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	<title>Brasiliana Fotográfica &#187; Verascope Richard</title>
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		<title>Oswaldo Cruz, o Dr. Photographo, em Paris</title>
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		<pubDate>Tue, 13 May 2025 12:44:20 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Andrea Wanderley]]></dc:creator>
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		<description><![CDATA[No artigo de hoje, de autoria da jornalista Cristiane d´Avila e da historiadora Ana Luce Girão, ambas da Casa de Oswaldo Cruz/Fiocruz, uma das instituições parceiras da Brasiliana Fotográfica, são divulgadas imagens inéditas de Paris, realizadas em 1907, "frutos do olhar de um célebre autor: Oswaldo Cruz". Estão sob a guarda do arquivo histórico do Departamento de Arquivo e Documentação da Casa de Oswaldo Cruz. Com um olhar de "flanêur", o cientista percorre as ruas de Paris produzindo com um "Verascope Richard" fotografias estereoscópicas da cidade. A publicação deste artigo coincide com a realização da Temporada Brasil-França, ano cultural estabelecido pelos presidentes do Brasil e da França, quando uma série de eventos acontecerão entre abril e dezembro deste ano, em ambos os países.]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: left;">No artigo de hoje, de autoria da jornalista Cristiane d´Avila e da historiadora Ana Luce Girão, ambas da Casa de Oswaldo Cruz/Fiocruz, uma das instituições parceiras da Brasiliana Fotográfica, são divulgadas imagens inéditas de Paris, realizadas em 1907, &#8220;frutos do olhar de um célebre autor: Oswaldo Cruz&#8221;.</p>
<p>&nbsp;</p>
<div style="width: 710px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/13337" target="_blank"><img src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/bitstream/handle/20.500.12156.1/13337/br_rjcoc_fo_01_03_v04_48.jpg.jpg?sequence=4&amp;isAllowed=y" alt="Thumbnail" width="700" height="304" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/13337" target="_blank">Oswaldo Cruz. Jardim do Trocadéro com a Torre Eiffel ao fundo, outubro de 1907. Paris, França / Acervo Casa de Oswaldo Cruz</a></p></div>
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<p><span style="color: #800000;"><a style="color: #800000;" href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/visualizar-grupo-trabalho/413" target="_blank"><strong>Acessando o link para as fotografias de autoria de Oswaldo Cruz produzidas em Paris, em 1907, o leitor poderá magnificar as imagens e verificar todos os dados referentes a elas.</strong></a></span></p>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: left;">O cientista flanou pelas ruas de Paris e produziu fotografias estereoscópicas com um <em>Verascope Richard</em>, sistema de integração entre câmera e visor, que permitia ver imagens em 3D, produzidas a partir de duas fotos quase iguais, porém tiradas de ângulos um pouco diferentes. Eram impressas em uma placa de vidro e reproduziam a sensação de profundidade de maneira bem próxima da visão real. No Brasil se destacaram na produção de registros estereoscópicos o comerciante, colecionador de selos e pinturas e fotógrafo amador carioca <a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=5545" target="_blank">Guilherme dos Santos (1871 &#8211; 1966) </a>e o francês <a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=5809" target="_blank">Revert Henrique Klumb (1826 – c. 1886)</a>, “Photographo da Casa Imperial”, favorito da imperatriz <a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=6798" target="_blank">Teresa Christina</a> e professor de fotografia da <a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=1797">princesa Isabel</a>. A <a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=2492">Casa Leuzinger</a> também produziu fotografias estereoscópicas. A técnica da estereoscopia foi desenvolvida pelo escocês David Brewster (1781 – 1868), em 1844, poucos anos após a <a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=1987" target="_blank">invenção da fotografia</a>. O lançamento do <em>Verascope</em>, pela <em>Maison Richard</em>, na França, em 1893, contribuiu para que a estereoscopia voltasse a se proliferar, atraindo a atenção de fotógrafos amadores e de foto clubes europeus.</p>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_39582" style="width: 362px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://vintageclassiccamera.com/index.php?main_page=product_info&amp;products_id=9463" target="_blank"><img class="size-full wp-image-39582" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2025/04/oswaldo1.jpg" alt="Verascope Richard" width="352" height="291" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://vintageclassiccamera.com/index.php?main_page=product_info&amp;products_id=9463" target="_blank">Verascope Richard</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: center;"><span style="color: #800000;"><em><strong>Oswaldo Cruz, o Dr. Photographo, em Paris</strong></em></span></p>
<p style="text-align: center;"> Cristiane d’Avila e Ana Luce Girão*</p>
<p>&nbsp;</p>
<div style="width: 389px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/11962" target="_blank"><img src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/bitstream/handle/20.500.12156.1/11962/br_rj_coc_fo_01_02_08.jpg.jpg?sequence=3&amp;isAllowed=y" alt="Thumbnail" width="379" height="501" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/11962" target="_blank">Oswaldo Cruz, s/d / Acervo Casa de Oswaldo Cruz</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>Entre os meses de abril e dezembro deste ano, Brasil e França realizam uma série de eventos, em ambos os países, para reforçar as relações diplomáticas bilaterais e as parcerias entre instituições brasileiras e francesas. Trata-se da Temporada Brasil-França, ano cultural estabelecido pelos presidentes Luiz Inácio Lula da Silva (1945-) e Emmanuel Macron (1977-), que coincide com os dez anos do Acordo de Paris e a COP 30, em Belém do Pará, em dezembro próximo. A proposta é debater temas referentes a clima e transição ecológica, diversidade, democracia e globalização equitativa.</p>
<p style="text-align: left;">Motivado pela celebração, o Departamento de Arquivo e Documentação da Casa de Oswaldo Cruz traz a público imagens estereoscópicas inéditas de Paris, sob a guarda do arquivo histórico, datadas de 1907. O ineditismo, nesse caso, tem duplo sentido: além de não divulgadas até então, as imagens são frutos do olhar de um célebre autor: Oswaldo Cruz (1872-1917), em suas deambulações pelas ruas da capital francesa. Neste artigo, seguiremos o caminhante <a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=34024" target="_blank">Dr. Photographo</a>, alcunha carinhosamente atribuída ao médico por estudantes da Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro, em sua <em>flânerie</em> pela cidade-luz, durante a qual registrou suas emblemáticas praças e monumentos.</p>
<p>&nbsp;</p>
<div style="width: 714px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/13334" target="_blank"><img src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/bitstream/handle/20.500.12156.1/13334/br_rjcoc_fo_01_03_v04_78.jpg.jpg?sequence=4&amp;isAllowed=y" alt="Thumbnail" width="704" height="304" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/13334" target="_blank">Oswaldo Cruz. Praça Trocadéro em Paris, outubro de 1907. Paris, França / Acervo Casa de Oswaldo Cruz</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>“Em Paris não se escreve, vive-se.”, sentenciou o genial João do Rio, pseudônimo mais famoso do jornalista e cronista Paulo Barreto (1881-1921), em carta ao amigo português, o poeta e pedagogo João de Barros (1881-1960), em fevereiro de 1909<a href="#_edn1" name="_ednref1">[i]</a>. O sentimento captado pelo <em>flâneur</em> da alma encantadora das ruas pode ter igualmente arrebatado seu contemporâneo na Academia Brasileira de Letras, o cientista Oswaldo Cruz , que viveu a cidade-luz registrando suas praças e monumentos por estereoscópio<a href="#_edn2" name="_ednref2"><em><strong>[ii]</strong></em></a>. Homem de seu tempo atento aos avanços tecnológicos da modernidade, Oswaldo parece ter se deslumbrado com a capital francesa, lócus da <em>belle époque</em> por excelência, o que o declara nas imagens aqui publicadas.</p>
<p>&nbsp;</p>
<div style="width: 714px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/13338" target="_blank"><img src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/bitstream/handle/20.500.12156.1/13338/br_rjcoc_fo_01_03_v04_47.jpg.jpg?sequence=4&amp;isAllowed=y" alt="Thumbnail" width="704" height="304" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/13338" target="_blank">Oswaldo Cruz. Avenida Marceau em Paris, outubro de 1907. Paris, França / Acervo Casa de Oswaldo Cruz</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>O périplo acadêmico-científico do médico, então diretor do Instituto Soroterápico Federal (que logo passou a Instituto Oswaldo Cruz, embrião da Fiocruz), foi iniciado em Paris, de onde rumou para outras capitais da Europa, Estados Unidos e México. Como de costume à época, o roteiro do cientista pelo continente europeu começou em Lisboa, onde o “Avon”, navio transatlântico da grandiosa companhia de transporte britânica <em>Royal Mail Steam Packet Company</em>, aportou em 7 de agosto de 1907.</p>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_39575" style="width: 807px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://commons.wikimedia.org/w/index.php?curid=21344526" target="_blank"><img class="wp-image-39575 size-full" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2025/04/avon.jpg" alt="avon" width="797" height="523" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://commons.wikimedia.org/w/index.php?curid=21344526" target="_blank">Sala de jantar da primeira classe do RMST Avon, 1909 / Wikipedia Commons</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>A bordo do navio, ainda em alto-mar, Cruz escreveu duas longas cartas à esposa Emília, a quem carinhosamente chamava de Miloca ou Miloquinha. Nas missivas, o cientista queixou-se: “O <em>spleen</em> que me devora em palavras representadas por estes garranchos (&#8230;) evade-me o espírito e assenhora-se por completo de mim”. O comentário melancólico, tão ao gosto do Decadentismo baudelairiano e dos estrangeirismos, não impediu que Oswaldo observasse que o “flirt” (flerte) “imperava em todos os cantos” do “Avon”.</p>
<p>&nbsp;</p>
<div style="width: 532px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://basearch.coc.fiocruz.br/index.php/xv-exposicao-de-demografia-e-higiene" target="_blank"><img src="https://basearch.coc.fiocruz.br/uploads/r/fundacao-oswaldo-cruz-casa-de-oswaldo-cruz/d/1/8/d18836828fadbbe1c9f0d7254db5d9447d5151a683bad868aa131f8a96de0f62/2023-07-13_152234.jpg" alt="Open original objeto digital" width="522" height="791" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://basearch.coc.fiocruz.br/index.php/xv-exposicao-de-demografia-e-higiene" target="_blank">Correspondência pessoal do Fundo Oswaldo Cruz sob a guarda da Casa de Oswaldo Cruz/Fiocruz. Dossiê 05 &#8211; XV Exposição de Demografia e Higiene de Berlim [iii]</a></p></div>
<p>Após desembarcar em Lisboa, onde ficou tempo suficiente para visitar a cidade serrana de Sintra e almoçar no famoso restaurante Leão D’Ouro, partiu no mesmo dia para Paris, permanecendo alguns dias na cidade. Da capital francesa foi para Berlim e, posteriormente, Nova Iorque, Washington e Cidade do México.</p>
<p><span style="color: #800000;"><strong>O sucesso em Berlim</strong></span></p>
<p>A viagem foi motivada pelo convite do governo alemão para que o Brasil participasse do XIV Congresso Internacional de Higiene e Demografia, que se reuniria em Berlim, em setembro daquele ano. Representando o Brasil, o então Instituto Soroterápico Federal apresentou uma exposição composta, entre outras coisas, por peças anátomo- patológicas, coleções de mosquitos, imagens do expurgo dos mosquitos nas residências e modelo de isolamento hospitalar dos pacientes de febre amarela. No evento, os cientistas demonstraram como se deu o combate vitorioso contra a febre amarela no Rio de Janeiro.</p>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_39581" style="width: 532px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://memoria.bn.gov.br/docreader/116300/9748" target="_blank"><img class="size-full wp-image-39581" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2025/04/oswaldo.jpg" alt="O Malho, 3 de agosto de 1907" width="522" height="513" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="http://memoria.bn.gov.br/docreader/116300/9748" target="_blank"><em>O Malho</em>, 3 de agosto de 1907</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>A exposição do Instituto Soroterápico Federal recebeu o 1º prêmio, representado por uma medalha de ouro oferecida pela Imperatriz alemã Augusta Vitória de Schleswig-Holstein (1858 &#8211; 1921). A enorme repercussão deste prêmio no Brasil trouxe um grande prestígio para Oswaldo Cruz e para o instituto que dirigia. Isso fez com que sua viagem se estendesse.</p>
<p>&nbsp;</p>
<div style="width: 306px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://www.museudavida.fiocruz.br/index.php/museologico/objeto-em-foco/acervo-museologico-medalha-do-congresso-de-higiene-e-demografia-de-berlim" target="_blank"><img src="https://www.museudavida.fiocruz.br/images/Acervo/Objeto/medalhaberlimobjetoemfoco.jpg" alt="" width="296" height="291" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://www.museudavida.fiocruz.br/index.php/museologico/objeto-em-foco/acervo-museologico-medalha-do-congresso-de-higiene-e-demografia-de-berlim" target="_blank">Medalha de Ouro da Exposição de Higiene do XIV Congresso Internacional de Higiene e Demografia</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>Assim, por designação do governo brasileiro, seguiu para a Cidade do México (passando antes para conhecer Nova Iorque) para participar da 3ª Convenção Sanitária Internacional das Repúblicas Americanas. Da capital mexicana partiu para Washington, uma vez que o então embaixador brasileiro, Joaquim Nabuco (1849 &#8211; 1910), agendara um encontro dele com o presidente Theodore Roosevelt (1858 &#8211; 1919). O objetivo da missão era comunicar ao chefe estadunidense a extinção da febre amarela no Rio de Janeiro.</p>
<p>Nessa mesma temporada, da América cruzou mais uma vez o Atlântico Norte para visitas às Escolas de Higiene e Medicina Tropical de Londres e Liverpool. Na carta que escreve de Liverpool à esposa, em 21 de dezembro de 1907, Oswaldo diz que pretende finalizar sua viagem em Paris, para descansar e comprar os presentes e vestidos que ela havia encomendado a ele. Outra ‘missão’ que deveria cumprir na capital era a promessa, também feita a Miloca, de depositar uma placa comemorativa na Igreja de <em>Notre Dame des Victoires </em>por uma graça recebida.</p>
<p>Em 19 de outubro escreveu a Egydio Salles Guerra (1858 – 1945), seu amigo e posterior biógrafo: “Depois de ter percorrido uma longa via sacra estou instalado no meu antigo &#8220;<em>quartier</em> dos <em>Champs Elysées</em>: Avda • Marignan, 17, num <em>pequeno rez de chaussée </em>mais ou menos confortável!”<a href="#_edn4" name="_ednref4">[iv]</a>.</p>
<p>&nbsp;</p>
<div style="width: 710px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/13333" target="_blank"><img src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/bitstream/handle/20.500.12156.1/13333/br_rjcoc_fo_01_03_v04_85.jpg.jpg?sequence=5&amp;isAllowed=y" alt="Thumbnail" width="700" height="302" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/13333" target="_blank">Oswaldo Cruz. Interior do apartamento de Oswaldo Cruz na Rua Marignan n. 17 em Paris, outubro de 1907. Paris, França / Acervo Casa de Oswaldo Cruz</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>Em carta seguinte, datada de 5 de janeiro de 1908, se congratula com a esposa pelo aniversário de casamento de ambos, dá notícias sobre o andamento das encomendas de vestidos e chapéus, e informa que partirá de Paris em 24 do mesmo mês, devendo finalmente chegar ao Rio de Janeiro em 10 de fevereiro (<a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/103730_04/16683" target="_blank"><em>Gazeta de Notícia</em>s, 10 de fevereiro de 1908, sétima coluna</a>).</p>
<p>O retorno a Paris, de fato, teria sido sugestão de Salles Guerra, muito preocupado com a saúde de Oswaldo Cruz. Salles Guerra havia sugerido que Oswaldo fosse para a Suíça e permanecesse algum tempo no Sanatório de <em>Val Mont,</em> em Montreaux para tratar de uma nefrite, recentemente diagnosticada, motivo de grande preocupação de sua família e amigos. Conselho que o amigo e “paciente” não acatou, afirmando ter horror a sanatórios.</p>
<p>Na última carta da série (iniciada em agosto de 1907), datada de 14 de janeiro de 1908, escrita de Paris, vê-se um Oswaldo Cruz circunspecto, que evita contatos formais e sofre com o rigor do inverno parisiense. Imerso em grande nostalgia do tempo em que morou com a esposa e os três filhos mais velhos na <em>Rue Marbeuf, </em>entre 1897 e 1898<em>, </em>relata que os lagos do <em>Bois de Boulogne</em> estão congelados, atraindo muitos patinadores, e pede para Miloca informar às crianças que o circo da <em>Avenue des Champs Elysée</em><a href="#_edn5" name="_ednref5">[v]</a> já não existe mais.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><a href="#_ednref1" name="_edn1">[i]</a> RIO, João do. <em>Cartas de João do Rio a João de Barros e Carlos Malheiro Dias</em>. Org.: Cristiane d’Avila. Prefácio: Zuenir Ventura. Rio de Janeiro: Funarte, 2013, p.75.</p>
<p><a href="#_ednref2" name="_edn2">[ii]</a> Para saber mais sobre a estereoscopia, ver o interessante artigo <a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=14719"><em>A estereoscopia e o olhar da modernidad</em>e</a> de Maria Isabela Mendonça dos Santos na Brasiliana Fotográfica.</p>
<p><a href="#_ednref3" name="_edn3">[iii]</a> As cartas de Oswaldo Cruz para sua esposa compõem este Dossiê e parte delas está transcrita em <a href="https://oswaldocruz.fiocruz.br/index.php/acervos/#correspondencias">Biblioteca Virtual Oswaldo Cruz &#8211; Acervos</a></p>
<p><a href="#_ednref4" name="_edn4">[iv]</a> SALES GUERRA, Egydio. <em>Oswaldo Cruz</em>. Primeira Edição. Rio de Janeiro: Casa Editora Vecchi Limitada, 1940, p.391.</p>
<p><a href="#_ednref5" name="_edn5">[v]</a> Cirque d’Été, demolido em 1900.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>* Cristiane  d’Avila é jornalista e Ana Luce Girão é historiadora do Departamento de Arquivo e Documentação da Casa de Oswaldo Cruz (COC/Fiocruz)</p>
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		<title>Vem chegando o verão&#8230;e os banhistas do fotógrafo amador Guilherme Santos (1871 &#8211; 1966)</title>
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		<pubDate>Fri, 22 Dec 2023 03:33:04 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Andrea Wanderley]]></dc:creator>
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		<description><![CDATA[A Brasiliana Fotográfica celebra a chegada do verão destacando 14 imagens de banhistas nas praias de Copacabana e do Flamengo, produzidas, entre as décadas de 20 e 30,  pelo fotógrafo amador carioca Guilherme Santos (1871 - 1966), um entusiasta da fotografia estereoscópica, tendo sido um dos pioneiros dessa  técnica no Brasil, ao adquirir, em 1905, na França, o Verascope. As estereoscopias, pertencentes ao acervo do Instituto Moreira Salles, uma das instituições fundadoras do portal, mostram a beleza das praias do Rio de Janeiro e traduzem a alegria da estação. São lúdicas e divertidas! Como o verão!]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p>A Brasiliana Fotográfica celebra a chegada do verão destacando 14 imagens de banhistas nas praias de Copacabana e do Flamengo, produzidas, entre as décadas de 20 e 30, pelo fotógrafo amador carioca Guilherme Santos (1871 &#8211; 1966). São estereoscopias e pertencem ao acervo do Instituto Moreira Salles, uma das instituições fundadoras do portal. Mostram a beleza das praias do Rio de Janeiro e traduzem a alegria da estação. São lúdicas e divertidas! Como o verão!</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><img class=" aligncenter" src="https://img.freepik.com/fotos-premium/desenho-em-aquarela-de-sol-ilustracao-infantil-do-sol-desenhado-a-mao-isolado-em-um-branco_276714-533.jpg?w=2000" alt="Desenho em aquarela de sol ilustração infantil do sol desenhado à mão,  isolado em um branco | Foto Premium" width="169" height="165" /></p>
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<div style="width: 711px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/9553" target="_blank"><img src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/bitstream/handle/20.500.12156.1/9553/002080Vol05Cx0402.jpg.jpg?sequence=2&amp;isAllowed=y" alt="Thumbnail" width="701" height="323" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/9553" target="_blank">Guilherme Santos. Banhistas na Praia de Copacabana, c. 1930. Rio de Janeiro, RJ / Acervo IMS</a></p></div>
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<div style="width: 710px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/9517" target="_blank"><img src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/bitstream/handle/20.500.12156.1/9517/002080Vol01Cx0701.jpg.jpg?sequence=2&amp;isAllowed=y" alt="Thumbnail" width="700" height="292" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/9517" target="_blank">Guilherme Santos. Banhistas na Praia do Flamengo, c. 1920. Rio de Janeiro, RJ / Acervo IMS</a></p></div>
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<p><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/visualizar-grupo-trabalho/370" target="_blank">Acessando o link para as fotografias de banhistas produzidas por Guilherme Santos disponíveis na Brasiliana Fotográfica, o leitor poderá magnificar as imagens e verificar todos os dados referentes a elas. </a></p>
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<div style="width: 712px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/9554" target="_blank"><img src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/bitstream/handle/20.500.12156.1/9554/002080Vol05Cx0403.jpg.jpg?sequence=2&amp;isAllowed=y" alt="Thumbnail" width="702" height="323" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/9554" target="_blank">Guilherme Santos. Banhistas na Praia de Copacabana, c. 1930. Rio de Janeiro, RJ / Acervo IMS</a></p></div>
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<div id="attachment_34207" style="width: 712px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/10240" target="_blank"><img class=" wp-image-34207" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2023/09/praiadoflamento.jpg" alt="Guilherme Santos. Banhistas na praia do Flamengo; ao fundo, o Morro do Pão de Açúcar, década de 20. Rio de Janeiro, RJ / Acervo IMS" width="702" height="301" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/10240" target="_blank">Guilherme Santos. Banhistas na praia do Flamengo; ao fundo, o Morro do Pão de Açúcar, década de 20. Rio de Janeiro, RJ / Acervo IMS</a></p></div>
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<p>Guilherme Antônio dos Santos (1871 – 1966) era um entusiasta da fotografia estereoscópica, tendo sido um dos pioneiros dessa  técnica no Brasil, ao adquirir, em 1905, na França, o <em>Verascope, </em>um sistema de integração entre câmera e visor, que permitia ver imagens em 3D, produzidas a partir de duas fotos quase iguais, porém tiradas de ângulos um pouco diferentes. Eram impressas em uma placa de vidro e reproduziam a sensação de profundidade de maneira bem próxima da visão real.</p>
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<div id="attachment_34224" style="width: 504px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://www.lastdodo.de/de/items/3689335-verascope-richard-c-1905-30" target="_blank"><img class="size-full wp-image-34224" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2023/09/verascope.jpg" alt="Richard Verascope, c. 1905" width="494" height="333" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://www.lastdodo.de/de/items/3689335-verascope-richard-c-1905-30" target="_blank">Verascope Richard, c. 1905</a></p></div>
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<p>Antes dele, entre os anos de 1855 e 1862, o “Photographo da Casa Imperial”, <a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=5809" target="_blank">Revert Henrique Klumb (1826 – c. 1886)</a>, favorito da imperatriz <a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=6798" target="_blank">Teresa Christina (1822 &#8211; 1889) </a>e professor de fotografia da <a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=1797" target="_blank">princesa Isabel (1846 – 1921)</a>, havia produzido vários registros utilizando a técnica da estereoscopia. A <a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=2492">Casa Leuzinger</a> também produziu fotografias estereoscópicas.</p>
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<div style="width: 278px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://memoria.bn.br/docreader/DocReader.aspx?bib=116300&amp;pagfis=102059" target="_blank"><img class="" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2016/07/Guilhermemalho-217x300.jpg" alt="Guilhermemalho" width="268" height="371" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="http://memoria.bn.br/docreader/DocReader.aspx?bib=116300&amp;pagfis=102059" target="_blank">Retrato do fotógrafo amador Guilherme Santos, publicado em <em>O Malho</em>, setembro de 1951</a></p></div>
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<p><em>“Tendo viajado à Europa em 1905 e verificado a maneira deprimente como era julgado e apresentado o Brasil em certas fotografias e, coincidindo com o interesse que então me despertava a arte fotográfica, um ideal dominou o meu sentimento de brasileiro: fazer um arquivo de fotografias que um dia provasse que o Brasil não era aquilo que estava sendo apresentado; minhas criações fotográficas mostrariam em quadros, com expressão artística, um Brasil adiantado e cheio de atrações, civilizado, habitado por uma raça superior e, não olhando sacrifícios, nem gastos, vencendo obstáculos e suportando e prejudicando interesses, em atividade constante nestes últimos quarenta e dois anos, consegui reunir o arquivo que está em condições de ter aproveitamento para a educação, cultura do povo e propaganda do Brasil”.</em></p>
<p style="text-align: right;">Guilherme Santos, <a href="http://memoria.bn.br/DocReader/DocReader.aspx?bib=120588&amp;PagFis=41252" target="_blank"><em>Noite Ilustrada,</em> 1º de agosto de 1950</a></p>
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<div id="attachment_34219" style="width: 419px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://memoria.bn.br/docreader/116300/102059" target="_blank"><img class="size-full wp-image-34219" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2023/09/SANTOS1.jpg" alt="O Malho, setembro de 1951" width="409" height="211" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="http://memoria.bn.br/docreader/116300/102059" target="_blank"><em>O Malho</em>, setembro de 1951</a></p></div>
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<div id="attachment_4073" style="width: 228px" class="wp-caption alignleft"><a href="http://memoria.bn.br/DocReader/003581/330" target="_blank"><img class="wp-image-4073" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2015/11/cruzeiro-218x300.jpg" alt="cruzeiro" width="218" height="300" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="http://memoria.bn.br/DocReader/003581/330" target="_blank"><em>Cruzeiro</em>, 15 de dezembro de 1928</a></p></div>
<p><a href="http://memoria.bn.br/DocReader/docreader.aspx?bib=003581&amp;PagFis=332" target="_blank">Acesse aqui uma edição especial da revista <em>Cruzeiro</em>, de 15 de dezembro de 1928, sobre as <em>Praias de Banho</em> no Rio de Janeiro, em Paquetá e em Niterói.</a></p>
<p>Nesta edição, <em>O Cruzeiro</em>  divulgou os resultados do <a href="http://memoria.bn.br/DocReader/003581/362" target="_blank">primeiro concurso de fotografia</a> promovido pela revista (páginas 33 e 34), cujo tema foi “a vida das praias”.</p>
<p>Há ainda artigos sobre o verão, fotografias e caricaturas de banhistas em diversas praias como Copacabana, Flamengo e Urca; e anúncios de roupas para <em>banho de mar</em>. Uma das matérias da revista é sobre estrelas de cinema internacionais fotografadas com roupas de praia. Outra, intitulada <em>Em louvor das praias</em>, foi escrita pela então Rainha dos Estudantes, Anna Amélia Carneiro de Mendonça (1896 -1971).</p>
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<p>Andrea C. T. Wanderley</p>
<p>Editora e pesquisadora do portal Brasiliana Fotográfica</p>
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<p>Acesse aqui:</p>
<p><a href="https://discografiabrasileira.com.br/posts/247266/verao-para-ouvir-beduinos-paqueras-tendencias-da-moda-e-calores-em-78-rpm" target="_blank"><em>VERÃO PARA OUVIR: BEDUÍNOS, PAQUERAS, TENDÊNCIAS DA MODA E CALORES EM 78 RPM</em>, de Pedro Paulo Malta</a></p>
<p><a href="https://cronicabrasileira.org.br/cronicas/name/ver%C3%A3o" target="_blank">Crônicas em torno do tema verão publicadas no portal da Crônica Brasileira</a></p>
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