A proposta é debater temas referentes a clima e transição ecológica, diversidade, democracia e globalização equitativa.</p>
<p style="text-align: left;">Motivado pela celebração, o Departamento de Arquivo e Documentação da Casa de Oswaldo Cruz traz a público imagens estereoscópicas inéditas de Paris, sob a guarda do arquivo histórico, datadas de 1907. O ineditismo, nesse caso, tem duplo sentido: além de não divulgadas até então, as imagens são frutos do olhar de um célebre autor: Oswaldo Cruz (1872-1917), em suas deambulações pelas ruas da capital francesa. Neste artigo, seguiremos o caminhante <a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=34024" target="_blank">Dr. Photographo</a>, alcunha carinhosamente atribuída ao médico por estudantes da Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro, em sua <em>flânerie</em> pela cidade-luz, durante a qual registrou suas emblemáticas praças e monumentos.</p>
<p>&nbsp;</p>
<div style="width: 714px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/13334" target="_blank"><img src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/bitstream/handle/20.500.12156.1/13334/br_rjcoc_fo_01_03_v04_78.jpg.jpg?sequence=4&amp;isAllowed=y" alt="Thumbnail" width="704" height="304" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/13334" target="_blank">Oswaldo Cruz. Praça Trocadéro em Paris, outubro de 1907. Paris, França / Acervo Casa de Oswaldo Cruz</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>“Em Paris não se escreve, vive-se.”, sentenciou o genial João do Rio, pseudônimo mais famoso do jornalista e cronista Paulo Barreto (1881-1921), em carta ao amigo português, o poeta e pedagogo João de Barros (1881-1960), em fevereiro de 1909<a href="#_edn1" name="_ednref1">[i]</a>. O sentimento captado pelo <em>flâneur</em> da alma encantadora das ruas pode ter igualmente arrebatado seu contemporâneo na Academia Brasileira de Letras, o cientista Oswaldo Cruz , que viveu a cidade-luz registrando suas praças e monumentos por estereoscópio<a href="#_edn2" name="_ednref2"><em><strong>[ii]</strong></em></a>. Homem de seu tempo atento aos avanços tecnológicos da modernidade, Oswaldo parece ter se deslumbrado com a capital francesa, lócus da <em>belle époque</em> por excelência, o que o declara nas imagens aqui publicadas.</p>
<p>&nbsp;</p>
<div style="width: 714px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/13338" target="_blank"><img src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/bitstream/handle/20.500.12156.1/13338/br_rjcoc_fo_01_03_v04_47.jpg.jpg?sequence=4&amp;isAllowed=y" alt="Thumbnail" width="704" height="304" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/13338" target="_blank">Oswaldo Cruz. Avenida Marceau em Paris, outubro de 1907. Paris, França / Acervo Casa de Oswaldo Cruz</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>O périplo acadêmico-científico do médico, então diretor do Instituto Soroterápico Federal (que logo passou a Instituto Oswaldo Cruz, embrião da Fiocruz), foi iniciado em Paris, de onde rumou para outras capitais da Europa, Estados Unidos e México. Como de costume à época, o roteiro do cientista pelo continente europeu começou em Lisboa, onde o “Avon”, navio transatlântico da grandiosa companhia de transporte britânica <em>Royal Mail Steam Packet Company</em>, aportou em 7 de agosto de 1907.</p>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_39575" style="width: 807px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://commons.wikimedia.org/w/index.php?curid=21344526" target="_blank"><img class="wp-image-39575 size-full" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2025/04/avon.jpg" alt="avon" width="797" height="523" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://commons.wikimedia.org/w/index.php?curid=21344526" target="_blank">Sala de jantar da primeira classe do RMST Avon, 1909 / Wikipedia Commons</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>A bordo do navio, ainda em alto-mar, Cruz escreveu duas longas cartas à esposa Emília, a quem carinhosamente chamava de Miloca ou Miloquinha. Nas missivas, o cientista queixou-se: “O <em>spleen</em> que me devora em palavras representadas por estes garranchos (&#8230;) evade-me o espírito e assenhora-se por completo de mim”. O comentário melancólico, tão ao gosto do Decadentismo baudelairiano e dos estrangeirismos, não impediu que Oswaldo observasse que o “flirt” (flerte) “imperava em todos os cantos” do “Avon”.</p>
<p>&nbsp;</p>
<div style="width: 532px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://basearch.coc.fiocruz.br/index.php/xv-exposicao-de-demografia-e-higiene" target="_blank"><img src="https://basearch.coc.fiocruz.br/uploads/r/fundacao-oswaldo-cruz-casa-de-oswaldo-cruz/d/1/8/d18836828fadbbe1c9f0d7254db5d9447d5151a683bad868aa131f8a96de0f62/2023-07-13_152234.jpg" alt="Open original objeto digital" width="522" height="791" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://basearch.coc.fiocruz.br/index.php/xv-exposicao-de-demografia-e-higiene" target="_blank">Correspondência pessoal do Fundo Oswaldo Cruz sob a guarda da Casa de Oswaldo Cruz/Fiocruz. Dossiê 05 &#8211; XV Exposição de Demografia e Higiene de Berlim [iii]</a></p></div>
<p>Após desembarcar em Lisboa, onde ficou tempo suficiente para visitar a cidade serrana de Sintra e almoçar no famoso restaurante Leão D’Ouro, partiu no mesmo dia para Paris, permanecendo alguns dias na cidade. Da capital francesa foi para Berlim e, posteriormente, Nova Iorque, Washington e Cidade do México.</p>
<p><span style="color: #800000;"><strong>O sucesso em Berlim</strong></span></p>
<p>A viagem foi motivada pelo convite do governo alemão para que o Brasil participasse do XIV Congresso Internacional de Higiene e Demografia, que se reuniria em Berlim, em setembro daquele ano. Representando o Brasil, o então Instituto Soroterápico Federal apresentou uma exposição composta, entre outras coisas, por peças anátomo- patológicas, coleções de mosquitos, imagens do expurgo dos mosquitos nas residências e modelo de isolamento hospitalar dos pacientes de febre amarela. No evento, os cientistas demonstraram como se deu o combate vitorioso contra a febre amarela no Rio de Janeiro.</p>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_39581" style="width: 532px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://memoria.bn.gov.br/docreader/116300/9748" target="_blank"><img class="size-full wp-image-39581" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2025/04/oswaldo.jpg" alt="O Malho, 3 de agosto de 1907" width="522" height="513" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="http://memoria.bn.gov.br/docreader/116300/9748" target="_blank"><em>O Malho</em>, 3 de agosto de 1907</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>A exposição do Instituto Soroterápico Federal recebeu o 1º prêmio, representado por uma medalha de ouro oferecida pela Imperatriz alemã Augusta Vitória de Schleswig-Holstein (1858 &#8211; 1921). A enorme repercussão deste prêmio no Brasil trouxe um grande prestígio para Oswaldo Cruz e para o instituto que dirigia. Isso fez com que sua viagem se estendesse.</p>
<p>&nbsp;</p>
<div style="width: 306px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://www.museudavida.fiocruz.br/index.php/museologico/objeto-em-foco/acervo-museologico-medalha-do-congresso-de-higiene-e-demografia-de-berlim" target="_blank"><img src="https://www.museudavida.fiocruz.br/images/Acervo/Objeto/medalhaberlimobjetoemfoco.jpg" alt="" width="296" height="291" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://www.museudavida.fiocruz.br/index.php/museologico/objeto-em-foco/acervo-museologico-medalha-do-congresso-de-higiene-e-demografia-de-berlim" target="_blank">Medalha de Ouro da Exposição de Higiene do XIV Congresso Internacional de Higiene e Demografia</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>Assim, por designação do governo brasileiro, seguiu para a Cidade do México (passando antes para conhecer Nova Iorque) para participar da 3ª Convenção Sanitária Internacional das Repúblicas Americanas. Da capital mexicana partiu para Washington, uma vez que o então embaixador brasileiro, Joaquim Nabuco (1849 &#8211; 1910), agendara um encontro dele com o presidente Theodore Roosevelt (1858 &#8211; 1919). O objetivo da missão era comunicar ao chefe estadunidense a extinção da febre amarela no Rio de Janeiro.</p>
<p>Nessa mesma temporada, da América cruzou mais uma vez o Atlântico Norte para visitas às Escolas de Higiene e Medicina Tropical de Londres e Liverpool. Na carta que escreve de Liverpool à esposa, em 21 de dezembro de 1907, Oswaldo diz que pretende finalizar sua viagem em Paris, para descansar e comprar os presentes e vestidos que ela havia encomendado a ele. Outra ‘missão’ que deveria cumprir na capital era a promessa, também feita a Miloca, de depositar uma placa comemorativa na Igreja de <em>Notre Dame des Victoires </em>por uma graça recebida.</p>
<p>Em 19 de outubro escreveu a Egydio Salles Guerra (1858 – 1945), seu amigo e posterior biógrafo: “Depois de ter percorrido uma longa via sacra estou instalado no meu antigo &#8220;<em>quartier</em> dos <em>Champs Elysées</em>: Avda • Marignan, 17, num <em>pequeno rez de chaussée </em>mais ou menos confortável!”<a href="#_edn4" name="_ednref4">[iv]</a>.</p>
<p>&nbsp;</p>
<div style="width: 710px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/13333" target="_blank"><img src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/bitstream/handle/20.500.12156.1/13333/br_rjcoc_fo_01_03_v04_85.jpg.jpg?sequence=5&amp;isAllowed=y" alt="Thumbnail" width="700" height="302" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/13333" target="_blank">Oswaldo Cruz. Interior do apartamento de Oswaldo Cruz na Rua Marignan n. 17 em Paris, outubro de 1907. Paris, França / Acervo Casa de Oswaldo Cruz</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>Em carta seguinte, datada de 5 de janeiro de 1908, se congratula com a esposa pelo aniversário de casamento de ambos, dá notícias sobre o andamento das encomendas de vestidos e chapéus, e informa que partirá de Paris em 24 do mesmo mês, devendo finalmente chegar ao Rio de Janeiro em 10 de fevereiro (<a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/103730_04/16683" target="_blank"><em>Gazeta de Notícia</em>s, 10 de fevereiro de 1908, sétima coluna</a>).</p>
<p>O retorno a Paris, de fato, teria sido sugestão de Salles Guerra, muito preocupado com a saúde de Oswaldo Cruz. Salles Guerra havia sugerido que Oswaldo fosse para a Suíça e permanecesse algum tempo no Sanatório de <em>Val Mont,</em> em Montreaux para tratar de uma nefrite, recentemente diagnosticada, motivo de grande preocupação de sua família e amigos. Conselho que o amigo e “paciente” não acatou, afirmando ter horror a sanatórios.</p>
<p>Na última carta da série (iniciada em agosto de 1907), datada de 14 de janeiro de 1908, escrita de Paris, vê-se um Oswaldo Cruz circunspecto, que evita contatos formais e sofre com o rigor do inverno parisiense. Imerso em grande nostalgia do tempo em que morou com a esposa e os três filhos mais velhos na <em>Rue Marbeuf, </em>entre 1897 e 1898<em>, </em>relata que os lagos do <em>Bois de Boulogne</em> estão congelados, atraindo muitos patinadores, e pede para Miloca informar às crianças que o circo da <em>Avenue des Champs Elysée</em><a href="#_edn5" name="_ednref5">[v]</a> já não existe mais.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><a href="#_ednref1" name="_edn1">[i]</a> RIO, João do. <em>Cartas de João do Rio a João de Barros e Carlos Malheiro Dias</em>. Org.: Cristiane d’Avila. Prefácio: Zuenir Ventura. Rio de Janeiro: Funarte, 2013, p.75.</p>
<p><a href="#_ednref2" name="_edn2">[ii]</a> Para saber mais sobre a estereoscopia, ver o interessante artigo <a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=14719"><em>A estereoscopia e o olhar da modernidad</em>e</a> de Maria Isabela Mendonça dos Santos na Brasiliana Fotográfica.</p>
<p><a href="#_ednref3" name="_edn3">[iii]</a> As cartas de Oswaldo Cruz para sua esposa compõem este Dossiê e parte delas está transcrita em <a href="https://oswaldocruz.fiocruz.br/index.php/acervos/#correspondencias">Biblioteca Virtual Oswaldo Cruz &#8211; Acervos</a></p>
<p><a href="#_ednref4" name="_edn4">[iv]</a> SALES GUERRA, Egydio. <em>Oswaldo Cruz</em>. Primeira Edição. Rio de Janeiro: Casa Editora Vecchi Limitada, 1940, p.391.</p>
<p><a href="#_ednref5" name="_edn5">[v]</a> Cirque d’Été, demolido em 1900.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>* Cristiane  d’Avila é jornalista e Ana Luce Girão é historiadora do Departamento de Arquivo e Documentação da Casa de Oswaldo Cruz (COC/Fiocruz)</p>
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		<title>O embaixador Oswaldo Aranha (1894-1960)</title>
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		<pubDate>Mon, 19 Aug 2024 13:39:14 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Andrea Wanderley]]></dc:creator>
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		<description><![CDATA[Neste artigo, Pedro Quinteiro Uberti, aluno do Mestrado Acadêmico em História, Política e Bens Culturais do FGV/CPDOC, uma das instituições parceiras da Brasiliana Fotográfica, aborda a trajetória do chanceler Oswaldo Aranha na história da diplomacia brasileira, especialmente o período em que serviu como embaixador do Brasil, em Washington, nos Estados Unidos, entre 1934, quando se desvinculou do Ministério da Justiça e Assuntos Internos, e 1937, quando foi decretado o Estado Novo. Oswaldo Aranha esteve muito ligado à Revolução de 30, que levou Getulio Vargas (1882-1954) à presidência da República. Posteriormente, entre 1938 e 1944, foi ministro das Relações Exteriores do Estado Novo, tendo sido um dos principais responsáveis pelo apoio prestado pelo Brasil ao esforço de guerra dos Aliados. E, entre 1947 e 1948, presidiu a Assembleia Geral das Nações Unidas, tendo seu nome vinculado à criação do Estado de Israel e à tradição, segundo a qual, o discurso brasileiro deve ser aquele que inaugura os encontros da Assembleia.]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><em><strong><span style="color: #800000;">O embaixador Oswaldo Aranha (1894-1960) </span></strong></em></p>
<p style="text-align: center;">Pedro Quinteiro Uberti sob a supervisão de Adelina Novaes e Cruz*<strong> </strong></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Gaúcho da fronteira, nascido em Alegrete, em 1894, Oswaldo Aranha teve ascendente trajetória na política local até se consolidar como uma das lideranças da Aliança Liberal e do movimento que levou Getulio Vargas ao Catete. Como ministro da Justiça e Assuntos Internos e ministro da Fazenda, contribuiu ativamente na reconfiguração institucional do Estado brasileiro, iniciada com o governo provisório de Vargas.</p>
<p>Notabilizou-se como personagem vinculado à condução da política externa brasileira. A historiografia destaca dois grandes momentos da vida política de Aranha, para além de seu envolvimento com a Revolução de 1930. O primeiro, entre 1938 e 1944, diz respeito ao período em que serviu como chanceler do Estado Novo, sendo apontado como um dos principais responsáveis pelo apoio prestado pelo Brasil ao esforço de guerra dos Aliados. O segundo, entre 1947 e 1948, marca o momento em que Aranha presidiu a Assembleia Geral das Nações Unidas, tendo seu nome vinculado à criação do Estado de Israel e à tradição, segundo a qual, o discurso brasileiro deve ser aquele que inaugura os encontros da Assembleia.</p>
<p>Antes disso, no entanto, Aranha já havia deixado sua marca na diplomacia brasileira. Entre 1934, quando se desvincula do Ministério da Fazenda, e 1937, quando é decretado o Estado Novo, o político gaúcho serviu como embaixador do Brasil nos Estados Unidos.</p>
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<p><span style="color: #800000;"><a style="color: #800000;" href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/visualizar-grupo-trabalho/396" target="_blank">Acessando o link para as imagens de Oswaldo Cruz do acervo do FGV-CPDOC e disponíveis na Brasiliana Fotográfica, o leitor poderá magnificar as imagens e verificar todos os dados referentes a elas.</a></span></p>
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<p style="text-align: center;"><strong><em><span style="color: #800000;">Primeiras Impressões</span></em></strong></p>
<p><em> </em></p>
<p>A missão de Aranha começa a bordo do <em>Augustus</em>, navio que o levou a Gênova. A escala na Europa, antes de seguir viagem aos Estados Unidos, marcou a percepção de Aranha em relação ao futuro das relações internacionais. Em carta escrita a Getulio, em setembro de 1934, aborda criticamente o militarismo de governantes como Benito Mussolini, indicando a iminência de um novo conflito entre as potências europeias. Pondera que:</p>
<p>&#8220;<em>a Europa está, meu caro, em estado potencial de guerra. Os exércitos e as esquadras não se defrontam, mas ameaçam-se. [&#8230;] Os instintos estão arrepiados, como o de feras ameaçadas ou agressivas. [&#8230;] Ninguém sabe como e de onde virá. Mas creio, não há ninguém que não sinta a sua proximidade. [&#8230;] A Europa está dominada por uma tropilha de grandes loucos que encerram em seus punhos a sorte do mundo&#8221;</em> (GV c 1934.09.07).</p>
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<div style="width: 508px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/13016" target="_blank"><img src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/bitstream/handle/20.500.12156.1/13016/OAFOTO431_3.jpg.jpg?sequence=4&amp;isAllowed=y" alt="Thumbnail" width="498" height="800" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/13016" target="_blank">R. Belatti. Oswaldo Aranha a bordo do navio Augustus, 1934. Rio de Janeiro, RJ / Acervo FGV CPDOC</a></p></div>
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<p>É notável o contraste das perspectivas de Aranha em relação à Europa e aos Estados Unidos. Já em solo estadunidense, exulta o progresso material do país. Em outra carta a Vargas, de novembro de 1934, ameniza os efeitos da crise financeira de 1929, apontando que “<em>este país tem mais riquezas do que todo o resto do mundo. O orçamento de uma cidade como Chicago é maior que o da Itália. O de Nova York várias vezes o nosso. O número de automóveis numa cidade média aqui é maior do que o de todo o Brasil!</em>” (GV c 1934.11.02).</p>
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<p style="text-align: center;"><strong><em><span style="color: #800000;">Primeiras Movimentações</span></em></strong></p>
<p><em><span style="color: #800000;"> </span></em></p>
<p>As primeiras movimentações diplomáticas de Aranha demonstram a preocupação do novo embaixador em melhorar as relações entre Brasil e Estados Unidos. O pessimismo em relação à Europa e o fascínio em relação à economia estadunidense foram acompanhados por uma calorosa recepção nos círculos políticos de Washington. Aranha percebia uma boa vontade das autoridades de Washington em relação ao Brasil. “<em>Só posso atribuir essa amabilidade ao desejo que notei no presidente Roosevelt, durante a conversa de alguns minutos que se seguiu à apresentação de credenciais, de estreitar sempre as íntimas relações com o Brasil</em>”, relataria Aranha ao Itamaraty após a apresentação de suas credenciais como embaixador a Roosevelt, em outubro de 1934 (ARAÚJO, 1996, p. 113).</p>
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<div style="width: 711px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/13017" target="_blank"><img src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/bitstream/handle/20.500.12156.1/13017/OAFOTO133.jpg.jpg?sequence=4&amp;isAllowed=y" alt="Thumbnail" width="701" height="463" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/13017" target="_blank">Oswaldo Aranha por ocasião da apresentação de suas credenciais de embaixador ao governo norte-americano, 1934. Washington, D.C., Estados Unidos / Acervo FGV CPDOC</a></p></div>
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<p>O andamento da missão seria, portanto, facilitada, na visão de Aranha, pela situação internacional. Com a Europa na iminência de um conflito e com o recrudescimento das disputas imperialistas entre as potências, incluindo a expansão japonesa no sudeste asiático e no Pacífico, os Estados Unidos, segundo Aranha, se voltariam cada vez mais para a América Latina, em especial para o Brasil. Deveria o governo Vargas, portanto, aproveitar essa oportunidade para atingir os objetivos da política externa brasileira.</p>
<p>Condição necessária ao estreitamento de relações entre os dois países era, no entanto, a restruturação da representação brasileira nos Estados Unidos. Isso significou o envolvimento de Aranha na instalação da embaixada em uma mansão comprada, em agosto de 1934, por Ciro Freitas-Valle, seu primo e diplomata, a mando do Itamaraty. Segundo o embaixador “<em>encontramos, aqui, no país onde está metade do nosso comércio, todos os funcionários amontoados em três salinhas, sem mobiliário, sem nada. Vamos ficar, hoje, com uma instalação perfeita e capaz de atender às nossas fatais necessidades futuras</em>” (GV c 1935.03.25).</p>
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<div style="width: 533px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/13018" target="_blank"><img src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/bitstream/handle/20.500.12156.1/13018/OAFOTO135_1.jpg.jpg?sequence=4&amp;isAllowed=y" alt="Thumbnail" width="523" height="701" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/13018" target="_blank"> Fachada da Embaixada do Brasil em Washington D.C., 1934. Washington D.C., Estados Unidos / Acervo FGV CPDOC</a></p></div>
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<div style="width: 712px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/13019" target="_blank"><img src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/bitstream/handle/20.500.12156.1/13019/OAFOTO135_2.jpg.jpg?sequence=4&amp;isAllowed=y" alt="Thumbnail" width="702" height="547" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/13019" target="_blank">Oswaldo Aranha e a equipe da Embaixada do Brasil nos EUA, 1934. Washington D.C., Estados Unidos / Acervo FGV CPDOC</a></p></div>
<p><strong> </strong></p>
<p style="text-align: center;"><strong><em><span style="color: #800000;">Uma Atuação Multifacetada</span> </em></strong></p>
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<p>É possível encontrar no triênio em que Aranha serviu como embaixador, uma série de episódios que demonstra uma atuação diplomática multifacetada, conduzida por um diplomata muito bem conectado com diferentes setores da sociedade estadunidense. Logo nos primeiros meses de missão, Aranha conduziria em Washington as negociações em torno do tratado comercial que estava sendo costurado entre Brasil e Estados Unidos enquanto, constantemente, protestava a Vargas contra o estreitamento dos laços comerciais entre Brasil e Alemanha sob a modalidade que ficou conhecida como comércio compensado. Aranha acompanharia o ministro da Fazenda, Artur de Sousa Costa, na assinatura do tratado junto a Roosevelt, firmado em 2 de fevereiro de 1935.</p>
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<div style="width: 710px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/13020" target="_blank"><img src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/bitstream/handle/20.500.12156.1/13020/OAFOTO144_2.jpg.jpg?sequence=6&amp;isAllowed=y" alt="Thumbnail" width="700" height="480" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/13020" target="_blank">Franklin D. Roosevelt, Oswaldo Aranha e Artur de Sousa Costa por ocasião da assinatura do tratado comercial entre Brasil e Estados Unidos, 1935. Washington D.C., Estados Unidos / Acervo FGV CPDOC</a></p></div>
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<div style="width: 710px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/13032" target="_blank"><img src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/bitstream/handle/20.500.12156.1/13032/OAFOTO144_3.jpg.jpg?sequence=3&amp;isAllowed=y" alt="Thumbnail" width="700" height="532" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/13032" target="_blank">Artur de Sousa Costa, Oswaldo Aranha e Franklin D. Roosevelt por ocasião da assinatura do tratado comercial entre Brasil e Estados Unidos, 1935. Washington D.C., Estados Unidos / Acervo FGV CPDOC</a></p></div>
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<p>Aranha ainda receberia outro ministro brasileiro em Washington. João Marques dos Reis, ministro da Viação e Obras Públicas havia sido designado por Getulio para participar da 3ª  Conferência Mundial de Energia, entre setembro e outubro de 1936. Segundo o embaixador, a visita do ministro seria facilitada pela boa vontade do governo estadunidense em procurar “<em>favorecer negócios no Brasil</em>” (GV c 1936.10.21).</p>
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<div style="width: 529px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/13021" target="_blank"><img src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/bitstream/handle/20.500.12156.1/13021/OAFOTO152_1.jpg.jpg?sequence=4&amp;isAllowed=y" alt="Thumbnail" width="519" height="701" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/13021" target="_blank">João Marques dos Reis, Ministro da Viação e Obras Públicas do Brasil, visita os Estados Unidos e encontra Oswaldo Aranha, por ocasião da 3ª.Conferência Mundial de Energia, 1936. Washington D.C., Estados Unidos / Acervo FGV CPDOC</a></p></div>
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<p>O estabelecimento de boas relações com autoridades do governo estadunidense foi um dos maiores sucessos da missão de Aranha. Não à toa, durante o triênio em que serviu em Washington, Aranha foi o embaixador estrangeiro mais recebido por Roosevelt (OLIVEIRA, in LIMA; ALMEIDA; FARIAS, 2017, p. 103). Antes mesmo de Aranha embarcar para os Estados Unidos, Roosevelt já havia sido informado que Aranha era “o iniciador do atual movimento do Brasil de se afastar um pouco da Europa e se aliar com os Estados Unidos” (HILTON, 1994, p. 202). Destaca-se, ainda, a figura de Sumner Welles, referência no Departamento de Estado em assuntos relacionados à América Latina, com quem Aranha estabeleceu íntimas relações.</p>
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<div style="width: 709px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/13033" target="_blank"><img src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/bitstream/handle/20.500.12156.1/13033/OAFOTO144_4.jpg.jpg?sequence=3&amp;isAllowed=y" alt="Thumbnail" width="699" height="507" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/13033" target="_blank">Oswaldo Aranha e Franklin D. Roosevelt por ocasião da assinatura do tratado comercial entre Brasil e Estados Unidos, 1935. Washington D.C., Estados Unidos / Acervo FGV CPDOC</a></p></div>
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<div style="width: 714px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/13022" target="_blank"><img src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/bitstream/handle/20.500.12156.1/13022/OAFOTO167.jpg.jpg?sequence=4&amp;isAllowed=y" alt="Thumbnail" width="704" height="528" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/13022" target="_blank">Oswaldo Aranha com o vice-presidente dos Estados Unidos, John Nance Garner, 1937. Washington D.C., Estados Unidos / Acervo FGV CPDOC</a></p></div>
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<p>Para além dos círculos oficiais de poder, Aranha empreendeu esforços no sentido de fazer o Brasil ser ouvido por distintas camadas da sociedade estadunidense. Seja viajando pelo país, como na ocasião da Feira Mundial de Chicago, em outubro de 1935, seja em contato constante com jornalistas e empresários, Aranha defendia a ideia de que “<em>devemos procurar ser conhecidos do povo para melhor contarmos com o governo dos Estados Unidos</em>” (GV c 1937.09.09).</p>
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<div style="width: 710px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/13023" target="_blank"><img src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/bitstream/handle/20.500.12156.1/13023/OAFOTO147.jpg.jpg?sequence=4&amp;isAllowed=y" alt="Thumbnail" width="700" height="508" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/13023" target="_blank">Oswaldo Aranha passa em revista, destacamentos militares por ocasião da Feira Mundial, 1935. Chicago, Estados Unidos / Acervo FGV CPDOC</a></p></div>
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<div style="width: 712px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/13024" target="_blank"><img src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/bitstream/handle/20.500.12156.1/13024/OAFOTO150_1.jpg.jpg?sequence=4&amp;isAllowed=y" alt="Thumbnail" width="702" height="564" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/13024" target="_blank"> Oswaldo Aranha encontra-se com Walt Disney, 1935. Washington D.C., Estados Unidos / Acervo FGV CPDOC</a></p></div>
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<div style="width: 718px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/13025" target="_blank"><img src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/bitstream/handle/20.500.12156.1/13025/OAFOTO168.jpg.jpg?sequence=4&amp;isAllowed=y" alt="Thumbnail" width="708" height="567" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/13025" target="_blank">Oswaldo Aranha e outros em banquete a Embaixada do Brasil nos Estados Unidos, 1937. Washington D.C., Estados Unidos / Acervo FGV CPDOC</a></p></div>
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<div style="width: 555px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/13026" target="_blank"><img src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/bitstream/handle/20.500.12156.1/13026/OAFOTO134_1.jpg.jpg?sequence=4&amp;isAllowed=y" alt="Thumbnail" width="545" height="701" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/13026" target="_blank">Oswaldo Aranha e outros na União Pan-Americana e na Câmara Norte Americana de Comércio, 1934. Washington D.C., Estados Unidos / Acevo FGV CPDOC</a></p></div>
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<p>Essa aproximação, advogada por Aranha, não se restringia apenas ao âmbito bilateral. Logo no início da missão, alertou Vargas sobre a ascensão da Política da Boa Vizinhança. Segundo o embaixador, a busca dos Estados Unidos em melhorar suas relações com os demais países americanos poderia colocar em xeque o tratamento especial que era dispensado ao Brasil. Nesse sentido, as conferências e encontros multilaterais deveriam servir de palco para o Brasil reafirmar sua posição como parceiro estratégico dos Estados Unidos no continente.</p>
<p>Foi exatamente o que o embaixador buscou alcançar na Conferência Interamericana para a Manutenção da Paz, realizada em Buenos Aires, em 1936. Desde o momento em que Roosevelt veiculou a ideia da realização da Conferência, Aranha buscou costurar a posição entre Brasil e Estados Unidos a partir da coordenação de demandas entre a Casa Branca e o Catete, mesmo que isso significasse o desgaste na relação com Macedo Soares, seu superior na hierarquia institucional do Itamaraty. Sua atuação na Conferência lhe rendeu editoriais dos mais favoráveis na imprensa estadunidense, ao buscar o consenso entre as partes a despeito da oposição argentina aos termos do Projeto de Convenção Sobre Manutenção, Garantia e Restabelecimento da Paz.</p>
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<div style="width: 451px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/13034" target="_blank"><img class="" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/bitstream/handle/20.500.12156.1/13034/OAFOTO155_10.jpg.jpg?sequence=3&amp;isAllowed=y" alt="Thumbnail" width="441" height="700" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/13034" target="_blank">Oswaldo Aranha e Rosalina Coelho Lisboa como membros da delegação brasileira na Conferência de Buenos Aires, 1936. Buenos Aires, Argentina / Acervo FGV CPDOC</a></p></div>
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<div style="width: 473px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/13027" target="_blank"><img class="" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/bitstream/handle/20.500.12156.1/13027/OAFOTO155_5.jpg.jpg?sequence=6&amp;isAllowed=y" alt="Thumbnail" width="463" height="642" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/13027" target="_blank">Oswaldo Aranha na Conferência Interamericana para a Manutenção da Paz, 1936. Buenos Aires, Argentina / Acervo FGV CPDOC</a></p></div>
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<div style="width: 712px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/13035" target="_blank"><img src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/bitstream/handle/20.500.12156.1/13035/OAFOTO155_11.jpg.jpg?sequence=3&amp;isAllowed=y" alt="Thumbnail" width="702" height="528" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/13035" target="_blank">Oswaldo Aranha conversa com delegados na Conferência de Buenos Aires, 1936. Buenos Aires, Argentina / Acervo FGV CPDOC</a></p></div>
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<p>Aranha buscava nutrir nos Estados Unidos a simpatia pelo Brasil, mas suas constantes súplicas não convenceram Getulio de visitar o país norte-americano. Conseguiu, entretanto, influenciar na visita de dois de seus filhos, Getulio e Alzira, e sua esposa, Darcy. Alzira permaneceu mais de um semestre com a família Aranha nos Estados Unidos, entre o final de 1935 e meados de 1936, período durante o qual realizou longas viagens na companhia de Luiza Zilda Aranha (Zazi) e Delminda Gudolle Aranha (Dedei) &#8211; filhas do embaixador &#8211; e Delminda Gudolle Aranha (Vindinha) &#8211; esposa do embaixador. Getulinho, como era chamado por Aranha, e Darcy encontraram Alzira e família Aranha em março de 1936. Após insistência de Aranha, Getulinho permaneceu nos Estados Unidos pelo resto do ano desenvolvendo seus estudos de inglês e química. O périplo da família Vargas nos Estados Unidos, na companhia de Aranha, serviu como ferramenta diplomática, na medida em que foram organizados encontros com empresários e jornalistas estadunidenses, além de uma conferência com Roosevelt e a primeira-dama, Eleanor.</p>
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<div style="width: 712px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/13028" target="_blank"><img src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/bitstream/handle/20.500.12156.1/13028/AVAPfoto054_19.jpg.jpg?sequence=4&amp;isAllowed=y" alt="Thumbnail" width="702" height="508" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/13028" target="_blank">Famílias Vargas e Aranha em viagem aos Estados Unidos, 1935. Alzira Vargas, Vindinha Aranha e Oswaldo Aranha. Nova York, Estados Unidos / Acervo FGV CPDOC</a></p></div>
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<div style="width: 738px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/13029" target="_blank"><img src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/bitstream/handle/20.500.12156.1/13029/AVAPfoto054_139.jpg.jpg?sequence=4&amp;isAllowed=y" alt="Thumbnail" width="728" height="429" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/13029" target="_blank">Famílias Vargas e Aranha em viagem aos Estados Unidos, 1936. Da esquerda para a direita: Vindinha Aranha, Darcy Vargas, Oswaldo Aranha e Getúlio Vargas Filho. Washington D.C., Estados Unidos / Acervo FGV CPDOC</a></p></div>
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<div style="width: 739px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/13030" target="_blank"><img src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/bitstream/handle/20.500.12156.1/13030/AVAPfoto054_166.jpg.jpg?sequence=4&amp;isAllowed=y" alt="Thumbnail" width="729" height="433" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/13030" target="_blank">Famílias Vargas e Aranha em viagem aos Estados Unidos, 1936. Zazi Aranha, Alzira VArgas, Oswaldo Aranha e Laís Aranha. Washington D.C., Estados Unidos / Acervo FGV CPDOC</a></p></div>
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<p style="text-align: center;"><strong><em><span style="color: #800000;">O Fim da Missão</span></em></strong></p>
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<p>Decretado o Estado Novo em novembro de 1937, Oswaldo Aranha abdica do cargo de embaixador, alegando ter perdido sua credibilidade junto ao governo estadunidense por ter sido pego de surpresa pelo golpe. Permaneceria nos Estados Unidos até dezembro, num esforço de amenizar as críticas da imprensa sobre a ruptura institucional em curso no Brasil. Seus relatórios a Vargas demonstram como o governo estadunidense não alterou sua posição em relação à parceria que vinha sido construída entre os dois países. Em dezembro de 1937, o navio Western Prince atracaria em águas brasileiras trazendo o embaixador e sua família, pondo fim à experiência diplomática inaugural daquele que viria ser chanceler em um dos períodos mais conturbados da política externa brasileira.</p>
<p><em> </em></p>
<div style="width: 713px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/13031" target="_blank"><img src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/bitstream/handle/20.500.12156.1/13031/OAFOTO166.jpg.jpg?sequence=4&amp;isAllowed=y" alt="Thumbnail" width="703" height="506" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/13031" target="_blank">Artur de Sousa Costa e outros a bordo do navio &#8220;Western Prince&#8221;, recepcionam Oswaldo Aranha e familiares, por ocasião e sua chegada ao Brasil, 1937. Rio de Janeiro, RJ / Acervo FGV CPDOC</a></p></div>
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<p><strong>*</strong>Pedro Quinteiro Uberti é aluno do Mestrado Acadêmico em História, Política e Bens Culturais FGV/CPDOC e Adelina Novaes e Cruz é Pesquisadora do FGV CPDOC.</p>
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<p><span style="color: #800000;"><strong>FONTES:</strong></span></p>
<p>Arquivo Pessoal de Alzira Vargas do Amaral Peixoto (FGV CPDOC). Disponível em: &lt;<a href="https://www18.fgv.br/CPDOC/acervo/arquivo-pessoal?fun=AVAP&amp;tud=AVI&amp;tit=&amp;ftit=2&amp;de=1934&amp;ate=1937&amp;assun=&amp;fassun=0&amp;aut=&amp;faut=0&amp;ser=&amp;loc=&amp;tav=8+9+10&amp;itens=30">https://www18.fgv.br/CPDOC/acervo/arquivo-pessoal?fun=AVAP&amp;tud=AVI&amp;tit=&amp;ftit=2&amp;de=1934&amp;ate=1937&amp;assun=&amp;fassun=0&amp;aut=&amp;faut=0&amp;ser=&amp;loc=&amp;tav=8+9+10&amp;itens=30</a>&gt;.</p>
<p>Arquivo Pessoal de Getulio Vargas (FGV CPDOC). Disponível em: &lt;<a href="https://docvirt.com/docreader.net/DocReader.aspx?bib=CorrespGV2">https://docvirt.com/docreader.net/DocReader.aspx?bib=CorrespGV2</a>&gt;.</p>
<p>Arquivo Pessoal de Oswaldo Aranha (FGV CPDOC). Disponível em: &lt;<a href="https://www18.fgv.br/CPDOC/acervo/arquivo-pessoal?fun=OA&amp;tud=AVI&amp;tit=&amp;ftit=2&amp;de=1934&amp;ate=1937&amp;assun=&amp;fassun=0&amp;aut=&amp;faut=0&amp;ser=&amp;loc=&amp;tav=8+9+10&amp;itens=30">https://www18.fgv.br/CPDOC/acervo/arquivo-pessoal?fun=OA&amp;tud=AVI&amp;tit=&amp;ftit=2&amp;de=1934&amp;ate=1937&amp;assun=&amp;fassun=0&amp;aut=&amp;faut=0&amp;ser=&amp;loc=&amp;tav=8+9+10&amp;itens=30</a>&gt;.</p>
<p>CAMARGO, Aspásia; ARAÚJO, João Hermes Pereira de; SIMONSEN, Mário Henrique.<em> Oswaldo Aranha: a estrela da revolução</em>. São Paulo: Mandarim, 1996.</p>
<p>HILTON, Stanley. <strong>Oswaldo Aranha</strong>: uma biografia. Rio de Janeiro: Editora Objetiva, 1994.</p>
<p>LIMA, Sérgio Eduardo Moreira; ALMEIDA, Paulo Roberto de; FARIAS, Rogério de Souza (org.). <em>Oswaldo Aranha: um estadista brasileiro</em>. Brasília: Fundação Alexandre de Gusmão, 2017. 2 v. (Coleção Política Externa Brasileira).</p>
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		<title>Inauguração da Estátua da Amizade em 4 de julho de 1931</title>
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		<pubDate>Tue, 04 Jul 2017 12:08:32 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Andrea Wanderley]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Análise de documento]]></category>
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		<description><![CDATA[Com dois registros do fotógrafo Augusto Malta (1864 - 1957), a Brasiliana Fotográfica lembra a história da Estátua da Amizade. Em 1922, no centenário da independência do Brasil, por iniciativa da Câmara de Comércio Norte-Americana no Brasil, foram angariados cerca de 40 mil dólares para a confecção de um monumento que simbolizasse a amizade entre os dois países. Foi presenteada ao país uma escultura de bronze, de autoria de Charles Keck (1875 - 1951). Só foi inaugurada em 4 de julho de 1931.]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p>&nbsp;</p>
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<div style="width: 683px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/5071" target="_blank"><img src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/bitstream/handle/20.500.12156.1/5071/001AM005002.jpg.jpg?sequence=2&amp;isAllowed=y" alt="" width="673" height="484" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/5071" target="_blank">Augusto Malta. Inauguração da Estátua da Amizade em frente a Igreja de Santa Luzia, 4 de julho de 1931. Rio de Janeiro, RJ / Acervo IMS</a></p></div>
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<p>Com dois registros do fotógrafo <a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=1322" target="_blank">Augusto Malta (1864 &#8211; 1957)</a>, a Brasiliana Fotográfica lembra a história da Estátua da Amizade. Em 1922, no centenário da independência do Brasil, por iniciativa da Câmara de Comércio Norte-Americana no Brasil, foram angariados cerca de 40 mil dólares para a confecção de um monumento que simbolizasse a amizade entre os dois países. Foi presenteada ao país uma escultura de bronze de uma mulher, em pé, sustentando na mão esquerda os pavilhões norte-americano e brasileiro ornados com folhas de louro e, na direita, uma palma de louros.</p>
<p>A <em>Amicitia</em>, que ficou conhecida como Estátua da Amizade, de autoria de Charles Keck (1875 &#8211; 1951), tem pouco mais de 4 metros de altura, cerca de 9 toneladas e foi fundida nas oficinas de Henry Bonnard, em Nova York. Na época em que a escultura foi ofertada ao Brasil, o prefeito do Rio de Janeiro era Carlos Sampaio (1861 &#8211; 1930). Passaram-se as administrações de Alaor Prata (1882 &#8211; 1964) e de Antonio da Silva Prado Júnior (1880 &#8211; 1955) e a estátua permanecia guardada nos Armazéns da Companhia Expresso Federal (<a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/5072" target="_blank"><em>Correio da Manhã</em>, 21 de outubro de 1930, na penúltima e última colunas</a>).</p>
<p>Em 1931, sob a gestão do interventor federal Adolfo Bergamini (1886 &#8211; 1945), atendendo à solicitação de diversas personalidades e instituições, dentre elas o Centro Carioca, por iniciativa de Pedro Viana da Silva, diretor de Arborização e Jardins, o escultor Benevenuto Berna (1865 &#8211; 1940) finalmente concebeu um pedestal para a estátua: dois medalhões entrelaçados, com os bustos de George Washington e de José Bonifácio, com duas palmas, representando as duas nações, envolvidas por folhas de hera para simbolizar a amizade.</p>
<p>No dia da comemoração dos 155 anos da independência dos Estados Unidos, 4 de julho de 1931, o monumento foi inaugurado na confluência das avenidas Santos Dumont e presidente Wilson, em frente à igreja de Santa Luzia. Estavam presentes Getulio Vargas (1882 &#8211; 1954), chefe do Governo Provisório, Edwin Morgan, embaixador dos Estados Unidos, Oswaldo Aranha (1894 &#8211; 1960), ministro da Justiça e Assuntos Internos, além de várias outras autoridades e diplomatas (<a href="http://memoria.bn.br/docreader/030015_05/14526" target="_blank"><em>Jornal do Brasil</em>, 4 de julho de 1931</a>, e <a href="http://memoria.bn.br/docreader/089842_04/7620" target="_blank"><em>Correio da Manhã</em>, 5 de julho de 1931</a>). Foi um evento muito concorrido na cidade e o fotógrafo da prefeitura, Augusto Malta, não poderia deixar de registrar o acontecimento.</p>
<p>Onze anos depois, em 9 de julho de 1942, com um pedestal bem mais alto, a estátua foi reinaugurada na praça Quatro de Julho, em frente ao atual consulado dos Estados Unidos com a presença de diversas autoridades, dentre elas o prefeito do Rio de Janeiro, Henrique Dodsworth (1895 &#8211; 1975), o embaixador norte-americano Jefferson Caffery e o ministro das Relações Exteriores, Oswaldo Aranha (<a href="http://memoria.bn.br/docreader/030015_06/17940" target="_blank"><em>Jornal do Brasil</em>, 10 de julho de 1942</a>).</p>
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<div style="width: 689px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/5072" target="_blank"><img src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/bitstream/handle/20.500.12156.1/5072/001AM005001.jpg.jpg?sequence=2&amp;isAllowed=y" alt="Thumbnail" width="679" height="500" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/5072" target="_blank">Augusto Malta. Inauguração da Estátua da Amizade em frente a Igreja de Santa Luzia, 4 de julho de 1931. Rio de Janeiro, RJ / Acervo IMS</a></p></div>
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