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	<title>Brasiliana Fotográfica &#187; Steve Johnson</title>
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		<title>As expedições do Instituto Oswaldo Cruz entre 1911 e 1913</title>
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		<pubDate>Thu, 14 Mar 2019 14:58:05 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Andrea Wanderley]]></dc:creator>
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				<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: left;">Com o objetivo de acompanhar obras de construção de ferrovias e a inspeção sanitária de portos, médicos do Instituto Oswaldo Cruz realizaram, entre 1911 e 1913, três expedições ao Nordeste e Centro-Oeste do Brasil: Arthur Neiva (1880 &#8211; 1943) e Belisário Penna (1868 &#8211; 1939) percorreram o norte da Bahia, o sudeste de Pernambuco, o sul do Piauí e Goiás de norte a sul. João Pedro de Albuquerque  (1874 – 1934) e José Gomes de Faria (1887 – 1962) dirigiram-se para o Ceará e o norte do Piauí. Por sua vez, Adolpho Lutz (1855 &#8211; 1940) e Astrogildo Machado (1885-1945) desceram o rio São Francisco, de Pirapora a Juazeiro, cruzando também alguns de seus afluentes, entre março e outubro de 1912. O objetivo era realizar amplo levantamento das condições epidemiológicas e socioeconômicas das regiões percorridas pelo rio São Francisco e de outras áreas do Nordeste e Centro-Oeste brasileiros. A serviço da Superintendência da Defesa da Borracha, Carlos Chagas (1878 &#8211; 1934), Pacheco Leão (1872 &#8211; 1931) e João Pedro de Albuquerque inspecionaram boa parte da bacia do rio Amazonas, entre outubro de 1912 e março de 1913. A partir dessas expedições científicas, “a saúde pública como base para a construção da nacionalidade permitiu que fosse abandonada a tese da inferioridade racial do brasileiro”. A jornalista Cristiane d´Avila, do Departamento de Arquivo e Documentação da Casa de Oswaldo Cruz, uma das parceiras do portal, conta um pouco dessa história.</p>
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<p style="text-align: center;"><em><span style="color: #800000;"><strong>As expedições do Instituto Oswaldo Cruz entre 1911 e 1913</strong></span></em></p>
<p style="text-align: center;">Cristiane d’Avila*</p>
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<div style="width: 285px" class="wp-caption alignleft"><a href="https://www.imj.org.il/en/collections/199799" target="_blank"><img class="" src="https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/d/db/Klee-angelus-novus.jpg/800px-Klee-angelus-novus.jpg" alt="" width="275" height="334" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://www.imj.org.il/en/collections/199799" target="_blank"><em>Angelus Novus</em>, por Paul Klee, 1920 / Museu de Israel, Jerusalém</a></p></div>
<p style="text-align: left;">Em <em>O mapa fantasma</em>, o norte-americano Steven Johnson (1968 -) sabiamente elege como abre-alas de seu <em>thriller</em> científico sobre a epopeia inglesa para debelar o cólera, na Londres vitoriana do século 19, o pintor e poeta alemão nascido na Suíça, Paul Klee (1879 &#8211; 1940), e o filósofo alemão Walter Benjamin (1892 &#8211; 1940). Destaca Johnson que Benjamin, ao interpretar o quadro de Klee, <em>Angelus Novus</em>, deduz, em <em>insight</em> genial, que o anjo novo (redenominado <em>O Anjo da História</em>), sabedor da força do progresso que irremediavelmente o tragaria, mira o passado, voltando as costas ao futuro.</p>
<p style="text-align: left;">A resistência do anjo de Klee à força do sopro da “tempestade” do progresso, sugere o futuro como ruptura inexorável com o passado. Não muito longe do universo de Klee e Benjamin, que vivenciaram os horrores da Primeira Guerra Mundial e anteviam as ameaças que acarretariam o conflito bélico subsequente, no Brasil travava-se um outro tipo de guerra, dessa feita contra micróbios e bactérias que aniquilavam as chances de o país superar seu malfadado “atraso”.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/visualizar-grupo-trabalho/168" target="_blank">Acessando o link para as fotografias das expedições do Instituto Oswaldo Cruz  selecionadas para esse artigo e disponíveis na Brasiliana Fotográfica, o leitor poderá magnificar as imagens e verificar todos os dados referentes a elas. </a></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Naquele início de século, a construção nacional nos moldes europeus mirava ideais civilizadores em todas as esferas da vida social. Em processo de urbanização e industrialização, principalmente no Sudeste, o país voltava-se inquieto e intrigado para seu imenso interior, buscando na pesquisa científica a chave para compreender os obstáculos colocados ao progresso por um território até então invisível.</p>
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<div style="width: 710px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/6251" target="_blank"><img src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/bitstream/handle/20.500.12156.1/6251/IOC-V-II-91.jpg.jpg?sequence=3&amp;isAllowed=y" alt="Thumbnail" width="700" height="482" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/6251" target="_blank">A comissão no vapor Rio Jamary, Amazonas, 1913. Amazônia / Acervo Casa de Oswaldo Cruz</a></p></div>
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<p>Embora conceitualmente divergentes, as perspectivas sobre a realidade nacional cruzavam-se em um ponto de interseção: era preciso superar o “atraso”, considerado fruto de determinações socioeconômicas, históricas, políticas, climáticas, raciais e geográficas, por meio de estratégias que permitissem integrar o Brasil ao mundo moderno. Todas, ainda que se apoiassem em discursos antagônicos, não deixavam de buscar soluções para o desconforto, o sentimento de inadequação que a nossa realidade provocava nas elites nacionais. Como afirma Roberto Schwarz, essa experiência “pode ser e foi interpretada de muitas maneiras, por românticos, naturalistas, modernistas, esquerda, direita, cosmopolitas, nacionalistas etc., o que faz supor que corresponda a um problema durável e de fundo” (2005, p.109).</p>
<p>Campanhas de saúde foram realizadas por sanitaristas no interior do país a fim de erradicar doenças que mortificavam milhares de brasileiros, como a malária e a febre amarela. A partir das expedições científicas empreendidas por médicos do Instituto Oswaldo Cruz, “a saúde pública como base para a construção da nacionalidade permitiu que fosse abandonada a tese da inferioridade racial do brasileiro” (OLIVEIRA, 1990, P.145).</p>
<p>Com o objetivo de acompanhar obras de construção de ferrovias e a inspeção sanitária de portos, esses médicos protagonizaram, entre 1911 e 1913, três expedições ao Nordeste e Centro-Oeste do Brasil: Arthur Neiva e <a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=12777" target="_blank">Belisário Penna </a>percorreram o norte da Bahia, o sudeste de Pernambuco, o sul do Piauí e Goiás de norte a sul. <a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=13446" target="_blank">João Pedro de Albuquerque</a> e José Gomes de Faria dirigiram-se para o Ceará e o norte do Piauí.</p>
<div id="attachment_13978" style="width: 431px" class="wp-caption alignleft"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/6247" target="_blank"><img class=" wp-image-13978" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2019/01/capa1.jpg" alt="Vista do acampamento em Caldeirão, 1912. Pernambuco / Acervo Casa de Oswaldo Cruz" width="421" height="302" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/6247" target="_blank">Vista do acampamento em Caldeirão, 1912. Pernambuco / Acervo Casa de Oswaldo Cruz</a></p></div>
<p>Por sua vez, Adolpho Lutz e Astrogildo Machado desceram o rio São Francisco, de Pirapora a Juazeiro, cruzando também alguns de seus afluentes, entre março e outubro de 1912. O objetivo era realizar amplo levantamento das condições epidemiológicas e socioeconômicas das regiões percorridas pelo rio São Francisco e de outras áreas do Nordeste e Centro-Oeste brasileiros. A serviço da Superintendência da Defesa da Borracha, <a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=13402" target="_blank">Carlos Chagas</a>, Pacheco Leão e João Pedro de Albuquerque inspecionaram boa parte da bacia do rio Amazonas, entre outubro de 1912 e março de 1913.</p>
<p>“As expedições desse triênio foram demoradas e percorreram extensas áreas onde as investigações científicas predominaram sobre as preocupações médico-sanitárias de curto prazo. Estas expedições produziram, através dos relatórios de viagem e de intenso uso da fotografia, um minucioso registro das condições de vida da população interiorana, seus hábitos, suas técnicas, sua mentalidade, associando às questões sanitárias os aspectos socioeconômicos, culturais e ambientais das regiões percorridas”, escreveram os organizadores do livro <em>A ciência a caminho da roça</em> (1992, p.7). Algumas fotografias dessas expedições podem ser aqui observadas.</p>
<p><strong><span style="color: #800000;">Linha do tempo das expedições realizadas entre 1910 e 1913 (Fonte: www.fiocruz.br/ioc), com o objetivo de conhecer e mapear o quadro nosológico de regiões brasileiras para aumentar seu potencial produtivo, visando a sua modernização:</span></strong></p>
<p><span style="color: #800000;">1910</span>: Oswaldo Cruz e Belisário Penna seguem para a Amazônia, em ação de controle da malária para a <a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=10460" target="_blank">Madeira-Mamoré Railway</a> Company.</p>
<p><span style="color: #800000;"> 1912</span> (abril a outubro): Arthur Neiva e Belisário Penna percorrem Piauí, Pernambuco, Bahia e Goiás, para o reconhecimento topográfico e o levantamento sanitário das regiões secas, por requisição da Inspetoria de Obras Contra as Secas, órgão do Ministério dos Negócios da Indústria, Viação e Obras Públicas. Estão incluídos estudos da fauna, flora, geografia, condições de vida e história das localidades.</p>
<p><span style="color: #800000;">1912-1913</span>: Carlos Chagas, Pacheco Leão e João Pedro de Albuquerque partem em expedição para avaliar as condições sanitárias e de vida dos principais centros de produção da borracha através dos rios Solimões, Juruá, Purus, Acre, Iaco, Negro e o baixo rio Branco, em expedição requisitada pela Superintendência da Defesa da Borracha.</p>
<p>&nbsp;</p>
<div style="width: 598px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/6252" target="_blank"><img src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/bitstream/handle/20.500.12156.1/6252/IOC_V_II_0637.jpg.jpg?sequence=3&amp;isAllowed=y" alt="Thumbnail" width="588" height="800" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/6252" target="_blank">Grupo da comissão a bordo do Rio de Janeiro: Carlos Chagas, Pacheco Leão, João Pedroso, posando ao lado da tripulação do navio, 1912. Amazônia / Acervo Casa de Oswaldo Cruz</a></p></div>
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<p style="text-align: left;">*Cristiane d’Avila  é jornalista do Departamento de Arquivo e Documentação Casa de Oswaldo Cruz/Fiocruz</p>
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<p><strong><span style="color: #800000;">Fontes:</span></strong></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>FUNDAÇÃO OSWALDO CRUZ. CASA DE OSWALDO CRUZ. A ciência a caminho da roça: imagens das expedições científicas do Instituto Oswaldo Cruz ao interior do Brasil entre 1911 d 1913. Rio de Janeiro: Fiocruz/Casa de Oswaldo Cruz, 1992.</p>
<p>JOHNSON, Steven. O mapa fantasma: como a luta de dois homens contra o cólera mudou o destino de nossas metrópoles. Rio de Janeiro: Zahar, 2008.</p>
<p>LIMA, Nísia Trindade. “Missões civilizatórias da República e interpretação do Brasil” Hist. cienc. saude-Manguinhos, Rio de Janeiro, v. 5, supl. p. 163-193, Julho 1998. Disponível em &lt;http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&amp;pid=S0104-59701998000400010&amp;lng=en&amp;nrm=iso&gt;. Acessado em 08 Jan. 2019.</p>
<p>OLIVEIRA, Lúcia Lippi. A questão nacional na Primeira República. São Paulo: Brasiliense, 1990.</p>
<p>SCHWARZ, Roberto. “Nacional por subtração”. In: Cultura e política. São Paulo: Paz e Terra, 2005.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><span style="color: #800000;"><strong>Para saber mais sobre as expedições do Instituto Oswaldo Cruz, acesse o artigos publicados na Brasiliana Fotográfica:</strong></span></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=8684" target="_blank"><span style="color: #800000;"><em>Manguinhos e os sertões</em>, publicado em 9 de outubro de 2017</span></a></p>
<p><a style="color: #800000;" href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=19524" target="_blank"><em>Nos passos de Oswaldo: imagens das expedições do IOC aos portos do Brasil entre 1911 e 1913</em>, publicado em 25 de maio de 2020</a></p>
<p>&nbsp;</p>
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