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	<title>Brasiliana Fotográfica &#187; excursão científica</title>
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		<title>As excursões científicas do Instituto Oswaldo Cruz ao Noroeste do Brasil</title>
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		<pubDate>Thu, 06 Feb 2025 12:58:51 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Andrea Wanderley]]></dc:creator>
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		<description><![CDATA[As expedições realizadas pelo Instituto Oswaldo Cruz ao longo do século XX denunciavam as precárias condições de saúde das populações rurais e com elas a visão hegemônica sobre o Brasil sofreu alterações. O artigo "As excursões científicas do Instituto Oswaldo Cruz ao Noroeste do Brasil", de Ricardo Augusto dos Santos, Felipe Almeida Vieira e Francisco dos Santos Lourenço, pesquisadores da Fiocruz, uma das instituições parceiras da Brasiliana Fotográfica, aborda as expedições científicas realizadas sob a chefia de Lauro Travassos, entre 1938 e 1942.  Nelas havia "um sentimento patriótico que movia os cientistas. Com um rigoroso alerta, advertiram sobre o perigo do desconhecimento das potencialidades da fauna e flora nacionais. Também denunciaram o efeito devastador provocado pela busca do lucro monetário desenfreado, bem como o desprezo pela pesquisa da natureza, que tanto ameaçava o equilíbrio das espécies como facilitava o surgimento de pragas para a agricultura".]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p>As expedições realizadas pelo Instituto Oswaldo Cruz ao longo do século XX denunciavam as precárias condições de saúde das populações rurais e com elas a visão hegemônica sobre o Brasil sofreu alterações. O artigo <span style="color: #000000;"><em>As excursões científicas do Instituto Oswaldo Cruz ao Noroeste do Brasil, </em></span>de Ricardo Augusto dos Santos, Felipe Almeida Vieira e Francisco dos Santos Lourenço, pesquisadores da Fiocruz, uma das instituições parceiras da Brasiliana Fotográfica, aborda as expedições científicas realizadas sob a chefia de Lauro Travassos, entre 1938 e 1942.  Nelas havia um <em>sentimento patriótico que movia os cientistas. Com um rigoroso alerta, advertiram sobre o perigo do desconhecimento das potencialidades da fauna e flora nacionais. Também denunciaram o efeito devastador provocado pela busca do lucro monetário desenfreado, bem como o desprezo pela pesquisa da natureza, que tanto ameaçava o equilíbrio das espécies como facilitava o surgimento de pragas para a agricultura.</em></p>
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<div style="width: 711px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/13157" target="_blank"><img src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/bitstream/handle/20.500.12156.1/13157/br_rj_coc_or_dp_rv_03_149.jpg.jpg?sequence=3&amp;isAllowed=y" alt="Thumbnail" width="701" height="518" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/13157" target="_blank">Lauro Travassos, 1940 / Acervo Casa de Oswaldo Cruz</a></p></div>
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<p><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/visualizar-grupo-trabalho/403" target="_blank"><span style="color: #800000;"><strong>Acesse aqui o link para as fotografias das excursões científicas do Instituto Oswaldo Cruz ao Noroeste do Brasil chefiadas por Lauro Travassos disponíveis na Brasiliana Fotográfica</strong></span></a></p>
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<p style="text-align: center;"><em><span style="color: #800000;"><strong>As excursões científicas do Instituto Oswaldo Cruz </strong><strong>ao Noroeste do Brasil</strong></span></em></p>
<p style="text-align: center;"><strong><em>           </em></strong>Ricardo Augusto dos Santos, Felipe Almeida Vieira e</p>
<p style="text-align: center;">Francisco dos Santos Lourenço*</p>
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<div style="width: 712px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/13118" target="_blank"><img src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/bitstream/handle/20.500.12156.1/13118/br_rj_coc_or_dp_rv_01_006%203.jpg.jpg?sequence=4&amp;isAllowed=y" alt="Thumbnail" width="702" height="490" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/13118" target="_blank">Membros da expedição em Bauru. Lauro Travassos, Maria José von Paumgartten, Manoel Joaquim de Mello, João Ferreira Teixeira de Freitas, Octávio Mangabeira Filho, Emmanuel Dias, Frederico Lane e Antenor Leitão de Carvalho, membros da primeira excursão, sendo recepcionados pelo médico Alípio Gonçalves dos Santos na estação de Bauru, 1938. Bauru, SP / Acervo Casa de Oswaldo Cruz.</a></p></div>
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<p>Desde o início dos trabalhos em Manguinhos, <a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=34024" target="_blank">Oswaldo Cruz (1872 – 1917)</a>,<a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=13402" target="_blank"> Carlos Chagas (1878 – 1934)</a> e demais cientistas do Instituto Oswaldo Cruz (IOC) não ficaram limitados às improvisadas salas e laboratórios da instituição. Frequentemente, participavam de expedições científicas pelo território brasileiro. Nos primeiros anos do IOC, as ações ficaram restritas às regiões próximas das cidades de São Paulo e Rio de Janeiro.</p>
<p>Médicos, sanitaristas e cientistas eram solicitados para identificar, estudar e combater as doenças contagiosas que assolavam o país desde os tempos coloniais. Diferentemente das primeiras missões sanitárias que visavam resultados imediatos em pequenas localidades, <a href="http://brasilianafotografica.bn.br/?p=19524" target="_blank">cinco expedições científicas realizadas entre 1911 e 1913</a> foram longas, alcançando meses de viagem por grandes áreas do país.</p>
<p>As expedições pelos chamados “sertões” forneceram um sólido inventário das condições sanitárias e sociais das regiões visitadas. Por intermédio dos diários produzidos pelos viajantes, intelectuais e políticos nacionais tomaram consciência da triste realidade que imperava no interior do Brasil. Dessas cinco expedições participaram nomes como Carlos Chagas, <a href="http://brasilianafotografica.bn.br/?p=19524" target="_blank">Belisário Penna (1868 – 1939)</a> e Arthur Neiva (1880 – 1943).</p>
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<div style="width: 710px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/13112" target="_blank"><img src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/bitstream/handle/20.500.12156.1/13112/br_rj_coc_or_dp_rv_05_009%203.jpg.jpg?sequence=4&amp;isAllowed=y" alt="Thumbnail" width="700" height="444" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/13112" target="_blank">Lauro Travassos, João Ferreira Teixeira de Freitas, Mário da Silva Ventel, Paulo de Miranda Ribeiro e demais membros da sexta excursão em laboratório montado no Posto do quilômetro 1.221 da Estrada de Ferro Noroeste do Brasil, 1941. Bodoquena, MS / Acervo Casa de Oswaldo Cruz</a></p></div>
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<p>Depois da divulgação dos diagnósticos elaborados pelos cientistas, denunciando as precárias condições de saúde das populações rurais, a visão hegemônica sobre o Brasil sofreu uma alteração. Se o interior do país estava doente, improdutivo para os padrões de eficiência e racionalidade capitalistas do século XX, o aumento da produtividade somente viria a acontecer com a melhoria da qualidade de vida de sua população. Era preciso conhecer as doenças das regiões mais afastadas do litoral para, enfim, propor estratégias de tratamento dos enfermos. Com essas preocupações, a ciência tomava literalmente o “<em>caminho da roça</em>”.</p>
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<div style="width: 711px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/13111" target="_blank"><img src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/bitstream/handle/20.500.12156.1/13111/br_rj_coc_or_dp_rv_01_050%203.jpg.jpg?sequence=4&amp;isAllowed=y" alt="Thumbnail" width="701" height="476" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/13111" target="_blank">Escola ao ar livre em Porto Esperança, 1938. Corumbá, MS / Acervo Casa de Oswaldo Cruz.</a></p></div>
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<p>Há um depoimento interessante de <a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=26164" target="_blank">Monteiro Lobato (1882 – 1948)</a> sobre a necessidade do conhecimento <em>in loco </em>para entender e solucionar os problemas brasileiros. Lobato falava do contato direto com a realidade que o homem de responsabilidade pública deveria possuir. Com entusiasmo, o escritor acompanhou Arthur Neiva, diretor do Serviço Sanitário do Estado de São Paulo (1916 – 1920), em uma excursão à cidade de Iguape, onde se desenvolvia uma campanha contra a malária e ancilostomíase.</p>
<p><em>&#8220;Penetramos na mata, alguns quilômetros fora da cidade. Vi-o apear-se e acender a lanterna elétrica e correr a luz pelo couro do cavalo em procura das anofelinas que incontinenti acudiram àquele inesperado banquete. Encontrou as anofelinas da espécie perigosa. Tinham o ninho na água depositada pelas chuvas nas bromélias parasitas. Estava liquidado o caso. Regressamos e no outro dia ordens precisas eram dadas para matar de vez a malária de Iguape em seu derradeiro reduto&#8221;</em> (Lobato apud Ribeiro, 1993, p. 208).</p>
<p>Essa forte tradição parece que impregnou o jeito de fazer ciência no Brasil. Várias expedições científicas e campanhas sanitárias foram empreendidas pelo país afora. Investigavam não somente as condições naturais das localidades, mas os modos de vida de seus habitantes.</p>
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<div style="width: 712px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/13188" target="_blank"><img src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/bitstream/handle/20.500.12156.1/13188/br_rj_coc_or_dp_rv_02_025%203.jpg.jpg?sequence=5&amp;isAllowed=y" alt="Thumbnail" width="702" height="460" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/13188" target="_blank">Antônio da Rocha Nobre, Carlos da Cunha Vieira, Frederico Lane, Lauro Travassos, tenente veterinário Jairo Pontes e John Lane, membros da segunda excursão, com habitantes do povoado de Salobra, 1939. Miranda, MS / Acervo Casa de Oswaldo Cruz</a></p></div>
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<p>Assim, inseridas nesse contexto histórico, apresentamos as excursões científicas (ou “comissões”, como eram chamadas) do Instituto Oswaldo Cruz ao Noroeste do país. Lideradas por Lauro Travassos (1890 – 1970), elas ocorreram nas seguintes etapas: a primeira em outubro de 1938; a segunda em julho de 1939; a terceira em fevereiro e março de 1940; a quarta em agosto e setembro de 1940; a quinta em janeiro de 1941; a sexta em novembro de 1941; e a sétima em maio de 1942.</p>
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<div id="attachment_38162" style="width: 331px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/153931_01/45593" target="_blank"><img class="  wp-image-38162" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2024/12/expedição.jpg" alt="expedição" width="321" height="339" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/153931_01/45593" target="_blank"><em>A Tribuna</em>, 12 de outubro de 1938</a></p></div>
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<p>As excursões concentraram-se na região da Estrada de Ferro Noroeste do Brasil (NOB), companhia criada em 1904, que chegou a operar uma rede ferroviária de 1.622 quilômetros, ligando o Oeste paulista até a área do Pantanal no estado de Mato Grosso, atual Mato Grosso do Sul. A linha-tronco da NOB entre as estações de Bauru e Porto Esperança, em Corumbá, foi concluída em 1914. Com cerca de 1.300 quilômetros, atravessava as cidades de Araçatuba, Três Lagoas, Campo Grande e Miranda. Nesta última encontra-se o povoado de Salobra, que devido à sua variada e exuberante fauna e flora foi escolhido como parada obrigatória para coleta de material científico em todas as etapas das excursões.</p>
<p>De acordo com os relatórios produzidos pelos cientistas, quem deu suporte para que as excursões acontecessem na região foi o diretor da NOB, major Américo Marinho Lutz (1899 – 1983), que gratuitamente pôs à disposição de Lauro Travassos um vagão-dormitório e outro para bagagem de sua companhia. O militar era sobrinho do cientista do IOC e principal estudioso da medicina tropical no Brasil, Adolpho Lutz (1855 – 1940).</p>
<p>Tomaram parte nas excursões profissionais jovens e experientes com distintas habilidades. Entre eles figuraram entomologistas, helmintologistas, protozoologistas, ictiologistas, herpetologistas, ornitologistas, mastozoologistas, técnicos de laboratório e taxidermistas. Para auxiliar nos trabalhos de campo das excursões foram contratados pescadores e caçadores das áreas estudadas.</p>
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<div style="width: 712px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/13242" target="_blank"><img src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/bitstream/handle/20.500.12156.1/13242/br_rj_coc_or_dp_rv_03_130.jpg.jpg?sequence=3&amp;isAllowed=y" alt="Thumbnail" width="702" height="489" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/13242" target="_blank">Vagões utilizados pelos membros da terceira excursão em frente à estação de Ilha Seca, 1940. Detalhe para o lençol branco utilizado em coletas noturnas de insetos. Pereira Barreto, SP / Acervo Casa de Oswaldo Cruz. </a></p></div>
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<p>Além dos cientistas e técnicos do IOC, integraram as excursões representantes de várias instituições do Brasil e exterior, como Museu Paulista, Instituto Biológico de São Paulo, Instituto de Higiene de São Paulo, Museu Nacional, Fundação Rockefeller, Clube Zoológico do Brasil, Universidade de São Paulo e Universidade de Michigan.</p>
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<div id="attachment_38163" style="width: 489px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/090972_09/11135" target="_blank"><img class="wp-image-38163 size-full" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2024/12/expedição1.jpg" alt="expedição1" width="479" height="450" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/090972_09/11135" target="_blank"><em>Correio Paulistano</em>, 7 de maio de 1942</a></p></div>
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<p>Embora alguns dos personagens envolvidos nessas jornadas tenham obtido sucesso em suas trajetórias científicas, entre eles Lauro Travassos, Frederico Lane (1901 – 1979), João Ferreira Teixeira de Freitas (1912 – 1970), Emmanuel Dias (1908 – 1962) e Maria José von Paumgartten, depois Maria Deane (1916 – 1995), estas páginas épicas são pouco conhecidas pelo campo científico e acadêmico nacional.</p>
<p><span style="color: #000000;">Nos relatórios das excursões constatamos o sentimento patriótico que movia os cientistas. Com um rigoroso alerta, advertiram sobre o perigo do desconhecimento das potencialidades da fauna e flora nacionais. Também denunciaram o efeito devastador provocado pela busca do lucro monetário desenfreado, bem como o desprezo pela pesquisa da natureza, que tanto ameaçava o equilíbrio das espécies como facilitava o surgimento de pragas para a agricultura.</span></p>
<p><em>&#8220;A seca proporcionou ainda oportunidade de observar o horrível espetáculo das queimadas. Por estes brutais incêndios dos campos, em que se formam linhas de fogo de quilômetros de extensão e que caminham léguas, tudo destruindo, flora e fauna, e ainda esterilizando o solo pelo formidável calor produzido por labaredas que atingem a 10 metros de altura e que a 100 metros já se torna insuportável, vai o brasileiro, metódica e tenazmente, transformando o nosso interior em árido deserto. Argumentam os autores desta brutalidade, a necessidade da melhoria dos campos. Sem dúvida é um processo barato para a limpeza dos pastos, mas de graves consequências para as gerações futuras. Há também prazer em contemplar o espetáculo&#8221;</em> (Travassos, 1940, p. 700).</p>
<p>Durante os trabalhos de campo, os excursionistas coletaram farto material de interesse médico e biológico, como insetos, mamíferos, répteis, aves, batráquios, peixes, helmintos e amostras botânicas. Todo esse material foi incorporado ao patrimônio científico de instituições de ensino e pesquisa do país. O IOC, por exemplo, ficou com o maior número de exemplares de insetos e helmintos, que se encontram atualmente preservados em coleções dedicadas a esses grupos zoológicos.</p>
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<div style="width: 710px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/13243" target="_blank"><img src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/bitstream/handle/20.500.12156.1/13243/br_rj_coc_or_dp_rv_05_020%20%281%29.jpg.jpg?sequence=3&amp;isAllowed=y" alt="Thumbnail" width="700" height="416" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/13243" target="_blank">Aspectos do rio Paraguai e das habitações de Porto Esperança, 1941. Corumbá, MS / Acervo Casa de Oswaldo Cruz</a></p></div>
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<p>Entretanto, os cientistas não se limitaram a investigar o clima, o relevo, os animais, a vegetação e as doenças reinantes na região, como malária, doença de Chagas e leishmaniose. Eles mostraram-se preocupados com as respostas que os habitantes poderiam dar perante às dificuldades impostas pela sobrevivência. Em quase todos os registros das excursões existem comentários sobre a qualidade da alimentação e as condições de moradia dos habitantes, que algumas vezes foram descritas como precárias e insalubres. A baixa densidade demográfica dos locais visitados também fez parte das observações dos cientistas.</p>
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<div style="width: 708px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/13241" target="_blank"><img src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/bitstream/handle/20.500.12156.1/13241/br_rj_coc_or_dp_rv_06_025.jpg.jpg?sequence=3&amp;isAllowed=y" alt="Thumbnail" width="698" height="666" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/13241" target="_blank">Cheia no Pantanal: João Ferreira Teixeira de Freitas no trecho alagado da linha férrea entre as estações de Miranda e Salobra, 1942. Miranda, MS / Acervo Casa de Oswaldo Cruz</a></p></div>
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<p>Em resenha biográfica sobre Lauro Travassos, Newton Dias dos Santos (1916 – 1989), naturalista do Museu Nacional, descreveu com riqueza de detalhes a sua participação na quinta excursão ao Noroeste. Nos trechos selecionados desta narrativa encontramos uma síntese de como deve ter sido o cotidiano das “<em>aventuras</em>” científicas por um Brasil rural e selvagem, rico em biodiversidade, e que ainda guarda muitos aspectos a serem conhecidos por nós na atualidade.</p>
<p><em>&#8220;Imagine, caro leitor, cerca de três dias de viagem pela Estrada de Ferro Noroeste do Brasil, estrada de penetração do nosso mais longínquo oeste, com deficiências, mas que é um orgulho da nossa gente. (&#8230;) A composição, puxada com sacrifício, acaba de atravessar a ponte do rio Miranda e para na estação de Salobra, próxima do grande pantanal. Olho em torno e diviso umas 10 casas de barro: eis toda a localidade. (&#8230;) Em meia hora está escolhida nossa sede; o pátio da estação. Começa o trabalho da montagem. (&#8230;) Em duas horas há um laboratório montado. Toda a minúscula população local, de olhos arregalados, está em torno. (&#8230;) O índice de impaludismo desta população é de 100%. (&#8230;) Cada um de nós começa a tomar quinino preventivo. A população entra também no quinino. (&#8230;) Enquanto estamos alojados, vem gente de longe em busca de tratamento. Todos são atendidos, pois a farmácia que levamos é grande.</em></p>
<p><em>A cozinha de campo é imediatamente montada e começa o trabalho da janta: feijão, arroz, carne seca. (&#8230;) Cai a noite e com ela o silêncio. (&#8230;) E começa o primeiro trabalho. Num grande lençol branco estendido verticalmente abaixo da lâmpada, começam a chegar os primeiros insetos curiosos. (&#8230;) Mosquitos e anofelíneos cobrem o pano; vão chegando, mariposas, coleópteros, hemípteros. (&#8230;) Nossos vidros e caixas vão se acumulando de material. Os sapos saem dos seus esconderijos e vem comer insetos e são por nós caçados. (&#8230;) Alguns já foram dormir; se não dá bicho vamos para a cama, mas de vez em quando acordamos, e vamos espiar o pano. O calor é terrível. (&#8230;) Travassos toma o primeiro café puro da manhã, apanha sua espingarda e dá uns giros por perto. Uma hora depois, está no acampamento com alguma cotia, ou alguma ave abatida. Os taxidermistas entram em ação. Tiram a pele do animal e dão o corpo ao professor. Este vai autopsiá-lo. Abre o animal, retira os intestinos e começa a catar os vermes (&#8230;) que são guardados em líquido conservador. (&#8230;)</em></p>
<p><em>Antes do almoço vão chegando mais peças: porcos do mato, gaviões, jacarés, ariranhas, veados, cotias, toda a classe de aves e mamíferos. (&#8230;) Outros excursionistas colecionam plantas, insetos, aracnídeos, moluscos, miriápodos. (&#8230;) Nos charcos, riachos e rios as nossas redes de pesca de arrastão trazem curiosos espécimens. (&#8230;) Cada dia passa um trem de ida ou de volta. É a nossa única distração. Às vezes, se consegue uma cerveja no trem e isso é uma delícia, pois a nossa única bebida é água e, por sinal, salobra, que é filtrada em caixa de areia. Felizmente ninguém adoece. (&#8230;) Travassos quase sempre leva seus dois esplêndidos auxiliares de Manguinhos, Mário Ventel e Antônio Nobre, que se incumbem da manutenção do laboratório e dos instrumentos. (&#8230;) Nossos banhos são no rio ou na caixa d&#8217;água que alimenta os trens. (&#8230;) Ao fim de 25 dias, nossas caixas estão cheias; chegamos ao fim, bastante maltratados”</em></p>
<p style="text-align: right;"><a href="http://memoria.bn.gov.br/docreader/085782/196" target="_blank"><em>Ciência para Todos</em>, 27 de março de 1949</a></p>
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<p style="text-align: left;"><strong><em>* </em></strong>Ricardo Augusto dos Santos  é  Pesquisador Titular da Fundação Oswaldo Cruz. Felipe Almeida Vieira e Francisco dos Santos Lourenço são pesquisadores do Departamento de Arquivo e Documentação da Casa de Oswaldo Cruz.</p>
<div style="width: 712px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/13117" target="_blank"><img src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/bitstream/handle/20.500.12156.1/13117/br_rj_coc_or_dp_rv_03_025.jpg.jpg?sequence=3&amp;isAllowed=y" alt="Thumbnail" width="702" height="535" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/13117" target="_blank">Lauro Travassos, João Ferreira Teixeira de Freitas e membros da comissão examinando um avestruz, 1940. Miranda, MS / Acervo Casa de Oswaldo Cruz</a></p></div>
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<p><span style="color: #800000;"><strong>Fontes:</strong></span></p>
<p>BENCHIMOL, Jaime Larry (coord.). <em>Manguinhos do sonho à vida: a ciência na belle époque</em>. Rio de Janeiro: Casa de Oswaldo Cruz, 1990.</p>
<p>DALMEIDA, José Mario. <em>Contribuições de Lauro Travassos (1890-1970) para a zoologia brasileira. História da Ciência e Ensino</em>, São Paulo, v. 14, p. 88-99, 2016.</p>
<p>FONSECA FILHO, Olympio da. <em>A escola de Manguinhos: contribuição para o estudo do desenvolvimento da medicina experimental no Brasil</em>. São Paulo: EGTR, 1974.</p>
<p>Hemeroteca Digital da Biblioteca Nacional.</p>
<p>RIBEIRO, Maria Alice Rosa. <em>História sem fim&#8230; Inventário da saúde pública</em>. São Paulo: Edusp, 1993.</p>
<p>SANTOS, Ricardo Augusto dos; VIEIRA, Felipe Almeida; LOURENÇO, Francisco dos Santos. <em>O “Dr. Photographo” Oswaldo Cruz</em>. Brasiliana Fotográfica, Rio de Janeiro, 31 out. 2023.</p>
<p>Site Estações Ferroviárias do Brasil.</p>
<p>THIELEN, Eduardo Vilela et al. <em>A ciência a caminho da roça: imagens das expedições científicas do Instituto Oswaldo Cruz ao interior do Brasil entre 1911 e 1913</em>. Rio de Janeiro: Casa de Oswaldo Cruz/Fiocruz, 1992.</p>
<p>TRAVASSOS, Lauro. <em>Relatório da excursão científica do Instituto Oswaldo Cruz realizada na zona da Estrada de Ferro Noroeste do Brasil, em outubro de 1938</em>. <em>Boletim Biológico</em>, São Paulo, v. 4, n. 2, p. 208-260, 1939.</p>
<p>TRAVASSOS, Lauro. <em>Relatório da terceira excursão a zona da Estrada de Ferro Noroeste do Brasil realizada em fevereiro e março de 1940</em>. <em>Memórias do Instituto Oswaldo Cruz</em>, Rio de Janeiro, v. 35, n. 3, p. 607-696, 1940.</p>
<p>TRAVASSOS, Lauro. <em>Relatório da quarta excursão do Instituto Oswaldo Cruz a zona da Estrada de Ferro Noroeste do Brasil, realizada em agosto e setembro de 1940</em>. <em>Memórias do Instituto Oswaldo Cruz</em>, Rio de Janeiro, v. 35, n. 4, p. 697-722, 1940.</p>
<p>TRAVASSOS, Lauro. <em>Relatório da quinta excursão do Instituto Oswaldo Cruz, realizada à zona da Estrada de Ferro Noroeste do Brasil, em janeiro de 1941</em>. <em>Memórias do Instituto Oswaldo Cruz</em>, Rio de Janeiro, v. 36, n. 3, p. 263-300, 1941.</p>
<p>TRAVASSOS, Lauro; FREITAS, J. F. Teixeira de. <em>Relatório da excursão científica realizada na zona da Estrada de Ferro Noroeste do Brasil em julho de 1939</em>. <em>Memórias do Instituto Oswaldo Cruz</em>, Rio de Janeiro, v. 35, n. 3, p. 525-556, 1940</p>
<p>TRAVASSOS, Lauro; FREITAS, J. F. Teixeira de. <em>Relatório da sexta excursão do Instituto Oswaldo Cruz, realizada à zona da Estrada de Ferro Noroeste do Brasil, em novembro de 1941</em>. <em>Memórias do Instituto Oswaldo Cruz</em>, Rio de Janeiro, v. 37, n. 3, p. 259–286, 1942.</p>
<p>TRAVASSOS, Lauro; FREITAS, J. F. Teixeira de. <em>Relatório da sétima excursão cientifica do Instituto Oswaldo Cruz, realizada à zona da Estrada de Ferro Noroeste do Brasil, em maio de 1942</em>. <em>Memórias do Instituto Oswaldo Cruz</em>, Rio de Janeiro, v. 38, n. 3, p. 385-412, 1943.</p>
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