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	<title>Brasiliana Fotográfica &#187; Donga</title>
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		<title>No Dia Nacional do Samba, uma homenagem ao gênero musical icônico do Brasil e a Donga, um dos compositores de &#8220;Pelo telefone&#8221;</title>
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		<pubDate>Mon, 02 Dec 2024 15:55:04 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Andrea Wanderley]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Análise de documento]]></category>
		<category><![CDATA[Biografia]]></category>
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		<category><![CDATA[Dia Nacional do Samba]]></category>
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		<description><![CDATA[Com uma fotografia do conjunto "Batutas", considerado o primeiro grupo de música popular brasileira a alcançar projeção internacional,  a Brasiliana Fotográfica homenageia o Dia Nacional do Samba. Havia entre os integrantes dos "Batutas" vários expoentes, dentre eles Ernesto Joaquim Maria dos Santos, o Donga, um dos autores daquele que ficou consagrado como o primeiro samba da história, "Pelo telefone", registrado em 27 de novembro de 1916. ]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p>Com uma fotografia do conjunto &#8220;Batutas&#8221;, considerado o primeiro grupo de música popular brasileira a alcançar projeção internacional,  a Brasiliana Fotográfica homenageia o Dia Nacional do Samba. Havia entre os integrantes dos &#8220;Batutas&#8221; vários expoentes, dentre eles Ernesto Joaquim Maria dos Santos, o Donga, um dos autores daquele que ficou consagrado como o primeiro samba da história, <em>Pelo telefone</em>, registrado em 27 de novembro de 1916. O samba é o gênero musical icônico do Brasil e,  segundo Nélson Sargento (1924-2021), é <em>um bonito modo de viver. </em>Em 2005, a Unesco reconheceu o samba de roda como Patrimônio Imaterial da Humanidade.</p>
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<div style="width: 710px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/8908" target="_blank"><img src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/bitstream/handle/20.500.12156.1/8872/A05F03P02.jpg.jpg?sequence=2&amp;isAllowed=y" alt="Thumbnail" width="700" height="513" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/8908" target="_blank">Oito Batutas, 1919. Da esquerda para a direita: Jacob Palmieri, Donga, José Alves, Nelson Alves, Raul Palmieri, Luís de Oliveira, China e Pixinguinha. Rio de Janeiro, RJ / Acervo IMS</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>Em 9 de outubro de 2007, o samba tornou-se Patrimônio Cultural do Brasil quando o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) conferiu registro oficial, no Livro de Registro das Formas de Expressão, às matrizes do samba do Rio de Janeiro: samba de terreiro, partido-alto e samba-enredo. O pedido de registro foi feito por Nilcemar Nogueira, presidente do Centro Cultural Cartola com apoio da Associação das Escolas de Samba do Rio de Janeiro e da Liga Independente das Escolas de Samba (Liesa). Nilcemar é neta do compositor Angenor de Oliveira, o Cartola (1908-1980).</p>
<p>No ano de 2023, as Escolas de Samba do Rio de Janeiro foram contempladas com a <a href="https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2023-2026/2023/lei/l14567.htm" target="_blank">Lei nº 14.567 </a>de 4 de maio de 2023, sancionada pelo Presidente da República em exercício, Luiz Inácio Lula da Silva, em conjunto com os ministros Margareth Menezes da Purificação Costa, Flávio Dino de Castro e Costa e Anielle Francisco da Silva. Elas e seus desfiles foram reconhecidos assim como as suas músicas, suas práticas e suas tradições como manifestações da cultura nacional, competindo ao poder público a garantia da livre atividade das Escolas de Samba e a realização de seus desfiles carnavalescos.</p>
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<p style="text-align: center;"><span style="color: #800000;"><em><strong>Breve história do Dia Nacional do Samba</strong></em></span></p>
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<div style="width: 270px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://spiritosanto.wordpress.com/2012/11/28/a-carta-do-samba-e-o-i-congresso-nacional-do-samba-de-1962/" target="_blank"><img class="" src="https://spiritosanto.wordpress.com/wp-content/uploads/2012/11/capa-carta-do-samba1.jpg?w=584" alt="" width="260" height="368" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://spiritosanto.wordpress.com/2012/11/28/a-carta-do-samba-e-o-i-congresso-nacional-do-samba-de-1962/" target="_blank">Carta do Samba</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: left;">No Palácio Pedro Ernesto, no Rio de Janeiro, entre 28 de novembro e 2 de dezembro de 1962 foi realizado o I Congresso Nacional do Samba, presidido pelo historiador e folclorista baiano Edison Carneiro (1912-1972). O evento foi patrocinado pela Confederação Brasileira das Escolas de Samba (CBES), pela Associação Brasileira das Escolas de Samba (ABES), pela Campanha de Defesa do Folclore Brasileiro, pelo Conselho Nacional de Cultura e pela Ordem dos Músicos do Brasil. Seus vice-presidentes foram Ari Barroso (1903-1964), Araci de Almeida (1914-1988), Almirante (1908-1980), José Siqueira (1907-1985), Pascoal Carlos Magno (1906-1980), Paulo Lamarão, presidente da CBES; e Servan Heitor de Carvalho, presidente da ABES. Jota Efegê (1902-1987) foi seu secretário-geral. Do Congresso resultou a <a href="https://diepafro.ufu.br/sites/diepafro.ufu.br/files/media/document/carta_do_samba_web.pdf" target="_blank">Carta do Samba</a>, elaborada por Edison Carneiro (<em>Diário de Notícias</em>,<a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/093718_04/25710" target="_blank"> 29 de novembro de 1962, terceira coluna</a>;<a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/093718_04/25773" target="_blank"> 2 de dezembro de 1962, primeira coluna)</a>.</p>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_44957" style="width: 546px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Edison_Carneiro#/media/Ficheiro:Edson_Carneiro_(1972).tiff" target="_blank"><img class="wp-image-44957 size-full" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2024/12/compositor4.jpg" alt="compositor4" width="536" height="502" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Edison_Carneiro#/media/Ficheiro:Edson_Carneiro_(1972).tiff" target="_blank">Edison Carneiro / Acervo Arquivo Nacional</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: left;"><em>&#8220;Esta carta, que tive a incumbência de redigir, representa um esforço por coordenar medidas práticas e de fácil execução para preservar as características tradicionais do samba sem, entretanto, lhe negar ou tirar espontaneidade e perspectivas de progresso. O Congresso do Samba valeu por uma tomada de consciência: aceitamos a evolução normal do samba como expressão das alegrias e das tristezas populares; desejamos criar condições para que essa evolução se processe com naturalidade, como reflexo real da nossa vida e dos nossos costumes; mas também reconhecemos os perigos que cercam essa evolução, tentando encontrar modos e maneiras de neutralizá-los. Não vibrou por um momento sequer a nota saudosista. Tivemos em mente assegurar ao samba o direito de continuar como expressão legítima dos sentimentos de nossa gente&#8221;.</em></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>No dia do encerramento do Congresso, 2 de dezembro de 1962, foi noticiada a criação do Dia do Samba, que seria comemorado anualmente neste dia de acordo com <em>resolução da Assembleia Legislativa</em> (<a href="http://memoria.bn.gov.br/docreader/093092_05/11648" target="_blank"><em>Diário Carioca</em> , 2 de dezembro de 1962, segunda coluna</a>).</p>
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<div id="attachment_37801" style="width: 313px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://memoria.bn.gov.br/docreader/093092_05/11648" target="_blank"><img class="wp-image-37801 size-full" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2024/11/samba.jpg" alt="samba" width="303" height="429" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="http://memoria.bn.gov.br/docreader/093092_05/11648" target="_blank"><em>Diário Carioca</em> , 2 de dezembro de 1962</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: left;">A resolução estava no Projeto de Lei n° 681, de 19 de novembro de 1962 e de autoria do deputado Frota Aguiar (1901-1996), publicado no Diário da Assembleia Legislativa do Estado da Guanabara do dia 20 de novembro de 1962 que em seu artigo 1° dispunha: “<em>Fica o dia 2 de dezembro oficialmente considerado como o Dia do Samba</em>”. Porém o projeto foi vetado pelo então governador Carlos Lacerda (1914-1977). Segundo ele, não haveria razão<em> &#8220;para considerar outro Dia do Samba além dos três já dedicados à nossa festa popular, em que ele é exaltado espontaneamente pelo povo, sem a interferência do Poder Público&#8221;. </em>O veto foi posteriormente rejeitado pelo Plenário, com o voto de vinte e nove deputados, transformando-se na Lei n° 554, de 27 de julho de 1964, que foi assinada no dia 29 de julho do mesmo ano pelo deputado Victorino James (1924-1997), presidente da Assembleia, e publicada no Diário Oficial do Estado da Guanabara, no dia 7 de agosto de 1964.</p>
<p style="text-align: left;">O vereador soteropolitano Luiz Monteiro da Costa apresentou, na Câmara Municipal de Salvador, em 3 de outubro de 1963, o projeto de lei n° 164/63, que <em>“institui o Dia do Samba, manda preservar as características da música popular e dá outras providências</em>”. Em seu projeto, o vereador mencionou explicitamente, em seu artigo 2°, o Primeiro Congresso Nacional do Samba e a respectiva Carta do Samba nele aprovada. O projeto foi transformado na Lei n° 1.543/63 no dia 18 de novembro de 1963, data de sua assinatura pelo Prefeito de Salvador Virgildásio de Senna (1923-) (<a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/030015_08/46318" target="_blank"><em>Jornal do Brasil</em>, 13 de novembro de 1963, segunda coluna</a>).</p>
<p style="text-align: left;">Com os anos, passou a ser chamado de Dia Nacional do Samba.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: center;"><span style="color: #800000;"><em><strong>Um pouco da história de Donga e do samba Pelo telefone</strong></em></span></p>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_37845" style="width: 172px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/8908" target="_blank"><img class="size-full wp-image-37845" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2024/11/donga1.jpg" alt="Donga. Detalhe da fotografia Oito Batutas, 1919. Rio de Janeiro, RJ / Acervo IMS" width="162" height="351" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/8908" target="_blank">Donga. Detalhe da fotografia Oito Batutas, 1919. Rio de Janeiro, RJ / Acervo IMS</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p><span style="color: #800000;"><em>“O ritmo caracteriza um povo. Quando o homem primitivo quis se acompanhar, bateu palmas. As mãos foram, portanto, um dos primeiros instrumentos musicais. Mas como a humanidade é folgada e não quer se machucar, começou a sacrificar os animais, para tirar o couro. Surgiu o pandeiro. E veio o samba. E surgiu o brasileiro, povo que lê música com mais velocidade do que qualquer outro no mundo, porque já nasce se mexendo muito, com ritmo, agitadinho, e depois vira capoeira até no enxergar”.</em></span></p>
<p style="text-align: right;">Donga (1966)</p>
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<p>Entre a última década do século XIX e as primeiras décadas do século XX, a comunidade afrodescendente se reunia na região batizada por Heitor dos Prazeres (1898-1966) de <em>Pequena África</em> para praticar religiões de matriz africana e cantar sambas. A área começava no Porto do Rio de Janeiro e abrangia os atuais bairros da Saúde, Estácio, Santo Cristo, Gamboa e Cidade Nova, até a Praça Onze de Junho, que foi totalmente remodelada nos anos 1940 para a abertura da avenida Presidente Vargas. Foi  lá que, a partir da década de 1870, a comunidade baiana se estabeleceu no Rio de Janeiro, fazendo da área um local de concentração de diversas manifestações da cultura afro-brasileira.</p>
<p>O carioca Donga nasceu em 5 de abril de 1890 e era filho do pedreiro construtor Pedro Joaquim Maria, que tocava bombardino nas horas vagas; e de Amélia Silvana de Araújo, uma das tias baianas da Pequena África, que gostava de cantar modinhas e promovia inúmeras festas e reuniões de samba. Sua mãe era irmã-de-santo da lendária Tia Ciata (1854 – 1924), Hilária Batista de Almeida, no terreiro de João Alabá, um dos principais babalorixás do candomblé  no Rio de Janeiro. Havia também as tias Bebiana, Carmen e Mônica, dentre outras, que fizeram de suas casas pontos de referência e de convívio, que garantiram a manutenção das tradições africanas na cidade. Nessas casas eram cultuadas a música e a religiosidade afro-brasileira. As casas de Tia Prisciliana, mãe de João da Baiana (1887-1974), e, principalmente, a de Tia Ciata foram espaços fundamentais da música popular carioca e eram frequentados por Donga, Pixinguinha (1897 &#8211; 1973) e João da Baiana.</p>
<p>Foi na casa de Tia Ciata, onde havia um terreiro de candomblé clandestino e onde os bambas do samba se encontravam, que o primeiro samba, registrado e gravado como tal, <em><a href="https://pixinguinha.com.br/discografia/pelo-telefone/" target="_blank">Pelo telefone</a>,</em> foi composto por Donga e Mauro de Almeida (1882 – 1956), em 1916. Donga entregou no Departamento de Direitos Autorais da Biblioteca Nacional uma petição de registro para a música em 6 de novembro de 1916. A partitura manuscrita para piano, realizada por Pixinguinha, estava dedicada aos carnavalescos Mauro de Almeida, o Peru e a Norberto Amaral, o Morcego.</p>
<p>&nbsp;</p>
<div style="width: 490px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://antigo.bn.gov.br/es/node/1974" target="_blank"><img src="https://antigo.bn.gov.br/sites/default/files/styles/large/public/imagens/noticias/2016/0216-samba-completa-cem-anos/galeria-2421-samba-completa-cem-anos.jpg?itok=74XA0Z6v" alt="Manuscrito de Pelo Telephone, de Donga, integra o acervo da Biblioteca Nacional." width="480" height="625" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://antigo.bn.gov.br/es/node/1974" target="_blank">Manuscrito de<em> Pelo Telephone</em> / Acervo FBN</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>Dez dias depois, Donga anexou à petição um atestado afirmando que <em>Pelo telephone</em> havia sido executado pela primeira vez em 25 de outubro de 1916, no Cine-Teatro Velho. O registro da obra foi efetuado pela Biblioteca Nacional em 27 de novembro de 1916, com o número 3.295. A iniciativa de Donga foi pioneira e o registro da música foi um marco na história da música popular brasileira. <em>Pelo Telefone</em> foi lançado pela Odeon e foi um sucesso no carnaval de 1917.</p>
<p>Existe uma polêmica em torno de sua autoria: foi registrado por Donga, mas teria sido uma criação coletiva. Houve uma troca de<em> petardos musicais</em> entre Sinhô (1888 – 1930), que estaria presente na casa de Tia Ciata quando o samba foi composto e a turma de Donga, dentre eles João da Baiana e Pixinguinha. Outra polêmica envolve o fato de ter sido mesmo o primeiro samba ou se foi o primeiro samba a fazer sucesso, já que alguns autores alegam que antes foram compostos os sambas <em>Em casa da baiana</em>, de 1911; e <em>A viola está magoada</em>, de 1914. Há ainda que conteste que a música seja de fato um samba.</p>
<p><a href="https://radiobatuta.ims.com.br/programas/como-e-por-que-nascem-as-cancoes/pelo-telefone" target="_blank">Acesse aqui o programa da Rádio Batuta <em>Como e por que nascem as canções Pelo telefone, apresentado por João Máximo en  editado e sonorizado por Filipe Di Castro </em>(5 de março de 2024)</a></p>
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<div style="width: 316px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://pixinguinha.com.br/resultado-busca/?keyword=pelo+telefone&amp;cpt=all" target="_blank"><img src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2022/01/partitura.jpg" alt="Capa da partitura do samba “Pelo telefone”, de Donga e Mauro de Almeida / Acervo IMS" width="306" height="404" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://pixinguinha.com.br/resultado-busca/?keyword=pelo+telefone&amp;cpt=all" target="_blank">Capa da partitura do samba “<em>Pelo telephone</em>”, de Donga e Mauro de Almeida / Acervo IMS</a></p></div>
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<p>Segundo o jornalista, escritor e historiador da música Rodrigo Faour (1972-): &#8220;<em>Ele entendeu que precisava fazer da gravação de Pelo telefone um acontecimento. Então planejou tudo muito bem. Pegou os versos de improviso e motivos folclóricos dessa canção e pediu que um jornalista prestigiado, Mauro de Almeida os organizasse, e foi até a Biblioteca Nacional registrá-lo</em>.&#8221; Ainda segundo Faour, seu &#8220;<em>trunfo maior foi chamar a atenção para este novo gênero musical</em>&#8220;. O samba <em>&#8220;rapidamente contagiou a todos e a</em> <em>música caiu na boca do povo&#8221;.</em></p>
<p>Em 1954, o fotógrafo, cineasta, empresário, professor e galerista húngaro naturalizado brasileiro Thomaz Farkas (1924-2011) fotografou as celebrações do Quarto Centenário da Cidade de São Paulo e com uma filmadora Kodak 16mm, de corda, registrou em preto e branco, durante cerca de seis minutos, um show de Alfredinho Flautim (1884-1958), Almirante (1908 -1980), Benedito Lacerda (1903-1958), Donga, Jacob Palmieri (?-19?), João da Baiana e Pixinguinha, realizado no Parque do Ibirapuera, em 25 de abril. Mas não havia tomada de som. O filme ficou perdido por cerca de 50 anos &#8211; Farkas, por acaso, o encontrou. Marcelo Nastari, na época assistente de Coordenação do Instituto Moreira Salles, identificou as músicas que o grupo executava, Ele e eu e Patrão prenda seu gado e, em janeiro de 2004, o material foi sonorizado pelo Instituto Moreira Salles e pela Cia de Áudio e Imagem. As imagens sonorizadas podem ser vistas no documentário Pixinguinha e a velha guarda do samba (1954-2006), dirigido por ele e pelo cineasta e biólogo Ricardo Dias (<em>O Estado de São Paulo</em>, 25 de abril de 1954, página 17, primeira coluna).</p>
<p>&nbsp;</p>
<div style="width: 832px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://www.camara.leg.br/radio/programas/1098500-50-anos-sem-donga-um-dos-pioneiros-do-samba/" target="_blank"><img src="https://imgproxy.camara.leg.br/2vPfN8SZepWGJQ7NNMiBVqr-hCUURbK7O3fC8EHYsmY/fill/822/430/no/1/aHR0cDovL3BvcnRhbC1iYWNrZW5kLXdvcmRwcmVzcy5zZW1pZC1wb3J0YWwtd3AtcHJkOjgwL3dwLWNvbnRlbnQvdXBsb2Fkcy9taWRpYXMvaW1hZ2UvMjAyNC8wOS9kb25nYS1waXhpbmd1aW5oYS1lLWpvby1kYS1iYWlhbmEtZm9udGUtZm90by1oaXN0cmljYS5qcGc.jpg" alt="50 anos sem Donga, um dos pioneiros do samba" width="822" height="430" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://www.camara.leg.br/radio/programas/1098500-50-anos-sem-donga-um-dos-pioneiros-do-samba/" target="_blank">Donga, Pixinguinha e João da Baiana, a santíssima trindade do samba</a></p></div>
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<p>Assista aqui o documentário <em><a href="https://www.thomazfarkas.com/filmes/pixinguinha-e-a-velha-guarda-do-samba/" target="_blank">Pixinguinha e a velha guarda do samba (1954-2006)</a></em>.</p>
<p>Alguns dos maiores sucessos de Donga foram <em>Amigo Do Povo</em> (Donga), <em>Canção Das Infelizes</em> (Donga / Luiz Peixoto), <em>Benedito No Choro</em> (Donga), <em>Patrão Prenda Seu Gado</em> (Donga / João da Bahiana / Pixinguinha), <em>Vertigem</em> (Donga), <em>Seu Mané Luiz</em> (Donga), <em>Cinco de Julho (</em>Donga), <em>Ranchinho Desfeito</em> (Castro e Souza / Donga), <em>Ligia, Teus Olhos Dizem Tudo</em> (Donga), <em>Pelo Telefone</em> (Donga / Mauro de Almeida) e <em>Quando Uma Estrela Sorri</em> (David Nasser / Donga / Villa-Lobos).</p>
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<p><a href="https://www.violaobrasileiro.com.br/discografia/a-musica-de-donga" target="_blank"><img class=" aligncenter" src="https://www.violaobrasileiro.com.br/dados/record_86.jpg" alt="A Música de Donga" width="398" height="398" /></a></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Donga  foi casado com a cantora e soprano carioca Zaíra de Oliveira (1900-1951) entre 1932 até a morte dela, em 15 de agosto de 1951.</p>
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<div style="width: 778px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://www1.folha.uol.com.br/blogs/musica-em-letras/2023/04/sambista-donga-ganha-instituto-com-seu-nome.shtml" target="_blank"><img src="https://f.i.uol.com.br/fotografia/2023/04/21/1682086110644298deb6695_1682086110_3x2_md.jpg" alt="Em foto preto e branco, aparece o compositor Donga e a cantora soprano Zaíra de Oliveira no dia de seu casamento" width="768" height="512" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://www1.folha.uol.com.br/blogs/musica-em-letras/2023/04/sambista-donga-ganha-instituto-com-seu-nome.shtml" target="_blank">Casamento de Donga com Zaíra de Oliveira, em 1932 / Acervo Instituto Donga</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>Zaíra teve formação clássica e interpretou compositores como Donga, João da Baiana e Pixinguinha. Gravou temas de matriz africana e como professora do Colégio Orsina da Fonseca deu aulas, por exemplo, para dona Ivone Lara (1921-2018).</p>
<p>&nbsp;</p>
<div style="width: 712px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://www.jornalopcao.com.br/colunas-e-blogs/imprensa/a-soprano-brasileira-que-ganhou-concurso-de-canto-lirico-mas-nao-foi-para-paris-por-ser-negra-260942/" target="_blank"><img src="https://i.ytimg.com/vi/ELZkOgOlhR0/maxresdefault.jpg" alt="A soprano brasileira que ganhou concurso de canto lírico mas não foi para  Paris por ser negra - Jornal Opção" width="702" height="395" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://www.jornalopcao.com.br/colunas-e-blogs/imprensa/a-soprano-brasileira-que-ganhou-concurso-de-canto-lirico-mas-nao-foi-para-paris-por-ser-negra-260942/" target="_blank">Zaíra de Oliveira e Donga</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>Ela estudou no Instituto Nacional de Música e, no final de 1921, quando completou o curso, com distinção, recebeu a Medalha de Ouro, o que permitiu que ela concorresse em um concurso cujo prêmio seria uma viagem à Europa com uma bolsa de estudos para aprimoramento em canto lírico. Em 30 de dezembro de 1921, ela conquistou por unanimidade de votos da comissão julgadora o primeiro prêmio do concurso. A aluna Emery de Carvalho e Souza também recebeu um primeiro prêmio <span style="color: #000000;">(</span><span style="color: #ff0000;"><a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/089842_03/8941" target="_blank"><i>Correio da Manhã</i>, de 31 de dezembro de 1921, sexta coluna</a><span style="color: #000000;">). Porém Zaíra não recebeu o prêmio conquistado. Segundo a crônica <i>Soprano Zaíra de Oliveira, A Marian Anderson do Brasil, </i>de autoria de Jota Efegê, publicada em <em>O Globo</em>, de 29 de agosto de 1977, o motivo de não ter viajado à Europa teria sido o fato dela ser negra. </span></span></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2024/11/samba3.jpg"><img class=" size-full wp-image-37798 aligncenter" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2024/11/samba3.jpg" alt="samba3" width="557" height="321" /></a></p>
<div id="attachment_37803" style="width: 341px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2024/11/samba2.jpg"><img class="wp-image-37803 size-full" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2024/11/samba2.jpg" alt="samba2" width="331" height="463" /></a><p class="wp-caption-text"><em>O GLOBO</em>, 29 de agosto de 1977</p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>Tiveram uma filha, a pesquisadora Lygia de Oliveira Santos (1934-), que se dedicou à pesquisa da cultura brasileira, principalmente no campo da música popular ligada ao samba.</p>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_37802" style="width: 298px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://lehmt.org/artigo-lygia-santos-uma-intelectual-negra-no-rio-de-janeiro-1934-1980-samuel-oliveira-e-diogo-melo/" target="_blank"><img class="wp-image-37802 size-full" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2024/11/samba1.jpg" alt="samba1" width="288" height="285" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://lehmt.org/artigo-lygia-santos-uma-intelectual-negra-no-rio-de-janeiro-1934-1980-samuel-oliveira-e-diogo-melo/" target="_blank">Lygia de Oliveira Santos</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p><em>&#8220;Meu pai não tinha o terceiro ano primário, mas era uma pessoa de uma vivência muito grande, era muito sagaz, muito inteligente, lia demais e tinha uma visão segura das coisas. Trabalhava no Supremo Tribunal Federal, na 1.a Vara da Fazenda Pública, e sempre viveu do seu modesto ordenado e dos magros dividendos dos direitos autorais. O nome dele era Ernesto dos Santos mas,  felizmente, está na história musical do nosso país com o seu apelido: Donga. Apelido, aliás, que meus amigos incorporaram ao meu nome. Para eles eu sou a Lygia filha do Donga, o que muito me orgulha&#8221;.</em></p>
<p style="text-align: right;">Depoimento de Lygia publicado no livro <em>Fala, Crioulo</em> (1982)</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Oficial de Justiça aposentado, Donga faleceu doente e quase cego, no Retiro dos Artistas, em 25 de agosto de 1974, assistido por sua segunda esposa, Maria das Dores Santos Conceição (1911-2014), a Vó Maria, que gravou seu primeiro disco com 91 anos. Estavam casados desde 1953 (<a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/030015_09/39413" target="_blank"><em>Jornal do Brasi</em>l, 26 de agosto de 1974, quinta coluna</a>; <a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/004120/145270" target="_blank"><em>Manchet</em>e, 14 de setembro de 1974</a>).</p>
<p>&nbsp;</p>
<div style="width: 331px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://museumoftheperson.us/pessoa/maria-das-dores-santos-concei-o/" target="_blank"><img src="https://memo.museudapessoa.org/app/_lib/file/img/HIST_XLbgCQ0Ca.jpg" alt="" width="321" height="428" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://museumoftheperson.us/pessoa/maria-das-dores-santos-concei-o/" target="_blank">Maria das Dores Santos Conceição (1911-2014), a Vó Maria</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>Em 6 de abril de 2023, foi fundado o Instituto Donga na residência da família Santos, que fica no Maracanã, zona norte do Rio, antiga Aldeia Campista, onde Donga nasceu e viveu a maior parte de seus 84 anos de vida. O acervo reúne 311 itens entre matérias de jornais, fotos, partituras, letras de música e anotações feitas pelo próprio Donga (<a href="https://www1.folha.uol.com.br/blogs/musica-em-letras/2023/04/sambista-donga-ganha-instituto-com-seu-nome.shtml" target="_blank"><em>Folha de São Paulo</em>, 21 de abril de 2023</a>).</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><a href="https://antigo.bn.gov.br/es/node/2001" target="_blank">Acesse aqui a matéria que o Canal Futura realizou sobre o samba <em>Pelo Telefone</em></a>.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Andrea C. T. Wanderley</p>
<p>Editora e pesquisadora do portal Brasiliana Fotográfica</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><span style="color: #800000;"><strong>Fontes:</strong></span></p>
<p><a href="https://almanaquedosamba.com.br/perfil-de-a-z/destaques/item/999-a-origem-do-dia-nacional-do-samba" target="_blank">Almanaque do Samba</a></p>
<p>BASTOS, Rafael José de Menezes. <em><a href="https://www.scielo.br/j/rbcsoc/a/5yZkQ5DPjBGvjgzSCj77mWH/?format=pdf&amp;lang=pt">Les Batutas, 1922: uma antropologia da noite parisiense</a>. </em>Revista Brasileira de Ciências Sociais – vol. 20 nº 58 , munho de 2005.</p>
<p>BIANCHI, Leonor. <a href="https://revistadochoro.com/artigos/nos-somos-batutas/"><em>Nós somos batutas</em></a>. <em>Revista do Choro,</em> 1º de dezembro de 2019.</p>
<p>BRAGA, Sebastião. <em>O lendário Pixinguinha</em>. Niterói, RJ : Muiraquitã, 1997.</p>
<p>BULCÃO, Clóvis. <em>Os Guinle: a história de uma dinastia</em>. Rio de Janeiro : Intrínseca, 2015.</p>
<p>Centro Nacional de Folclore e Cultura Popular (Brasil). <a href="https://diepafro.ufu.br/sites/diepafro.ufu.br/files/media/document/carta_do_samba_web.pdf" target="_blank"><em>Carta do samba</em></a> / texto de Edison Carneiro / prefácio de Marcia Sant’Anna. &#8212; Rio de Janeiro : IPHAN, CNFCP, 2012.</p>
<p>COSTA, Haroldo. <em>Fala, Crioulo</em>. Rio de Janeiro: Record, 1982.</p>
<p><a href="https://dicionariompb.com.br/artista/donga/" target="_blank">Dicionário Cravo Albim da Música Popular Brasileira</a></p>
<p>DUQUE. <a href="http://memoria.bn.br/DocReader/003581/12292" target="_blank"><em>O maxixe em Paris e em Nova York</em></a> in <em>O Cruzeiro,</em> 7 de julho de 1934.</p>
<p>FERNANDES, Antonio Barroso (org.). <em>As vozes desassombradas do museu: Pixinguinha, Donga  e João da Baiana</em>. Rio de Janeiro : Museu da Imagem e do Som, 1970, vol. 1.</p>
<p><a href="http://bndigital.bn.br/hemeroteca-digital/">Hemeroteca Digital da Biblioteca Nacional</a></p>
<p>LACERDA. Isomar. <a href="https://repositorio.ufsc.br/xmlui/bitstream/handle/123456789/95647/289185.pdf?sequence=1&amp;isAllowed=y"><em>Nós somos Batutas</em></a>. Rio de Janeiro : Flor Amorosa Editora, 2019.</p>
<p>MARCONDES, Marcos Antônio (org.). <em>Enciclopédia da música brasileira: popular, erudita e folclórica.</em> São Paulo : Art Editora, 1998.</p>
<p>MARTINS, Luiza Mara Braga. <em>Os Oito Batutas</em>. Rio de Janeiro : UFRJ, 2014.</p>
<p>MOURA, Roberto. <em>Tia Ciata e a Pequena África no Rio de Janeiro</em>. Rio de Janeiro : Funarte, 1983.</p>
<p>NETO, Lira. <em>Uma História do Samba: Volume 1 ( As origens)</em>. 1.ed. São Paulo: Companhia das Letras, 2017.</p>
<p><a href="http://portal.iphan.gov.br/noticias/detalhes/1941/samba-do-rio-de-janeiro-e-patrimonio-cultural-do-brasil" target="_blank">Portal IPHAN</a></p>
<p>RANGEL, Lúcio. <em>Samba, jazz &amp; outras notas</em>; organização, apresentação e notas Sérgio Augusto. Rio de Janeiro ; Agir, 2007.</p>
<p>RANGEL, Lúcio.  <em>Sambistas e chorões</em>. São Paulo : IMS. Reedição, 2014.</p>
<p>SILVA, Wilton C. L. <em><a href="https://www.enecult.ufba.br/modulos/submissao/Upload-699/152013.pdf" target="_blank">A Carta do Samba (1962), um grito de alerta do nacional popula</a>r</em>. Encontro de estudos multidisciplinares em cultura, 2024.</p>
<p>SIMAS, Luiz Antônio; LOPES, Nei. <i>Dicionário de História Social do Samba. </i>Rio de Janeiro : Civilização Brasileira, 2015.</p>
<p><a href="https://antigo.bn.gov.br/es/node/1974" target="_blank">Site Biblioteca Nacional</a></p>
<p><a href="https://www.camara.leg.br/proposicoesWeb/prop_mostrarintegra?codteor=1158991" target="_blank">Site Câmara dos Deputados</a></p>
<p><a href="https://www.tiaciata.org.br/home" target="_blank">Site Casa da Tia Ciata</a></p>
<p><a href="https://www.cedem.unesp.br/#!/noticia/401/carta-do-samba-inspira-protecao-ao-genero-musical/" target="_blank">Site Centro de Documentação e Memória da UNESP</a></p>
<p><a href="https://www.dw.com/pt-br/h%C3%A1-50-anos-morria-donga-m%C3%BAsico-que-popularizou-o-samba/a-70016266" target="_blank">Site DW</a></p>
<p><a href="https://www.itaucultural.org.br/o-samba-de-roda-como-patrimonio-oral-e-imaterial-da-humanidade-pela-unesco">Site Enciclopédia Itaú Cultural</a></p>
<p><a href="https://museumoftheperson.us/pessoa/maria-das-dores-santos-concei-o/" target="_blank">Site Museu da Pessoa</a></p>
<p><a href="https://www.museudosamba.org.br/a-for%C3%A7a-feminina-do-samba" target="_blank">Site Museu do Samba</a></p>
<p><a href="https://musicabrasilis.org.br/temas/quero-ver-isso-de-maxixe-das-origens-na-cidade-nova-internacionalizacao-do-maxixe" target="_blank">Site Musica Brasilis</a></p>
<p><a href="https://radiobatuta.ims.com.br/especiais/a-historia-de-zaira-de-oliveira" target="_blank">Site Rádio Batuta</a></p>
<p>TINHORÃO, José Ramos. <em>Pequena história da música popular</em>. São Paulo: Círculo do Livro, [s.d.]</p>
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		<title>Série &#8220;1922 &#8211; Hoje, há 100 anos&#8221; I &#8211; Os Batutas embarcam para Paris, em 29 de janeiro &#8211; Uma história de música e de racismo</title>
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		<pubDate>Sat, 29 Jan 2022 04:01:24 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Andrea Wanderley]]></dc:creator>
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		<description><![CDATA[A Brasiliana Fotográfica inaugura a Série "1922 - Hoje, há 100 anos" contando um pouco da história da turnê parisiense dos Batutas, considerado o primeiro grupo de música popular brasileira a alcançar projeção internacional.  Ao longo do ano, serão publicados no portal artigos com fotografias de fatos importantes ocorridos em 1922. No dia 29 de janeiro de 1922, o grupo musical formado então pelos músicos Pixinguinha, seu irmão, Octávio, conhecido como China; Donga, Nelson Alves, Sizenando Santos (o Feniano), José Monteiro e José Alves de Lima embarcou no navio transatlântico Massília rumo à França. A turnê, que foi um sucesso, causou polêmica e ataques racistas na imprensa brasileira. Uma curiosidade: os Batutas e o fotógrafo Marc Ferrez retornaram da França no mesmo navio, o "Lutetia", e chegaram ao Brasil em 14 de agosto de 1922.]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: 'Georgia',serif; color: #333333;">A Brasiliana Fotográfica inaugura a Série <em>1922 &#8211; Hoje, há 100 anos </em>com o artigo<em> Os Batutas embarcam para Paris, em 29 de janeiro &#8211; Uma história de música e de racismo,</em> contando um pouco da história da turnê parisiense dos <em><span style="font-family: 'Georgia',serif;">Batutas</span></em>, considerado o primeiro grupo de música popular brasileira a alcançar projeção internacional. Tinha, entre seus integrantes, dois expoentes: o virtuoso Alfredo da Rocha Vianna Filho, o Pixinguinha (1897 &#8211; 1973), o maior chorão de todos os tempos; e Joaquim Maria dos Santos, o Donga (1891 &#8211; 1974), um dos autores daquele que é um dos primeiros sambas gravados no Brasil, <em><span style="font-family: 'Georgia',serif;">Pelo Telefone</span></em>, registrado em 27 de novembro de 1916.</span></p>
<p style="text-align: center;"><span style="color: #800000;"><em>&#8220;A verdade é que o choro me agrada mais por ser mais trabalhado, com três partes, cada uma delas com dezesseis compassos, e não apenas oito, como no samba. Depois, o choro, que me parece originado da polca (uma das músicas de salão da época), era para mim a forma metódica através da qual eu podia expressar meus sentimentos&#8221;</em></span></p>
<p style="text-align: right;">Pixinguinha (1966)</p>
<p style="text-align: center;"><em><span style="color: #800000;">&#8220;O ritmo caracteriza um povo. Quando o homem primitivo quis se acompanhar, bateu palmas. As mãos foram, portanto, um dos primeiros instrumentos musicais. Mas como a humanidade é folgada e não quer se machucar, começou a sacrificar os animais, para tirar o couro. Surgiu o pandeiro. E veio o samba. E surgiu o brasileiro, povo que lê música com mais velocidade do que qualquer outro no mundo, porque já nasce se mexendo muito, com ritmo, agitadinho, e depois vira capoeira até no enxergar&#8221;.</span></em></p>
<p style="text-align: right;">Donga (1966)</p>
<p style="text-align: justify;">Ao longo do ano, serão publicados no portal artigos com imagens de fatos importantes ocorridos em 1922 como a Semana de Arte Moderna e a Exposição do Centenário da Independência do Brasil. A temporada dos <em>Batutas </em>que, em 29 de janeiro de 1922, embarcaram para a França, foi um sucesso e causou polêmica e ataques racistas, veiculados na imprensa brasileira. Uma curiosidade: os <em>Batutas</em> e o fotógrafo Marc Ferrez (1843 &#8211; 1923) retornaram da França no mesmo navio, o <em>Lutetia</em>, e chegaram ao Brasil em 14 de agosto de 1922.</p>
<p>&nbsp;</p>
<div style="width: 712px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/8908" target="_blank"><img src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/bitstream/handle/20.500.12156.1/8908/A05F03P02.jpg.jpg?sequence=2&amp;isAllowed=y" alt="Thumbnail" width="702" height="515" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/8908" target="_blank">Oito Batutas, 1919. Da esquerda para a direita: Jacob Palmieri, Donga, José Alves, Nelson Alves, Raul Palmieri, Luís de Oliveira, China e Pixinguinha. Rio de Janeiro, RJ / Acervo IMS</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/discover?query=batutas" target="_blank">Acessando o link para as imagens dos <em>Batutas</em> disponíveis na Brasiliana Fotográfica, o leitor poderá magnificar as imagens e verificar todos os dados referentes a elas.</a></p>
<p>&nbsp;</p>
<h3 style="text-align: center;"><span style="color: #800000;"><em><strong>O dançarino Duque, o empresário Arnaldo Guinle e os Oito Batutas</strong></em></span></h3>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: left;"><span style="color: #800000;"><em>&#8220;Pixinguinha nem sequer era músico. Era música &#8211; e essa seria a melhor palavra para defini-lo, explicá-lo e amá-lo&#8221;.</em></span></p>
<p style="text-align: right;">Carlos Heitor Cony</p>
<p style="text-align: left;">O dentista, dançarino, compositor e jornalista baiano Antônio Lopes de Amorim Diniz (1884-1953), conhecido como Duque, conheceu no Assyrio, cabaré no subsolo do <a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=9445" target="_blank">Theatro Municipal do Rio de Janeiro</a>, os <em>Oito Batutas</em>, que tocavam enquanto ele dançava com sua parceira, a dançarina e manequim francesa Gaby, entre fins de 1921 e início de 1922.</p>
<p>Foi noticiado que Pixinguinha tinha reassumido a função de diretor de harmonia do bloco carnavalesco de Reinado de Siva.</p>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_26734" style="width: 288px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://memoria.bn.br/DocReader/030015_04/13084" target="_blank"><img class="size-full wp-image-26734" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2022/01/rojão.jpg" alt="Jornal do Brasil, 11 de janeiro de 1922" width="278" height="194" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="http://memoria.bn.br/DocReader/030015_04/13084" target="_blank"><em>Jornal do Brasil</em>, 11 de janeiro de 1922</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>Mas então:</p>
<p><span style="color: #800000;"><em>&#8220;Menos de três semanas depois, Pixinguinha estava trocando o palácio do Reinado de Siva, na rua Senador Pompeu pelo Shérérazade, 16, Faubourg Montmartre, em Paris. Isto porque, nessas três semanas abençoadas, Ogum resolveu usar sua espada para abrir as portas do mundo para seu filho de fé e seus sete companheiros. Para transportá-los, usou como veículo o Assyrio, cabaré instalado no subsolo do Teatro Municipal. Ali são ouvidos todas as noites pela fina flor da sociedade boemia carioca. Ali, no mesmo espetáculo, um casal de bailarinos de fama internacional empolga o público dançando o ritmo que, durante anos e anos, fora uma dança excomungada, anatematizada, proibida às moças e aos rapazes de família. Duque e Gaby dançam o maxixe, ou la matchiche, como preferiam os almofadinhas da época&#8221;. </em></span></p>
<p style="text-align: right;"><span style="color: #800000;"><em><span style="color: #000000;">Filho de Ogum Bexiguento, </span></em><span style="color: #000000;">página 49.</span></span></p>
<pre></pre>
<div id="attachment_26659" style="width: 333px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://memoria.bn.br/DocReader/259063/20638" target="_blank"><img class="size-full wp-image-26659" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2021/12/duque.jpg" alt="Duque / Fon-Fon, 20 de fevereiro de 1915" width="323" height="450" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="http://memoria.bn.br/DocReader/259063/20638" target="_blank">Duque / <em>Fon-Fon,</em> 20 de fevereiro de 1915</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>Segundo Pixinguinha, na <em>Série Depoimentos</em>:</p>
<p><span style="color: #800000;"><em>&#8220;Bem, o Duque era um bailarino aristocrático. Ele dançava um maxixe aristocrático. Era um malabarista. Duque empolgou todo mundo. Não era um maxixe como a gente via em certos lugares. Era um sujeito muito delicado. Dançava um maxixe clássico. Quando chegamos em Paris conhecemos a academia dele. Era uma academia que ensinava a dança do maxixe brasileiro. Quando Duque chegava no salão, todo mundo disputava o privilégio de dançar com ele. Eram princesas, reis, etc, Sim, senhores, até rei apareceu para dançar com ele. Foi ele que pediu ao Arnaldo Guinle para nos levar para Paris. Ele gostava muito do que a gente fazia e interpretava a nossa música nos pés. Depois de quatro compassos ele já estava criando coisas novas nos pés. E tinha a Gaby, uma francesa que compreendia perfeitamente o Duque&#8221;.</em></span></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>O Duque havia se mudado de Salvador para o Rio de Janeiro, em 1906. Três anos depois, começou a viajar pelo mundo. Chegou em Paris, conforme artigo que escreveu para a revista <em>O Cruzeiro</em>, em 1912, quando passou a dançar em restaurantes e bares com a dançarina ítalo-brasileira Maria del Nigri, conhecida como <a href="http://www.elencobrasileiro.com/2020/06/maria-lina.html" target="_blank">Maria Lino, a Rainha do Maxixe (c. 1880 &#8211; 1940)</a>. Ganharam, em 1913, o primeiro prêmio em uma competição em Berlim. Também foram suas parceiras Arlette Dorgère (1880 -1965) e Gaby. Tornou-se dono de academias de dança em Paris e no Rio de Janeiro, tendo sido responsável pela difusão do maxixe em capitais como Berlim, Buenos Aires, Montevidéu, Londres, Nova York e Paris, numa época em que o ritmo era considerado imoral por boa parte da sociedade brasileira. Em 1921, havia, após uma temporada no Brasil com sua parceira Gaby, retornado à França, onde estrelou um espetáculo na Ópera de Paris com o compositor e violinista paulista Nicolino Milano (1876 &#8211; 1962) e apresentou o samba na peça <em>La Proie (A Presa)</em>, de Regina Regis de Oliveira (18? &#8211; 1956), no Teatro Albert I, também em Paris. Foi provavelmente a primeira exibição de samba em um palco europeu (<a href="http://arti.sba.uniroma3.it/esprit/pdf/EspritNouveau-FT_09.pdf" target="_blank"><em>L´Esprit Nouveau</em>, página 106</a>; <a href="http://memoria.bn.br/DocReader/763900/13802" target="_blank"><em>A Gazeta (SP)</em>, 8 de março de 1921, sexta coluna</a>; <a href="http://memoria.bn.br/DocReader/030015_04/7331" target="_blank"><em>Jornal do Brasil</em>, 2 de abril de 1921, terceira coluna</a>; <a href="http://memoria.bn.br/DocReader/095648/6317" target="_blank"> <em>D. Quixote</em>, 18 de maio de 1921, primeira coluna)</a>.</p>
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<div id="attachment_26757" style="width: 845px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://memoria.bn.br/docreader/259063/22550" target="_blank"><img class="size-full wp-image-26757" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2022/01/duqueegaby2.jpg" alt="Os dançarinos Duque Gaby se apresentando no Assyrio / Fon-Fon, 18 de setemro de 1915" width="835" height="545" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="http://memoria.bn.br/docreader/259063/22550" target="_blank">Os dançarinos Duque e Gaby no Assyrio / <em>Fon-Fon</em>, 18 de setembro de 1915</a></p></div>
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<p>Foi, como mencionado por Pixinguinha, o Duque que pediu ao empresário Arnaldo Guinle (1884 – 1963) que patrocinasse a excursão dos <em>Batutas</em> à França, em janeiro de 1922, para a divulgação da música popular brasileira no cenário internacional. Mecenas das artes e dos esportes, Arnaldo Guinle foi <span style="color: #000000;">um dos homens mais ricos do Brasil, cuja fortuna era oriunda da exploração do Porto de Santos. </span>Além do suporte financeiro de Guinle, Duque conseguiu apoio político-diplomático de Lauro Müller (1863 &#8211; 1926), o que, segundo o antropólogo Rafael José de Menezes Bastos, imprimiu <em>na jornada uma idéia, diríamos, de missão quase diplomática</em>. Duque e Guinle haviam se conhecido na França, já que Guinle vivia entre o Rio de Janeiro e Paris. O general e engenheiro militar Lauro Müller, ministro das Relações Exteriores entre 1912 e 1917, havia conhecido os <em>Batutas</em> por ter sido um assíduo frequentador da noite carioca. Mas o governo não contribuiu financeiramente para a viagem. Segundo Donga, em depoimento para o Museu da Imagem e do Som:</p>
<p><span style="color: #800000;"><em>&#8220;Absolutamente. O grande brasileiro Arnaldo Guinle nos levou para lá sem it, com essa pelezinha escura e tudo, sem medo de levar vaia. Viajamos às custas dele&#8221;.</em></span></p>
<p>Guinle contratava, desde 1919, os <em>Batutas, </em>que conheceu tocando na sala de espera do Cine Palais,<em> </em>para saraus em sua mansão no bairro das Laranjeiras. Patrocinou, com o apoio de Irineu Marinho (1876 &#8211; 1925), fundador do jornal <em>O GLOBO</em>, uma turnê do grupo pelo Brasil, iniciada em outubro de 1919 por São Paulo e Minas Gerais e encerrada, no ano seguinte, pela Bahia e por Pernambuco. O objetivo da turnê, além da realização de apresentações artísticas, era recolher e catalogar ritmos para integrar uma antologia de música folclórica sob a supervisão do escritor Coelho Neto (1864 &#8211; 1934) que, por seu estilo literário, considerado ultrapassado, sofreu fortes críticas na Semana de Arte Moderna de 1922, tema do próximo artigo da Série<em> 1922: Hoje, há 100 anos</em>.</p>
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<div id="attachment_26665" style="width: 408px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://medium.com/@FluminenseFC/um-tricolor-e-oito-batutas-e7411e27feaf" target="_blank"><img class="size-full wp-image-26665" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2021/12/arnaldo.jpg" alt="Arnaldo Guinle pela Photo Chapelin / Wikipedia" width="398" height="536" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://medium.com/@FluminenseFC/um-tricolor-e-oito-batutas-e7411e27feaf" target="_blank">Arnaldo Guinle pela Photo Chapelin / Fluminense Futebol Clube</a></p></div>
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<p>Segundo o depoimento de Donga para o Museu da Imagem e do Som do Rio de Janeiro:</p>
<p><span style="color: #800000;"><em>&#8220;O dr. Arnaldo, como bom brasileiro que era, simpatizou com a gente. Pensou e combinou com o Coelho Neto uma antologia, recolhendo material através de pessoas idôneas. Ele, junto com o Floresta de Miranda, nos procurou e disse: &#8220;amanhã você vai à minha casa em Copacabana&#8221;. Eu fui junto com o Pixinguinha. Nós estávamos há 20 dias sem função e o dinheiro tinha acabado. Ele explicou o que queria e perguntou o que achávamos. Nós dissemos que íamos fazer uma excursão ao Norte e o dr. Arnaldo pediu que incluíssemos o João Pernambuco, porque assim ele faria algumas coisas para ele. Assim foi feito, nós fomos a Pernambuco, Bahia, etc, e o João Pernambuco recolheu uma porção de coisas e trouxe. Mas não era o bastante. O dr. Arnaldo disse para o João Pernambuco que ia prosseguir na colheita, mas só que dessa vez levaria um músico para escrever, porque ele só havia trazido letras e músicas de memória. Disse ainda que pagaria tudo. Eu não sei o que eles arranjaram, ele e Pixinguinha, porque o dr. Arnaldo ficou zangado e não quis saber de mais nada. O João Pernambuco era meio egoísta e parece que pediu demais. Eu não sabia de nada. Depois de alguns dias o Patricio Teixeira me deu um recado que o dr. Arnaldo queria falar comigo. Eu fui e ele disse: &#8220;Não quero mais saber de histórias com o João Pernambuco e com o Pixinguinha&#8221;. Eu então combinei tudo com ele, que exigiu a presença de um músico na viagem. Eu comecei a enrolar um pouco e toda vez que o Floresta de Miranda me procurava para informar ao dr. Arnaldo eu dava sempre uma desculpa: &#8220;Olha, eu queria o Zezé, mas ele para escrever música de folclore é difícil e como tem o Pixinguinha, este seria melhor&#8221;. Parece que o Floresta de Miranda disse isso ao dr. Arnaldo e ele amoloceu um pouco com respeito ao Pixinguinha. Com o João Pernambuco ele nunca mais falou até morrer. Nas proximidades da viagem eu disse ao dr. Arnaldo: &#8220;eu acho que vou levar o Pixinguinha&#8221;. Ele respondeu: &#8220;você leva quem quiser, apanhe o dinheiro lá na rua Sete de Setembro&#8221;. Era tudo pago. Estivemos então em Morro Velho, Minas, Bahia, etc. Pixinguinha trouxe tudo escrito, tudo bem feito, e o dr. Arnaldo ficou satisfeito&#8221;.</em></span></p>
<p>Segundo o historiador Clóvis Bulcão, essas pesquisas foram responsáveis pelo encontro dos Guinles com Heitor Villa-Lobos (1887 &#8211; 1959), pois foi o compositor o encarregado pela organização do material. Em 1923,  Arnaldo Guinle deu a Villa-Lobos duzentos contos de réis para que ele fosse aprimorar sua arte na França.</p>
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<h3 style="text-align: center;"><span style="color: #800000;"><em><strong>A temporada dos Batutas em Paris (1922)</strong></em></span></h3>
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<p>Chegamos ao dia do embarque. No dia 29 de janeiro de 1922, o grupo formado então pelos músicos Alfredo da Rocha Vianna Filho, o Pixinguinha (1897 &#8211; 1973); seu irmão, Octávio (1888 &#8211; 1926), conhecido como China; Joaquim Maria dos Santos, o Donga (1891 &#8211; 1974); Nelson Alves (1895 &#8211; 1960), Sizenando Santos (o Feniano), José Monteiro e José Alves de Lima embarcou no navio transatlântico <em>Massília</em> rumo à França (<i>O Jornal,<a href="http://memoria.bn.br/docreader/110523_02/8859"> 24 de janeiro, segunda coluna</a> e <a href="http://memoria.bn.br/DocReader/110523_02/8909">28 de janeiro, última coluna </a>de 1922; <a href="http://memoria.bn.br/DocReader/178691_05/8610">O Paiz, 29 de janeiro de 1922, quarta coluna</a></i>)<i>.</i> Os últimos dois substituíram os irmãos Jacob e Raul Palmieri (1887 &#8211; 1968), que desistiram da viagem. O baterista Joaquim Silveira Tomás (1898 &#8211; 1948), o J. Tomás, adoeceu e não pode viajar com o grupo. Ao longo de sua existência, entre 1919 e 1931, a formação dos <em>Batutas </em>variou.</p>
<p>Para Paris foram mesmo sete batutas. Foi o primeiro conjunto brasileiro a apresentar na Europa a música urbana produzida no Rio de Janeiro na época. Tocaram durante os seis meses que ficaram em Paris, na época a capital cultural do mundo, choros, maxixes, polcas, tangos brasileiros, sambas, lundus, batuques, valsas, cateretês, emboladas, cocos e toadas sertanejas.</p>
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<div id="attachment_26471" style="width: 293px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://memoria.bn.br/docreader/110523_02/8859" target="_blank"><img class="size-full wp-image-26471" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2021/12/massilia.jpg" alt="O Jornal, 24 de janeiro de 1922" width="283" height="459" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="http://memoria.bn.br/docreader/110523_02/8859" target="_blank"><em>O Jornal</em>, 24 de janeiro de 1922</a></p></div>
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<p>Chegaram em 11 de fevereiro, no porto de Bordeaux, na França e foram recepcionados na Gare d´Orsay, em Paris, no dia seguinte, pelo Duque e pelo jornalista Floresta de Miranda, secretário particular de Guinle. Nos meses seguintes, como <em>Les Batutas,</em> seriam atração fixa numa badalada casa noturna de Paris, o dancing <em>Shéhérazade</em>, na Faubourg Montmartre, 16, cujo diretor artístico era o Duque, responsável pelo convite ao conjunto. O proprietário era G. Calmet.</p>
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<div id="attachment_26709" style="width: 260px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2022/01/cabaré.jpg"><img class="size-full wp-image-26709" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2022/01/cabaré.jpg" alt="Interior do cabaré Sheherazade" width="250" height="441" /></a><p class="wp-caption-text">Interior do cabaré Shéhérazade / <em>Pixinguinha, Vida e Obra</em></p></div>
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<p>A chegada do grupo em Paris foi noticiada por alguns jornais franceses:</p>
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<div id="attachment_26691" style="width: 425px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2021/12/imprensafrancesa4.jpg"><img class="size-full wp-image-26691" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2021/12/imprensafrancesa4.jpg" alt="Le Gaulois, 11 de fevereiro de 1922" width="415" height="62" /></a><p class="wp-caption-text">&#8220;Fala-se bastante dos &#8220;Batutas&#8221; no mundo artístico. É com curiosidade que esperamos por sua muito próxima estreia&#8221; /<em> Le Gaulois</em>, 11 de fevereiro de 1922</p></div>
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<div id="attachment_26690" style="width: 428px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2021/12/imprensafrancesa3.jpg"><img class="wp-image-26690 size-full" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2021/12/imprensafrancesa3.jpg" alt="imprensafrancesa3" width="418" height="65" /></a><p class="wp-caption-text">&#8220;Os Batutas, que chegaram do Brasil, farão esta semana sensacional estreia em Paris&#8221; / <em>Le Gaulois</em>, 12 de fevereiro de 1922</p></div>
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<p><span style="color: #800000;"><em>&#8220;Les Batutas, cet extraordinaire orchestre brésilien, unique au monde, d’une gaieté endiablée, composé de virtuoses surnommés les rois du rythme et de la samba, joue tous les jours aux thés et aux soupers de Shéhérazade, 16, Faubourg Montmartre. Direction: Duque&#8221;<span style="color: #800000;"> <span style="color: #000000;">(Tradução: </span></span></em><span style="color: #000000;"><em>Os Batutas, esta extraordinária orquestra brasileira, única no mundo, com alegria frenética, composta por virtuosos apelidados de reis do ritmo e do samba, toca todos os dias nos chás e jantares do Shéhérazade, 16, Faubourg Montmartre. Direção: Duque).</em></span></span></p>
<p style="text-align: right;"> <em>Le Journal</em>, 14 de fevereiro de 1922</p>
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<p>A Primeira Guerra Mundial havia acabado há pouco tempo e Paris fervilhava na euforia do pós-guerra, ocupada por músicos do mundo inteiro, principalmente dos Estados Unidos e das Antilhas, e por artistas de vanguarda, o que tornava trepidantes a atmosfera cultural da cidade, seu ritmo e sua noite. Eram os <em>Anos Loucos. </em>Como definiu o escritor norte-americano Ernest Hemingway (1899 &#8211; 1961):<em> Paris é uma festa. </em>Os intelectuais<em> </em>estavam interessados em antropologia e por estudos sobre a África, o que propiciava um ambiente receptivo para movimentos artísticos relacionados com a cultura negra, caso dos <em>Batutas, </em>recebidos com simpatia por simbolizar um certo <em>exotismo, </em>em voga na ocasião<em>. </em>Muitas bandas de <em>jazz </em>apresentavam-se no <em>Shéhérazade,</em> identificado pela imprensa parisiense como<em> um palácio das mil e uma noites</em>. O <em>dancing, </em>onde os <em>Batutas</em> se apresentaram,<em> </em>era frequentado por intelectuais, pela aristocracia, por políticos e artistas de renome &#8211; era o ponto de encontro da elite que circulava na capital francesa. Pixinguinha entrou em contato com o <em>charleston</em>, o <em>foxtrote,</em> o <em>shimmie</em> e o <em>ragtime.</em> Foi, posteriormente, acusado de ter sido influenciado pelo jazz norte-americano.</p>
<p>Foi durante a temporada em Paris que Pixinguinha passou a tocar saxofone. Gostou tanto do instrumento que acabou sendo presenteado com um por Arnaldo Guinle, que também enviou para o Brasil uma bateria para J. Tomás, o batuta que na última hora ficou doente e não pode seguir para Paris com o grupo.</p>
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<p><span style="color: #800000;"><em>&#8220;Foi em Paris. Quando viajei para lá não tocava saxofone. Tocava flauta. No conjunto que se apresentava na casa em frente aos Shéhérazade, havia um violoncelista que, durante a apresentação, mudava do violoncelo para o saxofone, principalmente na hora de tocar o shimmy. Um dia, Arnaldo Guinle me perguntou: &#8220;Você toca aquele instrumento?&#8221;. Respondi: &#8220;Eu toco&#8221;. Na verdade, eu já conhecia a escala do instrumento e sabia que era quase igual à flauta&#8221;. Então vou mandar fazer um saxofone pra você&#8221;, me disse Arnaldo Guinle. Um mês depois o saxofone estava pronto. Levei o instrumento para o hotel e ensaiei. No outro dia já estava tocando uns chorinhos no saxofone. Mas só toquei naquele dia, porque não queria magoar o músico da casa em frente. Toquei só para o Arnaldo Guinle ver. Ele viu e ficou satisfeito. Depois, fiquei só na flauta. Quando voltei para o Brasil é que passei a tocar mais saxofone. Mas nós trouxemos outras novidades. Na volta, o nosso pessoal estava tocando violão-banjo, cavaquinho-banjo, estas coisas&#8221;.</em></span></p>
<p style="text-align: right;">Pixinguinha, na <em>Série Depoimentos</em></p>
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<p>As apresentações fizeram sucesso com o público e com a imprensa parisiense. E os <em>Batutas</em>, que haviam sido contratados para uma temporada de um mês no Shéhérazade, com um salário de 3.500 réis, ficaram na cidade por cerca de 6 meses. O grupo executava músicas como <em>Dádiva de Amor</em>, composta por Donga, em Paris; <em>Fala Baixo, </em>de Sinhô (1888 &#8211; 1930)<em>; <a href="https://pixinguinha.com.br/discografia/gargalhada/" target="_blank">Gargalhada</a>, </em>de Pixinguinha; <em>Les Batutas, </em>também<em> </em>de Pixinguinha e com letra de Duque;<em> e <a href="https://pixinguinha.com.br/discografia/vem-vovo/" target="_blank">Vem v</a>ovó, </em>de Álvaro Sandim (1862 &#8211; 1919)<i>.</i></p>
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<div id="attachment_26688" style="width: 424px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2021/12/imprensafrancesa1.jpg"><img class="size-full wp-image-26688" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2021/12/imprensafrancesa1.jpg" alt="Le Galois, 25 de fevereiro de 1922" width="414" height="127" /></a><p class="wp-caption-text"><em>No Shéhérazade: Os Batutas, a célebre orquestra brasileira única no mundo, estreou com gande sucesso no Shéhérazade, o feérico estabelecimento do faubourg Montmartre. Vá ouvir os Batutas, você não vai se arrepender de sua viagem / Le Galois</em>, 25 de fevereiro de 1922</p></div>
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<div id="attachment_26678" style="width: 426px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://memoria.bn.br/docreader/103730_05/5987" target="_blank"><img class="wp-image-26678 size-full" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2021/12/letra1.jpg" alt="1922" width="416" height="504" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="http://memoria.bn.br/docreader/103730_05/5987" target="_blank">Letra de<em> Les Batutas / Gazeta de Notícias</em>, 14 de abril de 1922</a></p></div>
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<p>A partir de maio,  apresentaram-se no <em>Chez Duque</em>, na rue Caumartin, 17, cujo proprietário era o Duque; e, em 1º de junho, eles e a prestigiada <em>Bernard Kay’s American Jazz Band </em>estavam presentes na inauguração dos Chás Dançantes, na Reserve de Saint-Cloud, na boulevard Senard. Fizeram também um show em homenagem ao norte-americano Jack Dempsey (1895 &#8211; 1993), campeão mundial dos pesos pesados de 1919 a 1926 (<a href="http://memoria.bn.br/docreader/107670_02/11244"><em>O Imparcial</em>, 15 de agosto de 1922</a>).</p>
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<div id="attachment_26730" style="width: 329px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2022/01/reserve1.jpg"><img class="wp-image-26730 size-full" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2022/01/reserve1.jpg" alt="reserve1" width="319" height="509" /></a><p class="wp-caption-text">Anúncio da inauguração dos Chás Dançantes no La Reserve de Saint-Cloud / <em>Pixinguinha, Vida e Obra</em></p></div>
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<p>Segundo Donga, fizeram uma apresentação para a família real brasileira que residia em Paris. Sebastião Braga, em seu livro <em>O Lendário Pixinguinha,</em> menciona uma apresentação do músico no Conservatório de Paris, quando Pixinguinha teria tocado a polca <em>Gargalhada </em>e os diretores do Instituto de Música da França, em respeito, teriam lhe dado uma flauta de prata. De acordo com o jornalista e musicólogo Lúcio Rangel (1914 &#8211; 1979), o primeiro prêmio de flauta do Conservatório de Paris, Harold de Bozzi, teria ficado <em>embasbacado</em> com Pixinguinha.</p>
<p>Por intermédio de Olivia Penteado (1872 &#8211; 1934), grande incentivadora do modernismo no Brasil e ligada ao movimento intelectual que desencadeou a Semana de Arte Moderna, os <em>Batutas</em> foram convidados pelo embaixador Luiz Martins de Souza Dantas (1876 &#8211; 1954) para participar de uma festa organizada pelo Comitê França-América, no Palais des Affaires Publiques. Souza Dantas (1876 &#8211; 1954), que servia como chefe da representação brasileira em Roma e que, em novembro de 1922, assumiu a embaixada brasileira na França, era um dos anfitriões do evento. Vale lembrar que Souza Dantas foi proclamado, no Museu do Holocausto, em Israel, em 2003, <em>Justo entre as nações</em>, por ter arriscado sua vida para ajudar os judeus perseguidos pelo nazimo e pelo fascismo.</p>
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<div id="attachment_26689" style="width: 218px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2021/12/imprensafrancesa2.jpg"><img class="size-full wp-image-26689" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2021/12/imprensafrancesa2.jpg" alt="Le Gaulois, 26 de junho de 1922" width="208" height="378" /></a><p class="wp-caption-text"><em>Le Gaulois</em>, 26 de junho de 1922</p></div>
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<h3 style="text-align: center;"><span style="color: #800000;"><strong><em>A polêmica em torno da ida dos Batutas a Paris &#8211; O Racismo</em></strong></span></h3>
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<p>Mas aqui no Brasil, a excursão do grupo à Europa suscitou polêmica e debates nos jornais, ora defendendo os <em>Batutas</em> ora os atacando com declarações abertamente racistas. A música popular como representante da cultura nacional também fez parte da discussão. Porém ataques racistas não eram novidades para os <em>Batutas, </em>que foram alvos deles desde seu início, em 1919 (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/259063/32792" target="_blank"><em>Fon-Fon</em>, 19 de abril de 1919</a>).</p>
<p><span style="color: #800000;"><em>&#8220;Desde sua fundação Os Oito Batutas geraram polêmica. O fato de serem em sua maioria negros e o tipo de música que faziam eram motivos para controvérsia. Identificá-los à genuína musicalidade nacional, significava para muitos uma desqualificação em termos de uma pretensa universalidade – equacionada com o cânone da música clássico-romântica ocidental – e um veredicto de provincianismo. Além disso, a negritude era vista como sinal de inferioridade sociocultural&#8221;.</em></span></p>
<p style="text-align: right;"><span style="color: #000000;">Rafael José de Menezes Bastos</span></p>
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<p>Segundo Sérgio Cabral, no livro <em>Pixinguinha &#8211; Vida e Obra </em>(1997), na ocasião da estreia do grupo no Cine Palais, que reabria suas portas, em 1919, o pianista e maestro paulista Júlio Cesar do Lago Reis (1863 &#8211; 1933), em sua coluna de música no jornal <em>A Rua</em>, se disse <em>envergonhado</em> com o que considerava um <em>escândalo</em>. Afinal, como poderia um grupo musical composto de afrodescendentes se apresentar em um endereço chique e elegante, um cinema na antiga <a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=5880" target="_blank">avenida Central? </a></p>
<p>Na <em>Revista da Semana</em>, do início de abril de 1919, em nota atribuida ao jornalista Xavier Pinheiro, veio a resposta à crítica de Júlio Reis que, segundo ele:</p>
<p><span style="color: #800000;"><em>&#8220;(não aceita) pela sua fina educação artística, que o violão, o cavaquinho, o reco-reco, o chocalho e a flauta interpretem as modinhas, as chulas, os sambas, os tangos e outras composições que tenham cunho nacional, na sala de espera de qualquer cinema da avenida porque isso é ofensivo aos ouvidos educados da grande maioria da nossa sociedade composta de uma boa parte de nossa aristocracia. O defensor de nossa sociedade aristocrática está enganado na apreciação da orquestra dos Oito Batutas. Aqueles rapazes morenos, que levam horas a cantar as encantadoras modinhas da nossa terra e as executam na flauta, no violão, no reco-reco, no cavaquinho e no chocalho, têm sido apreciados pela nossa finíssima sociedade, não têm escandalizado, têm obtido ruidoso sucesso&#8230;A Orquestra dos Oito Batutas foi mal apreciada pelo aplaudidíssimo e popular maestro Julio Reis porque aqueles rapazes tocam e cantam com clima, com sentimento, interpretam a música muito melhor do que certos e conceituados artistas que andam por aí&#8230;O maestro Júlio Reis foi severo. Foi injustíssimo com os morenos que ganham sua vida com brilho e aplauso no Cine Palais. Eles tocam bem, são da nossa terra, têm compostura, agradam a todos e o povo que ali vai gosta da flauta de Pixinguinha, do violão de Donga, do cavaquinho do Nelson e dos outros caboclos seus companheiros&#8221;.</em></span></p>
<p>Os ataques racistas, segundo os quais os<em> Batutas</em> desmoralizariam o Brasil levando para Paris o que o país tinha de pior para o seio da civilização da Europa, recrudesceram, em 1922. O cronista A. Fernandes escreveu no <em>Diário de Pernambuco</em>:<em><span style="color: #800000;"> &#8220;Não sei se a coisa é para rir ou para chorar. Seja como for, o boulevard vai se ocupar de nós. Não do Brasil de Arthur Napoleão, de Osvaldo Cruz, de Rui Barbosa, de Oliveira Lima, não do Brasil expoente, do Brasil elite, mas do Brasil pernóstico, negróide e ridículo e de que la chanson oportunamente tomará conta&#8221;</span></em> (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/029033_10/5751"><em>Diário de Pernambuco</em>, 1º de fevereiro de 1922, segunda coluna</a>). Uma observação: o destacado político baiano Ruy Barbosa (1849 &#8211; 1923) era grande fã dos <em>Batutas</em> e presença frequente nas apresentações do grupo no Cine Palais.</p>
<p>O cronista que se assinava como <em>S</em>, no<em> Jornal do Commercio</em>, em 1º de fevereiro de 1922, descreveu os <em>Batutas</em> como <span style="color: #800000;">“<em>oito, aliás, nove pardavascos que tocam violas, pandeiros e outros instrumentos rudimentares</em>” e lamentava“<em>não haver uma política inexorável que, legalmente, os fisgasse pelo cós e os retirasse de bordo com a manopla rija, impedindo-lhes a partida no liner da Mala Real</em>!”</span>.</p>
<p style="text-align: left;">Segundo o artigo do jornalista e escritor Benjamin Costallat (1897 &#8211; 1961), publicado na <a href="http://memoria.bn.br/DocReader/103730_05/5449"><em>Gazeta de Notícias</em> de 22 de janeiro de 1922</a>, foi um verdadeiro escândalo a presença dos <em>Batutas</em> no Cine Palais, em 1919, assim como o anúncio da ida do grupo para Paris. Foram atacados com um desabrido e repugnante racismo:</p>
<p><span style="color: #800000;"><em>&#8220;Eram  músicos brasileiros que vinha cantar cousas brasileiras. Isso em plena Avenida, em pleno almofadismo, no meio de todos esses meninos anêmicos, frequentadores de &#8220;cabarets&#8221; que só falam francês e só dançam tango argentino! No meio do internacionalismo das costureiras francesas, das livrarias italianas, das sorveterias espanholas, dos automóveis americanos, das mulheres polacas, do esnobismo cosmopolita e imbecil!</em></span></p>
<p><span style="color: #800000;"><em>Não faltaram censuras aos modestos &#8220;oito batutas&#8221;. Aos heróicos &#8220;oito batutas&#8221; que pretendiam, num  cinema da Avenida, cantar a verdadeira terra brasileira, atráves de sua música popular, sinceramente, sem artifícios nem cabotinismos, ao som espontâneo de seus violões e cavaquinhos.</em></span></p>
<p><span style="color: #800000;"><em>A guerra que lhes fizeram foi atroz. Como os músicos eram bons, &#8220;batutas de verdade&#8221;, violeiros e cantadores magníficos, como a flauta de Pixinguinha fosse melhor do que qualquer flauta por aí saída com dez diplomas de dez Institutos, começaram os despeitados a alegar a cor dos &#8220;oito batutas&#8221;, na maioria pretos&#8221;. Segundo os descontentes, era uma desmoralização para o Brasil ter na principal artéria de sua capital uma orquestra de negros! O que iria pensar de nós o estrangeiro?&#8221;</em></span></p>
<p>O jornal <em>A Noite</em> também antecipou a possibilidade de que haveria <em>quem num melindre idiota</em> reprovasse a <em>ida dos rapazes</em> porque eram <em>de cor</em> (<a href="http://memoria.bn.br/docreader/348970_02/4739" target="_blank"><em>A Noite</em>, 28 de janeiro de 1922</a>).</p>
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<p><a href="http://memoria.bn.br/docreader/348970_02/4739"><img class=" size-full wp-image-26710 aligncenter" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2022/01/nosso.jpg" alt="nosso" width="367" height="493" /></a></p>
<div id="attachment_26712" style="width: 375px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://memoria.bn.br/docreader/348970_02/4739" target="_blank"><img class="size-full wp-image-26712" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2022/01/nosso11.jpg" alt="A Noite, 28 de janeiro de 1922" width="365" height="110" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="http://memoria.bn.br/docreader/348970_02/4739" target="_blank"><em>A Noite</em>, 28 de janeiro de 1922</a></p></div>
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<p><em>O Imparcial</em> saudou com entusiasmo a viagem dos<em> Batutas, exímios tocadores de instrumentos nacionais que só executam músicas nacionais, o que só podem considerar como uma das mais altas expressões da arte musical genuinamente brasileira</em> (<a href="http://memoria.bn.br/docreader/107670_02/9283" target="_blank"><em>O Imparcial</em>, 28 de janeiro de 1922, segunda coluna</a>).</p>
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<div id="attachment_26758" style="width: 217px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://memoria.bn.br/docreader/107670_02/9283" target="_blank"><img class="size-full wp-image-26758" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2022/01/imparcial.jpg" alt="O Imparcial, 28 de janeiro de 1922" width="207" height="339" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="http://memoria.bn.br/docreader/107670_02/9283" target="_blank"><em>O Imparcial</em>, 28 de janeiro de 1922</a></p></div>
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<div id="attachment_26768" style="width: 778px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://memoria.bn.br/docreader/083712/27651" target="_blank"><img class="size-large wp-image-26768" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2022/01/batutas5-1024x253.jpg" alt="Careta, 1º de abril de 1922" width="768" height="190" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="http://memoria.bn.br/docreader/083712/27651" target="_blank"><em>Careta,</em> 1º de abril de 1922</a></p></div>
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<p>Uma carta enviada pelo jornalista Floresta de Miranda, de Paris, defendeu e deu notícias das apresentações dos <em>Batutas</em> na França (<a href="http://memoria.bn.br/docreader/705110/85133"><em>Jornal do Recife,</em> 11 de abril de 1922, primeira coluna</a>).</p>
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<div id="attachment_26475" style="width: 181px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://memoria.bn.br/docreader/705110/85133"><img class="size-full wp-image-26475" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2021/12/carta.jpg" alt="Carta da jornalista  em defesa dos Batutas / Jornal do Recife, 11 de abril de 1922, primeira coluna" width="171" height="381" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="http://memoria.bn.br/docreader/705110/85133" target="_blank">Carta de Floresta de Miranda em defesa dos <em>Batutas</em> / <em>Jornal do Recife</em>, 11 de abril de 1922, primeira coluna</a></p></div>
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<p><span style="color: #800000;"><em>&#8220;Paris, inverno de 1922. Frio de rachar, vários graus abaixo de zero. Duque e eu estávamos na Estação de Quai d´Orsay, esperando o trem de Bordéus. Nesse trem iriam chegar os Oito Batutas. Às 23 horas apareceram os músicos brasileiros, cada qual carregando o seu instrumento. Trajavam roupas leves e tiritavam. Na manhã seguinte Duque os levou a comprar roupas apropriadas para aquele clima. Vem a estreia no Shéhérazade. Sucesso completo. Paris acode àquele dancing. Pixinguinha com a sua flauta infernal faz o diabo. China abafa com o seu violão e a sua bela voz e Donga abafa no pinho e desperta paixões&#8230;&#8221;</em></span></p>
<p style="text-align: right;">Parte de uma crônica do jornalista Floresta de Miranda</p>
<p style="text-align: right;">publicada no livro<em> Samba jazz &amp; outras notas</em></p>
<div style="width: 711px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/8907" target="_blank"><img src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/bitstream/handle/20.500.12156.1/8907/A02F02P02.jpg.jpg?sequence=2&amp;isAllowed=y" alt="Thumbnail" width="701" height="511" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/8907" target="_blank">Os Batutas. c. 1923. Sebastião Cirino (trompete/piston), Euclides Virgulino (bateria), Pixinguinha (saxofone), Fausto Mozart Corrêa (piano), José Monteiro (violão e banjo), José Batista Paraíso (saxofone) e Esmerino Cardoso (trombone de vara) / Acervo IMS</a></p></div>
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<p>Já em fins da década de 1970, o jornalista carioca João Ferreira Gomes, cujo pseudônimo era Jota Efegê (1902 &#8211; 1987) e que se destacou como um grande cronista das histórias cariocas, de seus personagens e manifestações culturais, comentou esse tipo de declaração abertamente racista em relação aos <em>Batutas</em> no artigo <em>Para os racistas, os Oito Batutas eram &#8220;negróides&#8221; e &#8220;pardavascos&#8221;</em>, publicad0 em <em>O GLOBO.</em></p>
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<p><img class=" aligncenter" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2021/12/jotaefege.jpg" alt="jotaefege" /></p>
<div id="attachment_26658" style="width: 398px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2021/12/jotaefege1.jpg"><img class="wp-image-26658 size-full" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2021/12/jotaefege1.jpg" alt="jotaefege1" width="388" height="379" /></a><p class="wp-caption-text"><em>O GLOBO</em>, 22 de março de 1977</p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>Até por políticos a ida dos <em>Batutas</em> à Europa foi questionada. Em 24 de julho de 1922, votava-se na Câmara um auxílio de 40 contos de réis para uma viagem do compositor Heitor Villa-Lobos (1887 &#8211; 1959) à Europa. Pedro da Costa Rego (1889 &#8211; 1954), representante de Alagoas, deu parecer contrário e Gilberto Amado (1887 &#8211; 1969), deputado por Sergipe, ao encaminhar a votação, discordou de seus colegas que combateram a emenda e apelou:</p>
<p><span style="color: #800000;"><em>&#8220;Negar a Heitor Vila Lobos 40:000$ para que possa tomar passagem e ir à Europa, que nos manda, todos os anos, maestros e pseudomaestros, às vezes abaixo de nossa cultura negar a Vila Lobos o direito de ir à Europa, mostrar que não somos apenas os &#8220;Oito Batutas&#8221;, que lá sambeiam, é negar que pensamos musicalmente, é uma atitude não digna da Câmara dos Senhores Deputados brasileiros!&#8221;</em></span></p>
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<h3 style="text-align: center;"><span style="color: #800000;"><em><strong>O Retorno</strong></em></span></h3>
<p style="text-align: center;"><span style="color: #800000;"><em>&#8220;Chiii! Se fosse agora, nós seríamos o Roberto Carlos&#8221;</em></span></p>
<p style="text-align: right;">Pixinguinha em depoimento dado, em 1966,</p>
<p style="text-align: right;">sobre a popularidade dos <em>Batutas</em> quando retornaram de Paris</p>
<p style="text-align: center;"><em><span style="color: #800000;">&#8220;Fiquei tão apaixonado pela França que compus uma valsa de seis partes, ganhando um prêmio da Sociedade Francesa de Compositores. Mas era grande a saudade que sentíamos do Rio de Janeiro. Um dia, quando passeávamos por uma rua parisiense, um de nós começou a assobiar uma valsa de Manuel da Harmonia. Não nos contivemos: choramos como crianças&#8221;.</span></em></p>
<p style="text-align: right;">Donga(1966)</p>
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<p>Em 31 de julho de 1922, os <em>Batutas</em> embarcaram no<em> Lutetia, </em>em Bordeaux<em>, </em>na França<i>.</i> O navio fez escalas em Boulogne-sur-mer, Vigo e Lisboa e, após cerca de 6 meses, em 14 de agosto de 1922, os músicos chegaram no Rio de Janeiro. Durante a viagem de volta, fizeram algumas apresentações em festas a bordo. Saudades do Brasil, os negócios de Duque que não rendiam muito e a vontade de participar dos festejos do centenário da independência do Brasil foram razões alegadas para o retorno. Além deles, desembarcaram também do navio o fotógrafo <a href="http://brasilianafotografica.bn.br/?p=13570">Marc Ferrez (1843 &#8211; 1923)</a>, o inventor <a href="http://brasilianafotografica.bn.br/?p=8540">Alberto Santos Dumont (1873 – 1932)</a>, o presidente do Jockey Clube, Lineu de Paula Machado (1880 – 1942); o empresário Arnaldo Guinle (1884 – 1963); o coronel Buchalet, da missão militar francesa no Brasil, e o médico Paulo de Figueiredo Parreiras Horta (1884 – 1961) (<em>A Noite</em>, <a href="http://memoria.bn.br/DocReader/348970_02/6623">1º de agosto, primeira coluna</a>, e <a href="http://memoria.bn.br/docreader/348970_02/6770">14 de agosto</a> de 1922; <em>O Paiz</em>, 15 de agosto de 1922, <a href="http://memoria.bn.br/DocReader/178691_05/10491">página 3</a> e <a href="http://memoria.bn.br/DocReader/178691_05/10492">página 4</a>). No artigo do <em>Imparcial</em>, de 15 de agosto, Pixinguinha (1897 – 1973), declarou que não havia <em>animosidade contra os homens de cor na França</em>. Mencionou a presença de músicos de jazz em Paris e disse que os <em>Batutas</em> voltaram para o Brasil para tomar parte nas comemorações pelo centenário da Independência do Brasil.</p>
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<div id="attachment_26472" style="width: 373px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://memoria.bn.br/docreader/348970_02/6770" target="_blank"><img class="size-full wp-image-26472" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2021/12/batutas.jpg" alt="Em pé, da esquerda para a direita: Pixinguinha, José Alves de Lima; José Monteiro; Sizenando Santos “Feniano” e o Duque. Sentados: China, Nelson dos Santos Alves e Donga / A Noite, 14 de agosto de 1922." width="363" height="407" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="http://memoria.bn.br/docreader/348970_02/6770" target="_blank">Em pé, da esquerda para a direita: Pixinguinha, José Alves de Lima; José Monteiro; Sizenando Santos “Feniano” e o Duque. Sentados: China, Nelson dos Santos Alves e Donga /</a><br /><a href="http://memoria.bn.br/docreader/348970_02/6770" target="_blank"><em>A Noite</em>, 14 de agosto de 1922.</a></p></div>
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<p><span style="color: #800000;"><em>&#8220;Modéstia à parte, fique sabendo que triunfamos. É bom que se saiba de que quando daqui saímos, animados por uns, ridicularizados por outros, não tinha a estulta pretensão de representar no estrangeiro a arte musical brasileira. O que iríamos apresentar em Paris, e o fizemos com decência, graças a Deus, era apenas uma das feições de nossa música, mas daquela essencialmente popular, característica. Para os que amavam, ficam em nossos corações o reconhecimento e a saudade. Dos outros, preferimos amargar os apodos a discutir. Tocamos para frente!&#8221;</em></span></p>
<p style="text-align: right;">Pixinguinha, em entrevista dada ao jornal <em>A Notícia</em>, após a chegada no Rio de Janeiro (<em>Pixinguinha: Vida e Obra</em>)</p>
<p style="text-align: left;">Durante o mês de setembro, os <em>Batutas</em> fizeram apresentações na Exposição do Centenário da Independência como atração fixa do pavilhão da montadora de automóveis norte-americana General Motors, contando com os reforços da cantora Zaíra de Oliveira (1900 &#8211; 1951), mulher de<em> </em>Donga (1890 &#8211; 1974)); e do trompetista Bonfiglio de Oliveira (1894 &#8211; 1940). Pixinguinha, em entrevista, disse que havia tocado também durante a primeira transmissão radiofônica oficial brasileira, ocorrida em 7 de setembro de 1922. O evento integrou as comemorações do centenário da Independência. <em>Toquei num estudiozinho que havia lá e a Zaíra de Oliveira cantou. </em>O estúdio foi montado no pavilhão dos Estados Unidos.</p>
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<div id="attachment_26673" style="width: 531px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://historiasemonumentos.blogspot.com/2014/11/exposicao-internacional-do-centenario.html" target="_blank"><img class="size-full wp-image-26673" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2021/12/pavilhaodosestadosunidos.jpg" alt="Pavilhão dos Estados Unidos na Exposição do Centenário da Independência do Brasil / e Monumentos" width="521" height="395" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="http://historiasemonumentos.blogspot.com/2014/11/exposicao-internacional-do-centenario.html" target="_blank">Pavilhão dos Estados Unidos na Exposição do Centenário da Independência do Brasil / Histórias  e Monumentos</a></p></div>
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<p>Uma estação de 500 watts, montada no alto do Corcovado pela Westinghouse Eletric International em combinação com a Companhia Telefônica Brasileira, irradiou músicas e um discurso do presidente Epitácio Pessoa (1865 &#8211; 1942), surpreendendo os visitantes da Exposição Internacional do Rio de Janeiro, através de 80 receptores vindos dos Estados Unidos, que haviam sido distribuídos às autoridades e instalados em pontos centrais da cidade.</p>
<p>Após diversas apresentações, entre agosto e dezembro de 1922, dentre elas shows promovidos pela famíla Guinle em dois dos mais exclusivos clubes do país, o Fluminense, presidido por Arnaldo Guinle; e o Jockey Club do Rio de Janeiro, cujo presidente era Lineo de Paula Machado, marido de Celina Guinle; os <em>Oito Batutas</em> embarcaram no navio <em>Duque d´Osta</em> para uma temporada no Teatro Empire, em Buenos Aires, sob o comando do empresário José Segreto (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/178691_05/11588"><em>O Paiz</em>, 2 de dezembro de 1922, quarta coluna</a>).</p>
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<h3 style="text-align: center;"><span style="color: #800000;"><em><strong>Os Batutas na imprensa brasileira em 1922</strong></em></span></h3>
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<p><em>Decadência do maxixe&#8230; </em>(<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/178691_05/8366"><em>O Paiz</em>, 4 de janeiro de 1922, última coluna</a>) – Na coluna “Artes e Artistas”, comentário sobre o fato dos <em>Oito Batutas</em> ser o único conjunto musical a privilegiar o maxixe.</p>
<p>Os <em>Oito Batutas</em> estrearam no Cine Theatro Abigail Maia, em Madureira (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/089842_03/9028"><em>Correio da Manhã</em>, 7 de janeiro de 1922, terceira coluna</a>; <a href="http://memoria.bn.br/DocReader/348970_02/4528"><em>A Noite</em>, 9 de janeiro de 1922, segunda coluna</a>)</p>
<p>Os <em>Oito Batutas</em> apresentavam-se no Cine-Theatro Abigail Maia, em Madureira. Mané Pequeno, imitador de caipiras também participava do espetáculo (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/107670_02/9115"><em>O Imparcial</em>, 11 de janeiro de 1922, primeira coluna</a>; <a href="http://memoria.bn.br/DocReader/110523_02/8740"><em>O Jornal</em>, 12 de janeiro de 1922, última coluna</a>).</p>
<p>No Cine Theatro Fluminense, em São Cristóvão, com a participação dos <em>Oito Batutas </em>e a apresentação de duas peças, realização de um espetáculo em homenagem ao Clube de São Cristóvão (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/089842_03/9095"><em>Correio da Manhã</em>, 13 de janeiro de 1922, quinta coluna</a>; <a href="http://memoria.bn.br/DocReader/110523_02/8788"><em>O Jornal</em>, 17 de janeiro, sexta coluna</a>).</p>
<p>Os <em>Oito Batutas</em> tocaram durante uma excursão marítima em comemoração aos 35 anos de formatura de uma turma de médicos (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/178691_05/8463"><em>O Paiz</em>, 14 de janeiro de 1922, terceira coluna</a>).</p>
<p>No Trianon, participaram de uma festa em benefício de Christóvão Vasques (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/178691_05/8491"><em>O Paiz</em>, 17 de janeiro de 1922, sexta coluna</a>).</p>
<p>Artigo do jornalista e escritor Benjamin Costallat (1897 – 1961) fazendo uma pequena trajetória dos <em>Batutas</em> e criticando o <em>esnobismo imbecil</em> em relação à música popular brasileira e o racismo e defendendo a ida do conjunto para Paris (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/103730_05/5449"><em>Correio da Manhã</em>, 22 de janeiro de 1922, penúltima coluna</a>).</p>
<p>Lançamento da música <em>A Carta</em>, de autoria de Pixinguinha (1897 &#8211; 1973) e M. Almeida (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/348970_02/4690"><em>A Noite</em>, 24 de janeiro de 1922, terceira coluna</a>).<strong> </strong></p>
<p>Sátira aos novos auxiliares do Ministério da Fazenda, chamando-o de <em>Oito Batutas</em> (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/095648/7500"><em>D. Quixote</em>, 25 de janeiro de 1922</a>).</p>
<p><em>Os Oito Batutas vão dar concertos em Paris</em> (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/107670_02/9283" target="_blank"><em>O Imparcial</em>, 28 de janeiro de 1922, segunda coluna</a>).</p>
<p><em>Pelo que é nosso</em> (<a href="http://memoria.bn.br/docreader/348970_02/4739" target="_blank"><em>A Noite</em>, 28 de janeiro de 1922</a>).</p>
<p>A Pátria saudou a viagem como <em>uma das expressões mais legítimas do que é nosso</em> (<em>A Pátria</em>, 28 de janeiro de 1922).</p>
<p>No dia 29 de janeiro de 1922, o grupo musical Oito Batutas embarcou no navio transatlântico <em>Massília</em> rumo à França (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/178691_05/8610"><em>O Paiz</em>, 29 de janeiro de 1922, terceira coluna</a>).</p>
<p>Na coluna <em>Aventuras de Motta e Chefe</em>, publicação de uma charge satirizando a ida dos <em>Oito Batutas</em> à Europa (<a href="http://memoria.bn.br/docreader/030015_04/13422"><em>Jornal do Brasil</em>, 29 de janeiro de 1922</a>).<strong> </strong></p>
<p><em>Crítica à ida dos Batutas a Paris. &#8220;Não sei se a coisa é para rir ou para chorar. Seja como for, o boulevard vai se ocupar de nós. Não do Brasil de Arthur Napoleão, de Osvaldo Cruz, de Rui Barbosa, de Oliveira Lima, não do Brasil expoente, do Brasil elite, mas do Brasil pernóstico, negróide e ridículo e de que la chanson oportunamente tomará conta&#8221;</em> (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/029033_10/5751"><em>Diário de Pernambuco</em>, 1º de fevereiro de 1922, segunda coluna</a>).</p>
<p><em>Meu diário</em></p>
<p><em>O sr. Benjamin Costallat, que é um dos nossos mais finos observadores, estava o ano passado em Paris, quando a sua confreira patrícia, a sra. Regina Regis, lá residente, fez representar num teatro qualquer uma peça “genuinamente brasileira” por ela assim inculcada ao público e, como tal, por esse vivamente aplaudida. Nessa assistência, contava-se a flor de nossa colônia na Cidade Luz. E o cronista não pode deixar de manifestar a sua indignação em correspondência para um jornal do Rio diante de um negroide obsceno das bananeiras e dos sambas que a sra. Regis se lembrara de impingir como as únicas coisas típicas de sua pátria à frivolidade boulevardière.</em></p>
<p><em>Eu recordei-me imediatamente do protesto de Costallat ao ler um dias desses do telegrama (informando) que o dançarino Duque embarcara com destino à capital francesa levando em sua companhia a troupe dos Oito Batutas. Esses “artistas” já estiveram aqui se exibindo no Teatro Moderno. São oito, aliás, nove desempenados pardavascos, que tocam viola, pandeiro e outros instrumentos rudimentares, acompanhando uns aos outros em cantigas do horrível gênero Catulo Cearense e dançando com exagero as cores da nossa Tersícopere bárbara.</em></p>
<p><em>Pois bem! É essa gente que Luiz Duque, o famoso bailarino do Luna Park, um dos ilustres reveladores de “La Mattchiqhe” ao velho mundo, vai fazer exibir no seu cassino, onde passa cotidianamente a gama de blasbenismos e do rastacuerismo internacional. Os Oito Batutas vão ser, dentro de pouco, o número “suco” do Luna e, diante deles, o parisiense blasé se espantará, excitando a sua perdida sensualidade diante das sortes daqueles mulatos audazes que pretendem representar o Brasil”.</em></p>
<p><em>E não haver uma política inexorável que legalmente os fisgasse pelo cós e os retirasse de bordo com manopla rija, impedindo-lhes a partida no liner da Mala Real! Impunemente, porém, os Oito Batutas lá vão rumo a Paris mais o Duque, que tem olho fino, mais fino mesmo que os pés e sabem como treinar para que eles se mostrem de verdade uns cotubas no remelexo, nas cantilenas estropeadas de Catulo, na música lúbrica dos choros. Para consagrá-los e desmoralizarem cada vez mais o seu país, lá estão a espera com os seus lugares reservados, os mesmíssimos brasileiros que aplaudiram a peça “nacionalista” da sra. Regis. E depois ainda nos queixamos quando chega por aqui um maroto estrangeiro que, de volta a penates, se dá a divertida tarefa de contar das serpentes e da pretalhada que viu no Brasil </em>(<span style="color: #000080;"><em>Jornal do Commercio</em>, 1º de fevereiro de 1922 – de um cronista que se identificava como <em>S</em></span>).</p>
<p>Foi noticiado que tanto o <em>Jornal do Commercio</em> como o <em>Diário de Pernambuco</em>, do Recife, criticaram a ida dos <em>Oito Batutas</em> à Europa com comentários racistas (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/030015_04/13481"><em>Jornal do Brasil</em>, 2 de fevereiro de 1922, segunda coluna</a>).<strong> </strong></p>
<p>Crítica à ida dos <em>Oito Batutas</em> para a Europa. Menção à música <em>Ai, seu Mé</em>, uma sátira em torno da alegada passividade de Artur Bernardes (1875 – 1955), eleito presidente da República, em março de 1922  (<em><a href="http://memoria.bn.br/DocReader/089842_03/9334">Correio da Manhã, 3 de fevereiro de 1922, sexta coluna</a></em>).<strong> </strong></p>
<p>De Barbacena, Leon Feranda enviou uma carta em francês criticando a ida dos <em>Oito Batutas</em> a Paris como representantes do Brasil como havia sido noticiado pelo jornal <em>A Noite</em>. O jornal O <em>Paiz </em>responde às críticas (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/178691_05/8669"><em>O Paiz</em>, 4 de fevereiro de 1922, terceira coluna</a>).</p>
<p>Na coluna “Ecos e Novidades”, comentário sobre a ida dos <em>Batutas</em> a Paris e crítica ao <em>esnobismo ignorante</em> <em>dos que nunca atentaram para as belezas da música popular</em> (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/348970_02/4807"><em>A Noite</em>, 4 de fevereiro de 1922, primeira coluna</a>).</p>
<p>Crítica ao esnobismo em torno da ida dos <em>Oito Batutas</em> a Paris (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/128066_02/5866"><em>A Província</em>, 15 de fevereiro de 1922, terceira coluna</a>).</p>
<p>Notícia sobre a estreia, com sucesso, dos <em>Batutas</em>, em Paris (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/030015_04/13767"><em>Jornal do Brasil</em>, 17 de fevereiro de 1922, sexta coluna</a>; <a href="http://memoria.bn.br/DocReader/103730_05/5621"><em>Gazeta de Notícias</em>, 17 de fevereiro de 1922, sétima coluna</a>).</p>
<p>Publicação do artigo <em>Os “Batutas” em Paris</em>, de José Fortunato, em torno da polêmica da ida dos <em>Batutas</em> a Paris (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/338109/32"><em>A Maçã</em>, 18 de fevereiro de 1922</a>).</p>
<p>O préstito do Club dos Democráticos durante o carnaval contou com um carro alegórico de crítica chamado <em>Oito Batutas</em>, onde eram tocados os tangos que mais agradaram ao público dos teatros cariocas (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/089842_03/9593"><em>Correio da Manhã</em>, 28 de fevereiro de 1922, quarta coluna;</a> <a href="http://memoria.bn.br/DocReader/030015_04/14013"><em>Jornal do Brasil</em>, 4 de março de 1922, última coluna</a>; <a href="http://memoria.bn.br/DocReader/110523_02/9212"><em>O Jornal</em>, 28 de fevereiro de 1922, quinta coluna</a>).</p>
<p>Notícia sobre o sucesso dos <em>Oito Batutas</em> no <em>pequeno teatro de Montmartre, Shéhérazade, sob a direção de Duque</em>, em Paris (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/178691_05/8968"><em>O Paiz</em>, 9 de março de 1922, quarta coluna</a>; <a href="http://memoria.bn.br/DocReader/110523_02/9316"><em>O Jornal</em>, 10 de março de 1922, última coluna</a>).</p>
<p>Publicação do artigo <em>A Música Brasileira</em>, de Chrysantheme, Maria Cecília Bandeira de Melo Vasconcelos (1870 – 1948), elogiando a turnê dos <em>Oito Batutas</em>, em Paris (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/090972_07/8237"><em>Correio Paulistano</em>, 29 de março de 1922, primeira coluna</a>).</p>
<p>Matéria celebrando o sucesso dos<em> Batutas</em> em Paris (<em>Careta</em>, 1º de abril de 1922).</p>
<p><em>Quando o samba fala francês&#8230; </em>Publicação da letra do samba <em>Les Batutas</em>, composto por Pixinguinha<em> (</em><a href="http://memoria.bn.br/DocReader/103730_05/5987"><em>Gazeta de Notícias</em>, 14 de abril de 1922, quarta coluna</a>).</p>
<p>Uma carta enviada pelo jornalista A. Floresta de Miranda de Paris defendeu e deu notícias das apresentações dos <em>Batutas</em> em Paris (<a href="http://memoria.bn.br/docreader/705110/85133"><em>Jornal do Recife,</em> 11 de abril de 1922, primeira coluna</a>).</p>
<p>Carta do jornalista A. Floresta de Miranda em defesa dos <em>Batutas</em> <a href="http://memoria.bn.br/docreader/705110/85133">(<em>Jornal do Recife,</em> 11 de abril de 1922, primeira coluna</a>).<strong> </strong></p>
<p><em>Os “Oito Batutas” representam a música vulgar carioca’</em>(<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/348970_02/5564"><em>A Noite</em>, 19 de abril de 1922, quinta coluna</a>).</p>
<p>Crítica sobre a temporada dos <em>Batutas</em> em Paris. Estariam fazendo sucesso.  <em>&#8230;está dando em resultado o cruzamento harmônico e melódico do nosso do samba com o cancan parisiense</em> (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/030015_04/14808"><em>Jornal do Brasil</em>, 22 de abril de 1922, sexta coluna</a>).</p>
<p>Em um artigo sobre a universalidade da linguagem universal, o autor, Augusto de Lima (1859 – 1934), membro da Academia Brasileira de Letras, cita os <em>Oito Batutas</em> (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/107670_02/10655"><em>O Imparcial</em>, 16 de junho de 1922, quarta coluna</a>).</p>
<p>Após cerca de 6 meses, em 14 de agosto de 1922, os Batutas voltaram ao Rio de Janeiro, a bordo do<em> Lutetia</em>. O paquete partiu de Bordeux, em 1º de agosto, e fez escalas em Boulogne-sur-mer, Vigo e Lisboa (<em>A Noite</em>, <a href="http://memoria.bn.br/DocReader/348970_02/6623">1º de agosto, primeira coluna</a>, e <a href="http://memoria.bn.br/docreader/348970_02/6770">14 de agosto</a> de 1922; <a href="http://memoria.bn.br/DocReader/029033_10/6932"><em>Diário de Pernambuco</em>, 2 de agosto de 1922, quarta coluna</a>; <em>O Paiz</em>, 15 de agosto de 1922, <a href="http://memoria.bn.br/DocReader/178691_05/10491">página 3</a> e <a href="http://memoria.bn.br/DocReader/178691_05/10492">página 4</a>; <a href="http://memoria.bn.br/DocReader/030015_04/16736"><em>Jornal do Brasil</em>, 15 de agosto, quinta coluna</a>; <a href="http://memoria.bn.br/DocReader/103730_05/6826"><em>Gazeta de Notícias</em>, 15 de agosto de 1922, última coluna</a>).</p>
<p>Pixinguinha declarou que não havia <em>animosidade contra os homens de cor na França</em>. Mencionou a presença de músicos de jazz em Paris e disse que os <em>Batutas</em> voltaram para o Brasil para tomar parte nas comemorações pelo centenário da Independência do Brasil (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/107670_02/11244"><em>O Imparcial</em>, 15 de agosto de 1922</a>).</p>
<p>O dançarino Duque, Antônio Lopes de Amorim Diniz (1884-1953), que também havia retornado de Paris, fez uma visita à redação da <em>Gazeta de Notícias</em> e revelou que pretendia abrir um curso de dança no Rio de Janeiro. Estava acompanhado de Donga (1891 – 1974) e de China (1888 – 1926). Foi noticiado que, em 17 de agosto, os Batutas apresentariam um repertório de músicas brasileiras, no Jockey Club em uma festa oferecida ao presidente do clube, Lineu de Paula Machado. No dia 6 de setembro, se apresentariam no Fluminense Futebol Clube no gênero <em>jazz band</em> (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/103730_05/6833"><em>Gazeta de Notícias</em>, 16 de agosto de 1922, segunda coluna</a>).</p>
<p>Na coluna “Artes e Artistas” foi noticiado que, a convite da sra. Rasimi (1874 – 1954), diretora da Companhia do Ba-ta-clan, os <em>Oitos Batutas</em> haviam apresentado no <a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=25489" target="_blank">Theatro Lyrico</a> o repertório dos shows que haviam realizado em Paris. <em>“Não há dúvida nenhuma: mais uma vez os versos do trovador popular se justificam&#8230; ”A Europa continua a curvar-se ante o Brasil” </em>(<em>O Paiz</em>, <a href="http://memoria.bn.br/DocReader/178691_05/10570">23 de agosto de 1922, quinta coluna</a>; e <a href="http://memoria.bn.br/DocReader/178691_05/10610">27 de agosto, penúltima coluna</a>, de 1922; <a href="http://memoria.bn.br/DocReader/089842_03/11624"><em>Correio da Manhã</em>, 24 de agosto de 1922, segunda coluna</a>; <a href="http://memoria.bn.br/DocReader/103730_05/6913"><em>Gazeta de Notícias</em>, 27 de agosto de 1922,segunda coluna</a>).</p>
<p>A senhora Rasimi ofereceu um almoço, na Ilha d´Água, a vários escritores, artistas e jornalistas brasileiros com uma apresentação dos <em>Oito Batutas</em> (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/178691_05/10582"><em>O Paiz</em>, 24 de agosto de 1922, primeira coluna</a>).</p>
<p>Propaganda e notícia da apresentação dos <em>Batutas</em> no Theatro Lyrico, no espetáculo de revista V´la Paris (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/178691_05/10604"><em>O Paiz</em>, 26 de agosto de 1922</a> e <a href="http://memoria.bn.br/DocReader/089842_03/11647"><em>Correio da Manhã</em>, 26 de agosto de 1922</a>; <a href="http://memoria.bn.br/DocReader/110523_02/47601"><em>O Jornal</em>, 26 de agosto de 1922, terceira coluna</a>).</p>
<p>No Palace Hotel, a esposa do adido naval dos Estados Unidos, a sra. Herbert Sparrow, ofereceu uma recepção com a apresentação dos <em>Oito Batutas</em> (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/178691_05/10672"><em>O Paiz</em>, 2 de setembro de 1922, terceira coluna</a>).</p>
<p>Foi noticiado que os <em>Oito</em> <em>Batutas</em> trouxeram de Paris novas músicas: <em>Dádiva d´ Amor</em>, de Donga (1891 – 1974), e <em>Batutas</em>, samba de Pixinguinha (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/348970_02/7019"><em>A Noite</em>, 5 de setembro de 1922, última coluna</a>).</p>
<p>Segundo artigo do poeta e compositor Hermes Fontes (1888 – 1930): <em>“Já cá estão os Oito Batutas, de volta de Paris, onde estragaram o sentimento brasileiro e a verdadeira poesia dos sertões”</em> (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/107468/6019"><em>A Illustração Brasileira (FRA)</em>, 7 de setembro de 1922</a>).</p>
<p>Apresentação dos <em>Oito Batutas</em> na inauguração do Hotel Balneário Sete de Setembro, construído na Praia de Botafogo para as comemorações do centenário da independência do Brasil (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/178691_05/10729"><em>O Paiz</em>, 7 de setembro de 1922, quarta coluna</a><em>; </em><a href="http://memoria.bn.br/DocReader/107670_02/11471"><em>O Imparcial</em>, 7 de setembro, penúltima coluna</a>).</p>
<p>Propaganda da estreia dos <em>Oito Batutas</em> no Cine-Theatro Rialto (<em>O Paiz</em>, <a href="http://memoria.bn.br/DocReader/178691_05/10784">10 de setembro</a> e <a href="http://memoria.bn.br/DocReader/178691_05/10800">12 de setembro</a> de 1922; <a href="http://memoria.bn.br/DocReader/089842_03/11828"><em>Correio da Manhã</em>, 10 de setembro de 1922</a>; <a href="http://memoria.bn.br/DocReader/107670_02/11522"><em>O Imparcial</em>, 12 de setembro de 1922, quarta coluna</a>).</p>
<p>Os <em>Oito Batutas</em> foram contratados pelo prefeito do Rio de Janeiro, Carlos Sampaio (1861 – 1930), para tocarem na festa, no alto do Corcovado, oferecida às delegações de Buenos Aires e de Montevidéu, presentes na cidade devido à comemoração do centenário da Independência do Brasil<em>. “Os Oito Batutas empurraram um maxixe eletrizante”</em> (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/089842_03/11900"><em>Correio da Manhã</em>, 16 de setembro, última coluna</a>; <a href="http://memoria.bn.br/DocReader/830453/5928"><em>O Combate</em>, 18 de setembro de 1922, primeira coluna</a>).</p>
<p>Participaram, no Teatro Municipal, de uma homenagem ao presidente de Portugal, Antônio José de Almeida. O ator Leopoldo Froes (1882 – 1932) e os músicos Catulo da Paixão Cearense (1863 – 1946) e Mario Pinheiro (1883 – 1923) também participaram do evento (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/364568_11/43550"><em>Jornal do Commercio</em>, 18 de setembro de 1922, última coluna</a>).</p>
<p>No Country Club, apresentação dos <em>Oito Batutas</em> e da <em>jazz band</em> Harry Kosarin´s (ou Kosarini) em um chá dançante em homenagem a estudantes sul-americanos (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/178691_05/10886"><em>O Paiz</em>, 21 de setembro de 1922, primeira coluna</a>; <a href="http://memoria.bn.br/DocReader/107670_02/11615"><em>O Imparcial</em>, 21 de setembro de 1922, penúltima coluna</a>).</p>
<p>A Sociedade Brasileira de Autores Teatrais havia aberto um inquérito contra os <em>Oito Batutas</em> devido a acusações feitas a eles por J. B. da Silva, o Sinhô (1888- 1930), e Francisco José Freire Junior (1881 – 1956). Segundo os compositores, os <em>Oito Batutas</em> haviam, sem autorização, editado, em Paris, trabalhos musicais da autoria deles. O relator foi Cardoso de Menezes, que pediu que o professor Duque fosse ouvido (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/107670_02/11610"><em>O Imparcial</em>, 21 de setembro de 1922, segunda coluna</a>; <a href="http://memoria.bn.br/DocReader/364568_11/43961"><em>Jornal do Commercio</em>, 6 de outubro de 1922, quinta coluna</a>; <a href="http://memoria.bn.br/DocReader/364568_11/44045"><em>Jornal do Commercio</em>, 10 de outubro de 1922, segunda coluna</a>).</p>
<p>Os <em>Oito Batutas</em> tocaram na festa oferecida pelo Círculo da Imprensa para os jornalistas estrangeiros, presentes na cidade devido à comemoração do centenário da Independência do Brasil (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/089842_03/12097"><em>Correio da Manhã</em>, 2 de outubro de 1922, quarta coluna</a>).</p>
<p>A Companhia Abigail Maia estava sendo esperada, com os <em>Oito Batutas</em>, em São Paulo, onde fariam apresentações no Teatro da República (<em>O Combate</em>, <a href="http://memoria.bn.br/DocReader/830453/5973">2 de outubro de 1922, segunda coluna</a>;  <a href="http://memoria.bn.br/DocReader/830453/5977">3 de outubro, primeira coluna</a>).</p>
<p>No Clara Hotel, apresentação dos <em>Oito Batutas</em> com o <em>delicioso exotismo de seus fox-trots parisiense</em>s (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/107670_02/11775"><em>O Imparcial</em>, 7 de outubro de 1922, terceira coluna</a>).</p>
<p>A valsa <em>Diza</em>, de autoria de China (1888 – 1926), irmão de Pixinguinha (1897 &#8211; 1973), e executada pelos <em>Oito Batutas</em> e pelas orquestras Cícero, Romeu Silva e Andreosi, foi editada pela Casa Viúva Guerreiro (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/110523_02/10632"><em>O Jornal</em>, 1º de novembro de 1922, terceira coluna</a>).</p>
<p>No Palácio das Festas, na Exposição do Centenário da Independência do Brasil, os <em>Oito Batutas</em> e uma banda militar foram as atrações musicais do baile promovido pela União dos Empregados no Comércio. O serviço de buffet foi do restaurante Falconi (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/348970_02/7702"><em>A Noite</em>, 8 de novembro de 1922, quarta coluna</a>; <a href="http://memoria.bn.br/DocReader/178691_05/11366"><em>O Paiz</em>, 9 de novembro de 1922, segunda coluna</a>).</p>
<p>Tocaram na sala de espetáculos do Teatro Carlos Gomes, onde se apresentava o <em>vaudeville Surpresas da exposição</em>, do dramaturgo Gastão Tojeiro (1880 – 1965) (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/030015_04/18659"><em>Jornal do Brasil</em>, 28 de novembro de 1922, quinta coluna</a>); <a href="http://memoria.bn.br/DocReader/107670_02/12275"><em>O Imparcial</em>, 28 de novembro de 1922, segunda coluna</a>).</p>
<p style="text-align: left;">Os <em>Oito Batutas</em> embarcaram no navio <em>Duque d´Osta</em> para uma temporada no Empire, em Buenos Aires, sob o comando do empresário José Segreto (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/178691_05/11588"><em>O Paiz</em>, 2 de dezembro de 1922, quarta coluna</a>; <a href="http://memoria.bn.br/DocReader/110523_02/10952"><em>O Jornal</em>, 3 de dezembro de 1922, quinta coluna</a><em>; </em><a href="http://memoria.bn.br/DocReader/090972_07/10453"><em>Correio Paulistano</em>, 2 de dezembro de 1922, quinta coluna</a><a href="http://memoria.bn.br/DocReader/110523_02/10952"> 1922, quinta coluna</a><em>; </em><a href="http://memoria.bn.br/DocReader/090972_07/10453"><em>Correio Paulistano</em>, 2 de dezembro de 1922, quinta coluna</a>).</p>
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<h3 style="text-align: center;"><span style="color: #800000;"><strong><em>Uma brevíssima história dos Oito Batutas e Pixinguinha</em></strong></span></h3>
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<p style="text-align: center;"><span style="color: #800000;"><em>“Se você tem 15 volumes para falar de toda a música popular brasileira, fique certo de que é pouco. Mas, se dispõe apenas do espaço de uma palavra, nem tudo está perdido; escreva depressa: Pixinguinha”</em></span></p>
<p style="text-align: right;">Ary Vasconcellos, crítico e historiador</p>
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<div style="width: 712px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/8912" target="_blank"><img src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/bitstream/handle/20.500.12156.1/8912/pixinguinha04.jpg.jpg?sequence=2&amp;isAllowed=y" alt="Thumbnail" width="702" height="518" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/8912" target="_blank">Augusto Malta. Da esquerda para a direita: Pixinguinha, Raul Palmieri, José Alves, China, Jacob Palmieri, Luís de Oliveira, Donga, Nelson Alves e o empresário José Segreto (cortado na foto), 24 de setembro de 1920. Rio de Janeiro, RJ / Acervo IMS</a></p></div>
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<p style="text-align: center;"><span style="color: #800000;"><em>&#8220;É o melhor ser humano que conheço. E olha que o que eu conheço de gente não é fácil!&#8221;</em></span></p>
<p style="text-align: right;">Vinícius de Moraes sobre Pixinguinha</p>
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<p>O elegante Cine Palais foi inaugurado, na <a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=5880">avenida Rio Branco</a>, antiga avenida Central, no Rio de Janeiro, em 16 de julho de 1914. Ficava no edifício onde anteriormente localizava-se o Cine Pathé (Correio da Manhã, <a href="http://memoria.bn.br/DocReader/089842_02/19826" target="_blank">12 de julho</a> e <a href="http://memoria.bn.br/DocReader/089842_02/19879" target="_blank">15 de julho</a> de 1914). Seu proprietário era o coronel Gustavo de Mattos (<em>Revista da Semana</em>, <a href="http://memoria.bn.br/DocReader/025909_01/22008">17 de julho</a>  e <a href="http://memoria.bn.br/DocReader/025909_01/22055">24 de julho</a> de 1915).</p>
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<div id="attachment_26715" style="width: 321px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://memoria.bn.br/DocReader/089842_02/19879" target="_blank"><img class="size-full wp-image-26715" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2022/01/palais.jpg" alt="Correio da Manhã, 15 de julho de 1914" width="311" height="482" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="http://memoria.bn.br/DocReader/089842_02/19879" target="_blank"><em>Correio da Manhã,</em> 15 de julho de 1914</a></p></div>
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<p>Apresentaram-se pela primeira vez, em abril de 1919, na sala de espera do Cine Palais, os<em> Oito Batutas</em>, formado por P<span style="color: #000000;">ixinguinha (flauta), Donga (violão), China (voz e violão), Nelson Alves (cavaquinho), os irmãos Raul (violão) e Jacob Palmieri (pandeiro); José Alves de Lima, o Zezé (bandolim e ganzá) e Luís de Oliveira (bandola e reco-reco). Todos os livros consultados pela pesquisa da Brasiliana Fotográfica apontam o dia 7 de abril de 1919 como o da estreia do grupo no Cine Palais, mas há registros nos jornais da época de apresentações anteriores a essa data (<em>O Paiz</em>, <a href="http://memoria.bn.br/DocReader/178691_04/42301" target="_blank">2 de abril, penúltima coluna</a>; e <a href="http://memoria.bn.br/DocReader/178691_04/42323" target="_blank">4 de abril, terceira coluna</a>, de 1919; <a href="http://memoria.bn.br/DocReader/004120/72706" target="_blank"><em>Manchete</em>, 24 de setembro de 1966</a>).</span></p>
<p><span style="color: #000000;">Pixiguinha já havia tocado flauta, em meados da década de 1910, na sala de projeção do Cine Palais, acompanhando os filmes mudos. </span></p>
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<div id="attachment_26469" style="width: 300px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://memoria.bn.br/docreader/DocReader.aspx?bib=178691_04&amp;pagfis=42350" target="_blank"><img class="size-full wp-image-26469" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2021/12/cinepalais.jpg" alt="O Paiz, 7 de abril de 1919" width="290" height="522" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="http://memoria.bn.br/docreader/DocReader.aspx?bib=178691_04&amp;pagfis=42350" target="_blank"><em>O Paiz,</em> 7 de abril de 1919</a></p></div>
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<p>A ideia da criação do conjunto musical, que se tornaria lendário na história da música popular brasileira, foi de Isaac Frankel, gerente do cinema, como uma estratégia para resgatar o público que havia se afastado dos cinemas devido à violenta epidemia de <a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=18866">gripe espanhola</a>, em 1918. Frankel havia ouvido, no carnaval de 1919, o <em>Grupo Caxangá,</em> do qual faziam parte, dentre mais de 15 músicos, Pixinguinha (1897 &#8211; 1973), Donga (1891 &#8211; 1974) e João Pernambuco (1883 &#8211; 1947), no coreto do Largo da Carioca, ao lado da sede da Sociedade Tenentes do Diabo. O Caxangá era, na década de 1910, uma das principais atrações do carnaval do Rio de Janeiro.</p>
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<div id="attachment_26685" style="width: 575px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2021/12/caxanga1.jpg"><img class="size-full wp-image-26685" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2021/12/caxanga1.jpg" alt="Grupo Caxangá no carnaval de 1915 / Pixinguinha, vida e Obra" width="565" height="347" /></a><p class="wp-caption-text">Grupo Caxangá no carnaval de 1914 / <em>Pixinguinha, Vida e Obra</em></p></div>
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<p>Em julho de 1919, os <em>Oito Batutas</em> também tocaram nas salas de espera dos teatros Carlos Gomes e São José, ambos do empresário e um dos pioneiros do cinema no Brasil, Paschoal Segreto (1868 – 1920) (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/178691_04/43580" target="_blank"><em>O Paiz</em>, 23 de julho de 1919</a>). Em outubro, João Pernambuco integrava o conjunto, do qual o bandolinista José Alves de Lima havia se desligado.</p>
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<div id="attachment_26674" style="width: 335px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://memoria.bn.br/DocReader/178691_04/44648" target="_blank"><img class="size-full wp-image-26674" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2021/12/opaiz.jpg" alt="O Paiz, 15 de outubro de 1919" width="325" height="441" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="http://memoria.bn.br/DocReader/178691_04/44648" target="_blank"><em>O Paiz</em>, 15 de outubro de 1919</a></p></div>
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<p>As apresentações do grupo na sala de espera do Cine Palais, frequentado pela elite carioca, onde já haviam tocado os pianistas Oswaldo Cardoso de Menezes (1893 &#8211; 1935) e Luciano Gallet (1893 &#8211; 1931), fizeram muito sucesso e logo o conjunto ganhou admiradores como o músico Ernesto Nazareth (1863 &#8211; 1934), que tocava na sala de espera do concorrente Cine Odeon; o político Ruy Barbosa (1849 &#8211; 1923) e o empresário Arnaldo Guinle (1884 &#8211; 1963) que, como já mencionado, patrocinou uma turnê do grupo por estados do sudeste e do nordeste do Brasil, entre 1919 e 1920; e, em 1922, para Paris.</p>
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<div id="attachment_26669" style="width: 701px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/10361" target="_blank"><img class="wp-image-26669 size-full" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2021/12/batutas2.jpg" alt="batutas2" width="691" height="515" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/10361" target="_blank">Os Oito Batutas, 1919 / Em pé, da esquerda para a direita: Pixinguinha, Donga, Raul Palmieri, China, Jacob Palmieri e o secretário José Alves. Sentados: Nelson Alves, João Pernambuco e Luís de Oliveira / Acervo FBN</a></p></div>
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<p style="text-align: left;">Estava programada uma apresentação dos<em> 8 Batutas</em> para os reis da Bélgica, que visitaram o Brasil entre 19 de setembro e 16 de outubro de 1920. Aconteceria durante o almoço que seria oferecido a eles pelo então prefeito do Rio de Janeiro, Carlos Sampaio, na Mesa do Imperador. Porém uma chuva fez com que o evento fosse cancelado (<a href="http://memoria.bn.br/docreader/178691_05/3214"><em>O Paiz</em>, 24 de setembro de 1920, segunda coluna</a>; <a href="http://memoria.bn.br/docreader/178691_05/3225"><em>O Paiz</em>, 25 de setembro de 1920</a>).</p>
<p>Em 1º de dezembro de 1922, após a turnê de Paris, o conjunto seguiu em nova viagem internacional, desta vez para a Argentina e foram mesmo <em>Oito Batutas</em>: Pixinguinha (flauta e saxofone), Donga (violão e banjo), J. Tomás (bateria), China (violão e voz), Nelson Alves (cavaquinho e banjo), J. Ribas (piano), Josué de Barros (violão) e José Alves (bandolim e ganzá). Apresentaram-se em Buenos Aires, no Teatro Empire; em Rosário, La Plata e Chivilcoy (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/178691_05/11588"><em>O Paiz</em>, 2 de dezembro de 1922, quarta coluna)</a>. A temporada foi um sucesso e terminou em abril de 1923 (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/089842_03/14252" target="_blank"><em>Correio da Manhã</em>, 6 de abril de 1923, sexta coluna</a>).</p>
<p>Em 1927, os <em>Batutas</em> começaram a tocar no Cinema Odeon e fizeram uma turnê por Santa Catarina (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/089842_03/31424" target="_blank"><em>Correio da Manhã</em>, 25 de agosto, segunda coluna</a>). Também se apresentaram em teatros e no espetáculo <em>Noites de Montmartre</em>, no Assyrio (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/089842_03/30798" target="_blank"><em>Correio da Manhã</em>, 14 de julho de 1927</a>), onde, de maio de 1928 a 1931, foram atração fixa.</p>
<p>Pixinguinha, Donga (1891 &#8211; 1974) e João da Baiana (1887 &#8211; 1974) criaram o Grupo da Guarda Velha, que substituiu os <em>Batutas</em> e foram um grande sucesso no carnaval de 1932. Os três músicos foram frequentadores da Casa de Tia Ciata (1854 &#8211; 1924), que ficava na <em>Pequena África no Brasil</em>, expressão baseada numa afirmação do cantor e pintor Heitor dos Prazeres (1898 &#8211; 1966) se referindo à área que começava no Porto do Rio de Janeiro e abrangia os atuais bairros da Saúde, Estácio, Santo Cristo, Gamboa e Cidade Nova, até a Praça Onze de Junho, que foi totalmente remodelada nos anos 1940 para a abertura da avenida Presidente Vargas. Foi  lá que, a partir da década de 1870, a comunidade baiana se estabeleceu no Rio de Janeiro, fazendo da área um local de concentração de diversas manifestações da cultura afro-brasileira.</p>
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<div style="width: 310px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://www.palmares.gov.br/?p=41345" target="_blank"><img src="http://www.palmares.gov.br/wp-content/uploads/2016/04/os-tr%C3%AAs.jpg" alt="" width="300" height="200" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://www.palmares.gov.br/?p=41345" target="_blank">Pixinguinha, João da Baiana e Donga / Fundação Palmares</a></p></div>
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<p>João da Baiana era filho de Prisciliana Maria Constança, e Donga, filho de Amélia Silvana de Araújo, tias baianas da Pequena África. Eras irmãs-de-santo da lendária Tia Ciata (1854 &#8211; 1924), Hilária Batista de Almeida, no terreiro de João Alabá, um dos principais babalorixás do candomblé  no Rio de Janeiro. Havia também as tias Bebiana, Carmen e Mônica, dentre outras, que fizeram de suas casas pontos de referência e de convívio, que garantiram a manutenção das tradições africanas na cidade. Nessas casas eram cultuadas a música e a religiosidade afro-brasileira. As casas de Tia Prisciliana e, principalmente, a de Tia Ciata foram espaços fundamentais da música popular carioca.</p>
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<div id="attachment_26699" style="width: 592px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2021/12/pequenaafrica.jpg"><img class="size-full wp-image-26699" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2021/12/pequenaafrica.jpg" alt="O GLOBO, 26 de maio de 2019" width="582" height="440" /></a><p class="wp-caption-text">Região da Pequena África<em> / O GLOBO</em>, 26 de maio de 2019</p></div>
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<p>Entre a última década do século XIX e as primeiras décadas do século XX, a comunidade afrodescendente se reunia nessa região para praticar religiões de matriz africana e cantar sambas. Foi na casa de Tia Ciata, onde havia um terreiro de candomblé clandestino e onde os bambas do samba se encontravam, que o primeiro samba, registrado e gravado como tal, <em><a href="https://pixinguinha.com.br/discografia/pelo-telefone/" target="_blank">Pelo telefone</a>,</em> foi composto por Donga e Mauro de Almeida (1882 &#8211; 1956), em 1916. Foi lançado pela Odeon, em 1917. Existiu uma polêmica em torno de sua autoria: foi registrado por Donga, em 27 de novembro de 1916, mas teria sido uma criação coletiva. Houve uma troca de<em> petardos musicais</em> entre Sinhô (1888 &#8211; 1930), que estaria presente na casa de Tia Ciata quando o samba foi composto e a turma de Donga, dentre eles João da Baiana e Pixinguinha. Outra polêmica envolve o fato de ter sido mesmo o primeiro samba ou se foi o primeiro samba a fazer sucesso, já que alguns autores alegam que antes foram compostos os sambas <em>Em casa da baiana</em>, de 1911; e <em>A viola está magoada</em>, de 1914.</p>
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<div id="attachment_26740" style="width: 316px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://pixinguinha.com.br/resultado-busca/?keyword=pelo+telefone&amp;cpt=all" target="_blank"><img class="size-full wp-image-26740" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2022/01/partitura.jpg" alt="Capa da partitura do samba “Pelo telefone”, de Donga e Mauro de Almeida / Acervo IMS" width="306" height="404" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://pixinguinha.com.br/resultado-busca/?keyword=pelo+telefone&amp;cpt=all" target="_blank">Capa da partitura do samba “Pelo telefone”, de Donga e Mauro de Almeida / Acervo IMS</a></p></div>
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<p>Foi também na Pequena África que a <em>Deixa Falar</em>, considerada a primeira escola de samba, foi fundada, em 12 de agosto de 1928, pelos sambistas Bide, Mano Edgar, Brancura, Baiaco, dentre outros, além de Ismael Silva, que reinvidicava a expressão escola de samba. Eles se reuniam no Bar Apolo ou no Café Compadre, em frente à Escola Normal, no Largo do Estácio. Existiu até 1932, quando se apresentou como rancho carnavalesco.</p>
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<p>Andrea C. T. Wanderley</p>
<p>Editora e pesquisadora do portal Brasiliana Fotográfica</p>
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<p>A Brasiliana Fotográfica agradece a colaboração de Bia Paes Leme, coordenadora de Música do Instituto Moreira Salles, e a de Fernando Krieger e Isadora Cirne, assistentes da Coordenadoria de Música do Instituto Moreira Salles, para a publicação desse artigo.</p>
<p>Para mais informações sobre Pixinguinha e os <em>Batutas</em>, inclusive para acessar <a href="https://pixinguinha.com.br/resultado-busca/?keyword=batutas&amp;cpt=gravacoes&amp;data_gravacao=&amp;data_lancamento=&amp;num_disco=&amp;num_matriz=" target="_blank">gravações</a> e mais <a href="https://pixinguinha.com.br/resultado-busca/?keyword=batutas&amp;cpt=photography&amp;data=" target="_blank">fotografias</a> do conjunto, acesse o site <a href="https://pixinguinha.com.br/" target="_blank"><em>Pixinguinha</em></a>, do Instituto Moreira Salles.</p>
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<div style="width: 650px" class="wp-caption aligncenter"><img src="https://ims.com.br/wp-content/uploads/2017/06/Mus02.1920x1080-640x360.jpg" alt="Abotoaduras que pertenceram a Pixinguinha. Arquivo Pixinguinha / Acervo IMS" width="640" height="360" /><p class="wp-caption-text">Abotoaduras que pertenceram a Pixinguinha/ Arquivo Pixinguinha / Acervo IMS</p></div>
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<p><span style="color: #800000;"><strong>Fontes:</strong></span></p>
<p>ALENCAR, Edigar. <em>O Fabuloso e Harmonioso Pixinguinha</em>. Rio de Janeiro: Editora Cátedra, 1979.</p>
<p>BARBOSA, Maria Ignes Correa da Costa. Gentíssima: 28 entrevistas. Cotia(SP) : Ateliê Editorial, 2007.</p>
<p>BASTOS, Rafael José de Menezes. <em><a href="https://www.scielo.br/j/rbcsoc/a/5yZkQ5DPjBGvjgzSCj77mWH/?format=pdf&amp;lang=pt">Les Batutas, 1922: uma antropologia da noite parisiense</a>. </em>Revista Brasileira de Ciências Sociais &#8211; vol. 20 nº 58 , munho de 2005.</p>
<p>BESSA, Virginia de Almeida. <a href="https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/8/8138/tde-21032007-151952/publico/dissertacao.pdf" target="_blank"><em>&#8220;Um bocadinho de cada coisa&#8221;: trajetória e obra de Pixinguinha</em></a>. Universidade de São Paulo: Departamento de História, 2005.</p>
<p>BIANCHI, Leonor. <a href="https://revistadochoro.com/artigos/nos-somos-batutas/"><em>Nós somos batutas</em></a>. <em>Revista do Choro,</em> 1º de dezembro de 2019.</p>
<p><a href="http://batucadafantastica.blogspot.com/2018/01/j-tomas_30.html" target="_blank">Blog Batucada Fantástica</a></p>
<p><a href="https://www.intrinseca.com.br/blog/2015/10/os-guinle-e-a-musica-brasileira/" target="_blank">Blog Editora Intrínseca</a></p>
<p>BRAGA, Sebastião. <em>O lendário Pixinguinha</em>. Niterói, RJ : Muiraquitã, 1997.</p>
<p>BULCÃO, Clóvis. <em>Os Guinle: a história de uma dinastia</em>. Rio de Janeiro : Intrínseca, 2015.</p>
<p>CABRAL, Sérgio. <em>Pixinguinha &#8211; Vida e Obra</em>. Rio de Janeiro : Lumiar Editora, 1997.</p>
<p>CONY, Carlos Heitor. <a href="https://www1.folha.uol.com.br/fsp/ilustrad/fq0404200335.htm" target="_blank"><em>Pixinguinha, um choro de saudade</em></a>. Folha de São Paulo, 4 de abril de 2003.</p>
<p><a href="https://dicionariompb.com.br/">Dicionário Cravo Albim da Música Popular Brasileira</a></p>
<p>DINIZ, André. <em>Almanaque do Choro. A história do chorinho: o que ouvir, o que ler, onde</em> <em>curtir</em>. Rio de Janeiro : Jorge Zahar, 2003.</p>
<p>DINIZ, André. <em>Pixinguinha: o gênio e o tempo</em>. Rio de Janeiro : Casa da Palavra, 2011.</p>
<p>DUQUE. <a href="http://memoria.bn.br/DocReader/003581/12292" target="_blank"><em>O maxixe em Paris e em Nova York</em></a> in <em>O Cruzeiro,</em> 7 de julho de 1934.</p>
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<p><em>Folha de São Paulo</em>, 15 de maio de 2010.</p>
<p><a href="http://bndigital.bn.br/hemeroteca-digital/">Hemeroteca Digital da Biblioteca Nacional</a></p>
<p>João do Rio, <a class="external text" href="https://pt.wikisource.org/wiki/As_Religi%C3%B5es_no_Rio"><i>As Religiões no Rio</i></a>. Livraria Garnier, 1906.</p>
<p>Jota Efegê. <em>Maxixe &#8211; A Dança Excomungada</em>. Rio de Janeiro : Editora Conquista, 1974.</p>
<p>LACERDA. Isomar. <a href="https://repositorio.ufsc.br/xmlui/bitstream/handle/123456789/95647/289185.pdf?sequence=1&amp;isAllowed=y"><em>Nós somos Batutas</em></a>. Rio de Janeiro : Flor Amorosa Editora, 2019.</p>
<p>MALTA, Pedro Paulo. <a href="https://pixinguinha.com.br/blog/pixinguinha-e-a-musica-dos-estados-unidos/" target="_blank"><em>Pixinguinha e a música dos Estados Unidos</em></a>, 28 de maio de 2021.</p>
<p>MARCONDES, Marcos Antônio (org.). <em>Enciclopédia da música brasileira: popular, erudita e folclórica.</em> São Paulo : Art Editora, 1998.</p>
<p>MARTINS, Luiza Mara Braga. <em>Os Oito Batutas</em>. Rio de Janeiro : UFRJ, 2014.</p>
<p>MOTA, Maria Aparecida Rezende (org.). <em>Série Depoimentos &#8211; Pixinguinha</em>. Rio de Janeiro : UERJ, Departamento Cultural, 1997.</p>
<p>MOURA, Roberto. <em>Tia Ciata e a Pequena África no Rio de Janeiro</em>. Rio de Janeiro : Funarte, 1983.</p>
<p>NARLOCH, Leonardo. <em>Guia politicamente incorreto da história do Brasil, </em>2ª edição. São Paulo : Editora Leya, 2011.</p>
<p>NETO, Lira. <em>Uma História do Samba: Volume 1 ( As origens)</em>. 1.ed. São Paulo: Companhia das Letras, 2017.</p>
<p>PEREIRA, Beatriz da Silva Lopes. <em>Sururu na cidade &#8211; Diálogos Interartes em Mário de Andrade e Pixinguinha. </em>Jundiaí : Paço Editorial, 2016.</p>
<p><a href="file:///C:/Users/Andrea%20Wanderley/Downloads/perfis_parlamentares_gilberto_amado.pdf" target="_blank">Perfis parlamentares &#8211; Gilberto Amado / Câmara dos Deputados</a></p>
<p><a href="https://antigo.funarte.gov.br/funarte/cronista-jota-efege-retrata-o-carnaval-carioca-em-livros-da-funarte/" target="_blank">Portal FUNARTE</a></p>
<p><a href="https://www.bn.gov.br/acontece/noticias/2020/04/pixinguinha-oito-batutas">Portal Fundação Biblioteca Nacional</a></p>
<p><a href="https://gallica.bnf.fr/" target="_blank">Portal Gallica</a></p>
<p><a href="https://pixinguinha.com.br/">Portal Pixinguinha &#8211; IMS</a></p>
<p>RANGEL, Lúcio. <em>Samba, jazz &amp; outras notas</em>; organização, apresentação e notas Sérgio Augusto. Rio de Janeiro ; Agir, 2007.</p>
<p>RANGEL, Lúcio.  <em>Sambistas e chorões</em>. São Paulo : IMS. Reedição, 2014.</p>
<p><a href="https://revistadochoro.com/materia-de-capa/joao-pernambuco-um-batuta-esquecido-2/" target="_blank"><em>Revista do Choro</em></a>.</p>
<p>REZENDE MOTA, Maria Aparecida (coord.) <em>Pixinguinha, MIS, Série Depoimentos</em>. Rio de Janeiro: UERJ, Departamento Cultural, 1997.</p>
<p>SEIGEL, Micol. <em>Uneven Encounters: Making Race and Nation in Brazil and the United States</em>. Estados Unidos ; Duke University Press, 2009.</p>
<p>SILVA, Marilia BARBOSA DA; OLIVEIRA FILHO, Arthur. <em>Filho de Ogum Bexiguento</em>. Rio de Janeiro: Gryphos, 1998.</p>
<p>SIMAS, Luiz Antônio; LOPES, Nei. <i>Dicionário de História Social do Samba. </i>Rio de Janeiro : Civilização Brasileira, 2015.</p>
<p><a href="https://www.tiaciata.org.br/home" target="_blank">Site Casa da Tia Ciata</a></p>
<p><a href="http://daniellathompson.com/Texts/Le_Boeuf/cron.pt.5a.htm" target="_blank">Site Musica Brasiliensis -Crônicas bovinas</a></p>
<p><a href="https://musicabrasilis.org.br/temas/quero-ver-isso-de-maxixe-das-origens-na-cidade-nova-internacionalizacao-do-maxixe" target="_blank">Site Musica Brasilis</a></p>
<p><a href="http://obscurofichario.com.br/fichario/maria-lima-negri/" target="_blank">Site O Obscuro Fichário dos Artistas Mundanos</a></p>
<p><a href="http://www.orquestrapaulista.com.br/paginas/tela_julio.asp">Site Orquestra Paulista</a></p>
<p>TINHORÃO, José Ramos. <em>Pequena história da música popular</em>. São Paulo: Círculo do Livro, [s.d.]</p>
<p>ULHOA, Marta Tupinambá de; AZEVEDO, Claudia; TROTTA, Felipe. <em>Made in Brazil. Studies in Popular Music.</em> New York : Routledge, 2015.</p>
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<p style="text-align: center;"><span style="color: #800000;"><strong>Links para os artigos já publicados da Série<em> 1922 &#8211; Hoje, há 100 anos</em></strong></span></p>
<p style="text-align: left;"><a style="color: #800000;" href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=26620" target="_blank">Série <em>1922</em> &#8211; <em>Hoje, há 100 anos</em> <em>II</em>-<em> A Semana de Arte Moderna</em>, de autoria de Andrea C.T. Wanderley, publicado em 13 de fevereiro de 2022, na Brasiliana Fotográfica</a></p>
<p style="text-align: left;"><span style="color: #800000;"><a style="color: #800000;" href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=26624">Série <em>1922 &#8211; Hoje, há 100 anos III</em> &#8211; <em>A eleição de Artur Bernardes e a derrota de Nilo Peçanha</em>, de autoria de Andrea C.T. Wanderley, publicado em 1º de março de 2022, na Brasiliana Fotográfica</a></span></p>
<p style="text-align: left;"><span style="color: #800000;"><a style="color: #800000;" href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=27434" target="_blank" rel="bookmark">Série <em>1922 &#8211; Hoje, há 100 anos</em> <em>IV</em> – A primeira travessia aérea do Atlântico Sul, realizada pelos aeronautas portugueses Gago Coutinho e Sacadura Cabral, de autoria de Andrea C. T. Wanderley, publicada em 17 de junho de 2022, na Brasiliana Fotográfica</a></span></p>
<p style="text-align: left;"><span style="color: #800000;"><a style="color: #800000;" href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=27715" target="_blank">Série <em>1922 &#8211; Hoje, há 100 anos</em> <em>V</em> – A Revolta do Forte de Copacabana, de autoria de Andrea C. T. Wanderley, publicada em 5 de julho de 2022, na Brasiliana Fotográfica</a></span></p>
<p style="text-align: left;"><a style="color: #800000;" href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=26964" target="_blank">Série <em>1922</em> &#8211; <em>Hoje, há 100 anos VI</em> e série <em>Feministas, graças a Deus XI</em> &#8211; A fundação da Federação Brasileira para o Progresso Feminino, de autoria de Andrea C. T. Wanderley, publicado em 9 de agosto de 2022, na Brasiliana Fotográfica</a></p>
<p style="text-align: left;"><a style="color: #800000;" href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=11397">Série <em>1922 – Hoje, há 100 anos VII</em> &#8211; A morte de Gastão de Orleáns, o conde d´Eu (Neuilly-sur-Seine, 28/04/1842 &#8211; Oceano Atlântico 28/08/1922), de autoria de Andrea C. T. Wanderley, publicado em 28 de agosto de 2022, na Brasiliana Fotográfica.</a></p>
<p style="text-align: left;"><span style="color: #800000;"><a style="color: #800000;" href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=17940" target="_blank">Série <em>1922 &#8211; Hoje, há 100 anos VIII</em> &#8211; A abertura da Exposição Internacional do Centenário da Independência do Brasil e o centenário da primeira grande transmissão pública de rádio no país, de autoria de Andrea C. T. Wanderley, publicado em 7 de setembro de 2022, na Brasiliana Fotográfica.</a></span></p>
<p style="text-align: left;"><a style="color: #800000;" href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=29862" target="_blank">Série <em>1922 &#8211; Hoje, há 100 anos IX</em> – O centenário do Museu Histórico Nacional, de autoria de Maria Isabel Lenzi, historiadora do Musseu Histórico Nacional, publicado em 12 de outubro de 2022, na Brasiliana Fotográfica.</a></p>
<p style="text-align: left;"><a style="color: #800000;" href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=28798" target="_blank">Série <em>1922 &#8211; Hoje, há 100 anos X</em> &#8211;  A morte do escritor Lima Barreto (1881 &#8211; 1922), de autoria de Andrea C. T. Wanderley, publicado em 1º denovembro de 2022, na Brasiliana Fotográfica</a>.</p>
<p style="text-align: left;"><a style="color: #800000;" href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=30702" target="_blank">Série <em>1922 &#8211; Hoje, há 100 anos XI</em> e série <em>Feministas, graças a Deus XII</em> –<strong> </strong>1ª Conferência pelo Progresso Feminino e o “bom” feminismo, de autoria de Maria Elizabeth Brêa Monteiro, antropóloga do Arquivo Nacional, publicado em 19 de dezembro de 2022, na Brasiliana Fotográfica.</a></p>
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		<title>A beleza das baianas na fotografia do século XIX no Brasil</title>
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		<pubDate>Fri, 25 Nov 2016 03:01:23 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Andrea Wanderley]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Análise de documento]]></category>
		<category><![CDATA[Biografia]]></category>
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		<description><![CDATA[A Brasiliana Fotográfica homenageia a beleza das baianas na fotografia do século XIX no Brasil na data da comemoração do Dia Nacional da Baiana de Acarajé, publicando imagens produzidas por Alberto Henschel (1827 - 1882) e por Marc Ferrez (1843 - 1923). Estas fotografias da segunda metade do século XIX, período ainda de vigência do trágico regime de escravidão que marcou e moldou a história de nosso país, nos colocam face a face com mulheres que vivenciaram diretamente a sociedade daquele momento em todas as suas contradições, algumas libertas, outras ainda na condição de escravizadas, todas, entretanto, integrantes da construção deste legado de cultura e de resistência. Os registros revelam sua beleza, dignidade e altivez.]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<div style="width: 349px" class="wp-caption alignleft"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/4491" target="_blank"><img src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/bitstream/handle/20.500.12156.1/4491/SAm21-0063.jpg.jpg?sequence=2&amp;isAllowed=y" alt="Thumbnail" width="339" height="540" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/4491" target="_blank">Alberto Henschel. Duas negras pousando em estúdio, c. 1869. Salvador, Bahia / Convênio Instituto Moreira Salles &#8211; Leibniz-Institut für Länderkunde</a></p></div>
<p>A Brasiliana Fotográfica homenageia a beleza das baianas na fotografia do século XIX no Brasil na data da comemoração do Dia Nacional da Baiana de Acarajé, publicando imagens produzidas por <a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?page_id=1371" target="_blank">Alberto Henschel (1827 &#8211; 1882)</a> e por <a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=1443" target="_blank">Marc Ferrez (1843 &#8211; 1923)</a>. Estas fotografias da segunda metade do século XIX, período ainda de vigência do trágico regime de escravidão que marcou e moldou a história de nosso país, nos colocam face a face com mulheres que vivenciaram diretamente a sociedade daquele momento em todas as suas contradições, algumas libertas, outras ainda na condição de escravizadas, todas, entretanto, integrantes da construção deste legado de cultura e de resistência. Os registros revelam sua beleza, dignidade e altivez.</p>
<p>A baiana, oriunda das ruas de Salvador, tornou-se ao longo da história uma figura emblemática e tradicional da cultura brasileira. Dá nome, inclusive, a uma ala obrigatória das escolas de samba do país. Foi na casa de uma baiana, Hilária Batista de Almeida, a Tia Ciata (1854 &#8211; 1924), no coração da <em>Pequena África</em>, apelido da Praça XI, que o samba nasceu, no Rio de Janeiro. Foi em 27 de novembro de 1916 que o compositor Donga (1889 &#8211; 1974) registrou na Biblioteca Nacional a música &#8220;Pelo telefone&#8221;, considerada o primeiro samba, composta em uma das festas da casa de Tia Ciata.</p>
<p><strong><a style="color: #800000;" href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/visualizar-grupo-trabalho/100" target="_blank">Acessando o link para as fotografias de baianas de autoria de Alberto Henschel e de Marc Ferrez disponíveis na Brasiliana Fotográfica, o leitor poderá magnificar as imagens e verificar todos os dados referentes a elas.</a></strong></p>
<p>O Dia Nacional da Baiana de Acarajé foi instituído pela<a href="http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2010/Lei/L12206.htm" target="_blank"> Lei nº 12.206</a>, de 19 de janeiro de 2010, e é, desde então, comemorado anualmente, no dia 25 de novembro, em todo o país. Anteriormente só era festejado na Bahia. <a href="http://portal.iphan.gov.br/pagina/detalhes/58" target="_blank">O ofício das baianas de acarajé é considerado patrimônio cultural imaterial do Brasil</a>, um reconhecimento oficial e da sociedade à importância da atividade.</p>
<p>&#8220;Este bem cultural de natureza imaterial, inscrito no Livro dos Saberes em 2005, é uma prática tradicional de produção e venda, em tabuleiro, das chamadas comidas de baiana, feitas com azeite de dendê e ligadas ao culto dos orixás, amplamente disseminadas na cidade de Salvador, Bahia. Dentre as comidas de baiana destaca-se o acarajé, bolinho de feijão fradinho preparado de maneira artesanal, na qual o feijão é moído em um pilão de pedra (pedra de acarajé), temperado e posteriormente frito no azeite de dendê fervente. Sua receita tem origens no Golfo do Benim, na África Ocidental, tendo sido trazida para o Brasil com a vinda de escravos dessa região.&#8221;</p>
<p>Alguns dos aspectos abordados quando o <a href="http://portal.iphan.gov.br/bcrE/pages/folBemCulturalRegistradoE.jsf?idBemCultural=z@s1%5Bv8:x3331n%5D8:m20752g0_%5B3y3p600001n%5D8:m209/-jlm!-nop.;0_%5Bd36_@18c5551n%5D8:m208" target="_blank">ofício foi registrado</a> foram a indumentária da baiana, a preparação do tabuleiro e locais onde se instalam e os significados atribuídos pelas baianas ao seu ofício.</p>
<p>&nbsp;</p>
<div style="width: 426px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/4489" target="_blank"><img src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/bitstream/handle/20.500.12156.1/4489/SAm21-0061.jpg.jpg?sequence=2&amp;isAllowed=y" alt="Thumbnail" width="416" height="659" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/4489" target="_blank">Alberto Henschel. Negra da Bahia, c. 1869. Salvador, Bahia / Convênio Instituto Moreira Salles &#8211; Leibniz-Institut für Länderkunde</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<div style="width: 451px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/2570" target="_blank"><img src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/bitstream/handle/20.500.12156.1/2570/007NGBMF1824cx54-05.jpg.jpg?sequence=2&amp;isAllowed=y" alt="Thumbnail" width="441" height="643" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/2570" target="_blank">Marc Ferrez. Negra da Bahia, c. 1885. Salvador, Bahia / Acervo IMS</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>Link para o artigo <a href="https://revistazum.com.br/radar/o-enigma-da-negra-da-bahia/" target="_blank"><em>O enigma da “negra da Bahia”</em></a>, de <span class="author">Hanayrá Negreiros, p</span><span class="date-published">ublicado em 16 de março de 2021, na Revista de Fotografia Zum*</span></p>
<p>*Essa informação foi inserida no artigo em 17 de março de 2021.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Andrea C. T. Wanderley</p>
<p>Editora-assistente e pesquisadora do portal Brasiliana Fotográfica</p>
<p>&nbsp;</p>
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