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	<title>Brasiliana Fotográfica &#187; Edifício Martinelli</title>
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		<title>O Edifício Martinelli, antigo referencial e símbolo de São Paulo</title>
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		<pubDate>Mon, 16 May 2022 09:19:44 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Andrea Wanderley]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Análise de documento]]></category>
		<category><![CDATA[Alfredo Krausz]]></category>
		<category><![CDATA[Claude Levi-Strauss]]></category>
		<category><![CDATA[Edgard Egydio de Souza]]></category>
		<category><![CDATA[Edifício Martinelli]]></category>
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		<description><![CDATA[A Brasiliana Fotográfica destaca quatro imagens do icônico Edifício Martinelli, o primeiro arranha-céu de São Paulo. Uma delas foi produzida pelo francês Claude Lévi-Strauss, que esteve no Brasil entre 1935 e 1938, tendo sido professor de Sociologia na Universidade de São Paulo. Há também uma fotografia aérea de autoria de Alfredo Krausz, uma de autoria de um fotógrafo ainda não identificado e, finalmente, um registro realizado por Edgard Egydio de Souza. O prédio foi  idealizado pelo empresário italiano Giuseppe Martinelli e seu projeto foi de autoria do arquiteto húngaro William Fillinger.]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p>A Brasiliana Fotográfica destaca quatro imagens do icônico Edifício Martinelli, símbolo do apogeu e do declínio do Centro velho de São Paulo. Uma delas foi produzida pelo francês Claude Lévi-Strauss (1908 &#8211; 2009), que esteve no Brasil entre 1935 e 1938, tendo sido professor de Sociologia na Universidade de São Paulo e que, nas horas vagas, fotografava a cidade. Sobre o edifício escreveu em <em>Saudades de São Paulo:</em></p>
<p><span style="color: #800000;"><em>&#8220;Se coloquei o prédio Martinelli na abertura desta coletânea, é que em 1935 ele era ao mesmo tempo um referencial e um símbolo.</em></span></p>
<p><span style="color: #800000;"><em>Único arranha-céu de toda a cidade, aos olhos dos paulistanos simbolizava a ambição de que esta se tornasse a Chicago do hemisfério sul. Ambição que se realizou desde então, e foi além&#8230;</em></span></p>
<p><span style="color: #800000;"><em>O prédio Martinelli era também um referencial cuja silhueta dominava todos os outros prédios. Era visto de quase toda a parte, mesmo do fundo dos barrancos escarpados que desciam das elevações onde corria a avenida Paulista. Ainda entregues à natureza, esses barrancos abrigavam as habitações mais pobres, com os riachos, à guisa de esgotos, transformados em torrentes quando chovia.</em></span></p>
<p><span style="color: #800000;"><em>Mas o arranha-céu impunha sua presença majestosa sobretudo no início da avenida São João, artéria nova cuja abertura não estava ainda terminada. Descendo a pé a avenida em direção ao oeste, ficava-se obsedado por sua massa rosada que se percebia toda vez que se olhava para trás. Mesmo à distância, ela obstruia o horizonte, tanto de dia como ao anoitecer, quando as ornamentações feitas para o Carnaval se iluminavam</em>&#8220;.</span></p>
<p>&nbsp;</p>
<div style="width: 540px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/7002" target="_blank"><img src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/bitstream/handle/20.500.12156.1/7002/003LS001.jpg.jpg?sequence=3&amp;isAllowed=y" alt="Thumbnail" width="530" height="800" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/7002" target="_blank">Claude Lévi-Strauss. Edifício Martinelli, c. 1937. São Paulo, SP / Acervo IMS</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>Há também uma fotografia aérea de autoria de Alfredo Krausz (? &#8211; 19?), uma de autoria de um fotógrafo ainda não identificado e, finalmente, um registro realizado por Edgard Egydio de Souza (1867 &#8211; 1956). Inicialmente, o Martinelli era dividido em três partes: na rua Líbero Badaró, a parte residencial do edifício; na rua São Bento, a área comercial; e, pela entrada da São João, estava o Hotel São Bento e os salões Verde e Mourisco, alguns dos destinos preferidos da alta sociedade paulistana. A pintura rosa dos detalhes esculpidos em suas paredes é uma de suas marcas registradas.</p>
<p>&nbsp;</p>
<div style="width: 527px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/7055" target="_blank"><img src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/bitstream/handle/20.500.12156.1/7055/009SPSP001.jpg.jpg?sequence=3&amp;isAllowed=y" alt="Thumbnail" width="517" height="800" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/7055" target="_blank">Edifício Martinelli, c. 1928. São Paulo, SP / Acervo IMS</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<div dir="auto">
<p>Marco na verticalização de São Paulo, um de seus símbolos de progresso, da riqueza gerada pelo café, o Edifício Martinelli foi o primeiro arranha-céu de São Paulo e, como cenário urbano, traduzia o cosmopolitismo, que caracterizou o modernismo no Brasil. Abaixo, versos da revolucionária escritora Patrícia Galvão (1910 &#8211; 1962), a Pagu, participante do movimento modernista, onde o Edifício Martinelli é citado:</p>
<p>&nbsp;</p>
<div dir="auto"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2022/03/pagu.jpg"><img class="  wp-image-27577 aligncenter" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2022/03/pagu.jpg" alt="pagu" width="819" height="469" /></a></div>
<p>&nbsp;</p>
<div dir="auto">O Edificio Martinelli foi idealizado pelo imigrante italiano Giuseppe Martinelli (1870-1946), que chegou ao Brasil em fins do século XIX e tornou-se um dos mais ricos empresários do país. O projeto do prédio foi de autoria do arquiteto húngaro William Fillinger (1888-1968), formado na Academia de Belas Artes de Viena, na Áustria. A fachada foi desenhada pelos Irmãos Lacombe, suas portas eram de madeira de lei, as escadas tinham mármore italiano e o cimento veio da Noruega e da Suécia. Foi inaugurado, em 1929, em um terreno entre as ruas São Bento, Libero Badaró e a Avenida São João. Era, na época, o maior prédio da América do Sul, com 105,65 metros de altura, e a maior obra de cimento armado do mundo (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/003581/1448" target="_blank"><em>O Cruzeiro</em>, 11 de maio de 1929</a>).</div>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_27546" style="width: 341px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://memoria.bn.br/DocReader/305138/2469" target="_blank"><img class="size-full wp-image-27546" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2022/03/martinelli8.jpg" alt="Comendador Giuseppe Martinelli / Frou-Frou, de 19" width="331" height="507" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="http://memoria.bn.br/DocReader/305138/2469" target="_blank">Comendador Giuseppe Martinelli (1870 &#8211; 1946)/ <em>Frou-Frou</em>, agosto de 1929</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<div dir="auto">
<p>Sua construção foi iniciada, em 1924, e, a princípio, o prédio teria 14 andares. Mais seis pavimentos foram adicionados à obra e, posteriormente, com a ajuda de seu sobrinho, o engenheiro calculista Ítalo Martinelli, o edifício passou para 24 andares. A obra foi embargada, sob denúncias de risco de desabamento da construção. Giuseppe revogou a decisão e ainda ergueu mais pavimentos (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/763900/21583" target="_blank"><em>A Gazeta (SP)</em>, 23 de setembro de 1925, sexta coluna</a>; <a href="http://memoria.bn.br/DocReader/763900/26714" target="_blank"><em>A Gazeta (SP)</em>, 23 de janeiro de 1928, quinta coluna</a>;<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/103730_05/25733" target="_blank"> <em>Gazeta de Notícias</em>, 25 de maio de 1928, última coluna; </a><a href="http://memoria.bn.br/DocReader/103730_05/25785" target="_blank"><em>Gazeta de Notícias</em>, 1º de junho, sexta coluna</a><a href="http://memoria.bn.br/DocReader/103730_05/25733" target="_blank"> ; </a><a href="http://memoria.bn.br/DocReader/089842_03/34737" target="_blank"><em>Correio da Manhã</em>, 1º de junho de 1928, sétima coluna</a>; <a href="http://memoria.bn.br/DocReader/103730_05/27051" target="_blank"><em>Gazeta de Notícias</em>, 17 de outubro de 1928, quinta coluna</a>).</p>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_27538" style="width: 204px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://memoria.bn.br/docreader/103730_05/27051" target="_blank"><img class="size-full wp-image-27538" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2022/03/martinelli31.jpg" alt="Gazeta de Notícias, 17 de outubro de 1928" width="194" height="428" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="http://memoria.bn.br/docreader/103730_05/27051" target="_blank"><em>Gazeta de Notícias</em>, 17 de outubro de 1928</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<div dir="auto">Em 29 de março de 1928, o embaixador italiano, Bernardo Attolico, durante sua estadia em São Paulo, foi visitar as obras do edifício (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/090972_07/29966" target="_blank"><em>Correio Paulistano</em>, 30 de março de 1928</a>).</div>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_27535" style="width: 587px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://memoria.bn.br/docreader/090972_07/29966" target="_blank"><img class="size-full wp-image-27535" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2022/03/martinelli2.jpg" alt="Correio Paulistano, 30 de março de 1928" width="577" height="514" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="http://memoria.bn.br/docreader/090972_07/29966" target="_blank"><em>Correio Paulistano</em>, 30 de março de 1928</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>Em abril de 1929, 25 andares já estavam construídos (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/178691_05/38037" target="_blank"><em>O Paiz</em>, 21 de abril de 1929, quarta coluna</a>). Foi visitado pelo governador de São Paulo, Julio Prestes (1882 &#8211; 1946).</p>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_27543" style="width: 431px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://memoria.bn.br/DocReader/003581/1448" target="_blank"><img class="size-full wp-image-27543" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2022/03/martinelli5.jpg" alt="O Cruzeiro, 11 de maio de 1929" width="421" height="526" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="http://memoria.bn.br/DocReader/003581/1448" target="_blank"><em>O Cruzeiro</em>, 11 de maio de 1929</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_27544" style="width: 758px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://memoria.bn.br/docreader/003581/1449" target="_blank"><img class="size-full wp-image-27544" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2022/03/martinelli6.jpg" alt="O Cruzeiro, 11 de maio de 1929" width="748" height="507" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="http://memoria.bn.br/docreader/003581/1449" target="_blank"><em>O comendador Martinelli com o governador de São Paulo, Júlio Prestes /  Cruzeiro,</em> 11 de maio de 1929</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<div dir="auto">Em novembro, o prédio já tinha 26 pavimentos (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/030015_04/80655" target="_blank"><em>Jornal do Brasil</em>, 26 de novembro de 1926, primeira coluna</a>). No topo, foi construído um palacete, de cinco andares, onde Martinelli moraria. Mudou-se com a família para o prédio, em 1929. Porém, foi o italiano Arturo Patrizi, professor de dança, o primeiro morador do prédio. Mudou-se para lá em 1928, com o edifício ainda em obras, e abriu uma concorrida escola em uma das salas de sua casa, no quarto andar. <span style="color: #ff0000;"> </span></div>
<div dir="auto"></div>
<div dir="auto">Em 2 de setembro de 1929, foi inaugurado, no prédio, o <em>luxuoso</em> Cinema Rosário, com a exibição do filme <em>O Pagão</em>. O evento foi considerado <em>o maior acontecimento social do ano</em> <a href="http://memoria.bn.br/docreader/763900/29998" target="_blank">(<em>A Gazeta (SP)</em>, 4 de setembro de 1929</a>).</div>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_27534" style="width: 420px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://memoria.bn.br/docreader/763900/29998" target="_blank"><img class="size-full wp-image-27534" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2022/03/martinelli1.jpg" alt="A Gazeta (SP), 4 de setembro de 1929" width="410" height="486" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="http://memoria.bn.br/docreader/763900/29998" target="_blank"><em>A Gazeta (SP)</em>, 4 de setembro de 1929</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_27545" style="width: 778px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://memoria.bn.br/DocReader/830305/12960" target="_blank"><img class="size-large wp-image-27545" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2022/03/martinelli7-1024x503.jpg" alt="Salão dos Espelhos no Edifício Martinelli / Vida Doméstica, 1930" width="768" height="377" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="http://memoria.bn.br/DocReader/830305/12960" target="_blank">Salão dos Espelhos no Edifício Martinelli / <em>Vida Doméstica</em>, junho de 1930</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<div dir="auto"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/discover?query=%22edif%C3%ADcio+martinelli%22&amp;submit=Ir" target="_blank">Acessando o link para as imagens do Edifício Martinelli disponíveis na Brasiliana Fotográfica, o leitor poderá magnificar as imagens e verificar todos os dados referentes a elas.</a></div>
<p>&nbsp;</p>
<div style="width: 710px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/5598" target="_blank"><img src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/bitstream/handle/20.500.12156.1/5598/002037AAK2028.JPG.jpg?sequence=2&amp;isAllowed=y" alt="Thumbnail" width="700" height="446" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/5598" target="_blank">Alfredo Krausz. Voo do dirigível Graf Zeppelin sobre o centro da cidade, destaque para o edifício Martinelli, c. 1935. São Paulo, SP / Acervo IMS</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: center;"><span style="color: #800000;"><em>&#8220;E o Zeppelin veio provar para São Tomé o sofisma gracioso de que uma casa dum andar pode ser mais alta que o Martinelli.&#8221;</em> </span></p>
<p style="text-align: right;">Mário de Andrade, 1976</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Devido à quebra da Bolsa de Valores de Nova York, em 1929, o comendador Martinelli vendeu o prédio para o <i>Instituto Nazionale di Credito per il Lavoro Italiano all´Estero. </i>Os bens italianos foram confiscados pelo governo brasileiro durante a Segunda Guerra Mundial e o Edifício Martinelli passou para a administração federal, tendo sido, em seguida, leiloado. Foi comprado por Milton Pereira de Carvalho e Herbert Levy e pouco tempo depois passou a ter 103 proprietários, tornando-se o primeiro edifício do Brasil a se transformar em condomínio. Entrou em decadência até a reforma realizada durante a gestão do prefeito Olavo Setúbal (1923 &#8211; 2008), na década de 70, tendo sido reinaugurado, em 4 de maio de 1979 (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/093351/76614" target="_blank"><em>Diário da Noite (SP)</em>, 1º de fevereiro de 1979</a>).</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><img class="size-full wp-image-27578 aligncenter" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2022/03/martinellicartão.jpg" alt="martinellicartão" width="404" height="432" /><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2022/03/martinellicartão1.jpg"><img class="size-full wp-image-27579 aligncenter" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2022/03/martinellicartão1.jpg" alt="O Estado de São Paulo, 5 de maio de 1979" width="403" height="374" /></a></p>
<p style="text-align: center;"><em>O Estado de São Paulo</em>, 5 de maio de 1979</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>O Martinelli foi o endereço da sucursal paulista da revista <em>O Cruzeiro</em> (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/003581/6603" target="_blank"><em>O Cruzeiro</em>, 20 de fevereiro de 1932</a>), assim como dos partidos políticos Comunista, Integralista e também da União Democrática Nacional (UDN); do Palmeiras e da Portuguesa, do Club Republicano, da Ordem dos Músicos, da Federação Paulista de Medicina e do Instituto Médico Dante Alignieri.</p>
<p>Em 2019, quando completou 90 anos, cerca de 70% do Edifício Martinelli estava ocupado por secretarias municipais e o restante estava distribuído entre a Caixa Econômica Federal, o Sindicato dos Bancários de São Paulo e 11 lojas.</p>
<div dir="auto">Uma curiosidade: Giuseppe Martinelli é avô da artista plástica Maria Bonomi (1935-).</div>
<p>&nbsp;</p>
<div style="width: 710px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/7056" target="_blank"><img src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/bitstream/handle/20.500.12156.1/7056/022EEScx24-06.jpg.jpg?sequence=3&amp;isAllowed=y" alt="Thumbnail" width="700" height="332" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/7056" target="_blank">Edgard Egydio de Souza. Edifício Martinelli, à esquerda as torres do mosteiro de São Bento, década de 30. São Paulo, SP / Acervo IMS</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Andrea C. T. Wanderley</p>
<p>Editora e pesquisadora do portal Brasiliana Fotográfica</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><span style="color: #800000;"><strong>Fontes:</strong></span></p>
<p><a href="https://revistaesquinas.casperlibero.edu.br/arte-e-cultura/a-morte-que-ronda-o-vivo-edificio-martinelli/" target="_blank"><em>Esquinas &#8211; Revista Digital Laboratório da Faculdade Casper Líbero</em>, 11 de fevereiro de 2020</a></p>
<p><a href="https://www1.folha.uol.com.br/fsp/cotidian/ff250119.htm" target="_blank"><em>Folha de São Paulo</em>, 25 de janeiro de 1998</a></p>
<p><a href="https://www.bn.gov.br/explore/acervos/hemeroteca-digital" target="_blank">Hemeroteca Digital da Biblioteca Nacional</a></p>
<p>HOMEM, Maria Cecília Naclério. <em>O Prédio Martinelli &#8211; A ascensão do imigrante e a verticalização de São Paulo</em>. São Paulo : Editora Projeto, 1984.</p>
<p>LEVI-STRAUSS, Claude. <em>Saudades de São Paulo</em>. São Paulo : Companhia das Letras, 1996.</p>
<p>REBECHI JUNIOR, Arlindo. <a href="file:///C:/Users/Andrea%20Wanderley/Downloads/145613-Texto%20do%20artigo-295327-1-10-20180606.pdf" target="_blank"><em>Pagu: poesia, militância e condição feminina</em></a>. Revista da USP. Comunicação &amp; Educação • Ano XXIII • número 1 • jan/jun 2018.</p>
<p><a href="https://saopauloantiga.com.br/o-real-legado-do-edificio-martinell/" target="_blank">São Paulo Antiga</a></p>
<p><a href="https://www.prefeitura.sp.gov.br/cidade/secretarias/habitacao/noticias/?p=4230.%C2%A0Acesso" target="_blank">Site Prefeitura de São Paulo</a></p>
<p><a href="https://www.youinc.com.br/blog/curiosidades-sobre-o-edificio-martinelli-no-centro-de-sao-paulo" target="_blank">Site YOU, INC</a></p>
<p><a href="https://entretenimento.uol.com.br/noticias/efe/2019/07/14/edificio-martinelli-abriga-gloria-decadencia-e-ressurreicao-de-sao-paulo.htm" target="_blank">UOL</a></p>
</div>
</div>
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		<title>A primeira passagem do Graf Zeppelin pelo Rio de Janeiro, em 1930, e registros de outras viagens</title>
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		<pubDate>Fri, 25 May 2018 15:29:04 +0000</pubDate>
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		<category><![CDATA[Hermann Goering (1893 - 1946)]]></category>
		<category><![CDATA[história]]></category>
		<category><![CDATA[Humaitá]]></category>
		<category><![CDATA[Jorge Kfuri]]></category>
		<category><![CDATA[Julio Celso de Albuquerque Belo (1873 - 1951)]]></category>
		<category><![CDATA[Lagoa Rodrigo de Freitas]]></category>
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		<category><![CDATA[Manuel Bandeira]]></category>
		<category><![CDATA[Morro do Curvelo]]></category>
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		<category><![CDATA[Vicente Licínio Cardoso]]></category>
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		<description><![CDATA[A chegada do Graf Zeppelin ao Rio de Janeiro foi um grande acontecimento. Sua passagem silenciosa pelo céu da cidade parecia uma visão de sonho e deslumbrou a população causando uma verdadeira comoção. A Brasiliana Fotográfica reuniu registros do evento produzidos pelo fotógrafo Jorge Kfuri (1893 - 1965), que pertencem à Diretoria do Patrimônio Histórico e Documentação da Marinha, parceira do portal, e também imagens de outras viagens de zepelins pelo Rio de Janeiro, pertencentes ao acervo do Instituto Moreira Salles, de autoria do fotógrafo amador Guilherme Santos e de fotógrafos ainda não identificados. Há também uma fotografia, do fotógrafo húngaro Alfredo Krausz de uma passagem do Graf Zeppelin por São Paulo.]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p>A chegada do Graf Zeppelin ao Rio de Janeiro foi um grande acontecimento. Sua passagem silenciosa pelo céu da cidade parecia uma visão de sonho e deslumbrou a população causando uma verdadeira comoção. O fotógrafo <a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=8540" target="_blank">Jorge Kfuri (1893 &#8211; 1965)</a> registrou o evento e a Brasiliana Fotográfica relembra o fato destacando imagens que pertencem à Diretoria do Patrimônio Histórico e Documentação da Marinha, uma das parceiras do portal. São 10 fotografias aéreas do dirigível alemão sobrevoando diversos bairros e locais da Cidade Maravilhosa, dentre eles o Bairro Peixoto, Botafogo, <a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=5453" target="_blank">Copacabana</a>, Humaitá, a Lagoa Rodrigo de Freitas, o <a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=7530" target="_blank">Pão de Açúcar</a> e o Campo dos Afonsos, onde aterrissou. Kfuri produziu as imagens a bordo do avião <em>Consul Dayte</em> nº 332, da Marinha de Guerra, pilotado pelo capitão-tenente Antônio Dias Costa (? &#8211; 1930), que faleceu dois dias depois em um acidente de avião (<em>Diário da Noite</em>, <a href="http://memoria.bn.br/DocReader/221961_01/229" target="_blank">26 de maio, quarta coluna</a> e <a href="http://memoria.bn.br/DocReader/221961_01/242" target="_blank">28 de maio</a> de 1930).</p>
<p>A Brasiliana Fotográfica reuniu também registros de outras passagens tanto do Graf Zeppelin como do dirigível Hindenburg pelo Rio de Janeiro, que pertencem ao acervo do Instituto Moreira Salles &#8211; são de autoria do fotógrafo amador <a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=5545" target="_blank">Guilherme Santos (1871 &#8211; 1966)</a> e de fotógrafos ainda não identificados. Há também uma fotografia, de autoria do fotógrafo húngaro Alfredo Krausz (1902 &#8211; 1953), de uma passagem do Graf Zeppelin por São Paulo tendo ao fundo o Edifício Martinelli. A Brasiliana Fotográfica também resgatou a crônica <a href="http://memoria.bn.br/DocReader/213829/10131" target="_blank"><em>O morro em polvorosa</em></a>, de Manuel Bandeira (1886 &#8211; 1968), sobre o impacto da presença do zepelim nos céus do Rio de Janeiro, publicada no <a href="http://memoria.bn.br/DocReader/213829/10131" target="_blank"><em>Diário Nacional de </em>31 de maio de 1930</a>.</p>
<p>Sérgio Burgi, coordenador de Fotografia do Instituto Moreira Salles e um dos curadores do portal, fez uma apreciação das fotografias selecionadas para essa publicação*.</p>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_12269" style="width: 194px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://memoria.bn.br/DocReader/221961_01/229" target="_blank"><img class="wp-image-12269 size-full" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2018/05/noticia.jpg" alt="noticia" width="184" height="540" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="http://memoria.bn.br/DocReader/221961_01/229" target="_blank"><em>Diário da Noite</em>, 26 de maio de 1930</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>Várias fotografias creditadas ao tenente J. Kfuri, do Serviço Fotográfico da Aviação Naval, foram publicadas na revista <a href="http://memoria.bn.br/docreader/003581/2684" target="_blank"><em>O Cruzeiro</em>, de 7 de junho de 1930.</a> Acima delas, os títulos eram exuberantes e líricos: &#8220;<em><a href="http://memoria.bn.br/docreader/003581/2685" target="_blank">Na escuridão da noite como um meteoro&#8230;</a></em>&#8220;, &#8220;<em><a href="http://memoria.bn.br/docreader/003581/2686" target="_blank">Como um pássaro maravilhoso a aeronave parece voar entre as nuvens e as neblinas matinares</a></em>&#8221; e &#8220;<em><a href="http://memoria.bn.br/docreader/003581/2693" target="_blank">O refulgente pássaro aéreo voa sobre os bairros da cidade</a></em>&#8220;, entre outros.</p>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_12245" style="width: 550px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://memoria.bn.br/docreader/003581/2684" target="_blank"><img class="  wp-image-12245" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2018/05/kfuri.jpg" alt="kfuri" width="540" height="286" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="http://memoria.bn.br/docreader/003581/2684" target="_blank">Antônio Dias Costa e Jorge Kfuri, <em>O Cruzeiro</em>, 7 de junho de 1930</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>Na mesma edição, como <em>as admiráveis fotografias do tenente Kfuri pediam um texto de excepcional significação</em>, foi publicado o artigo <a href="http://memoria.bn.br/docreader/003581/2691" target="_blank"><em>Palavras do Ar</em></a>, do engenheiro e professor Vicente Licínio Cardoso (1889 &#8211; 1931), único passageiro brasileiro do Graf Zeppelin. Estava na Europa como delegado da Federação Nacional das Sociedades da Educação, quando foi convidado pela Companhia Zeppelin para representar o país no primeiro voo da aeronave para o Brasil.</p>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_12274" style="width: 391px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://memoria.bn.br/docreader/003581/2690" target="_blank"><img class="wp-image-12274" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2018/05/licinio.jpg" alt="licinio" width="381" height="540" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="http://memoria.bn.br/docreader/003581/2690" target="_blank">Vicente Licínio Cardoso, único passageiro brasileiro no voo inaugural do &#8220;Graf&#8221; Zeppelin para o Brasil,<em> O Cruzeiro</em>, 7 de junho de 1930</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/visualizar-grupo-trabalho/146" target="_blank"><strong>Acessando o link para as fotografias do Graf Zeppelin no Rio de Janeiro pertencentes ao acervo da Diretoria do Patrimônio Histórico e Documentação da Marinha que estão disponíveis na Brasiliana Fotográfica, o leitor poderá magnificar as imagens e verificar todos os dados referentes a elas.</strong></a></p>
<p>&nbsp;</p>
<div style="width: 710px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/5373" target="_blank"><img class="" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/bitstream/handle/20.500.12156.1/5373/133862.jpg.jpg?sequence=3&amp;isAllowed=y" alt="Thumbnail" width="700" height="481" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/5373" target="_blank">Jorge Kfuri. O Graf Zeppelin sobrevoa Copacabana. O grande terreno no centro é o bairro Peixoto, 25 de maio de 1930. Rio de Janeiro, RJ / Acervo DPHDM</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/visualizar-grupo-trabalho/147" target="_blank"><strong>Acessando o link para as fotografias de passagens de zepelins pelo Brasil pertencentes ao acervo do Instituto Moreira Salles que estão disponíveis na Brasiliana Fotográfica, o leitor poderá magnificar as imagens e verificar todos os dados referentes a elas.</strong></a></p>
<p>&nbsp;</p>
<div style="width: 711px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/5603" target="_blank"><img src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/bitstream/handle/20.500.12156.1/5603/002080Vol02Cx0105.jpg.jpg?sequence=2&amp;isAllowed=y" alt="" width="701" height="281" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/5603" target="_blank">Guilherme Santos. Passagem do Zepelim pelo país, c. 1935. Avenida Rio Branco, Rio de Janeiro / Acervo IMS</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: center;"> <strong><span style="color: #800000;"><em>O primeiro voo do Graf Zeppelin ao Brasil</em></span></strong></p>
<div style="width: 193px" class="wp-caption alignleft"><img src="https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/6/6a/Ferdinand_Graf_von_Zeppelin_Profil.jpg/800px-Ferdinand_Graf_von_Zeppelin_Profil.jpg" alt="" width="183" height="236" /><p class="wp-caption-text">Ferdinand von Zeppelin</p></div>
<p style="text-align: left;">Batizado pela filha do pioneiro dos dirigíveis, o conde Ferdinand Graf von Zeppelin (1838 &#8211; 1917), em 8 de julho de 1928, data em que ele completaria 90 anos, o Graf Zeppelin D &#8211; LZ127  &#8211; <em>graf</em> significa conde &#8211; realizou seu primeiro voo em 18 de setembro do mesmo ano. O primeiro voo comercial aconteceu em 11 de outubro, também em 1928. Tinha aproximadamente 236 metros de comprimento e cerca de trinta metros de altura. Seu luxo, tamanho e velocidade encantaram seus passageiros e as populações por onde passava. Sua presença nos céus cariocas foi referido em uma crônica de <a href="https://blogdoims.com.br/manuel-bandeira-a-vida-inteira-por-elvia-bezerra/" target="_blank">Manuel Bandeira (1886 &#8211; 1968)</a> como <em>um acontecimento empolgante e inédito&#8230;um espetáculo&#8230;perturbantemente inédito</em> (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/213829/10131" target="_blank"><em>Diário Nacional,</em> 31 de maio de 1930</a>).</p>
<p style="text-align: left;">O Graf Zeppelin tinha 10 cabines duplas, dois lavabos, banheiros masculino e feminino, restaurante, cozinha, sala de rádio, sala de navegação e sala de controle. Foi o primeiro balão dirigível a vir ao Brasil, o primeiro a transpor a linha equatorial atravessando o oceano Atlântico no hemisfério sul. Veio em voo experimental e seu destino era o Rio de Janeiro. Prateado, partiu da base de Friedrichshafen, na Alemanha, em 18 de maio de 1930, e fez na manhã do dia seguinte uma parada em Sevilha, na Espanha. Sobrevoou os céus do Recife, primeira parada em terras brasileiras, após um voo de 59 horas conduzido pelo comandante Hugo Eckener (1868 &#8211; 1954).  Aterrissou no Aeroporto do Jiquiá, na capital pernambucana, em 22 de maio de 1930, onde era esperado por uma multidão estimada em 15 mil pessoas &#8211; a data havia sido decretada feriado pelo prefeito do Recife, Francisco da Costa Maia. A chegada da aeronave foi saudada pelo sociólogo Gilberto Freyre (1900 &#8211; 1987), então oficial de gabinete do governador Estácio Coimbra (1872 &#8211; 1937) (<em>Diário de Pernambuco</em>,<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/029033_11/1029" target="_blank"> 22</a> e <a href="http://memoria.bn.br/DocReader/029033_11/1039" target="_blank">23</a> de maio de 1930). Houve tumulto entre a multidão e a polícia e o cônsul da Inglaterra e sua esposa foram <em>atropelados pela cavalaria</em> (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/089842_04/2100" target="_blank"><em>Correio da Manhã</em>, 25 de maio de 1930, terceira coluna</a>). Fotografias sobre a passagem do dirigível por Recife foram publicadas em <a href="http://memoria.bn.br/docreader/003581/2682" target="_blank"><em>O Cruzeiro</em> de 7 de junho de 1930</a>.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><em>Lista dos passageiros:</em></p>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_12235" style="width: 550px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://memoria.bn.br/docreader/029033_11/1039" target="_blank"><img class="  wp-image-12235" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2018/05/zep.jpg" alt="zep" width="540" height="419" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="http://memoria.bn.br/docreader/029033_11/1039" target="_blank"><em>Diário de Pernambuco</em>, 23 de maio de 1930</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>O Graf Zeppelin foi reabastecido com gás e seguiu para o Rio de Janeiro à meia-noite de 23 de maio (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/029033_11/1047" target="_blank"><em>Diário de Pernambuco</em>, 24 de maio de 1930</a>).  Finalmente, a aeronave atingiu a cidade às 23:30 do dia 24 e durante toda a madrugada <em>bordejou fora da barra com seus motores parados</em> para não incomodar com barulho os habitantes do Rio. Seu sobrevoo à cidade, na manhã do dia 25 de maio, descrito como <em>empolgante, </em>como um dos mais<em> imponentes espetáculos que poderia ser proporcionado pela aviação moderna,</em> foi assistido por <em>quase toda a população carioca. </em>A espera pelo evento foi como a espera por um <em>convidado de honra, um convidado para quem se reservam todas as atenções, todas as fidalguias, as fidalguias a que se dispensam aos grandes personagens que propositadamente se fazem aguardar com curiosidade&#8230;</em>O prefeito Antônio da Silva Prado Junior (1880 &#8211; 1955) e outras autoridades, dentre elas o embaixador Morgan, dos Estados Unidos, foram receber o comandante Eckener ainda a bordo do zeppelin (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/089842_04/2128" target="_blank"><em>Correio da Manhã</em>, 26 de maio de 1930</a>).</p>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_12276" style="width: 393px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://memoria.bn.br/DocReader/128066_02/26118" target="_blank"><img class="wp-image-12276 size-full" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2018/05/eckener.jpg" alt="eckener" width="383" height="540" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="http://memoria.bn.br/DocReader/128066_02/26118" target="_blank">Desenho do comandante Eckener feito pelo pintor e ilustrador pernambucano Manoel Bandeira (1900 &#8211; 1964), o M. Bandeira, para <em>A Província</em>, 18 de maio de 1930</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>O conde Pereira Carneiro (1877 &#8211; 1954) e sua esposa, além do comandante Trompovsky e do capitão Fontenelle, representando o Ministro da Viação, embarcaram no dirigível (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/089842_04/2130" target="_blank"><em>Correio da Manhã</em>, 26 de maio de 1930, primeira coluna</a>), que, cerca de uma hora depois da aterrissagem, voltou ao Recife, onde chegou no dia 26 (<a href="http://memoria.bn.br/docreader/089842_04/2134" target="_blank"><em>Correio da Manhã</em>, 27 de maio de 1930</a>). <span style="color: #333333;">Dois dias depois, iniciou seu retorno à Alemanha. Ao sobrevoar Natal, a tripulação jogou uma coroa de flores sobre a estátua de um dos pioneiros da aviação, Augusto Severo (1864 &#8211; 1902), com a mensagem &#8220;A Alemanha ao Brasil na pessoa de seu grande filho Augusto Severo&#8221; (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/089842_04/2162" target="_blank"><em>Correio da Manhã</em>, 29 de maio de 1930</a>). No fim do dia, cruzou a linha do Equador. A passagem por Havana, previamente programada, foi suspensa (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/089842_04/2190" target="_blank"><em>Correio da Manhã</em>, 31 de maio de 1930</a>), e o Zeppelin chegou ao Aeroporto de Lakehurst, nos Estados Unidos, em 31 de maio (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/089842_04/2204" target="_blank"><em>Correio da Manhã</em>, 1º de junho de 1930</a>). No dia 2 de junho partiu para Sevilha (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/089842_04/2232" target="_blank"><em>Correio da Manhã</em>, 3 de junho de 1930</a>), onde chegou no dia 5 (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/089842_04/2276" target="_blank"><em>Correio da</em> <em>Manhã</em>, 6 de junho de 1930</a>). Alcançou seu destino final, Friedrichshafen, em 6 de junho de 1930, após 19 dias desde o início de sua viagem tricontinental (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/089842_04/2290" target="_blank"><em>Correio da Manhã</em>, 7 de junho de 1930</a>).</span></p>
<p>&nbsp;</p>
<div style="width: 710px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/5368" target="_blank"><img src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/bitstream/handle/20.500.12156.1/5368/133867.jpg.jpg?sequence=3&amp;isAllowed=y" alt="Thumbnail" width="700" height="482" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/5368" target="_blank">Jorge Kfuri. O Graf Zeppelin sobrevoa Botafogo e Humaitá, vendo-se a Lagoa Rodrigo de Freitas ao fundo, 25 de maio de 1930. Rio de Janeiro, RJ / Acervo DPHDM</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>A história dos zeppelins foi interrompida pela explosão do dirigível Hindenburg, ocorrida, 77 horas depois da decolagem em Frankfurt, no final de uma tarde chuvosa, em Lakehurst, em Nova Jeresey, nos Estados Unidos, em 6 de maio de 1937, matando 36 pessoas &#8211; 13 passageiros, 22 tripulantes e um membro da equipe de terra (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/110523_03/37631" target="_blank"><em>O Jornal</em>, 7 de maio de 1937</a> e <a href="http://memoria.bn.br/DocReader/025909_03/17741" target="_blank"><em>Revista da Semana</em>, 15 de maio de 1937</a>). Realizou 63 voos desde seu primeiro, em 4 de março de 1936. Segundo Claudio Lucchesi, autor do livro <em>Loucos e heróis: fatos curiosidades da história da aviação, </em>o Hindenburg fez 6 voos para o Brasil.</p>
<p>Após cerca de uma década, nenhum acidente foi registrado envolvendo o Graf  Zeppelin. Porém, após a tragédia com o Hindenburg, ainda em 1937, foi retirado de operação e ficou exposto em um hangar de Frankfurt (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/110523_03/38498" target="_blank"><em>O Jornal</em>, 19 de junho de 1937, quarta coluna</a>). Foi desmanchado em março de 1940 por ordem de Hermann Goering (1893 &#8211; 1946), comandante-chefe da Luftwaffe, a força aérea alemã. Em nove anos de operação, o Graf Zeppelin realizou 590 voos transportando milhares de passageiros e centenas de quilos de carregamentos e correspondência.</p>
<p>&nbsp;</p>
<div style="width: 710px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/5367" target="_blank"><img src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/bitstream/handle/20.500.12156.1/5367/133870.jpg.jpg?sequence=3&amp;isAllowed=y" alt="" width="700" height="483" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/5367" target="_blank">Jorge Kfuri. O Graf Zeppelin sobre o morro da Urca e a Praia Vermelha, 25 de maio de 1930. Rio de Janeiro, RJ / Acervo DPHDM</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: center;"><strong><span style="color: #800000;">A chegada do Graf Zeppelin ao Rio de Janeiro foi uma notícia de destaque em vários jornais da época:</span></strong></p>
<p style="text-align: left;"><a href="http://memoria.bn.br/DocReader/259063/73338" target="_blank"><em>A semana Zeppelin</em> &#8211; <em>Fon-Fon</em>, 24 de maio de 1930</a></p>
<p><a href="http://memoria.bn.br/DocReader/089842_04/2128" target="_blank"><em>O Conde Zeppelin no Rio de Janeiro &#8211; Correio da Manhã</em>, 26 de maio de 1930</a></p>
<p><a href="http://memoria.bn.br/DocReader/348970_03/1146" target="_blank"><em>O rápido pouso do Zeppelin &#8211; Como A Noite soube que o dirigível não aterraria no Campo dos Afonsos</em> &#8211; <em>A Noite</em>, 26 de maio de 1930</a></p>
<p><a href="http://memoria.bn.br/DocReader/110523_03/2255" target="_blank"><em>O Rio de Janeiro viveu momentos de intensa emoção e entusiasmo com a visita do &#8220;Graf Zeppelin&#8221;</em> &#8211; <em>O Jornal</em>, 26 de maio de 1930</a></p>
<p><a href="http://memoria.bn.br/DocReader/103730_06/1075" target="_blank"><em>Sob aclamação delirante, o povo carioca consagra a jornada audaz do comandante Eckner &#8211; O raid triunfante do &#8220;Graf Zeppelin&#8217;</em> &#8211; <em>Gazeta de Notícias</em>, 26 de maio de 1930</a></p>
<p><a href="http://memoria.bn.br/DocReader/030015_05/4122" target="_blank"><em>O entusiasmo que despertou o empolgante espetáculo da chegada do &#8220;Conde Zeppelin&#8221;</em> &#8211; <em>Jornal do Brasil</em>, 27 de maio de 1930</a></p>
<p><a href="http://memoria.bn.br/DocReader/178691_06/1359" target="_blank"><em>O &#8220;Graf&#8221; Zeppelin em visita ao Brasil &#8211; Continuando a sua rota magnífica, após ter sido aclamado pela população carioca, chegou ontem, pela manhã, a Recife, o grande dirigível alemão &#8211; O Paiz</em>, 27 e 28 de maio de 1930</a></p>
<p><a href="http://memoria.bn.br/DocReader/003581/2613" target="_blank"><em>O &#8220;Graf&#8221; Zeppelin no Brasil</em> &#8211; <em>O Cruzeiro</em>, 31 de maio de 1930</a></p>
<p><a href="http://memoria.bn.br/DocReader/213829/10131" target="_blank"><em>O morro em polvorosa</em>, por Manuel Bandeira &#8211; <em>Diário Nacional,</em> 31 de maio de 1930</a></p>
<p><a href="http://memoria.bn.br/DocReader/116300/73277" target="_blank"><em>A viagem do Zeppelin</em> &#8211; <em>O Malho</em>, 31 de maio de 1930</a></p>
<p><a href="http://memoria.bn.br/DocReader/025909_03/1012" target="_blank"><em>De Ícaro a Zeppelin, </em>por Escragnole Dória<em> &#8211; Revista da Semana</em>, 31 de maio de 1930</a></p>
<p><a href="http://memoria.bn.br/docreader/003581/2682" target="_blank"><em>A viagem do &#8220;Graf&#8221; Zeppelin ao Brasil &#8211; O Cruzeiro</em>, 7 de junho de 1930</a></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Andrea C. T. Wanderley</p>
<p>Editora-assistente e pesquisadora do portal Brasiliana Fotográfica</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong><span style="color: #800000;">Fontes:</span></strong></p>
<p><a href="http://www.airships.net/lz127-graf-zeppelin/history/" target="_blank">Airships.net</a></p>
<p class="autor"><a href="http://bndigital.bn.gov.br/hemeroteca-digital/" target="_blank">Hemeroteca Digital da Biblioteca Nacional</a></p>
<p class="autor">LAUX Paulo F. <a href="http://aeromagazine.uol.com.br/artigo/a-memoravel-passagem-do-zeppelin-pelo-brasil_737.html" target="_blank"><em>A memorável passagem do Zeppelin pelo Brasil</em></a>, 2012. <em>Aeromagazine</em>, 3 de outubro de 2012.</p>
<p class="autor">LINS, Fernando Chaves. P<em>or céus nunca d´antes navegados</em>, 2006. Recife: Universidade Federal de Pernambuco</p>
<p class="autor">LUCCHESI, Claudio. <em>Loucos e heróis: fatos curiosidades da história da aviação</em>, 1996.</p>
<p><a href="http://sao-paulo.estadao.com.br/blogs/geraldo-nunes/livro-e-exposicao-resgatam-chegada-do-zepelim-ao-brasil/" target="_blank"><em>O Estado de São Paulo</em>, 9 de junho de 2015</a></p>
<p><a href="http://acervo.oglobo.globo.com/rio-de-historias/zeppelin-atravessa-atlantico-em-sete-dias-pousa-na-capital-federal-8891105" target="_blank"><em>O Globo</em>, 2 de julho de 2013</a></p>
<p>&nbsp;</p>
<div style="width: 711px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/5602" target="_blank"><img class="" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/bitstream/handle/20.500.12156.1/5602/002080Vol02Cx0104.jpg.jpg?sequence=2&amp;isAllowed=y" alt="Thumbnail" width="701" height="291" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/5602" target="_blank">Guilherme Santos. Passagem do Zeppelin pelo país, c. 1935. Rio de Janeiro, RJ / Acervo IM</a>S</p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>De Sérgio Burgi, coordenador de Fotografia do Instituto Moreira Salles e curador da Brasiliana Fotográfica:</p>
<p><em>Vejam as imagens, verdadeiramente oníricas, dos primeiros vôos dos dirigíveis nos céus do Brasil, fotografados do ar por Jorge Kfury e do solo, em estereoscopias, por Guilherme Santos, entre outros registros preciosos sobre o tema, que integram a Brasiliana Fotográfica. </em><br />
<em>Somam-se nestas imagens muitos pioneirismos que marcaram o início do século XX: a aviação, vivendo ainda a convivência entre as duas grandes modalidades das quais Santos Dumont foi pioneiro, os balões dirigív<span class="text_exposed_show">eis e aviões a motor; a fotografia aérea, que concretizou e expandiu as ambições, desde as imagens pioneiras em balão de Nadar, de se realizar registros fotográficos a &#8220;olho de pássaro&#8221; de todo o território. É neste momento também que a fotografia estereoscópica se une à fotografia aérea para o início dos levantamentos aerofotogramétricos que revolucionariam toda a cartografia mundial.<br />
E no solo, a fotografia estereoscópica era também redescoberta por uma legião de fotógrafos, amadores e profissionais, que, como o carioca Guilherme Santos, dedicaram-se a produzir verdadeiras crônicas visuais de seu tempo. Imagens de uma fotografia documental e direta, em chapas de vidro, porém já fortemente marcadas pelas inovações da época, que levariam a fotografia a novos horizontes de linguagem e representação ao longo do século XX.</span></em></p>
<p>*A apreciação de Sérgio Burgi foi integrada à publicação em 26 de maio de 2018.</p>
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