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	<title>Brasiliana Fotográfica &#187; trem</title>
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		<title>Um fotógrafo inglês na Bahia: Benjamin Robert Mulock (18/06/1829 &#8211; 17/06/1863)</title>
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		<pubDate>Mon, 19 Jun 2017 14:08:58 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Andrea Wanderley]]></dc:creator>
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		<description><![CDATA[Entre 1859, quando chegou ao Brasil, e 1862, quando retornou à Inglaterra, o fotógrafo e engenheiro inglês Benjamin Robert Mulock (1829 - 1863) documentou a construção da estrada de ferro Bahia a São Francisco, cuja primeira seção foi inaugurada em 1860. Em torno de 1861, vinte e sete dessas fotografias e também 32 imagens da cidade de Salvador e do interior da Bahia atribuídas a ele foram presenteadas a d. Pedro II. Mulock foi internado em um asilo de doentes mentais, em 7 de junho de 1863, fugiu cinco dias depois, foi atropelado e faleceu em decorrência dos ferimentos em 17 de junho.]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<div style="width: 675px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/3544" target="_blank"><img class="" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/bitstream/handle/20.500.12156.1/3544/imagem.jpg.jpg?sequence=2&amp;isAllowed=y" alt="Thumbnail" width="665" height="487" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/3544" target="_blank">Benjamin R. Mulock. Locomotive engine : Bahia &amp; San Francisco Railway, entre 1859 e 1861. Bahia / Acervo FBN</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>Entre 1º de novembro de 1859, quando chegou ao Brasil, e abril de 1862, quando voltou à Inglaterra, o fotógrafo e engenheiro inglês Benjamin Robert Mulock (1829 &#8211; 1863) documentou a construção da estrada de ferro da Bahia a São Francisco, uma das primeiras do Brasil, cuja primeira seção foi inaugurada em 28 de junho de 1860. Vinte e sete dessas fotografias, que narram a história da construção da ferrovia, e também 32 imagens da cidade de Salvador e do interior da Bahia, atribuídas a Mulock, foram presenteadas a <a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=7183" target="_blank">d. Pedro II</a> pelo empreiteiro da obra, o engenheiro civil inglês John Watson (1816-1890), por volta de 1861.</p>
<p>Mulock é considerado um dos mais interessantes e expressivos paisagistas urbanos da fotografia oitocentista no Brasil, onde trabalhou, na Bahia. <a href="http://objdigital.bn.br/objdigital2/acervo_digital/div_iconografia/icon168223/icon168223.jpg" target="_blank">Um grande panorama fotográfico de Salvador,</a> produzido por ele, a partir do Forte do Mar, entre 1859 e 1861, é uma das mais importantes fotografias da cidade no século XIX. Com muita nitidez, veem-se os principais prédios da capital baiana, cuja série de vistas de sua autoria é um importante e excelente registro de imagens de Salvador. A produção de Mulock é marcada por um caráter racional decorrente, talvez, de sua formação de engenheiro. Seus conhecimentos nessa área o habilitavam, em suas fotografias relativas à estrada de ferro, a escolher as melhores perspectivas e a reconhecer os elementos indispensáveis para uma documentação fotográfica útil para futuras construções ferroviárias.</p>
<p>Segundo Pedro Vasquez, seu estilo antecipou a abordagem direta que viria a ser adotada no século XX, <em>a straight photography (a fotografia direta)<strong>(1)</strong>, levada ao paroxismo da depuração e impacto pelo norte-americano Walker Evans</em> (1903 &#8211; 1975).</p>
<p>Ainda sobre o estilo de Mulock, Weston J. Naef (1942 &#8211; ) e Gilberto Ferrez (1908 &#8211; 2000) comentaram no livro <em>Pioneer photographers of Brazil: 1840-1920</em>:</p>
<p>&#8216;<em>Em suas cenas urbanas, Mulock cultivava um estilo totalmente desprovido de artifícios derivados das convenções artísticas tradicionais. Ele gostava de posicionar sua câmara bem no meio da rua, como se qualquer ponto de vista fosse bom o bastante, mas ainda assim sua composição possui uma intensa coerência visual baseada numa construção estritamente fotográfica, de tal forma que seria difícil produzir a mesma imagem a partir de qualquer outro meio de expressão</em>&#8216;.</p>
<p>&nbsp;</p>
<div style="width: 669px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/2223" target="_blank"><img src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/bitstream/handle/20.500.12156.1/2223/007A5P3F12-16.jpg.jpg?sequence=2&amp;isAllowed=y" alt="Thumbnail" width="659" height="532" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/2223" target="_blank">Benjamin Mulock. Ladeira de São Bento, c. 1860. Salvador, Bahia / Acervo IMS</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/discover?query=mulock&amp;submit=Ir" target="_blank"><strong>Acessando o link para as fotografias de autoria de Benjamin Robert Mulock disponíveis na Brasiliana Fotográfica, o leitor poderá magnificar as imagens e verificar todos os dados referentes a elas.</strong></a></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Pouco antes da chegada de Mulock ao Brasil, o italiano de origem alsaciana <a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=6150" target="_blank">Augusto Stahl (1828 &#8211; 1877)</a> realizou uma série de registros da construção de outra estrada de ferro, a Recife-São Francisco, em 1858. O fotógrafo suíço <a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=7260" target="_blank">Guilherme Gaensly (1843 &#8211; 1928)</a> foi contemporâneo de Mulock e muitas das vistas produzidas pelos dois da capital baiana eram bastante parecidas.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: center;"><em><strong><span style="color: #800000;">Breve perfil e cronologia de Benjamin Robert Mulock</span></strong></em></p>
<p style="text-align: left;">A vida familiar de Benjamin Mulock foi bastante conturbada devido à insanidade de seu pai, o irlandês Thomas Samuel Mulock (1789 -1868), que se casou com Dinah Mellard (1794-1845), em 7 de junho de 1825. Seus irmãos foram Thomas Mellard Mulock (1827 &#8211; 1847), que estudou pintura com William Holman Hunt (1827 &#8211; 1910), fundador, em 1848, juntamente com Dante Gabriel Rossetti (1828 &#8211; 1882) e John Everett Millais (1829 &#8211; 1896), do grupo artístico Irmandade Pré-Rafaelita; e Dinah Maria Mulock Craik (20/04/1826 &#8211; 12/10/1887), que se tornaria uma famosa poeta e romancista. Durante sua vida, Benjamin trabalhou como fotógrafo e engenheiro, tendo morado em diferentes cidades da Inglaterra, na Austrália, no País de Gales, no Brasil e na Rússia. Tentou casar-se e também buscou obter uma estabilidade financeira, o que nunca conseguiu. Em 1863, foi internado por suas tendências suicidas, fugiu do hospital, foi atropelado e faleceu em 17 de junho do mesmo ano.</p>
<div id="attachment_15325" style="width: 256px" class="wp-caption alignleft"><img class="wp-image-15325 size-full" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2017/06/mulock.jpg" alt="mulock" width="246" height="338" /><p class="wp-caption-text"><a href="http://mulock.blogspot.com/" target="_blank">Benjamin Robert Mulock, em 1858 / Site Benjamin R. Mulock Photographer</a></p></div>
<p style="text-align: left;"><span style="color: #800000;"><strong>1829</strong></span> &#8211; Benjamin Robert Mulock nasceu em 18 de junho, no condado de Staffordshire, na Inglaterra, filho do pregador evangélico dublinense Thomas Samuel Mulock (1789 &#8211; 1869), um fanático religioso de origem humilde, e da inglesa Dinah Mellard (1794-1845), órfã de um próspero industrial do ramo de curtumes. Eles haviam se casado em 7 de junho de 1825. Benjamin foi o mais novo entre seus irmãos Thomas Mellard Mulock (1827 &#8211; 1847) e Dinah Maria Mulock Craik (20/04/1826 &#8211; 12/10/1887).</p>
<p style="text-align: left;"><span style="color: #800000;"><strong>1830</strong> </span>- Seu pai, Thomas Samuel Mulock foi, pela primeira vez, internado no <em>Stafford County Lunatic Asylum,</em> hospital para doentes mentais, onde ficou do dia 1º ao dia 10 de maio.</p>
<p style="text-align: left;"><strong><span style="color: #800000;">1831</span> </strong>- Thomas Samuel Mulock perdeu sua paróquia e a família foi viver em Newcastle-under-Lyme.</p>
<p style="text-align: left;"><span style="color: #800000;"><strong>1832 -</strong></span> Em 2 de dezembro, o pai de Benjamin, que devido a seu temperamento era conhecido como <em>Moloch Sangrento, </em>uma alusão a um demônio da tradição cristã e cabalística, foi internado de novo no <em>Stafford County Lunatic Asylum,</em> onde permaneceu sete anos.</p>
<p style="text-align: left;">Nos últimos anos dessa década, Dinah Mellard, mãe de Benjamin, fundou, com a ajuda de sua filha, uma pequena escola em Newcastle-under-Lyme.</p>
<p style="text-align: left;"><strong><span style="color: #800000;">1839</span></strong> &#8211;  Com a morte da avó materna de Benjamin, a família Mulock herdou algum dinheiro.</p>
<p style="text-align: left;">Em 31 de dezembro, seu pai deixou o <em>Stafford County Lunatic Asylum</em>.</p>
<p style="text-align: left;"><strong><span style="color: #800000;">1840 </span></strong><span style="color: #333333;">- A família foi para Londres, onde passou a ter uma vida mais confortável. Moravam em Earls Court Terrace. Benjamin começou a estudar piano e concertina. Entre esse ano e por volta de 1845, quando Dinah, a mãe, faleceu, os Mulock tiveram uma vida cultural interessante. Thomas Samuel tornou-se amigo de Charles Mathews, gerente do <em>Covent Garden</em>, que convidava constantemente os Mulock para ocuparem uma frisa no teatro. Conviveram com atores, comediantes, e escritores, como George (1804 &#8211; 1878) e Maria Lovell (1803-1877), também atriz; a poeta Eliza Leslie (1787 &#8211; 1858), e o editor Samuel Carter Hall (1800 &#8211; 1889).</span></p>
<p><span style="color: #800000;"><strong>1842</strong></span> &#8211; Sua mãe começou a apresentar problemas de saúde.</p>
<p><span style="color: #800000;"><strong>1843</strong></span> &#8211; Benjamin começou a se interessar por Engenharia Civil.</p>
<p><span style="color: #800000;"><strong>1844</strong></span> &#8211; Sua mãe e sua irmã voltaram temporariamente para o condado de Staffordshire, provavelmente na esperança de que a saúde da mãe melhorasse.</p>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_9074" style="width: 201px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2017/06/pai.jpg"><img class="wp-image-9074 size-full" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2017/06/pai.jpg" alt="pai" width="191" height="243" /></a><p class="wp-caption-text">O pai de Benjamin, Thomas Samuel Mulock, c. 1823. Fotografia publicada no livro The Mellards and Their Descendants, 1915.</p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong><span style="color: #800000;">1845</span></strong> &#8211; Em Londres, Benjamin, seus irmãos e mãe foram abandonados pelo pai, em 21 de março de 1845, Sexta-Feira da Paixão.</p>
<p>Sua mãe, Dinah Mellard Mulock, faleceu em 3 de outubro. Thomas Samuel tentou se reaproximar da filha Dinah.</p>
<p><span style="color: #800000;"><strong>1846</strong></span> &#8211; Por motivos financeiros, seu irmão Thomas teve que abandonar seus estudos de pintura e passou a trabalhar como capitão de navios. Ele havia estudado pintura com William Holman Hunt (1827 &#8211; 1910), que fundou, em 1848, juntamente com Dante Gabriel Rossetti (1828 &#8211; 1882) e John Everett Millais (1829 &#8211; 1896), o grupo artístico Irmandade Pré-Rafaelita.</p>
<p><span style="color: #800000;"><strong>1847/ 1848 /1849 </strong></span>- Em Londres, morte de seu irmão, Thomas, em 12 de fevereiro de 1847, após uma queda do navio em que faria sua segunda viagem como capitão da Marinha Mercante.</p>
<p>Benjamin vivia com sua irmã, Dinah, em alojamentos nas cercanias de Tottenham Court Road, e estudava no University College London latim, matemática e filosofia natural como preparação para a Engenharia. No século XIX, a filosofia natural englobava o estudo da astronomia, cosmologia, geologia, física e quimíca.</p>
<p>Dinah completou 21 anos e recebeu sua parte do <em>trust</em> de sua mãe. Ela escrevia contos e poemas que vendia para revistas, jornais e para os anuários de moda de Lady Blessington (1789 &#8211; 1849), além de percorrer editoras fazendo contatos. Em 1849, Dinah, publicou seu primeiro romance, <em>The Ogilvies</em>.</p>
<p><span style="color: #800000;"><strong>1850</strong></span> &#8211; Benjamim completou 21 anos, recebeu sua parte do <em>trust</em> de sua mãe e foi para a Austrália. Desse ano até 1853, estabeleceu uma criação de ovinos e participou da <em>corrida ao ouro</em> no país.</p>
<p class="style2" style="margin: 0cm 0cm 4.5pt 0cm;"><span style="color: #800000;"><strong>1854</strong></span> &#8211; Entre esse ano e 1855, Mulock retornou à Europa para tratar um problemas nos olhos, na Suíça e em Marienberg, na Alemanha.</p>
<p class="style2" style="margin: 0cm 0cm 4.5pt 0cm;"><span style="color: #800000;"><strong>1855 </strong><span style="color: #333333;">- Alistou-se n</span></span>a <em>Army Works Corps</em> e serviu como engenheiro em uma ferrovia durante a guerra da Criméia, conflito que ocorreu entre 1853 e 1856, na península da Criméia, no mar Negro, ao sul da Rússia e nos Bálcãs.</p>
<p class="style2" style="margin: 0cm 0cm 4.5pt 0cm;"><span style="color: #800000;"><strong>1856</strong></span> &#8211; Retornou à Inglaterra, em julho, e entrou para o <em>Liverpool Public Offices Engineers Department</em>. Como engenheiro, trabalhou para os Correios de Liverpool. Em torno dessa época, Mulock tornou-se um fotógrafo autodidata.</p>
<p class="style2" style="margin: 0cm 0cm 4.5pt 0cm;">Nesse ano, sua irmã publicou <em>John Halifax</em>. No período em que escreveu o livro, foi sustentada por Benjamin.</p>
<p class="style2" style="margin: 0cm 0cm 4.5pt 0cm;">Seu pai voltou a ser internado no asilo de doentes mentais do condado de Stafford, onde permaneceu até 1860.</p>
<p><span style="color: #800000;"><strong>1857</strong> </span>- Em 31 de março, foi lançada a pedra fundamental da ferrovia da Bahia ao São Francisco, que ligava Salvador a Alagoinhas, a primeira da Bahia. Os planos da obra foram levantados pelos <em>engenheiros civis ingleses Henrique Law e John Blount e sua execução contratada a John Watson</em> (1816-1890)<em>, que dela encarregou o engenheiro H. Vignoles</em> (1793 &#8211; 1875) (<a href="http://memoria.bn.br/docreader/029033_03/8780" target="_blank"><em>Diário de Pernambuco</em>, 14 de abril de 1857, na segunda coluna sob o título &#8220;Bahia&#8221;</a>, e <a href="http://memoria.bn.br/DocReader/364568_04/12576" target="_blank"><em>Jornal do Commercio</em>, 11 de março de 1858, na quarta coluna</a>). Na época, o presidente da província da Bahia era o desembargador João Lins<em> </em>Vieira Cansansão de Sinimbú (1810 &#8211; 1906), presente na cerimônia do lançamento da pedra fundamental da obra.</p>
<p><span style="color: #800000;"><strong>1858</strong></span> &#8211; Benjamim vivia em Liverpool e sua irmã, Dinah, foi morar com ele.</p>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_9076" style="width: 333px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2017/06/irmaos.jpg"><img class="wp-image-9076 size-full" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2017/06/irmaos.jpg" alt="irmaos" width="323" height="470" /></a><p class="wp-caption-text">Os irmãos Dinah e Benjamin Mulock, em 1858, no Jardim de Linacre Grange, em Bootle, cidade próxima a Liverpool. Fotografia publicada no livro The Mellards and Their Descendants, 1915.</p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong><span style="color: #800000;">1859</span></strong> &#8211; Dinah e Benjamin mudaram-se para Londres e foram viver em Wildwood Cottage, perto de Hampstead, uma área rural da cidade. Entre fins de 1858 e 1859, Benjamin trabalhou como fotógrafo para John Jabez Edwin Paisley Mayall (1813 -1901), profissional famoso por sua produção de fotografias no formato <a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=3873" target="_blank">cartões de visita</a> da rainha Victoria (1819 &#8211; 1901). No período que se dedicou à fotografia, provavelmente entre 1858 e 1862, Benjamin sofreu doenças de pele decorrentes do uso de produtos químicos no processo fotográfico.</p>
<p>Benjamin embarcou no paquete inglês<em> Oneida</em>, que partiu de Southampton, e chegou ao Brasil em 1º de novembro, onde ficou até 1862. Teria sido contratado na França, onde aprimorava seus conhecimentos de fotografia, pela firma empreiteira do engenheiro civil inglês John Watson (1816-1890), para documentar a construção da estrada de ferro da Bahia ao São Francisco. Segundo o site Salvador Antiga, teria escrito sobre a Bahia: <i>Eu nunca vi um lugar que me agradasse tanto à primeira vista. A Cidade alonga-se pela Baía, de forma crescente. A orla é alta e as casas erguem-se umas sobre as outras, misturando-se com a vegetação dominada por bananeiras e coqueiros, tudo tão verde</i>.</p>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_9242" style="width: 800px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://familysearch.org/ark:/61903/3:1:3QS7-89ND-P339?i=67&amp;cc=1928179" target="_blank"><img class="  wp-image-9242" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2017/06/oneida.jpg" alt="oneida" width="790" height="218" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://familysearch.org/ark:/61903/3:1:3QS7-89ND-P339?i=67&amp;cc=1928179" target="_blank">Site Family Search &#8211; Entrada de Passageiros na Bahia &#8211; Tabela com ano, mês, dia, procedência, nome da embarcação e nome do passageiro</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p><span style="color: #800000;"><strong>1860</strong> </span>- Duas fotografias de sua autoria produzidas na Bahia foram publicadas na<span class="apple-converted-space"> </span><i>Illustrated London News, </i>fundado em 1842 e primeiro jornal ilustrado semanal do mundo.</p>
<p>Em uma carta enviada por sua irmã, Dinah, a ele, em 4 de setembro, ficava evidenciada sua tendência à melancolia: <em>Você trabalhar de modo silencioso e constante apesar das dificuldades, tenho orgulho disso, mas quando você se esfalfa de modo descuidado e inútil, e então fica irritado e vê as coisas de modo melancólico, bem, isto me preocupa bastante, eu admito.</em></p>
<p><span style="color: #800000;"><strong>c. 1861</strong></span> &#8211; Em torno desse ano, vinte e sete fotografias da construção da ferrovia e também 32 imagens da cidade de Salvador e do interior da Bahia foram presenteadas a d. Pedro II pelo empreiteiro John Watson.</p>
<p><span style="color: #800000;"><strong>1862</strong></span> &#8211; Em abril, deixou o Brasil e voltou para a Inglaterra, onde passou a viver com sua irmã, Dinah, em Hampstead.</p>
<p><span style="color: #800000;"><strong>1863</strong></span> &#8211;  Em janeiro e fevereiro, trabalhou em Swansen, cidade no País de Gales, como engenheiro. Em abril, Benjamin retornou à Inglaterra e voltou a morar com sua irmã em Hampstead, em Londres.</p>
<p>Benjamin começou a dar sinais de melancolia. Sua irmã, que cuidou dele, tinha medo que ele cometesse suicídio. Em 7 de junho, foi internado na clínica para doentes mentais do Dr. Harrington Tukes, em Hammersmith, Londres. Fugiu cinco dias depois e foi atropelado, tendo morrido dos ferimentos em 17 de junho (<em>Weekly Freeman&#8217;s Journal</em>, 27 de junho de 1863).</p>
<p>Segundo o artigo <em>Mrs. Craik</em>, da escritora escocesa Margaret Oliphant (1828 &#8211; 1887), publicado em 1887,  na <em>Macmillan&#8217;s Magazine</em>, <em>seria impossível penetrar suficientemente nas linhas da reticência vitoriana para descobrir se o problema de Benjamin era com o álcool, com o ópio ou instabilidade mental; ele aparecia e desaparecia, era muito falado, ternamente recebido pela irmã, causando nela ansiedade; rejeitado pelos amigos dela, mas nunca por ela.</em></p>
<p><span style="color: #800000;"><strong>1865</strong> </span>- Casamento de Dinah com George Lillie Craik  (1798–1866), escritor e crítico literário escocês.</p>
<p><span style="color: #800000;"><strong>1869</strong></span> &#8211; Morte de seu pai, Thomas Samuel Mulock.</p>
<p><span style="color: #800000;"><strong>1887</strong></span> &#8211; Morte de Dinah Maria Mulock Craik, em 12 de outubro.</p>
<p>&nbsp;</p>
<div style="width: 672px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/2221" target="_blank"><img src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/bitstream/handle/20.500.12156.1/2221/007A5P3F12-12.jpg.jpg?sequence=2&amp;isAllowed=y" alt="Thumbnail" width="662" height="492" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/2221" target="_blank">Benjamin R. Mulock. Cemitério dos Ingleses, c. 1860. Salvador, Bahia / Acervo IMS</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p><em>(1) </em>Fotografia direta &#8211; Straight photography &#8211; O conceito foi  usado para caracterizar uma vertente da fotografia moderna surgida nos Estados Unidos nos anos 1910. O termo foi definido, no texto <a href="http://www.nearbycafe.com/photocriticism/members/archivetexts/photocriticism/hartmann/hartmannstraight.html" target="_blank"><em>Um Apelo em Favor da Fotografia Direta</em></a>, do poeta e crítico de arte Sadakichi Hartmann (1867 &#8211; 1944), publicado na revista <em>American Amateur Photographer, </em>em março de 1904. Refere-se a imagens feitas pelo contato direto da câmera com a realidade, sem intervenções no laboratório ou na cópia, enfatizando a noção de fotografia como expressão subjetiva. Alguns dos expoentes da fotografia direta foram Alfred Stieglitz (1864 &#8211; 1946), Anselm Adams (1902 &#8211; 184), Edward Weston (1886 &#8211; 1958)  e Paul Strand (1890 &#8211; 1976).</p>
<p>Andrea C. T. Wanderley</p>
<p>Editora-assistente e pesquisadora do portal Brasiliana Fotográfica</p>
<p><span style="color: #800000;"><strong>Fontes:</strong></span></p>
<p>ANDRADE, Joaquim Marçal (org.). <em>A coleção do imperador:</em> fotografia brasileira e estrangeira no século XIX. Rio de Janeiro: Centro Cultural Banco do Brasil, 1997. 71 p.</p>
<p>BOURRIER, Karen. <a href="https://www.jstor.org/stable/pdf/41307858.pdf" target="_blank"><em>Narrating insanity in the letter of Thomas Mulock and Dinah Mulock Craik</em></a> in Victorian Literature and Culture,Vol. 39, No. 1, 2011. Cambridge University Press.</p>
<p>CRAIK, Dinah Mulock. <em>John Halifax, Gentleman</em>. Canadá: Broadviews Edition, 2005</p>
<p>HANNAVY, John. <em><a href="https://books.google.com.br/books?id=Kd5cAgAAQBAJ&amp;pg=PA959&amp;lpg=PA959&amp;dq=benjamin+robert+mulock&amp;source=bl&amp;ots=essTVfaH7P&amp;sig=bJpLu9M8wsogWepQKoy0UwcpEUs&amp;hl=pt-BR&amp;sa=X&amp;ved=0ahUKEwic4PugvJjUAhVMGpAKHTHxBUs4ChDoAQgzMAI#v=onepage&amp;q=benjamin%20robert%20mulock&amp;f=false" target="_blank">Encyclopedia of Nineteenth-Century Photography</a>.</em> Inglaterra: Taylor &amp; Francis Group, 2008</p>
<p>ERMAKOFF, George. <em>Rio de Janeiro 1840 – 1900 Uma crônica fotográfica. </em>Rio de Janeiro: G. Ermakoff Casa Editorial, 2006.</p>
<p>FERREZ, Gilberto; NAEF, Weston J.. <em>Pioneer Photographers of Brazil, 1840-1920</em>. New York: Center for Inter-American Relations, 1976.</p>
<p>FERREZ, Gilberto. <em>A fotografia no Brasil:</em> 1840- 1900. Prefácio Pedro Karp Vasquez. 2. ed. Rio de Janeiro: Funarte, 1985. 248 p. (História da fotografia no Brasil, 1).</p>
<p>FERREZ, Gilberto. <em>Bahia:</em> velhas fotografias 1858/1900. Apresentação Katia Queirós Mattoso. 2. ed. Rio de Janeiro: Kosmos, 1999. 199 p., il. p&amp;b.</p>
<p>FOSTER, Shirley. <em>Victorian Women&#8217;s Fiction: Marriage, Freedom, and the Individual. </em>Oxon: Routledge, 2012</p>
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<div></div>
<div>KOSSOY, Boris. <em>Dicionário histórico-fotográfico brasileiro: fotógrafos e ofício da fotografia no Brasil (1833-1910).</em> São Paulo: Instituto Moreira Salles, 2002. 408 p., il. p&amp;b.</div>
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<p>MITCHEL, Sally. <a href="http://www.victorianweb.org/authors/craik/mitchell/1.html" target="_blank"><em>Dinah Mulock Craik</em></a>. Londres: Twayne, 1983.</p>
<p>OLIPHANT, Margaret. <em>Mrs. Craik</em>, in <span class="book">Macmillan&#8217;s Magazine</span>. 57, 1887.</p>
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<p><a href="http://mulock.blogspot.com.br/2005/06/about-benjamin-mulock_12.html" target="_blank">Site Benjamim R. Mulock, photographer</a></p>
<p><a href="http://enciclopedia.itaucultural.org.br/pessoa21613/benjamin-r-mulock" target="_blank">Site Enciclopédia Itaú Cultural</a></p>
<p><a href="https://familysearch.org/ark:/61903/3:1:3QS7-89ND-P339?i=67&amp;cc=1928179" target="_blank">Site Family Search &#8211; Entrada de Passageiros na Bahia</a></p>
<p><a href="http://www.gracesguide.co.uk/Bahia_and_San_Francisco_Railway" target="_blank">Site Grace&#8217;s Guide to British Industrial History </a></p>
<p><a href="http://www.iln.org.uk/" target="_blank">Site Illustrated London News</a></p>
<p><a href="http://www.npg.org.uk/collections/search/person/mp53668/john-jabez-edwin-mayall" target="_blank">Site National Art Gallery</a></p>
<p><a href="http://www.oac.cdlib.org/findaid/ark:/13030/kt0k4003cw/entire_text/" target="_blank">Site Online Archive of California</a></p>
<p><a href="http://www.salvador-antiga.com/fotografos/ben-mulock.htm" target="_blank">Site Salvador Antiga</a></p>
<p><a href="http://tapasproject.org/digitaldinahcraik/files/letter-dinah-mulock-craik-benjamin-mulock-2-5-july-1861#tg-d4952e1114" target="_blank">Site Tapas Project</a></p>
<p><a href="http://www.tandfonline.com/doi/abs/10.1080/01440357.2011.647269?needAccess=true" target="_blank">Site Taylor &amp; Franis Online</a></p>
<p><a href="http://www.getty.edu/art/collection/artists/2022/john-jabez-edwin-mayall-english-1813-1901/" target="_blank">Site The J. Paul Getty Museum</a></p>
<p>SPINOLA, José. <em>Benjamin Mulock &#8211; O fotógrafo da velha Bahia. eBook Kindle</em>, 2019</p>
<p>VASQUEZ, Pedro Karp. <em>Dom Pedro II e a fotografia no Brasil</em>. Rio de Janeiro: Fundação Roberto Marinho, 1985.</p>
<p>VASQUEZ, Pedro Karp. <em>Mestres da fotografia no Brasil:</em> Coleção Gilberto Ferrez. Tradução Bill Gallagher. Rio de Janeiro: Centro Cultural Banco do Brasil, 1995. 272 p.</p>
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