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	<title>Brasiliana Fotográfica &#187; Programa Iberarchivos</title>
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		<title>Série &#8220;Conflitos&#8221; XI &#8211; Memórias de uma enfermeira &#8220;febiana&#8221; no front</title>
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		<pubDate>Mon, 15 Dec 2025 13:43:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Andrea Wanderley]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Análise de documento]]></category>
		<category><![CDATA[Curadoria]]></category>
		<category><![CDATA[5º Objetivo de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da Agenda 2030 da Organização das Nações Unidas]]></category>
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		<category><![CDATA[Quadro de Emergência de Enfermeiras da Reserva do Exército]]></category>
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		<category><![CDATA[Virgínia Maria de Niemeyer Portocarrero]]></category>
		<category><![CDATA[Virgínia Portocarrero]]></category>

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		<description><![CDATA[Há pouco mais de 80 anos, em agosto de 1945, os Estados Unidos lançaram as bombas atômicas em Hiroshima e Nagasaki, cidades japonesas, encerrando a Segunda Guerra Mundial (1939-1945). Durante a contenda foram enviadas tropas brasileiras ao norte da Itália em apoio aos Aliados, após o Brasil declarar guerra à Alemanha e Itália. Parte dessa história pode ser conferida a partir do acervo documental de uma brasileira que vivenciou o conflito bélico no front, a enfermeira da Força Expedicionária Brasileira (FEB), Virgínia Maria de Niemeyer Portocarrero (1917-1923), presente no acervo fotográfico da Casa de Oswaldo Cruz / Fiocruz, uma das instituições parceiras da Brasiliana Fotográfica.  No artigo "Memórias de uma enfermeira ‘febiana’ no front", a jornalista Cristiane d’Avila e a historiadora Laurinda Maciel contam um pouco desta história.]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><span style="color: #800000;"><strong>Memórias de uma enfermeira &#8220;febiana&#8221; no <em>front</em></strong></span></p>
<p style="text-align: center;">Cristiane d’Avila e Laurinda Maciel*</p>
<p>Há pouco mais de 80 anos, em 6 e 9 de agosto de 1945, os Estados Unidos lançavam sobre o Japão as bombas que ceifaram a vida de milhares de civis e devastaram parte das cidades de Hiroshima e Nagasaki, encerrando os seis longos anos da Segunda Guerra Mundial (1939-1945). Expressão da luta contra o nazismo e o fascismo, a contenda incluiu o envio de tropas brasileiras ao norte da Itália em apoio aos Aliados (Estados Unidos, Reino Unido, União Soviética, França, Polônia), após o Brasil declarar guerra à Alemanha e Itália. Parte dessa história pode ser conferida no Departamento de Arquivo e Documentação da Casa de Oswaldo Cruz (DAD/COC), em especial a partir do acervo documental de uma brasileira que vivenciou o conflito bélico no <em>front</em>: a enfermeira da Força Expedicionária Brasileira (FEB), Virgínia Maria de Niemeyer Portocarrero (1917-1923).</p>
<p>&nbsp;</p>
<div style="width: 710px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/14041" target="_blank"><img src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/bitstream/handle/20.500.12156.1/14041/br_rjcoc_vp_03_06_v02_129.jpg.jpg?sequence=3&amp;isAllowed=y" alt="Thumbnail" width="700" height="511" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/14041" target="_blank">Enfermeiras Doris, Virgínia, e Sylvinha, s/d. Pistoia, Itália / Acervo Casa de Oswaldo Cruz</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>Nascida em 23 de outubro de 1917, no Rio de Janeiro, Virgínia era filha e sobrinha de generais. Bacharel em Ciências e Letras pelo Colégio Pedro II, formou-se em Enfermagem Samaritana pela Cruz Vermelha. Com o início da guerra, voluntariou-se para as Forças Armadas do Brasil, o que a levou a compor o Quadro de Emergência de Enfermeiras da Reserva do Exército (CEERE).</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><span style="color: #800000;"><a style="color: #800000;" href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/visualizar-grupo-trabalho/433" target="_blank"><strong>Acessando o link para as fotografias relativas à enfermeira Virgínia Portocarrero disponíveis na Brasiliana Fotográfica, o leitor poderá magnificar as imagens e verificar todos os dados referentes a elas.</strong></a></span></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Em 7 de julho de 1944 embarcou para Nápoles, Itália, como uma das 67 integrantes do Primeiro Escalão da Força Expedicionária Brasileira (FEB). Outras seis enfermeiras, egressas da Escola Anna Nery (EAN), compuseram o quadro da Força Aérea Brasileira (FAB). O grupo atuou nos seguintes hospitais de campanha do exército norte-americano instalados na Itália: 182th <em>Station General Hospital</em>, em Nápoles, <em>105th Station Hospital</em>, em Cevitavecchia, <em>64th General Hospital</em>, em Ardenza, <em>38th Evacuation Hospital</em>, em Cecina, Florença e Pisa; <em>16th Evacuation Hospital</em>, em Pistola, e <em>15th Evacuation Hospital</em>, em Corvela.</p>
<p>&nbsp;</p>
<div style="width: 711px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/14038" target="_blank"><img src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/bitstream/handle/20.500.12156.1/14038/br_rj_coc_vp_03_03_012_an1.jpg.jpg?sequence=3&amp;isAllowed=y" alt="Thumbnail" width="701" height="485" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/14038" target="_blank">Vista da cidade de Pístola, onde funcionou um dos hospitais de campanha utilizados pela FEB durante a Segunda Guerra Mundial, na Itália, 1944/1945. Pistoia, Itália / Acervo Casa de Oswaldo Cruz</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>Em 7 de julho de 1945, regressou ao Brasil e, em 1957, foi incorporada ao serviço ativo do Exército como 2º tenente e enfermeira na Policlínica Central do Exército. Passou para a reserva, em 25 de setembro de 1962, como 1º tenente, sendo promovida a capitão em 1963.</p>
<p><strong>O arquivo pessoal</strong></p>
<p>O arquivo pessoal de Virgínia, doado ao DAD/COC, em 2010, contém centenas de fotografias, cartas, recortes de jornais, panfletos, ilustrações, desenhos e gravações de canções, entre outros documentos, com destaque para o diário sobre sua experiência como enfermeira da FEB. Nele, ela conta em detalhes o cotidiano de trabalho no hospital de campanha, o atendimento aos feridos e os momentos de descontração, entre outras percepções sobre sua experiência nos campos de batalha.</p>
<p>Em 2021, o arquivo completo foi digitalizado com recursos do Programa <em>Iberarchivos,</em> ação de fomento, acesso, organização, descrição, conservação e difusão do patrimônio documental das nações ibero-americanas voltada à promoção da igualdade de gênero e ao empoderamento de mulheres e meninas, em alinhamento ao <a href="https://brasil.un.org/pt-br/sdgs/5">5º Objetivo de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da Agenda 2030 da Organização das Nações Unidas (ONU)</a><a href="#_ftn1" name="_ftnref1">[1]</a>.</p>
<p><strong>Memórias de uma &#8220;‘febiana&#8221; no front</strong></p>
<p>Em 14 de março de 2008, Virgínia concedeu entrevista às historiadoras da COC Anna Beatriz de Sá Almeida, Laurinda Rosa Maciel e Margarida Maria Rocha Bernardes relatando sua experiência no <em>front</em> durante quase um ano de trabalho na Itália. Na sequência, destacamos trechos das falas:</p>
<p><em>&#8220;Eu ouvia falar essa coisa toda, não sabe? Eu disse: “Não, eu vou fazer um curso para também ir para essa guerra para cuidar dos militares&#8230; com interesse de ir para guerra. E eu fiz o primeiro ano [do curso da Cruz Vermelha], e nisso saiu no jornal O Globo o [chamado para o] voluntariado. Eu aí fui em casa, apanhei os documentos; não disse a ninguém, me apresentei. Chegou de noite o jornal começou a publicar e dar os nomes, aí começaram a telefonar [&#8230;] para a mamãe e pra mim. Porque a mamãe era uma mãe extraordinária, uma gracinha de mãe; o meu pai um amor, uma coisa formidável. [Eles não sabiam de nada] eu me apresentei e fiquei quietinha porque senão podiam dizer não, e aí que eu não ia fazer porque eu era obediente.</em></p>
<p>&nbsp;</p>
<div style="width: 712px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/14059" target="_blank"><img src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/bitstream/handle/20.500.12156.1/14059/br_rjcoc_vp_04_07_v02_051.jpg.jpg?sequence=3&amp;isAllowed=y" alt="Thumbnail" width="702" height="456" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/14059" target="_blank">Enfermeira Elza Cansanção ao lado de sua mãe Aristheia antes de embarcar para a Itália, s/d / Acervo Casa de Oswaldo Cruz</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p><em>E aí eu já era maior, podia me apresentar. [&#8230;] Foi o seguinte: meu tio, irmão de papai mais novo, era chefe de gabinete de Prudente de Morais, general Prudente de Morais, era o general José Portocarrero. [&#8230;] e eles foram lá pedir para me reprovar no exame de saúde porque eu saí muito bem classificada no curso. Eu fiz tudo que tinha que fazer: ginástica, essas coisas todas&#8230;  [&#8230;] Tinha três em primeiro lugar, uma em segundo, e depois o meu foi o terceiro. Passei em tudo muito bem. Estudava que nem uma danada, não é? Eu não podia deixar de sair, porque eu queria ser aquilo. Já toda fardadinha&#8230;</em></p>
<p>&nbsp;</p>
<div style="width: 711px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/14055" target="_blank"><img src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/bitstream/handle/20.500.12156.1/14055/br_rjcoc_vp_03_03_005_an1.jpg.jpg?sequence=3&amp;isAllowed=y" alt="Thumbnail" width="701" height="500" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/14055" target="_blank">Enfermeiras da Força Expedicionária Brasileira em Pistoia , s/d / Acervo Casa de Oswaldo Cruz</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p><em>Embarquei para Natal. Na Base Aérea de Parnamirim e ficamos lá, não sabíamos para onde íamos. Eu e mais cinco e o major Ernestino [Homem de Oliveira], um portento de inteligência, um cirurgião maravilhoso&#8221;. </em></p>
<p><strong>O trabalho nos hospitais de campanha</strong></p>
<p><em>&#8220;De lá [Argel] nós fomos para a Itália. Aí que nós que soubemos que [iríamos] para a Itália. [&#8230;] Aí quando nós estávamos sentadas, muito bem clareou a cidade toda, que era madrugada, não é? Aí foi o batismo de fogo, porque começaram a bombardear Nápoles, em frente à nossa janela. Nós assistimos. Então o nosso batismo de fogo foi esse. Nós nem pernas tínhamos para sair, ficamos ali sentados, o major, nós duas&#8230; Olhando aquele bombardeio caindo na Baía de Nápoles. Estavam invadindo, tantos que morreram. Então, a Baía de Nápoles foi o nosso batismo. [&#8230;] nós fomos cumprimentar as americanas. Comigo as americanas foram educadíssimas, [&#8230;] me chamavam na hora da folga para a barraca delas jogar carta, para aprender a falar português, para me ensinar inglês, elas comigo foram fabulosas. </em></p>
<p><em>O banho era em conjunto com as americanas. Aquelas barracas grandes, abertas&#8230; Cada uma entrava num boxe, tomava banho. E tinha um saco que você jogava roupa suja, e a italiana tinha uma máquina de lavar, que lavava a roupa, mas ela só tinha ordem de lavar as das americanas. Nós levávamos aquilo, de noite na pia&#8230;</em></p>
<p>&nbsp;</p>
<div style="width: 708px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/14050" target="_blank"><img src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/bitstream/handle/20.500.12156.1/14050/br_rjcoc_vp_03_06_v02_157.jpg.jpg?sequence=3&amp;isAllowed=y" alt="Thumbnail" width="698" height="459" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/14050" target="_blank">Alojamento do hospital de Corvella, na Itália, durante a Segunda Guerra Mundial, s/d. Itália / Acervo Casa de Oswaldo Cruz</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p><em>Era uma rua de barracas; barracas para lá e barracas de lá e aqui a ruazinha. Eram americanas e brasileiras enfermeiras nesse pedaço. Na outra zona do nosso limite os médicos, e noutra os sargentos e os soldados. Era o nosso limite.</em></p>
<p><em>Nessa enfermaria tinha sempre uma americana com uma brasileira para ensinar a rotina do hospital, que era tudo em inglês: os pedidos de medicamento, os médicos receitavam&#8230; Tinham médicos que não sabiam nada de inglês. Até à gente eles vinham, eu dizia: “Vê lá, eu de inglês eu&#8230; É melhor o senhor saber com americano porque o meu inglês é fraco”. </em></p>
<p>&nbsp;</p>
<div style="width: 711px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/14060" target="_blank"><img src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/bitstream/handle/20.500.12156.1/14060/br_rjcoc_vp_03_06_v02_176.jpg.jpg?sequence=3&amp;isAllowed=y" alt="Thumbnail" width="701" height="549" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/14060" target="_blank">Tenente Jacyra no 38th Evac. Hospital, s/d. Itália / Acervo Casa de Oswaldo Cruz</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p><em>Às 7 horas da manhã a gente tinha que entrar. A colega da noite já tinha dado banho. E o banho das americanas elas nunca davam o banho geral. Elas botavam um biombo, porque era leito vago. Quando baixava coronel, general, queimado, paisano&#8230; Então eles botavam um biombo que ficava meio falta de respeito, não é? [&#8230;] nós dávamos injeção na veia, passava no soro, e as americanas não passavam&#8230; os próprios americanos gostavam mais de tomar injeção com as brasileiras. Pegávamos o músculo e pow!</em></p>
<p><em>Das 7h da manhã às 7h da noite; depois tínhamos um dia de folga total, e trabalhávamos das 7h da noite, às 7h da manhã, 15 dias; os que eram prisioneiros de guerra e estavam feridos iam para a mesma enfermaria. Eles davam pijama, escova de dente, sabonete, alimentação igual, não queriam conversa. Americano então tinha horror de conversar. E eles ficavam danados porque eles [prisioneiros] conversavam à beça comigo porque falavam francês, falavam italiano, espanhol, porque eram cultos; o alemão era cultíssimo. Agora o americano só falava inglês.</em></p>
<p><em>Os americanos eram verdadeiras crianças; a gente botava o remédio para eles, tinha que botar na boca, mandar abrir a boca, e ficar segurando ver se eles não jogavam fora. Os alemães eram rigorosos e muito disciplinados. </em></p>
<p><em>A sala de choque era uma espécie de urgência, quando eles chegavam iam para ser atendidos logo ali; era uma espécie de boxes para tratamento geral, limpeza e tal. E se dividia pelo quadro: a enfermaria com a gravidade, com a maior gravidade, inclusive para a sala de operações. Era logo classificado. [tinha sala de operações, clínica e choque] e tinha de material cirúrgico, dando suporte [&#8230;] Era hospital de campo, tudo em barracas, mas tudo [organizado]&#8230; Se o bombardeio durasse, [o hospital de campanha com as barracas] ficava enquanto durasse o bombardeio&#8221;.</em></p>
<p><strong>A produção de memória e o término da guerra</strong></p>
<p><em>&#8220;O nome dos vários pontos que nós passamos eu me lembrava porque o meu pai como era professor, ele me instruiu. Ele disse: “Você não mande nada, nada da tua vida militar em carta porque em tempo de guerra isso não vai chegar aqui. Você faz o seguinte: cada doente que você tiver alta, que ele tiver transferência para o Brasil, você dá o meu telefone, dá a ele, pede licença ao comando que vai mandar para o seu pai”. E o papai escreveu uma carta ao Major Ernestino pedindo que deixasse&#8230; que liberasse, que queria fazer o meu diário. O major Ernestino permitiu fazer. [&#8230;] Eles telefonavam, papai ia ao HCE e apanhava.</em></p>
<p><em>Ganhei uma máquina fotográfica porque fizeram uma vaquinha. Eu tenho fotografia de tudo. Tudo que eu queria eu tirava. [antes de ter a máquina] eu gostava de fotografia, mas não consegui levar máquina porque não deixaram. </em></p>
<p><em>[Ganhava] muitos presentes [dos pacientes], cartas, poesias, tudo, tudo, tudo. E aqui no Brasil eu recebo telefonemas de esposas que ainda estão vivas. </em></p>
<p><em>Que já tinha acabado a guerra, e eu vi o Mussolini pendurado de cabeça para baixo, a mulher do Mussolini [Clara Petacci] e três ministros. Vi em Milão, estava perto do Lago de Como, pendurado de cabeça para baixo, e os italianos foram que meteram canivetes, facas. Quem o matou foram os próprios italianos&#8221;. </em></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong>O arquivo pessoal de Virgínia Portocarrero, os áudios das entrevistas realizadas, bem como a transcrição das mesmas estão </strong><a href="disponíveis%20para%20consulta"><strong>disponíveis para consulta</strong></a><strong>, que pode ser solicitada em </strong><a href="https://www.gov.br/pt-br/servicos/consultar-arquivos-historicos-da-fiocruz"><strong>https://www.gov.br/pt-br/servicos/consultar-arquivos-historicos-da-fiocruz</strong></a><strong> .</strong></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><a href="#_ftnref1" name="_ftn1">[1]</a> Objetivo de Desenvolvimento Sustentável 5: “Igualdade de gênero &#8211; Alcançar a igualdade de gênero e empoderar todas as mulheres e meninas. Disponível em <a href="https://brasil.un.org/pt-br/sdgs/5">Sustainable Development Goal 5: Igualdade de gênero | As Nações Unidas no Brasil</a>.</p>
<div></div>
<div>*Cristiane d’Avila é jornalista e Laurinda Maciel é historiadora do Departamento de Arquivo e Documentação da Casa de Oswaldo Cruz (COC/Fiocruz)</div>
<div></div>
<div>Esse artigo passou a integrar a série <em>Conflitos</em>, em 20 de março de 2026.</div>
<div></div>
<p><span style="color: #800000;"><strong>Fontes:</strong></span></p>
<p>BERNARDES, M.M.R.; KAMINITZ, S.HC; MACIEL, L.R. et ali. ‘Uma enfermeira da Força Expedicionária Brasileira na Segunda Guerra Mundial: Fundo Virgínia Portocarrero da Casa de Oswaldo Cruz/Fiocruz’. Hist. cienc. saude-Manguinhos 29 (2) • Apr-Jun 2022, p.531-550.</p>
<p>CASA DE OSWALDO CRUZ. Departamento de Arquivo e Documentação. Fundo Virgínia Portocarrero. Disponível em: <a href="https://basearch.coc.fiocruz.br/index.php/virginia-portocarrero">https://basearch.coc.fiocruz.br/index.php/virginia-portocarrero</a>. Acesso em: 09 nov 2025.</p>
<p>D’AVILA, Cristiane. <em>Força feminina contra o nazismo: a enfermeira brasileira Virgínia Portocarrero na Segunda Guerra Mundial</em> (Artigo). In: Café História. Publicado em 1 mar de 2021. Disponível em: <a href="https://www.cafehistoria.com.br/enfermeiras-na-segunda-guerra-virginia-portocarrero/">https://www.cafehistoria.com.br/enfermeiras-na-segunda-guerra-virginia-portocarrero/</a>. ISSN: 2674-59.</p>
<p>PORTOCARRERO, Virgínia Maria Niemeyer. FIOCRUZ. Rio de Janeiro. 14 de maio. 2008. Entrevista concedida à Anna Beatriz de Sá Almeida, Laurinda Rosa Maciel e Margarida Maria Rocha Bernardes. Acervo da Casa de Oswaldo Cruz. Disponível em: <a href="https://basearch.coc.fiocruz.br/index.php/virginia-maria-de-niemeyer-portocarrero-3">https://basearch.coc.fiocruz.br/index.php/virginia-maria-de-niemeyer-portocarrero-3</a>. Acesso em: 09 nov 2025.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
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