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	<title>Brasiliana Fotográfica &#187; Revolta do Malês</title>
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		<title>A mulher negra de turbante, de Alberto Henschel</title>
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		<pubDate>Wed, 13 May 2020 11:54:20 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Andrea Wanderley]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Análise de documento]]></category>
		<category><![CDATA[Curadoria]]></category>
		<category><![CDATA[abolição da escravatura]]></category>
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		<description><![CDATA[A Brasiliana Fotográfica publica hoje, Dia da Abolição da Escravatura, o artigo "A mulher negra de turbante, de Alberto Henschel". Nele, as autoras, Aline Montenegro Magalhães e Maria do Carmo Rainho, historiadoras, respectivamente, do Museu Histórico Nacional e do Arquivo Nacional, duas instituições parceiras do portal, fazem a análise morfológica do retrato e levantam diversas questões como a representação imagética da mulher negra e a associação frequente da fotografia em questão com Luisa Mahin, mãe do poeta, advogado e abolicionista Luís Gama, e liderança da Revolta dos Malês, um dos maiores levantes de escravizados promovidos no Brasil, em Salvador, em 1835.

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				<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: left;">A Brasiliana Fotográfica publica hoje, Dia da Abolição da Escravatura, o artigo &#8220;A mulher negra de turbante, de Alberto Henschel&#8221;. Nele, as autoras, Aline Montenegro Magalhães e Maria do Carmo Rainho, historiadoras, respectivamente, do Museu Histórico Nacional e do Arquivo Nacional, duas instituições parceiras do portal, fazem a análise morfológica do retrato e levantam diversas questões como a representação imagética da mulher negra e a associação frequente da fotografia em questão com Luisa Mahin, mãe do poeta, advogado e abolicionista Luís Gama, e liderança da Revolta dos Malês, um dos maiores levantes de escravizados promovidos no Brasil, em Salvador, em 1835.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: center;"><em><span style="color: #800000;"><strong>A mulher negra de turbante, de Alberto Henschel</strong></span></em></p>
<p style="text-align: center;">Aline Montenegro Magalhães e Maria do Carmo Rainho*</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Dentre tantas imagens produzidas pelo fotógrafo Alberto Henschel<a href="#_edn1" name="_ednref1">[1]</a>, na segunda metade do século XIX, nota-se nos últimos anos o fascínio pela fotografia de uma mulher negra portando um turbante estampado. Nos limites deste artigo e, na trilha do historiador Ulpiano Bezerra de Meneses, chamamos a atenção para as qualidades estéticas dessa imagem, sua potência enquanto artefato, sua agência, a capacidade de produzir sentidos, de convocar diferentes apropriações e usos, e, finalmente, seu potencial de iconização.<a href="#_edn2" name="_ednref2">[2]</a> Cabem, assim, algumas perguntas: o que explica a ampla circulação do registro, onipresente em variados meios e produtos? Por que a associação entre esta fotografia e Luiza Mahin? Qual a relação entre o seu uso maciço e a invisibilidade ou a subalternidade imposta a negros e negras em produtos culturais &#8211; em especial, em algumas exposições?</p>
<p>&nbsp;</p>
<div style="width: 514px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/6847" target="_blank"><img src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/bitstream/handle/20.500.12156.1/6847/007IMS_007_22.jpg.jpg?sequence=3&amp;isAllowed=y" alt="Thumbnail" width="504" height="800" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/6847" target="_blank">Alberto Henschel. Mulher de turbante, c. 1870. Rio de Janeiro, RJ / Acervo IMS</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>Conforme Joana Flores,<a href="#_edn3" name="_ednref3"><sup><sup>[3]</sup></sup></a> em sua análise sobre as exposições de longa duração em museus da cidade de Salvador, pode-se afirmar que, ainda hoje, as mulheres negras são reduzidas a coadjuvantes; suas imagens são apresentadas, em locais como o Museu Henriqueta Catharino, sem referências, legendas ou textos explicativos. Para a autora, não basta estas mulheres estarem presentes em suportes materiais: sem identidade, sem história, sem memória, a presença se traduz em ausência.</p>
<p>Em exposições organizadas em fazendas históricas do Vale do Paraíba, para além da subalternidade – com fotografias de homens e mulheres negros relegados a espaços secundários, uma espécie de porão/senzala, contrapondo-se às casas grandes, lugar exclusivo dos barões e das baronesas – verifica-se uma despreocupação em identificar corretamente os sujeitos. Em uma das fazendas, a São Luiz da Boa Sorte, em Vassouras, Rio de Janeiro, por exemplo, vemos o registro da mulher de turbante, de Henschel, ladeada de outros dois, de homens negros. Em nenhum deles há legendas com o crédito do fotógrafo, a data e o local de produção da imagem e a instituição detentora, como se as fotografias pudessem falar por si, dando margem à imaginação de guias e visitantes. Ali, como em muitas outras instituições de memória e, também em produtos culturais, a mulher é apresentada como Luísa Mahin, mãe do poeta, advogado e abolicionista Luís Gama, e liderança da Revolta dos Malês, um dos maiores levantes de escravizados promovidos no Brasil, em Salvador, em 1835.</p>
<p>Na análise morfológica do retrato em questão, vemos um fundo neutro que apresenta uma mulher em meio busto, com vestido escuro “decotado”, ombros à mostra, brincos e turbante estampado. Nada além disso. Nenhum mobiliário, apoio, utensílio ou instrumento de trabalho ou mesmo qualquer acessório em sua indumentária além dos mencionados. Ela não apresenta marcas. Assim como a maior parte das negras retratadas por Henschel, a mulher de turbante não sorri; ela exibe um olhar firme, quase desafiador.</p>
<p>O fato de existirem poucos elementos na composição da foto; a presença do turbante remetendo aos africanos de origem muçulmana que se rebelaram na Bahia em 1835; o olhar da retratada, são algumas pistas que podem ajudar a entender a associação entre a imagem e Luísa Mahin. Mas, chama a atenção que aquela continue a ser utilizada sem que se atente para a questão de que não há registros fotográficos da Revolta dos Malês nem dos seus participantes, posto que, apenas em 1849, foi anunciada a descoberta da daguerreotipia, processo fotográfico desenvolvido por Joseph Nicéphore Niépce (1765-1833) e Louis Jacques Mandé Daguerre (1787-1851). Em segundo lugar, conforme informação do Instituto Moreira Salles<a href="#_edn4" name="_ednref4"><sup><sup>[4]</sup></sup></a> a fotografia teria sido produzida por volta de 1870, ou seja, trinta e cinco anos após o evento. Levando-se em conta a visível juventude da retratada, não há possibilidade de ser Luísa Mahin, cuja história tornou-se mais conhecida por meio do livro <em>Um defeito de cor</em> de Ana Maria Gonçalves.<a href="#_edn5" name="_ednref5"><sup><sup>[5]</sup></sup></a></p>
<p>A atribuição anacrônica vai sendo difundida graças à ampla circulação da imagem, em especial nos meios eletrônicos, e ao seu uso reiterativo. Uma busca na Internet com as palavras “Luísa Mahin”, “negra de turbante”, “escrava de turbante” e, sobretudo, associando-se estas expressões a Henschel ou Alberto Henschel, nos leva a uma grande quantidade de registros e diferentes usos da fotografia na divulgação de eventos, ilustração de artigos, capas de livros, intervenções urbanas, instalações artísticas e obras de arte, como “As filhas  de Eva” de Rosana Paulino, rótulos de cerveja e até em tatuagens, dentre muitos outros.<a href="#_edn6" name="_ednref6"><sup><sup>[6]</sup></sup></a></p>
<p>Indo além da discussão em torno de um desconhecimento sobre a história da fotografia e sobre a história da Revolta dos Malês e de Luiza Mahin, podemos entender a apropriação dessa imagem como um desejo de dar voz e corpo a uma mulher. Se a própria existência de Luísa Mahin é questionada pela historiografia e sua participação no levante deve ser problematizada, como observa João José Reis,<a href="#_edn7" name="_ednref7"><sup><sup>[7]</sup></sup></a> na mesma medida, verifica-se, nas últimas décadas, um processo de mitificação que visa à sua manutenção no imaginário afro-brasileiro. Essa estratégia se deve, em especial, ao feminismo negro que, no intuito de superar a violência simbólica exercida sobre as mulheres negras, “buscou positivar a imagem das afro-brasileiras, recorrendo à reelaboração e valorização das histórias das suas sucessoras.”<a href="#_edn8" name="_ednref8"><sup><sup>[8]</sup></sup></a></p>
<p>A mulher fotografada por Henschel é identificada como Luísa Mahin até mesmo em eventos acadêmicos, como observado em uma apresentação no I Congresso Nacional do PROFHISTÓRIA (Mestrado Profissional em Ensino de História), realizado em Salvador, em 2019. Uma historiadora que trabalha com educação patrimonial nas fazendas do Vale do Paraíba, tendo exibido a fotografia associando-a a mãe de Luís Gama, foi questionada quanto ao seu uso. A resposta foi enfática: uma escolha. Desejo de atribuir um rosto a uma personagem guerreira. É o olhar altivo com que a modelo encara a câmera sintetizando qualidades como força, resistência e coragem que corresponde à imagem desejada para essa mulher.</p>
<p>Nesse sentido e, no nosso entendimento, a mulher negra de turbante acaba contrariando a tese de Manuela Carneiro da Cunha sobre escravizados retratados, quando afirma que “Num retrato pode-se ser visto e pode-se dar a ver [&#8230;]. Quem encomenda uma fotografia mostra-se, dá-se a conhecer [&#8230;] como gostaria de ser visto [&#8230;] É o sujeito do retrato. Aqui o escravo é visto, não se dá a ver.”<a href="#_edn9" name="_ednref9"><sup><sup>[9]</sup></sup></a> Certamente não é o caso da modelo fotografada por Henschel. Ela subverte a condição de escravizada e, por isso, objetificada, dando-se a ver como protagonista. E nesse aspecto, as autoras Maria Lafayette Aureliano Hirszman e Sandra Sofia Machado Koutsokos concordariam conosco, segundo a perspectiva de seus estudos sobre os retratos de autoria de Christiano Jr.<a href="#_edn10" name="_ednref10"><sup><sup>[10]</sup></sup></a></p>
<p>Assim, a “negra de turbante” é retirada do sistema de classificação humana, usado para deleite, curiosidade, e principalmente para estudos sobre o “outro”. Estes, baseados em teorias cientificistas, de fundo racista, amplamente difundidas ao longo do século XIX, para as quais os registros fotográficos contribuíram como forma de comprovação de teses, como a de que os negros eram seres inferiores.<a href="#_edn11" name="_ednref11"><sup><sup>[11]</sup></sup></a> Deixa de ser vista da forma generalizante com que foi categorizada, um “tipo de negro”<a href="#_edn12" name="_ednref12"><sup><sup>[12]</sup></sup></a>, exemplar de uma coletividade exótica e pitoresca, muito cara ao romantismo dos estudos de folclore. Entra para a história ao ganhar a singularidade de uma identidade &#8211; mesmo que atribuída muitos anos depois de sua própria morte &#8211; que a torna protagonista e ícone na construção da memória afro-diaspórica no Brasil.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><a href="#_ednref1" name="_edn1">[1]</a> Sobre Henschel, ver, entre outros, HEYNEMANN, Cláudia. “De Berlim às capitais do Império: a experiência fotográfica em Alberto Henschel”. In: BAREL, Ana Beatriz Demarchi e COSTA, Wilma Peres (Orgs.). <em>Cultura e poder entre o Império e a República</em>: Estudos sobre os imaginários brasileiros (1822-1930), São Paulo, Alameda, 2018. HEYNEMANN, Cláudia e RAINHO, Maria do Carmo Teixeira. <em>Retratos Modernos</em>. Rio de Janeiro: Arquivo Nacional, 2005.KOSSOY, Boris. <em>Dicionário histórico-fotográfico brasileiro</em>: fotógrafos e ofício da fotografia no Brasil. São Paulo: Instituto Moreira Salles, 2002. VASQUEZ, Pedro. Karp. <em>Fotógrafos alemães no Brasil do século XIX</em>. São Paulo: Metalivros, 2000. WANDERLEY, Andrea C. T. <em>O alemão Alberto Henschel (1827 – 1882), o empresário da fotografia</em>, Brasiliana Fotográfica. Disponível em: <a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=1138">https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=1138</a>. Acesso em 2 de março de 2020.</p>
<p><a href="#_ednref2" name="_edn2">[2]</a> MENESES, Ulpiano T. Bezerra de. <em>A fotografia como documento – Robert Capa e o miliciano abatido na Espanha: sugestões para um estudo histórico</em>. Tempo, Rio de Janeiro,n. 14, 2002, p. 131-151.</p>
<p><a href="#_ednref3" name="_edn3"><sup><sup>[3]</sup></sup></a> FLORES, Joana . <em>Mulheres negras e museus de Salvador. Diálogo em branco e preto</em>. Salvador: edição da autora , 2017.</p>
<p><a href="#_ednref4" name="_edn4"><sup><sup>[4]</sup></sup></a> A imagem também pode ser encontrada também no EthnologischesMuseum, de Berlim e na Fundação Joaquim Nabuco.</p>
<p><a href="#_ednref5" name="_edn5"><sup><sup>[5]</sup></sup></a> GONÇALVES, Ana Maria. <em>Um defeito de cor</em>. Rio de Janeiro: Record, 2018.</p>
<p><a href="#_ednref6" name="_edn6"><sup><sup>[6]</sup></sup></a> Ver, entre outros: o material de divulgação da palestra “Autografias Luíza Mahin: um mito libertário no Feminismo Negro”, promovida pelo SESC, em São Paulo, em 2015, disponível em: <a href="https://centrodepesquisaeformacao.sescsp.org.br/atividade/luiza-mahin-um-mito-libertario-no-feminismo-negro">https://centrodepesquisaeformacao.sescsp.org.br/atividade/luiza-mahin-um-mito-libertario-no-feminismo-negro</a> , acesso em 10 de julho de 2019; do Colóquio Internacional Subjectividades Escravas nos Mundos Ibéricos (Séculos XV-XX), realizado em 2018, promovido pelo Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa, Portugal, disponível em: <a href="https://www.ics.ulisboa.pt/sites/ics.ulisboa.pt/files/events/cartaz/diptico_subjective_hd1.pdf">https://www.ics.ulisboa.pt/sites/ics.ulisboa.pt/files/events/cartaz/diptico_subjective_hd1.pdf</a>, acesso em 20 de agosto de 2019; as capas dos livros <em>O genocídio do negro brasileiro</em>: processo de um racismo mascarado, de Abdias do Nascimento, disponível em: <a href="https://www.editoraufv.com.br/produto/o-genocidio-do-negro-brasileiro--processo-de-um-racismo-mascarado-3-edicao/1784951">https://www.editoraufv.com.br/produto/o-genocidio-do-negro-brasileiro&#8211;processo-de-um-racismo-mascarado-3-edicao/1784951</a>, acesso em 29 de fevereiro de 2020; <em>Ocupação Luiza Mahin</em>, disponível em: <a href="http://www.sindipetroba.org.br/2017/noticia/8337/lancamento-do-livro-%E2%80%9Cocupac%C3%A3o-luisa-mahin%E2%80%9D-tem-feijoada-e-m%C3%BAsica">http://www.sindipetroba.org.br/2017/noticia/8337/lancamento-do-livro-%E2%80%9Cocupac%C3%A3o-luisa-mahin%E2%80%9D-tem-feijoada-e-m%C3%BAsica</a>, acesso em 20 de agosto de 2019; <em>Luiza Mahin</em>, romance de Armando Avena, disponível em: <a href="http://atarde.uol.com.br/coluna/armandoavena/2112050-heroina-negra-luiza-mahin-e-tema-de-livro-de-armando-avena-premium">http://atarde.uol.com.br/coluna/armandoavena/2112050-heroina-negra-luiza-mahin-e-tema-de-livro-de-armando-avena-premium</a>, acesso em 12 de dezembro de 2019; o cartaz do evento “Sarau das Pretas – Luiza Mahin vive!”; disponível em: <a href="https://www.londrinatur.com.br/agenda/sarau-das-pretas-luiza-mahin-vive/">https://www.londrinatur.com.br/agenda/sarau-das-pretas-luiza-mahin-vive/</a>, acesso em 20 de agosto de 2019; o site do MAR com a divulgação da exposição “Rosana Paulino: a costura da memória”, disponível em: <a href="http://museudeartedorio.org.br/programacao/a-costura-da-memoria-2/">http://museudeartedorio.org.br/programacao/a-costura-da-memoria-2/</a>, acesso em 29 de fevereiro de 2020; a tatuagem apresentada como “Portrait de Luiza Mahin uma das figuras africanas mais importantes da história”, disponível em: <a href="http://picdeer.org/thiago.maga.tattoo">http://picdeer.org/thiago.maga.tattoo</a>, acesso em 20 de agosto de 2019; o rótulo da cerveja Mahin, disponível em <a href="https://www.facebook.com/1984215361805614/photos/a.1985548531672297/1985548365005647/?type=3&amp;theater">https://www.facebook.com/1984215361805614/photos/a.1985548531672297/1985548365005647/?type=3&amp;theater</a>, acesso em 20 de agosto de 2019.</p>
<p><a href="#_ednref7" name="_edn7"><sup><sup>[7]</sup></sup></a> “Nenhuma Luíza, aliás, foi incluída em quaisquer listas de presos por envolvimento no levante. A única mulher com esse nome que encontrei em 1835 foi uma liberta, presa provavelmente em novembro para ser deportada por crime não especificado, mas de forma alguma por insurreição. […] O personagem Luíza Mahin, então, resulta de um misto de realidade possível, ficção abusiva e mito libertário. A rigor, o que dela se conhece tem pouca fundamentação histórica. O que mais se aproxima dela é o pouco que sobre ela escreveu o filho Luiz Gama. Do que este revelou, o envolvimento da mãe em 1835 é até possível, embora os documentos sobre a revolta não o confirmem e indiquem como altamente improvável seu papel de liderança.” REIS, João José. <em>Rebelião escrava no Brasil</em>: a história do levante dos malês em 1835. São Paulo: Companhia das Letras, 2003, p. 301-303.</p>
<p><a href="#_ednref8" name="_edn8"><sup><sup>[8]</sup></sup></a> LIMA, Dulcilei da Conceição. <em>Desvendando Luiza Mahin: um mito libertário no cerne do feminismo negro</em>. Dissertação. Mestrado em Educação, Arte e História da Cultura, São Paulo, Universidade Presbiteriana Mackenzie, 2011, p.8.</p>
<p><a href="#_ednref9" name="_edn9"><sup><sup>[9]</sup></sup></a> CUNHA, Manuela Carneiro da. “Olhar escravo, ser olhado”. In: AZEVEDO, Paulo Cesar de e LISSOVSKY, Mauricio [e outros] <em>Escravos brasileiros do século XIX na fotografia de Christiano Jr</em>. São Paulo: Ed. Ex Libris Ltda., 1988, p. 23. Apud. KOUTSOUKOS, Sandra Sofia Machado. No estúdio do fotógrafo. Representação e auto-representação de negros livres, forros e escravos no Brasil da segunda metade do século XIX. Tese. Doutorado em Multimeios, Campinas, UNICAMP, 2006, p. 107.</p>
<p><a href="#_ednref10" name="_edn10"><sup><sup>[10]</sup></sup></a> HIRSZMAN, Maria Lafayette Aureliano. <em>Entre o tipo e o sujeito: os retratos de escravos Christiano Jr</em>. Dissertação. Mestrado em Artes, São Paulo, USP. 2011. KOUTSOUKOS, Sandra Sofia Machado. No estúdio do fotógrafo, op. cit.</p>
<p><a href="#_ednref11" name="_edn11"><sup><sup>[11]</sup></sup></a> KOUTSOUKOS, Sandra Sofia Machado.<em> ‘Typos de pretos no estúdio do photographo’: Brasil segunda metade do século XIX</em>. <em>Anais do Museu Histórico Nacional</em>, Rio de Janeiro, v. 39, 2008, p. 455-482.</p>
<p><a href="#_ednref12" name="_edn12"><sup><sup>[12]</sup></sup></a> O “tipo” é uma denominação classificatória das diferenças humanas físicas e culturais, caras aos estudos de história natural dos séculos XVIII e XIX, segundo os quais, a humanidade é parte da natureza e deve ser estudada segundo os mesmos critérios taxonômicos. “Assim, foi-se criando e se afirmando cada vez mais [&#8230;] um padrão imagético taxonômico cuja expressão mais evidente pode-se chamar de documentação de espécimes – sejam botânicos, animais, ou tipos humanos inseridos em universos sociais”. Cf. SELA, Eneida Maria Mercadante. Modos de ser em modos de ver: ciência e estética em registros de africanos por viajantes europeus (Rio de Janeiro, ca. 1808-1850). Tese. Doutorado em História. Campinas, Unicamp, 2006. p.65. Em outras palavras, a classificação humana como “tipo” era uma forma não apenas de estudar o “outro”, mas também de inferiorizá-lo e dominá-lo, sob a perspectiva de lidar com uma “essência abstrata da variação humana” que é como o “tipo” é definido por Elizabeth Edwards Apud. HIRSZMAN, Maria Lafayette Aureliano. Entre o tipo e o sujeito…, op. cit. p. 48.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>*Aline Montenegro Magalhães é Doutora em História | Pesquisadora do Museu Histórico Nacional</p>
<p>Maria do Carmo Rainho é Doutora em História | Pesquisadora do Arquivo Nacional</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>O artigo <a href="https://www.revista.ueg.br/index.php/revistahistoria/article/view/10514" target="_blank"><em>Produção, usos e apropriações de uma imagem: o processo de iconização da fotografia da mulher de turbante, de Alberto Henschel,</em></a> das mesmas autoras e também sobre esse tema foi publicado da <em>Revista de História da UEG</em> (Universidade Estadual de Goiás), em 14 de julho de 2020. **</p>
<p>Link para o artigo <a href="https://revistazum.com.br/radar/a-mulher-de-turbante/" target="_blank"><em>As reencarnações de uma mulher negra: pessoa-coisa-pessoa</em></a>, de <span class="author"><a href="https://revistazum.com.br/radar/a-mulher-de-turbante/autor/?autor=Alexandre+Araujo+Bispo">Alexandre Araujo Bispo</a>, p</span><span class="date-published">ublicado em 17 de novembro de 2020, na Revista de Fotografia Zum.***</span></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>**Esta informação foi acrescentada ao texto em 16 de julho de 2020.</p>
<p>*** Esta informação foi acrescentada ao texto em 17 de março de 2021.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><em><span style="color: #800000;"><strong> Links para artigos da Brasiliana Fotográfica sobre Alberto Henschel e sobre a escravidão no Brasil</strong></span></em></p>
<p>&nbsp;</p>
<div style="width: 238px" class="wp-caption alignleft"><img class="" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2015/06/cart%C3%A3o-Albert-Henschel-178x300.jpg" alt="cartão Albert Henschel" width="228" height="384" /><p class="wp-caption-text">Photographia Allemã, de Alberto Henschel / Acervo IMS</p></div>
<p>&nbsp;</p>
<div><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=520" target="_blank"><em>Dia da Abolição da Escravatura</em>, publicado em 13 de maio de 2015</a></div>
<p>&nbsp;</p>
<div></div>
<div><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=528" target="_blank"><em>Missa campal de 17 de maio de 1888</em>, publicado em 17 de maio de 2015</a></div>
<p>&nbsp;</p>
<div></div>
<div><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?page_id=1371" target="_blank"><em>O alemão Alberto Henschel (1827 – 1882), o empresário da fotografia</em>, publicado em 13 de junho de 2015</a></div>
<p>&nbsp;</p>
<div></div>
<div><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=14617" target="_blank"><em>Retratos de escravizados pelo fotógrafo Christiano Junior (1832 – 1902)</em>, de Maria Isabel Ribeiro Lenzi, publicado em 13 de maio de 2019</a></div>
<div></div>
<div></div>
<div></div>
<div></div>
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