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	<title>Brasiliana Fotográfica &#187; expedições</title>
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		<title>As excursões científicas do Instituto Oswaldo Cruz ao Noroeste do Brasil</title>
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		<pubDate>Thu, 06 Feb 2025 12:58:51 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Andrea Wanderley]]></dc:creator>
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		<description><![CDATA[As expedições realizadas pelo Instituto Oswaldo Cruz ao longo do século XX denunciavam as precárias condições de saúde das populações rurais e com elas a visão hegemônica sobre o Brasil sofreu alterações. O artigo "As excursões científicas do Instituto Oswaldo Cruz ao Noroeste do Brasil", de Ricardo Augusto dos Santos, Felipe Almeida Vieira e Francisco dos Santos Lourenço, pesquisadores da Fiocruz, uma das instituições parceiras da Brasiliana Fotográfica, aborda as expedições científicas realizadas sob a chefia de Lauro Travassos, entre 1938 e 1942.  Nelas havia "um sentimento patriótico que movia os cientistas. Com um rigoroso alerta, advertiram sobre o perigo do desconhecimento das potencialidades da fauna e flora nacionais. Também denunciaram o efeito devastador provocado pela busca do lucro monetário desenfreado, bem como o desprezo pela pesquisa da natureza, que tanto ameaçava o equilíbrio das espécies como facilitava o surgimento de pragas para a agricultura".]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p>As expedições realizadas pelo Instituto Oswaldo Cruz ao longo do século XX denunciavam as precárias condições de saúde das populações rurais e com elas a visão hegemônica sobre o Brasil sofreu alterações. O artigo <span style="color: #000000;"><em>As excursões científicas do Instituto Oswaldo Cruz ao Noroeste do Brasil, </em></span>de Ricardo Augusto dos Santos, Felipe Almeida Vieira e Francisco dos Santos Lourenço, pesquisadores da Fiocruz, uma das instituições parceiras da Brasiliana Fotográfica, aborda as expedições científicas realizadas sob a chefia de Lauro Travassos, entre 1938 e 1942.  Nelas havia um <em>sentimento patriótico que movia os cientistas. Com um rigoroso alerta, advertiram sobre o perigo do desconhecimento das potencialidades da fauna e flora nacionais. Também denunciaram o efeito devastador provocado pela busca do lucro monetário desenfreado, bem como o desprezo pela pesquisa da natureza, que tanto ameaçava o equilíbrio das espécies como facilitava o surgimento de pragas para a agricultura.</em></p>
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<div style="width: 711px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/13157" target="_blank"><img src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/bitstream/handle/20.500.12156.1/13157/br_rj_coc_or_dp_rv_03_149.jpg.jpg?sequence=3&amp;isAllowed=y" alt="Thumbnail" width="701" height="518" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/13157" target="_blank">Lauro Travassos, 1940 / Acervo Casa de Oswaldo Cruz</a></p></div>
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<p><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/visualizar-grupo-trabalho/403" target="_blank"><span style="color: #800000;"><strong>Acesse aqui o link para as fotografias das excursões científicas do Instituto Oswaldo Cruz ao Noroeste do Brasil chefiadas por Lauro Travassos disponíveis na Brasiliana Fotográfica</strong></span></a></p>
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<p style="text-align: center;"><em><span style="color: #800000;"><strong>As excursões científicas do Instituto Oswaldo Cruz </strong><strong>ao Noroeste do Brasil</strong></span></em></p>
<p style="text-align: center;"><strong><em>           </em></strong>Ricardo Augusto dos Santos, Felipe Almeida Vieira e</p>
<p style="text-align: center;">Francisco dos Santos Lourenço*</p>
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<div style="width: 712px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/13118" target="_blank"><img src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/bitstream/handle/20.500.12156.1/13118/br_rj_coc_or_dp_rv_01_006%203.jpg.jpg?sequence=4&amp;isAllowed=y" alt="Thumbnail" width="702" height="490" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/13118" target="_blank">Membros da expedição em Bauru. Lauro Travassos, Maria José von Paumgartten, Manoel Joaquim de Mello, João Ferreira Teixeira de Freitas, Octávio Mangabeira Filho, Emmanuel Dias, Frederico Lane e Antenor Leitão de Carvalho, membros da primeira excursão, sendo recepcionados pelo médico Alípio Gonçalves dos Santos na estação de Bauru, 1938. Bauru, SP / Acervo Casa de Oswaldo Cruz.</a></p></div>
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<p>Desde o início dos trabalhos em Manguinhos, <a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=34024" target="_blank">Oswaldo Cruz (1872 – 1917)</a>,<a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=13402" target="_blank"> Carlos Chagas (1878 – 1934)</a> e demais cientistas do Instituto Oswaldo Cruz (IOC) não ficaram limitados às improvisadas salas e laboratórios da instituição. Frequentemente, participavam de expedições científicas pelo território brasileiro. Nos primeiros anos do IOC, as ações ficaram restritas às regiões próximas das cidades de São Paulo e Rio de Janeiro.</p>
<p>Médicos, sanitaristas e cientistas eram solicitados para identificar, estudar e combater as doenças contagiosas que assolavam o país desde os tempos coloniais. Diferentemente das primeiras missões sanitárias que visavam resultados imediatos em pequenas localidades, <a href="http://brasilianafotografica.bn.br/?p=19524" target="_blank">cinco expedições científicas realizadas entre 1911 e 1913</a> foram longas, alcançando meses de viagem por grandes áreas do país.</p>
<p>As expedições pelos chamados “sertões” forneceram um sólido inventário das condições sanitárias e sociais das regiões visitadas. Por intermédio dos diários produzidos pelos viajantes, intelectuais e políticos nacionais tomaram consciência da triste realidade que imperava no interior do Brasil. Dessas cinco expedições participaram nomes como Carlos Chagas, <a href="http://brasilianafotografica.bn.br/?p=19524" target="_blank">Belisário Penna (1868 – 1939)</a> e Arthur Neiva (1880 – 1943).</p>
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<div style="width: 710px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/13112" target="_blank"><img src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/bitstream/handle/20.500.12156.1/13112/br_rj_coc_or_dp_rv_05_009%203.jpg.jpg?sequence=4&amp;isAllowed=y" alt="Thumbnail" width="700" height="444" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/13112" target="_blank">Lauro Travassos, João Ferreira Teixeira de Freitas, Mário da Silva Ventel, Paulo de Miranda Ribeiro e demais membros da sexta excursão em laboratório montado no Posto do quilômetro 1.221 da Estrada de Ferro Noroeste do Brasil, 1941. Bodoquena, MS / Acervo Casa de Oswaldo Cruz</a></p></div>
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<p>Depois da divulgação dos diagnósticos elaborados pelos cientistas, denunciando as precárias condições de saúde das populações rurais, a visão hegemônica sobre o Brasil sofreu uma alteração. Se o interior do país estava doente, improdutivo para os padrões de eficiência e racionalidade capitalistas do século XX, o aumento da produtividade somente viria a acontecer com a melhoria da qualidade de vida de sua população. Era preciso conhecer as doenças das regiões mais afastadas do litoral para, enfim, propor estratégias de tratamento dos enfermos. Com essas preocupações, a ciência tomava literalmente o “<em>caminho da roça</em>”.</p>
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<div style="width: 711px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/13111" target="_blank"><img src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/bitstream/handle/20.500.12156.1/13111/br_rj_coc_or_dp_rv_01_050%203.jpg.jpg?sequence=4&amp;isAllowed=y" alt="Thumbnail" width="701" height="476" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/13111" target="_blank">Escola ao ar livre em Porto Esperança, 1938. Corumbá, MS / Acervo Casa de Oswaldo Cruz.</a></p></div>
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<p>Há um depoimento interessante de <a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=26164" target="_blank">Monteiro Lobato (1882 – 1948)</a> sobre a necessidade do conhecimento <em>in loco </em>para entender e solucionar os problemas brasileiros. Lobato falava do contato direto com a realidade que o homem de responsabilidade pública deveria possuir. Com entusiasmo, o escritor acompanhou Arthur Neiva, diretor do Serviço Sanitário do Estado de São Paulo (1916 – 1920), em uma excursão à cidade de Iguape, onde se desenvolvia uma campanha contra a malária e ancilostomíase.</p>
<p><em>&#8220;Penetramos na mata, alguns quilômetros fora da cidade. Vi-o apear-se e acender a lanterna elétrica e correr a luz pelo couro do cavalo em procura das anofelinas que incontinenti acudiram àquele inesperado banquete. Encontrou as anofelinas da espécie perigosa. Tinham o ninho na água depositada pelas chuvas nas bromélias parasitas. Estava liquidado o caso. Regressamos e no outro dia ordens precisas eram dadas para matar de vez a malária de Iguape em seu derradeiro reduto&#8221;</em> (Lobato apud Ribeiro, 1993, p. 208).</p>
<p>Essa forte tradição parece que impregnou o jeito de fazer ciência no Brasil. Várias expedições científicas e campanhas sanitárias foram empreendidas pelo país afora. Investigavam não somente as condições naturais das localidades, mas os modos de vida de seus habitantes.</p>
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<div style="width: 712px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/13188" target="_blank"><img src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/bitstream/handle/20.500.12156.1/13188/br_rj_coc_or_dp_rv_02_025%203.jpg.jpg?sequence=5&amp;isAllowed=y" alt="Thumbnail" width="702" height="460" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/13188" target="_blank">Antônio da Rocha Nobre, Carlos da Cunha Vieira, Frederico Lane, Lauro Travassos, tenente veterinário Jairo Pontes e John Lane, membros da segunda excursão, com habitantes do povoado de Salobra, 1939. Miranda, MS / Acervo Casa de Oswaldo Cruz</a></p></div>
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<p>Assim, inseridas nesse contexto histórico, apresentamos as excursões científicas (ou “comissões”, como eram chamadas) do Instituto Oswaldo Cruz ao Noroeste do país. Lideradas por Lauro Travassos (1890 – 1970), elas ocorreram nas seguintes etapas: a primeira em outubro de 1938; a segunda em julho de 1939; a terceira em fevereiro e março de 1940; a quarta em agosto e setembro de 1940; a quinta em janeiro de 1941; a sexta em novembro de 1941; e a sétima em maio de 1942.</p>
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<div id="attachment_38162" style="width: 331px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/153931_01/45593" target="_blank"><img class="  wp-image-38162" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2024/12/expedição.jpg" alt="expedição" width="321" height="339" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/153931_01/45593" target="_blank"><em>A Tribuna</em>, 12 de outubro de 1938</a></p></div>
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<p>As excursões concentraram-se na região da Estrada de Ferro Noroeste do Brasil (NOB), companhia criada em 1904, que chegou a operar uma rede ferroviária de 1.622 quilômetros, ligando o Oeste paulista até a área do Pantanal no estado de Mato Grosso, atual Mato Grosso do Sul. A linha-tronco da NOB entre as estações de Bauru e Porto Esperança, em Corumbá, foi concluída em 1914. Com cerca de 1.300 quilômetros, atravessava as cidades de Araçatuba, Três Lagoas, Campo Grande e Miranda. Nesta última encontra-se o povoado de Salobra, que devido à sua variada e exuberante fauna e flora foi escolhido como parada obrigatória para coleta de material científico em todas as etapas das excursões.</p>
<p>De acordo com os relatórios produzidos pelos cientistas, quem deu suporte para que as excursões acontecessem na região foi o diretor da NOB, major Américo Marinho Lutz (1899 – 1983), que gratuitamente pôs à disposição de Lauro Travassos um vagão-dormitório e outro para bagagem de sua companhia. O militar era sobrinho do cientista do IOC e principal estudioso da medicina tropical no Brasil, Adolpho Lutz (1855 – 1940).</p>
<p>Tomaram parte nas excursões profissionais jovens e experientes com distintas habilidades. Entre eles figuraram entomologistas, helmintologistas, protozoologistas, ictiologistas, herpetologistas, ornitologistas, mastozoologistas, técnicos de laboratório e taxidermistas. Para auxiliar nos trabalhos de campo das excursões foram contratados pescadores e caçadores das áreas estudadas.</p>
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<div style="width: 712px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/13242" target="_blank"><img src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/bitstream/handle/20.500.12156.1/13242/br_rj_coc_or_dp_rv_03_130.jpg.jpg?sequence=3&amp;isAllowed=y" alt="Thumbnail" width="702" height="489" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/13242" target="_blank">Vagões utilizados pelos membros da terceira excursão em frente à estação de Ilha Seca, 1940. Detalhe para o lençol branco utilizado em coletas noturnas de insetos. Pereira Barreto, SP / Acervo Casa de Oswaldo Cruz. </a></p></div>
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<p>Além dos cientistas e técnicos do IOC, integraram as excursões representantes de várias instituições do Brasil e exterior, como Museu Paulista, Instituto Biológico de São Paulo, Instituto de Higiene de São Paulo, Museu Nacional, Fundação Rockefeller, Clube Zoológico do Brasil, Universidade de São Paulo e Universidade de Michigan.</p>
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<div id="attachment_38163" style="width: 489px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/090972_09/11135" target="_blank"><img class="wp-image-38163 size-full" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2024/12/expedição1.jpg" alt="expedição1" width="479" height="450" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/090972_09/11135" target="_blank"><em>Correio Paulistano</em>, 7 de maio de 1942</a></p></div>
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<p>Embora alguns dos personagens envolvidos nessas jornadas tenham obtido sucesso em suas trajetórias científicas, entre eles Lauro Travassos, Frederico Lane (1901 – 1979), João Ferreira Teixeira de Freitas (1912 – 1970), Emmanuel Dias (1908 – 1962) e Maria José von Paumgartten, depois Maria Deane (1916 – 1995), estas páginas épicas são pouco conhecidas pelo campo científico e acadêmico nacional.</p>
<p><span style="color: #000000;">Nos relatórios das excursões constatamos o sentimento patriótico que movia os cientistas. Com um rigoroso alerta, advertiram sobre o perigo do desconhecimento das potencialidades da fauna e flora nacionais. Também denunciaram o efeito devastador provocado pela busca do lucro monetário desenfreado, bem como o desprezo pela pesquisa da natureza, que tanto ameaçava o equilíbrio das espécies como facilitava o surgimento de pragas para a agricultura.</span></p>
<p><em>&#8220;A seca proporcionou ainda oportunidade de observar o horrível espetáculo das queimadas. Por estes brutais incêndios dos campos, em que se formam linhas de fogo de quilômetros de extensão e que caminham léguas, tudo destruindo, flora e fauna, e ainda esterilizando o solo pelo formidável calor produzido por labaredas que atingem a 10 metros de altura e que a 100 metros já se torna insuportável, vai o brasileiro, metódica e tenazmente, transformando o nosso interior em árido deserto. Argumentam os autores desta brutalidade, a necessidade da melhoria dos campos. Sem dúvida é um processo barato para a limpeza dos pastos, mas de graves consequências para as gerações futuras. Há também prazer em contemplar o espetáculo&#8221;</em> (Travassos, 1940, p. 700).</p>
<p>Durante os trabalhos de campo, os excursionistas coletaram farto material de interesse médico e biológico, como insetos, mamíferos, répteis, aves, batráquios, peixes, helmintos e amostras botânicas. Todo esse material foi incorporado ao patrimônio científico de instituições de ensino e pesquisa do país. O IOC, por exemplo, ficou com o maior número de exemplares de insetos e helmintos, que se encontram atualmente preservados em coleções dedicadas a esses grupos zoológicos.</p>
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<div style="width: 710px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/13243" target="_blank"><img src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/bitstream/handle/20.500.12156.1/13243/br_rj_coc_or_dp_rv_05_020%20%281%29.jpg.jpg?sequence=3&amp;isAllowed=y" alt="Thumbnail" width="700" height="416" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/13243" target="_blank">Aspectos do rio Paraguai e das habitações de Porto Esperança, 1941. Corumbá, MS / Acervo Casa de Oswaldo Cruz</a></p></div>
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<p>Entretanto, os cientistas não se limitaram a investigar o clima, o relevo, os animais, a vegetação e as doenças reinantes na região, como malária, doença de Chagas e leishmaniose. Eles mostraram-se preocupados com as respostas que os habitantes poderiam dar perante às dificuldades impostas pela sobrevivência. Em quase todos os registros das excursões existem comentários sobre a qualidade da alimentação e as condições de moradia dos habitantes, que algumas vezes foram descritas como precárias e insalubres. A baixa densidade demográfica dos locais visitados também fez parte das observações dos cientistas.</p>
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<div style="width: 708px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/13241" target="_blank"><img src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/bitstream/handle/20.500.12156.1/13241/br_rj_coc_or_dp_rv_06_025.jpg.jpg?sequence=3&amp;isAllowed=y" alt="Thumbnail" width="698" height="666" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/13241" target="_blank">Cheia no Pantanal: João Ferreira Teixeira de Freitas no trecho alagado da linha férrea entre as estações de Miranda e Salobra, 1942. Miranda, MS / Acervo Casa de Oswaldo Cruz</a></p></div>
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<p>Em resenha biográfica sobre Lauro Travassos, Newton Dias dos Santos (1916 – 1989), naturalista do Museu Nacional, descreveu com riqueza de detalhes a sua participação na quinta excursão ao Noroeste. Nos trechos selecionados desta narrativa encontramos uma síntese de como deve ter sido o cotidiano das “<em>aventuras</em>” científicas por um Brasil rural e selvagem, rico em biodiversidade, e que ainda guarda muitos aspectos a serem conhecidos por nós na atualidade.</p>
<p><em>&#8220;Imagine, caro leitor, cerca de três dias de viagem pela Estrada de Ferro Noroeste do Brasil, estrada de penetração do nosso mais longínquo oeste, com deficiências, mas que é um orgulho da nossa gente. (&#8230;) A composição, puxada com sacrifício, acaba de atravessar a ponte do rio Miranda e para na estação de Salobra, próxima do grande pantanal. Olho em torno e diviso umas 10 casas de barro: eis toda a localidade. (&#8230;) Em meia hora está escolhida nossa sede; o pátio da estação. Começa o trabalho da montagem. (&#8230;) Em duas horas há um laboratório montado. Toda a minúscula população local, de olhos arregalados, está em torno. (&#8230;) O índice de impaludismo desta população é de 100%. (&#8230;) Cada um de nós começa a tomar quinino preventivo. A população entra também no quinino. (&#8230;) Enquanto estamos alojados, vem gente de longe em busca de tratamento. Todos são atendidos, pois a farmácia que levamos é grande.</em></p>
<p><em>A cozinha de campo é imediatamente montada e começa o trabalho da janta: feijão, arroz, carne seca. (&#8230;) Cai a noite e com ela o silêncio. (&#8230;) E começa o primeiro trabalho. Num grande lençol branco estendido verticalmente abaixo da lâmpada, começam a chegar os primeiros insetos curiosos. (&#8230;) Mosquitos e anofelíneos cobrem o pano; vão chegando, mariposas, coleópteros, hemípteros. (&#8230;) Nossos vidros e caixas vão se acumulando de material. Os sapos saem dos seus esconderijos e vem comer insetos e são por nós caçados. (&#8230;) Alguns já foram dormir; se não dá bicho vamos para a cama, mas de vez em quando acordamos, e vamos espiar o pano. O calor é terrível. (&#8230;) Travassos toma o primeiro café puro da manhã, apanha sua espingarda e dá uns giros por perto. Uma hora depois, está no acampamento com alguma cotia, ou alguma ave abatida. Os taxidermistas entram em ação. Tiram a pele do animal e dão o corpo ao professor. Este vai autopsiá-lo. Abre o animal, retira os intestinos e começa a catar os vermes (&#8230;) que são guardados em líquido conservador. (&#8230;)</em></p>
<p><em>Antes do almoço vão chegando mais peças: porcos do mato, gaviões, jacarés, ariranhas, veados, cotias, toda a classe de aves e mamíferos. (&#8230;) Outros excursionistas colecionam plantas, insetos, aracnídeos, moluscos, miriápodos. (&#8230;) Nos charcos, riachos e rios as nossas redes de pesca de arrastão trazem curiosos espécimens. (&#8230;) Cada dia passa um trem de ida ou de volta. É a nossa única distração. Às vezes, se consegue uma cerveja no trem e isso é uma delícia, pois a nossa única bebida é água e, por sinal, salobra, que é filtrada em caixa de areia. Felizmente ninguém adoece. (&#8230;) Travassos quase sempre leva seus dois esplêndidos auxiliares de Manguinhos, Mário Ventel e Antônio Nobre, que se incumbem da manutenção do laboratório e dos instrumentos. (&#8230;) Nossos banhos são no rio ou na caixa d&#8217;água que alimenta os trens. (&#8230;) Ao fim de 25 dias, nossas caixas estão cheias; chegamos ao fim, bastante maltratados”</em></p>
<p style="text-align: right;"><a href="http://memoria.bn.gov.br/docreader/085782/196" target="_blank"><em>Ciência para Todos</em>, 27 de março de 1949</a></p>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: left;"><strong><em>* </em></strong>Ricardo Augusto dos Santos  é  Pesquisador Titular da Fundação Oswaldo Cruz. Felipe Almeida Vieira e Francisco dos Santos Lourenço são pesquisadores do Departamento de Arquivo e Documentação da Casa de Oswaldo Cruz.</p>
<div style="width: 712px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/13117" target="_blank"><img src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/bitstream/handle/20.500.12156.1/13117/br_rj_coc_or_dp_rv_03_025.jpg.jpg?sequence=3&amp;isAllowed=y" alt="Thumbnail" width="702" height="535" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/13117" target="_blank">Lauro Travassos, João Ferreira Teixeira de Freitas e membros da comissão examinando um avestruz, 1940. Miranda, MS / Acervo Casa de Oswaldo Cruz</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p><span style="color: #800000;"><strong>Fontes:</strong></span></p>
<p>BENCHIMOL, Jaime Larry (coord.). <em>Manguinhos do sonho à vida: a ciência na belle époque</em>. Rio de Janeiro: Casa de Oswaldo Cruz, 1990.</p>
<p>DALMEIDA, José Mario. <em>Contribuições de Lauro Travassos (1890-1970) para a zoologia brasileira. História da Ciência e Ensino</em>, São Paulo, v. 14, p. 88-99, 2016.</p>
<p>FONSECA FILHO, Olympio da. <em>A escola de Manguinhos: contribuição para o estudo do desenvolvimento da medicina experimental no Brasil</em>. São Paulo: EGTR, 1974.</p>
<p>Hemeroteca Digital da Biblioteca Nacional.</p>
<p>RIBEIRO, Maria Alice Rosa. <em>História sem fim&#8230; Inventário da saúde pública</em>. São Paulo: Edusp, 1993.</p>
<p>SANTOS, Ricardo Augusto dos; VIEIRA, Felipe Almeida; LOURENÇO, Francisco dos Santos. <em>O “Dr. Photographo” Oswaldo Cruz</em>. Brasiliana Fotográfica, Rio de Janeiro, 31 out. 2023.</p>
<p>Site Estações Ferroviárias do Brasil.</p>
<p>THIELEN, Eduardo Vilela et al. <em>A ciência a caminho da roça: imagens das expedições científicas do Instituto Oswaldo Cruz ao interior do Brasil entre 1911 e 1913</em>. Rio de Janeiro: Casa de Oswaldo Cruz/Fiocruz, 1992.</p>
<p>TRAVASSOS, Lauro. <em>Relatório da excursão científica do Instituto Oswaldo Cruz realizada na zona da Estrada de Ferro Noroeste do Brasil, em outubro de 1938</em>. <em>Boletim Biológico</em>, São Paulo, v. 4, n. 2, p. 208-260, 1939.</p>
<p>TRAVASSOS, Lauro. <em>Relatório da terceira excursão a zona da Estrada de Ferro Noroeste do Brasil realizada em fevereiro e março de 1940</em>. <em>Memórias do Instituto Oswaldo Cruz</em>, Rio de Janeiro, v. 35, n. 3, p. 607-696, 1940.</p>
<p>TRAVASSOS, Lauro. <em>Relatório da quarta excursão do Instituto Oswaldo Cruz a zona da Estrada de Ferro Noroeste do Brasil, realizada em agosto e setembro de 1940</em>. <em>Memórias do Instituto Oswaldo Cruz</em>, Rio de Janeiro, v. 35, n. 4, p. 697-722, 1940.</p>
<p>TRAVASSOS, Lauro. <em>Relatório da quinta excursão do Instituto Oswaldo Cruz, realizada à zona da Estrada de Ferro Noroeste do Brasil, em janeiro de 1941</em>. <em>Memórias do Instituto Oswaldo Cruz</em>, Rio de Janeiro, v. 36, n. 3, p. 263-300, 1941.</p>
<p>TRAVASSOS, Lauro; FREITAS, J. F. Teixeira de. <em>Relatório da excursão científica realizada na zona da Estrada de Ferro Noroeste do Brasil em julho de 1939</em>. <em>Memórias do Instituto Oswaldo Cruz</em>, Rio de Janeiro, v. 35, n. 3, p. 525-556, 1940</p>
<p>TRAVASSOS, Lauro; FREITAS, J. F. Teixeira de. <em>Relatório da sexta excursão do Instituto Oswaldo Cruz, realizada à zona da Estrada de Ferro Noroeste do Brasil, em novembro de 1941</em>. <em>Memórias do Instituto Oswaldo Cruz</em>, Rio de Janeiro, v. 37, n. 3, p. 259–286, 1942.</p>
<p>TRAVASSOS, Lauro; FREITAS, J. F. Teixeira de. <em>Relatório da sétima excursão cientifica do Instituto Oswaldo Cruz, realizada à zona da Estrada de Ferro Noroeste do Brasil, em maio de 1942</em>. <em>Memórias do Instituto Oswaldo Cruz</em>, Rio de Janeiro, v. 38, n. 3, p. 385-412, 1943.</p>
<p><strong> </strong></p>
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		<title>A Fundação Rockefeller no Brasil</title>
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		<pubDate>Mon, 15 Jul 2024 15:30:05 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Andrea Wanderley]]></dc:creator>
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		<description><![CDATA[Em 2022, a Casa de Oswaldo Cruz (COC) recebeu o certificado da incorporação do Fundo Fundação Rockefeller ao Programa Memória do Mundo da Unesco. O organismo internacional reconheceu o acervo como patrimônio documental inestimável. Sob a guarda do Departamento de Arquivo e Documentação da COC, este conjunto retrata as ações do Serviço Nacional de Febre Amarela e do Serviço Nacional de Malária e contém 4.209 fotografias e 633 negativos. Algumas são imagens raras de cidades e pequenas comunidades. O pesquisador Ricardo Augusto dos Santos, da Fiocruz, uma das instituições parceiras da Brasiliana Fotográfica é o autor deste artigo, que conta um pouco da história das atividades da Fundação Rockefeller na área de saúde pública no Brasil.

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				<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><span style="color: #800000;"><em><strong>A Fundação Rockfeller no Brasil</strong></em></span></p>
<p style="text-align: center;"> Ricardo Augusto dos Santos*</p>
<p>Em 2022, a Casa de Oswaldo Cruz (COC) recebeu o certificado da incorporação do Fundo Fundação Rockefeller ao Programa Memória do Mundo da Unesco. O organismo internacional reconheceu o acervo como patrimônio documental inestimável. Sob a guarda do Departamento de Arquivo e Documentação da COC, este conjunto retrata as ações do Serviço Nacional de Febre Amarela e do Serviço Nacional de Malária e contém 4.209 fotografias e 633 negativos. Algumas são imagens raras de cidades e pequenas comunidades.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><span style="color: #800000;"><strong><a style="color: #800000;" href=" https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/visualizar-grupo-trabalho/392" target="_blank">Acessando o link para as imagens do Fundo Fundação Rockfeller da Casa de Oswaldo Cruz disponíveis na Brasiliana Fotográfica, o leitor poderá magnificar as imagens e verificar todos os dados referentes a elas.</a></strong></span></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>O arquivo abrange as ações realizadas pela Fundação Rockefeller no Brasil. Com milhares de fotos dos estados brasileiros Rio de Janeiro, Bahia e Ceará, mostra os serviços executados pela instituição em conjunto com o governo brasileiro na eliminação do mosquito <em>Aedes aegypti</em>, vetor da febre amarela, e do mosquito <em>Anopheles gambiae</em>, vetor da malária.</p>
<p>&nbsp;</p>
<div style="width: 711px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/12698" target="_blank"><img src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/bitstream/handle/20.500.12156.1/12698/br_rjcoc_fr_sfa_cb_03_080.jpg.jpg?sequence=3&amp;isAllowed=y" alt="Thumbnail" width="701" height="451" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/12698" target="_blank">Sede da Comissão da Febre Amarela no estado da Bahia (Salvador), 22 maio 1940 / Acervo Casa de Oswaldo Cruz</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>O arquivo das Séries do Fundo Fundação Rockefeller está dividido em séries documentais: a Série Serviço de Febre Amarela, a Série Serviço de Malária do Nordeste, a Série Exposições do Serviço de Febre Amarela e do Serviço de Malária do Nordeste; além da Série Fotografias Aéreas.</p>
<p>Neste artigo, apresentamos imagens da Série Serviço de Febre Amarela. Com fotos sobre a campanha de erradicação do mosquito <em>Aedes aegypti</em> nos estados brasileiros, além de imagens das pesquisas sobre a forma silvestre da febre amarela e o processo de produção da vacina contra a doença. Uma outra série, Serviço de Malária do Nordeste, contém os registros da eliminação do mosquito <em>Anopheles gambiae</em>, vetor da malária, durante a epidemia da doença ocorrida no Nordeste do país, em 1939. As fotografias também documentam o processo de produção da vacina contra a febre amarela, produzida em Manguinhos.</p>
<p>&nbsp;</p>
<div style="width: 711px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/12717" target="_blank"><img src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/bitstream/handle/20.500.12156.1/12717/BR%20RJCOC%20FR-SFA-CB-03-046.jpg.jpg?sequence=3&amp;isAllowed=y" alt="Thumbnail" width="701" height="453" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/12717" target="_blank">Embarcações do Rio São Francisco, 1936. Juazeiro, Bahia / Acervo Casa de Oswaldo Cruz</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>Inúmeras expedições percorreram o Brasil em busca de informações que pudessem explicar a diversidade natural e social do imenso país. Cientistas e aventureiros viajaram por várias regiões realizando pesquisas e colhendo amostras. Durante o século XIX e nas décadas iniciais do século passado, várias missões científicas ocorreram no país. Entusiasmados pelas conquistas técnicas, especialistas em ciências naturais excursionaram pela imensidão do território brasileiro. Muitas viagens foram documentadas através de pinturas, desenhos e fotografias.</p>
<p>No início do século XX, a Fundação Rockefeller iniciou uma série de projetos médicos e científicos no Brasil. Nesta época, várias iniciativas semelhantes estavam sendo criadas nas áreas da saúde pública internacional. Na origem, esse projeto assistencial da Fundação Rockefeller se restringia ao sul dos Estados Unidos. No entanto, suas atividades foram ampliadas para países que possuíam graves problemas sanitários, necessitando derrotar doenças como a ancilostomíase, a febre amarela e a malária.</p>
<p>Através de convênios com o governo brasileiro, o grupo industrial e financeiro norte-americano, liderado pelo bilionário John Davison Rockefeller (1839-1937)<em>, </em>entrou em contato com cientistas e médicos nacionais. Assim, a Rockefeller chegou ao país. Após a criação de um acordo de cooperação com o estado brasileiro, começou um planejamento para controle das doenças endêmicas. Essas moléstias eram devastadoras, sobretudo nas regiões mais afastadas das capitais. As tarefas se concentravam na erradicação da febre amarela e da malária.</p>
<p>&nbsp;</p>
<div style="width: 439px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/John_Davison_Rockefeller#/media/Ficheiro:Portrait_of_49-year-old_John_D._Rockefeller.jpg" target="_blank"><img src="https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/e/e5/Portrait_of_49-year-old_John_D._Rockefeller.jpg/800px-Portrait_of_49-year-old_John_D._Rockefeller.jpg" alt="" width="429" height="536" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/John_Davison_Rockefeller#/media/Ficheiro:Portrait_of_49-year-old_John_D._Rockefeller.jpg" target="_blank">John Davidson Rockefeller (1839 &#8211; 1937)</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>A partir de 1930, ocorreu um progresso da conduta da empresa norte-americana. Atuando ao lado de organismos estatais, especialmente criados para dominar a febre amarela e a malária, doenças que causavam muitas mortes, a Rockfeller auxiliou na elaboração do Serviço Nacional de Febre Amarela e do Serviço de Malária do Nordeste. Desta maneira, ampliando o alcance dos trabalhos, também proporcionava uma troca de conhecimentos e experiências entre o governo brasileiro e a instituição estrangeira.</p>
<p>Nesta campanha de Saneamento do Brasil, as equipes de trabalhos procuravam combater o mosquito vetor da febre amarela, mas também desenvolviam pesquisas em laboratórios, aprofundando análises sobre a doença, além da produção da vacina antiamarílica. A partir de 1940, a Fundação Rockefeller foi transferindo a direção do projeto para o Serviço Nacional de Febre Amarela. Na década de 1950, o laboratório de pesquisas e de produção da vacina passou para o comando do Instituto Oswaldo Cruz.</p>
<p>Apresentamos, neste artigo, algumas fotografias do Fundo Fundação Rockefeller. O arquivo fotográfico é resultado das atividades da Fundação Rockefeller no Brasil. Há uma concentração de imagens a partir de 1930, quando ocorre a institucionalização de suas atividades em nível federal.</p>
<p>&nbsp;</p>
<div style="width: 635px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/12723" target="_blank"><img src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/bitstream/handle/20.500.12156.1/12718/BR%20RJCOC%20FR-SFA-CB-03-08.jpg.jpg?sequence=3&amp;isAllowed=y" alt="Thumbnail" width="625" height="800" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/12723" target="_blank">Fred Lowe Soper. V, c. 1920. Salvador, Bahia / Acervo Casa de Oswaldo Cruz</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>*Ricardo Augusto dos Santos é  Pesquisador Titular da Fundação Oswaldo Cruz</p>
<p>&nbsp;</p>
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]]></content:encoded>
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		<title>Os registros do fotógrafo e pintor italiano José Boscagli (1862 &#8211; 1945)</title>
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		<pubDate>Mon, 27 Nov 2023 04:35:54 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Andrea Wanderley]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Análise de documento]]></category>
		<category><![CDATA[Biografia]]></category>
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		<description><![CDATA[Em agosto deste ano, 2023, foi publicado na Brasiliana Fotográfica o artigo A Exposição Nacional de 1908 no Museu Histórico Nacional, de Maria Isabel Lenzi, historiadora do Museu Histórico Nacional, uma das instituições parceiras do portal. Nele três álbuns fotográficos foram destacados: os dos fotógrafos Augusto Malta (1864 - 1957), José Boscagli (1862 - 1945) e Luis Musso (18? - 19?).  A partir desta publicação, comecei a pesquisar sobre a vida de Boscagli, cujo álbum retratou a mostra do Rio Grande do Sul na Exposição Nacional.]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p>Em agosto deste ano, 2023, foi publicado na Brasiliana Fotográfica o artigo <em>A Exposição Nacional de 1908 no Museu Histórico Nacional</em>, de Maria Isabel Lenzi, historiadora do Museu Histórico Nacional, uma das instituições parceiras do portal. Nele três álbuns fotográficos foram destacados: os dos fotógrafos Augusto Malta (1864 &#8211; 1957), José Boscagli (1862 &#8211; 1945) e Luis Musso (18? &#8211; 19?).  A partir desta publicação, comecei a pesquisar sobre a vida de Boscagli, cujo álbum, com 54 fotos de sua autoria e uma de Augusto Malta, retratou a mostra do Rio Grande do Sul na Exposição Nacional.</p>
<p>&nbsp;</p>
<div style="width: 710px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/11810" target="_blank"><img src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/bitstream/handle/20.500.12156.1/11810/0000001.JPG.jpg?sequence=3&amp;isAllowed=y" alt="Thumbnail" width="700" height="506" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/11810" target="_blank">José Boscagli. [Mostra da indústria alimentícia com destaque para os biscoitos Leal Santos, compotas e vinhos.], 1908. Rio de Janeiro, RJ / Acervo Museu Histórico Nacional</a></p></div>
<p>Na maior parte de sua vida foi pintor e desenhista, mas foi também fotógrafo, tendo trabalhado no ateliê de Jacintho Ferrari (18? &#8211; 1935), filho do italiano Rafael Ferrari, um dos fotógrafos pioneiros de Porto Alegre. Foi o pintor oficial nas expedições do Marechal Rondon pelo interior do país. Retratou aspectos da fauna, flora, população e costumes locais, destacando-se, especialmente, as representações dos indígenas e aspectos de sua cultura.</p>
<p>&nbsp;</p>
<div style="width: 710px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/11824" target="_blank"><img src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/bitstream/handle/20.500.12156.1/11824/0000001.JPG.jpg?sequence=3&amp;isAllowed=y" alt="Thumbnail" width="700" height="515" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/11824" target="_blank">José Boscagli. [Facas, instrumentos musicais e artigos de couro para viagem, montaria e caça fabricados no Rio Grande do Sul], 1908. Rio de Janeiro, RJ / Acervo Museu Histórico Nacional</a></p></div>
<p><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/visualizar-grupo-trabalho/363" target="_blank"><strong>Acessando o link para as fotografias de José Boscagli disponíveis na Brasiliana Fotográfica, o leitor poderá visualizar e magnificar as imagens.</strong></a></p>
<p>&nbsp;</p>
<div style="width: 543px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/11778" target="_blank"><img src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/bitstream/handle/20.500.12156.1/11778/0000001.JPG.jpg?sequence=3&amp;isAllowed=y" alt="Thumbnail" width="533" height="800" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/11778" target="_blank">José Boscagli. [Estátua feminina na abertura da amostra dos produtos do Rio Grande do Sul.], 1908. Rio de Janeiro, RJ / Acervo Museu Histórico Nacional</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: center;"><span style="color: #800000;"><em><strong>Cronologia de José Boscagli (1862 &#8211; 1945)</strong></em></span></p>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_33061" style="width: 299px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://memoria.bn.br/DocReader/337234/3140" target="_blank"><img class="size-full wp-image-33061" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2023/06/boscagli32.jpg" alt="O pintor José Bpscagli / Walkyrias, de 1938" width="289" height="494" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="http://memoria.bn.br/DocReader/337234/3140" target="_blank">O José Boscagli / <em>Walkyrias</em>, dezembro de 1938</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p><span style="color: #800000;"><strong>1862</strong> </span>- Giuseppe (José) Boscagli nasceu em Florença, na Itália. Algumas fontes indicam que ele teria nascido em Siena, cidade italiana também localizada na Toscana. Em um artigo de <em>O GLOBO</em>, de 31 de maio de 1945, foi informado que ele descenderia de um dos doges de Veneza.</p>
<p style="text-align: left;"><span style="color: #800000;"><strong>Década de 1870</strong></span> &#8211; Desde os tempos de colégio, compunha paisagens e retratos coloridos a partir de pigmentos de flores. Apesar do desejo de sua família para que ele se tornasse engenheiro e arquiteto, matriculou-se na Academia de Belas Artes de Florença, onde foi influenciado por Pisani, um de seus professores. Ainda na Itália, conheceu os pintores brasileiros Pedro Américo (1843 &#8211; 1905) e Décio Villares (1851 &#8211; 1931). Teria, na companhia de Villares, visto Pedro Américo pintando a<a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Batalha_do_Ava%C3%AD_(Pedro_Am%C3%A9rico)#/media/Ficheiro:Americo-ava%C3%AD.jpg" target="_blank"> <em>Batalha do Avaí</em></a>, um dos mais importantes quadros brasileiros do século XIX, que retrata um episódio da <a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=8034" target="_blank">Guerra do Paraguai</a>. A obra foi realizada no ateliê de Pedro Américo, em Florença, e ficou pronta em 1877.</p>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_33055" style="width: 416px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://memoria.bn.br/DocReader/830259/30202" target="_blank"><img class="size-full wp-image-33055" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2023/06/boscagli27.jpg" alt="Carioca, 19 de maio de 1945" width="406" height="256" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="http://memoria.bn.br/DocReader/830259/30202" target="_blank"><em>Carioca</em>, 19 de maio de 1945</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p><span style="color: #800000;"><strong>1888</strong></span> &#8211; Casou-se com Luiza Luraschi (<em>O GLOBO</em>, 31 de maio de 1945).</p>
<p><span style="color: #800000;"><strong>c. 1897</strong></span> &#8211; Passou a morar, em Porto Alegre, no Rio Grande do Sul.</p>
<p style="text-align: left;">Realiza retratos a óleo, aquarela e crayon, copiados de fotografia, para a Sociedade de Artes de Buenos Aires, que mantinha uma agência em Porto Alegre.</p>
<p style="text-align: left;">Iniciou sua carreira de pintor paisagista e fotógrafo no ateliê de Jacintho Ferrari (18? &#8211; 1935), filho do italiano Rafael Ferrari, um dos fotógrafos pioneiros de Porto Alegre. Jacintho e seu irmão Carlos (18? &#8211; 1942) sucederam o pai, em 1885 e, entre 1895 e 1901, Rafael (1880 &#8211; 1961), o irmão caçula, também colaborou no estabelecimento.</p>
<p style="text-align: left;">Produziu um retrato a óleo de Julio de Castilhos (1860 &#8211; 1903), cuja inauguração aconteceu em 15 de novembro de 1899, no Conselho Municipal de Porto Alegre, em comemoração à Proclamação da República.</p>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_33031" style="width: 338px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2023/06/boscagli10.jpg"><img class="size-full wp-image-33031" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2023/06/boscagli10.jpg" alt="Júlio de Casttilho por Giuseppe (José) Boscagli / " width="328" height="479" /></a><p class="wp-caption-text">Júlio de Castilho por Giuseppe (José) Boscagli, c. 1897 / Acervo Artístico de Porto Alegre</p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: left;"><span style="color: #800000;"><strong>1900</strong> </span>- Um <em>lindíssimo e fino quadro a óleo</em> executado por Boscagli, retratando Adelina Vizeu Marques, encontrava-se na vitrine do ateliê de Jacintho Ferrari (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/388653/11405" target="_blank"><em>A Federação </em>(RS), 7 de fevereiro de 1900, quinta coluna</a>).</p>
<p style="text-align: left;">Participou com quatro quadros da Exposição Estadual de 15 de Novembro (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/388653/11965" target="_blank"><em>A Federação </em>(RS), 26 de julho de 1900, primeira coluna</a>).</p>
<p style="text-align: left;"><span style="color: #800000;"><strong>1901 / 1902</strong> </span>- Nesse período, encontrava-se em Bento Gonçalves e participou, em Porto Alegre, de uma exposição com um retrato a óleo, tendo recebido uma menção honrosa <a href="http://memoria.bn.br/DocReader/388653/12769" target="_blank">(<em>A Federação </em>(RS), 27 de março de 1901, primeira coluna</a>; <a href="http://memoria.bn.br/DocReader/388653/12956" target="_blank"><em>A Federação </em>(RS), 28 de maio de 1901, última coluna</a>; <a href="http://memoria.bn.br/DocReader/882364/24486" target="_blank"><em>Folha de Hoje</em> (Prefeitura de Caxias do Sul), 26 de outubro de 1991, primeira coluna</a>).</p>
<p style="text-align: left;"><span style="color: #800000;"><strong>1903</strong> </span>- No ateliê do também italiano Virgilio Calegari (1868 &#8211; 1937), importante fotógrafo do sul do Brasil, em fins do século XIX e início do XX, expôs um retrato a óleo do desembargador Epaminondas Ferreira (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/388653/14209" target="_blank"><em>A Federação</em> (RS), 8 de junho de 1903, terceira coluna</a>).</p>
<p style="text-align: left;">Em companhia de sua esposa, Luiza, e da filha única do casal, Ignez, chegou em Porto Alegre, a bordo do paquete <em>Rio Pardo</em> (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/388653/14478" target="_blank"><em>A Federação </em>(RS), 26 de agosto de 1903, segunda coluna</a>).</p>
<p style="text-align: left;"><span style="color: #800000;"><strong>1906 </strong><span style="color: #000000;">- Um retrato a óleo, executado por ele, de Carlos Barbosa Gonçalves, presidente da Assembléia de Representantes do Estado, estava exposto na Drogaria Ingleza, em Poro Alegre (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/388653/17699" target="_blank"><em>A Federação</em> (RS), 25 de abril de 1906, quinta colun</a>a).</span></span></p>
<p style="text-align: left;"><span style="color: #800000;"><span style="color: #000000;">Sucedeu J. Antonio Iglesias no estabelecimento fotográfico da rua do Riachuelo, 220, em Porto Alegre, que passou a chamar-se Photographia -Artística-Boscagli.</span></span></p>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_32988" style="width: 364px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2023/06/boscagli3.jpg"><img class="size-full wp-image-32988" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2023/06/boscagli3.jpg" alt="A Federação (RS), 16 de novembro de 1906" width="354" height="233" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="http://memoria.bn.br/docreader/388653/18380" target="_blank"><em>A Federação</em> (RS), 16 de novembro de 1906</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: left;"><strong><span style="color: #800000;">1908</span></strong> &#8211; Fotografou um evento social em Canoas e seus registros foram expostos na vitrine da Casa Barreto, em Porto Alegre (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/388653/19826" target="_blank"><em>A Federação</em> (RS), 9 de janeiro de 1908, quinta coluna</a>).</p>
<p style="text-align: left;">Foi morar no Rio de Janeiro, onde se anunciava como artista pintor e oferecia serviços fotográficos gratuitos (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/178691_03/16219" target="_blank"><em>O Paiz,</em> 21 de maio de 1908</a>).</p>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_32987" style="width: 500px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://memoria.bn.br/docreader/178691_03/16219" target="_blank"><img class="size-full wp-image-32987" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2023/06/boscagli2.jpg" alt="O Paiz, 21 de maio de 1908" width="490" height="185" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="http://memoria.bn.br/docreader/178691_03/16219" target="_blank"><em>O Paiz,</em> 21 de maio de 1908</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>Fotografou a mostra do Rio Grande do Sul na Exposição Nacional de 1908.</p>
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<div style="width: 711px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/11777" target="_blank"><img src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/bitstream/handle/20.500.12156.1/11777/0000001.JPG.jpg?sequence=3&amp;isAllowed=y" alt="Thumbnail" width="701" height="578" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/11777" target="_blank">José Boscagli. [Planta das seções, organização e distribuição dos produtos apresentados pelo Rio Grande do Sul.], 1908. Rio de Janeiro, RJ / Acervo Museu Histórico Nacional</a></p></div>
<p style="text-align: left;"><span style="color: #800000;"><strong>1909</strong> </span>- Anunciou a venda de um equipamento de fotografia, oferecendo-se a ensinar ao comprador como operá-lo (<a href="http://memoria.bn.br/docreader/030015_02/35044" target="_blank"><em>Jornal do Brasil</em>, 25 de outubro de 1909, primeira coluna</a>).</p>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_32986" style="width: 309px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://memoria.bn.br/docreader/030015_02/35044" target="_blank"><img class="size-full wp-image-32986" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2023/06/boscagli1.jpg" alt="Jornal do Brasil, 25 de outubro de 1909" width="299" height="182" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="http://memoria.bn.br/docreader/030015_02/35044" target="_blank"><em>Jornal do Brasil</em>, 25 de outubro de 1909</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p><span style="color: #000000;">Incorporou-se às expedições de Cândido Rondon ao Mato Grosso e a Goiás, onde retratou os indígenas da região. Foi por intermédio de seu genro, o major Luiz Thomaz Reis (1878 &#8211; 1940), o <em>cineasta de Rondon, </em>que conheceu a Comissão Rondon. Reis era o encarregado de cinematografia e fotos do Escritório Central da Comissão. Boscagli passou a ser o pintor oficial de Rondon (<a style="color: #000000;" href="http://memoria.bn.br/DocReader/089842_05/3560" target="_blank"><em>Correio da Manhã</em>, 16 de outubro de 1940, sétima coluna</a>; <a style="color: #000000;" href="http://memoria.bn.br/DocReader/830259/30202" target="_blank"><em>Carioca</em>, 19 de maio de 1945</a>; <a style="color: #000000;" href="https://enciclopedia.itaucultural.org.br/pessoa23452/giuseppe-boscagli" target="_blank"><em>Enciclopédia Itaú Cultura</em>l</a>).</span></p>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_33067" style="width: 266px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://memoria.bn.br/DocReader/089842_05/3560" target="_blank"><img class="size-full wp-image-33067" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2023/06/boscagli36.jpg" alt="Correio da Manhã, 16 de outubro de 1937, sétima coluna)" width="256" height="249" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="http://memoria.bn.br/DocReader/089842_05/3560" target="_blank"><em>Correio da Manhã</em>, 16 de outubro de 1937, sétima coluna)</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p><span style="color: #800000;"><strong>1910</strong></span> &#8211; Seu genro, o major Reis, tornou-se o chefe da recém criada Seção de Fotografia e Cinematografia do Escritório Central da Comissão Rondon.</p>
<p><span style="color: #800000;"><strong>1910 / 1911</strong></span> &#8211; O estabelecimento fotográfico José Boscagli, em Porto Alegre, foi anunciado no <em>Almanaque Henault</em> e também no Almanak Laemmert, <a href="http://memoria.bn.br/DocReader/313394/43786" target="_blank">1910</a> e <a href="http://memoria.bn.br/DocReader/313394/47747" target="_blank">1911</a>.</p>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_32985" style="width: 307px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://memoria.bn.br/docreader/709930/2541" target="_blank"><img class="size-full wp-image-32985" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2023/06/boscagli.jpg" alt="Almanaque Henault, 1910" width="297" height="213" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="http://memoria.bn.br/docreader/709930/2541" target="_blank"><em>Almanaque Henault</em>, 1910</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p><span style="color: #800000;"><strong>1910 </strong><span style="color: #000000;">- Em um artigo, Boscagli é identificado como um <em>cavalheiro de trato delicado e gentil. </em>Ainda segundo o artigo, ele havia vivido muitos anos no Rio Grande do Sul e havia passado pelo Rio de Janeiro. Realizou uma exposição na casa Resemini &amp; Leone, em Vitória, no Espírito Santo<em> </em>(<a href="http://memoria.bn.br/docreader/229687/11255" target="_blank"><span style="color: #800000;"><em>Commercio do Espírito Santo</em></span>, 21 de fevereiro de 1910, terceira coluna</a>; <a href="http://memoria.bn.br/DocReader/572748/2573" target="_blank"><em>Diário da Manhã</em>, 22 de fevereiro de 1910, última coluna</a>).</span></span></p>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_33035" style="width: 223px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://memoria.bn.br/docreader/229687/11255" target="_blank"><img class="size-full wp-image-33035" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2023/06/boscagli14jpg.jpg" alt="Commercio do Espírito Santo, 21 de fevereiro de 1910" width="213" height="391" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="http://memoria.bn.br/docreader/229687/11255" target="_blank"><em>Commercio do Espírito Santo</em>, 21 de fevereiro de 1910</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>Exposição de um retrato a óleo do presidente da República eleito, marechal Hermes da Fonseca (1855 &#8211; 1923), na vitrine da loja <em>Primavera</em>, <em>acreditado e popular estabelecimento do Climaco Sales</em>, em Vitória, no Espírito Santo. Foi também exposto um retrato do então governador do Espírito Santo, Jerônimo Monteiro (1870 &#8211; 1933), e do coronel Henrique Coutinho (1845 &#8211; 1915), ex-governador do estado. Todos  de autoria de Boscagli, que ficou um período na cidade, quando trabalhou no estúdio do italiano Alberto Lucarelli (1884 &#8211; 1967), então fotógrafo oficial do governador do Espírito Santo. Boscagli voltou para o Rio de Janeiro a bordo do paquete <em>Olinda</em>, em 10 de junho de 1910, após permancer meses em Vitória. Foi tambem exposta na loja Primavera uma paisagem de sua autoria (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/572748/2710" target="_blank"><em>Diário da Manhã</em> (ES), 29 de março de 1910, quarta coluna</a>; <a href="http://memoria.bn.br/DocReader/572748/2806" target="_blank"><em>Diário da Manhã</em> (ES), 24 de abril de 1910, segunda coluna</a>; <a href="http://memoria.bn.br/docreader/229687/11255" target="_blank"><em>Commercio do Espírito Santo</em>, 25 de abril de 1910, quinta coluna;</a> <a href="http://memoria.bn.br/DocReader/229644/20411" target="_blank"><em>O Estado do Espírito Santo</em>, 11 de junho de 1910, primeira coluna</a>; <a href="http://memoria.bn.br/DocReader/572748/2994" target="_blank"><em>Diário da Manhã</em> (ES), 11 de junho de 1910, terceira coluna</a>; <a href="http://memoria.bn.br/DocReader/572748/3280" target="_blank"><em>Diário da Manhã</em> (ES), 19 de agosto de 1910, terceira coluna</a>; <a href="http://memoria.bn.br/DocReader/572748/3563" target="_blank"><em>Diário da Manhã</em> (ES), 28 de outubro de 1910, penúltima coluna</a>).</p>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_33026" style="width: 216px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://memoria.bn.br/docreader/572748/3563" target="_blank"><img class="size-full wp-image-33026" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2023/06/boscagli8.jpg" alt="Diário da Manhã (ES), 28 de outubro de 1910" width="206" height="291" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="http://memoria.bn.br/docreader/572748/3563" target="_blank"><em>Diário da Manhã (ES</em>), 28 de outubro de 1910</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p><span style="color: #800000;"><strong>1911</strong> </span>-  Seu genro, o major Reis, participou da expedição da Comissão Rondon, assim como o etnólogo e antropólogo Edgard Roquette- Pinto (1884 &#8211; 1954), especialista em áudio e futuro pai da <a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=17940" target="_blank">radiodifusão no Brasil</a> e diretor do <a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=12889" target="_blank">Museu Nacional</a>.</p>
<p><span style="color: #800000;"><strong>1912</strong></span> &#8211; Boscagli expôs retratos a óleo na Casa London, na rua Bahia, em Belo Horizonte, em Minas Gerais (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/178691_04/13620" target="_blank"><em>O Paiz</em>, 12 de setembro de 1912, primeira coluna</a>).</p>
<p>O quadro do Conselheiro José Antônio de Azevedo Castro (1839 &#8211; 1911), de autoria de Boscagli, passou a integrar a Galeria dos Benfeitores da Biblioteca Nacional (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/402630/26789" target="_blank"><em>Anais da Biblioteca Nacional</em>, 1912</a>).</p>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_33043" style="width: 296px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://memoria.bn.br/DocReader/402630/26788" target="_blank"><img class="size-full wp-image-33043" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2023/06/boscagli19.jpg" alt="Anais da Biblioteca Nacional, 1912" width="286" height="410" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="http://memoria.bn.br/DocReader/402630/26788" target="_blank"><em>Anais da Biblioteca Nacional</em>, 1912</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p><span style="color: #800000;"><strong>1913</strong> </span>- No Rio de Janeiro, seu ateliê ficava na Rua Barão de Guaratiba, nº 130. Também era identificado como decorador (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/313394/49794" target="_blank"><em>Almanak Laemmer</em>t, 1913, segunda coluna</a>). Mantinha seu ateliê fotográfico em Porto Alegre (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/313394/52206" target="_blank"><em>Almanak Laemmert,</em> 1913, primeira coluna</a>).</p>
<p>Em Belo Horizonte, na Photographia Antenor Campos, exposição dos retratos a óleo de José de Campos Seraphino e de José Maria Pinto Leite, de autoria de Boscagli (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/258822/30196" target="_blank"><em>O Pharol</em>, 29 de março de 1913, coluna</a>).</p>
<p>Seu genro, o major Reis,  participou da Expedição Científica Rondon-Roosevelt, ocorrida entre 1913 e 1914.</p>
<p><span style="color: #800000;"><strong>1914</strong> </span>- No Rio de Janeiro, seu ateliê ficava na Rua Barão de Guaratiba, nº 130 (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/313394/54632" target="_blank"><em>Almanak Laemmer</em>t, 1914, primeira coluna</a>). Anúncio do ateliê fotográfico José Boscagli, em Porto Alegre (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/313394/57113" target="_blank"><em>Almanak Laemmert,</em> 1914, segunda coluna</a>).</p>
<p><span style="color: #800000;"><strong>1915</strong></span> &#8211; Anúncio do ateliê fotográfico José Boscagli, em Porto Alegre (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/313394/61477" target="_blank"><em>Almanak Laemmert,</em> 1915, última coluna</a>).</p>
<p>Exposição na entrada da Associação dos Empregados do Comércio, na Avenida Rio Branco, de um retrato a óleo do futuro <a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=17506" target="_blank">Marechal Cândido Rondon (1865 &#8211; 1958)</a>, ainda coronel, produzido por Boscagli a partir de uma fotografia também produzida por ele. Boscagli era um admirador do trabalho de Rondon. Poucos meses depois, em 5 de outubro, realização de uma festa em homenagem a Rondon no <a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=32451" target="_blank">Teatro Phênix</a>, promovida pela Sociedade de Geografia do Rio de Janeiro e presidida pelo general Thaumaturgo de Oliveira, quando foi inaugurado solenemente o referido retrato de Rondon realizado por Boscagli, que passou a ornar uma das paredes da Sociedade de Geografia do Rio de Janeiro (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/103730_04/34531" target="_blank"><em>Gazeta de Notícias</em>, 23 de abril de 1915</a>; <a href="http://memoria.bn.br/docreader/178691_04/27337" target="_blank"><em>O Paiz</em>, 23 de abril de 1915</a>; <a href="http://memoria.bn.br/DocReader/178691_04/27384" target="_blank"><em>O Paiz</em>, 27 de abril de 1915, quarta coluna</a>; <a href="http://memoria.bn.br/DocReader/089842_02/25214" target="_blank"><em>Correio da Manhã</em>, 5 de outubro de 1915, quinta coluna</a>; <a href="http://memoria.bn.br/DocReader/089842_02/25228" target="_blank"><em>Correio da Manhã</em>, 6 de outubro de 1915</a>; <a href="http://memoria.bn.br/DocReader/025909_01/22612" target="_blank"><em>Revista da Semana</em>, 9 de outubro de 1915, quinta coluna)</a>.</p>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_32989" style="width: 302px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://memoria.bn.br/docreader/178691_04/27337" target="_blank"><img class="size-full wp-image-32989" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2023/06/boscagli5.jpg" alt="Coronel Rondon, no Juruena, por Boscagli / O Paiz, de abril de 1915" width="292" height="472" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="http://memoria.bn.br/docreader/178691_04/27337" target="_blank">Coronel Rondon, no Juruema, por Boscagli / <em>O Paiz</em>, 23 de abril de 1915</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_32990" style="width: 344px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://memoria.bn.br/docreader/178691_04/27337" target="_blank"><img class="size-full wp-image-32990" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2023/06/boscagli6.jpg" alt="O Paiz, 23 de abril de 1915" width="334" height="472" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="http://memoria.bn.br/docreader/178691_04/27337" target="_blank"><em>O Paiz,</em> 23 de abril de 1915</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>Inauguração, na Sociedade Sul Riograndense, na Avenida Rio Branco,  de uma exposição de trabalhos de Boscagli, representando os indígenas de Mato Grosso, com a presença de Rondon e do professor Roquette-Pinto (1884 &#8211; 1954). Foi visitada pelo professor e escultor Rodolfo Bernardelli (1852 &#8211; 1931), que elogiou muito a mostra, dizendo que o governo deveria auxiliá-lo a adquirir algumas obras. Ele havia colhido <em>os principais elementos para seus quadros nas expedições do coronel Rondon</em>. Um grupo de oficiais do Exército ofertou ao coronel Rondon a tela<em> Índia Pareci em repouso</em> (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/364568_10/50586" target="_blank"><em>Jornal do Commercio</em>, 3 de outubro de 1915, penúltima colun</a>a; <a href="http://memoria.bn.br/docreader/178691_04/29376" target="_blank"><em>O Paiz</em>, 3 de outubro de 1915, terceira coluna</a>; <a href="http://memoria.bn.br/DocReader/720100/9359" target="_blank"><em>A Época</em>, 5 de outubro de 1915, quinta coluna</a>; <a href="http://memoria.bn.br/DocReader/178691_04/29437" target="_blank"><em>O Paiz</em>, 8 de outubro de 1915, penúltima coluna</a>; <a href="http://memoria.bn.br/DocReader/060917_03/67698" target="_blank"><em>Annaes da Câmara dos Deputados</em>, 31 de dezembro de 1915</a>).</p>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_32991" style="width: 341px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://memoria.bn.br/DocReader/178691_04/29437" target="_blank"><img class="size-full wp-image-32991" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2023/06/boscagli7.jpg" alt="O Paiz, 3 de outubro de 1915" width="331" height="461" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="http://memoria.bn.br/DocReader/178691_04/29437" target="_blank"><em>O Paiz</em>, 3 de outubro de 1915</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_33029" style="width: 158px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://memoria.bn.br/docreader/089842_02/25186" target="_blank"><img class="size-full wp-image-33029" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2023/06/boscagli91.jpg" alt="Correio da Manhã, 3 de outubro de 1915" width="148" height="480" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="http://memoria.bn.br/docreader/089842_02/25186" target="_blank"><em>Correio da Manhã</em>, 3 de outubro de 1915</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_33033" style="width: 424px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://memoria.bn.br/docreader/107670_01/11245" target="_blank"><img class="size-full wp-image-33033" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2023/06/boscagli12.jpg" alt="O Imparcial, 5 de outubro de 1915" width="414" height="531" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="http://memoria.bn.br/docreader/107670_01/11245" target="_blank"><em>O Imparcial</em>, 5 de outubro de 1915</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>Na Sociedade Riograndense, também de autoria de Boscagli, exposição do retrato a óleo do general Pinheiro Machado (1851 &#8211; 1915<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/178691_04/29612" target="_blank">)</a> (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/178691_04/29612" target="_blank"><em>O Paiz</em>, 24 de outubro de 1915, quinta coluna</a>).</p>
<p>Um retrato do coronel Marcondes Alves de Souza (1868 &#8211; 1938), governador do Espírito Santo, foi oferecido a ele por seu amigos. A autoria era de Boscagli (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/178691_04/30000" target="_blank"><em>O Paiz</em>, 29 de novembro de 1915, segunda coluna</a>).</p>
<p><span style="color: #800000;"><strong>1916</strong> </span>- Anúncio de seu ateliê fotográfico em Porto Alegre (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/313394/65566" target="_blank"><em>Almanak Laemmert</em>, 1916, segunda coluna</a>).</p>
<p>Foi noticiado que embarcou em Vitória, no Espírito Santo, rumo ao Rio de Janeiro, de onde retornaria em um mês (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/572748/6810" target="_blank"><em>Diário da Manhã (ES)</em>, 28 de janeiro de 1916, terceira colun</a>a).</p>
<p>Um belo quadro a óleo realizado por Boscagli, cópia do original de Pompeia, foi colocado no altar em homenagem a Nossa Senhora de Pompéia, construído na paróquia de Jacarepaguá, como o pagamento de uma promessa feita pelo padre Magaldi (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/799670/2733" target="_blank"><em>A União</em>, 8 de outubro de 1916, quinta coluna</a>).</p>
<p><span style="color: #800000;"><strong>1917</strong> </span>- Anúncio do ateliê fotográfico José Boscagli, em Porto Alegre (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/313394/67995" target="_blank"><em>Almanak Laemmert</em>, 1917, segunda coluna</a>).</p>
<p><span style="color: #800000;"><strong>1918</strong></span> &#8211; Anúncio do ateliê fotográfico José Boscagli, em Porto Alegre (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/313394/71578" target="_blank"><em>Almanak Laemmert</em>, 1918, primeira coluna</a>).</p>
<p>Ele e o também italiano Taquino realizaram uma exposição na Sociedade Riograndense. Tarquino havia trabalhado muito tempo para a revista <em>Fon-Fon. </em>Várias telas de Boscagli foram vendidas<em> </em>(<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/107670_01/20416" target="_blank"><em>O Imparcial</em>, 12 de junho de 1918, terceira coluna</a>; <a href="http://memoria.bn.br/DocReader/178691_04/39173" target="_blank"><em>O Paiz</em>, 15 de junho de 1918, penúltima coluna</a>; <a href="http://memoria.bn.br/DocReader/720100/17456" target="_blank"><em>A Época</em>, 29 de junho de 1918, quarta coluna</a>).</p>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_33034" style="width: 213px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://memoria.bn.br/docreader/107670_01/20416" target="_blank"><img class="size-full wp-image-33034" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2023/06/boscagli13.jpg" alt="O Imparcial, 12 de junho de 1918" width="203" height="379" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="http://memoria.bn.br/docreader/107670_01/20416" target="_blank"><em>O Imparcia</em>l, 12 de junho de 1918</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_33038" style="width: 623px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://memoria.bn.br/docreader/259063/30319" target="_blank"><img class="size-full wp-image-33038" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2023/06/boscagli15.jpg" alt="Fon-Fon, de 1918" width="613" height="531" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="http://memoria.bn.br/docreader/259063/30319" target="_blank"><em>Fon-Fon</em>, 15 de junho de 1918</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_33084" style="width: 322px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://memoria.bn.br/DocReader/095648/1423" target="_blank"><img class="size-full wp-image-33084" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2023/06/boscagli48.jpg" alt="D. Quixote, 26 de junho de 1918" width="312" height="237" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="http://memoria.bn.br/DocReader/095648/1423" target="_blank"><em>D. Quixote</em>, 26 de junho de 1918</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>Um retrato do então governador do Rio Grande do Sul, Borges de Medeiros<em> </em>(1863 &#8211; 1961), <em>prontificado</em> por Boscagli foi enviado pelo deputado federal João Simplício a Porto Alegre (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/388653/39629" target="_blank"><em>A Federação</em> (RS), 2 de setembro de 1918, primeira coluna</a>).</p>
<p><span style="color: #800000;"><strong>1919</strong></span> &#8211; Anúncio do ateliê fotográfico José Boscagli, em Porto Alegre (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/313394/75812" target="_blank"><em>Almanak Laemmert</em>, 1919, última coluna</a>).</p>
<p>Ele e Tarquini eram os diretores artísticos do Rio Studio, na Rua Uruguaiana, nº 62, inaugurado em 4 de abril (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/348970_01/14719" target="_blank"><em>A Noite</em>, de 1919, penúltima coluna)</a>.</p>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_33041" style="width: 840px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://memoria.bn.br/docreader/259063/33159" target="_blank"><img class=" wp-image-33041" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2023/06/boscagli17.jpg" alt="Fon-Fon, 31 de maio de 1919" width="830" height="415" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="http://memoria.bn.br/docreader/259063/33159" target="_blank"><em>Fon-Fon</em>, 31 de maio de 1919</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>Na Confeitaria <em>Renaissance</em>, no Rio de Janeiro, inauguração do mostruário de fotografias do ateliê fotográfico de propriedade da firma Boscagli &amp; Comp (<a href="http://memoria.bn.br/docreader/089842_02/39617" target="_blank"><em>Correio da Manhã</em>, 15 de junho de 191</a>9).</p>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_33032" style="width: 280px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2023/06/boscagli11.jpg"><img class="size-full wp-image-33032" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2023/06/boscagli11.jpg" alt="Correio da Manhã, de 1919" width="270" height="201" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="http://memoria.bn.br/docreader/089842_02/39617" target="_blank"><em>Correio da Manhã</em>, 15 de junho de 1919</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>A capa da revista <em>A Epocha</em> trazia uma fotografia de Cândido Rondon, de autoria de Boscagli (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/183890/2474" target="_blank"><em>A Epocha</em>, 31 de outubro de 1919</a>).</p>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_33042" style="width: 241px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://memoria.bn.br/DocReader/183890/2449" target="_blank"><img class="size-full wp-image-33042" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2023/06/boscagli18.jpg" alt="A Epocha, 31 de outubro de 1919" width="231" height="373" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="http://memoria.bn.br/DocReader/183890/2449" target="_blank"><em>A Epocha</em>, 31 de outubro de 1919</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p><span style="color: #800000;"><strong>1920</strong></span> &#8211; Cândido Rondon ofertou ao Museu Nacional três quadros de autoria de Boscagli retratando indígenas: <em>Nenê</em>, <em>Cavagnac</em> e <em>Capitão Chiquinho</em> (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/103730_05/78" target="_blank"><em>Gazeta de Notícias</em>, 9 de janeiro de 1920, quarta coluna</a>).</p>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_33049" style="width: 345px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://memoria.bn.br/docreader/348970_02/10" target="_blank"><img class="size-full wp-image-33049" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2023/06/boscagli22.jpg" alt="A Noite, 4 de janeiro de 1920" width="335" height="491" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="http://memoria.bn.br/docreader/348970_02/10" target="_blank"><em>A Noite</em>, 4 de janeiro de 1920</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>Exposição no Ponto Chic de um retrato a óleo do rei Alberto I da Bélgica (1875 – 1934), de autoria de Boscagli (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/236403/9784" target="_blank"><em>A Rua</em>, 18 de setembro de 1920, penúltima coluna</a>).</p>
<p><em>Um álbum de mais de 200 fotografias artisticamente organizado pela casa Rio-Studio (artista Boscagli)</em> foi ofertado pela Comissão Rondon aos <a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=5950" target="_blank">reis da Bélgica</a> durante a visita dos monarcas ao Brasil, realizada entre  entre 19 de setembro e 15 de outubro de 1920. Foi a primeira viagem realizada por uma monarca europeu à América do Sul (<a href="http://memoria.bn.br/docreader/178691_05/3512" target="_blank"><em>O Paiz</em>, 17 de outubro de 1920, primeira coluna</a>).</p>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_33047" style="width: 365px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://memoria.bn.br/DocReader/178691_05/3512" target="_blank"><img class="size-full wp-image-33047" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2023/06/boscagli20.jpg" alt="O Paiz, 17 de outubro de 1920" width="355" height="166" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="http://memoria.bn.br/DocReader/178691_05/3512" target="_blank"><em>O Paiz,</em> 17 de outubro de 1920</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p><span style="color: #800000;"><strong>1921</strong></span> &#8211; A fotografia de Maria Joaquina Botelho de Magalhães em seu leito de morte foi produzida por Boscagli &amp; C, no Rio Studio. Ela era viúva do general Benjamin Constant (1836 &#8211; 1891), cujo sobrinho, Amilcar Armando Botelho de Magalhães (1880 &#8211; 1959), que havia se juntado à Comissão Rondon, em 1908, e se tornado diretor de seu Escritório Central, em 1910 (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/178691_05/5388" target="_blank"><em>O Paiz</em>, 3 de abril de 1921, quinta coluna</a>).</p>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_33085" style="width: 257px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2023/06/boscagli49.jpg"><img class="wp-image-33085" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2023/06/boscagli49.jpg" alt="boscagli49" width="247" height="374" /></a><p class="wp-caption-text">Boscagli &amp; C. Maria Joaquina Botelho de Magalhães em seu leito de morte, 1921 / Acervo Museu Casa Benjamin Constant, Ibram / MinC</p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>Também registrou a sepultura de Benjamin Constant e Maria Joaquina.</p>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_33086" style="width: 404px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2023/06/boscagli50.jpg"><img class="size-full wp-image-33086" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2023/06/boscagli50.jpg" alt="Boscagli &amp; C. Sepultura de Benjamin Constant e Maria Joaquina, 1921 / Acervo Museu Casa Benjamin Constant, Ibram / MinC" width="394" height="322" /></a><p class="wp-caption-text">Boscagli &amp; C. Sepultura de Benjamin Constant e Maria Joaquina, 1921 / Acervo Museu Casa Benjamin Constant, Ibram / MinC</p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p><span style="color: #800000;"><strong>1924</strong></span> &#8211; Participou da 31ª Exposição Geral de Belas Artes.</p>
<p><span style="color: #800000;"><strong>1925</strong> </span>- Anúncio de seu ateliê fotográfico, na rua Uruguaiana, nº 82, no Rio de Janeiro (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/313394/89350" target="_blank"><em>Almanak Laemmert</em>, 1925, segunda coluna</a>).</p>
<p><span style="color: #800000;"><strong>1926</strong> </span>- Anúncio de seu ateiê fotográfico, na rua Uruguaiana, nº 82, no Rio de Janeiro (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/313394/93999" target="_blank"><em>Almanak Laemmert</em>, 1926, segunda coluna</a>).</p>
<p>Realizou uma exposição em Porto Alegre com retratos a óleo, dentre eles do <a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=17506" target="_blank">Marechal Cândido Rondon (1865 &#8211; 1958)</a> e do general Firmino Paim Filho (1884 &#8211; 1971) (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/388653/58249" target="_blank"><em>A Federação</em> (RS), 15 de março de 1926, penúltima coluna</a>).</p>
<p>Esteve em Bento Gonçalves e voltou para o Rio de Janeiro (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/388653/58964" target="_blank"><em>A Federação</em> (RS), 30 de junho de 1926, última coluna</a>).</p>
<p><span style="color: #800000;"><strong>1927</strong> </span>- Estava em Juiz de Fora, onde um retrato de sua autoria do general João Nepomuceno da Costa (1870 &#8211; 1943) foi oferecido por amigos ao militar (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/030015_04/59356" target="_blank"><em>Jornal do Brasil</em>, 6 de outubro de 1927, sexta coluna</a>).</p>
<p><span style="color: #800000;"><strong>1928</strong></span> &#8211; Esteve em Belo Horizonte (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/364568_11/27647" target="_blank"><em>Jornal do Commercio</em>, 25 e 26 de junho de 1928, última coluna</a>).</p>
<p><span style="color: #800000;"><strong>1929</strong> </span>- Falecimento de Rubens Boscagli Reis, seu neto, filho de Ignez (? &#8211; 1939). Era irmão de Argentina (? &#8211; 1983), Américo (? &#8211; 20?), futuro fiscal do Banco do Brasil; e Tiziano (? &#8211; 1983), futuro funcionário do Ministério da Agricultura. Desde a década de 1900, Ignez era casada com o major Luiz Thomaz Reis (1878 &#8211; 1940), que foi o responsável por inúmeros filmes cinematográficos realizados quando integrou a Comissão Rondon (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/089842_03/40164" target="_blank"><em>Correio da Manhã</em>, 14 de maio de 1929, quinta coluna</a>; <a href="http://memoria.bn.br/DocReader/178691_05/38306" target="_blank"><em>O Paiz</em>, 15 de maio de 1929, terceira coluna</a>; <a href="http://memoria.bn.br/DocReader/348970_03/5246" target="_blank"><em>A Noite</em>, 25 de julho de 1931, quarta coluna</a>; <a href="http://memoria.bn.br/DocReader/348970_03/64588" target="_blank"><em>A Noite</em>, 19 de junho de 1939, penúltima coluna</a>; <a href="http://memoria.bn.br/DocReader/089842_05/4197" target="_blank"><em>Correio da Manhã</em>, 3 de dezembro de 1940, quarta coluna</a>).</p>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_33048" style="width: 288px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://memoria.bn.br/docreader/089842_03/40248" target="_blank"><img class="size-full wp-image-33048" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2023/06/boscagli21.jpg" alt="Correio da Manhã, 29 de maio de 1929" width="278" height="328" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="http://memoria.bn.br/docreader/089842_03/40248" target="_blank"><em>Correio da Manhã,</em> 19 de maio de 1929</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p><span style="color: #800000;"><strong>1930</strong> </span>- Com o pintor <a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=10169" target="_blank">Rodolfo Amoedo (1857 &#8211; 1941)</a> e outros, fez parte da banca examinadora de modelagem e escultura do curso geral superior do Departamento Feminino do Instituto La-Fayette (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/348970_03/2617" target="_blank"><em>A Noite</em>, 13 de novembro de 1930, segunda coluna</a>).</p>
<p>Participou da exposição da Sociedade Brasileira de Belas Artes (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/030015_05/9270" target="_blank"><em>Jornal do Brasil</em>, 13 de dezembro de 1930, penúltima coluna</a>).</p>
<p><span style="color: #800000;"><strong>1931</strong></span> &#8211; Sua neta, Argentina, ficou noiva de Isaias Rosa, secretário do <em>Jornal dos Sports</em> e diretor da revista <em>Medicina para todos</em> (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/110523_03/9119" target="_blank"><em>O Jornal</em>, 26 de julho de 1931, segunda coluna</a>).</p>
<p>Foi um dos ilustradores do livro <em>Morfologia da mulher</em>, de Hernani de Irajá (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/364568_12/11820" target="_blank"><em>Jornal do Commercio</em>, 30 de agosto de 1931, primeira coluna</a>).</p>
<p><span style="color: #800000;"><strong>1933</strong> </span>- Foram inaugurados os retratos a óleo dos falecidos monsenhores João Pires de Amorim e José Francisco de Moura Guimarães, na Arquidiocese do Rio de Janeiro, ambos de autoria de Boscagli. O retrato do cardeal dom Sebastião, que se encontrava na sacristia da catedral, também era de autoria do pintor (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/829706/3092" target="_blank"><em>A Cruz</em>, 19 de março de 1933, quarta coluna</a>).</p>
<p><span style="color: #800000;"><strong>1934</strong> </span>- Reproduziu o quadro da Sagrada Família, do pintor barroco espanhol Murillo (1617 &#8211; 1682), no estandarte-chefe da Liga Católica Jesus Maria José de Olaria (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/030015_05/40180" target="_blank"><em>Jornal do Brasil</em>, 24 de janeiro de 1934, penúltima coluna</a>).</p>
<p><span style="color: #800000;"><strong>1935 -</strong></span> Realização, entre 9 e 26 de outubro, de uma exposição de obras de Boscagli no <a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=32291" target="_blank">Palace Hotel</a>. Ele dedicou a mostra à Associação Brasileira de Imprensa (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/348970_03/25393" target="_blank"><em>A Noit</em>e, 8 de outubro de 1935, primeira coluna</a>).</p>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_33077" style="width: 224px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2023/06/boscagli43.jpg"><img class="size-full wp-image-33077" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2023/06/boscagli43.jpg" alt="O Globo, 8 de outubro de 1935" width="214" height="233" /></a><p class="wp-caption-text"><em>O GLOBO</em>, 8 de outubro de 1935</p></div>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_33078" style="width: 523px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2023/06/boscagli44.jpg"><img class="size-full wp-image-33078" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2023/06/boscagli44.jpg" alt="O GLOBO, 12 de outubro de 1935" width="513" height="417" /></a><p class="wp-caption-text"><em>O GLOBO</em>, 12 de outubro de 1935</p></div>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_33050" style="width: 350px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://memoria.bn.br/docreader/093092_02/21604" target="_blank"><img class="size-full wp-image-33050" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2023/06/boscagli23.jpg" alt="Diário Carioca, 15 de outubro de 1935" width="340" height="434" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="http://memoria.bn.br/docreader/093092_02/21604" target="_blank"><em>Diário Carioca</em>, 15 de outubro de 1935</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p><span style="color: #800000;"><strong>1936</strong> </span>- Tornou-se sócio da Associação dos Artistas Brasileiros (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/089842_04/31750" target="_blank"><em>Correio da Manhã</em>, 12 de janeiro de 1936, primeira coluna</a>).</p>
<p>Com o também pintor italiano Alfredo Norfini (1867 &#8211; 1944), realizou uma exposição em São Paulo, no Salão de Chá da Casa Allemã (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/093092_02/26896" target="_blank"><em>Diário Carioca</em>, 9 de outubro de 1936</a>; <a href="http://memoria.bn.br/DocReader/720216/10132" target="_blank"><em>Correio de São Paulo</em>, 20 de outubro de 1936, terceira coluna</a>).</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_33051" style="width: 671px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://memoria.bn.br/DocReader/093092_02/26896" target="_blank"><img class="size-full wp-image-33051" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2023/06/boscagli24.jpg" alt="Diário Carioca, 9 de outubro de 1936" width="661" height="500" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="http://memoria.bn.br/DocReader/093092_02/26896" target="_blank"><em>Diário Carioca</em>, 9 de outubro de 1936</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_33076" style="width: 274px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2023/06/boscagli42.jpg"><img class="wp-image-33076" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2023/06/boscagli42.jpg" alt="O Estado de São Paulo, 22 de outubro de 1936" width="264" height="331" /></a><p class="wp-caption-text"><em>O Estado de São Paulo</em>, 22 de outubro de 1936</p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p><span style="color: #800000;"><strong>1937</strong></span> &#8211; Participou do 9º Salão da Associação de Artistas Brasileiros, no Palace Hotel. Seu quadro e a de outros artistas expositores foram adquiridos pelo presidente Getúlio Vargas (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/348970_03/44629" target="_blank"><em>A Noite</em>, 13 de junho de 1937, segunda coluna</a>; <a href="http://memoria.bn.br/DocReader/089842_04/40733" target="_blank"><em>Correio da Manhã</em>, 15 de junho de 1937, segunda coluna</a>; <a href="http://memoria.bn.br/DocReader/348970_03/44780" target="_blank"><em>A Noite</em>, 17 de junho de 1937, penúltima coluna</a>).</p>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_33066" style="width: 344px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://memoria.bn.br/DocReader/830305/26268" target="_blank"><img class="size-full wp-image-33066" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2023/06/boscagli35.jpg" alt="Vida Doméstica, agosto de 1937" width="334" height="239" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="http://memoria.bn.br/DocReader/830305/26268" target="_blank"><em>Índios da Goyana Ingleza, </em>de Boscagli<em> / Vida Doméstic</em>a, agosto de 1937</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>Na Nova Galeria de Arte, filial da Galeria Henberger, na rua Buenos Aires, nº 79, inauguração de uma exposição de Boscagli e de Manoel Pastana (1888 &#8211; 1984) (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/093092_02/31818" target="_blank"><em>Diário Carioca</em>, 16 de setembro de 1937, segunda coluna</a>; <a href="http://memoria.bn.br/DocReader/110523_03/40416" target="_blank"><em>O Jornal</em>, 19 de setembro de 1937, terceira coluna</a>; <a href="http://memoria.bn.br/DocReader/030015_05/78594" target="_blank"><em>Jornal do Brasil</em>, 19 de setembro de 1937, terceira coluna</a>).</p>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_33087" style="width: 939px" class="wp-caption alignnone"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2023/06/boscagli51.jpg"><img class="size-full wp-image-33087" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2023/06/boscagli51.jpg" alt="Convite para a exposição / Acervo de Renata de Fátima da Costa Maués" width="929" height="282" /></a><p class="wp-caption-text">Convite para a exposição / Acervo de Renata de Fátima da Costa Maués</p></div>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_33052" style="width: 504px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://memoria.bn.br/DocReader/093092_02/31865" target="_blank"><img class="size-full wp-image-33052" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2023/06/boscagli25.jpg" alt="Diário Carioca, 19 de setembro de 1937" width="494" height="362" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="http://memoria.bn.br/DocReader/093092_02/31865" target="_blank"><em>Diário Carioca</em>, 19 de setembro de 1937</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_33058" style="width: 645px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://memoria.bn.br/DocReader/116300/88327" target="_blank"><img class="size-full wp-image-33058" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2023/06/boscagli30.jpg" alt="O Malho, 30 de setembro de 1937" width="635" height="449" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="http://memoria.bn.br/DocReader/116300/88327" target="_blank"><em>O Malho</em>, 30 de setembro de 1937</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_33057" style="width: 532px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://memoria.bn.br/DocReader/107468/28227" target="_blank"><img class="size-full wp-image-33057" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2023/06/boscagli29.jpg" alt="Illustração Brasileira, de 1937" width="522" height="395" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="http://memoria.bn.br/DocReader/107468/28227" target="_blank"><em>Illustração Brasileira</em>, novembro de 1937</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>Participou, também no Palace Hotel, do Salão de Natal de 1937 (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/348970_03/50231" target="_blank"><em>A Noite</em>, 22 de dezembro de 1937, quinta coluna</a>).</p>
<p><span style="color: #800000;"><strong>1938</strong> </span>- Participou do II Salão de Belas Artes promovido pela prefeitura de Belo Horizonte com um quadro de uma paisagem, da coleção de Celso Werneck (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/403210/21" target="_blank"><em>Salão de Belas Artes: Anais</em>, 1938</a>)</p>
<p>Realização de uma exposição de obras de Boscagli no Palace Hotel (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/348970_03/59182" target="_blank"><em>A Noite,</em> 23 de novembro de 1938, sexta coluna</a>;<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/107468/28866" target="_blank"><em> Illustração Brasileira</em>, dezembro de 1938</a>).</p>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_33079" style="width: 349px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2023/06/boscagli45.jpg"><img class="size-full wp-image-33079" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2023/06/boscagli45.jpg" alt="O GLOBO, 16 de novembro de 1938" width="339" height="399" /></a><p class="wp-caption-text"><em>O GLOBO</em>, 16 de novembro de 1938</p></div>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_33053" style="width: 316px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://memoria.bn.br/docreader/093092_02/36773" target="_blank"><img class="size-full wp-image-33053" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2023/06/boscagli26.jpg" alt="Diário Carioca, 18 de novembro de 1938" width="306" height="500" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="http://memoria.bn.br/docreader/093092_02/36773" target="_blank"><em>Diário Carioca</em>, 18 de novembro de 1938</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_33056" style="width: 599px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://memoria.bn.br/docreader/025909_03/21771" target="_blank"><img class="wp-image-33056 size-full" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2023/06/boscagli28.jpg" alt="Revista da Semana, 26 de novembro de 1938" width="589" height="490" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="http://memoria.bn.br/docreader/025909_03/21771" target="_blank"><em>Revista da Semana</em>, 26 de novembro de 1938</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_33063" style="width: 330px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://memoria.bn.br/DocReader/337234/3140" target="_blank"><img class="size-full wp-image-33063" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2023/06/boscagli34.jpg" alt="Walkyrias, dezembro de 1938" width="320" height="430" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="http://memoria.bn.br/DocReader/337234/3140" target="_blank"><em>Walkyrias</em>, dezembro de 1938</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_33064" style="width: 820px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://memoria.bn.br/DocReader/337234/3171" target="_blank"><img class="size-full wp-image-33064" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2023/06/boscagli341.jpg" alt="Walkyras, dezembro de 1938" width="810" height="419" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="http://memoria.bn.br/DocReader/337234/3171" target="_blank">Flagrante da inauguração de sua exposição no Palace Hotel<em> / Walkyrias</em>, dezembro de 1938</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>No artigo <em>O indianismo na pintura</em>, a obra de Boscagli é abordada (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/083712/65508" target="_blank"><em>Careta</em>, 3 de dezembro de 1938</a>).</p>
<p>Participou, também no Palace Hotel, do Salão de Natal de 1938 (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/348970_03/59834" target="_blank"><em>A Noite</em>, 16 de dezembro de 1938, quinta coluna</a>).</p>
<p><span style="color: #800000;"><strong>1939</strong> </span>- Publicação do artigo <em>O índio na pintura brasileira</em> sobre a obra etnográfica de Boscagli (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/116300/90447" target="_blank"><em>O Malho</em>, 19 de janeiro de 1939</a>).</p>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_33060" style="width: 324px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://memoria.bn.br/docreader/116300/90447" target="_blank"><img class="size-full wp-image-33060" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2023/06/boscagli31.jpg" alt="O Malho, 19 de janeiro de 1939" width="314" height="437" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="http://memoria.bn.br/docreader/116300/90447" target="_blank"><em>O Malho</em>, 19 de janeiro de 1939</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>Falecimento de sua filha, Ignez Boscagli Reis (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/348970_03/64588" target="_blank"><em>A Noite</em>, 19 de junho de 1939, oitava coluna</a>; <a href="http://memoria.bn.br/DocReader/030015_05/93911" target="_blank"><em>Jornal do Brasil</em>, 25 de junho de 1939, terceira coluna</a>).</p>
<p>O desenho <em>O retrato do</em> <em>Sr. Bocagli</em>, do ucraniano Dimitri Ismailovitch (1890 &#8211; 1976), foi exposto no Salão de Belas Artes (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/830259/12444" target="_blank"><em>Carioca</em>, 23 de setembro de 1939, segunda coluna</a>).</p>
<p><span style="color: #800000;"><strong>1940</strong> </span>- Inauguração de uma exposição de cerca de 60 obras de Boscagli, no Palace Hotel, entre paisagens do sertão do Brasil e de indígenas e seus costumes (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/089842_05/3409" target="_blank"><em>Correio da Manhã</em>, 5 de outubro de 1940, primeira coluna</a>; <a href="http://memoria.bn.br/DocReader/089842_05/3560" target="_blank"><em>Correio da Manhã</em>, 17 de outubro de 1940, sétima coluna</a>).</p>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_33072" style="width: 324px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://memoria.bn.br/docreader/221961_02/4340" target="_blank"><img class="size-full wp-image-33072" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2023/06/boscagli41.jpg" alt="Diário da Noite, 12 de outubro de 1940" width="314" height="354" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="http://memoria.bn.br/docreader/221961_02/4340" target="_blank"><em>Diário da Noite</em>, 12 de outubro de 1940</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_33070" style="width: 484px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://memoria.bn.br/docreader/103730_07/3170" target="_blank"><img class="size-full wp-image-33070" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2023/06/boscagli39.jpg" alt="Gazeta de Notícias, 13 de outubro de 1940" width="474" height="403" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="http://memoria.bn.br/docreader/103730_07/3170" target="_blank"><em>Gazeta de Notícias</em>, 13 de outubro de 1940</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>O major Luiz Thomaz Reis (1878 &#8211; 1940), genro de Boscagli, viúvo de Ignez (? &#8211; 1939), faleceu cerca de um mês após ter sofrido um acidente, quando filmava a construção do novo quartel general do Exército no Rio de Janeiro (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/089842_05/4197" target="_blank"><em>Correio da Manh</em>ã, 3 de dezembro de 1940, quarta coluna</a>).</p>
<p>Quadros de autoria de Boscagli foram expostos na Exposição Retrospectiva do Exército (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/181897/6886" target="_blank"><em>Boletim da Sociedade Geográfica do Rio de Janeiro</em>, 1940</a>).</p>
<p><span style="color: #800000;"><strong>1941</strong> </span>- Identificado como <em>nosso melhor indianista</em>, integrou o Salão de Belas Artes (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/103730_07/8115" target="_blank"><em>Gazeta de Notícias</em>, 21 de setembro de 1941, segunda coluna</a>).</p>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_33071" style="width: 305px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://memoria.bn.br/docreader/103730_07/8115" target="_blank"><img class="size-full wp-image-33071" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2023/06/boscagli40.jpg" alt="Gazeta de Notícias, 21 de setembro de 1941" width="295" height="227" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="http://memoria.bn.br/docreader/103730_07/8115" target="_blank"><em>Gazeta de Notícias</em>, 21 de setembro de 1941</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>Foi noticiado que o Conselho do Serviço de Proteção aos Índios iria começar a tomar providências no sentido de adquirir várias <em>telas de autoria de José Boscagli, o único artista que acompanhou a Expedição Rondon e pintou os tipos e costumes dos indígenas nacionais. </em>Os quadros integrariam a galeria artística da futura Casa do Índio (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/093718_02/7165" target="_blank"><em>Diário de Notícias</em>, 28 de setembro de 1941</a>; <a href="http://memoria.bn.br/DocReader/110523_04/8434" target="_blank"><em>O Jornal</em>, 1º de novembro de 1941, quinta coluna</a>).</p>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_33069" style="width: 321px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://memoria.bn.br/docreader/093718_02/7165" target="_blank"><img class="size-full wp-image-33069" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2023/06/boscagli38.jpg" alt="Diário de Notícias, 28 de setembro de 1941" width="311" height="304" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="http://memoria.bn.br/docreader/093718_02/7165" target="_blank"><em>Diário de Notícias,</em> 28 de setembro de 1941</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p><span style="color: #800000;"><strong>1945</strong> </span>- Dias antes de seu falecimento, publicação do artigo <em>Boscagli</em>, de autoria de Carlos Rubens, sobre a vida do pintor (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/830259/30202" target="_blank"><em>Carioca</em>, 19 de maio de 1945</a>).</p>
<p>José Boscagli faleceu em 30 de maio e foi sepultado no Cemitério São João Batista. Sua missa de Sétimo Dia foi realizada na Igreja da Candelária, em 6 de maio. Quando faleceu, ainda residia na Rua Barão de Guaratiba, nº 132 (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/830259/30202" target="_blank"><em>Carioca</em>, 19 de maio de 1945</a>; <a href="http://memoria.bn.br/DocReader/089842_05/26178" target="_blank"><em>Correio da Manhã</em>, 31 de maio de 1945, primeira coluna</a>; <a href="http://memoria.bn.br/DocReader/364568_13/25797" target="_blank"><em>Jornal do Commercio</em>, 6 de junho de 1945</a>).</p>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_33068" style="width: 520px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2023/06/boscagli37.jpg"><img class="size-full wp-image-33068" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2023/06/boscagli37.jpg" alt="Correio da Manhã, 31 de maio de 1940" width="510" height="280" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="http://memoria.bn.br/docreader/089842_05/26172" target="_blank"><em>Correio da Manhã</em>, 31 de maio de 1940</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p><span style="color: #800000;"><strong>1946</strong></span> &#8211; Obras de Boscagli integraram a Exposição Foto-Etnográfica, comemorativa do Dia do Índio, realizada no hall do Ministério da Educação, no Rio de Janeiro (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/089842_05/30934" target="_blank"><em>Correio da Manhã</em>, 21 de abril de 1946, penúltima coluna</a>).</p>
<p><span style="color: #800000;"><strong>1956</strong></span> &#8211; Publicação de um artigo sobre a escritora, jornalista e feminista Jenny Pimentel de Borba (1906 &#8211; 1984), onde aparece um retrato dela pintado por Boscagli (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/337234/6941" target="_blank"><em>Walkyrias</em>, janeiro de 1956</a>).</p>
<p><span style="color: #800000;"><strong>1974</strong> </span>- Um de seus quadros, <em>Cidade Marítima,</em> foi leiloado no Grande Leilão de Inverno, de Ernani Thompson Mello (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/364568_16/31104" target="_blank"><em>Jornal do Commercio</em>, 15 de setembro  de 1974</a>).</p>
<p><span style="color: #800000;"><strong>1976</strong> </span>- Foi citado no artigo <em>Um poema de amor e trabalho</em>, sobre a presença de estrangeiros no Rio Grande do Sul, de Antonio Bresolim (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/885959/28066" target="_blank"><em>O Pioneiro</em> (RS), 17 de junho de 1976, segunda coluna</a>).</p>
<p><span style="color: #800000;"><strong>1979</strong> </span>- Seu quadro <em>Ancião na Beira do Riacho</em> integrou o leilão de Sebastião Barreto, em Petrópolis (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/364568_16/62397" target="_blank"><em>Jornal do Commercio</em>, 11 e 12 de fevereiro de 1979, quarta coluna</a>).</p>
<p><span style="color: #800000;"><strong>1982</strong></span> &#8211; Integrou a exposição <em>Pintores Italianos no Brasil, </em>realizada no Museu de Arte Moderna de São Paulo, promovida pela Sociarte de São Paulo em colaboração com a Secretaria de Estado da Cultura. Lançamento de um catálogo homônimo, apresentado por Augusto Carlos Veloso (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/004120/2407" target="_blank"><em>Manchete</em>, 29 de maio de 1982</a>; <a href="http://memoria.bn.br/DocReader/364568_19/52377" target="_blank"><em>Jornal do Commercio</em>, 6 e 7 de jullho de 2003, terceira colun</a>a).</p>
<p><span style="color: #800000;"><strong>2007</strong></span> &#8211; Um de seus quadros foi leiloado pela Century´s, no Rio de Janeiro (<em>O GLOBO</em>, 24 de março de 2007, primeira coluna).</p>
<p><span style="color: #800000;"><strong> 2015</strong> </span>- Integrou a exposição <em>Mater Fecunda a Pinacoteca Aldo Locatelli de 1884 a 1943</em>, na Pinacoteca Aldo Locatelli, em Porto Alegre, realizada entre 22 de março e 29 de maio de 2015.</p>
<p><span style="color: #800000;"><strong>2018</strong> </span>- No Museu do Imigrante, em Bento Gonçalves, realização da exposição <em>I Pittori Dei Nonni: Boscagli e Bertoni,</em> entre 8 de outubro e 19 de novembro de 2018, com a curadoria de Luiz Pasquali. Bertoni é o pintor italiano Walter Angelo Bertoni (1854 &#8211; 1952) (<a href="https://jornalsemanario.com.br/um-olhar-diferente-sobre-bento/" target="_blank"><em>Jornal Semanário</em>, 17 de outubro de 2018</a>).</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Andrea C. T. Wanderley</p>
<p>Editora e pesquisadora do portal Brasiliana Fotográfica</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><span style="color: #800000;"><strong>Fontes</strong></span>:</p>
<p>DAMASCENO, Athos. <em>Artes Plásticas no Rio Grande do Sul</em>. Porto Alegre : Globo, 1971.</p>
<p>DAMASCENO, Athos. <em>Colóquios em minha cidade</em>. Porto Alegre : Globo, 1974.</p>
<p><a href="http://dicionariofotograficocapixaba.blogspot.com/2018/05/alberto-lucarelli.html" target="_blank">Dicionário Fotográfico Capixaba</a></p>
<p><a href="https://enciclopedia.itaucultural.org.br/pessoa23452/giuseppe-boscagli" target="_blank">Enciclopedia Itaú Cultural</a></p>
<p>FROZZA, Marilia de Oliveira. <em><a href="https://www.lume.ufrgs.br/bitstream/handle/10183/114629/000955321.pdf?seque" target="_blank">Os retratos de militares e políticos na Pinacoteca Municipal Aldo Locatelli</a>: herança da Câmara de Vereadores de Porto Alegre</em>. Porto Alegre : Universidade Federal do Rio Grande do Sul, 2014.</p>
<p><a href="https://bndigital.bn.br/hemeroteca-digital/" target="_blank">Hemeroteca Digital da Biblioteca Nacional</a></p>
<p>KOSSOY, Boris. <em>Dicionário histórico-fotográfico brasileiro: fotógrafos e ofício da fotografia no Brasil (1833-1910).</em> São Paulo: Instituto Moreira Salles, 2002. 408 p., il. p&amp;b.</p>
<p>LOPES, Marcos Felipe de Brum. <em>Migrantes e fantasmas: imagens e figuras de Benjamin Constant</em>. Estudos Ibero-Americanos, Porto Alegre, v. 44, n. 1, p. 76-92, jan.-abr. 2018.</p>
<p>MAUÉS, Renata de Fátima da Costa. <em>O álbum do artista Manoel Pastana: memórias em recortes</em>. Revista Arteriais, Universidade Federal do Pará, junho de 2021.</p>
<p><em>O GLOBO</em>, 31 de maio de 1945.</p>
<p>RUBENS, Carlos<em>. Pequena história das artes plásticas no Brasil</em>. São Paulo: Nacional, 1941.</p>
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		<title>Os &#8220;Instantâneos Cruéis&#8221; de Monteiro Lobato</title>
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		<pubDate>Fri, 26 Nov 2021 17:44:03 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Andrea Wanderley]]></dc:creator>
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		<description><![CDATA[O contato de Monteiro Lobato com as pesquisas realizadas por cientistas de Manguinhos em suas expedições pelo Brasil, no início do século XX, em especial a viagem feita pelos sanitaristas Belisário Penna e Arthur Neiva, em 1912, impactaram a obra do escritor. Fotografias, batizadas por Lobato de "instantâneos cruéis", que retratavam a fome, a miséria e as doenças do povo brasileiro, faziam parte dessas pesquisas, que influenciaram a mudança da concepção de um de seus famosos personagens, o "Jeca Tatu", e fez com que ele se engajasse numa campanha pelo saneamento do país: "O Jeca não é assim: está assim". O pesquisador Ricardo Augusto dos Santos, da Fundação Oswaldo Cruz, uma das instituições parceiras da Brasiliana Fotográfica conta essa história no artigo "Os Instantâneos Cruéis de Monteiro Lobato".]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p>O contato de Monteiro Lobato (1882 &#8211; 1948) com as pesquisas realizadas por cientistas de Manguinhos em suas <a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=8684">cinco expedições científicas pelo Brasil, no início do século XX</a>, em especial a viagem de cerca de sete meses feita pelos sanitaristas <a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=12777">Belisário Penna (1868 &#8211; 1939)</a> e Arthur Neiva (1885 &#8211; 1945), em 1912, entre o norte da Bahia, o sudeste de Pernambuco, o sul do Piauí e Goiás de norte a sul, impactaram a obra do escritor.</p>
<p>&nbsp;</p>
<div style="width: 710px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/5094" target="_blank"><img src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/bitstream/handle/20.500.12156.1/5094/IOC_V_ii_0227.jpg.jpg?sequence=3&amp;isAllowed=y" alt="Thumbnail" width="700" height="494" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/5094" target="_blank">José Teixeira. Expedição do Instituto Oswaldo Cruz ao Nordeste e Centro Oeste : acampamento dos membros da expedição, entre eles Belisário Penna e Arthur Neiva (2° e 3° à esquerda), 1912. Piauí / Acervo Casa de Oswaldo Cruz</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>Fotografias produzidas por José Teixeira, fotógrafo da expedição, batizadas por Lobato de <em>instantâneos cruéis</em> em seu artigo <em>O problema do saneamento &#8211; O início da ação</em> (<em>O Estado de São Paulo</em>, 12 de maio de 1918, página 3, terceira coluna <em><strong>(1)</strong></em>), que retratavam a fome, a miséria e as doenças do povo brasileiro, faziam parte dessas pesquisas, que influenciaram a mudança da concepção de um de seus famosos personagens, o <em>Jeca Tatu</em>, e fez com que Lobato se engajasse numa campanha pelo saneamento do país: <em>O Jeca não é assim: está assim &#8211; </em>epígrafe de seu livro<em> Problema Vital,</em> publicado em fins de 1918, reunindo a série de artigos que havia escrito para o jornal <em>O Estado de São Paulo</em> no referido ano. Redefiniu o perfil do <em>Jeca Tatu</em>. Se em seus artigos de 1914 &#8211; <em>Velha Praga</em> e <em>Urupês</em> &#8211; o <em>Jeca</em> era definido a partir de sua natureza racial ou genética, agora eram as péssimas condições de saúde e higiene as causadoras da característica de indolência atribuída ao personagem.</p>
<p>Seu diagnóstico do Brasil havia se modificado, o saneamento das áreas rurais poderia transformar a realidade. A mudança de seu pensamento ancorava-se em sua crença otimista em relação à ciência. O pesquisador Ricardo Augusto dos Santos, da Fundação Oswaldo Cruz, uma das instituições parceiras da Brasiliana Fotográfica conta essa história no artigo <em>Os Instantâneos Cruéis de Monteiro Lobato</em>.</p>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_26207" style="width: 375px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://monteirolobato.com/linha-do-tempo/" target="_blank"><img class="size-full wp-image-26207" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2021/11/lobatofoto.jpg" alt="Monteiro Lobato / Site monteirolobato.com" width="365" height="359" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://monteirolobato.com/linha-do-tempo/" target="_blank">Monteiro Lobato / Site Monteiro Lobato</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>As fotografias e negativos remanescentes das cinco expedições realizadas entre 1911 e 1913 pelo Insituto Oswaldo Cruz, com aproximadamente 1700 itens, foram produzidos por câmeras grandes, pesadas, que utilizavam negativos de gelatina seca sobre base de vidro no formato 13 x 18 centímetros. Sobre os fotógrafos conhece-se apenas dois, o já citado José Teixeira, que acompanhou a expedição Penna-Neiva, e <a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=22230http://">João Stamato (1886-1951)</a>, cinegrafista do Rio de Janeiro´, na década de 1910, que documentou a expedição aos Vales dos Rios São Francisco e Tocantins, em 1911.</p>
<p>&nbsp;</p>
<div style="width: 359px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/6122" target="_blank"><img class="" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/bitstream/handle/20.500.12156.1/6122/IOC_V_II_0444.jpg.jpg?sequence=3&amp;isAllowed=y" alt="Thumbnail" width="349" height="475" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/6122" target="_blank">José Teixeira, fotógrafo dos instantâneos cruéis durante a expedição Penna-Neiva, 1912 / Acervo Casa de Oswaldo Cruz</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: center;"><span style="color: #800000;"><strong><em>Os Instantâneos Cruéis de Monteiro Lobato</em></strong></span></p>
<p style="text-align: center;"> Ricardo Augusto dos Santos*</p>
<p>&nbsp;</p>
<div style="width: 711px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/6515" target="_blank"><img src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/bitstream/handle/20.500.12156.1/6515/BP-06-TP-03-V1-011.jpg.jpg?sequence=3&amp;isAllowed=y" alt="Thumbnail" width="701" height="505" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/6515" target="_blank">José Teixeira. Doentes no sertão &#8211; Expedição Penna-Neiva, 2 de junho de 1912 / Acervo Casa de Oswaldo Cruz</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>Foi em 1987 que tomei conhecimento da obra adulta de Monteiro Lobato (1882-1948). Naquele ano, a Casa de Oswaldo Cruz contratou-me para trabalhar no projeto de organização de fontes e publicação do álbum fotográfico<em> </em><a href="https://static.scielo.org/scielobooks/5vx2d/pdf/intituto-9788575413074.pdf"><em>A Ciência a Caminho da Roça</em></a>.</p>
<p>Que fontes eram essas? Tratava-se de um conjunto de imagens realizadas durante <a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=19524">cinco expedições científicas efetuadas entre 1911 e 1913</a> pelo Instituto Oswaldo Cruz. Essas viagens produziram relatórios, registros e fotografias, que descreviam as condições de vida nas regiões visitadas. Era esse material que uma equipe organizava, pesquisava e preparava a edição do texto.</p>
<p>Depois das primeiras reuniões com o grupo responsável pela produção do volume, atraído em estudar a ideologia nacionalista, encontrei o livro <em>Problema Vital <strong>(2)</strong>, </em>de Lobato. Publicado, em 1918, essa obra reúne 14 artigos veiculados no jornal <em>O Estado de São Paulo</em> daquele ano. Nestes textos, Lobato comentava sobre os problemas sociais do Brasil. Em determinado trecho, o autor falava de modo enfático sobre as imagens produzidas pelo fotógrafo José Teixeira durante uma dessas expedições científicas, a viagem liderada por Belisário Penna e Arthur Neiva. Segundo Lobato, as fotografias eram <strong><em>instantâneos cruéis</em></strong> que possuiriam força para alterar o diagnóstico do país.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/discover?rpp=10&amp;page=3&amp;query=%22Jos%C3%A9+Teixeira%22&amp;group_by=none&amp;etal=0" target="_blank"><strong>Acessando o link para as fotografias de autoria de José Teixeira disponíveis na Brasiliana Fotográfica, o leitor poderá magnificar as imagens e verificar todos os dados referentes a elas.</strong></a></p>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_26195" style="width: 778px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/5094" target="_blank"><img class="wp-image-26195 size-large" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2021/11/detalhe1-1024x413.jpg" alt="detalhe" width="768" height="310" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/5094" target="_blank">Belisário Penna e Arthur Neiva durante expedição científica, em 1912, no Piauí. Detalhe da fotografia de José Teixeira</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>Mas, que <a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=13880">cinco viagens foram essas</a>? Entre setembro de 1911 e fevereiro de 1912, Astrogildo Machado (1885 &#8211; 1945) e Antônio Martins (18?-19?), respectivamente pesquisador e farmacêutico do Instituto Oswaldo Cruz, percorreram os vales do São Francisco e do Tocantins com os técnicos da Estrada de Ferro Central do Brasil, responsáveis por estudos para um prolongamento que, a partir de Pirapora, deveria alcançar a cidade de Belém, no Pará.</p>
<p>&nbsp;</p>
<div style="width: 712px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/5102" target="_blank"><img src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/bitstream/handle/20.500.12156.1/5102/IOC%28AC-E%2911-114%20%281%29.jpg.jpg?sequence=3&amp;isAllowed=y" alt="Thumbnail" width="702" height="489" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/5102" target="_blank">João Stamato. Expedição aos vales dos rios São Francisco e Tocantins. Membros da Expedição, 1911. Vale do Tocantins / Acervo Casa de Oswaldo Cruz / Astrogildo Machado está sentado com as mãos entrelaçadas</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>A serviço da Superintendência da Defesa da Borracha, <a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=13402">Carlos Chagas  (1878-1934)</a>, Antonio Pacheco Leão (1872 – 1931) e <a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=13446">João Pedroso Barreto de Albuquerque (1869 – 1936)</a> inspecionaram parte da bacia amazônica, no período de outubro de 1912 a março de 1913.</p>
<p>&nbsp;</p>
<div style="width: 710px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/5096" target="_blank"><img src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/bitstream/handle/20.500.12156.1/5096/IOC_V_II_0330.jpg.jpg?sequence=3&amp;isAllowed=y" alt="Thumbnail" width="700" height="498" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/5096" target="_blank">Expedição do Instituto Oswaldo Cruz ao Amazonas e Acre: Carlos Chagas e Pacheco Leão na Amazônia, 1913. São Gabriel da Cachoeira, Rio Negro, Amazonas / Acervo Casa de Oswaldo Cruz / Carlos Chagas está no centro do grupo e Pacheco Leão está a sua direita</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>Entre março a outubro de 1912, a serviço da Inspetoria das Obras contra a Seca, três expedições exploraram o Nordeste e o Centro-Oeste do Brasil. Para o Ceará e o norte do Piauí, dirigiram-se <a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=13446">João Pedro de Albuquerque (1874 &#8211; 1934)</a> e José Gomes de Faria (18? &#8211; 1962). Adolfo Lutz (1855 &#8211; 1940) e Astrogildo Machado desceram o Rio São Francisco de Pirapora até Juazeiro, visitando alguns de seus afluentes. Das cinco expedições científicas deste período, a viagem de Arthur Neiva e Belisário Penna foi a mais longa, percorrendo em trens, cavalos e burros, quatro mil quilômetros entre o norte da Bahia, o sudeste de Pernambuco, o sul do Piauí e Goiás de norte a sul.</p>
<p>Em 1916, o diário da jornada foi publicado no periódico <em>Memórias do Instituto Oswaldo Cruz</em> com as fotos obtidas durante o trajeto. Este documento registrava em detalhes a miséria em que viviam as populações. Em um dos textos reunidos em <em>Problema Vital</em>, Lobato refere-se às fotos da expedição Penna-Neiva, ao falar de idéias capazes de mudar a realidade:</p>
<p><em>“A idéia do saneamento é uma. Bastou que a ciência experimental, após a série de <strong>instantâneos cruéis</strong> que o diário de viagem de Artur Neiva e Belisário Penna lhe pôs diante dos olhos, propalasse a opinião do microscópio, e esta fornecesse à parasitologia elementos para definitivas conclusões, bastou isso para que o problema brasileiro se visse, pela primeira vez, enfocado sob um feixe de luz rutilante. E instantaneamente vimo-la evoluir para o terreno da aplicação prática. E a idéia-força caminha avassaladoramente. Avassaladoramente e consoladora, porque o nosso dilema é este: ou doença ou incapacidade racial. É preferível optarmos pela doença.”</em></p>
<p style="text-align: right;"><em>Problema Vital.</em> Monteiro Lobato, 1918</p>
<div style="width: 538px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/10268" target="_blank"><img src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/bitstream/handle/20.500.12156.1/10268/IOC_V_II_0742.jpg.jpg?sequence=3&amp;isAllowed=y" alt="Thumbnail" width="528" height="727" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/10268" target="_blank">José Teixeira. Mulher com bócio &#8211; Expedição Penna-Neiva, setembro de 1912. Goiás / Acervo Casa de Oswaldo Cruz</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>As expedições científicas deixaram marcas profundas no pensamento de seus participantes e, posteriormente, influenciaram os intelectuais que tiveram acesso aos relatórios e às fotografias. Para Lobato, o diário da viagem Penna-Neiva foi um documento revelador dos reais problemas do país. Inclusive, a partir do texto repleto das imagens cruéis, Lobato e um dos personagens criados por ele, o <em>Jeca Tatu,</em> sofreriam uma metamorfose.</p>
<p>O contato de Lobato com o diário provocou uma mudança de perspectiva do escritor a respeito do camponês. Quando surgiu o personagem, em 1914, em pequeno artigo jornalístico, o <em>Jeca Tatu</em> era um retrato pessimista do camponês do Vale do Paraíba. Naquela conjuntura, Lobato estava alinhado com o pensamento dominante na passagem do século XIX para o XX, adotando as teorias cientificistas para refletir a nacionalidade brasileira. Entre os primeiros anos do século, o determinismo biológico era hegemônico no Brasil.</p>
<p>Em 1918, entretanto, Lobato assumiria outro ponto de vista. Certamente, um dos fatores que propiciaram a mudança está no encontro de Lobato com o diário e, especialmente, com os <em>Instantâneos Cruéis</em>. Seu diagnóstico do Brasil foi se alterando. Doravante, o saneamento das áreas rurais poderia transformar a realidade. Como o personagem <em>Jeca</em> se transformou?</p>
<p>Nascido como alegoria do trabalhador rural, em artigo escrito em 1914<em>, Jeca Tatu</em> tornou-se sinônimo de homem do campo. Inclusive, através de sua narrativa, uma empresa de produtos farmacêuticos difundiu um tônico, propagando os seus valores terapêuticos, chegando a circular em milhões de exemplares do folheto <em>Jeca Tatuzinho</em> distribuído colado ao “<em>fortificante</em>”. A presença do símbolo do homem da roça em campanhas de educação higiênica, especialmente as direcionadas ao controle das endemias rurais, ajudou a popularizar os cuidados com a higiene individual e a saúde pública nas primeiras décadas do século.</p>
<p>&nbsp;</p>
<div style="width: 712px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/6124" target="_blank"><img src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/bitstream/handle/20.500.12156.1/6124/IOC_V_II_0515.jpg.jpg?sequence=3&amp;isAllowed=y" alt="Thumbnail" width="702" height="481" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/6124" target="_blank">José Teixeira. Escola &#8211; Expedição Penna-Neiva. São Raimundo Nonato, PI / Acervo Casa de Oswaldo Cruz</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>Caricatura do caipira brasileiro, o <em>Jeca</em> é um dos mais conhecidos personagens de nossa cultura. De caboclo preguiçoso e indolente à vítima da doença, a trajetória do matuto desenvolvido por Lobato está relacionada ao papel conferido às políticas de saúde pública e educação para o desenvolvimento econômico do país. Trata-se de uma das representações sociais da identidade nacional, em que se articula o retrato doente da sociedade, especialmente dos trabalhadores rurais, à regeneração do povo por meio da ação do Estado.</p>
<p>Portanto, a série de artigos compilados em livro (1918) evidenciam uma mudança de perspectiva do caboclo brasileiro<em>.</em> Naquela altura de sua trajetória, Lobato estava influenciado pelo conjunto de teorias científicas surgidas na Europa. Criado como símbolo do camponês, <em>Jeca Tatu</em> estava ancorado no racismo científico ainda dominante. Para as idéias cientificistas, o clima, a localização geográfica e a raça determinavam a evolução e hierarquia das sociedades humanas.</p>
<p>Lobato denunciava uma corrente de interpretação ufanista dos elementos culturais nacionais, atribuindo ao <em>Jeca</em>, espécie degenerada em sua origem mestiça indígena e portuguesa, e adaptada ao ambiente natural, a responsabilidade pelos problemas do universo rural. Esse primeiro<em> Jeca</em> era incapaz de participação no trabalho do mundo moderno.</p>
<p>Contudo, o enfoque mudaria. Surgiria um segundo <em>Jeca</em>. E o diagnóstico seria outro. Se o determinismo biológico representava um problema grave, uma herança nociva, o saneamento poderia transformar cientificamente a realidade. No livro <em>Problema Vital</em>, encontramos um Lobato entusiasta da microbiologia e parasitologia.</p>
<p>A primeira aparição do <em>Jeca</em> data de novembro de 1914, no texto <em>Velha Praga <strong>(3)</strong></em>, no qual Lobato se insurgia contra as queimadas de roça e descrevia o modo de vida dos camponeses. Nesta obra, aparecem os nomes de <em>Manoel Peroba</em>, <em>Chico Marimbondo</em> e <em>Jeca Tatu</em>.</p>
<p>Porém, segue-se um novo artigo com o título de <em>Urupês <strong>(4)</strong></em>, onde Lobato fornece um panorama do sertanejo e seu modo de vida, em oposição a uma literatura que exaltava romanticamente o homem rural como um guerreiro imbatível. Para Lobato, então fazendeiro no interior paulista, a explicação para a apatia e a incapacidade produtiva do <em>Jeca</em> encontrava-se nas facilidades de sobrevivência proporcionadas pela mandioca, milho e cana:<em> </em></p>
<p><em>“Pobre Jeca Tatu! Como és bonito no romance e feio na realidade! Da terra só quer a mandioca, o milho e a cana. A primeira, por ser um pão já amassado pela natureza. Basta arrancar uma raiz e deitá-la nas brasas. Não impõe colheita, nem exige celeiro. O vigor das raças humanas está na razão direta da hostilidade ambiente.”</em></p>
<p style="text-align: right;"><em>Urupês</em>, Lobato(1914)</p>
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<div style="width: 712px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/6126" target="_blank"><img src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/bitstream/handle/20.500.12156.1/6126/IOC_V_II_0682.jpg.jpg?sequence=3&amp;isAllowed=y" alt="Thumbnail" width="702" height="514" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/6126" target="_blank">José Teixeira. Fornecimento de água &#8211; Expedição Penna-Neiva, março de 1912 . Estrada de Ferro Bahia &#8211; São Francisco, BA / Acervo Casa de Oswaldo Cruz</a></p></div>
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<p>Em 1918, Lobato lançou o livro <em>Urupês <strong>(5)</strong></em>, reunindo contos, incluindo os artigos <em>Velha Praga</em> e <em>Urupês</em>. Nestas páginas militantes, Lobato critica o caboclo modorrento e o ufanismo que identificava o Brasil como um paraíso. No entanto, Lobato estava progressivamente participando da campanha pelo saneamento das áreas rurais. Ele estava em contato com os médicos Arthur Neiva, Belisário Penna, Renato Kehl e demais membros do movimento sanitarista. Assim, nascia um novo <em>Jeca</em>: o <em>Jeca</em> dos artigos reunidos em <em>Problema Vital</em>.</p>
<p>Esse segundo <em>Jeca</em> padecia das mesmas enfermidades, mas após entrar em contato com a ciência médica, curava-se das moléstias que o levavam a ser apático; tornava-se trabalhador, enriquecia e transformava-se em exemplo para os vizinhos. Esta narrativa foi publicada com o título de<em> Jeca Tatu. A Ressurreição</em>. Conhecida como <em>Jeca Tatuzinho</em>, chegou a milhões de exemplares através do <em>Almanaque de Produtos Farmacêuticos Fontoura</em>.</p>
<p>Mas, se a personagem mudava, o seu criador também mudaria. Em meados dos anos 40, surgiria um terceiro <em>Jeca</em>: o <em>Zé Brasil</em>. Este <em>Jeca</em> não era preguiçoso. Nem doente, mas um trabalhador explorado. A figura do caipira nacional aparecia pela terceira vez na literatura<em> lobatiana</em>. Neste momento, superando a intolerância em relação ao primeiro <em>Jeca</em> (<em>Velha Praga</em> e <em>Urupês</em>) e o paternalismo presente em relação ao segundo, o <em>Jeca Tatuzinho</em>. Como entendermos a mudança do primeiro para o segundo <em>Jeca</em>? Algumas respostas podem ser buscadas nos já citados artigos publicados em <em>O Estado de S. Paulo </em>e reunidos no <em>Problema Vital</em>, por decisão da Sociedade de Eugenia de São Paulo e da Liga Pró-Saneamento do Brasil.</p>
<p>Se em <em>Urupês</em> e <em>Velha Praga</em> (1914) Lobato atribuía preponderância às teses raciais e climáticas para a pobreza, chegando a culpar o trabalhador do campo por sua condição, nos artigos redigidos quatro anos mais tarde, refletia sobre a questão nacional do saneamento. É através de uma explicação científica que Lobato, preocupado com a reprodução da força de trabalho improdutiva, mudaria a sua concepção do caipira. A ineficiência do <em>Jeca</em> não era devido à inferioridade racial, mas sim um problema sanitário. A epígrafe do livro <em>Problema Vital</em> traduz a ideia: <em>O Jeca não é assim, está assim</em>. O caboclo é pobre porque é doente e assim não produz. A mudança de concepção passava pela crença otimista de Lobato na ciência.</p>
<p>De raça e clima, o problema que inviabilizava a construção da nação deslocou-se para a doença que passou a ser considerada a origem de todos os males.<strong> </strong>O <em>Jeca</em> permanecia incapaz, porém encontrava-se vitimado pelas doenças. No futuro, a ciência o absolveria da sua incapacidade. A educação o capacitaria para a vida e trabalho. A parasitologia, a bacteriologia e a microbiologia libertariam seu corpo dos agentes patogênicos. A higiene o protegeria dos micro-organismos.</p>
<p>Lobato continuava a atacar a visão ufanista e romantizada do campo. Todavia, chamando a atenção para a realidade dos sertões e associando a verdadeira realidade com as fotos. Lobato usaria com frequência as representações metafóricas das imagens fotográficas.</p>
<p>Contemporâneo do processo de modernização que pretendia transformar a sociedade brasileira nas primeiras décadas do século passado, Lobato lançou um olhar crítico sobre sua época. Constantemente, demonstrava crença no progresso e na ciência como verdade única e totalizante. As fotografias veiculadas no relatório causariam um grande impacto, ao revelarem um Brasil doente e pobre que vivia à margem da civilização que as cidades do litoral, em particular a capital da República, supunham personificar. Embora quase todas as fotos sejam fortes documentos das condições e modos de vidas das populações camponesas, até hoje, as imagens de doentes causam grande impacto.</p>
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<div style="width: 712px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/9335" target="_blank"><img src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/bitstream/handle/20.500.12156.1/9335/BP%28F-VPP%294-14.jpg.jpg?sequence=3&amp;isAllowed=y" alt="Thumbnail" width="702" height="482" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/9335" target="_blank">José Teixeira. Doentes &#8211; Expedição Penna-Neiva, setembro de 1912. Asilo de São Francisco de Paula, Goiás / Acervo Casa de Oswaldo Cruz</a></p></div>
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<p><em>“Nós, se fôramos poetas, escreveríamos um poema trágico com a descrição das misérias, das desgraças dos nossos infelizes sertanejos abandonados. A poesia das paisagens e dos panoramas ficaria apagada pela tragédia, pela desolação e pela miséria dos infelizes habitantes sertanejos, nossos patrícios. Aos nossos filhos, que aprendem nas escolas que a vida simples de nossos sertões é cheia de poesia e de encantos, pela saúde de seus habitantes, pela fartura do solo e generosidade da natureza, ficariam sabendo que nessas regiões se desdobra mais um quadro infernal, que só poderia ser mais magistralmente descrito pelo DANTE imortal.”</em></p>
<p style="text-align: right;">Belisário Penna e Arthur Neiva.</p>
<p style="text-align: right;">Viagem científica pelo norte da Bahia, sudoeste de Pernambuco, sul do Piauí e de norte a sul de Goiás, 1916.</p>
<p><em> </em></p>
<div style="width: 480px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/10267" target="_blank"><img class="" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/bitstream/handle/20.500.12156.1/10267/IOC_V_II_0736.jpg.jpg?sequence=3&amp;isAllowed=y" alt="Thumbnail" width="470" height="646" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/10267" target="_blank">José Teixeira. Doente com bócio &#8211; Expedição Penna-Neiva, 1912. Santa Rita do Rio Preto, Bahia / Acervo Casa de Oswaldo Cruz</a></p></div>
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<div id="attachment_26199" style="width: 389px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2021/11/jeca.jpg"><img class="size-full wp-image-26199" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2021/11/jeca.jpg" alt="Capa do Folheto" width="379" height="506" /></a><p class="wp-caption-text">Capa do folheto que acompanhava o Biotônico Fontoura</p></div>
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<p><strong> </strong></p>
<p>*Ricardo Augusto dos Santos é Pesquisador Titular da Fundação Oswaldo Cruz</p>
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<p><span style="color: #800000;"><strong>Indicação Bibliográfica:</strong></span></p>
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<p>DOS SANTOS, Ricardo Augusto<em>. Lobato, os Jecas e a Questão Racial no Pensamento Social Brasileiro. Revista Achegas. </em>Número 7, maio de 2003. <a href="http://www.achegas.net/numero/sete/ricardo_santos.htm">http://www.achegas.net/numero/sete/ricardo_santos.htm</a></p>
<p>DOS SANTOS, Ricardo Augusto. <em>O Plano de Educação Higiênica de</em> <em>Belisário Penna</em>: 1900-1930. Dynamis. 2012, vol. 32, n. 1, pp. 45-68.<a href="https://scielo.isciii.es/scielo.php?script=sci_arttext&amp;pid=S0211-95362012000100003&amp;lng=es&amp;nrm=iso">https://scielo.isciii.es/scielo.php?script=sci_arttext&amp;pid=S0211-95362012000100003&amp;lng=es&amp;nrm=iso</a></p>
<p>THIELEN,Eduardo Vilela; ALVES, Fernando Antonio Pires; BENCHIMOL, Jaime Larry;ALBUQUERQUE, Marli Brito de; DOS SANTOS, Ricardo Augusto; WELTMAN, Wanda Latmann. <em>A ciência a caminho da roça: imagens das expedições científicas do Instituto Oswaldo Cruz ao interior do Brasil entre 1911 e 1913. </em> 3ª edição. Rio de Janeiro: Editora Fiocruz, 2018.</p>
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<p><span style="color: #800000;"><strong>Notas da editora:</strong></span></p>
<p><em><strong>(1)</strong> </em>- Artigo <em>O problema do saneamento &#8211; O início da ação</em>, publicado no <em>O Estado de São Paulo</em> de 12 de maio de 1918, quando Monteiro Lobato usa a exxpressão <em>instantâneos cruéis</em>.</p>
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<p><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2021/11/saneamento1.jpg"><img class=" size-full wp-image-26208 aligncenter" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2021/11/saneamento1.jpg" alt="saneamento1" width="292" height="499" /></a></p>
<p><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2021/11/saneamento2.jpg"><img class=" size-full wp-image-26209 aligncenter" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2021/11/saneamento2.jpg" alt="saneamento2" width="291" height="539" /></a></p>
<p><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2021/11/saneamento3.jpg"><img class=" size-full wp-image-26210 aligncenter" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2021/11/saneamento3.jpg" alt="saneamento3" width="298" height="513" /></a></p>
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<p><em><strong>(2)</strong></em> &#8211; Artigo <em>Problema Vital</em>, de Lima Barreto, sobre os livros <em>Urupês</em> e <em>Problema Vital</em>, publicado na <a href="http://memoria.bn.br/DocReader/351130/296"><em>Revista Contemporânea</em> de 22 de fevereiro de 1919</a>.</p>
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<div id="attachment_26202" style="width: 342px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://memoria.bn.br/DocReader/351130/296" target="_blank"><img class="wp-image-26202 size-full" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2021/11/problemavital.jpg" alt="problemavital" width="332" height="494" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="http://memoria.bn.br/DocReader/351130/296" target="_blank"><em>Revista Contemporânea</em>, 22 de fevereiro de 1919</a></p></div>
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<div style="width: 403px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://www.redalyc.org/journal/3373/337345746009/html/" target="_blank"><img src="https://www.redalyc.org/journal/3373/337345746009/337345746009_gf2.png" alt="Figura 1:" width="393" height="569" /></a><p class="wp-caption-text">Primeira edição do livro <em>Problema Vital</em>, lançado em fins de 1918</p></div>
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<p><em><strong>(3)</strong></em> O artigo <em>Velha Praga</em>, de autoria de Monteiro Lobato, foi publicado em 12 de novembro de 1914, no jornal <em>O Estado de São Paulo, </em>na página 3, quinta coluna. Pela primeira vez, <em>Jeca Tatu</em> foi citado.</p>
<p style="text-align: center;"><span style="color: #800000;"><strong><em>Velha Praga</em></strong></span></p>
<p><em>Andam todos em nossa terra por tal forma estonteados com as proezas infernais dos belacíssimos “vons” alemães, que não sobram olhos para enxergar males caseiros.</em></p>
<p><em>Venha, pois, uma voz do sertão dizer às gentes da cidade que se lá fora o fogo da guerra lavra implacável, fogo não menos destruidor devasta nossas matas, com furor não menos germânico.</em></p>
<p><em>Em agosto, por força do excessivo prolongamento do inverno, “von Fogo” lambeu montes e vales, sem um momento de tréguas, durante o mês inteiro.</em></p>
<p><em>Vieram em começos de setembro chuvinhas de apagar poeira e, breve, novo “verão de sol” se estirou por outubro adentro, dando azo a que se torrasse tudo quanto escapara à sanha de agosto.</em></p>
<p><em>A serra da Mantiqueira ardeu como ardem aldeias na Europa, e é hoje um cinzeiro imenso, entremeado aqui e acolá, de manchas de verdura – as restingas úmidas, as grotas frias, as nesgas salvas a tempo pela cautela dos aceiros. Tudo mais é crepe negro.</em></p>
<p><em>À hora em que escrevemos, fins de outubro, chove. Mas que chuva caínha! Que miséria d’água! Enquanto caem do céu pingos homeopáticos, medidos a conta-gotas, o fogo, amortecido mas não dominado, amoita-se insidioso nas piúcas,a fumegar imperceptivelmente, pronto para rebentar em chamas mal se limpe  o céu e o sol lhe dê a mão.</em></p>
<p><em>Preocupa à nossa gente civilizada o conhecer em quanto fica na Europa por dia, em francos e cêntimos, um soldado em guerra; mas ninguém cuida de calcular os prejuízos de toda sorte advindos de uma assombrosa queima destas. As velhas camadas de humus destruídas; os sais preciosos que, breve, as enxurradas deitarão fora, rio abaixo, via oceano; o rejuvenescimento florestal do solo paralizado e retrogradado; a destruição das aves silvestres e o possível advento de pragas insetiformes; a alteração para piora do clima com a agravação crescente das secas; os vedos e aramados perdidos; o gado morto ou depreciado pela falta de pastos; as cento e uma particularidades que dizem respeito a esta ou aquela zona e, dentro delas, a esta ou aquela “situação” agrícola.</em></p>
<p><em>Isto, bem somado, daria algarismos de apavorar; infelizmente no Brasil subtrai-se; somar ninguém soma&#8230;</em></p>
<p><em>É peculiar de agosto, e típica, esta desastrosa queima de matas; nunca, porém, assumiu tamanha violência, nem alcançou tal extensão, como neste tortíssimo 1914 que, benza-o Deus, parece aparentado de perto com o célebre ano 1000 de macabra memória. Tudo nele culmina, vai logo às do cabo, sem conta nem medida. As queimas não fugiram à regra.</em></p>
<p><em>Razão sobeja para, desta feita, encarnarmos a sério o problema. Do contrário a Mantiqueira será em pouco tempo toda um sapezeiro sem fim, erisipelado de samambaias – esses dois términos à uberdade das terras montanhosas.</em></p>
<p><em>Qual a causa da renitente calamidade?</em></p>
<p><em>E mister um rodeio para chegar lá.</em></p>
<p><em>A nossa montanha é vítima de um parasita, um piolho da terra, peculiar ao solo brasileiro como o “Argas” o é aos galinheiros ou o “Sarcoptes mutans” à perna das aves domésticas. Poderíamos, analogicamente, classificá-lo entre as variedades do “Porrigo decalvans”, o parasita do couro cabeludo produtor da “pelada”, pois que onde ele assiste<a name="_ftnref2"></a> se vai despojando a terra de sua coma vegetal até cair em morna decrepitude, núa e descalvada. Em quatro anos, a mais ubertosa região se despe dos jequitibás magníficos e das perobeiras milenárias – seu orgulho e grandeza, para, em achincalhe crescente, cair em capoeira, passar desta à humildade da vassourinha e, descendo sempre, encruar definitivamente na desdita do sapezeiro – sua tortura e vergonha.</em></p>
<p><em>Este funesto parasita da terra é o CABOCLO, espécie de homem baldio, semi-nômade, inadaptável à civilização, mas que vive à beira dela na penumbra das zonas fronteiriças. À medida que o progresso vem chegando com a via férrea, o italiano, o arado, a valorização da propriedade, vai ele refugindo em silêncio, com o seu cachorro, o seu pilão, a picapau<a name="_ftnref3"></a><a href="https://queimadas.dgi.inpe.br/~rqueimadas/material3os/mlobato.htm#_ftn3"><sup>]</sup></a> e o isqueiro, de modo a sempre conservar-se fronteiriço, mudo e sorna. Encoscorado numa rotina de pedra, recua para não adaptar-se.</em></p>
<p><em>É de vê-lo surgir a um sítio novo para nele armar a sua arapuca de “agregado; nômade por força de vago atavismos, não se liga à terra, como o campônio europeu “agrega-se”, tal qual o “sarcopte”, pelo tempo necessário à completa sucção da seiva convizinha; feito o que, salta para diante com a mesma bagagem com que ali chegou.</em></p>
<p><em>Vem de um sapezeiro para criar outro. Coexistem em íntima simbiose: sapé e caboclo são vidas associadas. Este inventou aquele e lhe dilata os domínios; em troca o sapé lhe cobre a choça e lhe fornece fachos para queimar a colméia das pobres abelhas.</em></p>
<p><em>Chegam silenciosamente, ele e a “sarcopta” fêmea, esta com um filhote no útero, outro ao peito, outro de sete anos à ourela da saia – este já de pitinho na boca e faca à cinta. Completam o rancho um cachorro sarnento – Brinquinho, a foice, a enxada, a picapau, o pilãozinho de sal, a panela de barro, um santo encardido, três galinhas pévas e um galo índio. Com estes simpes ingredientes, o fazedor de sapezeiros perpetua a espécie e a obra de esterilização iniciada com os remotíssimos avós.</em></p>
<p><em>Acampam.</em></p>
<p><em>Em três dias uma choça, que por eufemismo chamam casa, brota da terra como um urupê. Tiram tudo do lugar, os esteios, os caibros, as ripas, os barrotes, o cipó que os liga, o barro das paredes e a palha do teto. Tão íntima é a comunhão dessas palhoças com a terra local, que dariam idéia de coisa nascida do chão por obra espontânea da natureza – se a natureza fosse capaz de criar coisas tão feias.</em></p>
<p><em>Barreada a casa, pendurado o santo, está lavrada a sentença de morte daquela paragem.</em></p>
<p><em>Começam as requisições. Com a picapau o caboclo limpa a floresta das aves incautas. Pólvora e chumbo adquire-os vendendo palmitos no povoado vizinho. É este um traço curioso da vida do caboclo e explica o seu largo dispêndio de pólvora; quando o palmito escasseia, raream os tiros, só a caça grande merecendo sua carga de chumbo; se o palmital se extingue, exultam as pacas: está encerrada a estação venatória.</em></p>
<p><em>Depois ataca a floresta. Roça e derruba, não perdoando ao mais belo pau. Árvores diante de cuja majestosa beleza Ruskin choraria de comoção, ele as derriba, impassível, para extrair um mel-de-pau escondido num ôco.</em></p>
<p><em>Pronto o roçado, e chegado o tempo da queima, entra em funções o isqueiro. Mas aqui o “sarcopte” se faz raposa. Como não ignora que a lei impõe aos roçados um aceiro de dimensões suficientes à circunscrição do fogo, urde traças para iludir a lei, cocando dest’arte a insigne preguiça e a velha malignidade.</em></p>
<p><em>Cisma o caboclo à porta da cabana.</em></p>
<p><em>Cisma, de fato, não devaneios líricos, mas jeitos de transgredir as posturas com a responsabilidade a salvo. E consegue-o. Arranja sempre um álibi demonstrativo de que não esteve lá no dia do fogo.</em></p>
<p><em>Onze horas.</em></p>
<p><em>O sol quase a pino queima como chama. Um “sarcopte” anda por ali, ressabiado. Minutos após crepita a labareda inicial, medrosa, numa touça mais seca; oscila incerta; ondeia ao vento; mas logo encorpa, cresce, avulta, tumultua infrene e, senhora do campo, estruge fragorosa com infernal violência, devorando as tranqueiras, estorricando as mais altas frondes, despejando para o céu golfões de fumo estrelejado de faíscas.</em></p>
<p><em>É o fogo-de-mato!</em></p>
<p><em>E como não o detém nenhum aceiro, esse fogo invade a floresta e caminha por ela a dentro, ora frouxo, nas capetingas  ralas, ora maciço, aos estouros, nas moitas de taquaruçú; caminha sem tréguas, moroso e tíbio quando a noite fecha, insolente se o sol o ajuda.</em></p>
<p><em>E vai galgando montes em arrancadas furiosas, ou descendo encostas a passo lento e traiçoeiro até que o detenha a barragem natural dum rio, estrada ou grota noruega.</em></p>
<p><em>Barrado, inflete para os flancos, ladeia o obstáculo, deixa-o para trás, esgueira-se para os lados – e lá continua o abrasamento implacável. Amordaçado por uma chuva repentina, alapa-se nas piúcas, quieto e invisível,  para no dia seguinte, ao esquentar do sol, prosseguir na faina carbonizante.</em></p>
<p><em>Quem foi o incendiário? Donde partiu o fogo?</em></p>
<p><em>Indaga-se, descobre-se o Nero: é um urumbeva qualquer, de barba rala, amoitado num litro de terra litigiosa.</em></p>
<p><em>E agora? Que fazer? Processá-lo?</em></p>
<p><em>Não há recurso legal contra ele. A única pena possível, barata, fácil e já estabelecida como praxe, é “tocá-lo”.</em></p>
<p><em>Curioso este preceito: “ao caboclo, toca-se”.</em></p>
<p><em>Toca-se, como se toca um cachorro importuno, ou uma galinha que vareja pela sala. E tão afeito anda ele a isso, que é comum ouví-lo dizer: “Se eu fizer tal coisa o senhor não me toca?”</em></p>
<p><em>Justiça sumária – que não pune, entretanto, dado o nomadismo do paciente.</em></p>
<p><em>Enquanto a mata arde, o caboclo regala-se.</em></p>
<p><em>-       Êta fogo bonito!</em></p>
<p><em>No vazio de sua vida semi-selvagem, em que os incidentes são um jacú abatido, uma paca fisgada n’água ou o filho novimensal, a queimada é o grande espetáculo do ano, supremo regalo dos olhos e dos ouvidos.</em></p>
<p><em>Entrado setembro, começo das “águas”, o caboclo planta na terra em cinzas um bocado de milho, feijão e arroz; mas o valor da sua produção é nenhum diante dos males que para preparar uma quarta de chão ele semeou.</em></p>
<p><em>O caboclo é uma quantidade negativa. Tala cincoenta alqueires de terra para extrair deles o com que passar fome e frio durante o ano. Calcula as sementeiras pelo máximo da sua resistência às privações. Nem mais, nem menos. “Dando para passar fome”, sem virem a morrer disso, ele, a mulher e o cachorro – está tudo muito bem; assim fez o pai, o avô; assim fará a prole empanzinada que naquele momento brinca nua no terreiro.</em></p>
<p><em>Quando se exaure a terra, o agregado muda de sítio. No lugar fica a tapera e o sapezeiro. Um ano que passe e só este atestará a sua estada ali; o mais se apaga como por encanto. A terra reabsorve os frágeis materiais da choça e, como nem sequer uma laranjeira ele plantou, nada mais lembra a passagem por ali do Manoel Peroba, do Chico Marimbondo, do <strong>Jéca Tatú</strong> ou outros sons ignaros, de dolorosa memória para a natureza circunvizinha.</em></p>
<p><em> </em></p>
<p><em><strong>(4)</strong></em> &#8211; O artigo <em>Urupês</em>, que deu nome ao livro de contos lançado em 1918, foi publicado no jornal <em>O Estado de São Paulo</em>, de 23 de dezembro de 1914, na página 6, quinta coluna.</p>
<p style="text-align: center;"><span style="color: #800000;"><strong><em>Urupês</em></strong></span></p>
<p><em>Esboroou-se o balsâmico indianismo de Alencar ao advento dos Rondons que, ao invés de imaginarem índios num gabinete, com reminiscências de Chateaubriand na cabeça e a Iracema aberta sobre os joelhos, metem-se a palmilhar sertões de Winchester em punho.</em></p>
<p><em>Morreu Peri, incomparável idealização dum homem natural como o sonhava Rousseau, protótipo de tantas perfeições humanas que no romance, ombro a ombro com altos tipos civilizados, a todos sobrelevava em beleza d’alma e corpo.</em></p>
<p><em>Contrapôs-lhe a cruel etnologia dos sertanistas modernos um selvagem real, feio e brutesco, anguloso e desinteressante, tão incapaz, muscularmente, de arrancar uma palmeira, como incapaz, moralmente, de amar Ceci.</em></p>
<p><em>Por felicidade nossa – a de D. Antonio de Mariz – não os viu Alencar; sonhou-os qual Rousseau. Do contrário lá teríamos o filho de Arará a moquear a linda menina num bom braseiro de pau brasil, em vez de acompanhá-la em adoração pelas selvas, como o Ariel benfazejo do Paquequer.</em></p>
<p><em>A sedução do imaginoso romancista criou forte corrente. Todo o clã plumitivo deu de forjar seu indiozinho refegado de Peri e Atala. Em sonetos, contos e novelas, hoje esquecidos, consumiram-se tabas inteiras de aimorés sanhudos, com virtudes romanas por dentro e penas de tucano por fora.</em></p>
<p><em>Vindo o público a bocejar de farto, já céptico ante o crescente desmantelo do ideal, cessou no mercado literário a procura de bugres homéricos, inúbias, tacapes, borés, piágas e virgens bronzeadas. Armas e heróis desandaram cabisbaixos, rumo ao porão onde se guardam os móveis fora de uso, saudoso museu de extintas pilhas elétricas que a seu tempo galvanizaram nervos. E lá acamam poeira cochichando reminiscências com a barba de D. João de Castro, com os frankisks de Herculano, com os frades de Garrett e que tais…</em></p>
<p><em>Não morreu, todavia.</em></p>
<p><em>Evoluiu.</em></p>
<p><em>O indianismo está de novo a deitar copa, de nome mudado. Crismou-se de “caboclismo”. O cocar de penas de arara passou a chapéu de palha rebatido à testa; o ocara virou rancho de sapé; o tacape afilou, criou gatilho, deitou ouvido e é hoje espingarda troxadal o boré descaiu lamentavelmente para pio de inambu; a tanga ascendeu a camisa aberta ao peito.</em></p>
<p><em>Mas o substrato psíquico não mudou: orgulho indomável, independência, fidalguia, coragem, virilidade heróica, todo o recheio em suma, sem faltar uma azeitona, dos Perís e Ubirajaras.</em></p>
<p><em>Estes setembrino rebrotar duma arte morta inda se não desbagoou de todos os frutos. Terá o seu “I Juca Pirama”, o seu “Canto do Piaga” e talvez dê ópera lírica.</em></p>
<p><em>Mas, completado o ciclo, virão destroçar o inverno em flor da ilusão indianista os prosaicos demolidores de ídolos – gente má e sem poesia. Irão os malvados esgaravatar o ícone com as curetas da ciência. E que feias se hão de entrever as caipirinhas cor de jambo de Fagundes Varela! E que chambões e sornas os Peris de calça, camisa e faca à cinta!</em></p>
<p><em>Isso, para o futuro. Hoje ainda há perigo em bulir no vespeiro: o caboclo é o “Ai Jesus!” nacional.</em></p>
<p><em>É de ver o orgulhoso entono com que respeitáveis figurões batem no peito exclamando com altivez: sou raça de caboclo!</em></p>
<p><em>Anos atrás o orgulho estava numa ascendência de tanga, inçada de penas de tucano, com dramas íntimos e flechaços de curare.</em></p>
<p><em>Dia virá em que os veremos, murchos de prosápia, confessar o verdadeiro avô: – um dos quatrocentos de Gedeão trazidos por Tomé de Souza¹ num barco daqueles tempos, nosso mui nobre e fecundo “Mayflower”.</em></p>
<p><em>Porque a verdade nua manda dizer que entre as raças de variado matiz, formadoras da nacionalidade e metidas entre o estrangeiro recente e o aborígene de tabuinha no beiço, uma existe a vegetar de cócoras, incapaz de evolução, impenetrável ao progresso. Feia e sorna, nada a põe de pé.</em></p>
<p><em>Quando Pedro I lança aos ecos o seu grito histórico e o país desperta estrouvinhado à crise duma mudança de dono, o caboclo ergue-se, espia e acocora-se de novo.</em></p>
<p><em>Pelo 13 de Maio, mal esvoaça o florido decreto da Princesa e o negro exausto larga num uf! o cabo da enxada, o caboclo olha, coça a cabeça, ‘magina e deixa que do velho mundo venha quem nele pegue de novo.</em></p>
<p><em>A 15 de Novembro troca-se um trono vitalício pela cadeira quadrienal. O país bestifíca-se ante o inopinado da mudança.² O caboclo não dá pela coisa.</em></p>
<p><em>Vem Florianol estouram as granadas de Custódiol Gumercidndo bate às portas de Roimal Incitatus derranca o país.³ O caboclo continua de cócoras, a modorrar…</em></p>
<p><em>Nada o esperta. Nenhuma ferrotoada o põe de pé. Social, como individualmente, em todos os atos da vida, Jéca, antes de agir, acocora-se.</em></p>
<p><em>Jéca Tatu é um piraquara do Paraíba, maravilhoso epítome de carne onde se resumem todas as características da espécie.</em></p>
<p><em>Hei-lo que vem falar ao patrão. Entrou, saudou. Seu primeiro movimento após prender entre os lábios a palha de milho, sacar o rolete de fumo e disparar a cusparada d’esguicho, é sentar-se jeitosamente sobre os calcanhares. Só então destrava a língua e a inteligência.</em></p>
<p><em>– “Não vê que…</em></p>
<p><em>De pé ou sentado as idéias se lhe entramam, a língua emperra e não há de dizer coisa com coisa.</em></p>
<p><em>De noite, na choça de palha, acocora-se em frente ao fogo para “aquentá-lo”, imitado da mulher e da prole.</em></p>
<p><em>Para comer, negociar uma barganha, ingerir um café, tostas um cabo de foice, fazê-lo noutra posição será desastre infalível. Há de ser de cócoras.</em></p>
<p><em>Nos mercados, para onde leva a quitanda domingueira, é de cócoras, como um faquir do Bramaputra, que vigia os cachinhos de brejaúva ou o feixe de três palmitos.</em></p>
<p><em>Pobre J’[eca Tatu! Como és bonito no romance e feio na realidade!</em></p>
<p><em>Jéca mercador, Jéca lavrador, Jéca fisólofo…</em></p>
<p><em>Quando comparece às feiras, todo mundo logo advinha o que ele traz: sempre coisas que a natureza derrama pelo mato e ao homem só custa o gesto de espichar a mão e colher – cocos de tucum ou jissara, guabirobas, bacuparis, maracujás, jataís, pinhões, orquídeas ou artefatos de taquara-poca – peneiras, cestinhas, samburás, tipitis, pios de caçador ou utensílios de madeira mole – gamelas, pilõesinhos, colheres de pau.</em></p>
<p><em>Nada Mais.</em></p>
<p><em>Seu grande cuidado é espremer todas as conseqüências da lei do menor esforço – e nisto vai longo.</em></p>
<p><em>Começa na morada. Sua casa de sapé e lama faz sorrir aos bichos que moram em toca e gargalhar ao joão-de-barro. Pura biboca de bosquimano. Mobília, nenhuma. A cama é uma espipada esteira de peri posta sobre o chão batido.</em></p>
<p><em>Às vezes se dá ao luxo de um banquinho de três pernas – para hospedes. Três pernas permitem equilíbrio inútil, portanto, meter a Quarta, o que ainda o obrigaria a nivelar o chão. Para que assentos, se a natureza os dotou de sólidos, rachados calcanhares sobre os quais se sentam?</em></p>
<p><em>Nenhum talher. Não é a munheca um talher completo – colher, garfo e faca a um tempo?</em></p>
<p><em>No mais, umas cuias, gamelinhas, um pote esbeiçado, a pichorra e a panela de feijão.</em></p>
<p><em>Nada de armários ou baús. A roupa, guarda-a no corpo. Só tem dois parelhosl um que traz no uso e outro na lavagem.</em></p>
<p><em>Os mantimentos apaióla nos cantos da casa.</em></p>
<p><em>Inventou um cipó preso à cumieira, de gancho na ponta e um disco de lata no alto, alí pendura o toucinho, a salvo dos gatos e ratos.</em></p>
<p><em>Da parede pende a espingarda picapau, o polvarinho de chifre, o S. Benedito defumado, o rabo de tatu e as palmas bentas de queimar durante as fortes trovoadas. Servem de gaveta os buracos da parede.</em></p>
<p><em>Seus remotos avós não gozaram maiores comodidades. Seus netos não meterão Quarta perna ao banco. Para que? Vive-se bem sem isso.</em></p>
<p><em>Se pelotas de barro caem, abrindo seteiras na parede, Jéca não se move a repô-las. Ficam pelo resto da vida os buracos abertos, a entremostrarem nesgas de céu.</em></p>
<p><em>Quando a palha do teto, apodrecida, greta em fendas por onde pinga a chuva, Jéca, em vez de remendar a tortura, limita-se, cada vez que chove, a aparar numa gamelinha a água gotejante…</em></p>
<p><em>Remendo… Para que? Se uma casa dura dez anos e faltam “apenas ” nove para que ele abandone aquela? Esta filosofia economiza reparos.</em></p>
<p><em>Na mansão de Jéca a parede dos fundos bojou para fora um ventre empanzinado, ameaçando ruir; os barrotes, cortados pela umidade, oscilam na podriqueira do baldrame. Afim de neutralizar o desaprumo e prevenir suas conseqüências, ele grudou na parede uma Nossa Senhora enquadrada em moldurinha amarela – santo de mascate.</em></p>
<p><em>– “Por que não remenda essa parede, homem de Deus?</em></p>
<p><em>– “Ela não tem coragem de cair. Não vê a escora?</em></p>
<p><em>Não obstante, “por via das dúvidas” , quando ronca a trovoada Jéca abandona a toca e vai agachar-se no ôco dum velho embirussu do quintal – para se saborear de longe com a eficácia da escora santa.</em></p>
<p><em>Um pedaço de pau dispensaria o milagre! mas entre pendurar o santo e tomar da foice, subir ao morro, cortar a madeira, atorá-la, baldeá-la e especar a parede, o sacerdote da Grande lei do Menor Esforço não vacila. É coerente.</em></p>
<p><em>Um terreirinho descalvado rodeia a casa. O mato o beira. Nem árvores frutíferas, nem horta, nem flores – nada revelador de permanência.</em></p>
<p><em>Há mil razões para isso; porque não é sua a terral porque se o “tocarem” não ficará nada que a outrem aproveite; porque para frutas há o mato; porque a “criação” come; porque…</em></p>
<p><em>– “Mas, criatura, com um vedozinho por ali… A madeira está à mão, o cipó é tanto…”</em></p>
<p><em>Jéca, interpelado, olha para o morro coberto de moirões, olha para o terreiro nu, coça a cabeça e cuspilha.</em></p>
<p><em>– “Não paga a pena”.</em></p>
<p><em>Todo o inconsciente filosofar do caboclo grulha nessa palavra atravessada de fatalismo e modorra. Nada paga a pena. Nem culturas, nem comodidades. De qualquer jeito se vive.</em></p>
<p><em>Da terra só quer a mandioca, o milho e a cana. A primeira, por ser um pão já amassado pela natureza. Basta arrancar uma raiz e deitá-la nas brasas. Não impõe colheita, nem exige celeiro. O plantio se faz com um palmo de rama fincada em qualquer chão. Não pede cuidados. Não a ataca a formiga. A mandioca é sem vergonha.</em></p>
<p><em>Bem ponderado, a causa principal da lombeira do caboclo reside nas benemerências sem conta da mandioca. Talvez que sem ela se pusesse de pé e andasse. Mas enquanto dispuser de um pão cujo preparo se resume no plantar, colher e lançar sobre brasas, Jéca não mudará de vida. O vigor das raças humanas está na razão direta da hostilidade ambiente. Se a poder de estacas e diques o holandês extraiu de um brejo salgado a Holanda, essa jóia do esforço, é que ali nada o favorecia. Se a Inglaterra brotou das ilhas nevoentas da Caledônia, é que lá não medrava a mandioca. Medrasse, e talvez os víssemos hoje, os ingleses, tolhiços, de pé no chão, amarelentos, mariscando de peneira no Tamisa. Há bens que vêm para males. A mandioca ilustra este avesso de provérbio.</em></p>
<p><em>Outro precioso auxiliar da calaçaria é a cana. Dá rapadura, e para Jéca, simplificador da vida, dá garapa. Como não possui moenda, torce a pulso sobre a cuia de café um rolete, depois de bem massetados os nós; açucara assim a beberagem, fugindo aos trâmites condutores do caldo de cana à rapadura.</em></p>
<p><em>Todavia, est modus in rebus. E assim como ao lado do restolho cresce o bom pé de milho, contrasta com a cristianíssima simplicidade do Jéca a opulência de um seu vizinho e compadre que “está muito bem.” A terra onde mora é sua. Possui ainda uma égua, monjolo e espingarda de dois canos. Pesa nos destinos políticos do país com o seu voto e nos econômicos com o polvilho azedo de que é fabricante, tendo amealhado com ambos, voto e polvilho, para mais de quinhentos mil réis no fundo da arca.</em></p>
<p><em>Vive num corrupio de barganhas nas quais exercita uma astúcia nativa muito irmã da de Bertoldo. A esperteza última foi a barganha de um cavalo cego por uma égua de passo picado. Verdade é que a égua mancava das mãos, mas ainda assim valia dez mil réis mais do que o rossinante zanaga.</em></p>
<p><em>Esta e outras celebrizaram-lhe os engrimanços potreiros num raio de mil braças, grangeando-lhe a incondicional e babosa admiração do Jéca, para quem, fino como o compadre, “home” … nem mesmo o vigário de Itaóca!.</em></p>
<p><em>Aos domingos vai à vila bifurcado na magreza ventruda da Serena; leva apenso à garupa um filho e atrás o potrinho no trote, mais a mulher, com a criança nova enrolada no chale. Fecha o cortejo o indefectível Brinquinho, a resfolgar com um palmo de língua de fora.</em></p>
<p><em>O fato mais importante de sua vida é sem dúvida votar no governo. Tira nesse dia da arca a roupa preta do casamento, sarjão furadinho de traça e todo vincado de dobras, entala os pés num alentado sapatão de bezerro; ata ao pescoço um colarinho de bico e, sem gravata, ringindo e mancando, vai pegar o diploma de eleitor às mãos do chefe Coisada, que lho retém para maior garantia da fidelidade partidária.</em></p>
<p><em>Vota. Não sabe em quam, mas vota. Esfrega a pena no livro eleitoral, arabescando o aranhol de gatafunhos a que chama “sua graça”.</em></p>
<p><em>Se há tumulto, chuchurrea de pé firme, com heroísmo, as porretadas oposicionistas, e ao cabo segue para a casa do chefe, de galo cívico na testa e colarinho sungado para trás, afim de novamente lhe depor nas mão o “diploma”.</em></p>
<p><em>Grato e sorridente, o morubixaba galardoa-lhe o heroísmo, flagrantemente documentado pelo latejar do couro cabeludo, com um aperto de munheca e a promessa, para logo, duma inspetoria de quarteirão.</em></p>
<p><em>Representa este freguês o tipo clássico do sitiante já com um pé fora da classe. Exceção, díscolo que é, não vem ao caso. Aqui tratamos da regra e a regra é Jéca Tatu.</em></p>
<p><em>O mobiliário cerebral de Jéca, à parte o suculento recheio de superstições, vale o do casebre. O banquinho de três pés, as cuias, o gancho de toucinho, as gamelas, tudo se reedita dentro de seus miolos sob a forma de idéias: são as noções práticas da vida, que recebeu do pai e sem mudança transmitirá aos filhos.</em></p>
<p><em>O sentimento de pátria lhe é desconhecido. Não tem sequer a noção do país em que vive. Sabe que o mundo é grande, que há sempre terras para diante, que muito longe está a Corte com os graúdos e mais distante ainda a Bahia, donde vêm baianos pernósticos e cocos.</em></p>
<p><em>Perguntem ao Jéca quem é o presidente da República.</em></p>
<p><em>– “O homem que manda em nós tudo?</em></p>
<p><em>– “Sim.</em></p>
<p><em>– “Pois de certo que há de ser o imperador.</em></p>
<p><em>Em matéria de civismo não sobe de ponto.</em></p>
<p><em>– “Guerra? T’esconjuro! Meu pai viveu afundado no mato p’ra mais de cinco anos por causa da guerra grande. (4) Eu, para escapar do “reculutamento”, sou inté capaz de cortar um dedo, como o meu tio Lourenço…</em></p>
<p><em>Guerra, defesa nacional, ação administrativa, tudo quanto cheira a governo resume-se para o caboclo numa palavra apavorante – “reculutamento”.</em></p>
<p><em>Quando em princípios da Presidência Hermes andou na balha um recenseamento esquecido a Offenbach, o caboclo tremeu e entrou a casar em massa. Aquilo “havera de ser reculutamento”, e os casados, na voz corrente, escapavam à redada.</em></p>
<p><em>A sua medicina corre parelhas com o civismo e a mobília – em qualidade. Quantitativamente, assombra. Da noite cerebral pirilampejam-lhe apozemas, cerotos, arrobes e eletuários escapos à sagacidade cômica de Mark Twain. Compendia-os um Chernoviz não escrito, monumento de galhofa onde não há rir, lúgubre como é o epílogo. A rede na qual dois homens levam à cova as vítimas de semelhante farmacopéia é o espetáculo mais triste da roça.</em></p>
<p><em>Quem aplica as mezinhas é o “curador”, um Eusébio Macário de pé no chão e cérebro trancado como muita de taquaruçu. O veículo usual das drogas é sempre a pinga – meio honesto de render homenagem à deusa Cachaça, divindade que entre eles ainda não encontrou heréticos.</em></p>
<p><em>Doenças hajam que remédios não faltam.</em></p>
<p><em>Para bronquite, é um porrete cuspir o doente na boca de um peixe vivo e soltá-lo: o mal se vai com o peixe água abaixo…</em></p>
<p><em>Para “quebranto de ossos”, já não é tão simples a medicação. Tomam-se três contas de rosário, três galhos de alecrim, três limas de bico, três iscas de palma benta, três raminhos de arruda, três ovos de pata preta (com casca; sem casca desanda) e um saquinho de picumã! mete-se tudo numa gamela d’água e banha-se naquilo o doente, fazendo-o tragar três goles da zurrapa. É infalível.</em></p>
<p><em>O específico da brotoeja consiste em cozimento de beiço de pote para lavagens. Ainda há aqui um pormenor de monta; é preciso que antes do banho a mãe do doente molhe na água a ponta de sua trança. As brotoejas saram como por encanto.</em></p>
<p><em>Para dor de peito que “responde na cacunda”, cataplasma de “jasmim de cachorro” é um porrete.</em></p>
<p><em>Além desta alopatia, para a qual contribui tudo quanto de mais repugnante e inócuo existe na natureza, há a medicação simpática, baseada na influição misteriosa de objetos, palavras e atos sobre o corpo humano.</em></p>
<p><em>O ritual bizantino dentro de cujas maranhas os filhos do Jéca vêm ao mundo, e do qual não há fugir sob pena de gravíssimas conseqüências futuras, daria um in-fólio d’alto fôlego ao Sílvio Romero bastante operoso que se propusesse a compendiá-lo.</em></p>
<p><em>Num parto difícil nada tão eficaz como engolir três caroços de feijão mouro, de passo que a parturiente veste pelo avesso a camisa do marido e põe na cabeça, também pelo avesso, o seu chapéu. Falhando esta simpatia, há um derradeiro recurso: colar no ventre encruado a imagem de S. Benedito.</em></p>
<p><em>Nesses momentos angustiosos outra mulher não penetre no recinto sem primeiro defumar-se ao fogo, nem traga na mão caça ou peixe. A criança morreria pagã. A omissão de qualquer destes preceitos fará chover mil desgraças na cabeça do chorincas recém- nascido.</em></p>
<p><em>A posse de certos objetos confere dotes sobrenaturais. A invulnerabilidade às facadas ou cargas de chumbo é obtida graças à flor da samambaia.</em></p>
<p><em>Esta planta, conta Jéca, só floresce uma vez por ano, e só produz em cada samambaial uma flor. Isto à meia noite, no dia de S. Bartolomeu. É preciso ser muito esperto para colhe-la, porque também o diabo anda à cata. Quem consegue pegar uma, ouve logo um estouro e tonteia ao cheiro de enxofre – mas livra-se de faca e chumbo pelo resto da vida.</em></p>
<p><em>Todos os volumes do Larousse não bastariam para catalogar-lhes as crendices, e como não há linhas divisórias entre estas e a religião, confundem-se ambas em maranhada teia, não havendo distinguir onde pára uma e começa outra.</em></p>
<p><em>A idéia de Deus e dos santos torna-se jéco-cêntrica. São os santos os graúdos lá de cima, os coronéis celestes, debruçados no azul para espreitar-lhes a vidinha e intervir nela ajudando-os ou castigando-os, como os metediços deuses de Homero. Uma torcedura de pé, um estrepe, o feijão entornado, o pote que rachou, o bicho que arruinou – tudo diabruras da corte celeste, para castigo de más intenções ou atos.</em></p>
<p><em>Daí o fatalismo. Se tudo movem cordéis lá de cima, para que lutar, reagir? Deus quis. A maior catástrofe é recebida com esta exclamação, muito parenta do “Allah Kébir” do beduíno.</em></p>
<p><em>E na arte?</em></p>
<p><em>Nada.</em></p>
<p><em>A arte rústica do campônio europeu é opulenta a ponto de constituir preciosa fonte de sugestões para os artistas de escol. Em nenhum país o povo vive sem a ela recorrer para um ingênuo embelezamento da vida. Já não se fala no camponês italiano ou teutônico, filho de alfobres mimosos, propícios a todas as florações estéticas. Mas o russo, o hirsuto mujique a meio atolado em barbarie crassa. Os vestuários nacionais da Ucrânia nos quais a cor viva e o sarapantado da ornamentação indicam a ingenuidade do primitivo, os isbas da Lituânia, sua cerâmica, os bordados, os móveis, os utensílios de cozinha, tudo revela no mais rude dos campônios o sentimento da arte.</em></p>
<p><em>No samoieda, no pele-vermelha, no abexim, no Papua, un arabesco ingênuo costuma ornar-lhes as armas – como lhes ornam a vida canções repassadas de ritmos sugestivos.</em></p>
<p><em>Que nada é isso, sabido como já o homem pré-histórico, companheiro do urso das cavernas, entalhava perfis de mamutes em chifres de rena.</em></p>
<p><em>Egresso à regra, não denuncia o nosso caboclo o mais remoto traço de um sentimento nascido com o troglodita.</em></p>
<p><em>Esmerilhemos o seu casebre: que é que ali denota a existência do mais vago senso estético? Uma chumbada no cabo do relho e uns ziguezagues a canivete ou fogo pelo roliço do porretinho de guatambú. É tudo.</em></p>
<p><em>Às vezes surge numa família um gênio musical cuja fama esvoaça pelas redondezas. Ei-lo na viola concentra-se, tosse, cuspilha o pigarro, fere as cordase “tempera” , E fica nisso, no tempero.</em></p>
<p><em>Dirão: e a modinha?</em></p>
<p><em>A modinha, como as demais manifestações de arte popular existentes no país, é obra do mulato, em cujas veias o sangue recente do europeu, rico de atavismos estéticos, borbulha d’envolta com o sangue selvagem, alegre e são do negro.</em></p>
<p><em>O caboclo é soturno.</em></p>
<p><em>Não canta senão rezas lúgubres.</em></p>
<p><em>Não dança senão o cateretê aladainhado.</em></p>
<p><em>Não esculpe o cabo da faca, como o cabila.</em></p>
<p><em>Não compõe sua canção, como o felá do Egito.</em></p>
<p><em>No meio da natureza brasílica, tão rica de formas e cores, onde os ipês floridos derramam feitiços no ambiente e a infolhescência dos cedros, às primeiras chuvas de setembro, abre a dança dos tangarás; onde há abelhas de sol, esmeraldas vivas, cigarras, sabiás, luz, cor, perfume, vida dionisíaca em escachôo permanente, o caboclo é o sombrio urupê de pau podre a modorrar silencioso no recesso das grotas.</em></p>
<p><em>Só ele não fala, não canta, não ri, não ama.</em></p>
<p><em>Só ele, no meio da tanta vida, não vive…</em></p>
<p><em><span style="color: #000000;"><strong>(5) </strong></span>O livro Urupês foi lançado em 1918 (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/189740/2337">Vida Moderna, 11 de julho de 1918</a>;<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/178691_04/39898"> O Paiz, 14 de agosto de 1918, terceira coluna</a>). No mesmo ano foi lançada uma segunda edição (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/259063/31068">Fon-Fon, 21 de setembro de 1918</a>).</em></p>
<p><em> </em></p>
<div id="attachment_26198" style="width: 282px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Urup%C3%AAs_(livro)#/media/Ficheiro:Urup%C3%AAs_capa_(1918).jpeg" target="_blank"><img class="size-full wp-image-26198" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2021/11/urupes.jpg" alt="Capa da primeira edição do livro Urupês, de Monteiro Lobato, com ilustração de " width="272" height="417" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Urup%C3%AAs_(livro)#/media/Ficheiro:Urup%C3%AAs_capa_(1918).jpeg" target="_blank">Capa da primeira edição do livro Urupês, de Monteiro Lobato, com ilustração de José Wasth Rodrigues (1891 &#8211; 1957)</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_26203" style="width: 712px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2021/11/urupesarua13718.jpg"><img class="wp-image-26203 size-full" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2021/11/urupesarua13718.jpg" alt="urupesarua13718" width="702" height="270" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="http://memoria.bn.br/DocReader/236403/6624" target="_blank"><em>A Rua</em>, 13 de julho de 1918</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p><a href="http://memoria.bn.br/DocReader/259063/30961" target="_blank"><img class="  wp-image-26205 aligncenter" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2021/11/lobato-1024x451.jpg" alt="lobato" width="768" height="338" /></a></p>
<div id="attachment_26206" style="width: 590px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://memoria.bn.br/DocReader/259063/30961" target="_blank"><img class="wp-image-26206 size-full" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2021/11/lobato1.jpg" alt="lobato1" width="580" height="193" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="http://memoria.bn.br/DocReader/259063/30961" target="_blank"><em>Fon-Fon</em>, 7 de setembro de 1918</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>Reunia os artigos <em>Velha Praga</em> e <em>Urupês</em>, ambos, como já mencionado, publicados no <em>O Estado de São Paulo</em>, em 1914, além de mais 12 contos, escritos entre 1915 e 1917: <em>O estigma</em>, <em>Bocatorta</em>, <em>O mata-pau</em>, <em>Bucólica</em>, <em>Meu conto de Maupassant</em>, <em>A colcha de retalhos</em>, <em>Pollice Verso</em>, <em>O engraçado arrependido, Um suplício moderno, O comprador de fazendas, Os faroleiros</em> e<em> A Vingança da Peroba. </em>A maior parte dos contos já havia sido publicado na <em>Revista do Brasil</em>, lançada em janeiro de 1916 e adquirida por Lobato em junho de 1918.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Andrea C. T. Wanderley</p>
<p>Editora e pesquisadora da Brasiliana Fotográfica</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?feed=rss2&#038;p=26164</wfw:commentRss>
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		</item>
		<item>
		<title>O fotógrafo, desenhista e engenheiro alemão Franz Keller-Leuzinger (1835 &#8211; 1890)</title>
		<link>https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=25046</link>
		<comments>https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=25046#comments</comments>
		<pubDate>Tue, 28 Sep 2021 20:35:43 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Andrea Wanderley]]></dc:creator>
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		<description><![CDATA[Com um pequeno perfil do fotógrafo, desenhista e engenheiro alemão Franz (Francisco) Keller-Leuzinger, um dos primeiros viajantes estrangeiros a documentar a região amazônica, a Brasiliana Fotográfica publica a 50ª cronologia de um fotógrafo do século XIX. Todas elas podem ser encontradas na seção do portal intitulada “Cronologia de Fotógrafos". A ideia da criação desta seção, compilando todas as cronologias escritas pela pesquisadora e editora do portal, Andrea C. T. Wanderley, foi de Joaquim Marçal, coordenador da BN Digital, da Fundação Biblioteca Nacional, e um dos curadores da Brasiliana Fotográfica. Com a publicação dessas 50 cronologias, o portal acredita estar contribuindo para a historiografia da fotografia no Brasil. ]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_25387" style="width: 345px" class="wp-caption alignleft"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2021/08/franz1.jpg"><img class=" wp-image-25387" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2021/08/franz1.jpg" alt="Franz Keller-Leuzinger /  Xilogravura de Adolf Cloß publicada no livro , em 1874" width="335" height="388" /></a><p class="wp-caption-text">Franz Keller-Leuzinger / Xilogravura de Adolf Cloß publicada no livro <em>Do Amazonas ao Madeira</em>, em 1874</p></div>
<p>O  engenheiro, fotógrafo e desenhista alemão Franz (Francisco) Keller-Leuzinger nasceu em Mannhein, em 30 de agosto de 1835, e foi um dos primeiros viajantes estrangeiros a documentar a região amazônica. Chegou ao Rio de Janeiro com seu pai, o também engenheiro Joseph (José) Keller (1811 &#8211; 1877), em 27 de dezembro de 1855, vindos do Havre, na galera francesa <em>Dom Pedro II. </em></p>
<p>Ao longo da década de 60, Franz acompanhou o pai em levantamentos do rio Paraná, na região entre Campo Belo e Barra do Piraí; dos vales do rio Paraíba e Pomba, dos rios Iguaçu, Paranapanema e Tibagi. Dessas investigações resultaram relatórios publicados pelo Ministério da Agricultura (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/313394x/24028" target="_blank"><em>Almanak Administrativo, Mercantil e Industrial do Rio de Janeiro</em>, 1865</a>; <a href="http://memoria.bn.br/DocReader/709506/6954" target="_blank"><em>O Cearense</em>, 2 de dezembro de 1865, terceira coluna</a>; <a href="http://memoria.bn.br/DocReader/416398/4196" target="_blank"><em>Dezenove de Dezembro</em>, 20 de dezembro de 1865, última coluna</a>). Nessas expedições, como na que participou à Amazônia, em 1867, Franz registrava em notas, desenhos e aquarelas, vistas locais da fauna e flora, aspectos arqueológicos e etnográficos das regiões por onde passava.</p>
<p>Em junho de 1867, ele e seu pai estudavam mapas e planos da expedição ao Paraná quando foram comissionados pelo Ministério da Agricultura, Comércio e Obras para explorar os rios Amazonas e Madeira para sondar a possibilidade da construção de uma ferrovia, a <a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=10460" target="_blank">Madeira-Mamoré</a>, costeando suas margens para contornar corredeiras que tornavam impossível a navegação a vapor em parte dos rios. A comissão da expedição pelo governo imperial foi motivada pela abertura da navegação do rio Amazonas para as nações estrangeiras, estabelecido pelo <a href="https://www2.camara.leg.br/legin/fed/decret/1824-1899/decreto-3749-7-dezembro-1866-554560-publicacaooriginal-73201-pe.html" target="_blank">Decreto Imperial nº 3749</a> ,de 7 de dezembro de 1866, e pelo novo acordo sobre fronteiras e comércio com a Bolívia firmado, em 27 de março de 1867, pelo diplomata pernambucano, o Conselheiro Felipe Lopez Netto (1814 &#8211; 1895) (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/169331/1963" target="_blank"><em>Publicação do Governo do Amazonas</em>, 24 de agosto de 1868</a>; <a href="http://memoria.bn.br/DocReader/364568_06/9000" target="_blank"><em>Jornal do Commercio</em>, 15 de julho de 1872, quinta coluna</a>).</p>
<p>Franz e Joseph embarcaram no Rio de Janeiro rumo ao Pará, em 15 de novembro de 1867, no paquete <em>Paraná</em>. O fotógrafo <a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=5045" target="_blank">Christoph Albert Frisch (1840 – 1918)</a>, comissionado por seu patrão, o fotógrafo e editor suíço <a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=2492" target="_blank">Georges Leuzinger (1813 &#8211; 1892)</a>, acompanhou a expedição até Manaus, levando um escravizado. Também estavam no navio a esposa de Franz, Sabine Christine Leuzinger (1842-1915), e sua irmã, Pauline.  Sabine era a filha primogênita de Leuzinger <a href="http://memoria.bn.br/DocReader/DocReader.aspx?bib=367737&amp;PagFis=247" target="_blank">(<em>Diário do Povo,</em> de 15 de novembro de 1867, primeira coluna)</a>. Algumas fontes informam que Franz teria, em meados da década de 60, assumido a seção de fotografia da empresa de seu sogro, criada em 1865, e que teria, inclusive, ensinado a <a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=13570" target="_blank">Marc Ferrez (1843 &#8211; 1923) </a>a arte da fotografia. Porém, a participação de Franz Keller no ateliê fotográfico de Leuzinger é questionável e, na verdade, até hoje não foi comprovada. Lembramos que na década de 1860, como já mencionado, Franz fez diversas viagens pelo Brasil com seu pai, explorando rios do país sob contrato do governo imperial, o que tornaria difícil a possibilidade dele dirigir o estabelecimento fotográfico de seu sogro.</p>
<p>Voltando à expedição amazônica. Frisch acompanhou os engenheiros somente até Manaus e permaneceu na Amazônia até novembro de 1868, tendo realizado, no período, a impressionante e pioneira série de 98 fotografias na Amazônia: foram os primeiros registros que chegaram até nós de <a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=11371" target="_blank">índios brasileiros</a> da região, além de aspectos da fauna e da flora e de barqueiros de origem boliviana que atuavam como comerciantes itinerantes nos rios amazônicos. Esse trabalho começou a ser comercializado a partir de um catálogo publicado pela Casa Leuzinger, <em><a href="http://objdigital.bn.br/objdigital2/acervo_digital/div_iconografia/icon856986/icon856986.pdf" target="_blank">Resultat d’une expédition phographique sur le Solimões ou Alto Amazonas et Rio Negro</a></em>.</p>
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<div id="attachment_25886" style="width: 470px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://objdigital.bn.br/objdigital2/acervo_digital/div_iconografia/icon856986/icon856986.pdf" target="_blank"><img class="wp-image-25886 size-full" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2021/09/frisch3.jpg" alt="fresco3" width="460" height="474" /></a><p class="wp-caption-text">Acervo FBN</p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>A expedição dos Keller durou até dezembro de 1868, quando voltaram ao Rio de Janeiro. Apresentaram propostas prevendo a construção de um sistema de planos inclinados capaz de permitir aos navios a superação dos declives do leito do Madeira e Mamoré, a abertura de um canal de navegação na margem direita das cachoeiras ou a construção de uma estrada de ferro entre Santo Antônio e Guajará-Mirim.</p>
<p>Em 1874, já de volta à Alemanha, Franz publicou o livro ilustrado <em>Do Amazonas ao Madeira, </em>com anotações, desenhos e aquarelas da expedição de 1867/1868. Foi editado em Londres pela Chapman &amp; Hall e também foi feita uma edição alemã. No livro, descreveu o rio e seus afluentes, as tribos nativas que encontraram, além dos animais e vegetações da floresta virgem dos rios Amazonas e Madeira. A expedição dos Keller se expandiu até o leste da Bolívia. Franz dedicou um capítulo aos índios Mojo daquela região e à história de suas interações com as missões jesuíticas.</p>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_25389" style="width: 441px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://www2.senado.leg.br/bdsf/item/id/227325" target="_blank"><img class="size-full wp-image-25389" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2021/08/amazon.jpg" alt="Capa da edição inglesa do livro Amazonas e , 1874" width="431" height="538" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://www2.senado.leg.br/bdsf/item/id/227325" target="_blank">Capa da edição inglesa do livro <em>Do Amazonas ao Madeira</em>, 1874</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>Na introdução a seus relatos, Franz chamava a atenção das autoridades brasileiras para a adoção de três providências que ele considerava prioritárias para o progresso do país: a abolição da escravatura, o incentivo à imigraçao de colonos da Alemanha para desenvolver a agricultura e a modernização dos meios de transportes para integrar o território nacional. Também assumia a autoria das ilustrações.</p>
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<p style="text-align: center;"><span style="color: #800000;"><strong><em>&#8220;As ilustrações, que considero suplementos indispensáveis à descrição de cenas que nos são tão estranhas, originam-se de esboços feitos no local e que, para preservar-lhes a mais alta fidelidade, desenhei eu mesmo&#8221;.</em></strong></span></p>
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<div style="width: 711px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/4372" target="_blank"><img src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/bitstream/handle/20.500.12156.1/4372/SAm21-0007.jpg.jpg?sequence=2&amp;isAllowed=y" alt="Miniatura" width="701" height="566" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/4372" target="_blank">Franz Keller. Alto Madeira (Afluente do rio Amazonas), c. 1874. Amazonas / Convênio Instituto Moreira Salles &#8211; Leibniz-Institut fuer Laenderkunde</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>Franz Keller-Leuzinger esteve no Brasil na década de 1880 e faleceu em Munique, na Alemanha, em 18 de julho de 1890.</p>
<p><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/discover?query=franz" target="_blank"><strong>Acessando o link para as fotografias de Franz Keller-Leuzinger disponíveis na Brasiliana Fotográfica, o leitor poderá magnificar as imagens e verificar todos os dados referentes a elas.</strong></a></p>
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<p style="text-align: center;"><span style="color: #800000;"><em><strong>Cronologia de Franz Keller-Leuzinger (1835 &#8211; 1890)</strong></em></span></p>
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<div id="attachment_25406" style="width: 673px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://www.wikidata.org/wiki/Q10285577#/media/File:Franz_Keller-Leuzinger_(1835-1890)_(cropped).png" target="_blank"><img class="wp-image-25406" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2021/08/keller4.jpg" alt="porão 4" width="663" height="211" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://www.wikidata.org/wiki/Q10285577#/media/File:Franz_Keller-Leuzinger_(1835-1890)_(cropped).png" target="_blank">Assinatura de Franz Keller-Leuzinger</a></p></div>
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<p><span style="color: #800000;"><strong>1835</strong> </span>- Nascimento de Franz Keller, em Mannheim, na Alemanha, em 30 de agosto de 1835, filho do cartógrafo, desenhista e engenheiro Joseph (José) Keller (1811 &#8211; 1877), diplomado pela Universidade de Karlsruhe, que havia trabalhado como inspetor de estrada do Grão Ducado de Baden. Franz era irmão do pintor Ferdinand (Fernando) Keller (1842 &#8211; 1922).</p>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_25109" style="width: 711px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2021/07/ferdinand1.jpg"><img class=" wp-image-25109" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2021/07/ferdinand1.jpg" alt="Ferdinand Keller por Christian Wilhelm Allers / Wikipedia" width="701" height="411" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2021/07/ferdinand1.jpg" target="_blank">Ferdinand Keller por Christian Wilhelm Allers / Wikipedia</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p><span style="color: #800000;"><strong>1855</strong> </span><strong>-</strong> Chegou, em 27 de dezembro, ao Rio de Janeiro com seu pai. Vieram do Havre, na galera francesa <em>Dom Pedro II. </em>Diversas fontes afirmam que Ferdinand, seu irmão, teria vindo com eles, mas nas notícias de jornal só constam os nomes de Joseph e Franz. Certamente Ferdinand passou um período no Brasil, mas provavelmente veio depois de seu pai e irmão (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/090000/450" target="_blank"><em>Correio da Tarde</em>, 27 de dezembro de 1855, última coluna</a>; <a href="http://memoria.bn.br/DocReader/094170_01/42349" target="_blank"><em>Diário do Rio de Janeiro</em>, 28 de dezembro de 1855, última coluna</a>; <a href="http://memoria.bn.br/DocReader/217280/11300" target="_blank"><em>Correio Mercantil</em>, 28 de dezembro de 1855, segunda coluna</a>).</p>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_25211" style="width: 329px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://memoria.bn.br/docreader/094170_01/42349"><img class="size-full wp-image-25211" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2021/07/havre.jpg" alt="Diário do Rio de Janeiro, 28 de dezembro de 1855" width="319" height="170" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="http://memoria.bn.br/docreader/094170_01/42349" target="_blank"><em>Diário do Rio de Janeiro</em>, 28 de dezembro de 1855</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p><span style="color: #800000;"><strong>1856</strong> </span>- No <a href="http://memoria.bn.br/DocReader/313394x/9444" target="_blank"><em>Almanak Administrativo, Mercantil e Industrial do Rio de Janeiro</em> de 1856</a>, foi mencionado que Joseph Keller poderia ser contratado para a construção da estrada de Mangaratiba ou da de Ubatuba caso o desembargador J.J. Pacheco, presidente da Companhia da Estrada de Mangaratiba, fizesse um contrato com o presidente de São Paulo para uma outra estrada de carros de Taubaté a Ubatuba.</p>
<p>Joseph e um ajudante trabalharam para o Governo da Província do Rio de Janeiro para a <em>ratificação de plantas para a estrada de Petrópolis ao Parahybuna</em> . Franz seria o ajudante? (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/217280/11761" target="_blank"><em>Correio Mercantil</em>, 21 de abril de 1856, quarta coluna</a>).</p>
<p><em>Incitados pela lisonjeira recepção que fizemos a seus compatriotas, os engenheiros Keller, </em>vários arquitetos da Escola Politécnica de Karslruhe, no Grão Ducado de Baden, vieram para o Brasil, dentre eles Theodore Marx (1833 &#8211; 1890), que viria a ser um dos construtores do Palácio da Quinta da Boa Vista (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/217280/11972" target="_blank"><em>Correio Mercantil</em>, 12 de junho de 1856, terceira coluna</a>).</p>
<p><span style="color: #800000;"><strong>1857</strong></span> &#8211; Seu pai, como engenheiro, e ele e Carlos Keller como ajudantes, haviam sido contratados pela Companhia União Indústria. Qual seria o parentesco de Carlos Keller com eles? Sobrinho e primo? Filho e irmão? Ou seria o filho de Johann Nepomuk Keller, o engenheiro Carlos Keller (1839 &#8211; 1928), futuro reitor do Instituto de Tecnologia de Karlsruhe? Uma coincidência: o pai do fotógrafo Chistophe Albert Frisch (1840 &#8211; 1918), tinha Nepomuk em seu sobrenome: chamava-se Johanes Nepomuk Frisch. Caso isso indique algum parentesco, Frisch e Franz Keller possivelmente já se conheciam antes de virem para o Brasil.</p>
<p>O diretor-presidente da Companhia União Indústria era o comendador Mariano Procópio Ferreira Lage (1821 &#8211; 1872). A capacidade de Joseph Keller já era <em>abonada pelos trabalhos executados na Europa sob sua direção</em> (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/765040/91" target="_blank"><em>Relatório Companhia União Indústria</em>, 24 de agosto de 1857</a>). Sobre o trabalho para o qual havia sido contratado, <em>uma linha de estrada entre  Pedro do Rio e a villa da Parahyba, Três Barras e a ponte do Parahybuna</em>, apresentou um relatório ao comendador (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/765040/114" target="_blank"><em>Relatório Companhia União Indústria</em>, 24 de agosto de 1857</a>; <a href="http://memoria.bn.br/DocReader/364568_04/11825" target="_blank"><em>Jornal do Commercio</em>, 31 de agosto de 1857, quarta coluna</a>).</p>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_25110" style="width: 303px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://www.espeschit.com.br/historia/uniao_e_industria/mariano_procopio/" target="_blank"><img class="size-full wp-image-25110" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2021/07/procopio.jpg" alt="O engenherio e poítico Mariano Procópio Ferreira Lage" width="293" height="481" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://www.espeschit.com.br/historia/uniao_e_industria/mariano_procopio/" target="_blank">O comendador Mariano Procópio Ferreira Lage / Site Familia Espeschi</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_25065" style="width: 710px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://memoria.bn.br/docreader/765040/91" target="_blank"><img class=" wp-image-25065" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2021/07/oskeller.jpg" alt="Relatório da Companhia União Indústria, 1857" width="700" height="315" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="http://memoria.bn.br/docreader/765040/91" target="_blank"><em>Relatório da Companhia União Indústria</em>, 24 de agosto de 1857</a><strong>(1)</strong></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p><span style="color: #800000;"><strong>1861 / 1862</strong></span> &#8211; Em 30 de abril de 1861, Joseph Keller apresentou ao comendador Mariano Procópio um relatório sobre o estado da estrada entre a ponte do Paraíba e Juiz de Fora (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/765040/235" target="_blank"><em>Relatório da Companhia União Indústria</em>, 15 de junho de 1861</a>). Foi expedida pelo Ministério da Agricultura a ordem para o pagamento dos engenheiros Joseph e Franz Keller pela exploração do rio Paraíba (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/231444/2305" target="_blank"><em>Boletim do Expediente do Governo: Ministério do Império</em>, novembro de 1861</a>); <a href="http://memoria.bn.br/DocReader/217280/20302" target="_blank"><em>Correio Mercantil</em>, 7 de abril de 1862, terceira coluna</a>; <a href="http://memoria.bn.br/DocReader/231444/2941" target="_blank"><em>Boletim do Expediente do Governo: Ministério do Império</em>, junho de 1862)</a>. Entre esse ano e 1867, Franz acompanhou o pai em levantamentos no mencionado rio, na região entre Campo Belo e Barra do Piraí; nos vales do rio Paraíba e Pomba, nos rios Iguaçu, Paranapanema e Tibagi. Dessas investigações resultam relatórios publicados pelo Ministério da Agricultura (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/094170_02/18661" target="_blank"><em>Diário do Rio de Janeiro</em>, 17 de junho de 1864, quaarta coluna</a>; <a href="http://memoria.bn.br/DocReader/313394x/24028" target="_blank"><em>Almanak Administrativo, Mercantil e Industrial do Rio de Janeiro</em>, 1865</a>; <a href="http://memoria.bn.br/DocReader/709506/6954" target="_blank"><em>O Cearense</em>, 2 de dezembro de 1865, terceira coluna</a>; <a href="http://memoria.bn.br/DocReader/416398/4196" target="_blank"><em>Dezenove de Dezembro</em>, 20 de dezdembro de 1865, última coluna</a>; <a href="http://memoria.bn.br/DocReader/416398/4224" target="_blank"><em>Dezenove de Dezembro</em>, 13 de janeiro de 1866, primeira coluna</a>).</p>
<p><span style="color: #800000;"><strong>1862</strong></span> &#8211; Seu irmão, Ferdinand, voltou do sul do Brasil, a bordo do patacho <em>Guasca</em> (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/364568_05/3360" target="_blank"><em>Jornal do Commercio</em>, 26 de fevereiro de 1862, terceira coluna</a>). Retornou à Alemanha e ingressou na Academia de Belas Artes de Karlsruhe, estudando sob a tutela do paisagista alemão Johann Wilhelm Schirmer (1807 &#8211; 1863).</p>
<p>Franz fotografou a Quinta da Boa Vista, em <a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=13670" target="_blank">São Cristóvão</a>.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><div style="width: 711px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/15" target="_blank"><img src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/bitstream/handle/20.500.12156.1/15/imagem.jpg.jpg?sequence=2&amp;isAllowed=y" alt="Miniatura" width="701" height="463" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/15" target="_blank">Franz Keller. St. Christovão; [Rio Joana e vegetação na Quinta da Boa Vista], 1862. Rio de Janeiro, RJ / Acervo FBN</a></p></div><strong><span style="color: #800000;">c. 1863</span></strong> &#8211;  O fotógrafo carioca <a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=13570" target="_blank">Marc Ferrez (1843 &#8211; 1923) </a>retornou da Europa ao Brasil. Segundo seu neto, o historiador Gilberto Ferrez (1908 &#8211; 2000), Marc teria aprendido a arte da fotografia com Franz Keller (1835 &#8211; 1890), que em torno dessa data teria assumido a seção de fotografia da empresa de seu sogro, o fotógrafo e editor suíço <a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=2492" target="_blank">Georges Leuzinger (1813 &#8211; 1892)</a>, criada em 1865. Uma carta enviada em 17 de janeiro de 1923 por um amigo de Ferrez, Luiz Carlos Franco, a seus filhos Julio e Luciano, após a a morte do fotógrafo, confirma que Ferrez havia trabalhado para Leuzinger. Porém, a participação de Franz Keller como diretor do ateliê fotográfico de Leuzinger é questionável e, na verdade, até hoje não foi comprovada. Além disso, na década de 1860, como já mencionado, Franz fez diversas viagens pelo Brasil com seu pai explorando rios do país sob contrato do governo imperial, o que tornaria difícil a possibilidade dele dirigir o estabelecimento fotográfico de seu sogro.</p>
<p><span style="color: #800000;"><strong>1864</strong></span> &#8211; Franz e seu pai, Joseph, embarcaram rumo a Campos no vapor <em>Ceres</em> (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/217280/23281" target="_blank"><em>Correio Mercantil</em>, 1º de maio de 1864, segunda coluna</a>).</p>
<p>Em ato oficial, de 24 de dezembro de 1864, do ministro de Estado dos Negócios da Agricultura Comércio e Obras Públicas, assinado pelo ministro Jesuino Marcondes de Oliveira e Sá (1827 &#8211; 1903), Franz e Joseph Keller foram encarregados de estudar o rio Ivahy (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/217280/24248" target="_blank"><em>Correio Mercantil</em>, 1º de janeiro de 1865, segunda coluna</a>; <a href="http://memoria.bn.br/DocReader/705110/1910" target="_blank"><em>Jornal do Recife</em>, 22 de novembro de 1865, última coluna</a><a href="http://memoria.bn.br/DocReader/217280/24248" target="_blank">).</a></p>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_25067" style="width: 478px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://memoria.bn.br/DocReader/217280/24248" target="_blank"><img class="size-full wp-image-25067" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2021/07/ivahy.jpg" alt="Correio Mercantil, 1º de janeiro de 1865" width="468" height="491" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="http://memoria.bn.br/DocReader/217280/24248" target="_blank"><em>Correio Mercantil</em>, 1º de janeiro de 1865</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>Franz Keller chegou a Santos na companhia de um <em>criado</em>, no vapor <em>Dom Affonso</em>, procedente de Santa Catarina com escalas (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/090972_02/1591" target="_blank"><em>Correio Paulistano</em>, 29 de outubro de 1865, primeira coluna</a>).</p>
<p>Integrou-se à Expedição do Avaí, quando produziu aquarelas da região.</p>
<p><span style="color: #800000;"><strong>1865</strong></span> &#8211; Foram publicadas notícias sobre o relatório elaborado pelos engenheiros Keller sobre a navegabilidade do rio Paraiba (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/313394x/23986" target="_blank"><em>Almanak Administrativo, Mercantil e Industrial do Rio de Janeiro</em>, 1865</a>).</p>
<p><span style="color: #800000;"><strong>1866</strong></span> &#8211; Foram publicadas notícias sobre o relatório elaborado pelos engenheiros Keller sobre a navegabilidade do rio Ivahy (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/217280/25736" target="_blank"><em>Correio Mercantil</em>, 16 de janeiro de 1866, penúltima coluna</a>).</p>
<p>Joseph e Franz foram contratados pelo governo do Paraná para a realização do levantamento e da impressão da carta corográfica do estado (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/416398/4283" target="_blank"><em>Dezenove de Dezembro</em>, 28 de março de 1966, primeira coluna</a>).</p>
<p>No dia 24 de julho, Franz e Joseph Keller partiram de Curitiba para explorar o rio Iguaçu. Também faziam parte do grupo o agrimensor Julio Kalkman e o intérprete Fructuoso Antonio de Moraes Dutra, além de 24 tripulantes das oito canoas da expedição (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/416398/4303" target="_blank"><em>Dezenove de Dezembro</em>, 14 de abril de 1866, última coluna</a>; <a href="http://memoria.bn.br/DocReader/416398/4398" target="_blank"><em>Dezenove de Dezembro</em>, 4 de julho de 1866, primeira coluna</a>; <a href="http://memoria.bn.br/DocReader/217280/26509" target="_blank"><em>Correio Mercantil</em>, 30 de julho de 1866, última coluna</a>).</p>
<p>Em 7 de dezembro, o <a href="https://www2.camara.leg.br/legin/fed/decret/1824-1899/decreto-3749-7-dezembro-1866-554560-publicacaooriginal-73201-pe.html" target="_blank">Decreto Imperial nº 3749</a> autorizou a abertura da navegação do rio Amazonas para outras nações, após pressões internacionais, vindas principalmente dos Estados Unidos. Foi nesse contexto que, no ano seguinte, Franz e Joseph Keller foram encarregados pelo Império do Brasil para a exploração de rios do Norte do país.</p>
<div class="textoNorma">
<p style="text-align: center;"><a href="https://www2.camara.leg.br/legin/fed/decret/1824-1899/decreto-3749-7-dezembro-1866-554560-publicacaooriginal-73201-pe.html#:~:text=Abrindo%20os%20rios%20Amazonas%2C%20Tocantins,%2C%20Madeira%2C%20Negro%20e%20S.&amp;text=No%20intuito%20de%20promover%20o,dos%20rios%20Tocantins%20e%20S." target="_blank"><em><strong>DECRETO Nº 3.749, DE  7 DE DEZEMBRO DE 1866</strong></em></a></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><em>&#8220;Abrindo os rios Amazonas, Tocantins, Tapajós, Madeira, Negro e S. Francisco á navegação dos navios mercantes de todas as nações.</em></p>
<div class="texto">
<p><em><span style="font-family: ti;">No intuito de promover o engrandecimento do Imperio, facilitando cada vez mais as suas relações internacionaes, e animando a navegação e o commercio do rio Amazonas e seus affluentes, dos rios Tocantins e S. Francisco, ouvido o Meu Conselho de Estado, Hei por bem Decretar o seguinte:</span></em></p>
<p align="justify"><em><span style="font-family: ti;">    Art. 1º Ficará aberta, desde o dia 7 de Setembro de 1867, aos navios mercantes de todas as nações, a navegação do rio Amazonas até á fronteira do Brasil, do rio Tocantins até Cametá, do Tapajós até Santarem, do Madeira até Borba, e do rio Negro até Manáos.</span></em></p>
<p align="justify"><em><span style="font-family: ti;">    Art. 2º Na mesma data fixada no art. 1º ficará igualmente aberta a navegação do rio S. Francisco até á Cidade do Penedo.</span></em></p>
<p align="justify"><em><span style="font-family: ti;">    Art. 3º A navegação dos affluentes do Amazonas, na parte em que só uma das margens pertence ao Brasil, fica dependendo de prévio ajuste com os outros Estados ribeirinhos sobre os respectivos limites e regulamentos policiaes e fiscaes.</span></em></p>
<p align="justify"><em><span style="font-family: ti;">    Art. 4º As presentes disposições em nada alterão a observancia do que prescrevem os Tratados vigentes de navegação e commercio com as Republicas do Perú e de Venezuela, conforme os regulamentos já expedidos para esse fim.</span></em></p>
<p align="justify"><span style="font-family: ti;"> <em>   Art. 5º Os Meus Ministros e Secretarios de Estado, pelas Repartições competentes, promoveráõ os ajustes de que trata o art. 3º, e expediráõ as ordens e regulamentos necessarios para a effectiva execução deste Decreto.</em></span></p>
<p align="justify"><em><span style="font-family: ti;">    Antonio Coelho de Sá e Albuquerque, do Meu Conselho, Senador do Imperio, Ministro e Secretario de Estado dos Negocios Estrangeiros, assim o tenha entendido e faça executar.</span></em></p>
<p align="justify"><em><span style="font-family: ti;">Palacio do Rio de Janeiro em sete de Dezembro de mil oitocentos sessenta e seis, quadragesimo quinto da Independencia e do Imperio.</span></em></p>
<p align="justify"><em><span style="font-family: ti;">Com a Rubrica de Sua Magestade o Imperador.</span></em></p>
<p align="justify"><em><span style="font-family: ti;">Antonio Coelho de Sá e Albuquerque.</span></em></p>
</div>
</div>
<div class="rodapeTexto">
<div class="texto"><em>Este texto não substitui o original publicado no Coleção de Leis do Império do Brasil de 1866&#8243;</em></div>
</div>
<p>&nbsp;</p>
<p><span style="color: #800000;"><strong>1867</strong></span> &#8211; O presidente da província do Paraná mandou sustar a exploração do rio Iguassu, cujos encarregados eram Joseph e Franz Keller (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/709557/1655" target="_blank"><em>Diário de São Paulo</em>, 23 de janeiro de 1867, primeira coluna</a>).</p>
<p>Foi assinado, em 27 de março, e selado, em 23 de novembro, o <a href="http://info.lncc.br/btt1867.html" target="_blank">Tratado de Ayacucho</a>, entre o Brasil e a Bolívia, que definia os limites entre os dois países.</p>
<p>Franz casou-se com Sabine Christine Leuzinger (1842-1915), filha primogênita do fotógrafo, livreiro e editor suíço Georges Leuzinger (1813-1892), adotando também o sobrenome do sogro, passando a assinar Franz Keller-Leuzinger.</p>
<p>Por portaria de 10 de outubro de 1867, Franz e seu pai, Joseph Keller<em>, </em>foram <em>incumbidos pelo governo imperial de explorar o rio Madeira na parte encachoeirada dele, desde Santo Antonio até a barra do rio Mamoré, e de elaborar os projetos mais apropriados para o melhoramento dessa importante via de comunicação com a província de Mato Grosso e a república da Bolívia. </em><em>Relatório da exploração do rio Madeira na parte compreendida ente a cachoeira de Santo Antônio e a barra do Mamoré</em> (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/222402/1365" target="_blank"><em>Diário de Belém</em>, 10 de outubro de 1869, última coluna</a>).</p>
<p>Em 15 de novembro, embarcaram no Rio de Janeiro rumo ao Pará (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/DocReader.aspx?bib=367737&amp;PagFis=247" target="_blank"><em>Diário do Povo,</em> de 15 de novembro de 1867,  primeira coluna</a>).</p>
<p>O fotógrafo <a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=5045" target="_blank">Christoph Albert Frisch (1840 – 1918)</a> seguiu com os engenheiros rumo à Amazônia, comissionado por Leuzinger, em cujo ateliê fotográfico trabalhava. Levava um escravizado. A esposa de Franz, Sabine, e sua irmã, Pauline Keller, também estavam no paquete <em>Paraná,</em> assim como o engenheiro José Manoel da Silva, integrante da expedição <a href="http://memoria.bn.br/DocReader/DocReader.aspx?bib=367737&amp;PagFis=247" target="_blank">(<em>Diário do Povo,</em> 15 de novembro de 1867, primeira coluna;</a> <a href="http://memoria.bn.br/DocReader/364568_05/12890" target="_blank"><em>Jornal do Commercio</em>, 16 de novembro de 1867, terceira coluna</a>).</p>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_25086" style="width: 396px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://memoria.bn.br/DocReader/367737/247" target="_blank"><img class="size-full wp-image-25086" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2021/07/geologia3.jpg" alt="Diário do Povo, de 14 de novembro de 1867" width="386" height="95" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="http://memoria.bn.br/DocReader/367737/247" target="_blank"><em>Diário do Povo</em>, de 15 de novembro de 1867</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_25102" style="width: 485px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/2020" target="_blank"><img class="size-full wp-image-25102" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2021/07/frisch1.jpg" alt="Alberto Christoph Frish, c.  1866" width="475" height="360" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/2020" target="_blank">Detalhe do autorretrato de Alberto Christoph Frish, c. 1867. Rio Tarumã, AM / Acervo IMS</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>Frisch acompanhou os engenheiros somente até Manaus e <em>&#8230; percorreu 400 léguas pelo rio Amazonas e seus afluentes durante 5 meses&#8230;</em>, num barco acompanhado por dois remadores, desde Tabatinga até Manaus. Produziu, na ocasião, uma pioneira série de 98 fotografias com os primeiros registros que chegaram até nós de <a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=11371" target="_blank">índios brasileiros </a>da região, além de aspectos de fauna e flora e de barqueiros de origem boliviana, que atuavam como comerciantes itinerantes nos rios amazônicos. Segundo o livro de Ernesto Senna, <em>O velho commercio do Rio de Janeiro</em>, a expedição fotográfica de Frisch à Amazônia foi fruto de uma solicitação feita pelo suíço Louis Agassiz (1807 – 1873) a Leuzinger.</p>
<p>&#8220;<em>Satisfazendo ao pedido de Agassiz, fez Leuzinger tirar vistas até Tabatinga, na fronteira do Amazonas com a República do Peru, vistas que serviram não só para os trabalhos científicos daqule sábio, como também para ilustrações europeias. Quando o engenheiro Keller foi em comissão explorar os rios Madeira e Mamoré, Georges Leuzinger mandou um fotógrafo d</em>a<em> casa acompanhar a expedição, que trouxe depois daquelas incomparáveis regiões graande cópia de clichês, da flora, da fauna, de paisagens, e fotograafias de silvícolas e de suas tabas, aldeamentos, instruentos, armas, etc. Estas coleções, de grande valor para estudos etnográficos, eram muito interessantes sob qualquer ponto de vista e muito procuradas por viajantes estrangeiros&#8221;</em>.</p>
<p>Agassiz havia, entre 1865 e 1866, comandado a Comissão Thayer no Brasil, que percorreu boa parte do território brasileiro entre o Rio de Janeiro e a Amazônia, viagem que deu origem ao livro <em>A journey in Brazil, </em>editado em Boston, em 1868. A Comissão Thayer foi financiada pelo empresário e filantropo norte-americano Nathaniel Thayer, Jr. (1808-1883), ex-aluno de Agassiz no Museu de Zoologia Comparada, em Harvard. Vale lembrar que Charles Frederick Hartt (1840 – 1878), o futuro chefe da <a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=16435" target="_blank">Comissão Geológica do Império (1875 – 1878)</a>, integrada pelo fotógrafo <a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=13570" target="_blank">Marc Ferrez (1843-1923)</a>, participou da Comissão ou Expedição Thayer &#8211; foi a primeira vez que esteve no Brasil.</p>
<p>A expedição à Amazônia liderada pelos Keller, com 32 volumes, alcançou Belém, em 1º de dezembro, e seguiu para Manaus, onde chegou no dia 10 do mesmo mês, no vapor <em>Belém</em> (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/219339/812" target="_blank"><em>Jornal do Pará</em>, 11 de dezembro de 1867,terceira coluna</a>; <a href="http://memoria.bn.br/DocReader/851051/106" target="_blank"><em>Jornal do Rio Negro</em>, 11 de dezembro de 1867, segunda coluna</a>).</p>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_25085" style="width: 247px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://memoria.bn.br/docreader/219339/812" target="_blank"><img class="size-full wp-image-25085" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2021/07/geologia2.jpg" alt="Jornal do Pará, 11 de dezembro de 1867" width="237" height="367" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="http://memoria.bn.br/docreader/219339/812" target="_blank"><em>Jornal do Pará</em>, 11 de dezembro de 1867</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p><span style="color: #800000;"><strong>1868</strong></span> &#8211; No Anexo X do Relatório do Ministro da Agricultura de 1868, Joseph e Franz Keller fizeram comentários sobre a formação geológica do solo brasileiro. Em alguns pontos concordaram com o geógrafo, naturalista e explorador alemão Barão de Humboldt (1769- 1859), que havia participado de uma expedição pela América do Sul entre 1799 e 1804.(<a href="Na%20seção de 14 de setembro do Instituto Politécnico Brasileiro, fez um discurso agradecendo sua nomeação para sócio correspondente da instituição. Também discursaram Luiz Filipe de Saldanha da Gama (1846 - 1895), Antônio Augusto Fernandes Pinheiro (18? - ?). Augusto Teixeira Coimbra (18? - ?) também foi nomeado sócio correspondente (Jornal do Commercio, 24 de setembro de 1869, segunda coluna; Revista do Instituto Politécnico Brasileiro, 1869)." target="_blank"><em>Jornal do Recife</em>, de 12 de agosto de 1882, primeira coluna</a>;<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/705110/19817" target="_blank"><em> Jornal do Recife</em>, 13 de janeiro de 1883, primeira coluna</a>).</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><a href="http://memoria.bn.br/docreader/705110/19817" target="_blank"><img class="alignnone size-full wp-image-25082" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2021/07/geologia.jpg" alt="geologia" width="391" height="210" /></a><a href="http://memoria.bn.br/DocReader/705110/19817" target="_blank"><img class="size-full wp-image-25083" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2021/07/geologia1.jpg" alt="Jornal do Recife, de 1883" width="396" height="271" /></a></p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://memoria.bn.br/docreader/705110/19817" target="_blank"><em>Jornal do Recife</em>, 13 de janeiro de 1883</a></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>O governador do Amazonas, José Coelho da Gama e Abreu (1832 &#8211; 1906), o barão de Marajó,  submeteu ao governador do Pará, Joaquim Raimundo de Lamare (1811 &#8211; 1889), um ofício sobre a comissão dos Keller, que havia sido enviado pelo ministro da Agricultura, Zacarias de Góis e Vasconcelos (1815 &#8211; 1877) (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/164992/267" target="_blank"><em>Amazonas</em>, 25 de abril de 1868, última coluna</a>; <a href="http://memoria.bn.br/DocReader/164992/273" target="_blank"><em>Amazonas</em>, 9 de maio de 1968, última coluna</a>).</p>
<p>Foram concedidas às irmãs Sabine Leuzinger-Keller e a Pauline Keller concessão de <em>passagens de Estado</em> em embarcação da Companhia do Amazonas, de Manaus a Belém do Pará com as despesas pagas pelo Ministério da Agricultura. Joseph e Franz Keller foram recomendados pelo governo do Amazonas ao comandante do <a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=16160" target="_blank">Forte Príncipe da Beira</a>,  no Mato Grosso, para onde iriam com o objetivo de explorar o Rio Madeira, conforme comissão do governo brasileiro (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/164992/286" target="_blank"><em>Amazonas</em>, 30 de maio de 1868, segunda coluna</a>).</p>
<p>Sabine e Pauline chegaram ao Rio de Janeiro em 19 de junho, a bordo do paquete a vapor <em>Guará</em> (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/217280/29243" target="_blank"><em>Correio Mercantil,</em> 20 de junho de 1868, última coluna</a>).</p>
<p>O fotógrafo Frisch retornou ao sul do Brasil, a bordo do vapor <em>Cruzeiro do Sul</em> (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/DocReader.aspx?bib=216828&amp;PagFis=9404" target="_blank"><em>Jornal Pedro II</em>, 24 de novembro de 1868, na quarta coluna</a>). No ano seguinte, as imagens produzidas por ele durante a expedição pela Amazônia começaram a ser comercializadas a partir de um catálogo publicado pela Casa Leuzinger, <em><a href="http://objdigital.bn.br/objdigital2/acervo_digital/div_iconografia/icon856986/icon856986.pdf" target="_blank">Resultat d’une expédition phographique sur le Solimões ou Alto Amazonas et Rio Negro</a></em>.</p>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_25139" style="width: 412px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://objdigital.bn.br/objdigital2/acervo_digital/div_iconografia/icon856986/icon856986.pdf" target="_blank"><img class="size-full wp-image-25139" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2021/01/resultat1.jpg" alt="Acervo FBN" width="402" height="481" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="http://objdigital.bn.br/objdigital2/acervo_digital/div_iconografia/icon856986/icon856986.pdf" target="_blank">Acervo FBN</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>Em 9 de dezembro, o tenente -coronel José Wilkens de Mattos (1822 &#8211; 1889), governador do Amazonas, respondendo a um ofício enviado pelos Keller e pelo engenheiro José Manoel da Silva, autorizou a tesouraria de Fazenda a receber objetos que estavam com os requerentes, referentes à comissão que cumpriram no rio Madeira;  tomou ciência de que uma canoa adquirida na Bolívia pelos Keller e por José Manoel seria utilizada por João Martins da Silva Coutinho na comissão de exploração do rio Branco; e informou que os Keller e José Manoel teriam seu transporte a bordo do vapor <em>Belém</em>, de Manaus a Belém, em 10 de dezembro de 1868, custeado pelo Ministério da Agricultura. Poderiam utilizar o espaço de bagagem, duas toneladas, destinado ao governo. O trabalho comissionado pelo governo imperial havia sido concluído e eles voltariam para o Rio de Janeiro no mesmo vapor (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/222402/461" target="_blank"><em>Diário de Belém</em>, 28 de dezembro de 1868, quarta coluna</a>; <a href="http://memoria.bn.br/DocReader/164992/417" target="_blank"><em>Amazonas</em>, 5 de janeiro de 1869, primeira coluna</a>).</p>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_25111" style="width: 412px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://memoria.bn.br/DocReader/222402/461" target="_blank"><img class="size-full wp-image-25111" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2021/07/vapor.jpg" alt="Diário de Belém, 28 de dezembro de 1868" width="402" height="475" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="http://memoria.bn.br/DocReader/222402/461" target="_blank"><em>Diário de Belém</em>, 28 de dezembro de 1868</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<div style="width: 712px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/3622" target="_blank"><img src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/bitstream/handle/20.500.12156.1/3622/imagem.jpg.jpg?sequence=2&amp;isAllowed=y" alt="Miniatura" width="702" height="461" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/3622" target="_blank">Franz Keller. Resultados ethnographicos e archeologicos da Exploração do Rio Madeira : : empreendida por ordem do Governo Imperial pelos engenheiros José e Francº Keller, 1869 / Acervo FBN</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p><span style="color: #800000;"><strong>1869</strong> </span>- <span style="color: #000000;">No dia 4 de janeiro de 1869, Joseph e Franz Keller e o ajudante José Manuel da Silva chegaram ao Rio de Janeiro a bordo do paquete <em>Paraná</em>. Franz estava enfraquecido pelas febres e queimado pelo sol. Segundo o pesquisador Frank Kohl, ele havia contraido malária (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/094170_02/23854" target="_blank"><em>Diário do Rio de Janeiro</em>, 5 de janeiro de 1869, quinta coluna</a>).</span></p>
<p>Fez o retrato da filha de Leuzinger, Gabrielle Marie (1853 &#8211; 1869), que faleceu em 23 de abril de 1869 (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/364568_05/15411" target="_blank"><em>Jornal do Commercio</em>, 29 de abril de 1869, última coluna)</a>.</p>
<p>“<em>Após sua morte, ela estava quase sorridente, uma figura de anjo e tão branca quanto os lençóis de seu leito. Franz Keller fez seu retrato de perfil para nosso espanto o perfil perfeito de Mathilde quando tinha sua idade, 16 anos, 6 dias e 21 horas e meia</em>” (Carta de Georges Leuzinger para seu filho Paul, que estava vivendo na França, de 2 de junho de 1969).</p>
<p>Esteve algumas vezes no Paço Imperial cumprimentando o imperador <a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=7183" target="_blank">Pedro II (1825 &#8211; 1891</a>) (<em>Diário de Rio de Janeiro</em>,<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/094170_02/24887" target="_blank"> 14 de setembro;</a> <a href="http://memoria.bn.br/DocReader/094170_02/25037" target="_blank">19 de outubro</a>, <a href="http://memoria.bn.br/DocReader/094170_02/25197" target="_blank">29 de novembro</a>, <a href="http://memoria.bn.br/DocReader/094170_02/25225" target="_blank">6 de dezembro</a> e <a href="http://memoria.bn.br/DocReader/094170_02/25281" target="_blank">21 de dezembro de 1869</a>, primeiras colunas).</p>
<p>Na seção de 14 de setembro do Instituto Politécnico Brasileiro, fez um discurso agradecendo sua nomeação para sócio correspondente da instituição. Além dele, discursaram Luiz Filipe de Saldanha da Gama (1846 &#8211; 1895) e Antônio Augusto Fernandes Pinheiro (18? &#8211; ?). Augusto Teixeira Coimbra (18? &#8211; ?) também foi, na ocasião, nomeado sócio correspondente (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/364568_05/16199" target="_blank"><em>Jornal do Commercio</em>, 24 de setembro de 1869, segunda coluna</a>; <a href="http://memoria.bn.br/DocReader/334774/425" target="_blank"><em>Revista do Instituto Politécnico Brasileiro</em>, 1869</a>).</p>
<p><span style="color: #800000;"><strong>1870</strong></span> &#8211; Na seção de 14 de junho de 1870 do Instituto Politécnico Brasileiro, sob a presidência do<a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=11397" target="_blank"> conde d´Eu (1842 &#8211; 1922)</a>, J.M. da Silva anunciou que Franz Keller havia viajado para a Europa (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/334774/604" target="_blank"><em>Revista do Instituto Politécnico Brasileiro</em>, 1874)</a>.</p>
<p>Foi autorizada a venda em hasta pública dos objetos comprados para a exploração dos rios Iguaçu, Ivahy, Paranapanema e Tibagi, entregues por Joseph e Franz Keller a Serafim Carvalho Baptista e José Feliciano da Silva (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/416398/6155" target="_blank"><em>Dezenove de Dezembro</em>, 12 de outubro de 1870, última coluna</a>).</p>
<p><span style="color: #800000;"><strong>1872</strong></span> &#8211; Joseph Keller ainda se encontrava no Brasil <em>(<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/364568_06/4523" target="_blank">Jornal do Commercio</a></em><a href="http://memoria.bn.br/DocReader/364568_06/4523" target="_blank">, 7 de abril de 1872, sétima coluna</a>).</p>
<p>Em julho, Franz Keller (1835-1890) estava na Suíça.</p>
<p><span style="color: #800000;"><strong>1873</strong></span> &#8211; Retornou à Alemanha para tratar da saúde, fixando residência na cidade alemã de Karlsruhe. Conforme hjá mencionado, segundo o pesquisador Frank Kohl, Franz havia contraído malária no Amazonas e justamente por isto não pode aceitar o convite do coronel americano George Earl Church (1835-1910) para participar da construção da ferrovia <a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=10460" target="_blank">Madeira-Mamoré</a>, que utilizou os dados levantados pelos Keller naquela região. Church havia recebido do governo brasileiro a concessão para a construção da ferrovia. Porém, por diversos motivos, Church não concluiu o empreendimento (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/334774/604" target="_blank"><em>Revista do Instituto Politécnico Brasileiro</em>, fevereiro de 1874</a>).</p>
<p><em>&#8220;A magnitude e a expectativa que despertaram os projetos de Church provocaram o acre zelo e a oposição daqueles que detinham o monopólio comercial da área, os comerciantes da Costa do Pacífico, na medida em que se propunha a abrir rota concorrente de comércio. De repente descobriram que uma companhia americana detinha um empreendimento que prometia penetrar pelo centro da América do Sul e transformar seu comércio. Ao utilizar a rede fluvial, afetaria poderosamente as relações políticas e inter comerciais de vários Estados hispano-americanos. Ferozes interesses contrariados se aliaram amplamente. A English Construction Company denunciou o contrato e aliou-se aos seus acionistas em um ataque ao fundo fiduciário ferroviário, que eles vincularam por liminar ao Tribunal de Chancelaria. O governo boliviano tentou apreender o fundo. O coronel Church lutou contra esses pesados ataques, defendendo o terreno a cada polegada que houvesse para sustentar ganhou batalha após batalha entre 1873 a 1878. O comitê dos detentores de títulos subornou o presidente boliviano Daza com £ 20.000 para tomar partido ao seu favor e instaurou um novo processo para revogação da concessão boliviana. Mesmo neste novo processo, o coronel Church ganhou no Tribunal de Primeira Instância. A Câmara dos Lordes finalmente resolveu a questão declarando impraticável o empreendimento, embora meses antes o governo brasileiro tivesse dado seu apoio inabalável ao coronel Church. A seu pedido foi decretado um complemento ao fundo existente com o montante necessário para concluir as obras ferroviárias. Na época em que a empresa faliu havia 1.200 homens trabalhando na linha férrea e uma locomotiva em tráfego no primeiro trecho inaugurado&#8221;.</em></p>
<p style="text-align: right;"><a href="https://www.gentedeopiniao.com.br/colunista/dante-fonseca/a-madeira-mamore-e-a-noticia-biografica-de-george-earl-church-feita-por-clements-markham" target="_blank"><em>A Madeira-Mamoré e a notícia biográfica de George Earl Church feita por Clements Markham</em></a>,</p>
<p style="text-align: right;">por  Dante Ribeiro da Fonseca</p>
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<p><span style="color: #800000;"><strong>1874</strong></span> &#8211;  Franz Keller (1835-1890) publicou o livro ilustrado <em>Do Amazonas ao Madeira </em>(<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/364568_06/7996" target="_blank"><em>Jo</em><em>rn</em><em>al do Commercio</em>, de 31 de janeiro de 1874, na última coluna</a>). Na edição alemã, ficou registrado na folha de rosto que as ilustrações da obra, reconstruídas com base nos esboços de Franz, foram gravadas em madeira na oficina gráfica de Adolf Clob (1840 &#8211; 1894). Franz, no prefácio do livro, agradece a seu pai, &#8220;<em>meu fiel companheiro e colega de ciência nessa cansativa jornada, além de também agradecer ao meu irmão, professor Ferdinand Keller, especialista em pinturas históricas, cuja consultoria quanto às ilustrações me foram de inestimável valor&#8221;</em>. O livro também foi editado em Londres pela Chapman &amp; Hall, no mesmo ano, e possuia 68 ilustrações.</p>
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<div id="attachment_25040" style="width: 397px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://memoria.bn.br/DocReader/364568_06/7996"><img class="size-full wp-image-25040" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2021/01/keller.jpg" alt="Jornal do Commercio, 31 de janeiro de 1874" width="387" height="500" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="http://memoria.bn.br/DocReader/364568_06/7996"><em>Jornal do Commercio</em>, 31 de janeiro de 1874</a></p></div>
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<p>Com uma carta enviada de Karslruhe, datada de 1º de maio de 1874, Franz respondeu ao opúsculo intitulado <em>Estudo sobre o Rio Madeira </em>(1873), do engenheiro baiano Eduardo José de Moraes (1830 &#8211; 1895). O autor afirmava que a expedição para a exploração do rio Madeira não havia atendido às instruções do governo imperial, o que Franz rebateu (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/364568_06/9000" target="_blank"><em>Jornal do Commercio</em>, 15 de julho de 1874, quinta coluna</a>).</p>
<p><span style="color: #800000;"><strong>1876</strong></span> &#8211; Gravuras do livro <em>Do Amazonas ao Madeira </em>foram publicadas na revista <em>Illustração Brasileira</em>, fundada pelo litógrafo alemão Henrique Fleuiss (1823-1882) e muito importante na história da imprensa no Brasil. Seu modelo eram as revistas francesa <em>L´Illustration</em> e a inglesa <em>The Illustrated London News. </em>Para Joaquim Marçal Ferreira de Andrade, um dos curadores do portal Brasiliana Fotográfica e coordenador da BN Digital, as páginas do artigo de Franz Keller-Leuzinger foram um marco na história do projeto gráfico das páginas das revistas ilustradas do Brasil, “mesmo considerando-se que as matrizes eram alemãs”(<em>Illustração Brasileira</em>, <a href="http://memoria.bn.br/DocReader/758370/5" target="_blank">1º de julho</a> e <a href="http://memoria.bn.br/DocReader/758370/33" target="_blank">15 de julho</a> de 1876).</p>
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<p><a href="http://memoria.bn.br/DocReader/758370/5" target="_blank"><img class="  wp-image-25062 aligncenter" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2021/07/kellerlivro.jpg" alt="Kellerlivro" width="700" height="417" /></a></p>
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<p><a href="http://memoria.bn.br/DocReader/758370/5" target="_blank"><img class="  wp-image-25063 aligncenter" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2021/07/kellerlivro1.jpg" alt="kellerlivro1" width="701" height="254" /></a></p>
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<div id="attachment_25064" style="width: 690px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://memoria.bn.br/DocReader/758370/5" target="_blank"><img class=" wp-image-25064" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2021/07/kellerlivro2.jpg" alt="Illustração Brasileira, 1º de julho de 1876" width="680" height="445" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="http://memoria.bn.br/DocReader/758370/5" target="_blank"><em>Illustração Brasileira</em>, 1º de julho de 1876</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_25946" style="width: 311px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://memoria.bn.br/docreader/758370/33" target="_blank"><img class=" wp-image-25946" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2021/09/leuzinger.jpg" alt="Illustração Brasileira, 15 de julho de 1876" width="301" height="463" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="http://memoria.bn.br/docreader/758370/33" target="_blank"><em>Illustração Brasileira</em>, 15 de julho de 1876</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>Em Karlsruhe, na Alemanha, <a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=7183" target="_blank">dom Pedro II (1825 &#8211; 1891)</a>, durante sua segunda viagem à Europa, encontrou-se com Franz  Keller (<em><a href="http://memoria.bn.br/DocReader/707619/2885" target="_blank">Novo e completo Índice Cronológico da História do Brasi</a>l</em>). Na ocasião, Franz, que vivia na época de seus trabalhos artísticos, escreveu uma carta ao monarca, na qual expunha seus planos para o futuro em um possível retorno ao Brasil. Dentre seus projetos, pedia o monopólio para explorar o sal no Paraná e se voluntariava para intermediar a venda da pólvora da Alemanha para o Brasil.</p>
<p>&#8220;<em>Voltando desse modo outra vez as belas praias da Terra de Santa Cruz, isto é, acompanhando em pessoa um carregamento de pólvora e se necessário fosse de armamento ao Rio de Janeiro. V. M. I. dignasse talvez de encarregar-me outra vez com trabalhos técnicos como antigamente. Me seja permitido, afora os trabalhos de exploração dos rios, alinhamento de estradas e caminhos de ferro e o levantamento de mapas geográficos, citar a elaboração de projetos de abastecimento da capital com água potável, que dia a dia fica mais urgente</em>&#8220;.</p>
<p style="text-align: right;">Carta de Franz Keller-Leuzinger a D. Pedro II, 29 de julho de 1876.</p>
<p style="text-align: right;">Seção de Manuscritos da Biblioteca Nacional</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Parece que esses projetos nunca se realizaram.</p>
<p>Tanto ele como seu pai eram sócios correspondentes do Instituto Politécnico Brasileiro (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/334774/1856" target="_blank"><em>Revista do Instituto Politécnico Brasileiro</em>, outubro de 1876</a>).</p>
<p><span style="color: #800000;"><strong>1877</strong></span> &#8211; Foi publicado, no primeiro número do jornal <em>O Vulgarisador,</em> a imagem do encontro de Franz com os índios Caripunas, do livro <em>Do Amazonas ao Madeira </em>(<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/778010x/1" target="_blank"><em>O Vulgarisador</em>, 1ª edição, 1877</a>).</p>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_25097" style="width: 451px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://memoria.bn.br/DocReader/778010x/1" target="_blank"><img class="size-full wp-image-25097" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2021/07/vulgarizador.jpg" alt="O Vulgarizador, 1º de julho de 1877" width="441" height="545" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="http://memoria.bn.br/DocReader/778010x/1" target="_blank"><em>O Vulgarisador</em>, 1a edição, 1877</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p><em> &#8220;Eram criaturas fortes, bem conformadas e de estatura mediana; traziam pendentes comprimidos cabelos pretos; um dos homens apenas usava-os enrolados em trança. Um dente de anta atravessava-lhes as pontas das orelhas, e tinha, além disto, em outro buraco na separação de nariz, um pequeno molho de penas encarnadas de tucano. Não traziam armas, a esta circunstancia junto à presença de uma de suas mulheres na embarcação, respondia-nos pela benevolência de suas intenções&#8221; </em>(<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/778010x/7" target="_blank"><em>O Vulgarisador</em>, 1ª edição, 1877</a>).</p>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_25098" style="width: 624px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://site.mast.br/ovulgarisador/jornal.php" target="_blank"><img class="size-full wp-image-25098" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2021/07/vulgarizador1.jpg" alt="Mastro do Site" width="614" height="480" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="http://site.mast.br/ovulgarisador/jornal.php" target="_blank"><em><span style="vertical-align: inherit;"><span style="vertical-align: inherit;">Site Mast</span></span></em></a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>Sobre o livro, o editor de <em>O</em> <em>Vulgarisador</em>, o poeta, escritor e jornalista português Augusto Emilio Zaluar (1826 &#8211; 1882), comentou: “<em>deve interessar a todos que ligam a verdadeiro apreço aos trabalhos desta natureza, que, infelizmente, ainda tanto escasseiam entre nós</em>”. Ele emigrou para o Brasil, em 1849, e, sete anos depois, naturalizou-se cidadão brasileiro. Em 1876, recebeu a comenda da Ordem da Rosa e era amigo de escritores como Machado de Assis (1839 &#8211; 1908) e José de Alencar (1829 &#8211; 1877). Colaborou em diversos periódicos como <em>A Época</em>, <em>Espelho</em> e <em>Álbum Semanal</em>. <em>O Vulgarizador</em> circulou entre 1877 e 1881, no Rio de Janeiro. Seus livros mais conhecidos são <em>Peregrinações pela Província de São Paulo (1860-1861) (</em>1862) e <em>Doutor Benignus</em> (1875). Este último é considerado a primeira ficção científica brasileira.</p>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_25099" style="width: 290px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Augusto_Em%C3%ADlio_Zaluar#/media/Ficheiro:Augusto_Em%C3%ADlio_Zaluar_portrait.jpg" target="_blank"><img class=" wp-image-25099" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2021/07/vulgarizador2.jpg" alt="Augusto Emílio Zaluar por" width="280" height="364" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Augusto_Em%C3%ADlio_Zaluar#/media/Ficheiro:Augusto_Em%C3%ADlio_Zaluar_portrait.jpg" target="_blank">Augusto Emílio Zaluar por Fernand Delannoy / Acervo FBN</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>Falecimento de Joseph (José) Keller (1811 &#8211; 1877).</p>
<p><span style="color: #800000;"><strong>Década de 1880</strong> </span>- Durante essa década, Franz Keller, esteve no Brasil, mas voltou à Alemanha.</p>
<p><span style="color: #800000;"><strong>1881</strong> </span>- Aquarelas de Joseph Keller fizeram parte da exposição História do Brasil, da Biblioteca Nacional.</p>
<p><span style="color: #800000;"><strong>1889</strong></span> &#8211; Franz Keller continuava sendo sócio correspondente do Instituto Politécnico Brasileiro (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/334774/4866" target="_blank"><em>Revista do Instituto Politécnico Brasileiro</em>, 1889</a>).</p>
<p><span style="color: #800000;"><strong>1890</strong> </span>- Franz Keller-Leuzinger faleceu em Munique, na Alemanha, em 18 de julho de 1890.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: center;"><strong><span style="color: #800000;"><em>Roteiro da Expedição à Amazônia segundo o Relatório da exploração do rio Madeira na parte compreendida entre a cachoeira de Santo Antônio e a barra do Mamoré</em></span></strong></p>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_25122" style="width: 344px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2021/07/mapa.jpg"><img class="size-full wp-image-25122" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2021/07/mapa.jpg" alt="Mapa desenhado por Franz Keller-Leuzinger reproduzindo o percurso de sua viagem, no livro Do Amazonas ao Madeira" width="334" height="548" /></a><p class="wp-caption-text">Mapa desenhado por Franz Keller-Leuzinger reproduzindo o percurso de sua viagem, no<br />livro <em>Do Amazonas ao Madeira</em></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: center;"><span style="color: #800000;"><strong><em>1967</em></strong></span></p>
<p><strong><span style="color: #800000;">10 de outubro</span></strong> &#8211; Foi assinada pelo governo imperial uma portaria incumbindo os engenheiros Franz e Joseph Keller em <em>de explorar o rio Madeira na parte encachoeirada dele, desde Santo Antonio até a barra do rio Mamoré, e de elaborar os projetos mais apropriados para o melhoramento dessa importante via de comunicação com a província de Mato Grosso e a república da Bolívia.</em></p>
<p><strong><span style="color: #800000;">15 de novembro</span></strong> – A expedição parte do Rio de Janeiro. Além dos Keller, embarcaram no paquete Paraná o fotógrafo Christoph Albert Frisch (1840 – 1918), a esposa e a irmã de Franz, repectivamente, Sabine Christine Leuzinger (1842-1915), filha do fotógrafo e editor suíço Georges Leuzinger (1813 – 1892); e Pauline.</p>
<p><strong><span style="color: #800000;">1º de dezembro</span> </strong>– Chegada em Belém.</p>
<p><strong><span style="color: #800000;">10 de dezembro</span> </strong>– Chegada em Manaus, a bordo do vapor <em>Belém</em>. A expedição levava 32 volumes. O governador do Amazonas, José Coelho da Gama e Abreu, o barão de Marajó (1832 &#8211; 1906), os avisou que <em>a subida das cachoeiras e o estudo do rio das enchentes difícil e penoso</em>. Fizeram então o levantamento. O governador os encarregou de fazer um levantamento de parte da planta do Rio Negro e da cidade de Manaus. O ajudante José Manoel da Silva fez o levantamento da planta de Manaus. Devido à falta de remeiros, o trabalho do Rio Negro não pode ser realizado. Foi feito então um projeto e orçamento para a reconstrução de uma ponte manauara que estava em ruínas.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: center;"> <strong><span style="color: #800000;"><em>1868</em></span></strong></p>
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<p><span style="color: #800000;"><strong>9 de fevereiro</strong></span> &#8211; José Coelho da Gama e Abreu, o barão de Marajó (1832 &#8211; 1906) foi sucedido no governo do Amazonas por Jacinto Pereira do Rego que não atendeu às solicitações necessárias para a expedição: nem forneceu o número de guardas nem o vapor J<em>urupensen</em> que poderia ter levado o pessoal e o trem da expedição até Santo Antônio.</p>
<p><span style="color: #800000;"><strong>fevereiro / maio</strong></span> &#8211; Com o propósito de levar a cabo a missão, procuraram o vice-cônsul da Bolívia, Ignacio Araus, que encontrava-se em Manaus. Ele ofereceu toda a ajuda necessária e falou de um comerciante boliviano que iria para o Pará e, de lá, para a Bolívia. Dessa forma <em>uma comissão ao mando do governo imperial </em>seguiu<em> viagem sob os auspícios de um particular.</em></p>
<p>Compraram, em Serpa, <em>uma canoa de lotação de 300 arrobas mal construída e em mal estado por não haver outra</em>, do major Dalmazo de Souza Barriga.</p>
<p><span style="color: #800000;"><strong>30 de maio</strong></span> &#8211; A comissão Keller partiu de Serpa, no Amazonas, atrás do comerciante boliviano, com sete tripulantes quando a canoa demandava ao menos 12. A embarcação levava mantimentos para 4 meses, ferramentas para a construção e conserto de canoa, instrumentos de medição, armamentos, toldos e barracas.</p>
<p><span style="color: #800000;"><strong>9 de junho</strong></span> – Chegada à Borba com menos dois remeiros, que haviam fugido.</p>
<p><span style="color: #800000;"><strong>10 a 13 de junho</strong></span> – Passaram por Sapucaia-oroca, dos índios Mura; a Ilha das Araras e pela barra do rio Aripuanã.</p>
<p><span style="color: #800000;"><strong>madrugada de 14 para 15 de junho</strong></span> – Conserto de uma canoa, que perigava afundar.</p>
<p><span style="color: #800000;"><strong>15 de junho</strong></span> – Passaram pelas pedras de Aruá.</p>
<p><span style="color: #800000;"><strong>18 de junho</strong></span> – Chegaram ao engenho de Ignacio Araus, onde o comerciante boliviano os aguardava com <em>impaciência</em>. Transferiram a carga para uma canoa mais apropriada.</p>
<p><span style="color: #800000;"><strong>21 de junho</strong> </span>– Continuaram a viagem. A comitiva tinha 70 índios bolivianos das missões do Mamoré como remeiros e pilotos de sete canoas e de oito brancos.</p>
<p><span style="color: #800000;"><strong>30 de junho</strong> </span>– Encontraram uma família de índios Mura. Por alguns dias, seguiram a expedição. Compraram tartarugas dos índios.</p>
<p><span style="color: #800000;"><strong>início de julho</strong></span> &#8211; Acima de um lugar denominado Três Casas visitaram a barraca de alguns seringueiros bolivianos que com os índios Moxos exploravam a resina.</p>
<p><span style="color: #800000;"><strong>5 de julho</strong></span> – Chegaram ao Crato, uma estância para a criação de gado. Lá se encontrava o destacamento de Santo Antônio que, nessa época do ano, princípio da estação de chuvas, se retirava de Santo Antônio para um lugar mais salubre. Foram recebidos com <em>cordialidade</em> pelo comandante do destacamento que os apresentou ao dono do lugar, o capitão Tenório.</p>
<p><span style="color: #800000;"><strong>10 a 15 de julho</strong></span> – Passaram à Ilha das Abelhas, à barra do Pirapitanga e a do Jamary, muito rica em peixes mas infestada pelas <em>febres de caráter maligno</em>.</p>
<p><span style="color: #800000;"><strong>16 de julho</strong></span> – Chegaram à Ilha dos Mutuns e à praia dos Tamanduás, onde, no mês de setembro, milhares de tartarugas vêm desovar. Na mesma época, seringueiros e pescadores vêm para o local, onde juntam os ovos das tartarugas para a fabricação de manteiga e levam tartarugas, causando grande destruição.</p>
<p>Chegada à Cachoeira de Santo Antônio. Foi necessário descarregar as canoas e transportar tudo para 450 metros acima dos rochedos da margem esquerda..</p>
<p><span style="color: #800000;"><strong>18 de julho</strong> </span>– Chegaram <em>na correnteza dos Macacos da qual já se descobre a fumaça que levanta o salto do Theotônio</em>.</p>
<p><span style="color: #800000;"><strong>22 de julho</strong></span> – Chegaram à Cachoeira dos Morrinhos, que tinha dois saltos distintos.</p>
<p><span style="color: #800000;"><strong>25 de julho</strong></span> – Entre Morrinhos e o Caldeirão do Inferno encontraram canoas construídas com cascas de Jatubá pelo índios Caripunas, que habitavam aquela altura do rio. Foram convidados por eles para visitarem suas malocas e foram presenteados com raízes de mandioca e milhos em espiga. Ofertaram aos índios facas, tesouras e anzóis. Dias depois, encontraram outros Caripunas, de quem compraram uma anta e um porco do mato. Esses encontros transcorreram, segundo o relatório da expedição, sempre em um clima de amizade e harmonia.</p>
<p><span style="color: #800000;"><strong>26 de julho</strong> </span>– Chegaram à parte inferior da <em>perigosa Cachoeira do Caldeirão do Inferno</em>. Muitas cruzes rodeavam o local, onde diversos barcos haviam naufragado e pessoas morrido de febres malignas. O engenheiro peruano Maldonado foi uma das vítimas de um naufrágio na região. Um dos índios remeiros da comissão Keller <span style="color: #000000;">faleceu no local devido a uma inflamação intestinal.</span></p>
<p><span style="color: #800000;"><strong>27 de julho</strong></span> &#8211; Avistaram os morros ao pé do Salto do Girão. Durante quatro dias <em>foi feito o transporte das cargas e a varação das canoas</em>.</p>
<p><span style="color: #800000;"><strong>31 de julho e 1º de agosto</strong> </span>– Continuaram a viagem e chegaram a Pedras de Amolar, nome dado ao local por navegantes devido às camadas de <em>gres argiloso</em> (arenito). À tarde, chegaram à correnteza mais forte dos Três Irmãos, com uma  queda de menos de um metro.</p>
<p><span style="color: #800000;"><strong>3 e 4 de agosto</strong> </span>– Chegada à Cachoeira do Paredão, com uma queda divida em duas partes.</p>
<p><span style="color: #800000;"><strong>5 de agosto</strong></span> – Chegada à Cachoeira Pederneira, assim chamada devido a presença de veias de quartzo nas fendas do rochedo. Rio acima, a cacheira mais próxima era a das Araras. Pouco acima da Pederneira, se acha à margem esquerda a barra do rio Abuná.</p>
<p><span style="color: #800000;"><strong>9 a 15 de agosto</strong></span> &#8211; Chegaram à Cachoeira do Ribeirão onde ficaram até dia 15. Ela é formada por cinco saltos. Foi observado que os riscos das pedras em um dos saltos <em>formam uma paralela interessante com a representação tosca de objetos celestes e de an</em>imais nos rochedos do Orenoco, descritos por Humboldt.</p>
<p><span style="color: #800000;"><strong>15 a 18 de agosto</strong></span> – Chegaram à Cachoeira do Madeira e à Cachoeira das Lages.</p>
<p><span style="color: #800000;"><strong>19 de agosto</strong></span> – Chegada ao Salto das Bananeiras. A passagem do salto durou dois dias, as canoas tiveram que ser descarregadas e transportadas por cima dos rochedos.</p>
<p><span style="color: #800000;"><strong>21 a 22 de agosto</strong></span> – Após uma seca <em>extraordinária</em>, chuva forte e queda da temperatura para 11º.</p>
<p><span style="color: #800000;"><strong>23 de agosto</strong> </span>– Chegada à Cachoeira do Guajará-Guassu. As cargas foram transportadas por terra e as canoas por água a sirga (puxadas por cordas).</p>
<p><span style="color: #800000;"><strong>24 de agosto</strong></span> – Chegada à Cachoeira Guajará-Mirim. Encontraram 10 canoas bolivianas carregadas com couros e sebo, Por seu dono, de Santa Cruz de la Sierra, enviaram ofícios e cartas para o Rio de Janeiro e para o Pará. No mesmo dia, chegaram à barra do Ribeirão da Paca Nova, ao pé da serra homônima. As canoas estavam quase todas defeituosas. Foram tiradas da água e calafetadas.</p>
<p><span style="color: #800000;"><strong>1º de setembro</strong></span> &#8211; A expedição chegou na junção do rio Mamoré com o Guaporé, onde habitava uma tribo indígena. Seguiram para o Serrito, sítio do brasileiro Antônio de Barros Cardoso, que morava na Bolívia há cerca de 15 anos e recebeu a expedição com a maior <em>afabilidade</em>. Ele já havia ajudado anteriormente, no início da década de 1850, o explorador Lardner Gibbon (1820 – 1910), tenente da Marinha dos Estados Unidos. Ele acompanhou a expedição até Exaltacion de la Santa Cruz, na Bolívia, uma antiga missão dos jesuitas.</p>
<p><span style="color: #800000;"><strong>10 de setembro</strong></span> &#8211; Chegada a Exaltacion de la Santa Cruz, onde Franz foi recebido pelas autoridades bolivianas. Com o prefeito da cidade, A. Morant, conversou sobre a o <em>engajamento de índios remeiros</em> para integrar a expedição. A essa altura já havia sido feita a aquisição de canoas e mantimentos.</p>
<p><span style="color: #800000;"><strong>15 de outubro</strong></span> – Partida para o sítio do Serrito, onde permaneceram até dia 19 de outubro. O comboio era formado por cinco embarcações de diferentes tamanhos – uma galeota, duas ubás, uma montaria e uma igarité &#8211; com uma tripulação total de 32  remeiros.</p>
<p><span style="color: #800000;"><strong>21 de outubro</strong></span> &#8211; Chegada à barra do Mamoré, onde ficaram dois dias medindo o volume cúbico das águas dos rios Mamoré e Guaporé.</p>
<p><span style="color: #800000;"><strong>24 de outubro</strong></span> &#8211; Estavam nas Ilhas Cavalo Marinho onde iniciaram uma medição detalhada com o micrômetro. À noite, houve uma tempestade.</p>
<p><span style="color: #800000;"><strong>25 de outubro</strong></span> – Realização da exploração e sondagem do rio Guajará-Mirim.</p>
<p><span style="color: #800000;"><strong>27 de outubro</strong></span> &#8211;  Passaram o Salto das Bananeiras e, devido ao mau tempo, as embarcações chegaram a encostar e um rochedo. Alguns dos índios assim como um dos engenheiros da expedição tiveram uma febre intermitente e foram tratados com sulfato de quinino. Terá sido Franz o engenheiro já que se sabe que ele provavelmente contraiu malária durante a expedição? Fazia muito calor e à noite houve um temporal.</p>
<p><span style="color: #800000;"><strong>30 de outubro</strong></span> – Haviam chegado com a medição até a Cachoeira do Pao-Grande.</p>
<p><span style="color: #800000;"><strong>2 a 7 de novembro</strong></span> – Estavam na barra do rio Beni, onde entraram para realizar a medição de suas águas. Passaram pela Cachoeira do Madeira, pela passagem do Ribeirão, pelos Periquitos e pelas Araras. No dia 7, devido às chuvas, foram obrigados a parar e armar os toldos e as barracas.</p>
<p><span style="color: #800000;"><strong>8 de novembro</strong></span> – Chegada ao Paredão.</p>
<p><span style="color: #800000;"><strong>11 e 12 de novembro</strong></span> – Passaram por Três Irmãos e pelo Salto do Girão.</p>
<p><span style="color: #800000;"><strong>13 a 15 de novembro</strong></span> – Passaram pelo Caldeirão do Inferno e reencontraram os índios Carapunas. Encontram também outra tribo indígena. Uma das canoas da expedição quase naufragou.</p>
<p><span style="color: #800000;"><strong>16 de novembro</strong></span> – Passaram pela barra do Jassiparaná e chegaram, à tarde, à Cachoeira dos Morrinhos.</p>
<p><span style="color: #800000;"><strong>17 e 18 de novembro</strong> </span>– Chegaram ao Salto do Theotônio.</p>
<p><span style="color: #800000;"><strong>19 e 20 de novembro</strong></span> – Passaram pela correnteza dos Macacos e pela Cachoeira de Santo Antônio.</p>
<p><span style="color: #800000;"><strong>21 de novembro</strong></span> – Chegada ao Crato, <em>primeiro ponto onde se encontram alguns recursos. </em>Deixaram com o comandante do destacamento de Santo Antônio uma das ubás para ser devolvida ao brasileiro Antônio de Barros Cardoso, a quem pertencia.</p>
<p><span style="color: #800000;"><strong>25 de novembro</strong> </span>– Passaram o Manicoré e chegaram ao sítio de J. Arans, onde deixaram uma das embarcações e parte da tripulação. Seguiram viagem com três canoas. Na aldeia dos Muras fizeram uma medição do volume cúbico das águas do rio Madeira.</p>
<p><span style="color: #800000;"><strong>26 de novembro</strong></span> – Chegaram à vila de Borba.</p>
<p><span style="color: #800000;"><strong>30 de novembro</strong></span> – Chegada a Serpa. Remeteram as canoas ao major Damazo de Souza Barriga e deram conhecimento desse ato ao presidente da província.</p>
<p>Passaram em Manaus onde entregaram no depósito do trem bélico armamentos e utensílios. Encontraram-se com o presidente da província.</p>
<p><span style="color: #800000;"><strong>14 de dezembro</strong></span> – Chegada no Pará.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: center;"><strong><span style="color: #800000;"><em><span style="vertical-align: inherit;"><span style="vertical-align: inherit;">1969</span></span></em></span></strong></p>
<p><span style="color: #800000;"><strong>4 de janeiro</strong></span> – Chegada ao Rio de Janeiro.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><span style="vertical-align: inherit;"><span style="vertical-align: inherit;">Andrea C.T. Wanderley</span></span></p>
<p>Editora e pesquisadora do portal Brasiliana Fotográfica</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><span style="color: #800000;"><strong>Fontes:</strong></span></p>
<p>Acervo do IMS- Cartas de Georges Leuzinger</p>
<p>ANDRADE, Joaquim Marçal Ferreira de. <em>A trajetória de Henrique Fleiuss, da Semana Ilustrada: subsídios para uma biografia</em>. In: KNAUSS, Paulo et alli (org.) Revistas Ilustradas: modos de ler e ver no Segundo Reinado. Rio de Janeiro: MAUAD; FAPERJ, p.53-66, 2011.</p>
<p>BELLUZZO, Ana Maria de Moraes. <em>O Brasil dos Viajantes</em>. Vol.2. São Paulo: Metalivros, 1994.</p>
<p><a href="http://expagcrj.rio.rj.gov.br/eduardo-jose-de-moraes/" target="_blank">Dicionário de Verbetes AGCRJ</a></p>
<p><a href="https://enciclopedia.itaucultural.org.br/pessoa21627/franz-keller-leuzinger" target="_blank">Enciclopédia Itaú Cultural</a></p>
<p>FERREZ, Gilberto. <i>A fotografia no Brasil</i>: 1840-1900. 2ª edição. Rio de Janeiro: FUNARTE, 1985.</p>
<p>FASOLATO, Jorge Douglas Alves. <a href="http://rubi.casaruibarbosa.gov.br/bitstream/20.500.11997/16893/1/DISSERTA%C3%87%C3%83O%20-%20Jorge%20Douglas%20Alves%20Fasolato.pdf" target="_blank"><em>Estrada União e Indústria: paisagem, intervenção e fotografias de Revert Henry Klumb na perspectiva de uma rota cultural. </em></a>Fundação Casa de Rui Barbosa Programa de Pós-Graduação em Memória e Acervos Mestrado Profissional em Memória e Acervos, 2020.</p>
<p>FONSECA, Dante Ribeiro da. <a href="https://www.gentedeopiniao.com.br/colunista/dante-fonseca/a-madeira-mamore-e-a-noticia-biografica-de-george-earl-church-feita-por-clements-markham" target="_blank"><em>A Madeira-Mamoré e a notícia biográfica de George Earl Church feita por Clements Markham</em></a>. Gente de Opinião, 29 de outubro de 2019.</p>
<p><a href="http://bndigital.bn.br/hemeroteca-digital/" target="_blank"><span style="vertical-align: inherit;"><span style="vertical-align: inherit;">Biblioteca de jornais digitais da Biblioteca Nacional</span></span></a></p>
<p><span style="vertical-align: inherit;"><span style="vertical-align: inherit;">KELLER-LEUZINGER, Franz. </span></span><a href="https://www2.senado.leg.br/bdsf/item/id/227325" target="_blank"><em><span style="vertical-align: inherit;"><span style="vertical-align: inherit;">Os rios Amazonas e Madeira</span></span></em><span style="vertical-align: inherit;"><span style="vertical-align: inherit;"> : </span></span><em><span style="vertical-align: inherit;"><span style="vertical-align: inherit;">esboços e descrições do caderno de um explorador</span></span></em></a><span style="vertical-align: inherit;"><span style="vertical-align: inherit;"> . </span><span style="vertical-align: inherit;">Londres: Chapman &amp; Hall, 1874.</span></span></p>
<p>KELLER-LEUZINGER, Franz (1835-1890). <em>Os Rios Amazonas e Madeira: esboços e relatos de um explorador</em> / Franz Keller-Leuzinger; tradução, apresentação e notas de Adriano Gonçalves Feitosa &#8211; Belo Horizonte : Editora Dialética, 2021.</p>
<p>KOHL, Frank Stephan.<em> Um jovem mestre da fotografia na Casa Leuzinger</em>. <i>Cadernos de Fotografia Brasileira</i>/IMS, n.3, p.185-214, 2006.</p>
<p>KOSSOY, Boris. <em>Dicionário histórico-fotográfico brasileiro:</em> fotógrafos e ofício da fotografia no Brasil (1833-1910). São Paulo: Instituto Moreira Salles, 2002.</p>
<p>PESSOA, Ana; SANTOS, Ana Lucia Vieira dos. <a href="http://rubi.casaruibarbosa.gov.br/handle/20.500.11997/11932" target="_blank"><em>Th. Marx, um arquiteto na corte de D. Pedro II</em></a>. 3° Congresso Internacional de História da Construção Luso-Brasileira (CIHCLB), realizado em Salvador (BA) nos dias 3 a 6 de setembro de 2019</p>
<p><em>Relatório da exploração do rio Madeira na parte compreendida entre a cachoeira de Santo Antônio e a barra do Mamoré (Diário de Belém</em>, <a href="http://memoria.bn.br/DocReader/222402/1365">10 de outubro de 1869, última coluna</a>; <a href="http://memoria.bn.br/DocReader/222402/1369">12 de outubro de 1869, primeira coluna</a>; <a href="http://memoria.bn.br/DocReader/222402/1373">13 de outubro, terceira coluna</a>; <a href="http://memoria.bn.br/DocReader/222402/1377">14 de outubro de 1869, primeira coluna</a>; <a href="http://memoria.bn.br/DocReader/222402/1382" target="_blank">15 de outubro, segunda coluna</a>; <a href="http://memoria.bn.br/DocReader/222402/1386" target="_blank">16 de outubro de 1869, terceira coluna</a>).</p>
<p>SENNA, Ernesto. <em>O Velho Comércio do Rio de Janeiro</em>. 2ª edição. Rio de Janeiro: G Ermakoff, 2006.</p>
<p><a href="https://www.wdl.org/pt/item/211/" target="_blank">Site Biblioteca Digital Mundial</a></p>
<p><a href="https://www.infoescola.com/historia/tratado-de-ayacucho/" target="_blank">Site Infoescola</a></p>
<p><a href="http://site.mast.br/ovulgarisador/jornal.php" target="_blank"><span style="vertical-align: inherit;"><span style="vertical-align: inherit;">Site</span></span> Mast</a></p>
<p><span style="vertical-align: inherit;"><span style="vertical-align: inherit;">Stolberg-Wernigerode, Otto: </span></span><a href="https://daten.digitale-sammlungen.de/0001/bsb00016328/images/index.html?seite=448" target="_blank"><em><span style="vertical-align: inherit;"><span style="vertical-align: inherit;">New German Biography</span></span></em></a><span style="vertical-align: inherit;"><span style="vertical-align: inherit;"> . </span><span style="vertical-align: inherit;">Berlim: Editor Fritz Wagner, 1997.</span></span></p>
<p>VASQUEZ, Pedro Karp. <i>Fotógrafos Alemães no Brasil do século XIX</i>. São Paulo: Metalivros, 2000. p.77.</p>
<p>VERGARA, Moema de Rezende. <a href="https://www.scielo.br/j/alm/a/Cs43SNY5zTg3xVV94zCZrnj/?lang=pt" target="_blank"><em>A Exploração dos rios Amazonas e Madeira no Império Brasileiro por Franz Keller-Leuzinger: imprensa e nação</em></a>. Almanack. Guarulhos, n.06, p.81-94, 2º semestre de 2013.</p>
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		<title>João Stamato, um fotógrafo nos sertões</title>
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		<pubDate>Tue, 09 Feb 2021 19:51:50 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Andrea Wanderley]]></dc:creator>
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		<description><![CDATA[Neste artigo, Ricardo Augusto dos Santos nos conta a trajetória do paulista João Stamato (1886-1951) que foi o fotógrafo da expedição que o Instituto Oswaldo Cruz promoveu aos vales do São Francisco e do Tocantins, em 1911, registrando os costumes e pessoas, demonstrando conhecimento das técnicas, além de sensibilidade para fotografar a vida naqueles sertões. Foi um dos pioneiros do cinema nacional, tendo participado de dezenas de filmes como fotógrafo, operador e diretor.  A editora e pesquisadora da Brasiliana Fotográfica, Andrea Wanderley, contribui com a publicação da cronologia do fotógrafo.]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><strong>                                    <span style="color: #800000;"><em>Um fotógrafo nos sertões</em></span></strong><strong><span style="color: #800000;"><em>     </em></span>                              </strong></p>
<p style="text-align: center;"><em>  Ricardo Augusto dos Santos*  </em></p>
<p>&nbsp;</p>
<div style="width: 708px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/7789" target="_blank"><img class="" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/bitstream/handle/20.500.12156.1/7789/02-10-20-35-001-019.jpg.jpg?sequence=3&amp;isAllowed=y" alt="Thumbnail" width="698" height="446" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/7789" target="_blank">João Stamato. <em>Fazendo farinha</em>, 1911. Itagary, Bahia / Acervo Casa de Oswaldo Cruz</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>Acho que me comecei a ser historiador ouvindo minha avó contar <em>estórias.</em> Passou o tempo e, adulto, passei a perseguir memórias de outras pessoas. Grande parte da historiografia tende a ignorar algumas vozes e, quando não negligencia, valoriza demasiadamente determinados discursos. Também ocorre que, em busca dos homens no tempo, alguns personagens fiquem vagando pelas estantes, mexendo nos livros e papéis. Vários pesquisadores narram esse fenômeno. Um dos que me perturbam, e fascinam, é o João Stamato (1886-1951).</p>
<p><strong><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/discover?query=Stamato&amp;submit=Ir" target="_blank">Acessando o link para as fotografias de João Stamato disponíveis na Brasiliana Fotográfica, o leitor poderá magnificar as imagens e verificar todos os dados referentes a elas.</a></strong></p>
<p>Tomei contato com este fotógrafo, quando participei da pesquisa e redação do álbum fotográfico <em>A Ciência a Caminho da Roça.</em> Trata-se de um livro editado em 1992, contendo fotografias das cinco <a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=19524" target="_blank">expedições científicas que o Instituto Oswaldo Cruz promoveu pelo interior do país entre 1911 e 1913</a>. Stamato participou da viagem em que um grupo de cientistas e engenheiros, entre setembro de 1911 e fevereiro de 1912, percorreu os vales do São Francisco e Tocantins. Junto com os funcionários da Estrada de Ferro Central do Brasil e do IOC, responsáveis pelos estudos da linha que, partindo de Pirapora (Minas Gerais), deveria alcançar Belém (Pará), Stamato documentou a jornada, registrando as casas, costumes e pessoas, demonstrando conhecimento das técnicas, além de sensibilidade para fotografar a vida naqueles sertões.</p>
<p>&nbsp;</p>
<div style="width: 568px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/7791" target="_blank"><img src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/bitstream/handle/20.500.12156.1/7791/02-10-20-35-001-046.jpg.jpg?sequence=3&amp;isAllowed=y" alt="Thumbnail" width="558" height="800" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/7791" target="_blank">João Stamato. Família, 1911 / Acervo Casa de Oswaldo Cruz</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>A expedição era liderada por Adolfo Pereira Dias, engenheiro chefe do serviço de exploração da Central do Brasil, Astrogildo Machado e Antônio Martins, respectivamente, cientista e farmacêutico do IOC. Dentre os demais participantes da aventura, além de engenheiros e operários, estavam João Stamato e Cipriano Segur, ajudante do fotógrafo. Admirador das fotografias de Stamato, iniciei na década de 1990 as primeiras pesquisas. As informações indicavam que ele fora cineasta no Rio e em São Paulo. Hoje, podemos acrescentar alguns dados. Natural de São Carlos (SP), João Stamato faleceu no Rio de Janeiro. Era filho do italiano Giuseppe Stamato (1861-1935) e Felicia Stamato (1870-1952). Dessa união, nasceram 12 filhos. Dentre eles, João Stamato.</p>
<p>Em 1915, João casou-se com Thereza Funari Stamato, tendo cinco filhos. O cineasta Fernando Stamato (1917-1993) seguiria os caminhos do pai. Apesar das trajetórias relevantes, apenas os aficcionados por cinema conhecem João e Fernando. Este também teve uma carreira importante. Fernando foi cinegrafista da Força Expedicionária Brasileira durante a Segunda Guerra, trabalhando como correspondente na Itália. Viúvo, partiu para os campos da batalha para documentar os movimentos das tropas brasileiras. Sua esposa Lourdes Soares Dutra (1917-1941) havia falecido no parto da filha, que também não resistiu. Durante o conflito mundial, em pleno <em>front</em>, Fernando se apaixonou pela italiana Rossana Bonfatti. Casaram-se em Pistóia (Itália) e, no final da guerra, tiveram uma menina, nascida em 14 de setembro de 1945. No ano seguinte, nasceria outro filho.</p>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_22233" style="width: 574px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://memoria.bn.br/DocReader/089842_05/25545" target="_blank"><img class="wp-image-22233 size-full" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2020/12/stamato.jpg" alt="stamato" width="564" height="416" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="http://memoria.bn.br/DocReader/089842_05/25545" target="_blank">Correspondentes que serviram junto à Força Expedicionária Brasileira durante a Guerra. Em pé da esquerda para direita: Rubem Braga (Diário Carioca), Frank Norall (USIS), Thassilo Mitke (Agência Nacional), Henry Bagley (Associated Press), Raul Brandão (Correio da Manhã) e Horácio Gusmão, cinegrafista da FEB. Em baixo, da esquerda para direita: Allan Fischer (USIS), Joel Silveira (Diários Associados), Egídio Squeff (O Globo) e Fernando Stamato (Agência Nacional). <em>Correio da Manhã</em>, 14 de abril de 1945 / Arquivo Nacional</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<div style="width: 710px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/5103" target="_blank"><img src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/bitstream/handle/20.500.12156.1/5103/IOC%28AC-E%2911-57.jpg.jpg?sequence=3&amp;isAllowed=y" alt="Thumbnail" width="700" height="491" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/5103" target="_blank">João Stamato. Expedição aos vales dos rios São Francisco e Tocantins. Membros do Clube Recreativo, 1911. Tocantins / Acervo Casa de Oswaldo Cruz</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>João Stamato foi um pioneiro do cinema nacional. Esteve presente em dezenas de produções cinematográficas. Filmes de ficção, documentários e desenhos animados. Em 1910, antes de viajar pelos sertões na expedição do IOC, ele participara do primeiro documentário em longa-metragem realizado no Brasil, o <em>Imigração e Colonização no Estado de São Paulo</em>. No mesmo ano, ele filmou o <em>Terceiro Match de Futebol Corinthians e Brasileiros</em>. Trata-se de um curta-metragem, registrando um jogo de futebol entre o time Corinthians inglês e o Atletic, no Velódromo Paulistano, com o resultado de 8 x 2 para o Corinthians.</p>
<p>Em 1917, vinte anos após a morte de Diogo da Rocha Figueira, conhecido como Dioguinho (1863-1897), um criminoso do interior de São Paulo, foi lançado um filme que contava as façanhas do “bandido elegante”. Após uma perseguição policial, foi dado como morto, mas seu cadáver, no entanto, jamais foi encontrado. Esta produção, rodada em 1916, com fotografia de João Stamato, possui duração de 72 minutos. Produzido pelo estúdio Paulista Filme, direção de Guelfo Andaló e com elenco formado por Antônio Latari, Elvira Latari, Georgina Marchiani e Antônio Rolando.</p>
<p style="text-align: center;"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2020/12/cena.jpg"><img class="alignnone size-full wp-image-22236" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2020/12/cena.jpg" alt="cena" width="503" height="473" /></a></p>
<p>Contudo, na década seguinte, Stamato colaborou num grande sucesso. Um desenho animado com o estilo dos irmãos Fleischer, conhecidos por criarem a <em>Betty Boop</em>. Trata-se do filme <em>Macaco Feio, Macaco Bonito</em>. Narra a história de um macaco que foge do zoológico. Após beber, é procurado pela polícia. Consegue despistar seus algozes atirando caixas de ovos e batatas, até ser amparado por uma família. De Luiz Seel e João Stamato, o icônico <em>Macaco Feio, Macaco Bonito </em>(1929) é o primeiro curta-metragem de animação efetivamente preservado. O primeiro filme animado feito no Brasil, <em>O Kaiser </em>(1917) é um curta que satiriza a Alemanha e seus sonhos imperiais de dominar o mundo. Entretanto, este documento está perdido. Exibido no Cine Pathé, na Cinelândia, palco do iniciante cinema nacional, deste primeiro desenho animado criado por um brasileiro, restou apenas um fotograma.</p>
<p>A lista de produções de Stamato é formada por vários curtas e longas que marcaram a história do cinema, de ficção, animado e documentários. Vamos citar algumas produções que J. Stamato esteve envolvido: <em>A Viuvinha</em> (1916), <em>Coração de Gaúcho</em> (1920), <em>Ubirajara</em> (1919), <em>Amor de Perdição</em> (1918),<em> A Quadrilha do Esqueleto</em> (1917), <em>Pátria Brasileira</em> (1917) e <em>Perdida</em> (1916). João e Fernando trabalharam muito. O pai chegou a ter uma produtora. Os descendentes narram com orgulho as contribuições dos Stamatos para a história do cinema e da fotografia.</p>
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<div id="attachment_22234" style="width: 371px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://memoria.bn.br/DocReader/162531/10210" target="_blank"><img class="wp-image-22234 size-full" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2020/12/seth.jpg" alt="seth" width="361" height="527" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="http://memoria.bn.br/DocReader/162531/10210" target="_blank">João Stamato (em pé) com Álvaro Marins / Cinearte, 28 de maio de 1930 </a></p></div>
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<p style="text-align: left;"><em>Seth, pseudônimo de Álvaro Marins (1891-1949) foi um desbravador da animação brasileira. Produziu charges e caricaturas. Seth dirigiu o filme Kaiser, a primeira animação brasileira exibida nos cinemas. O cartunista acrescentou movimento ao desenho e fez o imperador Guilherme II contracenar com um globo terrestre. Dessa primeira experiência restou um único fotograma. Portanto, o mais antigo filme animado preservado é Macaco Feio, Macaco Bonito, com o nosso João Stamato. </em></p>
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<div id="attachment_22235" style="width: 470px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://memoria.bn.br/DocReader/162531/10739" target="_blank"><img class="size-full wp-image-22235" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2020/12/stamato1.jpg" alt="Cinearte, de 1930" width="460" height="543" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="http://memoria.bn.br/DocReader/162531/10739" target="_blank">Durante as filmagens de <em>Paralelos da Vida</em>, da Aurora Film. João Stamato, o operador ( sentado, à esquerda), o diretor Gentil Roiz, as atrizes Gina Cavalliere e Estella Mar, e um visitante/  <em>Cinearte</em>, 13 de agosto de 1930</a></p></div>
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<div style="width: 504px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/7792" target="_blank"><img src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/bitstream/handle/20.500.12156.1/7792/02-10-20-35-001-024.jpg.jpg?sequence=3&amp;isAllowed=y" alt="Thumbnail" width="494" height="697" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/7792" target="_blank">João Stamato. Mulheres. Expedição científica aos vales do São Francisco e Tocantins, dezembro de 1911 / Acervo Casa de Oswaldo Cruz</a></p></div>
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<p>*Ricardo Augusto dos Santos é Pesquisador Titular da Fundação Oswaldo Cruz</p>
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<p style="text-align: center;"><span style="color: #800000;"><em><strong>Cronologia do fotógrafo João Stamato (1886 &#8211; 1951), pioneiro do cinema nacional</strong></em></span></p>
<p style="text-align: center;">Andrea C. T. Wanderley</p>
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<div id="attachment_22351" style="width: 238px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://memoria.bn.br/DocReader/110523_05/10436" target="_blank"><img class="size-full wp-image-22351" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2020/12/stamato2.jpg" alt="João Stamato / O Jornal de 1951" width="228" height="440" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="http://memoria.bn.br/DocReader/110523_05/10436" target="_blank">João Stamato / O Jornal 4 de novembro de 1951</a></p></div>
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<p style="text-align: left;"><span style="color: #993300;"><strong>1886</strong></span> &#8211; Em 28 de fevereiro, nascimento de João Stamato, em São Carlos, em São Paulo, um dos 12 filhos do italiano Giuseppe Stamato (1861-1935) e Felicia Chiffoni Stamato (1870-1952). Eram seus irmãos Antenor, Carlos, Júlio (? &#8211; 1914), Leonor (? &#8211; 1927), Luisa, Maria de Lourdes (? &#8211; 1927), Mariana, Matilde, Olga, Rafael, Ricardina e a irmã adotiva Ida Ricardi.</p>
<p style="text-align: left;"><span style="color: #800000;"><strong>1905</strong></span> &#8211; Em São Paulo, abriu um pequeno estúdio fotográfico com laboratório.</p>
<p style="text-align: left;"><span style="color: #993300;"><strong>1907</strong></span> &#8211; Foi o fotógrafo do curta-metragem <em>Dançarina Descalça</em>, dirigido pelo italiano Guelfo Andalo (? &#8211; 1945), estrelado por Cristiano Reis e Anita Pelisser.</p>
<p style="text-align: left;">Atuava como fotógrafo em São Paulo e enviou para a redação do <em>Correio Paulistano</em> registros do funeral de Miranda de Azevedo, realizado na Matriz de Santa Cecília (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/090972_06/10512" target="_blank"><em>Correio Paulistano</em>, 14 de março de 1907, quarta coluna</a>).</p>
<p style="text-align: left;">Participou de um <em>suntuoso</em> almoço oferecido pela Câmara Municipal de Santos ao então governador de São Paulo, Jorge Tibiriçá Piratininga (1855 &#8211; 1928)(<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/090972_06/11461" target="_blank"><em>Correio Paulistano</em>, 28 de agosto de 1907, quinta coluna</a>).</p>
<p style="text-align: left;"><span style="color: #993300;"><strong>1909</strong> </span>- Na coluna de &#8220;Crônica Social&#8221;, foi anunciado seu aniversário e ele foi identificado como fotógrafo (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/090972_06/15034" target="_blank"><em>Correio Paulistano</em>, 28 de fevereiro de 1909, sexta coluna</a>).</p>
<p style="text-align: left;">Fechou seu estúdio fotográfico, comprou uma câmera Pathê e tornou-se o cinegrafista oficial do cinema Radium, na rua São Bento, 59, em São Paulo. A sala de exibição havia passado por uma <em>transformação completa</em> (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/090972_06/15620" target="_blank"><em>Correio Paulistano</em>, 2 de junho de 1909, primeira coluna</a>).</p>
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<div id="attachment_22573" style="width: 194px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://memoria.bn.br/docreader/090972_06/15684"><img class="size-full wp-image-22573" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2021/01/radium.jpg" alt="Correio Paulistano, 11 de junho de 1909" width="184" height="319" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="http://memoria.bn.br/DocReader/090972_06/15684"><em>Correio Paulistano</em>, 11 de junho de 1909</a></p></div>
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<p style="text-align: left;">Dirigiu e foi o fotógrafo do documentário <em>Revista Militar do Campo da Mooca</em>, de 24 minutos e estrelado por Manoel Joaquim de Albuquerque Lins.</p>
<p style="text-align: left;"><span style="color: #993300;"><strong>1910</strong> </span>- Fundou a São Paulo Film e foi o produtor de <em>Imigração e Colonização no Estado de São Paulo,</em> primeiro documentário de longa-metragem do cinema brasileiro.</p>
<p style="text-align: left;">Dirigiu e foi o fotógrafo dos documentários <em>Segunda-feira de Páscoa na Cantareira e <em>Terceiro Match de Futebol Corinthians e Brasileiros. </em></em>Esse último foi um curta-metragem, registrando um jogo de futebol entre o time Corinthians inglês e o Atlectic, no Velódromo Paulistano, com o resultado de 8 x 2 para o Corinthians.</p>
<p style="text-align: left;">Era o cinegrafista oficial da Comissão Geológica e Geográfica do Estado de São Paulo.</p>
<p style="text-align: left;">Mudou-se para o Rio de Janeiro.</p>
<p style="text-align: left;">Por volta deste ano, foi contratado pelo fotógrafo e diretor de cinema Alfredo Musso (18? &#8211; 19?) e passou uma temporada no Rio Grande do Sul, onde produziu registros de temas agrícolas que, em 1911, foram enviados para a Exposição Internacional de Agricultura em Roma e em Turim.</p>
<p style="text-align: left;"><span style="color: #800000;"><strong>1911/1912</strong> </span>- Stamato participou da viagem em que um grupo de cientistas e engenheiros, entre setembro de 1911 e fevereiro de 1912, percorreu os vales do São Francisco e Tocantins. Junto com os funcionários da Estrada de Ferro Central do Brasil e do Instituto Oswaldo Cruz, responsáveis pelos estudos da linha que, partindo de Pirapora (Minas Gerais), deveria alcançar Belém (Pará), Stamato documentou a jornada, registrando as casas, costumes e pessoas, demonstrando conhecimento das técnicas, além de sensibilidade para fotografar a vida naqueles sertões. Seu assistente era Cipriano Segur (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/800082/1163" target="_blank"><em>Estado do Pará</em>, 20 de janeiro de 1912, última coluna</a>).</p>
<p style="text-align: left;">Segundo uma nota do artigo <em><a href="https://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&amp;pid=S0104-59702009000500008" target="_blank">Expedições científicas, fotografia e intenção documentária: as viagens do Instituto Oswaldo Cruz (1911-1913)</a>:</em></p>
<p style="text-align: left;"><em>&#8220;Uma sequência de imagens de um batelão vencendo uma corredeira sugere que João Stamato, na Expedição Machado e Martins, ao contrário de seus colegas das outras viagens, pode ter recorrido a filmes flexíveis de nitrato de celulose, já disponíveis em escala comercial desde 1902. O uso de placas de vidro teria dificultado significativamente a rápida operação de substituição das placas, que uma sequência desse tipo requereria. Cabe observar também que não são conhecidos negativos em vidro dessa expedição&#8221;</em></p>
<p style="text-align: left;">Uma das fotografias de sua autoria, <em>Fazendo farinha</em>, produzida durante essa viagem, em 1911, em Itagary, na Bahia, é, de certa forma, muito semelhante a uma fotografia de autoria de Flávio de Barros, realizada durante a Guerra de Canudos, também na Bahia, em 1897.</p>
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<div style="width: 708px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/7789" target="_blank"><img src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/bitstream/handle/20.500.12156.1/7789/02-10-20-35-001-019.jpg.jpg?sequence=3&amp;isAllowed=y" alt="Thumbnail" width="698" height="446" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/7789" target="_blank">João Stamato. Fazendo farinha, 1911. Itagary, Bahia / Acervo Casa de Oswaldo Cruz</a></p></div>
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<div style="width: 718px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/4860" target="_blank"><img src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/bitstream/handle/20.500.12156.1/4860/P001FBAC65.jpg.jpg?sequence=2&amp;isAllowed=y" alt="Thumbnail" width="708" height="525" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/4860" target="_blank">Flavio de Barros. 400 jagunços prisioneiros, 2 de outubro de 1897. Canudos, Bahia / Acervo Museu da República / Imagem recuperada digitalmente pelo Instituto Moreira Salles </a></p></div>
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<p>Viajou com o ministro da Agricultura, Pedro Manuel de Toledo (1860 -1935), a Montevidéu. Voltou ao Brasil a bordo do paquete alemão <em>Cap Arcona</em> (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/103730_04/30193" target="_blank"><em>Gazeta de Notícias</em>, 30 de maio de 1912, sexta coluna</a>).</p>
<p style="text-align: left;"><span style="color: #800000;"><strong>1913</strong></span> &#8211; Esteve em Cataguazes, em Minas Gerais, contratado pela empresa Paschoal, onde filmou vários aspectos da cidade. O resultado seria exibido em poucos dias no Cinema Recreio Cataguazense (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/178691_04/15831" target="_blank"><em>O Paiz</em>, 9 de março de 1913, quarta coluna</a>).</p>
<p style="text-align: left;">Montou um laboratório na Praça XV.</p>
<p style="text-align: left;"><span style="color: #993300;"><strong>1914</strong></span> &#8211; Seu irmão, Júlio Stamato, faleceu a caminho da Europa, no navio <em>Duca di Genova, </em>em 2 de fevereiro (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/107670_01/6938" target="_blank"><em>O Imparcial: Diário Illustrado do Rio de Janeiro, </em>23 de junho de 1914, sexta coluna</a>).</p>
<p style="text-align: left;">Conheceu Luiz de Barros (1893 &#8211; 1982), que havia chegado da Itália com sua mulher, a atriz italiana Gita de Barros (1897 &#8211; 1994). Em seu livro, <em>Minhas Memórias (1978)</em>, Barros escreveu:</p>
<p style="text-align: left;"><em>&#8220;&#8230;conheci o saudoso João Stamato, que tinha um rudimentar laboratório instalado numa dependência da Academia do Comércio ali na Rua Sete de Setembro, esquina da Praça 15, onde, por muito tempo, existiu um vendedor de pássaros. Aquele laboratório me encantou. Revelava-se, então, enrolando o filme em volta de grandes tambores engradados, cabendo a eles, geralmente, de 50 a 160 metros de filme de cada vez. e numas grandes banheiras côncavas, com os banhos, o rolo era colocado de forma que a parte de baixo entrava no banho e a gente, com uma manivela, rodava o mesmo para que o filme, em cada volta, fosse mergulhado no revelador. Uma beleza!&#8221;</em></p>
<p style="text-align: left;">Stamato foi o fotógrafo de <em>A viuvinha</em>, filme baseado no livro de José de Alencar (1829 &#8211; 1877), sob a direção de Luiz de Barros (1893 &#8211; 1982) e estrelado por Linda Bianchi, pela italiana Gita de Barros (1897–1994) e pelo próprio Luiz de Barros. A maior parte do filme foi realizado no Clube Dramático da rua 24 de maio.</p>
<p style="text-align: left;"><span style="color: #993300;"><strong>1915</strong></span> &#8211; Casou-se com  Thereza Funari Stamato, em Taquaritinga, <em>ativo agente nesta praça da Companhia Cinema Color de São Paulo </em>(<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/107670_01/9868" target="_blank"><em>O Imparcial: Diário Illustrado do Rio de Janeiro</em>, 6 de março de 1915, segunda coluna</a>). Tiveram cinco filhos.</p>
<p style="text-align: left;">Foi o fotógrafo do documentário <em>Polyterpsia</em>, filmado em Niterói.</p>
<p style="text-align: left;"><span style="color: #993300;"><strong>1916</strong> </span>- Foi o fotógrafo do filme <em>Perdida</em>, dirigido por Luiz de Barros (1893–1982) e estrelado por Leopoldo Froes (1882–1932), Érico Braga (1889 &#8211; 1962) e Yole Burlini (18? &#8211; 19?). Ele e o diretor brigaram e ele foi substituído por Paulino Botelho.</p>
<p style="text-align: left;">Também foi o fotógrafo de <em>Entre o amor e a arte</em>, que estreou no Cine Avenida em 16 de novembro, sob a direção de Charles F. MacLaren e estrelado por Duque, Gaby, Miss Ray, Francisco Marzullo e Emilio Campos.</p>
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<div id="attachment_22352" style="width: 729px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://memoria.bn.br/DocReader/110523_05/10436" target="_blank"><img class="wp-image-22352 size-full" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2020/12/stamato3.jpg" alt="João Stamato focalizando Gaby no set de filmagem de Entre o amor e a vida  / O Jornal, de 1951" width="719" height="457" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="http://memoria.bn.br/DocReader/110523_05/10436" target="_blank">João Stamato focalizando Gaby no set de filmagem de<em> Entre a arte e o amo</em>r / <em>O Jornal</em>, 4 de novembro de 1951</a></p></div>
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<p style="text-align: left;">Stamato era o operador da Anglo Brazilian Cinematographic Co (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/830380/24708" target="_blank"><em>A Notícia</em>, 15 de julho de 1916, última coluna</a>).</p>
<p style="text-align: left;">Sua irmã Mathilde casou-se com Francisco Perrone, recém formado na Faculdade de Medicina (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/364568_10/42721" target="_blank"><em>Jornal do Commercio</em>, 11 de dezembro de 1916, terceira coluna</a>).</p>
<p style="text-align: left;"><span style="color: #993300;"><strong>1917</strong> </span>- Nascimento de seu filho, o futuro cineasta Fernando Stamato (1917-1993)(<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/107670_01/16610" target="_blank"><em>O Imparcial: Diário Illustrado do Rio de Janeiro</em>, 28 de junho de 1917, segunda coluna</a>).</p>
<p style="text-align: left;">Vinte anos após a morte de Diogo da Rocha Figueira, conhecido como Dioguinho (1863-1897), um criminoso do interior de São Paulo, foi lançado o filme <em>Dioguinho, </em>que contava as façanhas do “bandido elegante”. Após uma perseguição policial, foi dado como morto, mas seu cadáver, no entanto, jamais foi encontrado. Esta produção, rodada em 1916, com fotografia de João Stamato, possui duração de 72 minutos. Produzido pelo estúdio Paulista Filme, direção do italiano Guelfo Andaló (? &#8211; 1945) e com elenco formado por Antônio Latari, Elvira Latari, Georgina Marchiani e Antônio Rolando.</p>
<p style="text-align: left;">Estreia em 24 maio do filme <em>Pátria Brasileira</em>, do qual foi o fotógrafo. A direção foi do italiano Guelfo Andalo (? &#8211; 1945) e os atores foram Antônio Latarim Elvira Latari e Georgina Marchiani. O poeta Olavo Bilac (1865 &#8211; 1918) dirigiu uma das cenas do filme (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/124451/33353" target="_blank"><em>Para Todos</em>, primeira quinzena de novembro de 1956</a>).</p>
<p style="text-align: left;">Foi também o fotógrafo do filme <em>A Quadrilha do Esqueleto</em>, dirigido por Eduardo Arouca e estrelado pelo próprio, além de Mário Assunção e Nella Berti.</p>
<p>Casamento da irmã adotiva de Stamato, Ida Ricardi, com o comerciante João Campello Junior (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/111988/11186" target="_blank"><em>Jornal do Commercio</em>, edição da tarde, </a><a href="http://memoria.bn.br/DocReader/111988/11186" target="_blank">6 de outubro de 1917, segunda coluna</a><em>).</em></p>
<p style="text-align: left;">Ladrões invadiram a casa onde Stamato residia com a família, na rua Riachuelo, 156, e roubaram uma máquina fotográfica e outros objetos de valor (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/178691_04/36449" target="_blank"><em>O Paiz</em>, 25 de outubro de 1917, terceira colun</a>a).</p>
<p style="text-align: left;"><span style="color: #993300;"><strong>1918</strong> </span>- Baseado na obra do escritor português Camilo Castelo Branco (1825–1890), lançamento do filme <em>Amor de Perdição</em>, sob a direção de José Vianna, com fotografia de João Stamato, estrelado por Eduardo Arouca, João Ayres e Esther Cordeiro.</p>
<p style="text-align: left;"><span style="color: #993300;"><strong>1919</strong></span> &#8211; Em junho, estreia do filme <em>Ubirajara</em>, baseado na obra de José de Alencar (1829 &#8211; 1877), dirigido por Luiz de Barros (1893–1982), com quem havia se reconciliado, e estrelado por Otília Amorim (1894–1970), Manoel F. Araujo (1880 &#8211; 1940) e pelo próprio Luiz de Barros. Produzido pela Guanabara-Film, foi o filme de estreia do ator e futuro dono da Cinédia, Adhemar Gonzaga (1901 &#8211; 1978).</p>
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<div id="attachment_22356" style="width: 617px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://memoria.bn.br/DocReader/089842_02/39805" target="_blank"><img class="size-full wp-image-22356" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2020/12/ubirajara.jpg" alt="Correio da Manhã, 28 de junho de 1919" width="607" height="325" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="http://memoria.bn.br/DocReader/089842_02/39805" target="_blank"><em>Correio da Manhã</em>, 28 de junho de 1919</a></p></div>
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<p style="text-align: left;">Stamato, identificado como antigo operador da Guanabara Film, e Antonio Couto Sobrinho desligaram-se da empresa, mas continuariam a produzir filmes sob a marca Rio Film (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/720100/21139" target="_blank"><em>A Época</em>, 28 de setembro de 1919, quarta coluna</a>).</p>
<p style="text-align: left;"><span style="color: #993300;"><strong>1920</strong></span> &#8211; Em 28 de janeiro, estreia do curta-metragem <em>Convém martelar</em>, do qual Stamato foi o fotógrafo. Com duração de 20 minutos, foi dirigido por Manoel F. Araujo (1880  1940) e pelo português Antonio Silva (1886 &#8211; 1971). Foi estrelado pelo próprio Araújo, por Carlos Barbosa e por Adhemar Gonzaga (1901 &#8211; 1978). Na época, era associado da Amazônia Film.</p>
<p style="text-align: left;">Em 26 de abril, estreia de<em> Coração de Gaúcho</em>, do qual Stamato também foi o fotógrafo. Baseado na obra de José de Alencar (1829 &#8211; 1877), dirigido por Luiz de Barros (1893–1982) e estrelado por Antônia Denegri (1900 &#8211; 1935), Manoel F. Araujo (1880 &#8211; 1940) e pelo próprio Luiz de Barros.</p>
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<div id="attachment_22363" style="width: 371px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://memoria.bn.br/DocReader/162531/19311" target="_blank"><img class="size-full wp-image-22363" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2020/12/coração-de-gaúcho.jpg" alt="Cena do filme &quot;Coração de Gaúcho&quot; com Manoel Araújo e " width="361" height="319" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="http://memoria.bn.br/DocReader/162531/19311" target="_blank">Cena do filme C<em>oração de Gaúcho</em> com Manoel Araújo e Antônio Silva / <em>Cinearte, </em>1º de setembro de 1936</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: left;">Ele e Vicente Capelaro foram identificados como <em>artistas que no silêncio de seus laboratórios e sem os &#8220;reclamos bombásticos&#8221; têm-nos dados sempre produções artísticas elevando a cinematografia nacional ao nível em que deve estar</em> (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/089842_03/3631" target="_blank"><em>Correio da Manhã</em>, 14 de outubro de 1920, penúltima coluna</a>).</p>
<p style="text-align: left;">Nascimento de José, filho de João e Thereza Stamato (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/111988/18447" target="_blank"><em>Jornal do Commercio, edição da tarde</em>, 30 de outubro de 1920, segunda coluna</a>).</p>
<p style="text-align: left;"><span style="color: #800000;"><strong>1921/1922</strong></span> &#8211; Repassou seus equipamentos e laboratório para a Brasília Filme, de Salvador Aragão. Na companhia, que era também uma escola de cinema, realizou algumas reportagens e fez créditos e intertítulos para filmes estrangeiros.</p>
<p style="text-align: left;"><span style="color: #800000;"><strong>1923</strong> </span>- Era o proprietário da Ita-Film, produtora cinematográfica nacional, e recebeu profissionais da <em>Gazeta de Notícias</em> em sua empresa (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/103730_05/8546" target="_blank"><em>Gazeta de Notícias</em>, 25 de abril de 1923, quinta coluna</a>).</p>
<p style="text-align: left;"><span style="color: #800000;"><strong>1927</strong></span> &#8211; Falecimento de sua irmã, Leonor Stamato (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/348970_02/19889" target="_blank"><em>A Noite</em>, 9 de maio de 1927, primeira coluna).</a></p>
<p style="text-align: left;">Em São Paulo, falecimento de sua irmã, Maria de Lourdes Stamato (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/348970_02/20770" target="_blank"><em>A Noite</em>, 30 de agosto de 1927, segunda coluna</a>).</p>
<p style="text-align: left;"><span style="color: #800000;"><strong>1928 -</strong></span> A Belo Horizonte Films, sob a direção de Thiers Teóphilo do Bom Conselho e do professor Manoel Tallon, tentou contratar João como operador (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/162531/5631" target="_blank"><em>Cinearte</em>, 18 de julho de 1928</a>).</p>
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<p><span style="color: #800000;"><strong>1929</strong> </span>- Ele e Luiz Seel dirigiram o icônico <em>Macaco Feio, Macaco Bonito </em>(1929), o primeiro curta-metragem de animação brasileiro efetivamente preservado. Seu estilo é semelhante ao dos irmãos norte-americanos Max (1883 &#8211; 1972) e Dave Fleischer (1894 &#8211; 1979), responsáveis pela transformação de personagens de história em quadrinhos em desenhos animados como <em>Betty Boop</em>, <em>Popeye</em> e <em>Super-Homem</em>. O primeiro filme animado feito no Brasil, <em>O Kaiser </em>(1917), produzido pelo cartunista Álvaro Marins (1891 &#8211; 1949), também conhecido como Seth, é um curta que satiriza a Alemanha e seus sonhos imperiais de dominar o mundo. Estreou no Cinema Pathé, na Cinelândia. Entretanto, este documento está perdido.</p>
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<p style="text-align: center;"><a href="https://www.imdb.com/title/tt0335268/?ref_=nm_flmg_dr_2" target="_blank"><img class="alignnone size-full wp-image-22347" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2020/12/macaco-feio1.jpg" alt="macaco feio" width="184" height="270" /></a></p>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: left;">Era o responsável pelos trabalhos de câmera e laboratório do filme de estreia de Gentil Roiz (1889 &#8211; 1975) no Rio, na época intitulado <em>A Religião do Amor</em>, estrelado por Gina Cavallieri, Neusa Dora e Raul Schnoor e produzido pela Aurora Film. Foi anunciado que quando terminassem essas filmagem, produziria pela Ita Film, de sua propriedade, um filme sob a direção de Manoel F. Araújo (1880 &#8211; 1940) (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/162531/6749" target="_blank"><em>Cinearte</em>, 9 de janeiro 1929</a>, <a href="http://memoria.bn.br/DocReader/162531/7392" target="_blank"><em>Cinearte</em>, 17 de abril de 1929</a> e <a href="http://memoria.bn.br/DocReader/162531/8711" target="_blank"><em>Cinearte</em>, 16 de outubro de 1929</a>).</p>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_22361" style="width: 683px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://memoria.bn.br/pdf/162531/per162531_1929_00159.pdf" target="_blank"><img class="size-full wp-image-22361" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2020/12/religião.jpg" alt="Cinearte, 13 de março de 1929" width="673" height="522" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="http://memoria.bn.br/pdf/162531/per162531_1929_00159.pdf" target="_blank">Cena de <em>A Religião do Amor</em> /<em> Cinearte</em>, 13 de março de 1929, página 4</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: left;"><span style="color: #800000;"><strong>1930 </strong>- <span style="color: #000000;">O cinematógrafo de João Stamato ficava no Beco da Carioca, nº 24 (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/313394/105012" target="_blank"><em>Almanak Laemmert</em>, 1930</a>).</span></span></p>
<p style="text-align: left;"><span style="color: #800000;">C<span style="color: #000000;">olaborou com Gentil Roiz (1899 &#8211; 1975) em <em>Paralelos da Vida</em>, filme inacabado.</span></span></p>
<p style="text-align: left;">Auxiliou a filmagem de um filme dirigido por Álvaro Marins (1891 &#8211; 1949), conhecido como Seth, sobre a teoria do funcionamento do serviço telefônico automático (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/162531/10243" target="_blank"><em>Cinearte</em>, 28 de maio de 1930</a>). Seth foi, como já mencionado, o autor do primeiro desenho animado brasileiro, <em>Kaiser</em>, exibido em 1917.</p>
<p style="text-align: left;">Um incêndio no laboratório da Ita-Film, de sua propriedade, destruiu alguns trechos do filme <em>Paralelos da Vida</em>, que ele estava fotografando para a Aurora Film e todo o seu material de filmagem (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/162531/11464" target="_blank"><em>Cinearte</em>, 3 de dezembro de 1930</a>).</p>
<p><strong><span style="color: #800000;">1932</span></strong> &#8211; Com sede na rua da Lapa, 95, fundação, em 1º de fevereiro, da Associação Brasileira de Produtores Cinematográficos. Stamato, Fausto Moniz e Luiz Leal eram do conselho fiscal da entidade, presidida por Armando Carijó, tendo como vice-presidente Adhemar Gonzaga e, como tesoureiro, Alberto Botelho. O secretário era Eurico de Oliveira (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/093092_02/7086" target="_blank"><em>Diário Carioca</em>, 27 de janeiro de 1932, primeira coluna</a>; <a href="http://memoria.bn.br/DocReader/162531/14054" target="_blank"><em>Cinearte</em>, 16 de março de 1932</a>).</p>
<p>Stamato integrava uma comissão da Associação Brasileira de Produtores Cinematográficos que foi ao Palácio Rio Negro, em Petrópolis, entregar ao presidente da República, Getulio Vargas (1882 &#8211; 1954), o título de presidente de honra da entidade. Os outros diretores eram Adhemar Gonzaga, Alberto Botelho, Antão Correia da Silva, Armando Valle, Carlos Eugênio, Eurico Oliveira, Humberto Mauro, Jayme Pinheiro, Luis Seel e Oduvaldo Vianna (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/213829/14673" target="_blank"><em>Diário Nacional: a Democracia em Marcha (SP)</em>, 4 de março de 1932, quarta coluna</a>).</p>
<p>Em 4 de abril, promulgação do <a href="https://www2.camara.leg.br/legin/fed/decret/1930-1939/decreto-21240-4-abril-1932-515832-publicacaooriginal-81522-pe.html" target="_blank">Decreto nº 21.240, de 4 de Abril de 1932</a> &#8211; &#8220;Nacionalizar o serviço de censura dos filmes cinematográficos, cria a &#8220;Taxa Cinematográfica para a educação popular e dá outras providências&#8221;.</p>
<p><em>&#8220;Após anos de reivindicações daqueles que desempenhavam as atividades cinematográficas, em 1932 o Decreto-lei nº. 21.240 foi aprovado por Getulio Vargas e trata da nacionalização do serviço de censura dos filmes, cria a “Taxa Cinematográfica para a Educação Popular”, obriga as salas de cinema a exibirem um complemento nacional em cada sessão e dá outras providências. Esta primeira “reserva de mercado” para o produto nacional garantiu uma pequena sobrevida financeira dos estúdios e laboratórios da época, que presenciou também o surgimento de produtores nacionais independentes. Esse é o <strong>marco do início da intervenção do Estado</strong> na atividade cinematográfica nacional. Até hoje há dúvidas se a promulgação desse Decreto por esse governo foi uma medida que visava à produção nacional de fato ou se já buscava a manutenção do cinema como ferramenta da política populista&#8221; (<a href="https://produtorantenado.com.br/o-estado-e-a-producao-audiovisual-parte-02/" target="_blank">O Estado e a produção audiovisual)</a>.</em></p>
<p>A composição da direção da Associação Brasileira  de Produtores Cinematográficos havia mudado: presidente, Jayme Carijó; vice-presidente, Alberto Botelho; secretário, Adhemar Gonzaga; tesoureiro, Jayme Pinheiro; procurador, Armando Walls; conselheiros fiscais, Fausto Muniz, Luiz Seel e Stamato; bibliotecário, William Schoucair (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/162531/26921" target="_blank"><em>Cinearte</em>, 3 de agosto de 1932</a>).</p>
<p><span style="color: #800000;"><strong>1933 </strong></span>- João Stamato filmou aspectos da chegada ao Rio de Janeiro de Luiz Severiano Ribeiro (1886 &#8211; 1974), principal figura da organização dos Exibidores Reunidos ao Rio de Janeiro. Julio Marc Ferrez (1881 &#8211; 1946), filho do grande fotógrafo <a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=13570" target="_blank">Marc Ferrez (1843 &#8211; 1923),</a> pelo Sindicato dos Exibidores Cinematográficos, foi um dos presentes à chegada de (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/120200/515" target="_blank"><em>A Nação</em>, 16 de fevereiro de 1933</a>).</p>
<p>Lançamento de <em>Brasil Jornal</em>, com filmes nacionais produzidos pelos <em>cinematógrafos</em> Stamato e Antão Corrêa da Silva. O ministro da Marinha, Protógenes Pereira Guimarães (1876 &#8211; 1938), foi à <em>preview</em> do programa de atualidades.</p>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_22368" style="width: 387px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://memoria.bn.br/docreader/120588/3817" target="_blank"><img class="size-full wp-image-22368" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2020/12/noite.jpg" alt="A Noite Illustrada, 26 de julho de 1933" width="377" height="485" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="http://memoria.bn.br/docreader/120588/3817" target="_blank"><em>A Noite Illustrada</em>, 26 de julho de 1933</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>O ministro da Educação, Washington Ferreira Pires (1892 &#8211; 1970), deferiu o requerimento de João Stamato que pedia a isenção da taxa de censura para o filme nacional <em>Evitando o perigo. </em>O filme sobre uma excursão a Sete Quedas e às Cataratas do Iguaçu, do Touring Club do Brasil, também foi beneficiado (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/221961_01/15393" target="_blank"><em>Diário da Noite</em>, 5 de setembro de 1933, sexta coluna</a>).</p>
<p><span style="color: #800000;"><strong>1934</strong></span> &#8211; Criou uma série de curtas-metragens exibida nas edições do cinejornal <em>Lanterna Mágica, que fez escola na maneira de angular as cenas.</em></p>
<p>Era diretor da produtora cinematográfica Brasil Jornal Ltda. Além dele, eram sócios da empresa Antão Correia da Silva e Leônidas Detsi Filho (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/364568_12/30374" target="_blank"><em>Jornal do Commercio</em>, 21 de junho de 1934, quarta coluna</a>; <a href="%20http://memoria.bn.br/DocReader/089842_04/22887" target="_blank"><em>Correio da Manhã</em>, 8 de julho de 1934</a>).</p>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_22366" style="width: 556px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://memoria.bn.br/docreader/089842_04/22887" target="_blank"><img class="size-full wp-image-22366" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2020/12/exibidores.jpg" alt="Correio da Manhã, 8 de julho de 1934" width="546" height="392" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="http://memoria.bn.br/docreader/089842_04/22887" target="_blank"><em>Correio da Manhã</em>, 8 de julho de 1934</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>No Cinema Alhambra, a Associação Brasileira de Produtores Cinematográficos promoveu a exibição de vários filmes nacionais. Trabalhos de João Stamato foram exibidos (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/030015_05/48250" target="_blank"><em>Jornal do Brasi</em>l, 4 de novembro de 1934, primeira coluna</a>).</p>
<p>Era proprietário da produtora João &amp; Stamato (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/162531/17186" target="_blank"><em>Cinearte</em>, 15 de novembro de 1934</a>).</p>
<p>Produziu o curta-metragem <em>Copacabana, o bairro encantador</em> (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/162531/17234" target="_blank"><em>Cinearte</em>, 1º de dezembro de 1934</a>).</p>
<p><span style="color: #800000;"><strong>1935 </strong></span>- Estreou no Palácio Teatro o <em>Lanterna Mágica nº 5, s</em>obre os jardins do Rio de Janeiro. <em>&#8220;Fotografia de João Stamato que inegavelmente está se tornando um de nossos melhores cinegrafistas&#8221;</em>(<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/162531/17524" target="_blank"><em>Cinearte</em>, 1º de março de 1935</a>).</p>
<p>Falecimento de José Stamato, pai de João (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/572748/41234" target="_blank"><em>Diário da Manhã,</em> 16 de abril de 1935, segunda coluna</a>).</p>
<p>Ele, A. F. Castro e Edgar Brasil, considerados três dos melhores cinegrafistas do Brasil, participavam da Cinédia &#8220;<em>o complemento brasileiro preferido pelos exibidores</em>&#8221; (<a href="http://memoria.bn.br/docreader/162531/18440" target="_blank"><em>Cinearte,</em> 1º de dezembro de 1935</a>).</p>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_22362" style="width: 144px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://memoria.bn.br/docreader/162531/18440" target="_blank"><img class="wp-image-22362" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2020/12/cinedia.jpg" alt="cinedia" width="134" height="603" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="http://memoria.bn.br/docreader/162531/18440" target="_blank"><em>Cinearte</em>, 1º de deembro de 1935</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: left;"><span style="color: #800000;"><strong>1936 </strong></span>- Representando a Lanterna Mágica, Stamato participou de uma reunião no Departamento de Propaganda, presidida por Lourival Fontes (1899 &#8211; 1967), seu diretor (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/093092_02/22937" target="_blank"><em>Diário Carioca</em>, 15 de janeiro de 1936</a>).</p>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_22367" style="width: 448px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://memoria.bn.br/DocReader/093718_01/25530" target="_blank"><img class="wp-image-22367 size-full" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2020/12/reunião.jpg" alt="Diário de Notícias, 15 de janeiro de 1936" width="438" height="302" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="http://memoria.bn.br/DocReader/093718_01/25530" target="_blank"><em>Diário de Notícias</em>, 15 de janeiro de 1936</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: left;">Foi o cinegrafista de <em>dois novos e lindos complementos da Cinédia</em>: <em>São Paulo em 1936</em> e <em>Filmando Copacabana</em> (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/162531/18913" target="_blank"><em>Cinearte</em>, 1º de maio de 1936</a>).</p>
<p style="text-align: left;">Havia chegado há pouco tempo de uma viagem ao Norte onde, para a Cinédia, filmou Recife, Bahia, Paraíba e a Cachoeira de Paulo Afonso (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/162531/19007" target="_blank"><em>Cinearte</em>, 1º de junho de 1936).</a></p>
<p style="text-align: left;">Seu filme <em>Lanterna Mágica nº 13</em> ficou em terceiro lugar no concurso promovido pelo Mês do Cinema Nacional. O primeiro e o segundo lugares foram conquistados por <em>Rio, propagandista da beleza brasileira</em>, da Waldow Film S.A, produzido por Wallace Downey (1902 &#8211; 1967) com texto de Cesar Ladeira (1910 &#8211; 1969); e por <em>Cachoeira de Paulo Afonso</em>, da Cinédia, filmado por Stamato com texto proferido pelo locutor Dilo Guardia, respectivamente (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/093092_02/24839" target="_blank"><em>Diário Carioca</em>, 24 de maio de 1936, quarta coluna</a>; <a href="http://memoria.bn.br/DocReader/348970_03/31811" target="_blank"><em>A Noite</em>, 24 de maio de 1936, segunda coluna</a>).</p>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_22365" style="width: 185px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://memoria.bn.br/docreader/093092_02/24915" target="_blank"><img class="wp-image-22365 size-full" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2020/12/mez.jpg" alt="mez" width="175" height="341" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="http://memoria.bn.br/docreader/093092_02/24915" target="_blank"><em>Diário Carioca</em>, 29 de maio de 1936</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: left;">Estava trabalhando como operador no filme <em>Bonequinha de Luxo</em>, da Cinédia, e dirigido por Oduvaldo Vianna (1892 &#8211; 1972) (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/348970_03/32849" target="_blank"><em>A Noite</em>, 30 de junho de 1936, quarta coluna</a>).</p>
<p style="text-align: left;">O ator Manoel F. Araújo (1880 &#8211; 1940), que participou de muitos filmes com João Stamato, declarou sua admiração pelo cinegrafista (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/162531/19310" target="_blank"><em>Cinearte</em>, 1º de setembro de 1936</a>).</p>
<p style="text-align: left;">Viajou para as Cataratas do Iguaçu com um grupo de excursionistas do Touring Club do Brasil (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/103730_06/10207" target="_blank"><em>Gazeta de Notícias</em>, 22 de setembro de 1936, segunda coluna</a>).</p>
<p style="text-align: left;"><span style="color: #800000;"><strong>1937 -</strong></span> Em matéria da <em>Cinearte,</em> Stamato foi elogiado. Também foi lembrado que a Cinédia o cedeu para que ele trabalhasse com o ator, cantor e diretor de cinema brasileiro, Raul Roulien (1905 &#8211; 2000), no curta-metragem <em>O meu colégio. </em>Roulien é considerado o primeiro galã brasileiro em Hollywood (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/162531/19701" target="_blank"><em>Cinearte</em>, 1º de janeiro de 1937</a>).</p>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_22364" style="width: 408px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://memoria.bn.br/DocReader/162531/19701" target="_blank"><img class="wp-image-22364 size-full" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2020/12/roulien.jpg" alt="roulien" width="398" height="295" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="http://memoria.bn.br/DocReader/162531/19701" target="_blank"><em>Cinearte</em>, 1º de janeiro de 1937</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: left;"><span style="color: #000000;">Ele e Edgar Brasil foram os fotógrafos de <em>Vozes da Floresta</em>,<em> novo complemento de valor</em> da Cinédia (<a style="color: #000000;" href="http://memoria.bn.br/DocReader/162531/19887" target="_blank"><em>Cinearte</em>, 1º e março de 1937</a>).</span></p>
<p style="text-align: left;">No Palácio, na Cinelândia, apresentação do curta-metragem do Lanterna Mágica nº 19, <em>Rumando ao Rio</em>, de J0ão Stamato. <em>Nunca se viram tão lindos aspectos de nossa cidade-sublimes como estes</em> (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/030015_05/73780" target="_blank"><em>Jornal do Brasil,</em> 16 de março de 1937, penúltima coluna</a>).</p>
<p style="text-align: left;">No concurso do Mês do Cinema Brasileiro, instituído pela Associação Cinematográfica de Produtores Brasileiros, o curta-metragem de João Stamato, <em>Lanterna Mágica nº 21</em>, ficou em terceiro lugar (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/348970_03/43983" target="_blank"><em>A Noite</em>, 27 de março de 1937, primeira coluna</a>).</p>
<p style="text-align: left;">Trabalhava para a Cinédia e também por conta própria (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/095605/67" target="_blank"><em>Dom Casmurro</em>, 17 de junho de 1937, primeira coluna</a>).</p>
<p style="text-align: left;">Estava em cartaz no Glória o curta-metragem <em>Proteção à Saúde Escolar</em>, de João Stamato (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/030015_05/79288" target="_blank"><em>Jornal do Brasil</em>, 12 de outubro de 1937, quinta coluna</a>;<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/103730_06/14560" target="_blank"><em> Gazeta de Notícias</em>, 12 de outubro de 1937, primeira coluna</a>).</p>
<p style="text-align: left;">Pela Cinédia, Stamato estava em Corumbá, no Mato Grosso, acompanhando as manobras militares pelo general Deschamps Cavalcanti (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/103730_06/14648" target="_blank"><em>Gazeta de Notícias</em>, 20 de outubro de 1937, terceira coluna</a>).</p>
<p style="text-align: left;">Era o responsável pela nova <em>Revista Cinédia </em>(<em>Fon-Fon</em>, 18 de dezembro de 1937).</p>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_22370" style="width: 404px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://memoria.bn.br/docreader/259063/96621" target="_blank"><img class="size-full wp-image-22370" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2020/12/cinedia1.jpg" alt="Fon-Fon, 18 de dezembro de 1937" width="394" height="315" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="http://memoria.bn.br/docreader/259063/96621" target="_blank"><em>Fon-Fon</em>, 18 de dezembro de 1937</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: left;"><span style="color: #800000;"><strong>1938 -</strong></span> Para documentar a visita do presidente Getulio Vargas (1882 &#8211; 1954) à sua terra natal, Stamato embarcou para o Sul (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/107670_03/11151" target="_blank"><em>O Imparcial,</em> 9 de janeiro de 1938, última coluna</a>).</p>
<p style="text-align: left;">Seu filho, Fernando, funcionário do Departamento Nacional de Propaganda, ficou noivo de Lourdes Sales Soares Dutra (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/093092_02/35101" target="_blank"><em>Diário Carioca</em>, 25 de junho de 1938, terceira coluna</a>). Casaram-se no dia 8 de dezembro do ano seguinte (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/093092_02/41064" target="_blank"><em>Diário Carioca</em>, 8 de dezembro de 1939, terceira coluna</a>).</p>
<p style="text-align: left;">Ele e Jaime de Andrade Pinheiro, proprietário da Pan-Film do Brasil, formavam uma comissão que estava convocando profissionais de cinema para uma reunião na sede da Associação Brasileira de Produtores Cinematográficos quando seriam discutidos temas referentes aos interesses dos trabalhadores do setor assim como o desenvolvimento técnico e artístico do cinema nacional (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/030015_05/86225" target="_blank"><em>Jornal do Brasil</em>, 5 de agosto de 1938</a>).</p>
<p style="text-align: left;"><span style="color: #800000;"><strong>1940</strong></span> &#8211; Recebeu elogios por seu curta-metragem <em>Vida de Antônio Parreiras</em> (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/112518_01/13775" target="_blank"><em>Jornal dos Sports</em>, 11 de janeiro de 1940).</a></p>
<p style="text-align: left;">As Bodas de Prata de João e Thereza Stamato foram comemoradas com a realização de uma missa em ação de graças na Igreja de Santo Antônio dos Pobres (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/093092_03/530" target="_blank"><em>Diário Carioca</em>, 27 de fevereiro de 1940, quinta coluna</a>).</p>
<p style="text-align: left;">Stamato foi identificado como destacado produtor de cinejornais e curtas-metragens. Fez um acordo com a Distribuidora de Filmes Brasileiros Ltda (<a href="http://memoria.bn.br/docreader/175102/19127" target="_blank"><em>A Batalha</em>, 19 de junho de 1940, quinta coluna</a>).</p>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_22374" style="width: 796px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://memoria.bn.br/DocReader/084859/35912" target="_blank"><img class=" wp-image-22374" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2020/12/foto.jpg" alt="Scena Muda, 1940" width="786" height="337" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="http://memoria.bn.br/DocReader/084859/35912" target="_blank"><em>A Scena Muda</em>, 2 de julho de 1940</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: left;">Falecimento de sua avó materna, Ricarda Giffone (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/348970_04/5976" target="_blank"><em>A Noite</em>, 4 de dezembro de 1940, sétima coluna</a>).</p>
<p style="text-align: left;"><span style="color: #800000;"><strong>1941</strong></span> &#8211; Trabalhava como cinematografista do Departamento de Imprensa e Propaganda e embarcou para Manaus (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/029033_12/7292" target="_blank"><em>Diário de Pernambuco</em>, 25 de novembro de 1941, última coluna</a>).</p>
<p style="text-align: left;">Sua nora, Lourdes Soares Dutra (1917-1941), casada com seu filho, Fernando, faleceu no parto da filha.</p>
<p style="text-align: left;"><span style="color: #800000;"><strong>1942 </strong><span style="color: #000000;">- Operou com Firmo Neto (1916 &#8211; 1998) <em>O Coelho sai</em>, primeiro filme falado do cinema pernambucano, dirigido por Newton Paiva, estrelado por Alvarenga (1911 &#8211; 1978) e produzido pela Meridional Filmes S.A. Era um musical em peto e branco que contava a história da saudade de uma jovem pelo Recife, tendo como pano de fundo a cultura e o carnaval pernambucanos. A música do filme era do maestro Nelson Ferreira (1902 &#8211; 1976) e originou o nome do longa (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/084859/43120" target="_blank"><em>Scena Muda</em>, 2 de fevereiro de 1943</a>; <a href="http://www.cinemapernambucano.com.br/index.php/component/k2/item/3903-o-coelho-sai" target="_blank"><em>Cinema Pernambucano</em></a>).</span></span></p>
<p style="text-align: left;">Foi o fotógrafo do curta-metragem <em>Debret e o Rio de hoje</em> (<a href="http://memoria.bn.br/docreader/029033_12/8871" target="_blank"><em>Diário de Pernambuco</em>, 16 de abril de 1942</a>).</p>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_22373" style="width: 475px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://memoria.bn.br/docreader/029033_12/8871" target="_blank"><img class="wp-image-22373 size-full" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2020/12/debret1.jpg" alt="Diário de Pernambuco, de 1942" width="465" height="394" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="http://memoria.bn.br/docreader/029033_12/8871" target="_blank"><em>Diário de Pernambuco</em>, 16 de abril de 1942</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: left;">Foi publicada a ata de uma reunião da Distribuidora de Filmes Brasileiros S.A., realizada em 7 de abril (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/110523_04/12636" target="_blank"><em>O Jornal, </em>8 de agosto de 1942</a>)<b>.</b></p>
<p style="text-align: left;"><span style="color: #800000;"><strong>1944</strong></span> &#8211; Como cinegrafista do Serviço de Informação Agrícola do Ministério da Agricultura, onde foi contratado para substituir Lafayette Cunha,  filmou aspectos da reunião de técnicos agrícolas, no Recife (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/029033_12/15506" target="_blank"><em>Diário de Pernambuco</em>, 12 de maio de 1944, quinta coluna</a>).</p>
<p style="text-align: left;"><span style="color: #800000;"><strong>1945</strong></span> &#8211; Era cinegrafista do serviço de Documentação do Ministério da Agricultura (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/116408/27098" target="_blank"><em>A Manhã</em>, 23 de junho de 1945, segunda coluna</a>).</p>
<p style="text-align: left;">Fernando foi cinegrafista da Força Expedicionária Brasileira durante a Segunda Guerra, trabalhando como correspondente na Itália. Viúvo, partiu para os campos da batalha para documentar os movimentos das tropas brasileiras. Durante o conflito mundial, em pleno <em>front</em>, se apaixonou pela italiana Rossana Bonfatti. Casaram-se em Pistóia (Itália) e, no final da guerra, tiveram uma menina, nascida em 14 de setembro de 1945. No ano seguinte, nasceria outro filho.</p>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_22376" style="width: 426px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://museudavitoria.blogspot.com/2016/05/grupo-de-um-correspondente-de-guerra-do.html" target="_blank"><img class="size-full wp-image-22376" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2021/01/memorabilia.jpg" alt="Memorabilia de Fernando Stamato / Acervo Museu da Vitória" width="416" height="550" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="http://museudavitoria.blogspot.com/2016/05/grupo-de-um-correspondente-de-guerra-do.html" target="_blank">Memorabilia de Fernando Stamato / Acervo Museu da Vitória Blogspot</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: left;">João Stamato foi o responsável pela filmagem da Cachoeira Dourada, em Goiânia, uma parceria entre o governo de Goiás e o Ministério da Agricultura (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/116408/27993" target="_blank"><em>A Manhã</em>, 7 de outubro de 1945, quinta coluna</a>).</p>
<p style="text-align: left;"><span style="color: #800000;"><strong>1946</strong></span> &#8211; Trabalhando para o Ministério da Agricultura, realizou um documentário sobre a extração de gás e de petróleo na Bahia (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/110523_04/12636" target="_blank"><em>O Jornal</em>, 18 de janeiro de 1946, quinta coluna</a>).</p>
<p style="text-align: left;">Realizou também os documentários <em>Aspectos da economia goiana</em>, <em>Goiânia</em> e <em>Goiás de ontem e de hoje, </em>além do curta-metragem<em> Nem te ligo </em>(<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/116408/29449" target="_blank"><em>A Manhã</em>, 20 de março de 1946, última coluna</a>).</p>
<p style="text-align: left;"><span style="color: #800000;"><strong>1947</strong> </span>- Foi publicado o artigo <em>Como nasceu o cinema</em>, de João Stamato (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/110523_04/40427" target="_blank"><em>O Jornal</em>, 5 de outubro de 1947</a>).</p>
<p style="text-align: left;"><span style="color: #800000;"><strong>1948</strong></span> &#8211; Foi o responsável por uma sequência do filme <em>Mãe</em>, produzido pela Cinédia. Publicação de uma crítica do filme (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/110523_04/45747" target="_blank"><em>O Jornal,</em> 12 de outubro de 1948</a>).</p>
<p style="text-align: left;"><span style="color: #800000;"><strong>1950</strong></span> &#8211; Embarcou para Porto Alegre (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/093092_04/4695" target="_blank"><em>Diário Carioca</em>, 26 de outubro de 1950, última coluna</a>).</p>
<p style="text-align: left;"><span style="color: #800000;"><strong>1951</strong></span> &#8211; Faleceu no Rio de Janeiro, em 25 de outubro de 1951, vítima de uma síncope do coração, quando saía do Ministério da Agricultura. Foi enterrado no Cemitério João Batista e sua missa de sétimo dia realizou-se na Igreja de São Francisco de Paula. Na épica era cinegrafista do Ministério da Agricultura e havia chegado há pouco tempo do Norte do país onde filmou os trabalhos da Usina Hidroelétrica de São Francisco. Pela primeira havia filmado a cores, um dos maiores desejos de sua vida (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/110523_05/10265" target="_blank"><em>O Jornal</em>, 26 de outubro de 1951</a>; <a href="http://memoria.bn.br/DocReader/093092_04/11213" target="_blank"><em>Diário Carioca</em>, 26 de outubro de 1951, última coluna</a>; <a href="http://memoria.bn.br/DocReader/348970_05/9495" target="_blank"><em>A Noite</em>, 27 de outubro de 1951, quinta coluna</a>; <a href="http://memoria.bn.br/DocReader/093718_03/12828" target="_blank"><em>Diário de Notícias</em>, 30 de outubro de 1951, última coluna</a>).</p>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_22349" style="width: 498px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://memoria.bn.br/DocReader/110523_05/10265" target="_blank"><img class="wp-image-22349 size-full" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2020/12/falecimento.jpg" alt="falecimento" width="488" height="366" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="http://memoria.bn.br/DocReader/110523_05/10265" target="_blank"><em>O Jornal</em>, 26 de outubro de 1951</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>O crítico de cinema Pedro Lima escreveu o artigo <em>Para a história do cinema brasileiro</em> sobre a vida de João Stamato <a href="http://memoria.bn.br/DocReader/110523_05/10436" target="_blank">(<em>O Jornal</em>, 4 de novembro de 1951</a>).</p>
<p><span style="color: #800000;"><strong>1957</strong></span> &#8211; Em artigos João Stamato foi citado como um dos pioneiros do cinema nacional (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/104140/22986" target="_blank"><em>Gazeta Esportiva</em>, 11 de janeiro de 1957</a> e <a href="http://memoria.bn.br/DocReader/259063/150004" target="_blank"><em>Fon-Fon</em>, 12 de março de 1957</a>).</p>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: center;"><span style="color: #800000;"><strong><em>Filmografia de João Stamato no Dicionário de Fotógrafos do Cinema Brasileiro</em></strong></span></p>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: center;"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2021/01/stamato.jpg"><img class="alignnone size-full wp-image-22574" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2021/01/stamato.jpg" alt="stamato" width="418" height="192" /></a><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2021/01/stamato1.jpg"><img class="alignnone size-full wp-image-22575" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2021/01/stamato1.jpg" alt="stamato1" width="410" height="239" /></a></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Andrea C. T. Wanderley</p>
<p>Editora e pesquisadora da Brasiliana Fotográfica</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><span style="color: #800000;"><strong>Fontes da cronologia:</strong></span></p>
<p>BARROS, Luiz de. <em>Minhas Memórias de Cineasta</em>. Rio de Janeiro : Artenova, 1978.</p>
<p>Fundação Oswaldo Cruz. Casa de Oswaldo Cruz. <em>A ciência a caminho da roça</em>. <em>Imagens das expedições científicas do Instituto Oswaldo Cruz ao interior do Brasil entre 1911 e 1913.</em> Rio de Janeiro: Fiocruz/Casa de Oswaldo Cruz, 1991.</p>
<p><a href="http://bndigital.bn.br/hemeroteca-digital/" target="_blank">Hemeroteca Digital da Biblioteca Nacional</a></p>
<p>MELLO, Maria Teresa Bandeira de; Pires-Alves, Fernando A. <em><a href="https://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&amp;pid=S0104-59702009000500008" target="_blank">Expedições científicas, fotografia e intenção documentária: as viagens do Instituto Oswaldo Cruz (1911-1913)</a>. </em><a href="http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_serial&amp;pid=0104-5970&amp;lng=en&amp;nrm=iso">História, Ciências, Saúde-Manguinhos</a>, vol 16 supl.1 Rio de Janeiro, julho de 2009.</p>
<p>RAMOS, Fernão; MIRANDA, Luiz Felipe (orgs). <em>Enciclopédia do Cinema Brasileiro.</em> São Paulo : SENAC, 2000.</p>
<p><em>Revista de História da Biblioteca Nacional</em>, 1º de dezembro de 2007</p>
<div class="index,pt">Revista <a href="http://revista.cultura.gov.br/wp-content/uploads/2017/06/Filme-Cultura-n.08.pdf" target="_blank"><em>Fime Cultura</em> </a>- Rio de Janeiro: Instituto Nacional de Cinema. Ano II &#8211; nº 8 &#8211; 6 de março de 1968</div>
<div class="index,pt"></div>
<div class="index,pt">SILVA NETO, Antônio Leão da. <a href="https://issuu.com/bdlf/docs/dicionario_dos_fotografos" target="_blank"><em>Dicionário de Fotógrafos do Cinema Brasileiro</em></a>. São Paulo : Imprensa Oficial do Estado de São Paulo, 2010.</div>
<p><a href="http://bases.cinemateca.gov.br/" target="_blank">Site Cinemateca Brasileira</a></p>
<p><a href="cinematecapernambucana.com.br" target="_blank">Site Cinematema Pernambucana</a></p>
<p><a href="https://www.imdb.com/name/nm1127575/" target="_blank">Site IMDB</a></p>
<p>SOARES, Natália de Castro.<em><a href="https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/27/27161/tde-24112014-085256/publico/NATALIADECASTROSOARES.pdf" target="_blank"> A cor do cinema silencioso do Brasil 1913 &#8211; 1931: produção e linguagem</a> (dissertação). </em>Escola de Comunicação e Artes da Universidade de São Paulo, 2014.</p>
<p>SOUZA, José Inácio Melo. <a href="www.mnemocine.com.br%20› index.php › doc_download" target="_blank"><em>Retomando o trabalho com jornais da tela</em></a> (ensaio).</p>
<p>TOMAIN, Cássio dos Santos. &#8220;<em>Janela da Alma&#8221; Cinejornal e Estado Novo &#8211; Fragmentos de um discurso totalitário</em>. São Paulo: Annablume; Fapesp, 2006.</p>
</div>
</div>
</div>
</div>
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		<title>Nos passos de Oswaldo: imagens das expedições do IOC aos portos do Brasil entre 1911 e 1913</title>
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		<pubDate>Mon, 25 May 2020 13:50:37 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Andrea Wanderley]]></dc:creator>
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		<description><![CDATA[No dia em que a Fundação Oswaldo Cruz completa 120 anos, a Brasiliana Fotográfica homenageia a instituição com a publicação de um artigo e de imagens das expedições realizadas por pesquisadores do Instituto Oswaldo Cruz aos portos do Brasil, entre os anos de 1911 e 1913. As fotos estão sob a guarda do Departamento de Arquivo e Documentação da Casa de Oswaldo Cruz, unidade da Fiocruz parceira do portal e responsável pela preservação do patrimônio histórico da Fundação. Hoje, se os aeroportos são as principais vias de entrada de vírus como o Sars-Cov-2, no passado o controle para evitar epidemias começava nos portos marítimos e fluviais. Quem nos conta essa história é Cristiane d’Avila, jornalista do DAD/COC. No final do artigo, estão listados, com links, todos os 25 artigos produzidos pelo Departamento de Arquivo e Documentação da Casa de Oswaldo Cruz para a Brasiliana Fotográfica.]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p>Hoje a Fundação Oswaldo Cruz completa 120 anos e a Brasiliana Fotográfica homenageia a instituição com a publicação de um artigo e de imagens das expedições realizadas por pesquisadores do Instituto Oswaldo Cruz <span style="color: #333333;">aos portos do Brasil,</span> entre os anos de 1911 e 1913. As fotos estão sob a guarda do Departamento de Arquivo e Documentação da Casa de Oswaldo Cruz, unidade da Fiocruz parceira do portal e responsável pela preservação do patrimônio histórico da Fundação. Hoje, se os aeroportos são as principais vias de entrada de vírus como o Sars-Cov-2, no passado o controle para evitar epidemias começava nos portos marítimos e fluviais. Quem nos conta essa história é Cristiane d’Avila, jornalista do DAD/COC. No final do artigo, estão listados, com links, todos os 25 artigos produzidos pelo Departamento de Arquivo e Documentação da Casa de Oswaldo Cruz para a Brasiliana Fotográfica.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: center;"><em><span style="color: #800000;"><strong>Nos passos de Oswaldo: imagens das expedições do IOC aos portos do Brasil em entre 1911 e 1913</strong></span></em></p>
<p style="text-align: center;">   Cristiane d’Avila*</p>
<p>&nbsp;</p>
<div style="width: 711px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/8116" target="_blank"><img src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/bitstream/handle/20.500.12156.1/8116/IOC_V_II_0544.jpg.jpg?sequence=3&amp;isAllowed=y" alt="Thumbnail" width="701" height="500" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/8116" target="_blank">Plano inclinado do Porto de Manaus, 10/1912 a 02/1913. Manaus, AM / Acervo Casa de Oswaldo Cruz</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>“Os meios de defesa dos portos da extensa costa brasileira são totalmente ineficientes contra a penetração de moléstias contagiosas vindas do estrangeiro. O serviço sanitário dos portos é verdadeiramente vergonhoso. É imprescindível instalar estações de desinfecção nos portos principais, bem como hospitais de isolamento com laboratórios, indispensáveis para o diagnóstico das moléstias”<a href="#_ftn1" name="_ftnref1">[1]</a>.</p>
<p>As rigorosas medidas sanitárias citadas acima foram pinçadas de uma carta de<a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=10762" target="_blank"> Oswaldo Cruz</a> escrita em 1905, quando o cientista chefiava a Diretoria Geral de Saúde Pública (DGSP). Em inédita e pioneira expedição científica a portos marítimos e fluviais de Norte a Sul do Brasil, Cruz escreveu, diariamente, dezenas de cartas à esposa Emília da Fonseca Cruz e telegramas a autoridades da época. Em suas missivas, o cientista relatava o que via nos “sertões”<a href="#_ftn2" name="_ftnref2">[2]</a> e localidades até então quase inabitadas do país.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><span style="color: #800000;"><a style="color: #800000;" href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/visualizar-grupo-trabalho/226" target="_blank"><strong>Acessando o link para as 21 fotografias selecionadas sobre as expedições do IOC aos portos do Brasil em entre 1911 e 1913 para esse artigo disponíveis na Brasiliana Fotográfica, o leitor poderá magnificar as imagens e verificar todos os dados referentes a elas</strong>.</a></span></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Nessa expedição, que durou mais de 100 dias entre os meses de setembro de 1905 a fevereiro de 1906, Oswaldo Cruz constatou o risco a que estava sujeita a população nas “portas de entrada” do país, os portos marítimos e fluviais. Seu objetivo era combater, principalmente, doenças como malária, peste bubônica e febre amarela, entre outras enfermidades. Era preciso sanear aquelas localidades e também responder positivamente a tratados internacionais. Signatário da 11ª Conferência Sanitária Internacional, assinada em Paris, em 1903, e da Convenção Sanitária entre as Repúblicas Platinas, assinada no Rio de Janeiro, em 1904, o país tinha o compromisso de promover a reforma da organização sanitária das zonas portuárias brasileiras.</p>
<p>A bordo do navio República, Oswaldo Cruz fez o seguinte percurso de inspeção aos portos, partindo do porto do Rio de Janeiro: Cabo Frio (RJ), Vitória (ES); Caravelas, Porto Seguro, Santa Cruz e Salvador (BA); Aracaju (SE); Penedo e Maceió (AL); Tamandaré e Recife (PE), Cabedelo e João Pessoa (PB); Natal, Mossoró e Assu (RN); Camocim e Fortaleza (CE); Amarração (PI), São Luís (MA); Belém, Santarém e Óbidos (PA); e Parintins e Manaus (AM). O propósito foi estabelecer nessas localidades estações de desinfecção e hospitais de isolamento, para debelar moléstias que mortificavam o povo empobrecido do interior.</p>
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<div style="width: 710px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/8119" target="_blank"><img src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/bitstream/handle/20.500.12156.1/8119/IOC_V_II_0354.jpg.jpg?sequence=3&amp;isAllowed=y" alt="Thumbnail" width="700" height="516" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/8119" target="_blank">Gaiola ancorada &#8211; Rio Branco, Rio Acre, 21/12/1912 &#8211; 31/12/1912. Rio Branco, AC / Acervo Casa de Oswaldo Cruz</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>“A série não está completa. A última carta disponível foi enviada de São Luís do Maranhão, mas sabemos que Oswaldo Cruz prosseguiu viagem até Manaus e, depois, aos portos do Sul”, explica a pesquisadora do Departamento de Arquivo e Documentação da Casa de Oswaldo Cruz (DAD/COC) Ana Luce Girão, no artigo “A bordo do <em>República</em>: diário pessoal da expedição de Oswaldo Cruz aos portos marítimos e fluviais do Brasil”.</p>
<p>Em segunda etapa da viagem iniciada em janeiro de 1906, o cientista rumou para o Sul a bordo do paquete Santos. Foi quando visitou os portos de Santos, Paranaguá, São Francisco e Rio Grande. Estendeu o itinerário até as capitais do Uruguai, da Argentina e do Paraguai e, em seguida, a Corumbá (MT). Em 28 de fevereiro, depois de passar novamente por Buenos Aires e Assunção, retornou ao Rio de Janeiro<a href="#_ftn3" name="_ftnref3">[3]</a>.</p>
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<div style="width: 711px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/8103" target="_blank"><img src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/bitstream/handle/20.500.12156.1/8103/02-10-20-35-001-006.jpg.jpg?sequence=3&amp;isAllowed=y" alt="Thumbnail" width="701" height="467" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/8103" target="_blank">Porto de Januária, 1911-1912. Januária, MG / Acervo Casa de Oswaldo Cruz</a></p></div>
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<p>Infelizmente, não há registro fotográfico sobre essa expedição aos portos marítimos e fluviais do Brasil pela DGSP <a href="#_ftn4" name="_ftnref4">[4]</a>, mas o DAD/COC guarda 29 documentos textuais de Oswaldo sobre a experiência. Além de representarem um minucioso e praticamente único relato da viagem, neles o cientista registra impressões sobre as condições de saúde, arquitetura e topografia das cidades visitadas. Tal qual um etnógrafo, tece observações sobre hábitos e costumes, comportamentos e modos de vestir e falar das elites locais e da população em geral<a href="#_ftn5" name="_ftnref5">[5]</a>.</p>
<p>Esse conjunto documental faz parte da série Correspondência do Fundo Oswaldo Cruz, a qual possui cerca de dois mil itens documentais de tipo textual, iconográfico e cartográfico, com datas-limite situadas entre 1885 e 1953. Para Ana Luce Girão, aí está registrada, com considerável detalhe, a trajetória profissional, intelectual e administrativa do titular.</p>
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<div style="width: 711px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/8123" target="_blank"><img src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/bitstream/handle/20.500.12156.1/8123/IOC_V_II_0485.jpg.jpg?sequence=3&amp;isAllowed=y" alt="Thumbnail" width="701" height="507" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/8123" target="_blank">Porto de Recife, 11 de maio de 1913. Recife, PE / Acervo Casa de Oswaldo Cruz</a></p></div>
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<p>As 21 fotos selecionadas para ilustrar este artigo abrangem as<a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=13880" target="_blank"> expedições científicas de pesquisadores do Instituto Oswaldo Cruz (IOC) realizadas entre 1911 e 1913</a>. Seguindo os passos do mentor Oswaldo Cruz, Arthur Neiva e <a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=12777" target="_blank">Belisário Penna</a> percorreram o norte da Bahia, o sudeste de Pernambuco, o sul do Piauí e Goiás de norte a sul. <a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=13446" target="_blank">João Pedro de Albuquerque </a>e José Gomes de Faria dirigiram-se para o Ceará e o norte do Piauí. Adolpho Lutz e Astrogildo Machado desceram o rio São Francisco, de Pirapora a Juazeiro, cruzando também alguns de seus afluentes. <a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=13402" target="_blank">Carlos Chagas</a>, Pacheco Leão e  João Pedro Albuquerque inspecionaram boa parte da bacia do rio Amazonas através dos rios Solimões, Juruá, Purus, Acre, Iaco, Negro e o baixo rio Branco.</p>
<p>“Os temas de maior ocorrência no conjunto fotográfico de 1913 são as paisagens rurais e fluviais e os transportes. Rios, barrancos e vegetações emolduram vultos de vapores, gaiolas e embarcações menores, denotando a vastidão do território, a dificuldade de percorrê-lo e a escassa presença humana”<a href="#_ftn6" name="_ftnref6">[6]</a>.</p>
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<div style="width: 710px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/8112" target="_blank"><img src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/bitstream/handle/20.500.12156.1/8112/IOC_V_II_0046.jpg.jpg?sequence=3&amp;isAllowed=y" alt="Thumbnail" width="700" height="503" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/8112" target="_blank">Porto de Providência, Rio Negro, fevereiro de 1913. Acre / Acervo Casa de Oswaldo Cruz</a></p></div>
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<p>A partir de documentos da viagem de Oswaldo Cruz em 1905 e das expedições do IOC de 1911 a 1913, pesquisadores da COC produziram os documentários <a href="https://www.youtube.com/watch?v=LzYdhNO2EQw" target="_blank"><em>Chagas na Amazônia</em> (1991)</a><a href="#_ftn7" name="_ftnref7">[7]</a>, <a href="https://www.youtube.com/watch?v=-ungTgViUBw" target="_blank"><em>Chagas nos rios Negro e Branco</em> (1994)</a><a href="#_ftn8" name="_ftnref8">[8]</a>, <a href="https://www.youtube.com/watch?v=OCB-wuyX194" target="_blank"><em>Chagas no Acre e Purus</em></a> (1997)<a href="#_ftn9" name="_ftnref9">[9]</a> e<a href="https://www.youtube.com/watch?v=Pz2worK__Ls" target="_blank"> <em>Oswaldo Cruz na Amazônia</em></a> (2002)<a href="#_ftn10" name="_ftnref10">[10]</a>, refazendo as mencionadas viagens e reexaminando questões relativas às condições sanitárias da região amazônica.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><a href="#_ftnref1" name="_ftn1">[1]</a> Trecho extraído de carta de Oswaldo Cruz reproduzida em áudio no documentário <em>Oswaldo Cruz na Amazônia</em>, de Stella Oswaldo Cruz Penido e Eduardo Thielen, produzido pela VideoSaúde Distribuidora da Fiocruz.</p>
<p><a href="#_ftnref2" name="_ftn2">[2]</a> Para compreender melhor a expressão ver LIMA, 1998.</p>
<p><a href="#_ftnref3" name="_ftn3">[3]</a> Para saber mais, acesse <a href="http://www.oswaldocruz.fiocruz.br">www.oswaldocruz.fiocruz.br</a></p>
<p><a href="#_ftnref4" name="_ftn4">[4]</a> PENIDO, 2007.</p>
<p><a href="#_ftnref5" name="_ftn5">[5]</a> Ver em <a href="http://basearch.coc.fiocruz.br/index.php/expedicao-aos-portos-maritimos-e-fluviais-do-brasil-pela-dgsp">http://basearch.coc.fiocruz.br/index.php/expedicao-aos-portos-maritimos-e-fluviais-do-brasil-pela-dgsp</a></p>
<p><a href="#_ftnref6" name="_ftn6">[6]</a> SANTOS, THIELEN, 1996.</p>
<p><a href="#_ftnref7" name="_ftn7">[7]</a> Ver em https://youtu.be/LzYdhNO2EQw</p>
<p><a href="#_ftnref8" name="_ftn8">[8]</a> Ver em https://youtu.be/-ungTgViUBw</p>
<p><a href="#_ftnref9" name="_ftn9">[9]</a> Ver em https://youtu.be/OCB-wuyX194</p>
<p><a href="#_ftnref10" name="_ftn10">[10]</a> Ver em <a href="https://portal.fiocruz.br/video-oswaldo-cruz-na-amazonia-revolta-da-vacina">https://portal.fiocruz.br/video-oswaldo-cruz-na-amazonia-revolta-da-vacina</a></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>*Cristiane d’Avila é jornalista do Departamento de Arquivo e Documentação Casa de Oswaldo Cruz/Fiocruz</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><span style="color: #800000;"><strong>Fontes</strong>:</span></p>
<p>LIMA, Ana Luce Girão Soares de. “A bordo do República: diário pessoal da expedição de Oswaldo Cruz aos portos marítimos a fluviais do Brasil”.<strong> </strong>Hist. cienc. saúde-Manguinhos,  Rio de Janeiro ,  v. 4, n. 1, p. 158-167,  June  1997 .   Disponível em https://bit.ly/3d3ZSt8.</p>
<p>LIMA, Nísia Trindade. Missões civilizatórias da República e interpretação do Brasil.<strong> </strong>Hist. cienc. saude-Manguinhos,  Rio de Janeiro ,  v. 5, supl. p. 163-193,  jul.  1998 .   Disponível em https://bit.ly/2WosQNK.</p>
<p>PENIDO, Stella Oswaldo Cruz. “Carta do editor”.<strong> </strong>Hist. cienc. saúde-Manguinhos,  Rio de Janeiro ,  v. 14, supl. p. 7-9,  dez.  2007 .   Disponível em https://bit.ly/2yeuzNC.</p>
<p>REBELO, Fernanda. “Entre o Carlo R. e o Orleannais: a saúde pública e a profilaxia marítima no relato de dois casos de navios de imigrantes no porto do Rio de Janeiro, 1893-1907”. Hist. ciênc. saúde – Manguinhos, Rio de Janeiro, v.20, n.3, jul.-set. 2013, p.765-796.</p>
<p>SANTOS, Fernando Dumas dos; THIELEN, Eduardo. “Revisitando a Amazônia de Carlos Chagas”.<strong> </strong>Hist. cienc. saúde-Manguinhos,  Rio de Janeiro ,  v. 3, n. 3, p. 523-534,  Nov.  1996 .   Disponível em  https://bit.ly/2YrZd0R.</p>
<p>&nbsp;</p>
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<p style="text-align: center;"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2020/03/logo.jpg"><img class="alignnone size-full wp-image-19025" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2020/03/logo.jpg" alt="logo" width="276" height="62" /></a></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2020/05/casa1.png"><img class=" size-full wp-image-19623 aligncenter" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2020/05/casa1.png" alt="casa1" width="274" height="103" /></a></p>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: center;"><span style="color: #800000;"><strong><em>Lista dos 25 artigos produzidos pela Casa de Oswaldo Cruz para publicação na Brasiliana Fotográfica </em></strong></span></p>
<p style="text-align: center;"><em>(agosto de 2017 a maio de 2020)</em></p>
<p><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=18805" target="_blank"><span style="text-decoration: underline;">A apresentação do Departamento Nacional de Saúde Pública na Exposição Internacional do Centenário da Independência – 13/04/2020 – Ricardo Augusto dos Santos, Casa de Oswaldo Cruz, Fiocruz</span></a></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=18254">Cenas da folia em Manaus em 1913 – 28/02/2020 – Cristiane d´Avila, Casa de Oswaldo Cruz, Fiocruz</a></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=16710">Trilhos sobre a floresta: imagens da construção da E.F. Madeira-Mamoré – 14/10/2019 – Cristiane d´Avila, Casa de Oswaldo Cruz/Fiocruz</a></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=16641">As ruínas de Brás de Pina – 30/09/2019 – Ricardo Augusto dos Santos, Pesquisador Titular da Fundação Oswaldo Cruz, Fiocruz</a></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=16066">O funeral de Teixeira Mendes pela lente de Augusto Malta – 02/08/2019 – Ricardo Augusto dos Santos, Pesquisador Titular da Fundação Oswaldo Cruz, e Marcus Vinícius Rubim Gomes é estagiário na Casa de Oswaldo Cruz, Fiocruz</a></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=15090">A descoberta da doença de Chagas – 14/06/2019 – Simone Petraglia Kropf, historiadora da Casa de Oswaldo Cruz, Fiocruz</a></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=8707">O cotidiano da Manguinhos – 24/04/2019 – Equipe da Fiocruz </a></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=13880">As expedições do Instituto Oswaldo Cruz entre 1911 e 1913 – 14/03/2019 – Cristiane d´Avila, Casa de Oswaldo Cruz, Fiocruz</a></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=13719">Morro de Santo Antônio – 05/02/2019 – Ricardo Augusto dos Santos, Casa de Oswaldo Cruz, Fiocruz</a></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=13446">João Pedro ou João Pedroso? – 11/01/2019 – Ricardo Augusto dos Santos e Francisco dos Santos Lourenço, Casa de Oswaldo Cruz, Fiocruz</a></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/Instituto%20Nacional%20de%20Infectologia%20Evandro%20Chagas:%20centen%C3%A1rio%20da%20constru%C3%A7%C3%A3o%20da%20pesquisa%20cl%C3%ADnica%20em%20Manguinhos">Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas: centenário da construção da pesquisa clínica em Manguinho – 21/12/2018 – Dilene Raimundo do Nascimento, Casa de Oswaldo Cruz, Fiocruz</a></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=13402">Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas 100 anos: Carlos e Evandro Chagas em retratos de família,  – 27/11/2018 – Aline Lopes de Lacerda, Casa de Oswaldo Cruz, Fiocruz</a></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=13276">Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas: 100 anos de pesquisa clínica – 26/10/2018 – Cristiane d´Avila, Casa de Oswaldo Cruz, Fiocruz</a></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=12777">O sanitarista Belisário Penna (1868 – 1939, um dos protagonistas da história da saúde pública no Brasil – 28/09/2018 – Ricardo Augusto dos Santos, Casa de Oswaldo Cruz, Fiocruz</a></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=12743">Vacinação no Brasil, uma história centenária – 17/08/2018 – Cristiane d´Avila, Casa de Oswaldo Cruz, Fiocruz</a></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=10646">A criação de uma vacina para a peste da manqueira, um marco na história da veterinária brasileira e mundial – 21/06/2018 – Cristiane d´Avila, Casa de Oswaldo Cruz, Fiocruz</a></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=11758">100 anos do Castelo da Fiocruz: criador e criatura – Renato da Gama-Rosa Costa – 15 /05/ 2018, Casa de Oswaldo Cruz, Fiocruz</a></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=11558">100 anos do Castelo da Fiocruz: os pedreiros do castelo da avenida Brasil – Ricardo Augusto dos Santos – 12/04/2018, Casa de Oswaldo Cruz, Fiocruz</a></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=11509">Febre amarela: imagens da produção da vacina no início do século XX – Aline Lopes de Lacerda – 23/03/2018, Casa de Oswaldo Cruz, Fiocruz</a></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=11321">100 anos do Castelo da Fiocruz: a ocupação da Fazenda de Manguinhos – Cristiane d´Avila – 28/02/2018, Casa de Oswaldo Cruz, Fiocruz</a></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=8703">Manguinhos e a cidade do Rio de Janeiro – Equipe da Fiocruz – 19/01/2018, Casa de Oswaldo Cruz, Fiocruz</a></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=10762">O cientista Oswaldo Cruz (1872 – 1917), prefeito de Petrópolis – Cristiane d’Avila com a colaboração de Ana Luce Girão, 28/12/2017, Casa de Oswaldo Cruz, Fiocruz</a></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=10616">O fotógrafo Joaquim Pinto da Silva, o J. Pinto (1884-1951) e a Fundação Oswaldo Cruz – Ricardo Augusto dos Santos, 16/11/2017, Casa de Oswaldo Cruz, Fiocruz</a></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=8684">Manguinhos e os sertões – Equipe da Fiocruz, 09/10/2017 , Casa de Oswaldo Cruz, Fiocruz</a></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=8499">Novos acervos: Casa de Oswaldo Cruz / Fiocruz – Fotografia, Ciência e Saúde Pública – Equipe da Fiocruz, 30/08/2017, Casa de Oswaldo Cruz, Fiocruz</a></p>
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		<title>Ilha da Trindade: síntese histórica</title>
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		<pubDate>Fri, 04 Oct 2019 14:01:05 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Andrea Wanderley]]></dc:creator>
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		<category><![CDATA[Tácito Reis de Moraes Rego]]></category>

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		<description><![CDATA[Devido à Primeira Guerra Mundial, foi criada uma guarnição mista de terra e mar, sob administração do Ministério da Marinha, na Ilha da Trindade, onde, em 1916, chegou o cruzador "Barroso" com uma guarnição militar, uma comissão científica e com o material necessário à instalação de uma estação radiotelegráfica. Foi a partir desta comissão científica, capitaneada pelo Museu Nacional que, de maio a outubro de 1916, pesquisadores colheram materiais, produziram registros fotográficos e classificaram espécies até então inéditas. São dessa época as fotografias que pertencem ao acervo do Departamento do Patrimônio Histórico da Marinha do Brasil - uma das instituições parceiras da Brasiliana Fotográfica - que ilustram o artigo "Ilha da Trindade: síntese histórica", escrito pelo capitão de corveta Daniel Martins Gusmão. Os registros foram realizadas por José Domingues dos Santos Filho (1866 - 19?), que fazia parte da equipe do museu, e pelo então capitão-tenente Moraes Rego (1882 - 1941), encarregado pela instalação de uma estação radiotelegráfica na ilha.]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: left;">A Ilha de Trindade, localizada na costa do estado do Espírito Santo, foi diversas vezes, entre os séculos XVI e XIX, alvo de disputas entre Portugal e Inglaterra. Devido à Primeira Guerra Mundial, foi criada uma guarnição mista de terra e mar, sob administração do Ministério da Marinha, na Ilha da Trindade, onde, em 24 de maio de 1916, chegou o cruzador <em>Barroso</em> com militares e uma comissão científica, com o material necessário à instalação de uma estação radiotelegráfica. Foi a partir desta comissão científica, capitaneada pelo <a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=12889" target="_blank">Museu Nacional</a> que, de maio a outubro de 1916, pesquisadores colheram materiais, produziram registros fotográficos e classificaram espécies até então inéditas. São dessa época as fotografias que pertencem ao acervo do Departamento do Patrimônio Histórico da Marinha do Brasil &#8211; uma das instituições parceiras da Brasiliana Fotográfica &#8211; que ilustram o artigo <span style="color: #333333;"><em>Ilha da Trindade: síntese histórica</em>, escrito pelo capitão de corveta Daniel Martins Gusmão. </span></p>
<p style="text-align: left;">José Domingues dos Santos Filho (1866 &#8211; 19?), que fazia parte da equipe do museu, e o então capitão-tenente Moraes Rego (1882 &#8211; 1941), encarregado pela instalação de uma estação radiotelegráfica na ilha, foram os responsáveis pelas fotografias. Posteriormente, Santos Filho foi trabalhar no Museu Paulista, onde confeccionava fotografias, copiava mapas, fazia desenhos científicos e foi responsável por pelo menos uma série composta por 12 desenhos aquarelados, a maioria deles baseada nas obras de <a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=10341" target="_blank">Hercule Florence (1804-1877)</a>. Já Moraes Rego tornou-se patrono das Comunicações Navais no Brasil.</p>
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<p style="text-align: center;"><em><span style="color: #800000;"><strong>Ilha da Trindade: síntese histórica</strong></span></em></p>
<p style="text-align: center;">Daniel Martins Gusmão*</p>
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<div style="width: 932px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/6623" target="_blank"><img class="" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/bitstream/handle/20.500.12156.1/6623/Trindade%20positivo%2024.jpg.jpg?sequence=3&amp;isAllowed=y" alt="Miniatura" width="922" height="624" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/6623" target="_blank">Aspecto da Ilha da Trindade vista de nordeste, deixando ver o Monumento e a Crista do Gallo, 1916. Ilha da Trindade, Vitória, Espírito Santo / Acervo DPHDM</a></p></div>
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<p>Em 1501, de passagem a caminho da Índia, o explorador galego João da Nova (c. 1460 &#8211; 1509), a serviço de Portugal, avistou a Ilha da Trindade. No entanto, sua posse só foi confirmada pela Coroa portuguesa, em 1503, quando Afonso de Albuquerque (1453 &#8211; 1515) navegava pela mesma rota. Ainda no século XVI, foi transformada em capitania e transferida por carta de doação de d. João III (1502 &#8211; 1557) ao fidalgo Belchior Camacho, em 1538, que nunca a ocupou. O documento é a primeira manifestação da soberania portuguesa sobre a ilha. Porém, no decorrer dos séculos XVII a <span style="color: #333333;">XIX,</span> a ilha foi ocupada, por breves períodos, para fins científicos ou militares, por ingleses e portugueses, tendo sido também alvo de disputa por estes reinos devido à sua posição estratégica privilegiada. Em 1825, no tratado que confirmou a Independência do Brasil, Trindade foi incorporada definitivamente ao território brasileiro. No final do século XIX, voltou a ser alvo de disputa e cobiça pelos britânicos.</p>
<p>Em 15 de abril de 1700, o capitão inglês Edmond Halley (1656 &#8211; 1742) visitou a Ilha da Trindade para estudos astronômicos e dela tomou formalmente posse em nome do rei Guilherme III (1650 &#8211; 1702) e da rainha Ana II (1662 &#8211; 1694), da Grã-Bretanha. Como prática usual entre os navegadores da época, foram soltos diversos animais na ilha, entre cabras e porcos, para servir de alimento a possíveis náufragos ou futuros ocupantes. Mais tarde, tal ato desencadearia drásticas alterações na flora da ilha, com consequências extremas na perda do solo e na descaracterização geral da cobertura vegetal. Em 22 de fevereiro de 1724, uma carta régia de d. João V ordenou providências no sentido de impedir que a Companhia Inglesa de Guiné se servisse da Ilha da Trindade para o comércio de escravos. Foi, sem dúvida alguma, um protesto solene contra o ato de 1700 praticado pelo Capitão Halley.</p>
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<p><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/discover?rpp=10&amp;page=1&amp;query=%22ilha+da+trindade%22&amp;group_by=none&amp;etal=0" target="_blank">Acessando o link para as fotografias da Ilha da Trindade disponíveis na Brasiliana Fotográfica, o leitor poderá magnificar as imagens e verificar todos os dados referentes a elas.</a></p>
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<p>Em 28 de maio de 1775, o navegador inglês James Cook (1728 &#8211; 1779) também visitou Trindade sem muitas pretensões, deixando-nos impressionante descrição da agressiva natureza da ilha. Os primeiros passos para o início de uma colonização inglesa foi efetivada em 1781, quando desembarcaram no Porto do Príncipe e ergueram um forte, deixando na ilha uma guarnição armada. Os ingleses tinham como objetivo transformar a Ilha da Trindade em ponto de apoio para as suas rotas oceânicas, com o intuito de hostilizar o comércio espanhol com as colônias do Prata devido à guerra travada pela Grã-Bretanha com este país. Ao tomar conhecimento dessa invasão, Portugal formalizou protestos em Londres e, em 1783, deslocou um contingente de militares e civis para ocupar a ilha que, no momento da chegada dos portugueses, já havia sido abandonada pelos ingleses. No ano seguinte contava com 200 habitantes, e, em 1789, este contingente decresceu até 88 militares, quando finalmente, em 1795, a ilha, muito provavelmente pelas condições inóspitas e agressivas já destacadas pelo inglês James Cook, foi completamente desguarnecida.</p>
<p>Seguiu-se um longo período em que a ilha foi visitada por sucessivos navegantes entre ingleses, franceses e americanos que, porém, nela não se fixaram. Por ocasião da Independência do Brasil, o projeto de Constituição elaborado em 1823 incluía, no seu art. 2º, a Ilha da Trindade como compreendida no âmbito do território brasileiro.</p>
<p>Em 1825, visitaram-na uma comissão do Governo brasileiro com a corveta <em>Itaparica</em>. No período da Regência, em 1831, foi expedido um aviso mandando proceder a estudos e exames para a utilização da ilha, entretanto ela continuou relegada ao esquecimento. Em 1839, o notável explorador do continente antártico, James Clark Ross (1800 &#8211; 1862), empenhado em fixar a posição do polo sul magnético, esteve na ilha com os naturalistas Joseph Dalton Hoocker (1817 &#8211; 1911) e Robert Mac Cormick (1800 &#8211; 1890).</p>
<p>Em 1846, a corveta brasileira <em>Sete de Abril</em> esteve na ilha e, em 1856, a corveta <em>Dona Isabel</em> também a visitou durante uma viagem de instrução. A Marinha preocupou-se constantemente para que suas embarcações realizassem visitas periódicas à ilha. Como forma de demonstrar a ocupação do território, o Governo Imperial, por meio do <a href="https://www2.camara.leg.br/legin/fed/decret/1824-1899/decreto-9334-29-novembro-1884-545273-publicacaooriginal-57325-pe.html" target="_blank">Decreto nº 9.334, de 29 de novembro de 1884</a>, concedeu permissão ao cidadão João Alves Guerra para “explorar minerais e extrair produtos naturais, assim como estabelecer salinas na Ilha da Trindade, podendo explorar-lhe os minérios pelo prazo de 10 anos e as salinas pelo de 30”, fato que não se concretizou. <span style="color: #333333;">Entre o final do século XIX até 1916 nada menos de 12 expedições aportaram na ilha à procura de tesouros escondidos por hipotéticos piratas.</span></p>
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<div id="attachment_16577" style="width: 645px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://memoria.bn.br/DocReader/116300/15844" target="_blank"><img class="size-full wp-image-16577" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2019/08/parodia.jpg" alt="O Malho, 9 de abril de 1910" width="635" height="476" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="http://memoria.bn.br/DocReader/116300/15844" target="_blank"><em>O Malho</em>, 9 de abril de 1910</a></p></div>
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<div id="attachment_16578" style="width: 572px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://memoria.bn.br/DocReader/116300/18991" target="_blank"><img class="size-full wp-image-16578" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2019/08/parodia1.jpg" alt="O Malho, 10 de junho de 1911" width="562" height="474" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="http://memoria.bn.br/DocReader/116300/18991" target="_blank"><em>O Malho</em>, 10 de junho de 1911</a></p></div>
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<p>Preocupados ainda com a questão da não ocupação efetiva da ilha, o Governo Imperial enviou uma comissão no vapor <em>Penedo</em> a fim de estudar a possibilidade de sua utilização como local para exílio de presos políticos, bem como para fixação de um<span style="color: #ff0000;"> <span style="color: #333333;">posto de ocupação, o que não aconteceu. </span></span>Nova ocupação só ocorreria em 1895, quando a Inglaterra tomou posse da ilha mais uma vez, sob o pretexto de instalar uma estação de cabo submarino, que se estenderia até a Argentina, com o argumento de “se tratar de território abandonado e nela não haver vestígio algum de posse de qualquer outra nação”. Desta forma, o comandante do HMS <em>Baraconta, </em>de passagem pela ilha, nela arvorou o pavilhão britânico. Mobilizada a diplomacia brasileira, houve troca de notas. O ministro das Relações Exteriores de Portugal ofereceu-se como mediador, prevalecendo a tese de que a ilha, embora não ocupada, pertencia de direito ao Brasil. A 14 de janeiro de 1897, o cruzador<a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=7817" target="_blank"> <em>Benjamin Constant </em></a>transportou para a ilha um marco padrão de granito que não pôde desembarcar. No entanto, no local do Forte da Rainha, um sinal de posse foi hasteado, afirmando a definitiva soberania do Brasil.</p>
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<div id="attachment_16592" style="width: 283px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2019/08/marco.jpg"><img class="size-full wp-image-16592" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2019/08/marco.jpg" alt="Marco da Ilha da Trindade" width="273" height="372" /></a><p class="wp-caption-text">Marco da Ilha da Trindade</p></div>
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<p>Em 1910, um novo marco em granito, transportado pelos Cruzadores <em>República</em> e <em>Andrada,</em> foi erguido como forma de confirmar a posse da Ilha da Trindade. O local do marco, que até hoje encontra-se lá instalado, está situado na Praia do Andrada, junto ao Morro das Tartarugas. Em 1915, o governo britânico indagou sobre a ocupação da ilha com o intuito de comprá-la.  O então ministro da Marinha, o almirante Alexandrino de Alencar, respondeu: “quanto à ocupação ou não da Ilha da Trindade, não interessa a estrangeiros: e quanto à venda, o Brasil, apesar de muito grande, não negociava com seus territórios”.</p>
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<div style="width: 1008px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/6611" target="_blank"><img class="" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/bitstream/handle/20.500.12156.1/6611/Trindade%20positivo%2022.jpg.jpg?sequence=3&amp;isAllowed=y" alt="Miniatura" width="998" height="704" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/6611" target="_blank">Grazinas &#8211; Gygis alba, Sparm, exemplares jovens, 1916. Ilha da Trindade, Vitória, Espírito Santo / Acervo DPHDM</a></p></div>
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<p>Com a eclosão da Primeira Guerra Mundial, foi criada pelo Decreto nº 11.181, de 30 de setembro de 1914, uma guarnição mista de terra e mar, sob administração do Ministério da Marinha, nas ilhas de Fernando de Noronha e da Trindade. Para a Ilha da Trindade, chegou, em 24 de maio de 1916, o cruzador <em>Barroso</em> com uma guarnição militar e uma comissão científica, com o material necessário à instalação de uma Estação Radiotelegráfica. Terminada a guerra, a guarnição foi evacuada em 2 de setembro de 1919.</p>
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<div style="width: 1046px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/6618" target="_blank"><img src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/bitstream/handle/20.500.12156.1/6618/Trindade%20positivo%2013.jpg.jpg?sequence=3&amp;isAllowed=y" alt="Miniatura" width="1036" height="800" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/6618" target="_blank">Rochedo da Praia da Cachoeira onde foi feito o primeiro desembarque, 1916. Ilha da Trindade, Vitória, Espírito Santo / Acervo DPHMB</a></p></div>
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<p>Foi a partir desta comissão científica, capitaneada pelo <a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=12889" target="_blank">Museu Nacional</a>, que, de maio a outubro de 1916, pesquisadores colheram materiais, fizeram observações, registros fotográficos e classificaram espécies até então inéditas. A fauna brasileira ficou acrescida e a ciência ganhou novas espécies, principalmente entre aves e peixes, conforme levantamento fotográfico demonstrado pela comissão.</p>
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<div style="width: 933px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/6622" target="_blank"><img class="" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/bitstream/handle/20.500.12156.1/6622/Trindade%20positivo%201.jpg.jpg?sequence=3&amp;isAllowed=y" alt="Miniatura" width="923" height="644" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/6622" target="_blank">Acampamento da primeira guarnição militar. A primeira barraca serviu de alojamento aos preparadores do Museu, Pedro Peixoto Velho e José Domingues dos Santos, 1916. Ilha da Trindade, Vitória, Espírito Santo / Acervo DPHMB</a></p></div>
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<p>De 1924 a 1926, a Ilha da Trindade serviu de presídio político. Com o intuito de consolar um dos presos políticos, a filha do coronel Waldomiro de Lima, Lourdes de Lima, levou para a ilha a imagem de Nossa Senhora de Lourdes, que se encontra numa gruta que leva o seu nome. Evacuados os presos políticos, a partir de 1927, novamente a Ilha da Trindade ficou despovoada.</p>
<p>A Ilha voltou a ser guarnecida em 1941 para impedir que os submarinos do Eixo fossem apoiados durante a Segunda Guerra Mundial, além de garantir o domínio efetivo deste longínquo território pelo Brasil. Tal situação perdurou até junho de 1945, com a retirada da guarnição militar.</p>
<p>Em 1950, uma expedição visitou a ilha com a finalidade de avaliar a sua ocupação permanente e a construção de uma base aeronaval. Em 29 de maio de 1957, por meio do Aviso n° 1.420 do Ministro da Marinha, foi criado o Posto Oceanográfico da Ilha da Trindade (POIT), como parte do programa de participação da Marinha no Ano Geofísico Internacional, possibilitando desta forma, a ocupação permanente da ilha pela Marinha do Brasil, que inicialmente era uma organização militar subordinada à Diretoria de Hidrografia e Navegação. As atividades científicas na ilha foram retomadas e, desde então, são desenvolvidas ações de observações meteorológicas, apoio às pesquisas científicas, atividades de preservação do meio ambiente, além do controle do tráfego marítimo na área. Esta continuidade somente tem sido viável em virtude do apoio da Marinha às pesquisas, sendo a instituição responsável por garantir a presença do Estado brasileiro naquela longínqua porção da Amazônia Azul.</p>
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<div style="width: 981px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/6619" target="_blank"><img src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/bitstream/handle/20.500.12156.1/6619/Trindade%20positivo%2011.jpg.jpg?sequence=3&amp;isAllowed=y" alt="Miniatura" width="971" height="691" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/6619" target="_blank">Aspecto da Ilha da Trindade vista do leste, 1916. Ilha da Trindade, Vitória, Espírito Santo / Acervo DPHMB</a></p></div>
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<p>Por sua localização, em latitude próxima das principais bacias petrolíferas e da região de maior desenvolvimento econômico e concentração populacional do País, a Ilha da Trindade constitui um posto avançado, permanentemente ocupado por um destacamento militar, sendo importante para a Defesa Nacional no que concerne ao emprego do Poder Naval.</p>
<p>As pesquisas científicas permitem identificar o potencial sustentável de exploração e utilização sustentável do patrimônio. Além disso, novas descobertas podem contribuir para preservação do meio ambiente. No caso particular da Ilha da Trindade, o caminho da ciência tem sido uma das prioridades da atuação conjunta da MB, das instituições de pesquisa e universidades.</p>
<p>A partir de 1986, a Organização Militar foi transformada em um setor do Comando do Primeiro Distrito Naval, sendo desde então administrada logística e operacionalmente por este comando. Conforme dispõe o inciso IV, do Art. 20, da Constituição da República, a Ilha da Trindade é um bem da União, entregue pela Secretaria do Patrimônio da União (SPU) ao encargo da Marinha do Brasil (MB), por meio do Termo de Entrega nº SCC-001/84, de 24 de abril de 1984. A Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar dá ao Brasil o direito de estabelecer, ao redor da Ilha da Trindade, Mar Territorial, Zona Contígua, Zona Econômica Exclusiva e Plataforma Continental, o que foi concretizado pela Lei nº 8.617/1993.</p>
<p>Nos últimos anos a Marinha tem recebido uma quantidade crescente de solicitações para a realização de pesquisas na Ilha da Trindade. Tais solicitações recomendaram a criação de um programa específico, sob a égide da Comissão Interministerial para os Recursos do Mar (CIRM), coordenado pela MB, aproveitando o apoio logístico regular por ela prestado às instalações que mantém na ilha. Este programa, criado em abril de 2007 e denominado PROTRINDADE (Programa de Pesquisas Científicas na Ilha da Trindade), destina-se a gerenciar o desenvolvimento de pesquisas científicas na Ilha da Trindade, Arquipélago de Martin Vaz e na área marítima adjacente, possibilitando, dessa forma, a obtenção, a sistematização e a divulgação de conhecimentos científicos sobre a região.</p>
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<p style="text-align: center;"><span style="color: #800000;"><strong>Geografia</strong></span></p>
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<p>A Ilha da Trindade é o cume de elevada montanha submarina que se eleva de uma profundidade de 5.000 metros do assoalho oceânico, sobre uma base de 50 km de diâmetro. Está situada na latitude de 20º 30’S e longitude 29º 49’W e encontra-se no limite da bacia do Brasil, profunda depressão que atinge os 7.000 metros. O seu ponto culminante é o Pico do Desejado, com 600 m de altitude. Está situada a 1.140 km da costa, no pararelo que passa 70 km ao sul de Vitória (ES), tendo o comprimento de 5 km de N.W a S.E e a largura de 2,5 Km, é circundada por uma plataforma que atinge 3 km de largura, com a profundidade de 200 m.</p>
<p>Os rochedos de Martin Vaz, situados 48 km a leste, fazem parte do arquipélago vulcânico. Suas rochas são análogas às da Ilha da Trindade. Grande parte do litoral, especialmente as enseadas e menores reentrâncias, possui um banco de coral que protege a orla do mar. A formação coralígena forma um barranco na zona de arrebentação (afastada da terra 50 m ou mais), com a altura de 5 a 10 m.</p>
<p>A abundância de material piroclástico presente na Ilha da Trindade propiciou a existência de diversas fontes de água. O solo é pouco espesso e escasso, havendo predominância de gramíneas e ciperáceas, enquanto que nas regiões sombrias e úmidas existem grandes florestas de samambaias gigantes. A ilha é cercada por costões abruptos, o que torna difícil e perigosa a sua abordagem, sendo a topografia bastante acidentada nessas áreas.</p>
<p>Nos planaltos originados pelos derrames e depósitos quase horizontais de material piroclástico, a topografia já é mais suave. As rochas que preenchiam antigas chaminés vulcânicas são frequentemente responsáveis pelas formas acidentadas do relevo, como o chamado Monumento, composto de fonólito. As raras e estreitas praias existentes na ilha constituem-se principalmente de fragmentos calcários derivados de recifes de algas calcárias e restos de carapaças de moluscos, formando-se em menos de 10% de fragmentos de rochas vulcânicas.</p>
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<div style="width: 1046px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/6609" target="_blank"><img class="" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/bitstream/handle/20.500.12156.1/6609/Trindade%20positivo%2028.jpg.jpg?sequence=3&amp;isAllowed=y" alt="Miniatura" width="1036" height="745" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/6609" target="_blank">Túnel do Morro do Furado, 1916. Ilha da Trindade, Vitória, Espírito Santo / Acervo DPHDM</a></p></div>
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<p style="text-align: center;"><span style="color: #800000;"> <strong>Naufrágios históricos da Ilha da Trindade</strong></span></p>
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<p>Atualmente, ao longo de área habitável do POIT é possível encontrar diversos vestígios arqueológicos, tais como âncoras e restos de navios. Tais conjuntos de artefatos fazem parte da cultura material que compõe o contexto de ocupação da ilha ao longo do tempo. No museu do POIT e ao lado da Casa da Chefia estão expostos remanescentes do navio Oceanográfico <em>Beberibe</em>, que naufragou em 1966; do pesqueiro chinês <em>HWA Shing</em>, encalhado deliberadamente em 1989 (ambos na Praia dos Portugueses); e do veleiro <em>Le Roi des Harengs</em>, lançado sobre as pedras em 1994, na Ponta do Valado (Enseada dos Portugueses). Estes sítios arqueológicos representam um pouco da história da ilha.</p>
<p>Cabe destacar também que o Projeto Atlas dos Naufrágios de Interesse Histórico da Costa do Brasil, desenvolvido pela Marinha, possui registros de quatro embarcações naufragadas ao largo da Ilha da Trindade. Tais vestígios, se localizados, representam sítios arqueológicos submersos, consideravelmente formados por restos de embarcações naufragadas. O primeiro desses registros é o do cúter inglês <em>HMS Rattlesnake</em>, que naufragou por mau tempo em 21 de outubro de 1781, quando realizava levantamento hidrográfico no entorno da ilha. Em 1805, uma baleeira americana pegou fogo e os sete sobreviventes foram resgatados pelo navio inglês <em>Agamenon</em>. Em 1817, o bergantim francês <em>La Jeune Sophie</em> naufragou ao se aproximar da ilha. Por último, no ínicio da Grande Guerra, em setembro de 1914, a Ilha da Trindade foi palco de um confronto naval entre o cruzador alemão <em>Cap Trafalgar</em> e o cruzador inglês <em>RMS</em> <em>Carmania</em>, tendo sido o primeiro bombardeado e vindo a naufragar nas proximidades da ilha. Tal evento ficou conhecido na história como a Batalha de Trindade e foi retratado por Charles Dixon (1872 – 1934), em aquarela de papel, tendo como pano de fundo a Ilha da Trindade e o <em>Cap Trafalgar</em> afundando.</p>
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<div id="attachment_16568" style="width: 536px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2019/08/quadro.jpg"><img class="size-full wp-image-16568" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2019/08/quadro.jpg" alt="Carmania sinking Cap Trafalgar off Trinidad, September 14, 1914, 1923 / Acervo do Museu Marítimo Nacional em Londres" width="526" height="353" /></a><p class="wp-caption-text">Charles Dixon. Carmania sinking Cap Trafalgar off Trinidad, September 14, 1914, 1923 / Acervo do Museu Marítimo Nacional em Londres</p></div>
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<p>*Daniel Martins Gusmão é Capitão de Corveta (T) e Ajudante da Divisão de Arqueologia Subaquática da Marinha do Brasil.</p>
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<div style="width: 982px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/6616" target="_blank"><img src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/bitstream/handle/20.500.12156.1/6616/Trindade%20positivo%2014.jpg.jpg?sequence=3&amp;isAllowed=y" alt="Miniatura" width="972" height="675" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/6616" target="_blank">O Pão de Assucar, situado entre a Praia das Tartarugas e do Príncipe, sudoeste da Trindade, com 360 metros de altura, 1916. Ilha da Trindade, Vitória, Espírito Santo / Acervo DPHDM</a></p></div>
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<p>&nbsp;</p>
<p><strong><span style="color: #800000;">FONTES:</span></strong></p>
<p>ALVES, Ruy José Válka. <em>Ilha da Trindade &amp; Arquipélago Martin Vaz: um ensaio geobotânico</em>. Rio de Janeiro: Serviço de Documentação da Marinha, 1998.</p>
<p>ARRAES, Virgílio Caixeta. <em>A presença britânica na Ilha da Trindade: a reação do Parlamento brasileiro</em>. Brasília: Revista de Informação Legislativa, n. 153, 2002.</p>
<p>CAMINHA, Herick Marques. <em>Organização e Administração do Ministério da Marinha na República</em><em>.</em> Ministério da Marinha, Brasília˗Rio de Janeiro: Serviço de Documentação Geral da Marinha, 1986.</p>
<p><em>De Tordesilhas ao Mercosul – uma exposição da história da diplomacia brasileira: Catálogo da exposição.</em> Rio de Janeiro: Ministério das Relações Exteriores, s/d.</p>
<p><span style="vertical-align: inherit;"><span style="vertical-align: inherit;">PETTIGREW, Willian A. </span></span><em><span style="vertical-align: inherit;"><span style="vertical-align: inherit;">A Dívida da Liberdade: </span></span></em><em><span style="vertical-align: inherit;"><span style="vertical-align: inherit;">A Companhia Real Africana e a Política do Comércio de Escravos do Atlântico, 1672–1752. </span></span></em><span style="vertical-align: inherit;"><span style="vertical-align: inherit;">Chapel Hill, Carolina do Norte: University of North Carolina Press, 2014.</span></span></p>
<p>SECRETARIA DA COMISSÃO INTERMINISTERIAL PARA OS RECURSOS DO MAR. <em>PROTRINDADE: programa de pesquisas científicas na Ilha da Trindade – 10 anos de pesquisas</em>. Brasília: SECIRM, 2017.</p>
<p>TONELLI, Nicélio. <em>A dimensão da ocupação britânica da ilha brasileira de Trindade (1895-1896)</em>. Brasília: Revista Brasileira de Política</p>
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<p style="text-align: center;"><span style="color: #800000;"><strong><em>Um pouco da história e cronologia da comissão científica na Ilha de Trindade em 1916 e </em></strong></span></p>
<p style="text-align: center;"><span style="color: #800000;"><strong><em>sobre José Domingues dos Santos Filho (1866 &#8211; 19?) e o comandante Tácito Reis de Moraes Rego</em></strong></span></p>
<p style="text-align: center;">Andrea Wanderley**</p>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_16581" style="width: 165px" class="wp-caption alignleft"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2019/08/bruno.jpg"><img class="size-full wp-image-16581" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2019/08/bruno.jpg" alt="Professor Bruno Lobo" width="155" height="185" /></a><p class="wp-caption-text">Professor Bruno Lobo, diretor do Museu Nacional</p></div>
<p>O professor e médico Bruno Lobo (1884 &#8211; 1945), diretor do <a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=12889" target="_blank">Museu Nacional</a> entre 1915 e 1923, aproveitando a ida do cruzador <em>Barroso</em> para a Ilha da Trindade, em 1916, promovida pelo almirante e ministro da Marinha Alexandrino de Alencar (1848 &#8211; 1926), foi para lá acompanhado por quatro auxiliares: Arnaldo Blake de Santa Anna (18? &#8211; 19?), Armando dos Santos Belleza (18? &#8211; 19?), Pedro Pinto Peixoto Velho (18? &#8211; 19?) e José Domingues dos Santos Filho (1866 &#8211; 19?). Estes dois últimos ficaram cerca de 6 meses na ilha. Santos Filho foi responsável pela maioria das fotografias produzidas. No período, colheram o seguinte material: mamíferos, aves, répteis, crustáceos, insetos, moluscos, vermes, equinodermes e esponjas, além de espécimes vegetais. O professor Lobo distribuiu o material entre os naturalistas Carlos Moreira (1869 &#8211; 1946) &#8211; crustáceos e insetos -, Hermann von Ihering (1850 &#8211; 1930) &#8211; moluscos &#8211; Alípio de Miranda Ribeiro (1874 &#8211; 1939) &#8211; vertebrados &#8211; e h (1882 &#8211; 1959) &#8211; botânica. Também integrava a comissão científica, o assistente de <a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=10762" target="_blank">Oswaldo Cruz</a>, o médico e zoólogo Lauro Travassos (1890 &#8211; 1970), de <a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?page_id=10026" target="_blank">Manguinhos</a>, que colheu vermes endoparasitas e colecionou peixes para o Museu Nacional.  As</p>
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<p style="text-align: center;"><span style="color: #800000;"><strong><em> Breve cronologia</em></strong></span></p>
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<p><em><span style="color: #800000;"><strong>1916</strong></span></em> &#8211; Foi noticiado que o diretor da Museu Nacional, Bruno Lobo, seguiria para a Ilha da Trindade, a bordo do cruzador <em>Barroso</em> (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/103730_04/37943" target="_blank"><em>Gazeta de Notícias</em>, 19 de maio de 1916, sexta coluna</a>).</p>
<p>O cruzador<em> Barroso</em> zarpou do Rio de Janeiro, em 20 de maio, sob o comando do capitão de Mar e Guerra José Libânio Lamenha Lins, levando Bruno Lobo e sua equipe: Pedro Pinto Peixoto Velho, José Domingues dos Santos Filho, Arnaldo Blake de Santa Anna e Armando dos Santos Belleza. <em>A comissão do museu conduzia todos os aparelhos e objetos necessários para os minuciosos estudos que vai empreender na ilha no que possa interessar a esse referido estabelecimento</em> (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/103730_04/37958" target="_blank"><em>Gazeta de Notícias</em>, 21 de maio de 1916;</a> e <a href="http://memoria.bn.br/DocReader/008567/36991" target="_blank"><em>Revista Marítima Brasileira</em>, 1916</a>).</p>
<p>Em 24 de maio, chegada do cruzador à Ilha da Trindade (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/103730_04/37999" target="_blank"><em>Gazeta de Notícias</em>, 26 de maio de 1916, última coluna</a>).</p>
<p>Em 6 de junho, o Barroso partiu de Trindade e chegou no Rio de Janeiro, em 9 de junho. Bruno Lobo, que retornou, foi muito elogiado. O preparador de taxidermia Pedro Pinto Peixoto Velho e o auxiliar petrógrafo José Domingues dos Santos Filho, da equipe do Museu Nacional, ficaram lá (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/103730_04/38107" target="_blank"><em>Gazeta de Notícias</em>, 8 de junho de 1916, penúltima coluna</a> e <a href="http://memoria.bn.br/DocReader/103730_04/38124" target="_blank"><em>Gazeta de Notícias</em>, 10 de junho de 1916, terceira coluna</a>). De maio a outubro de 1916, eles colheram materiais, produziram registros fotográficos e classificaram espécies até então inéditas. A fauna brasileira ficou acrescida e a ciência ganhou novas espécies, principalmente entre aves e peixes, conforme levantamento fotográfico realizado por José Domingues dos Santos Filho (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/372986/410" target="_blank"><em>Revista da Sociedade Brasileira de Ciências</em>, 1919</a>).</p>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_16584" style="width: 294px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://memoria.bn.br/DocReader/DocReader.aspx?bib=103730_04&amp;pesq=ilha%20da%20trindade&amp;pasta=ano%20191" target="_blank"><img class="size-full wp-image-16584" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2019/08/elogio1.jpg" alt="Gazeta de Notícias, 10 de junho de 1916" width="284" height="219" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="http://memoria.bn.br/DocReader/DocReader.aspx?bib=103730_04&amp;pesq=ilha%20da%20trindade&amp;pasta=ano%20191" target="_blank"><em>Gazeta de Notícias</em>, 10 de junho de 1916</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>O vapor <em>Carlos Gomes</em> partiu do Rio de Janeiro, em 24 de setembro, para a Ilha da Trindade onde permaneceu por cerca de 15 dias. Chegou de volta ao Rio de Janeiro, em 13 de outubro, trazendo os preparadores do Museu Nacional, Pedro Pinto Peixoto Velho e José Domingues dos Santos Filho (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/103730_04/39024" target="_blank"><em>Gazeta de Notícias</em>, 23 de setembro de 1916, sexta coluna</a>;  <a href="http://memoria.bn.br/DocReader/103730_04/39206" target="_blank"><em>Gazeta de Notícias</em>, 15 de outubro de 1916, segunda coluna;</a> e <a href="http://memoria.bn.br/DocReader/008567/37338" target="_blank"><em>Revista Marítima Brasileira</em>, 1916</a>).</p>
<p>Foi noticiado que haviam sido feitas importantes descobertas pela equipe do Museu Nacional que havia regressado da Ilha da Trindade (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/103730_04/39262" target="_blank"><em>Gazeta de Notícias</em>, 22 de outubro de 1916, última coluna</a>).</p>
<p><span style="color: #800000;"><em><strong>1918</strong></em></span> &#8211; Em 3 de agosto, o professor Bruno Lobo fez uma conferência sobre a Ilha da Trindade, na Biblioteca Nacional. Na plateia, o professor Ramiz Galvão (1846 &#8211; 1938), o ministro da Marinha Alexandrino de Alencar e o senador Epitácio Pessoa (1865 &#8211; 1942), entre outros (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/103730_04/44744" target="_blank"><em>Gazeta de Notícias</em>, 5 de agosto de 1918, segunda coluna</a>).</p>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_16593" style="width: 929px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://www.museunacional.ufrj.br/semear/docs/Listagem_de_artigos_e_periodicos/artigo_LOBO-BRUNO.pdf" target="_blank"><img class="wp-image-16593 size-full" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2019/08/mapa.jpg" alt="mapa" width="919" height="659" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="http://www.museunacional.ufrj.br/semear/docs/Listagem_de_artigos_e_periodicos/artigo_LOBO-BRUNO.pdf" target="_blank">Planta da Ilha da Trindade, 1918</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p><span style="color: #800000;"><em><strong>1919</strong> </em></span>- O volume de 1919 dos Arquivos do Museu Nacional, dedicado à comemoração do centenário do museu, trouxe três artigos relativos às descobertas realizadas na expedição de 1916 à Ilha da Trindade: de Bruno Lobo, de Lauro Travassos e de Alípio de Miranda Ribeiro (<a href="http://www.museunacional.ufrj.br/semear/docs/Listagem_de_artigos_e_periodicos/artigo_LOBO-BRUNO.pdf" target="_blank"><em>Arquivos do Museu Nacional do Rio de Janeiro</em>, 1919</a>).</p>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: center;"><span style="color: #800000;"><strong><em>José Domingues dos Santos Filho (1866 &#8211; 19?) e almirante Moraes Rego (1882 &#8211; 1941)***</em></strong></span></p>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: left;">As fotografias publicadas nesse artigo, que pertencem ao acervo do Departamento do Patrimônio Histórico da Marinha do Brasil, f<span style="color: #333333;">oram utilizadas durante a conferência proferida pelo então diretor do Museu Nacional, Bruno Lobo, em 3 de agosto de 1918, na Biblioteca Nacional. Ao final, ele comentou sobre as fotografias:</span></p>
<p style="text-align: left;"><span style="color: #800000;">&#8216;<em>As fotografias que documentam o presente trabalho foram executadas em sua maioria pelo praticante do Museu Nacional José Domingues dos Santos, devendo contudo algumas à gentileza do comandante Moraes Rego</em>&#8216;.</span></p>
<p>Tanto Moraes Rego como Santos Filho haviam ido para Trindade a bordo do cruzador <em>Barroso, </em>que chegou à ilha em maio de 1916. Porém Moraes Rego retornou ao Rio de Janeiro no mesmo navio, em junho, enquanto que Santos Filho permaneceu na Ilha da Trindade até outubro de 1916, quando voltou para o Rio de Janeiro a bordo do <em>vapor</em> Carlos Gomes.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: center;"><em>José Domingues dos Santos Filho (1866 &#8211; 19?)</em></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Nascido em 22 de fevereiro de 1866, em Rezende, José Domingues dos Santos Filho, da equipe do Museu Nacional, na viagem de 1916 para a Ilha da Trindade,  foi, como já mencionado, o responsável pela maioria das fotos produzidas na ocasião. Em maio de 1917, poucos meses depois de assumir a diretoria do Museu Paulista, Affonso d´Escragnolle Taunay (1876-1958) contratou José Domingues dos Santos Filho, nascido em Rezende, em 22 de fevereiro de 1886, como desenhista-fotógrafo e auxiliar do botânico Frederico Carlos Hoehne (1882-1959). Ambos vinham do Rio de Janeiro, onde haviam colaborado em instituições científicas como, por exemplo, o Museu Nacional. Hoehne e ele também atuavam nos Institutos Soroterápico (futuro Butantan) e Bacteriológico.</p>
<p>José Domingues dos Santos Filho seria responsável no Museu Paulista pela <em>confecção de fotografias, de cópias de diversos mapas, pelos desenhos científicos e ao menos de uma série composta por 12 desenhos aquarelados, a maioria deles baseada nas obras de <a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=10341" target="_blank">Hercule Florence (1804-1877)</a></em>. Essas aquarelas integraram a sala “Consagrada ao passado da cidade de São Paulo”, que foi inaugurada em outubro de 1918. Também faziam parte da sala telas como as de José Wasth Rodrigues (1891-1957)  representando os largos do Palácio e da Sé, o grande panorama <em>Inundação da Várzea do Carmo</em> (1892), de Benedito Calixto (1853-1927), documentos históricos emprestados pelo Arquivo Municipal de São Paulo, referidos como <em>uma série de alto valor evocativo absolutamente insubstituível,</em> além de plantas da cidade de São Paulo, como a produzida pelo engenheiro alemão (1804 &#8211; 1856), em 1841, copiada por José Domingues dos Santos Filho (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/090972_06/48039" target="_blank"><em>Correio Paulistano</em>, 11 de outubro de 1918, quarta coluna</a>).</p>
<p>Em 1920, apesar de estar doente, Santos Filho encaminhou uma série de mapas a Taunay mas informou não ter mais condições de realizar serviços muito extensos. Provavelmente referia-se ao <em>Ensaio geral das Bandeiras paulistas</em>, carta cartográfica onde seu nome aparece com destaque. No mesmo ano foi exonerado, a pedido, do Instituto Soroterápico (Butantan), onde era fotógrafo-micrografista  (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/090972_07/3291" target="_blank"><em>Correio Paulistano</em>, 11 de novembro de 1920, quarta coluna</a>). Em 1921, continuava a prestar serviços fotográficos para o Museu Paulista. Seria ele, entre 1928 e 1929, o fotomicrógrafo do Laboratório Central da Diretoria do Serviço de Inspeção e Fomento Agrícola do Ministério da Agricultura? (<em>Almanak Laemmert</em>, <a href="http://memoria.bn.br/DocReader/313394/101103" target="_blank">1929</a> e <a href="http://memoria.bn.br/DocReader/313394/103806" target="_blank">1930</a>, )</p>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: center;"><em>Tácito Reis de Moraes Rego (1882 &#8211; 1941)</em></p>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_16618" style="width: 254px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://www.marinha.mil.br/node/995" target="_blank"><img class="size-full wp-image-16618" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2019/08/moraes.jpg" alt="Almirante Moraes Rego / Acervo Marinha do BRasil" width="244" height="297" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://www.marinha.mil.br/node/995" target="_blank">Almirante Moraes Rego / Acervo Marinha do Brasil</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: left;">O então capitão-tenente Tácito Reis de Moraes Rego foi para Trindade como o encarregado pela montagem da estação radiotelegráfica da ilha (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/103730_04/37949" target="_blank"><em>Gazeta de Notícias</em>, 20 de maio de 1916</a>). Ele, Bruno Lobo e o pessoal do escaler que os levou do navio à ilha foram os primeiros a desembarcar em Trindade (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/103730_04/38048" target="_blank"><em>Correio de Notícias</em>, 1º de junho de 1916, quinta coluna</a>). Retornou ao Rio de Janeiro, a bordo do cruzador Barroso, em 9 de junho de 1916, e, no dia seguinte, apresentou-se ao então ministro da Marinha, Alexandrino de Alencar, e explicou ser impossível a instalação de uma estação radiotelegráfica na ilha (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/103730_04/38133" target="_blank"><em>Correio de Notícias</em>, 11 de junho de 1916, quinta coluna</a>).</p>
<p style="text-align: left;">Nascido no Rio de Janeiro, em 8 de março e 1882, Moraes Rego ingressou na Escola Naval em 1898, serviu nos navios <em>Minas Gerais</em> e <em>Rio Grande do Sul</em> como radiotelegrafista. Em 1928, quando era adido naval, cursou a Escola de Guerra Naval. Comandou os cruzadores <em>Barroso</em> e o <em>Rio Grande do Sul</em>. Em 1930, comandou a Divisão Naval do Norte e a Divisão de Cruzados. Em julho de 1932, foi designado capitão do Portos de São Paulo, sediado em Santos. Foi também comandante da 2ª Divisão Naval, diretor geral da Fazenda da Marinha, diretor do Serviço de Rádio e diretor geral de Navegação. Quando faleceu, em 14 de dezembro e 1941, era diretor geral do Ensino Naval e presidente do Conselho do Almirantado (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/089842_05/9822" target="_blank"><em>Correio da Manhã</em>, 16 de dezembro de 1941, quarta coluna</a>).</p>
<p style="text-align: left;">É o patrono das Comunicações Navais no Brasil por ter sido o primeiro encarregado da Estação Radiotelegráfica da Ilha das Cobras &#8211; Estação Central e por sua atuação nos primórdios das comunicações na Marinha do Brasil.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>**Andrea Wanderley é editora-assistente e pesquisadora da Brasiliana Fotográfica</p>
<p>*** O pequeno perfil aqui publicado sobre José Domingues dos Santos Filho foi baseado principalmente no trabalho <em><a href="https://www.ixseminarionacionalcmu.com.br/resources/anais/8/1565402603_ARQUIVO_CMU_APN_ago.2019.pdf" target="_blank">Desenhos como intermediários no projeto de exposição de Taunay para o Museu Paulista: as aquarelas de José Domingues dos Santos Filho</a>,</em> publicado em 2019, de autoria de Ana Paula Nascimento, doutora em História da Arquitetura e do Urbanismo.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><span style="color: #800000;"><strong>Fontes:</strong></span></p>
<p><a href="http://www.dichistoriasaude.coc.fiocruz.br/iah/pt/verbetes/instsorsp.htm" target="_blank">Dicionário Histórico-Biográfico das Ciências da Saúde no Brasil (1832 &#8211; 1930) &#8211; Casa de Oswaldo Cruz / Fiocruz</a></p>
<p>DUARTE, Regina Horta. <em><a href="http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&amp;pid=S0104-59702012000300010" target="_blank">Barth e a Ilha da Trindade</a> </em>in Histórias, Ciências, Saúde &#8211;  Manguinhos, 2012</p>
<p><a href="http://bndigital.bn.br/hemeroteca-digital/" target="_blank">Hemeroteca Digital da Biblioteca Nacional</a></p>
<p>LOBO, Bruno. <a href="http://www.museunacional.ufrj.br/semear/docs/Listagem_de_artigos_e_periodicos/artigo_LOBO-BRUNO.pdf" target="_blank"><em>Conferência sobre a Ilha da Trindade</em></a> in Arquivos do Museu Nacional do Rio de Janeiro. Rio de Janeiro: Imprensa Nacional, 1919.</p>
<p>NASCIMENTO, Ana Paula. <a href="https://www.ixseminarionacionalcmu.com.br/resources/anais/8/1565402603_ARQUIVO_CMU_APN_ago.2019.pdf" target="_blank"><em>Desenhos como intermediários no projeto de exposição de Taunay para o Museu Paulista: as aquarelas de José Domingues dos Santos Filho</em></a>, 2019</p>
<p>RIBEIRO, A. de Miranda. <em><a href="http://museunacional.ufrj.br/obrasraras/o/arq-mn_22/arq-mn_22-169-194.pdf" target="_blank">A fauna vertebrada da Ilha da Trindade</a> in Arquivos do Museu Nacional do Rio de Janeiro.</em> Rio de Janeiro: Imprensa Nacional, 1919.</p>
<p>RIBEIRO, Paulo de Miranda. <a href="http://www.museunacional.ufrj.br/obrasraras/o/PAMN_3/03MN_Publicacoes_Avulsas_3.pdf" target="_blank"><em>O professor Carlos Moreira</em></a>. Rio de Janeiro: Imprensa Nacional, 1947.</p>
<p><a href="http://www.ioc.fiocruz.br/pages/personalidades/LauroPereiraTravassos.htm" target="_blank">Site do Instituto Oswaldo Cruz</a></p>
<p><a href="https://www.defesa.gov.br/noticias/19340-defesa-comemora-o-dia-das-comunicacoes-navais" target="_blank">Site do Ministério da Defesa</a></p>
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