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	<title>Brasiliana Fotográfica &#187; vistas</title>
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		<title>Militão Augusto de Azevedo (1837 – 1905) e sua obra-prima, o &#8220;Álbum comparativo da cidade de São Paulo 1862-1887&#8243;</title>
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		<pubDate>Sun, 24 May 2015 10:16:58 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Andrea Wanderley]]></dc:creator>
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		<description><![CDATA[Há 110 anos falecia o carioca Militão Augusto de Azevedo, autor da primeira grande reportagem fotográfica de São Paulo, o Álbum Comparativo de 1862-1887. Com tomadas simples e privilegiando a cidade construída, Militão nos leva a um passeio por São Paulo, que no período por ele fotografado passou de província a uma cidade cosmopolita que viria se tornar a grande metrópole atual. ]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<div id="attachment_656" style="width: 310px" class="wp-caption alignleft"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2015/05/001AMI010.jpg"><img class="size-medium wp-image-656" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2015/05/001AMI010-300x210.jpg" alt="Militão Augusto de Azevedo. Álbum Comparativo da Cidade de São Paulo, 1887. São Paulo" width="300" height="210" /></a><p class="wp-caption-text">Militão Augusto de Azevedo. Álbum Comparativo da Cidade de São Paulo, 1887. São Paulo / Acervo IMS</p></div>
<p><em>…como Verdi despedindo-se da música escreveu o seu “Otello”, eu quis despedir-me da photografia fazendo o meu. É um álbum comparativo de São Paulo de 1862 e 1887. Parece-me um trabalho útil e talvez o único que se tem feito em photografia pois ninguém tem tido a pachorra de guardar clichês de 25 anos. Tenho trabalhado muito e creio que nada farei. Conheces o meu gênio: não sirvo para pedir.</em></p>
<p>Foi assim, com um tom quase poético, que revela sua alma de artista, que o fotógrafo carioca Militão Augusto de Azevedo (1837 – 1905), numa carta a um amigo chamado Portilho, referiu-se, em 1º de junho de 1887, ao seu  <em>Álbum Comparativo</em>.</p>
<p>Um dos mais importantes fotógrafos brasileiros do século XIX, Militão foi um dos precursores da documentação da cidade de <a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=7260" target="_blank">São Paulo</a>. O <em>Álbum comparativo da cidade de São Paulo 1862-1887</em>, sua obra-prima, foi o primeiro realizado com o objetivo de mostrar as mudanças ocorridas na capital paulista, devido ao progresso. O álbum evidencia o valor que Militão dava à fotografia como documento de época inserido em projeto artístico que sugere um passeio pela cidade no período de 1862 a 1887. O trabalho do fotógrafo muito contribuiu para a formação da imagem moderna de São Paulo.</p>
<p>A obra é formada por 60 fotografias &#8211; tomadas parciais de ruas, largos e prédios públicos e algumas vistas panorâmicas, todas coladas sobre cartão impresso. Dezoito delas são pares comparativos que criam uma atmosfera do antes e do depois. Feitas a partir de tomadas simples, que privilegiam a cidade construída, as fotos foram produzidas utilizando-se o processo negativo do colódio úmido. Sobre a técnica e as características das fotografias de Militão, Sergio Burgi, Coordenador de Fotografia do Instituto Moreira Salles e um dos curadores do portal Brasiliana Fotográfica, escreveu o artigo <em><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2015/05/Milit%C3%A3o-Texto-de-Sergio-Burgi.pdf">Composição em preto-e-branco. Os panoramas de 360º de Militão Augusto de Azevedo</a> </em><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2015/05/Milit%C3%A3o-Texto-de-Sergio-Burgi.pdf">(in <em>São Paulo 450 Anos. Caderno de Fotografia</em> </a><em><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2015/05/Milit%C3%A3o-Texto-de-Sergio-Burgi.pdf">Brasileir</a></em><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2015/05/Milit%C3%A3o-Texto-de-Sergio-Burgi.pdf"><em>a</em>, volume 2, do Instituto Moreira Salles)</a>.</p>
<p><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/browse?value=Azevedo%2C+Milit%C3%A3o+Augusto+de&amp;type=author" target="_blank"><span style="color: #800000;"><strong>Acessando o link para as fotografias de Militão Augusto de Azevedo disponíveis na Brasiliana Fotográfica, o leitor poderá magnificar as imagens e verificar todos os dados referentes a elas.</strong></span></a></p>
<p>Militão mostrou com suas fotografias uma grande mudança na paisagem paulistana no período em que São Paulo foi palco de grandes transformações ocasionadas por intensa expansão urbana. Capital da província, a cidade abrigava a Faculdade de Direito, que atraia jovens de todo o Brasil, o que criou novas demandas como a realização de eventos culturais e a inauguração de teatros como o São José, em 1864. Bairros, ruas e avenidas surgiam no lugar de chácaras e sítios. A cidade crescia e com isso foram inaugurados os hotéis Itália, Europa e Globo, além de confeitarias e casas comerciais. O primeiro mercado de São Paulo, conhecido como Mercado dos Caipiras, foi criado em 1867 . Houve também a multiplicação de estradas de ferro, a expansão cafeeira e a imigração europeia. Na imprensa, o <em>Correio Paulistano</em> consolidava-se e Ângelo Agostini (1843 &#8211; 1910) fundava os jornais humorísticos <em>Diabo Coxo </em>(1864) e <em>O</em> <em>Cabrião </em>(1866). A população da cidade em 1883 era de 35 mil pessoas e, em 1887, chegou a cerca de 47 mil. De cidade provinciana, São Paulo passou a ser a metrópole do café.</p>
<p>Provavelmente, foi em uma viagem à Europa, em 1886, que Militão percebeu a viabilidade comercial da venda, no mercado brasileiro, de fotografias de aspectos da cidade. Como havia preservado os negativos produzidos em 1862, decidiu fazer o <em>Álbum Comparativo</em>. Numa carta de 21 de janeiro de 1887 ao amigo Anatole Louis Garraux (1833 &#8211; 1904), na ocasião já residente na França e que havia sido proprietário da popular Livraria Garraux durante anos estabelecida em São Paulo, Militão escreveu: <em>Rogo-lhe o obséquio de me remeter o mais depressa possível a encomenda constante da nota junta; estou fazendo um trabalho, que julgo ser muito importante e talvez pouco rendoso. É um álbum comparativo de São Paulo antigo e moderno. Tenho os clichês de 1862 e estou fazendo os comparativos atuais</em>.</p>
<p>O álbum demorou a ficar pronto e sobre isto um Militão desapontado escreveu ao ator e amigo Jacinto Heller, em 25 de julho de 1887: <em>eu ainda estou com o maldito álbum que, se nesses quinze dias ficar pronto, devo estar aí em setembro</em>. No dia 11 de agosto de 1887, no jornal <em>A Província de São Paulo</em>, primeiro nome do atual <em>O Estado de São Paulo</em>,  o álbum era anunciado acompanhado do artigo <em>A Velha e a Nova Cidade de São Paulo</em>:</p>
<p>&#8216;<em>Vimos um álbum comparativo da cidade de S. Paulo em 1862 e 1887, trabalho da PHOTOGRAPHIA  AMERICANA, do sr. Militão, nesta capital. Aí figuram bairros, ruas, praças, jardins e edifícios com a sua cor local de 1862 e depois com a de 1887. É o progresso de São Paulo fotografado. O interessante trabalho do sr. Militão, que é por sua vez atestado do progresso de sua arte, traz-nos as recordações de outros tempos, da simplicidade dos costumes, do pouco luxo das edificações, mas também da falta de comodidade e de atividade industrial da velha cidade. O confronto é agradável e útil comparado com as estatísticas, o álbum de vistas fotográficas do sr. Militão tem um grande valor para se verificar o progresso da província, medido pela transformação da capital nos últimos 25 anos. O Álbum que temos entre as mãos não é somente um entretenimento para os que desejam passar alguns minutos e ver as alterações da cidade em suas velhas construções e esburacadas e mal calçadas ruas e praças; é mais que isso: tem o mérito de proporcionar a todos nós, os homens de hoje,um estudo real da cidade de São Paulo. Para nós, o trabalho do sr. Militão vale mais como fonte de estudo para a formação de uma opinião favorável ao engrandecimento da província do que como obra de arte. Não quer isto dizer que o trabalho artístico  não tenha mérito e que, apreciado por essa face, não seja melhor julgado por outros. E, de fato, o tem. Aplaudimos a obra o laborioso e inteligente artista que de tal forma concorre para a verificação do progresso da capital da província. Em nosso escritório acha-se uma lista para aquelas pessoas que desejarem assinar o Álbum</em>&#8216;.</p>
<p>Apesar de sua importância histórica, o álbum foi um fracasso comercial e poucos foram comercializados. Sobre isto Militão escreveu a Garraux, em 7 de dezembro de 1887: <em>Muito pouco se vende e é preciso pedir pelo amor de Deus aos fregueses e ainda para eles pagarem quando quiserem. Isto está futricado, como o amigo sabe tão bem quanto eu</em>.</p>
<p>Como o álbum não era assinado, Militão caiu no esquecimento, mas suas fotos foram ficando famosas ao longo do século XX devido à publicação de álbuns e livros ilustrados por elas, porém sem crédito ao autor. Muitos dos quadros pintados pelo importante artista plástico Benedito Calixto (1853-1927) para a comemoração do Centenário da Independência, em 1922, foram baseados em fotos de Militão. As pinturas foram encomendadas por Afonso d´Escragnolle Taunay (1876 &#8211; 1958), na época diretor do Museu Paulista. Na década de 1930, o fotógrafo Benedito Junqueira Duarte (1910 &#8211; 1995), na ocasião responsável pela Seção de Iconografia do Departamento de Cultura da Prefeitura de São Paulo, e o historiador Nuto Santana (1889 &#8211; 1975) organizaram, catalogaram e identificaram os negativos de vidro de Militão, que haviam sido reproduzidos, em 1914, pelo fotógrafo Aurélio Becherini (1879-1939).</p>
<p>Em 1946, foi publicado na <em>Revista do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, </em>o ensaio de Gilberto Ferrez <a href="http://docvirt.no-ip.com/docreader.net/DocReader.aspx?bib=reviphan&amp;pagfis=9567&amp;pesq=" target="_blank"><em>A fotografia no Brasil e um dos seus mais dedicados servidores: Marc Ferrez (1843-1923)</em>.</a> No artigo, considerado um marco na história da fotografia no Brasil, o autor destacou a obra de Militão. Na década de 1950, na ocasião da comemoração do IV Centenário da cidade de São Paulo, foi editada uma série de cartões-postais com fotos do <em>Álbum Comparativo</em> sem crédito para  Militão. Também sem indicação de autoria, em 1953, foram publicadas dezenas de fotografias de Militão numa série de três livros <em>São Paulo Antigo – São Paulo Moderno</em>, da editora Melhoramentos.</p>
<p>Foi no início da década de 70, quando a professora Ilka Brunhilde Laurito (1925 &#8211; 2012) identificou um álbum com as vistas e outro com <a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=3873" target="_blank"><em>cartes de visite</em></a> levadas por uma tetraneta de Militão para o colégio, que a obra do fotógrafo renasceu. <a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2015/05/artigo_ilka.pdf">Ilka Brunhilde Laurito escreveu então um artigo para o Suplemento Literário do jornal <em>O Estado de São Paulo</em>, de 31 de dezembro de 1972, intitulado <em>O século XIX na fotografia de Militão</em>,</a> e chamou a atenção de historiadores e pesquisadores.</p>
<p>Em 1973, Pietro Maria Bardi (1900 &#8211; 1999) e Boris Kossoy (1941 -) organizaram no Museu de Arte de São Paulo, a 1ª Exposição da Fotografia Brasileira. Foi então mostrada uma série de retratos e imagens do álbum. Dois anos depois, o Museu da Imagem e do Som de São Paulo publicou o catálogo da exposição <em>Memória Paulistana</em>, organizada por Rudá de Andrade (1930 &#8211; 2009), destacando a obra de Militão. Em 1976, o trabalho do fotógrafo internacionalizou-se quando imagens de seus retratos e do <em>Álbum Comparativo</em> foram incluídas na exposição e no livro <em>Pioneer Photographers of Brazil</em>, realizados no Inter-American Relations, em Nova York. Em 1978, Boris Kossoy escreveu sua tese de mestrado sobre o fotógrafo, <em>Militão Augusto de Azevedo e a documentação fotográfica de São Paulo (1862-1887); recuperação da cena paulistana através da fotografia</em>. Em 1981, um bisneto de Militão, Ruy Brandão Azevedo, coordenou a mostra <em>Fotografia: Arte e Uso</em>, no Museu de Arte de São Paulo, com cópias do <em>Álbum comparativo</em> restauradas por João Sócrates de Oliveira. No mesmo ano, foi lançado pela Secretaria Municipal de Cultura de São Paulo o <em>Álbum comparativo da cidade de São Paulo: 1862-1887: Militão Augusto de Azevedo, </em>de Benedito Lima de Toledo, Boris Kossoy e Carlos Lemos.</p>
<p>A obra de Militão, além de fotografias de aspectos urbanos e do interior, inclui também com um grande número de retratos para a produção de <a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=3873" target="_blank"><em>cartes de visite</em></a> tanto de anônimos como de pessoas importantes na história do Brasil, como, por exemplo, Joaquim Nabuco (1849 &#8211; 1910), Castro Alves (1847 &#8211; 1871) e Ruy Barbosa (1849 &#8211; 1923). Foram 12.500 mil pessoas retratadas, entre 1876 e 1886, cerca de um terço da população de São Paulo na época. Esses retratos formam um verdadeiro compêndio visual de documentação de todo o arco da sociedade paulistana e brasileira da época. Militão também realizou os álbuns de vistas de São Paulo(1862), de Santos (1864-65) e da Estrada de Ferro Santos-Jundiaí (1868).  Além disso, preservou um Livro Copiador de Cartas enviadas por ele entre 1883 e 1902, com mais de 400 páginas de cópias de cartas pessoais e profissionais, recibos, cobranças, balanços e notas sobre a importação de material fotográfico.</p>
<p>O trabalho de Militão Augusto de Azevedo é precioso para o estudo da sociedade e da cidade de São Paulo no século XIX, uma referência para historiadores, fotógrafos e estudiosos.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: center;"><span style="color: #800000;"><strong><em> Cronologia de Militão Augusto de Azevedo</em></strong></span></p>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_830" style="width: 192px" class="wp-caption alignleft"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2015/05/007A5P4F06-04.jpg"><img class="wp-image-830 size-medium" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2015/05/007A5P4F06-04-182x300.jpg" alt="007A5P4F06-04" width="182" height="300" /></a><p class="wp-caption-text">Militão Augusto de Azevedo fotografado por A. Liébert. Photographie Americaine / Acervo IMS</p></div>
<p><span style="color: #800000;"><strong>1837 –</strong></span> Em 18 de junho, nascimento de Militão Augusto de Azevedo, no Rio de Janeiro, filho de Antonio Ignácio de Azevedo e Lauriana Augusto de Azevedo.</p>
<p><span style="color: #800000;"><strong>1858 &#8211; 1860 –</strong></span> No Rio de Janeiro, Militão trabalhou como cantor lírico e também como ator na Companhia Teatral Joaquim Heliodoro e na  companhia do Gymnasio, denominada Sociedade Dramática Nacional, sob a direção de Joaquim Augusto Ribeiro de Souza <a href="http://memoria.bn.br/DocReader/DocReader.aspx?bib=758817&amp;PagFis=71">(<em>Entreacto</em>, 15 de setembro de 1860)</a>..</p>
<p>Na Ópera Nacional, realização de um espetáculo em seu benefício <a href="http://memoria.bn.br/DocReader/DocReader.aspx?bib=090000&amp;PagFis=3601" target="_blank">(<em>Correio da Tarde,</em> de 3 de setembro de 1858, terceira coluna)</a>.</p>
<p>Foram encenadas peças em seu benefício (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/217280/16785" target="_blank"><em>Correio Mercantil</em>, 10 de outubro de 1859, terceira coluna</a>).</p>
<p>Morava na rua das Mangueiras, 49 (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/313394x/16939" target="_blank"><em>Almanak Administrativo, Mercantil e Comercial do Rio de Janeiro</em>, 1861</a>).</p>
<p><span style="color: #800000;"><strong>1862 -</strong></span> Em 21 de junho,  nascimento de Luiz Gonzaga de Azevedo, seu filho com a atriz Benedita Maria dos Santos Pedroso, com quem vivia.</p>
<p>Participou da reunião que decidiu criar o Monte-Pio dos Artistas Dramáticos (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/094170_02/16067" target="_blank"><em>Diário do Rio de Janeiro,</em> 11 de agosto de 1862, quinta coluna</a>).</p>
<p>Foi com a família para São Paulo como ator da Sociedade Dramática Nacional  para participar da estreia da peça <em>Luxo e vaidade</em>, de Joaquim Manoel de Macedo, que aconteceu em 29 de novembro (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/090972_02/7398" target="_blank"><em>Correio Paulistano,</em> 28 de novembro de 1862</a>).</p>
<p>Militão produziu cerca de 90 fotografias de São Paulo. Segundo Afonso d´Escragnolle Taunay (1876 &#8211; 1958), no livro <em>Velho São Paulo</em> (1954), <em>até 1860, data que nos aparece a providencial série de fotografias, aliás, ótimas de Militão de Augusto de Azevedo, os arrolamentos de peças de iconografia paulistana mantêm-se insignificantes</em>. Realiza o <em>Álbum de vistas de São Paulo 1862,</em> com trinta dessas fotos. Muitas serão utilizadas no trabalho que publicaria em 1887, o <em>Álbum Comparativo da cidade de São Paulo 1862-1887</em>.  Inicia seu trabalho como fotógrafo por volta deste ano, ou no ano seguinte, com Joaquim Feliciano Alves Carneiro e Gaspar Antonio da Silva Guimarães, proprietários do estúdio Carneiro &amp; Gaspar, cuja matriz localizava-se no Rio de Janeiro, na rua Gonçalves Dias, 60. Em São Paulo, o estabelecimento ficava na rua do Rosário, 38. Depois o estúdio transferiu-se para a rua da Imperatriz, 58.</p>
<p><span style="color: #800000;"><strong>1863 –</strong></span> Em 26 de agosto realizou-se o espetáculo <em>Recordações da Mocidade</em>, em benefício de Militão (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/090972_02/8238" target="_blank"><em>Correio Paulistano,</em> 26 de agosto de 1863, terceira coluna</a>).</p>
<p>Publicação do anúncio do <em>Álbum de vistas de São Paulo 1862</em>, destinado sobretudo aos estudantes de Direito que <em>terão assim uma recordação agradável da cidade onde passarão talvez a melhor época da vida </em>(<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/090972_02/8427" target="_blank"><em>Correio Paulistano</em>, 22 de outubro de 1863, última coluna</a>).</p>
<p><span style="color: #800000;"><strong>1864 a 1885 –</strong></span> Realizou dois álbuns importantes de vistas: o <em>Álbum de Santos</em> e o <em>Álbum da Estrada de Ferro Santos-Jundiaí</em>.</p>
<p>Militão catalogou cerca de 12.500 retratos.</p>
<p><strong><span style="color: #800000;">1868 –</span></strong> Militão, que trabalhava na Photographia Academica de Carneiro &amp; Gaspar, desde 1866 como sócio gerente (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/709557/1163" target="_blank"><em>Diário de São Paulo</em>, 19 de agosto de 1866, primeira coluna</a>), foi para o Rio de Janeiro estudar novos processos fotográficos, dentre eles o de fotografia sobre porcelana, ainda não conhecido no Brasil senão em duas casas do Rio de <a href="http://memoria.bn.br/docreader/DocReader.aspx?bib=375420&amp;pagfis=674" target="_blank">(<em>O</em> <em>Ypiranga</em>, de 19 de fevereiro de 1868).</a></p>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_15426" style="width: 643px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://memoria.bn.br/docreader/DocReader.aspx?bib=375420&amp;pagfis=674" target="_blank"><img class="wp-image-15426" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2015/05/propaganda.jpg" alt="propaganda" width="633" height="374" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="http://memoria.bn.br/docreader/DocReader.aspx?bib=375420&amp;pagfis=674" target="_blank"><em>O Ypiranga,</em> 19 de fevereiro de 1868</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p><span style="color: #800000;"><strong>1870 –</strong></span> Nascimento de seu primeiro filho, Francisco de Paula Azevedo, com sua nova companheira Maria Affonso das Dores.</p>
<p>Participou de uma reunião promovida para instalar-se uma associação dramática particular. Foi escolhido para ser seu ensaiador e também para elaborar seu regulamento interno (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/090972_03/238" target="_blank"><em>Correio Paulistano</em>, 27 de março de 1870, primeira coluna</a>).</p>
<p><span style="color: #800000;"><strong>1871 -</strong></span> Nascimento de seu segundo filho com Maria Affonso das Dores, Francisco Militão Affonso de Azevedo.</p>
<p><span style="color: #800000;"><strong>1872 –</strong> </span>Militão ficou viúvo e sua mãe, Lauriana Augusta de Azevedo, passou a se encarregar da criação de seus filhos.</p>
<p><span style="color: #800000;"><strong>1875 –</strong></span> Participou da IV Exposição Nacional com uma coleção de vistas de São Paulo.</p>
<p>Com a morte do português Gaspar Antonio da Silva Guimarães (18? &#8211; 1875) e com a venda da parte de Joaquim Feliciano Alves Carneiro (18? &#8211; 188?), Militão, que era sócio-gerente da Photographia Academica, tornou-se seu proprietário (<a href="http://memoria.bn.br/docreader/090972_03/6619" target="_blank"><em>Correio Paulistano</em>, 28 de novembro de 1875, segunda coluna</a>).</p>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_15427" style="width: 439px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://memoria.bn.br/docreader/090972_03/6619" target="_blank"><img class="wp-image-15427 size-full" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2015/05/gastao.jpg" alt="gastao" width="429" height="566" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="http://memoria.bn.br/docreader/090972_03/6619" target="_blank"><em>Correio Paulistano</em>, 28 de novembro de 1875</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>Rebatizou o estúdio com o nome de Photographia Americana. Uma curiosidade: no período de transição, nas <a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=3873" target="_blank"><em>cartes de visite</em></a> do estabelecimento, o fotógrafo improvisou, apagando o antigo nome e o endereço no Rio de Janeiro e carimbando a nova denominação.</p>
<p><span style="color: #800000;"><strong>1878 –</strong> <span style="color: #333333;">V</span></span>iajou para a Europa no paquete francês <em>Hoogly</em> para estudar os aperfeiçoamentos da arte fotográfica (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/238562/727" target="_blank"><em>O Cruzeiro</em>, 1º de maio de 1878, última coluna)</a>. A fotografia de Militão que ilustra esta cronologia foi tirada durante essa viagem por Alphonse J. Liébert (1827 &#8211; 1913), no estúdio Photographie Americaine, em Paris, e enviada de presente a sua mãe. Retroenou em setembo, no paquete francês Congo (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/238562/1288" target="_blank"><em>O Cruzeiro</em>, 15 de setembro de 1878, penúltima coluna</a>).</p>
<p>A Photographia Americana ficou sob a responsabilidade do fotógrafo e pintor retratista Caetano Ligi, que trabalhava no estúdio.</p>
<p><span style="color: #800000;"><strong>1879</strong></span> &#8211; Foi eleito diretor do mês do Club Euterpe Comercial (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/713120/486" target="_blank"><em>Jornal da Tarde</em>, 11 de março de 1879, segunda coluna</a>).</p>
<p><strong><span style="color: #800000;">1881 </span>– </strong>Enviou para o <em>Correio Paulistano</em><strong> </strong>uma vista fotográfica, <em>cópia<strong> </strong>da do edifício da exposição brasileira-alemã em Porto Alegre<strong> </strong></em>(<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/090972_04/1962" target="_blank"><em>Correio Paulistano</em>, 18 de setembro de 1881, quarta coluna</a>).</p>
<p><strong><span style="color: #800000;">1883 </span>– </strong>Ele, <a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?page_id=1371" target="_blank">Alberto Henschel</a> e Carlos Hoenen estavam na lista de fotógrafos da Província de São Paulo (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/313394x/56263" target="_blank"><em>Almanak Administrativo, Mercantil e Comercial do Rio de Janeiro</em>, 1883</a>).</p>
<p><span style="color: #800000;"><strong>1885 –</strong></span> Em 7 de agosto, falecimento de sua mãe, Lauriana Augusta de Azevedo (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/090972_04/6869" target="_blank"><em>Correio Paulistano</em>, 8 de agosto de 1885, quarta coluna</a>).</p>
<p>Enviou ao <em>Correio Paulistano</em> uma fotografia tirada de um curioso trabalho litográfico representando o retrato do poeta francês Victor Hugo (1802 &#8211; 1885) executado pelo belga M.Gaillard (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/090972_04/7317" target="_blank"><em>Correio Paulistano</em>, 20 de dezembro de 1885, última coluna</a>).</p>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_15437" style="width: 346px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://memoria.bn.br/docreader/090972_04/7317" target="_blank"><img class="wp-image-15437 size-full" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2015/05/hugo.jpg" alt="hugo" width="336" height="314" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="http://memoria.bn.br/docreader/090972_04/7317" target="_blank"><em>Correio Paulistano</em>, 20 de dezembro de 1885</a></p></div>
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<p>Em 31 de dezembro, Militão encaminhou um ofício às autoridades municipais informando sobre o fim da Photographia Americana.</p>
<p><span style="color: #800000;"><strong>1886 –</strong> </span>Militão tentou passar adiante a Photographia Americana, mas não conseguiu. Reformou e alugou a casa e vendeu aos poucos o equipamento fotográfico. Sobre isso, escreveu a seu amigo, o ator Jacinto Heller, em 5 de abril: <em>Como deve saber estou hoje vagabundo. Liquidei mal e porcamente a fotografia, fazendo leilão no qual só vendi os trastes (vendi é um modo de dizer porque quase os dei) ficando com tudo de fotografia porque os colegas estão como eu</em>.</p>
<p><span style="color: #800000;"><strong>1887 –</strong></span>  Teve a a ideia de montar um álbum de vistas de São Paulo de 1862 e 1887. Retornou então aos mesmos lugares das fotos que havia tirado em 1862 e produziu uma nova série de fotografias.</p>
<p>No jornal <em>A Província de São Paulo</em>, do dia 11 de agosto, foi anunciada a obra-prima de Militão: o <em>Álbum Comparativo da cidade de São Paulo 1862-1887 </em>acompanhado do artigo <em>A Velha e a Nova Cidade de São Paulo</em>. Com sessenta fotografias, 18 pares comparativos e 24 vistas isoladas, foram postos à venda a 50 mil réis por exemplar &#8211; até o dia 31 de agosto: depois custariam 70 mil réis.</p>
<p><span style="color: #800000;"><strong>1888</strong> </span>- Abandonou definitivamente a fotografia.</p>
<p><span style="color: #800000;"><strong>1889 -</strong> <span style="color: #333333;">V</span></span><span style="color: #333333;">iajou</span> à Europa. Entre este ano e 1905, voltou a viver no Rio de Janeiro, mas em algum momento retornou a São Paulo, possivelmente em 1902, onde viveu com seu filho Luiz Gonzaga, um bem sucedido advogado.</p>
<p><span style="color: #800000;"><strong>1892 –</strong></span> Viajou aos Estados Unidos.</p>
<p><strong><span style="color: #800000;">1900 –</span></strong> Viajou à Europa.</p>
<p><strong><span style="color: #800000;">1905 –</span> </strong>Falecimento de Militão de Augusto de Azevedo, em São Paulo, no dia 24 de maio (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/090972_06/6671" target="_blank"><em>Correio Paulistano</em>, 30 de maio de 1905, penúltima coluna</a>).</p>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_15438" style="width: 200px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://memoria.bn.br/docreader/090972_06/6671" target="_blank"><img class="wp-image-15438 size-full" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2015/05/morte.jpg" alt="morte" width="190" height="212" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="http://memoria.bn.br/docreader/090972_06/6671" target="_blank"><em>Correio Paulistano</em>, 30 de maio de 1905</a></p></div>
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<p>A Brasiliana Fotográfica destaca instituições detentoras de importantes acervos da obra de Militão Augusto de Azevedo: a Biblioteca Mário de Andrade, a Casa da Imagem, o Museu Paulista e o Instituto Moreira Salles.</p>
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<p>Contribuiu para esta pesquisa Virginia Albertini (IMS).</p>
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<p>Andrea C. T. Wanderley</p>
<p>Editora-assistente e pesquisadora do portal Brasiliana Fotográfica</p>
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<p>Leia também <a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=10251" target="_blank"><em>A cidade de Santos de Militão Augusto de Azevedo (</em>1837 – 1905)</a>, publicada na Brasiliana Fotográfica em 26 de janeiro de 2018.</p>
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<p><strong><span style="color: #800000;">Fontes:</span></strong></p>
<p>CALDATTTO BARBOSA, Gino; MEDEIROS, de CARVALHO FONTENELLE de, Marjorie; FERRAZ de LIMA, Solange; CARNEIRO de CARVALHO, Vania. <em>Santos e seus arrabaldes: Álbum de Militão Augusto de Azevedo</em>; organização de Gino Caldatto Barbosa, Marjorie de Carvalho Fontenelle de Medeiros, Solange Ferraz de Lima, Vânia Carneiro de Carvalho. São Paulo: Magma Cultural e Editora, 2004. 167 p., il. ISBN 85-98230-02-2.</p>
<p>DEAECTO, Marisa Midori. <em><a href="http://www.redalyc.org/articulo.oa?id=26305505" target="_blank">Anatole Louis Garraux e o comércio de livros franceses em São Paulo (1860-1890)</a>.</em> Revista Brasileira de História, vol. 28, núm. 55, janeiro-junho, 2008, pp. 85-106 Associação Nacional de História São Paulo, Brasil.</p>
<p>FERNANDES JUNIOR, Rubens; BARBUY, Heloisa; FREHSE, Fraya. <em>Militão Augusto de Azevedo.</em> São Paulo: Cosac Naify, 2012. 220pp.,ils ISBN 978-85-405-0235-2</p>
<p><a href="http://bndigital.bn.br/hemeroteca-digital/" target="_blank">Hemeroteca Digital da Biblioteca Nacional</a></p>
<p>KOSSOY, Boris. <em>Dicionário Histórico-Fotográfico Brasileiro: fotógrafos e ofício da fotografia no Brasil(1833-1910)</em>. São Paulo: Instituto Moreira Salles, 2002. ISBN 85-86707-07-4</p>
<p>KOSSOY, Boris. <em>Militão Augusto de Azevedo e a documentação fotográfica de São Paulo (1862-1887): a </em><em>recuperação da cena paulistana através da fotografia</em>. Direção de Antonio Rubbo Müller. São Paulo: [s.n.], 1978. 121 p., il.</p>
<p>LAGO, Pedro Correa do. <em>Militão Augusto de Azevedo: São Paulo nos anos 1860.</em> Dedicatória de Rubens Fernandes Junior. Rio de Janeiro: Capivara, 2001. v. 2. 263 p., il. (Coleção Visões do Brasil; v. 2). ISBN 8586011479.</p>
<p>LAURITO, Ilka Brunhilde; LEMOS, Carlos A.C.; RODRIGUES, Eduardo de Jesus; MACHADO, Lucio Gomes. <em>São Paulo em Três Tempos &#8211; Álbum Comparativo da cidade de São Paulo(1862-1887-1914)</em>. Casa Civil / Imprensa Oficial do Estado S.A./ Secretaria da Cultura / Arquivo do Estado. São Paulo, 1982.</p>
<p>MAGOSSI, Eduardo; LUQUET, Mara. <em>São Paulo relembrada: Militão, um novo álbum comparativo: 1862-1887 e 2003.</em> São Paulo: JCN, 2003. 147 p., il. ISBN 8585985143.</p>
<p>TOLEDO, Benedito Lima de; KOSSOY, Boris; LEMOS, Carlos. <em>Álbum comparativo da cidade de São Paulo &#8211; 1862-1887: Militão Augusto de Azevedo</em>. São Paulo: Secretaria de Cultura, 1981. 53 p.</p>
<p><a href="http://www.ims.com.br/ims/explore/artista/militao-augusto-de-azevedo" target="_blank">Site do Instituto Moreira Salles</a></p>
<p><a href="http://enciclopedia.itaucultural.org.br/pessoa2001/militão-augusto-de-azevedo" target="_blank">Site da Enciclopédia Itaú Cultural</a></p>
<p>&nbsp;</p>
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