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	<title>Brasiliana Fotográfica &#187; Pacheco Leão</title>
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		<title>Série &#8220;Carnavais de antigamente&#8221; V &#8211; Cenas da folia em Manaus em 1913</title>
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		<pubDate>Fri, 28 Feb 2020 17:54:38 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Andrea Wanderley]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Análise de documento]]></category>
		<category><![CDATA[Amazonas]]></category>
		<category><![CDATA[Antônio Pacheco Leão]]></category>
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		<description><![CDATA[Com o artigo "Cenas da folia em Manaus em 1913", da jornalista Cristiane d´Avila, da Casa de Osvaldo Cruz, uma das instituições parceiras da Brasiliana Fotográfica, o portal destaca fotografias do carnaval na capital do Amazonas no início do século XX. Além da documentação fotográfica das expedições que o Instituto Oswaldo Cruz realizou entre 1910 e 1913 ao Norte, Nordeste e Centro Oeste do Brasil, os fotógrafos que acompanhavam os  cientistas também registraram muitas imagens em cidades e lugarejos por onde passavam, a exemplo das imagens sobre o Carnaval em Manaus, em fevereiro de 1913, realizadas dias antes da partida dos médicos Carlos Chagas (1879 - 1934), Antônio Pacheco Leão (1872 - 1931) e João Pedro de Albuquerque (1874 - 1934) para sua a última viagem ao rio Negro e seu afluente, o Branco, até a fronteira com a Venezuela.]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: left;">Com o artigo <em><span style="color: #800000;"><span style="color: #333333;">Cenas da folia em Manaus em 1913,</span><strong> </strong></span></em>da jornalista Cristiane d´Avila, da Casa de Osvaldo Cruz, uma das instituições parceiras da Brasiliana Fotográfica, o portal destaca fotografias do carnaval na capital do Amazonas no início do século XX. Além da documentação fotográfica das <a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=13880" target="_blank">expedições que o Instituto Oswaldo Cruz realizou entre 1910 e 1913</a> ao Norte, Nordeste e Centro Oeste do Brasil, os fotógrafos que acompanhavam os  cientistas também registraram muitas imagens em cidades e lugarejos por onde passavam, a exemplo das imagens sobre o Carnaval em Manaus, em fevereiro de 1913, realizadas dias antes da partida dos médicos <a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=13402" target="_blank">Carlos Chagas (1879 &#8211; 1934)</a>, Antônio Pacheco Leão (1872 &#8211; 1931) e <a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=13446">João Pedro de Albuquerque (1874 &#8211; 1934)</a> para sua a última viagem ao rio Negro e seu afluente, o Branco, até a fronteira com a Venezuela.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: center;"><em><span style="color: #800000;"><strong>Cenas da folia em Manaus em 1913</strong></span></em></p>
<p style="text-align: center;"> Cristiane d’Avila*</p>
<p>&nbsp;</p>
<div style="width: 899px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/6206" target="_blank"><img src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/bitstream/handle/20.500.12156.1/6206/02-10-20-35-005-190.jpg.jpg?sequence=3&amp;isAllowed=y" alt="Thumbnail" width="889" height="534" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/6206" target="_blank">Carnaval, 1913. Manaus, Amazonas / Acervo Casa de Oswaldo Cruz</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>Era um domingo de Carnaval, 2 de fevereiro de 1913. Dali a quatro dias, 6 de fevereiro, os médicos <a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=13402" target="_blank">Carlos Chagas</a>, do Instituto Oswaldo Cruz (IOC), Antônio Pacheco Leão, da Escola de Medicina do Rio de Janeiro, e <a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=13446">João Pedro de Albuquerque</a>, da Diretoria Geral de Saúde Pública (DGSP), partiriam para sua a última viagem ao rio Negro e seu afluente, o Branco, até a fronteira com a Venezuela. A rota encerrava a expedição organizada a partir de contrato firmado entre a Superintendência da Defesa da Borracha e <a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=10762" target="_blank">Oswaldo Cruz</a>, então diretor do IOC, para avaliar as condições sanitárias dos seringais às margens dos rios Solimões, Tarauacá, Iaco, Negro, Branco, Purus e afluentes.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/visualizar-grupo-trabalho/210" target="_blank">Acessando o link para as fotografias do carnaval em Manaus em 1913 disponíveis na Brasiliana Fotográfica, o leitor poderá magnificar as imagens e verificar todos os dados referentes a elas.</a></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Para o governo federal, as endemias que assolavam as populações na Amazônia, em especial a malária, eram o principal obstáculo ao desenvolvimento da economia da borracha. O enfrentamento dessas condições sanitárias seria capaz de fazer frente à concorrência asiática no Ceilão e na Malásia, iniciada após o contrabando de sementes de Hevea brasiliensis realizado, com sucesso, em 1876, sob a liderança do botânico Henry Wickham com patrocínio da Grã-Bretanha. Por essa razão, o Instituto Oswaldo Cruz foi designado para coordenar a comissão, que gerou o Relatório sobre as condições médico-sanitárias do vale do Amazonas, cuja versão final foi assinada por Oswaldo Cruz.</p>
<p>Iniciada em outubro de 1912, a missão científica levou os sanitaristas a percorrerem a geografia fluvial a bordo de um pequeno vapor, equipado com instrumentos e material necessários a seus estudos. Os sanitaristas enviados pelo governo atracavam nos seringais e povoados recolhendo amostras para exames, realizados no precário laboratório a bordo da embarcação. No trajeto, observavam casos clínicos de doenças comuns e até então completamente desconhecidas, anotavam práticas medicinais e modos de habitar das populações daquelas regiões, coletavam insetos suspeitos de transmitir doenças, recolhiam plantas de valor medicinal, entre outras ações de investigação científica. O objetivo era propor medidas de saneamento.</p>
<p>A missão partia sempre de Manaus, então um centro urbano pujante e moderno, enriquecido com a extração e comércio da borracha, exportada em grande escala para fábricas da Europa. A descoberta de processos de impermeabilização e vulcanização (1844) para a transformação industrial da matéria-prima dos seringais numa grande variedade de produtos, e a invenção do pneumático (1890), elevaram a cotação da borracha brasileira no mercado internacional.</p>
<p>Desde a segunda metade do século XIX até a década de 1910, a produção brasileira de borracha representava 61% da produção mundial (dado de 1892) e 50% em 1910. “Estas duas décadas demarcam a época áurea do ciclo da borracha, das grandes fortunas acumuladas por seringalistas, pelos negociantes que controlavam o comércio e a navegação do Amazonas e por toda espécie de aventureiro que pôde tirar proveito da opulência que se instalou em Manaus e em Belém”.</p>
<p>&nbsp;</p>
<div style="width: 980px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/7799" target="_blank"><img class="" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/bitstream/handle/20.500.12156.1/7799/02-10-20-35-005-169.jpg.jpg?sequence=3&amp;isAllowed=y" alt="Thumbnail" width="970" height="637" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/7799" target="_blank">Interior de um bar em Manaus, 2 de fevereiro de 1913(?). Manaus, Amazonas / Acervo Casa de Oswaldo Cruz</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>As fotografias aqui apresentadas foram registradas pelos fotógrafos que acompanhavam os cientistas. Incumbidos de registrar as expedições do IOC de 1910 a 1913 ao Norte, Nordeste e Centro-Oeste do país, esses profissionais não se atinham ao registro das condições de vida da população interiorana. A serviço da ciência, também produziram muitas imagens sobre as cidades e lugarejos por onde passavam, a exemplo dos registros sobre o Carnaval em Manaus. Os corsos – carros de luxo ornamentados, de onde os foliões jogavam confetes e flores nos passantes e em outros corsos – denotam a elitização da folia na cidade.</p>
<p>&nbsp;</p>
<div style="width: 989px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/7788" target="_blank"><img class="" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/bitstream/handle/20.500.12156.1/7788/02-10-20-35-005-193.jpg.jpg?sequence=3&amp;isAllowed=y" alt="Thumbnail" width="979" height="644" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/7788" target="_blank">Aspectos do Carnaval em Manaus, 2 de fevereiro de 1913. Manaus, Amazonas / Acervo Casa de Oswaldo Cruz</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>* Cristiane d’Avila é jornalista do Departamento de Arquivo e Documentação Casa de Oswaldo Cruz/Fiocruz</p>
<p><strong><a style="color: #0000ff;" href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?page_id=38034" target="_blank">Acesse aqui todos os artigos da Série <em>Carnavais de antigamente.</em></a></strong></p>
<div></div>
<div><span style="color: #800000;"><strong>Fontes</strong></span>:</div>
<p>FUNDAÇÃO OSWALDO CRUZ. CASA DE OSWALDO CRUZ. A ciência a caminho da roça: imagens das expedições científicas do Instituto Oswaldo Cruz ao interior do Brasil entre 1911 e 1913. Rio de Janeiro: Editora Fiocruz, 1992.</p>
<p>VITAL, André Vasques. Carlos Chagas na &#8220;guerra dos rios&#8221;: a passagem da comissão do Instituto Oswaldo Cruz pelo rio Iaco (Alto Purus, território federal do Acre, 1913). História, Ciências, Saúde-Manguinhos, vol. 25, núm. 1, 20</p>
<p>&nbsp;</p>
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		<title>As expedições do Instituto Oswaldo Cruz entre 1911 e 1913</title>
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		<pubDate>Thu, 14 Mar 2019 14:58:05 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Andrea Wanderley]]></dc:creator>
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		<description><![CDATA[Com o objetivo de acompanhar obras de construção de ferrovias e a inspeção sanitária de portos, médicos do Instituto Oswaldo Cruz realizaram, entre 1911 e 1913, três expedições ao Nordeste e Centro-Oeste do Brasil. A partir dessas expedições científicas, “a saúde pública como base para a construção da nacionalidade permitiu que fosse abandonada a tese da inferioridade racial do brasileiro”. A jornalista Cristiane d´Avila, do Departamento de Arquivo e Documentação da Casa de Oswaldo Cruz, uma das parceiras do portal, conta um pouco dessa história.]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: left;">Com o objetivo de acompanhar obras de construção de ferrovias e a inspeção sanitária de portos, médicos do Instituto Oswaldo Cruz realizaram, entre 1911 e 1913, três expedições ao Nordeste e Centro-Oeste do Brasil: Arthur Neiva (1880 &#8211; 1943) e Belisário Penna (1868 &#8211; 1939) percorreram o norte da Bahia, o sudeste de Pernambuco, o sul do Piauí e Goiás de norte a sul. João Pedro de Albuquerque  (1874 – 1934) e José Gomes de Faria (1887 – 1962) dirigiram-se para o Ceará e o norte do Piauí. Por sua vez, Adolpho Lutz (1855 &#8211; 1940) e Astrogildo Machado (1885-1945) desceram o rio São Francisco, de Pirapora a Juazeiro, cruzando também alguns de seus afluentes, entre março e outubro de 1912. O objetivo era realizar amplo levantamento das condições epidemiológicas e socioeconômicas das regiões percorridas pelo rio São Francisco e de outras áreas do Nordeste e Centro-Oeste brasileiros. A serviço da Superintendência da Defesa da Borracha, Carlos Chagas (1878 &#8211; 1934), Pacheco Leão (1872 &#8211; 1931) e João Pedro de Albuquerque inspecionaram boa parte da bacia do rio Amazonas, entre outubro de 1912 e março de 1913. A partir dessas expedições científicas, “a saúde pública como base para a construção da nacionalidade permitiu que fosse abandonada a tese da inferioridade racial do brasileiro”. A jornalista Cristiane d´Avila, do Departamento de Arquivo e Documentação da Casa de Oswaldo Cruz, uma das parceiras do portal, conta um pouco dessa história.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: center;"><em><span style="color: #800000;"><strong>As expedições do Instituto Oswaldo Cruz entre 1911 e 1913</strong></span></em></p>
<p style="text-align: center;">Cristiane d’Avila*</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
<div style="width: 285px" class="wp-caption alignleft"><a href="https://www.imj.org.il/en/collections/199799" target="_blank"><img class="" src="https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/d/db/Klee-angelus-novus.jpg/800px-Klee-angelus-novus.jpg" alt="" width="275" height="334" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://www.imj.org.il/en/collections/199799" target="_blank"><em>Angelus Novus</em>, por Paul Klee, 1920 / Museu de Israel, Jerusalém</a></p></div>
<p style="text-align: left;">Em <em>O mapa fantasma</em>, o norte-americano Steven Johnson (1968 -) sabiamente elege como abre-alas de seu <em>thriller</em> científico sobre a epopeia inglesa para debelar o cólera, na Londres vitoriana do século 19, o pintor e poeta alemão nascido na Suíça, Paul Klee (1879 &#8211; 1940), e o filósofo alemão Walter Benjamin (1892 &#8211; 1940). Destaca Johnson que Benjamin, ao interpretar o quadro de Klee, <em>Angelus Novus</em>, deduz, em <em>insight</em> genial, que o anjo novo (redenominado <em>O Anjo da História</em>), sabedor da força do progresso que irremediavelmente o tragaria, mira o passado, voltando as costas ao futuro.</p>
<p style="text-align: left;">A resistência do anjo de Klee à força do sopro da “tempestade” do progresso, sugere o futuro como ruptura inexorável com o passado. Não muito longe do universo de Klee e Benjamin, que vivenciaram os horrores da Primeira Guerra Mundial e anteviam as ameaças que acarretariam o conflito bélico subsequente, no Brasil travava-se um outro tipo de guerra, dessa feita contra micróbios e bactérias que aniquilavam as chances de o país superar seu malfadado “atraso”.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/visualizar-grupo-trabalho/168" target="_blank">Acessando o link para as fotografias das expedições do Instituto Oswaldo Cruz  selecionadas para esse artigo e disponíveis na Brasiliana Fotográfica, o leitor poderá magnificar as imagens e verificar todos os dados referentes a elas. </a></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Naquele início de século, a construção nacional nos moldes europeus mirava ideais civilizadores em todas as esferas da vida social. Em processo de urbanização e industrialização, principalmente no Sudeste, o país voltava-se inquieto e intrigado para seu imenso interior, buscando na pesquisa científica a chave para compreender os obstáculos colocados ao progresso por um território até então invisível.</p>
<p>&nbsp;</p>
<div style="width: 710px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/6251" target="_blank"><img src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/bitstream/handle/20.500.12156.1/6251/IOC-V-II-91.jpg.jpg?sequence=3&amp;isAllowed=y" alt="Thumbnail" width="700" height="482" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/6251" target="_blank">A comissão no vapor Rio Jamary, Amazonas, 1913. Amazônia / Acervo Casa de Oswaldo Cruz</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>Embora conceitualmente divergentes, as perspectivas sobre a realidade nacional cruzavam-se em um ponto de interseção: era preciso superar o “atraso”, considerado fruto de determinações socioeconômicas, históricas, políticas, climáticas, raciais e geográficas, por meio de estratégias que permitissem integrar o Brasil ao mundo moderno. Todas, ainda que se apoiassem em discursos antagônicos, não deixavam de buscar soluções para o desconforto, o sentimento de inadequação que a nossa realidade provocava nas elites nacionais. Como afirma Roberto Schwarz, essa experiência “pode ser e foi interpretada de muitas maneiras, por românticos, naturalistas, modernistas, esquerda, direita, cosmopolitas, nacionalistas etc., o que faz supor que corresponda a um problema durável e de fundo” (2005, p.109).</p>
<p>Campanhas de saúde foram realizadas por sanitaristas no interior do país a fim de erradicar doenças que mortificavam milhares de brasileiros, como a malária e a febre amarela. A partir das expedições científicas empreendidas por médicos do Instituto Oswaldo Cruz, “a saúde pública como base para a construção da nacionalidade permitiu que fosse abandonada a tese da inferioridade racial do brasileiro” (OLIVEIRA, 1990, P.145).</p>
<p>Com o objetivo de acompanhar obras de construção de ferrovias e a inspeção sanitária de portos, esses médicos protagonizaram, entre 1911 e 1913, três expedições ao Nordeste e Centro-Oeste do Brasil: Arthur Neiva e <a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=12777" target="_blank">Belisário Penna </a>percorreram o norte da Bahia, o sudeste de Pernambuco, o sul do Piauí e Goiás de norte a sul. <a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=13446" target="_blank">João Pedro de Albuquerque</a> e José Gomes de Faria dirigiram-se para o Ceará e o norte do Piauí.</p>
<div id="attachment_13978" style="width: 431px" class="wp-caption alignleft"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/6247" target="_blank"><img class=" wp-image-13978" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2019/01/capa1.jpg" alt="Vista do acampamento em Caldeirão, 1912. Pernambuco / Acervo Casa de Oswaldo Cruz" width="421" height="302" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/6247" target="_blank">Vista do acampamento em Caldeirão, 1912. Pernambuco / Acervo Casa de Oswaldo Cruz</a></p></div>
<p>Por sua vez, Adolpho Lutz e Astrogildo Machado desceram o rio São Francisco, de Pirapora a Juazeiro, cruzando também alguns de seus afluentes, entre março e outubro de 1912. O objetivo era realizar amplo levantamento das condições epidemiológicas e socioeconômicas das regiões percorridas pelo rio São Francisco e de outras áreas do Nordeste e Centro-Oeste brasileiros. A serviço da Superintendência da Defesa da Borracha, <a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=13402" target="_blank">Carlos Chagas</a>, Pacheco Leão e João Pedro de Albuquerque inspecionaram boa parte da bacia do rio Amazonas, entre outubro de 1912 e março de 1913.</p>
<p>“As expedições desse triênio foram demoradas e percorreram extensas áreas onde as investigações científicas predominaram sobre as preocupações médico-sanitárias de curto prazo. Estas expedições produziram, através dos relatórios de viagem e de intenso uso da fotografia, um minucioso registro das condições de vida da população interiorana, seus hábitos, suas técnicas, sua mentalidade, associando às questões sanitárias os aspectos socioeconômicos, culturais e ambientais das regiões percorridas”, escreveram os organizadores do livro <em>A ciência a caminho da roça</em> (1992, p.7). Algumas fotografias dessas expedições podem ser aqui observadas.</p>
<p><strong><span style="color: #800000;">Linha do tempo das expedições realizadas entre 1910 e 1913 (Fonte: www.fiocruz.br/ioc), com o objetivo de conhecer e mapear o quadro nosológico de regiões brasileiras para aumentar seu potencial produtivo, visando a sua modernização:</span></strong></p>
<p><span style="color: #800000;">1910</span>: Oswaldo Cruz e Belisário Penna seguem para a Amazônia, em ação de controle da malária para a <a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=10460" target="_blank">Madeira-Mamoré Railway</a> Company.</p>
<p><span style="color: #800000;"> 1912</span> (abril a outubro): Arthur Neiva e Belisário Penna percorrem Piauí, Pernambuco, Bahia e Goiás, para o reconhecimento topográfico e o levantamento sanitário das regiões secas, por requisição da Inspetoria de Obras Contra as Secas, órgão do Ministério dos Negócios da Indústria, Viação e Obras Públicas. Estão incluídos estudos da fauna, flora, geografia, condições de vida e história das localidades.</p>
<p><span style="color: #800000;">1912-1913</span>: Carlos Chagas, Pacheco Leão e João Pedro de Albuquerque partem em expedição para avaliar as condições sanitárias e de vida dos principais centros de produção da borracha através dos rios Solimões, Juruá, Purus, Acre, Iaco, Negro e o baixo rio Branco, em expedição requisitada pela Superintendência da Defesa da Borracha.</p>
<p>&nbsp;</p>
<div style="width: 598px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/6252" target="_blank"><img src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/bitstream/handle/20.500.12156.1/6252/IOC_V_II_0637.jpg.jpg?sequence=3&amp;isAllowed=y" alt="Thumbnail" width="588" height="800" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/6252" target="_blank">Grupo da comissão a bordo do Rio de Janeiro: Carlos Chagas, Pacheco Leão, João Pedroso, posando ao lado da tripulação do navio, 1912. Amazônia / Acervo Casa de Oswaldo Cruz</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: left;">*Cristiane d’Avila  é jornalista do Departamento de Arquivo e Documentação Casa de Oswaldo Cruz/Fiocruz</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong><span style="color: #800000;">Fontes:</span></strong></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>FUNDAÇÃO OSWALDO CRUZ. CASA DE OSWALDO CRUZ. A ciência a caminho da roça: imagens das expedições científicas do Instituto Oswaldo Cruz ao interior do Brasil entre 1911 d 1913. Rio de Janeiro: Fiocruz/Casa de Oswaldo Cruz, 1992.</p>
<p>JOHNSON, Steven. O mapa fantasma: como a luta de dois homens contra o cólera mudou o destino de nossas metrópoles. Rio de Janeiro: Zahar, 2008.</p>
<p>LIMA, Nísia Trindade. “Missões civilizatórias da República e interpretação do Brasil” Hist. cienc. saude-Manguinhos, Rio de Janeiro, v. 5, supl. p. 163-193, Julho 1998. Disponível em &lt;http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&amp;pid=S0104-59701998000400010&amp;lng=en&amp;nrm=iso&gt;. Acessado em 08 Jan. 2019.</p>
<p>OLIVEIRA, Lúcia Lippi. A questão nacional na Primeira República. São Paulo: Brasiliense, 1990.</p>
<p>SCHWARZ, Roberto. “Nacional por subtração”. In: Cultura e política. São Paulo: Paz e Terra, 2005.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><span style="color: #800000;"><strong>Para saber mais sobre as expedições do Instituto Oswaldo Cruz, acesse o artigos publicados na Brasiliana Fotográfica:</strong></span></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=8684" target="_blank"><span style="color: #800000;"><em>Manguinhos e os sertões</em>, publicado em 9 de outubro de 2017</span></a></p>
<p><a style="color: #800000;" href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=19524" target="_blank"><em>Nos passos de Oswaldo: imagens das expedições do IOC aos portos do Brasil entre 1911 e 1913</em>, publicado em 25 de maio de 2020</a></p>
<p>&nbsp;</p>
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		<title>Manguinhos e os sertões</title>
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		<pubDate>Mon, 09 Oct 2017 13:00:46 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Andrea Wanderley]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Análise de documento]]></category>
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		<description><![CDATA[A Brasiliana Fotográfica traz a seus leitores fotografias relativas ao tema Manguinhos e os sertões, do acervo de um de dos parceiros do portal, a Casa de Oswaldo Cruz/Fiocruz. As imagens correspondentes às viagens - produzidas por fotógrafos especialmente contratados para tais missões - registram a associação do Instituto Oswaldo Cruz aos esforços governamentais de interiorização do Estado brasileiro nas primeiras décadas do século XX. Cobrindo as regiões Norte, Nordeste e Centro Oeste do país, as imagens construíram um inventário pioneiro do interior do Brasil.  Foram cinco as expedições realizadas pelo Instituto Oswaldo Cruz.]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p>A Brasiliana Fotográfica traz a seus leitores fotografias relativas ao tema <em>Manguinhos e os sertões</em>, do acervo de um dos parceiros do portal, a Casa de Oswaldo Cruz/Fiocruz. Manguinhos é o bairro onde se situa a instituição. As imagens correspondentes às viagens &#8211; produzidas por fotógrafos especialmente contratados para tais missões &#8211; registram a associação do Instituto Oswaldo Cruz aos esforços governamentais de interiorização do Estado brasileiro nas primeiras décadas do século XX. Cobrindo as regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste do país, as imagens construíram um inventário pioneiro do interior do Brasil.</p>
<p>As cinco expedições realizadas pelo Instituto Oswaldo Cruz foram:</p>
<p><span style="color: #800000;"><strong>1911</strong></span> &#8211; Expedição aos Vales dos Rios São Francisco e Tocantins</p>
<p>Entre setembro de 1911 e fevereiro de 1912, o médico e pesquisador Astrogildo Machado (1885 &#8211; 1945) e o farmacêutico Antônio Martins forneceram suporte médico aos engenheiros da Estrada de Ferro Central do Brasil, que tinham por missão estabelecer o traçado definitivo da linha ferroviária que, partindo de Pirapora, no noroeste mineiro, deveria chegar até Belém do Pará. Percorreram os vales do São Francisco e do Tocantins e, após alcançarem a capital paraense, retornaram ao Rio de Janeiro por via marítima.</p>
<p>&nbsp;</p>
<div style="width: 788px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/5102" target="_blank"><img src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/bitstream/handle/20.500.12156.1/5102/IOC%28AC-E%2911-114%20%281%29.jpg.jpg?sequence=3&amp;isAllowed=y" alt="" width="778" height="542" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/5102" target="_blank">João Stamato. Expedição aos vales dos rios São Francisco e Tocantins. Membros da Expedição, 1911. Vale do Tocantins / Acervo Casa de Oswaldo Cruz</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p><span style="color: #800000;"><strong>1912</strong></span>-  Expedições ao Nordeste e Centro-Oeste</p>
<p>Ocorreram nesse ano três viagens de cientistas do Instituto, patrocinadas pela Inspetoria de Obras contra as Secas, para realizar pesquisas sobre a geografia, fauna, flora e as condições sanitárias da região. Arthur Neiva (1885 &#8211; 1945) e Belisário Penna (1868-1939) percorreram o norte da Bahia, o sudeste de Pernambuco, o sul do Piauí e Goiás de norte a sul, enquanto João Pedro de Albuquerque (c. 1874 &#8211; 1934) e José Gomes de Faria (1887 &#8211; 1962). Seguiram para o Ceará e para o norte do Piauí.  A terceira expedição, conduzida por Astrogildo Machado (1885 &#8211; 1945) e Adolpho Lutz (1855 &#8211; 1940), atravessou o trajeto de Pirapora até Juazeiro, a bordo de uma gaiola pelo rio São Francisco.</p>
<p>&nbsp;</p>
<div style="width: 784px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/5094" target="_blank"><img src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/bitstream/handle/20.500.12156.1/5094/IOC_V_ii_0227.jpg.jpg?sequence=3&amp;isAllowed=y" alt="" width="774" height="546" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/5094" target="_blank">José Teixeira. Expedição do Instituto Oswaldo Cruz ao Nordeste e Centro Oeste : acampamento dos membros da expedição, entre eles Belisário Penna e Arthur Neiva (2° e 3° à esquerda), 1912. Piauí / Acervo Casa de Oswaldo Cruz</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p><span style="color: #800000;"><strong>1912/1913</strong></span> &#8211; Expedição à Região Amazônica</p>
<p>Carlos Chagas (1879 &#8211; 1934), Pacheco Leão (1872 &#8211; 1931) e João Pedroso Barreto de Albuquerque (18? &#8211; 1936)<strong> </strong>realizaram a última grande expedição do período, a serviço da Superintendência da Defesa da Borracha. Percorreram parte da Bacia Amazônica, em especial o trecho acima de Manaus.</p>
<p>&nbsp;</p>
<div style="width: 808px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/5096" target="_blank"><img class="" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/bitstream/handle/20.500.12156.1/5096/IOC_V_II_0330.jpg.jpg?sequence=3&amp;isAllowed=y" alt="" width="798" height="567" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/5096" target="_blank">Anônimo. Expedição do Instituto Oswaldo Cruz ao Amazonas e Acre: Carlos Chagas e Pacheco Leão na Amazônia, 1913. São Gabriel da Cachoeira, Rio Negro, Amazonas / Acervo Casa de Oswaldo Cruz</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/visualizar-grupo-trabalho/118" target="_blank">Acessando o link para as fotografias das expedições realizadas pelo do Instituto Oswaldo Cruz disponíveis na Brasiliana Fotográfica, o leitor poderá magnificar as imagens e verificar todos os dados referentes a elas.</a></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>As fotografias e negativos remanescentes dessas expedições, com aproximadamente 1700 itens, foram produzidos por câmeras grandes, pesadas, que utilizavam negativos de gelatina seca sobre base de vidro no formato 13 x 18 centímetros. Sobre os fotógrafos conhecemos apenas dois, José Teixeira, que acompanhou a expedição chefiada por Arthur Neiva (1885 &#8211; 1945) e Belisário Penna (1868-1939), e João Stamato (1886-1951), cinegrafista do Rio de Janeiro na década de 1910, que documentou a expedição aos Vales dos Rios São Francisco e Tocantins, em 1911.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><span style="color: #800000;"><strong>Para saber mais sobre as expedições do Instituto Oswaldo Cruz, acesse o artigos publicados na Brasiliana Fotográfica:</strong></span></p>
<p><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=13880" target="_blank"><em><span style="color: #800000;">As expedições do Instituto Oswaldo Cruz entre 1911 e 1913, </span></em><span style="color: #800000;">publicado em 14 de março de 2019</span></a></p>
<p><span style="color: #800000;"><a style="color: #800000;" href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=19524" target="_blank"><em>Nos passos de Oswaldo: imagens das expedições do IOC aos portos do Brasil entre 1911 e 1913</em>, publicado em 25 de maio de 2020</a></span></p>
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