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	<title>Brasiliana Fotográfica &#187; Doença de Chagas</title>
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		<title>A descoberta da doença de Chagas</title>
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		<pubDate>Fri, 14 Jun 2019 12:53:49 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Andrea Wanderley]]></dc:creator>
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		<description><![CDATA[No último mês de maio, a Organização Mundial da Saúde instituiu o dia 14 de abril como Dia Internacional da Doença de Chagas. É a história de sua descoberta pelo médico e jovem pesquisador do Instituto Oswaldo Cruz, Carlos Chagas, contada por Simone Petraglia Kropf, historiadora e pesquisadora da Casa de Oswaldo Cruz/Fiocruz, uma das instituições parceiras da Brasiliana Fotográfica, que o portal publica hoje. Segundo Simone: "Carlos Chagas expressou de modo exemplar um projeto de ciência e de nação cujos princípios balizam até hoje a Fundação Oswaldo Cruz: a aliança entre excelência acadêmica e compromisso social". ]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: left;">No último mês de maio, a Organização Mundial da Saúde instituiu o dia 14 de abril como Dia Internacional da Doença de Chagas. É a história de sua descoberta pelo médico e jovem pesquisador do Instituto Oswaldo Cruz, Carlos Chagas, contada por Simone Petraglia Kropf, historiadora e pesquisadora da Casa de Oswaldo Cruz/Fiocruz, uma das instituições parceiras da Brasiliana Fotográfica, que o portal publica hoje. Segundo Simone: <em>Carlos Chagas expressou de modo exemplar um projeto de ciência e de nação cujos princípios balizam até hoje a Fundação Oswaldo Cruz: a aliança entre excelência acadêmica e compromisso social.</em></p>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: center;"><em><span style="color: #800000;"><strong>A descoberta da doença de Chagas </strong></span></em></p>
<p style="text-align: center;">Simone Petraglia Kropf *</p>
<p>&nbsp;</p>
<div style="width: 720px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/6545" target="_blank"><img class="" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/bitstream/handle/20.500.12156.1/6545/CC-05-01-015-3.jpg.jpg?sequence=3&amp;isAllowed=y" alt="Thumbnail" width="710" height="433" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/6545" target="_blank">Residência de Carlos Chagas em Lassance, 1908-1919. Lassance, Minas Gerais / Acervo Casa de Oswaldo Cruz</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>Em abril de 1909, os jornais da recém-reformada capital federal anunciavam com orgulho um “grande feito” da ciência brasileira: a descrição, por um mesmo pesquisador, de uma nova doença tropical, do parasito que a causava e do inseto que a transmitia. Na jovem república brasileira, a descoberta foi celebrada como emblema das contribuições inovadoras que o país era capaz de proporcionar à chamada “época de ouro” da medicina tropical européia, marcada por estudos que vinham mudando substancialmente a compreensão das doenças parasitárias transmitidas por vetores.</p>
<p>O autor da “tripla descoberta” era um médico e jovem pesquisador do Instituto Oswaldo Cruz (IOC), criado em 1900 como Instituto Soroterápico Federal para produzir soros e vacinas contra uma epidemia de peste bubônica que ameaçava atingir a cidade do Rio de Janeiro. Sob a liderança de<a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=10762" target="_blank"> Oswaldo Cruz</a> (que havia se notabilizado por comandar as campanhas de saneamento da capital federal no governo de Rodrigues Alves), o também chamado Instituto de Manguinhos vinha ampliando suas atividades de modo a se tornar um centro de excelência na pesquisa e no ensino em microbiologia e medicina tropical.</p>
<p><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/visualizar-grupo-trabalho/178" target="_blank"><strong>Acessando o link para as fotografias relativas a Carlos Chagas e à doença de Chagas disponíveis na Brasiliana Fotográfica, o leitor poderá magnificar as imagens e verificar todos os dados referentes a elas.</strong></a></p>
<p>Carlos Chagas, formado pela Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro em 1903, era um especialista em malária, tema de sua tese de doutoramento (para a conclusão do curso médico) que desenvolveu sob a orientação de Oswaldo Cruz em Manguinhos. O caminho que o levou à descoberta da doença que leva seu nome está diretamente ligado à sua trajetória como pesquisador no campo da medicina tropical. Em junho de 1907, ele foi designado por Oswaldo Cruz, diretor da saúde pública federal, para combater uma epidemia de malária que paralisava as obras de prolongamento da Estrada de Ferro Central do Brasil em Minas Gerais, na região do rio das Velhas, entre Corinto e Pirapora. Aquela era uma obra emblemática do projeto de modernização republicana. Enquanto coordenava a campanha de profilaxia na pequena cidade de Lassance, onde se construía uma estação da ferrovia, Chagas costumava coletar espécies da fauna brasileira, motivado por seu crescente interesse pela entomologia e pela protozoologia. Por intermédio do chefe da comissão de engenheiros, Cornélio Homem Cantarino Mota, tomou conhecimento de um percevejo hematófago muito comum na região, conhecido vulgarmente como <em>barbeiro</em> pelo hábito de picar o rosto de suas vítimas enquanto dormiam. Esses triatomíneos eram abundantes nas casas de pau-a-pique da região típicas da população pobre das áreas rurais.</p>
<p>&nbsp;</p>
<div style="width: 721px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/6549" target="_blank"><img class="" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/bitstream/handle/20.500.12156.1/6549/IOC_V_II_0651.jpg.jpg?sequence=3&amp;isAllowed=y" alt="Thumbnail" width="711" height="526" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/6549" target="_blank">Hospital regional de Lassance, 1908-1920. Lassance, Minas Gerais / Acervo Casa de Oswaldo Cruz</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>Sabendo da importância dos insetos sugadores de sangue como transmissores de doenças parasitárias, Chagas examinou alguns <em>barbeiros</em> e encontrou neles um protozoário. Por não dispor em Lassance de condições experimentais para avançar neste estudo, enviou alguns insetos a Oswaldo Cruz, em Manguinhos. Depois de experiências com saguis criados em laboratório, Chagas concluiu que se tratava de uma nova espécie de tripanossoma, que batizou então de <em>Trypanosoma cruzi</em>, em homenagem ao mestre. As doenças causadas por tripanossomas (como a tripanossomíase africana ou doença do sono) eram temas de grande interesse na medicina tropical européia, impulsionada pelo empreendimento colonialista.</p>
<p>De volta a Lassance, Chagas realizou exames de sangue nos moradores e, no dia 14 de abril de 1909, encontrou o <em>Trypanosoma cruzi</em> no sangue de uma criança febril, chamada Berenice. Em nota enviada ao <em>Brasil Médico</em>, uma das principais revistas médicas do país, anunciou a descoberta, que seria também comunicada mediante publicações em revistas estrangeiras. A imprensa daria destaque ao episódio e o próprio Oswaldo Cruz apresentaria a descoberta na Academia Nacional de Medicina.</p>
<p>&nbsp;</p>
<div style="width: 721px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/6547" target="_blank"><img class="" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/bitstream/handle/20.500.12156.1/6547/FFC%28F%295-4-1.jpg.jpg?sequence=3&amp;isAllowed=y" alt="Thumbnail" width="711" height="398" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/6547" target="_blank">Pessoas infectadas com a doença de Chagas com destaque para a cafua, habitação típica com paredes de barro e cobertura de capim ou palha. Lassance, Minas Gerais / Casa de Oswaldo Cruz</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>Os estudos sobre a nova doença ganharam centralidade na pauta de pesquisa do Instituto Oswaldo Cruz e mobilizaram vários cientistas, sob a condução de Chagas, que passou a assumir posições importantes na instituição, da qual viria a tornar-se diretor em 1917 por ocasião do falecimento de Oswaldo Cruz. Chagas se tornaria igualmente reconhecido pela comunidade científica internacional, recebendo inúmeros prêmios e sendo indicado ao Nobel de medicina em 1913 e 1921.</p>
<p>Além de sua importância para a agenda científica, a doença de Chagas tornou-se, desde o início, um tema de destaque nos debates políticos sobre os problemas e rumos da nação brasileira. Carlos Chagas afirmava que aquela era uma descoberta que descortinava não apenas uma nova enfermidade e um novo problema de saúde pública, mas um Brasil até então desconhecido e abandonado: o Brasil dos <a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=8684" target="_blank">sertões</a>. Segundo ele, o tão propalado “atraso” do país era consequência não do clima tropical ou da composição racial de sua população, como muitos defendiam, mas das doenças endêmicas que assolavam as populações rurais. Nesse sentido, a “nova doença” se fazia um emblema da capacidade da ciência de, ao identificar e estudar tais problemas, indicar os caminhos concretos para superá-los e promover o tão ansiado ingresso do país no “rol das nações civilizadas”.</p>
<p>Chagas se tornou uma liderança do movimento em prol do saneamento rural do Brasil, que, a partir de meados da década de 1910, reuniria médicos, cientistas, intelectuais e políticos em torno da reivindicação de que o Estado ampliasse sua capacidade de implementar políticas e serviços de saúde pública, tendo em vista sobretudo atender as populações das áreas rurais. Tal bandeira seria empunhada por Chagas tanto como diretor do Departamento Nacional de Saúde Pública quanto em sua atuação com professor da cadeira de medicina tropical, no âmbito da qual defendia com veemência a importância do estudo e do enfrentamento das endemias ruais, que chamava de as “doenças do Brasil”.</p>
<p>&nbsp;</p>
<div style="width: 721px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/6544" target="_blank"><img class="" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/bitstream/handle/20.500.12156.1/6544/DSC_9390.jpg.jpg?sequence=3&amp;isAllowed=y" alt="Thumbnail" width="711" height="453" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/6544" target="_blank">Aula no Pavilhão de Doenças Tropicais da Faculdade de Medicina da Universidade do Rio de Janeiro, 1930. Rio de Janeiro, RJ / Acervo Casa de Oswaldo Cruz</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>Como cientista, gestor e professor, Carlos Chagas expressou de modo exemplar um projeto de ciência e de nação cujos princípios balizam até hoje a Fundação Oswaldo Cruz: a aliança entre excelência acadêmica e compromisso social.</p>
<p>Em maio de 2019, a Organização Mundial da Saúde instituiu o dia 14 de abril como Dia Internacional da Doença de Chagas. Ao dar visibilidade e chamar a atenção para a importância das chamadas doenças negligenciadas (e, sobretudo, das pessoas por elas afetadas), esta é uma homenagem que nos leva a refletir sobre a atualização do legado deste cientista, expresso na própria Constituição Federal de 1988: “saúde como direito de todos e dever do Estado”. Ao celebrarmos os 110 anos da descoberta da doença de Chagas, a defesa veemente da ciência, da saúde pública, da educação e da democracia é o que deve nos unir em nome da memória e das lutas dos que construíram esta história.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><span style="color: #800000;"><strong><span style="text-decoration: underline;">Para saber mais:</span></strong></span></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>BENCHIMOL, Jaime L. <em>Manguinhos do sonho à vida: a ciência na Belle Époque.</em> Rio de Janeiro: Casa de Oswaldo Cruz, 1990.</p>
<p>KROPF, Simone P. <em>Carlos Chagas e as doenças do Brasil.</em> In: HOCHMAN, Gilberto; LIMA, Nísia Trindade. Médicos intérpretes do Brasil. São Paulo: Hucitec, 2015, p. 194-222.</p>
<p>KROPF, Simone P. <em>Doença de Chagas, doença do Brasil: ciência, saúde e nação (1909-</em><em>1962).</em> Rio de Janeiro: Editora Fiocruz, 2009.</p>
<p>KROPF, Simone P.; LACERDA, Aline. <em>Carlos Chagas, um cientista do Brasil.</em> Rio de Janeiro: Editora Fiocruz, 2009 (edição bilíngue).</p>
<p>KROPF, Simone P. SÁ, Magali R. <em>The discovery of Trypanosoma cruzi and Chagas disease (1908-1909): tropical medicine in Brazil</em>. <em>História, Ciências, Saúde-Manguinhos</em>, v.16, suplemento, p.13 -34, 2009.</p>
<p>KROPF, Simone P. <em>Carlos Chagas e os debates e controvérsias sobre a doença do Brasil (1909-1923)</em>.<em> </em><em>História, Ciências, Saúde-Manguinhos</em>, v.16, suplemento 1, p.205-227, 2009.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: left;">*Simone Petraglia Kropf é historiadora e pesquisadora da Casa de Oswaldo Cruz e professora do Programa de Pós-graduação em História das Ciências e da Saúde da COC.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: center;"><strong><span style="color: #800000;"><em>Breve cronologia de Carlos Chagas (1878 &#8211; 1934)</em></span></strong></p>
<p style="text-align: center;">Andrea C. T. Wanderley</p>
<p>&nbsp;</p>
<div style="width: 581px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/6548" target="_blank"><img src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/bitstream/handle/20.500.12156.1/6548/FOC%28VPCC-F%292-1.jpg.jpg?sequence=3&amp;isAllowed=y" alt="Thumbnail" width="571" height="700" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/6548" target="_blank">J. Pinto. Carlos Chagas em seu laboratório no Instituto Oswaldo Cruz. Manguinhos, Rio de Janeiro / Acervo Casa de Oswaldo Cruz</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: left;"><span style="color: #800000;"><strong>1878</strong> </span>- Nascimento de Carlos Justiniano Ribeiro Chagas, em 9 de julho, na Fazenda do Bom Retiro, a cerca de 20 quilômetros de Oliveira, cidade mineira. Era filho de José Justiniano Chagas e Mariana Candida Ribeiro de Castro.</p>
<p>&nbsp;</p>
<div style="width: 256px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/6099" target="_blank"><img class="" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/bitstream/handle/20.500.12156.1/6099/CC_VP_01_002_2.jpg.jpg?sequence=3&amp;isAllowed=y" alt="Thumbnail" width="246" height="392" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/6099" target="_blank">José Justiniano Chagas e Mariana Cândida Ribeiro de Castro Chagas, pais de Carlos Chagas, avós de Evandro Chagas. Rio de Janeiro, RJ / Acervo Casa de Oswaldo Cruz</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: left;"><strong><span style="color: #800000;">1883</span> </strong>- Ficou órfão de pai.</p>
<p><strong><span style="color: #800000;">1887</span></strong> &#8211; Foi matriculado no Colégio São Luís, um dos mais importantes estabelecimentos de ensino do Brasil no século XIX, dirigido por jesuítas em Itu, interior de São Paulo.</p>
<p><strong><span style="color: #800000;">1888</span></strong> &#8211; Em maio, informado que escravos recém-libertados estariam depredando fazendas, Carlos Chagas fugiu do colégio e foi ao encontro de sua mãe. A indisciplina causou sua expulsão do São Luís. Foi então transferido para o Ginásio São Francisco, em São João del-Rei, Minas Gerais.</p>
<p><strong><span style="color: #800000;">1895</span> <span style="color: #800000;">/ 1897</span> </strong>- Sua mãe decidiu que ele deveria estudar Engenharia e Chagas ingressou no curso preparatório da Escola de Minas de Ouro Preto. Foi reprovado e voltou para Oliveira. Com a ajuda de seu tio médico, o tio Calito, conseguiu convencer sua mãe, e mudou-se para o Rio de Janeiro para estudar Medicina.</p>
<p style="text-align: left;"><strong><span style="color: #800000;">1897</span></strong> &#8211; Em 13 de abril, ingressou na Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro. Dois professores foram muito importantes durante sua formação acadêmica: Miguel Couto (1865-1934), de quem se tornou amigo pessoal; e Francisco Fajardo (1864-1906), pioneiro da microbiologia no Brasil, em cujo laboratório, na Santa Casa de Misericórdia, Chagas iniciou-se nas pesquisas sobre a malária.</p>
<p style="text-align: left;"><strong><span style="color: #800000;">1901</span></strong> &#8211; Íris Lobo (1882 &#8211; 1950), futura esposa de Carlos Chagas, foi uma das portadoras de listas para arrecadação de fundos para a celebração de uma missa &#8211; iniciativa dos alunos da Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro &#8211;  em memória das vítimas de um episódio de violência policial na cidade durante manifestação popular contra o aumento de preço de passagens de bondes (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/030015_02/2549" target="_blank"><em>Jornal do Brasil</em>, 20 de junho de 1901, quinta coluna;</a> e <a href="http://memoria.bn.br/DocReader/030015_02/2554" target="_blank"><em>Jornal do Brasil</em>, 21 de junho de 1901, primeira coluna</a>).</p>
<p style="text-align: left;">Chagas foi um dos estudantes de Medicina que se envolveu na campanha de obtenção de recursos para a construção de uma estátua em homenagem ao recém-falecido médico baiano Francisco de Castro (1857 &#8211; 1901) (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/178691_03/3298" target="_blank"><em>O Paiz</em>, 22 de outubro, quarta coluna</a>).</p>
<p style="text-align: left;"><strong><span style="color: #800000;">1902</span></strong> &#8211; Para elaborar sua tese de doutoramento, indispensável para a conclusão do curso médico, passou a frequentar a Instituto Soroterápico Federal &#8211; também conhecido como Instituto de Manguinhos -, sob a orientação de seu diretor, o médico <a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=10762" target="_blank">Oswaldo Cruz (1872 &#8211; 1917)</a>.</p>
<p style="text-align: left;">Como presidente do Grêmio dos Internos dos Hospitais do Rio de Janeiro fez a apresentação da primeira revista da associação (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/DocReader.aspx?bib=081272&amp;pesq=carlos%20chagas&amp;pasta=ano%20190" target="_blank"><em>Brazil-Medico</em>, 1º de agosto de 1902</a> e <a href="http://memoria.bn.br/DocReader/178691_03/4877" target="_blank"><em>O Paiz</em>, 12 de setembro de 1902, penúltima coluna</a>).</p>
<p style="text-align: left;">Com <em>frases entusiásticas</em>, Carlos Chagas fez uma apologia aos méritos do professor e médico alemão Rudolf Virchow (1821 -1902), recém-falecido, durante uma sessão solene promovida pelo Grêmio dos Internos dos Hospitais do Rio de Janeiro, na biblioteca do Hospital de Misericórdia (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/081272/9383" target="_blank"><em>Brazil-Medico</em>, 1º de setembro de 1902</a>).</p>
<p style="text-align: left;">Era um dos doutorandos de 1902 da Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro. Uma curiosidade: havia apenas uma mulher entre os doutorandos, Evarista de Sá Peixoto (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/116300/403" target="_blank"><em>O Malho</em>, 10 de janeiro de 1903</a>).</p>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_15179" style="width: 608px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://memoria.bn.br/DocReader/116300/403" target="_blank"><img class="wp-image-15179 size-full" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2019/06/retrato.jpg" alt="retrato" width="598" height="833" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="http://memoria.bn.br/DocReader/116300/403" target="_blank"><em>O Malho</em>, 10 de janeiro de 1903</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: left;"><span style="color: #800000;"><strong>1903</strong> </span>- Defendeu, em 12 de maio, a tese <em>Estudos hematológicos no impaludismo.</em> Foi aprovado e, dois dias depois, colou grau de doutor em Medicina na Faculdade do Rio de Janeiro.</p>
<p style="text-align: left;">Oswaldo Cruz o convidou para trabalhar em Manguinhos, mas por sentir-se atraído pela prática da clínica médica, Chagas recusou o convite.</p>
<p style="text-align: left;"><strong><span style="color: #800000;">1904</span> </strong>- Em crítica publicada sobre a tese <em>Estudos hematológicos no impaludismo,</em> considerada<em> brilhante, </em>Chagas foi referido como<em> um cientista a que o futuro não negará as glórias a que vem fazendo direito</em> (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/081272/10023" target="_blank"><em>Brazil-Medico</em>, 1º de janeiro de 1904</a>).</p>
<p style="text-align: left;">Em março, foi nomeado médico da Diretoria Geral de Saúde Pública e foi trabalhar no Hospital de Jurujuba, em Niterói (RJ), onde pacientes com suspeita de peste bubônica que chegavam em navios eram colocados em quarentena e sob cuidados médicos (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/313394/26665" target="_blank"><em>Almanak Laemmert</em>, 1905</a>).</p>
<p style="text-align: left;">Trabalhava no Instituto Soroterápico Federal com Antônio Cardoso Fontes (1879 &#8211; 1943), Ezequiel Dias (1880 &#8211; 1922), Henrique de Figueiredo Vasconcellos (1873 &#8211; 1948) e Henrique da Rocha Lima (1879 &#8211; 1956) (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/313394/26674" target="_blank"><em>Almanak Laemmert</em>, 1905</a>).</p>
<p style="text-align: left;">Seu nome constava na lista de médicos do Hospital São Sebastião, dirigido por Carlos Pinto Seidl e localizado na Praia do Retiro Saudoso, nº 27, Ponta do Caju (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/313394/26729" target="_blank"><em>Almanak Lammert</em> de 1905</a>).</p>
<address style="text-align: left;">Instalação de seu consultório particular na rua da Assembléia, no centro do Rio de Janeiro.</address>
<p style="text-align: left;">Casou-se com Íris Lobo (1882 &#8211; 1950 ), filha do senador mineiro e presidente do Banco de Crédito Real de Minas, Fernando Lobo Leite Pereira (1851-1918), que conheceu por intermédio de seu antigo professor e amigo Miguel Couto que, assim como seu grande amigo, o médico Luiz Almada Horta, foi seu padrinho de casamento (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/258822/18828" target="_blank"><em>O Pharol</em>, 23 de julho de 1904, quarta coluna</a>).</p>
<p>&nbsp;</p>
<div style="width: 720px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/6097" target="_blank"><img class="" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/bitstream/handle/20.500.12156.1/6097/CC_VP_01_002_6.jpg.jpg?sequence=3&amp;isAllowed=y" alt="Thumbnail" width="710" height="547" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/6097" target="_blank">Iris Lobo Chagas com os filhos Evandro Chagas e Carlos Chagas Filho, 1914 / Acervo Casa de Oswaldo Cruz</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: left;"><strong><span style="color: #800000;">1905 </span></strong>- Em 10 de agosto, nascimento do primeiro filho de Chagas e Íris, o futuro cientista e médico Evandro Chagas (1905 &#8211; 1940). Na edição de 7 de outubro da revista <em>O Malho</em>, foi publicado o poema <em><a href="http://memoria.bn.br/DocReader/116300/5712" target="_blank">Mãe</a> </em>que<em> </em>Violeta Carneiro de Melo dedicou a Íris.</p>
<p style="text-align: left;">A Companhia Docas de Santos solicitou a Oswaldo Cruz, diretor geral de Saúde Pública, providências para combater uma epidemia de malária entre os trabalhadores que construíam uma hidrelétrica em Itatinga, São Paulo. Carlos Chagas foi comissionado para coordenar a campanha.</p>
<p style="text-align: left;"><strong><span style="color: #800000;">1906</span> -</strong> Viajou para Juiz de Fora, em Minas Gerais, com o médico Alcides Godoy (1880 &#8211; 1950) e com outros para executar os testes finais da <a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=10646" target="_blank">vacina da manqueira</a>.</p>
<p style="text-align: left;"><strong><span style="color: #800000;">1907 </span></strong>- Ele e o sanitarista e médico baiano Arthur Neiva (1880 &#8211; 1943) foram enviados por Oswaldo Cruz a Xerém, na Baixada Fluminense, para combater uma epidemia de malária (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/178691_03/14013" target="_blank"><em>O Paiz</em>, 14 de maio de 1907, terceira coluna;</a> <a href="http://memoria.bn.br/DocReader/178691_03/16513" target="_blank"><em>O Paiz</em>, 1º de julho de 1908</a>).</p>
<p style="text-align: left;"><em>O primeiro busto oficial de Pasteur, há bem pouco chegado ao Brasil, é hoje propriedade do dr. Carlos Chagas, ilustrado e esperançoso bacteriologista da diretoria de saúde, por delicada e significativa oferta eminente e operosíssimo dr Sampaio Correia, atual inspetor geral de Obras Públicas&#8230;gratidão que traduz pelos inestimáveis serviços prestados por Carlos Chagas</em> (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/178691_03/14312" target="_blank"><em>O Paiz</em>, 17 de junho de 1907. segunda coluna</a>).</p>
<p style="text-align: left;">Carlos Chagas estava presente à inauguração do Instituto Soroterápico de Belo Horizonte, filial de Manguinhos, sob a direção de Ezequiel Dias (1880 &#8211; 1922), seu colega de turma na Faculdade de Medicina (1880 &#8211; 1922) (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/178691_03/14739" target="_blank"><em>O Paiz</em>, 4 de agosto de 1907, segunda coluna)</a>.</p>
<p style="text-align: left;"><strong><span style="color: #800000;">1907/1908</span></strong> &#8211; Em 6 de junho de 1907, Chagas partiu para o norte de Minas Gerais, em uma terceira campanha contra a malária com o médico <a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=12777" target="_blank">Belisário Penna (1868-1939)</a>, também da Diretoria Geral de Saúde Pública, para combater uma epidemia de malária que paralisava as obras de prolongamento da Estrada de Ferro Central do Brasil em Minas Gerais, na região do rio das Velhas, entre Corinto e Pirapora (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/178691_03/14220" target="_blank"><em>O Paiz</em>, 7 de junho de 1907, quinta coluna</a>).</p>
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<div style="width: 721px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/5740" target="_blank"><img class="" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/bitstream/handle/20.500.12156.1/5740/FFC%28F%297-2.jpg.jpg?sequence=3&amp;isAllowed=y" alt="Thumbnail" width="711" height="535" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/5740" target="_blank">Carlos Chagas e Belisário Penna em Lassance, 1908. Lassance, Minas Gerais / Acervo Casa de Oswaldo Cruz</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: left;">Aquela era uma obra emblemática do projeto de modernização republicana. Chagas costumava coletar espécies da fauna brasileira e, pelo chefe da comissão de engenheiros, Cornélio Homem Cantarino Mota, tomou conhecimento de um percevejo hematófago muito comum na região, conhecido como barbeiro pelo hábito de picar o rosto de suas vítimas enquanto dormiam. Esses percevejos eram muito comuns nas casas de pau-a-pique da região &#8211; habitações típicas da população pobre das áreas rurais. Chagas examinou alguns barbeiros e encontrou neles um protozoário. Por não dispor em Lassance de condições experimentais para avançar neste estudo, enviou alguns insetos a Oswaldo Cruz, em Manguinhos. Depois de experiências com saguis criados em laboratório, Chagas concluiu que se tratava de uma nova espécie de tripanossoma, que batizou então de <em>Trypanosoma cruzi,</em> em homenagem ao mestre.</p>
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<div style="width: 720px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/6218" target="_blank"><img class="" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/bitstream/handle/20.500.12156.1/6218/BR-RJ-COC-02-10-20-20-007-V01-001.jpg.jpg?sequence=3&amp;isAllowed=y" alt="Thumbnail" width="710" height="498" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/6218" target="_blank">Carlos Chagas atendendo a menina Rita. Ao fundo, vagão que servia de alojamento e laboratório na Estrada de Ferro Central do Brasil, 1908. Lassance, Minas Gerais / Acervo Casa de Oswaldo Cruz</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: left;"><strong><span style="color: #800000;">1908</span> </strong>- Nomeação de Carlos Chagas como pesquisador assistente do Instituto Oswaldo Cruz, em 20 de março. Eram também assistentes Alcides Godoy  (1880 &#8211; 1950), Antônio Cardoso Fontes (1879 &#8211; 1943), Arthur Neiva (1880 &#8211; 1943), Ezequiel Dias (1880 &#8211; 1922) e Henrique Aragão (1879 &#8211; 1956). Os chefes de serviço eram Henrique de Figueiredo Vasconcellos (1873 &#8211; 1948) e Henrique da Rocha Lima (1879 &#8211; 1956) (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/313394/37699" target="_blank"><em>Almanak Laemmert</em>, 1909</a>).</p>
<p style="text-align: left;">Em 17 de dezembro, redigiu a nota-prévia anunciando a descoberta do <em>Trypanosoma cruzi</em>, publicada na revista alemã <em>Archiv für Schiffs-und Tropen-Hygiene,</em> em 1909.</p>
<p><strong><span style="color: #800000;">1909</span></strong> &#8211; De volta a Lassance, Chagas realizou exames de sangue nos moradores e, no dia 14 de abril de 1909, encontrou o<em> Trypanosoma cruzi</em> no sangue de uma criança febril, chamada Berenice. Anunciou a descoberta em nota publicada em uma das principais revistas médicas do Brasil, o <em>Brazil-Medico, </em>de 22 de abril de 1909 (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/178691_03/19621" target="_blank"><em>O Paiz</em>, 22 de maio de 1909, segunda coluna</a>).</p>
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<div id="attachment_15139" style="width: 680px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://www.bvschagas.coc.fiocruz.br/cgi-bin/wxis.exe/iah/chagas-pi/?IsisScript=iah.xis&amp;lang=pt&amp;base=BVChagas-PI&amp;exprSearch=133&amp;indexSearch=ID&amp;nextAction=lnk" target="_blank"><img class="wp-image-15139 size-full" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2019/06/brazilmedico.jpg" alt="brazilmedico" width="670" height="854" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="http://www.bvschagas.coc.fiocruz.br/cgi-bin/wxis.exe/iah/chagas-pi/?IsisScript=iah.xis&amp;lang=pt&amp;base=BVChagas-PI&amp;exprSearch=133&amp;indexSearch=ID&amp;nextAction=lnk" target="_blank">Biblioteca Virtual Carlos Chagas</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p align="justify">Em 22 de abril, Oswaldo Cruz anunciou formalmente à Academia Nacional de Medicina a descoberta por Carlos Chagas da doença de Chagas. Estavam presentes à sessão, <em>concorridísima</em>, o marechal Hermes da Fonseca (1855 &#8211; 1923), futuro presidente do Brasil; e os generais Luiz Mendes de Morais (1850 &#8211; 1914) e Antônio Geraldo de Souza Aguiar (? &#8211; 1915) (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/178691_03/19343" target="_blank"><em>O Paiz</em>, 23 de abril de 1908, quarta coluna;</a> e <a href="http://memoria.bn.br/DocReader/178691_03/19442" target="_blank"><em>O Paiz,</em> 3 de maio de 1909</a>).</p>
<p align="justify">Na <em>Revista Syniatica</em>, publicação de um artigo de Carlos Chagas sobre sua descoberta do <em>Trypanosoma cruzi </em>(<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/178691_03/19656" target="_blank"><em>O Paiz</em>, 26 de maio de 1909, última coluna</a>).</p>
<p align="justify">Tornou-se membro da Sociedade de Medicina da Bahia e da Sociedade de Medicina e Cirurgia do Rio de Janeiro.</p>
<p align="justify"><strong><span style="color: #800000;">1910 </span></strong>- Em 1º de junho, foi nomeado chefe de serviço do Instituto Oswaldo Cruz.</p>
<p align="justify">Em 12 de setembro, nascimento do segundo filho de Chagas e Íris, o futuro médico, cientista e membro da Academia Brasileira de Letras, Carlos Chagas Filho (1910 &#8211; 2000).</p>
<p align="justify">Foi nomeado membro titular da Academia Brasileira de Medicina (ABM), em 26 de outubro, quando fez uma conferência sobre o <em>Trypanosoma cruzi</em>. Como não havia vagas na época, sua admissão foi aceita em caráter de excepcionalidade (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/178691_04/4102" target="_blank"><em>O Paiz</em>, 27 de outubro de 1910, terceira coluna</a>; e <a href="http://memoria.bn.br/DocReader/178691_04/4159" target="_blank"><em>O Paiz</em>, 31 de outubro de 1910, quarta coluna</a>). É o patrono da cadeira nº 86 e foi saudado por Miguel da Silva Perreira (1897 &#8211; 1918), na ocasião, presidente da ABM.</p>
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<div id="attachment_15203" style="width: 609px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://www.bvschagas.coc.fiocruz.br/cgi-bin/wxis.exe/iah/chagas-mm/?IsisScript=iah.xis&amp;lang=pt&amp;base=BVChagas-MM&amp;exprSearch=657&amp;indexSearch=ID&amp;nextAction=lnk" target="_blank"><img class="wp-image-15203" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2019/06/diploma.jpg" alt="diploma" width="599" height="395" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="http://www.bvschagas.coc.fiocruz.br/cgi-bin/wxis.exe/iah/chagas-mm/?IsisScript=iah.xis&amp;lang=pt&amp;base=BVChagas-MM&amp;exprSearch=657&amp;indexSearch=ID&amp;nextAction=lnk" target="_blank">Biblioteca Virtual Carlos Chagas</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p align="justify"><strong><span style="color: #800000;">1911</span></strong> &#8211; A Doença de Chagas despertou grande interesse durante a Exposição Internacional de Higiene e Demografia, em Dresden, na Alemanha. O filme <em>Chagas em Lassance</em>, de 9 minutos,<em> </em>foi exibido por Oswaldo Cruz durante o evento. O pavilhão do Brasil, único país das Américas a construir um estande próprio no evento, foi inaugurado em 15 de junho (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/178691_04/7182"><em>O Paiz</em>, 16 de junho de 1911, quinta coluna</a>). Segundo o historiador Eduardo Thielen, que escreveu a dissertação <em>Imagens da saúde no Brasil – A fotografia na institucionalização da saúde pública,</em> o fotógrafo <a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=10616" target="_blank">Joaquim Pinto da Silva, conhecido como J. Pinto (1884 &#8211; 1951) </a>teria sido possivelmente o autor do primeiro filme científico feito no Brasil, justamente <em>Chagas em Lassance</em> (<a href="https://agencia.fiocruz.br/legado-de-fot%C3%B3grafo-ajuda-a-preservar-a-hist%C3%B3ria-da-funda%C3%A7%C3%A3o"><em>Agência Fiocruz</em>, 15 de agosto de 2008</a>). J. Pinto produziu um expressivo número de fotografias do acervo da <a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?page_id=10026">Fundação Oswaldo Cruz </a>: milhares de imagens, documentando os trabalhos científicos, os primeiros prédios e as transformações urbanas da região onde seria construído o centro de pesquisa, ensino e produção de medicamentos.</p>
<p align="justify">Na Academia Brasileira de Medicina, realização de uma palestra de Chagas sobre a doença de Chagas (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/224782/6033"><em>O Século</em>, 5 de agosto de 1911, segunda coluna</a>; e<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/116300/19473" target="_blank"><em> O Malho</em>, 12 de agosto de 1911</a>).</p>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_15181" style="width: 778px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://memoria.bn.br/docreader/116300/19473" target="_blank"><img class="wp-image-15181 size-large" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2019/06/molestia-1024x787.jpg" alt="molestia" width="768" height="590" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="http://memoria.bn.br/docreader/116300/19473" target="_blank"><em>O Malho,</em> 12 de agosto de 1911</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p align="justify">Na mesma edição de <em>O Malho</em> em que foi publicada a foto acima, a revista fez uma sátira aos políticos usando a descoberta de Chagas (<a href="http://memoria.bn.br/docreader/116300/19484" target="_blank"><em>O Malho</em>, 12 de agosto de 1911</a>).</p>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_15182" style="width: 634px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://memoria.bn.br/docreader/116300/19484" target="_blank"><img class="wp-image-15182 size-full" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2019/06/blague.jpg" alt="blague" width="624" height="845" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="http://memoria.bn.br/docreader/116300/19484" target="_blank"><em>O Malho</em>, 12 de agosto de 1911</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p align="justify">Publicação de um retrato do cientista Carlos Chagas (1878 &#8211; 1934), produzido na Photographia Guimarães, do fotógrafo português <a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=9996" target="_blank">José Ferreira Guimarães (1841 &#8211; 1924)</a> (<a href="http://memoria.bn.br/docreader/348970_01/76" target="_blank"><em>A Noite</em>, 8 de agosto de 1911</a>).</p>
<p align="justify"><strong><span style="color: #800000;">1912</span></strong> &#8211; Recebeu o <i>Prêmio Schaudinn</i>, pelo Instituto de Doenças Marítimas e Tropicais de Hamburgo, na Alemanha (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/224782/7075" target="_blank"><em>O Século</em>, 29 de junho de 1912, quarta coluna</a>).</p>
<p align="justify"><strong><span style="color: #800000;">1912 / 1913 </span></strong>-  Carlos Chagas, Pacheco Leão (1872 &#8211; 1931) e João Pedro de Albuquerque (1874 – 1934) realizaram uma expedição para avaliar as condições sanitárias e de vida dos principais centros de produção da borracha através dos rios Solimões, Juruá, Purus, Acre, Iaco, Negro e o baixo rio Branco, em expedição requisitada pela Superintendência da Defesa da Borracha. Em relatório ao Ministério da Agricultura, Indústria e Comércio, foi ressaltada a situação de abandono médico e social em que viviam as populações amazônicas e enfatizada a necessidade de medidas sanitárias para a viabilização do desenvolvimento econômico da região (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/178691_04/16707" target="_blank"><em>O Paiz</em>, 5 de maio de 1913, última coluna</a>).</p>
<p>&nbsp;</p>
<div style="width: 720px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/5096" target="_blank"><img class="" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/bitstream/handle/20.500.12156.1/5096/IOC_V_II_0330.jpg.jpg?sequence=3&amp;isAllowed=y" alt="Thumbnail" width="710" height="505" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/5096" target="_blank"> Expedição do Instituto Oswaldo Cruz ao Amazonas e Acre: Carlos Chagas e Pacheco Leão na Amazônia, 1913. São Gabriel da Cachoeira, Rio Negro,  Amazonas / Acervo Casa de Oswaldo Cruz</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p align="justify"><span style="color: #800000;"><strong>1913</strong> </span>- Carlos Chagas foi, pela primeira vez, indicado ao Nobel de Medicina. O vencedor foi o francês Charles Robert Richet (1850 &#8211; 1935), que descreveu a anafilaxia. A indicação foi feita pelo médico baiano Manuel Augusto Pirajá da Silva (1873 &#8211; 1961), professor de parasitologia na Faculdade de Medicina da Universidade da Bahia e responsável por ter identificado, em 1908, o verme adulto do <i>Schistosoma mansoni.</i></p>
<p align="justify">No <a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=6248" target="_blank">Palácio Monroe</a>, durante a Exposição Nacional da Borracha, Carlos Chagas fez uma conferência sobre as condições médico-sanitárias na Amazônia (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/178691_04/19423" target="_blank"><em>O Paiz</em>, 13 de outubro de 1913</a> e <a href="http://memoria.bn.br/DocReader/178691_04/19622" target="_blank"><em>O Paiz</em>, 25 de outubro de 1913</a>).</p>
<p align="justify">O governador de Minas Gerais, Júlio Bueno Brandão (1858 &#8211; 1931), e sua comitiva visitaram o Hospital de Lassance para conhecer os estudos do mal de Chagas e foram recebido por Carlos Chagas e seus auxiliares (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/178691_04/19888" target="_blank"><em>O Paiz</em>, 10 de novembro de 1913, segunda coluna</a>).</p>
<p align="justify"><span style="color: #800000;"><strong>1915</strong></span> &#8211; Publicação no periódico <em>La Prensa Médica Argentina</em> de um trabalho do microbiologista austríaco e diretor do Instituto Bacteriológico de Buenos Aires, Rudolf Kraus (1868-1932), de Carlos F. Maggio e de Francisco Rosenbusch (1887 &#8211; 1969) questionando os enunciados de Chagas sobre a correlação entre o bócio e a doença de Chagas.</p>
<p align="justify"><span style="color: #993300;"><strong>1916</strong></span> &#8211; Carlos Chagas participou do  Primeiro Congresso Médico Argentino, realizado em Buenos Aires, inaugurado em 17 de  setembro e encerrado em 24 de setembro (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/720100/12132" target="_blank"><em>A Época</em>, 11 de setembro de 1916, terceira coluna;</a> <a href="http://memoria.bn.br/DocReader/720100/12190" target="_blank"><em>A Época</em>, 18 de setembro de 1916, quinta coluna</a>; e <a href="http://memoria.bn.br/DocReader/178691_04/33022" target="_blank"><em>O Paiz</em>, 25 de setembro de 1916, segunda coluna</a>). Poucos dias antes da abertura do congresso, esteve no Instituto Bacteriológico de Buenos Aires, onde foi recebido por Rudolf Kraus (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/178691_04/32918" target="_blank"><em>O Paiz</em>, 13 de setembro de 1916, última coluna</a>). Esteve presente também à inauguração da Sociedade de Higiene, Microbiologia e Patologia, no Instituto Bacteriológico de Buenos Aires (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/178691_04/32981" target="_blank"><em>O Paiz</em>, 20 de setembro de 1916, última coluna</a>). Na Universidade de Medicina de Buenos Aires, Chagas fez uma conferência sobre a doença de Chagas (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/178691_04/32987" target="_blank"><em>O Paiz</em>, 21 de setembro de 1916, quarta coluna</a>).</p>
<p>Tornou-se membro da Sociedade Brasileira de Ciências, posteriormente denominada Academia Brasileira de Ciências.</p>
<p align="justify"><span style="color: #800000;"><strong>1917</strong> </span>- Com o falecimento de Oswaldo Cruz (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/178691_04/34224" target="_blank"><em>O Paiz</em>, 13 de fevereiro de 1917</a>), Chagas foi nomeado diretor de Manguinhos, em 14 de fevereiro (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/178691_04/34238" target="_blank"><em>O Paiz,</em> 15 de fevereiro de 1917, quinta coluna</a>). <em>No campo da pesquisa, sua administração privilegiou a investigação das causas e dos aspectos epidemiológicos e clínicos das endemias rurais. Foi responsável também pela criação de seções científicas, definidas por áreas de conhecimento, com as quais pretendia estabelecer uma divisão de trabalho mais nítida no Instituto. Na área de ensino, ampliou o programa dos Cursos de Aplicação do Instituto. Quanto à área de produção, Chagas diversificou a pauta de medicamentos e produtos biológicos fabricados em Manguinhos – alguns desenvolvidos pelos próprios pesquisadores – e estimulou a sua comercialização, fortalecendo a renda da instituição. A partir de 1920, o Instituto assumiu também a responsabilidade pelo controle da qualidade dos produtos utilizados na medicina humana no país, nacionais ou importados.</em></p>
<p align="justify"><strong><span style="color: #800000;">1918</span></strong> &#8211; Em Manguinhos, organizou o Serviço de Medicamentos Oficiais, criado por decreto federal com o objetivo de produzir e fornecer, gratuitamente ou a preços subsidiados, a quinina (profilático e terapêutico para a malária) e outros medicamentos.</p>
<p align="justify">Inaugurou, em outubro, o <a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=13276" target="_blank">Hospital Oswaldo Cruz</a>, nas dependências do Instituto Oswaldo Cruz,  destinado à internação de portadores de doenças infecciosas e também à pesquisa clínica sobre tais enfermidades (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/348970_01/13363" target="_blank"><em>A Noite</em>, 15 de agosto de 1918, quarta coluna</a>; <a href="http://memoria.bn.br/DocReader/030015_03/43146" target="_blank"><em>Jornal do Brasil</em>, 9 de outubro de 1918, última coluna</a>; e <a href="http://memoria.bn.br/DocReader/103730_04/46424" target="_blank"><em>Gazeta de Notícias</em>, 28 de março de 1919</a>). Em 1942, passaria a ser chamado de Hospital Evandro Chagas (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/093718_02/12121" target="_blank"><em>Diário de Notícias</em>, 13 de novembro de 1942, quinta coluna</a>).</p>
<p align="justify">Foi o responsável pela coordenação dos serviços de atendimento hospitalar e de socorro domiciliar durante a epidemia de gripe espanhola no Rio de Janeiro. Ele e o médico Fernando de Magalhães (1878 &#8211; 1944) recusaram qualquer tipo de remuneração pelo trabalho realizado (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/178691_04/40717" target="_blank"><em>O Paiz</em>, 20 de outubro de 1918, quinta coluna</a>, <a href="http://memoria.bn.br/DocReader/178691_04/40733" target="_blank"><em>O Paiz</em>, 22 de outubro de 1918, última coluna</a>; <a href="http://memoria.bn.br/DocReader/178691_04/40741" target="_blank"><em>O Paiz</em>, 23 de outubro</a>; <a href="http://memoria.bn.br/DocReader/178691_04/40939" target="_blank"><em>O Paiz</em>, 15 de novembro de 1918, primeira coluna</a>; <a href="http://memoria.bn.br/DocReader/178691_04/40955" target="_blank"><em>O Paiz</em>, 17 de novembro de 1918, terceira coluna</a>).</p>
<p align="justify"><strong><span style="color: #800000;">1919</span></strong> &#8211; Em 4 de outubro, tomou posse, tendo sido nomeado pelo presidente Epitácio Pessoa (1865 &#8211; 1942), na Diretoria Geral de Saúde Pública, que passou a chamar-se, em janeiro do ano seguinte, Departamento Nacional de Saúde Pública. Durante sua gestão, até 1926, o novo órgão foi responsável, mediante convênio com os estados, pela ampliação e criação de serviços de saúde no interior do país, com especial foco na profilaxia e no combate às endemias rurais. Implementou também medidas relativas à higiene pública criando um extenso Código Sanitário, responsável pela organização e modernização da legislação sanitária no Brasil (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/178691_04/44520" target="_blank"><em>O Paiz</em>, 5 de outubro de 1919, primeira coluna</a>).</p>
<p align="justify">Alguns médicos brasileiros questionaram a definição clínica da doença de Chagas e, sobretudo, a importância social da tripanossomíase americana.</p>
<p align="justify">Carlos Chagas tornou-se membro da Sociedade Americana de Medicina Tropical.</p>
<p align="justify"><strong><span style="color: #800000;">1920</span> </strong>- Tornou-se Membro do Conselho Médico da Liga das Sociedades da Cruz Vermelha e Cavaleiro da Ordem da Coroa da Itália.</p>
<p>Carlos Chagas e seus assistentes receberam os reis da Bélgica, <a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=5950" target="_blank">Alberto I (1875 &#8211; 1934) e Elizabeth (1876 &#8211; 1965)</a>, e o presidente Epitácio Pessoa (1865 &#8211; 1942), no Instituto Oswaldo Cruz (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/178691_05/3237"><em>O Paiz</em>, 26 de setembro de 1920</a>).</p>
<p>&nbsp;</p>
<div style="width: 720px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/6551" target="_blank"><img class="" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/bitstream/handle/20.500.12156.1/6551/FFC%28F%2910-12.jpg.jpg?sequence=3&amp;isAllowed=y" alt="Thumbnail" width="710" height="689" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/6551" target="_blank">Carlos Chagas recepciona a rainha Elizabeth da Bélgica, 1920. Manguinhos, Rio de Janeiro / Acervo Casa de Oswaldo Cruz</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p align="justify"><strong><span style="color: #800000;">1921</span> </strong>- Na Biblioteca Nacional, Chagas proferiu a conferência sobre <em>A nova orientação dos serviços sanitários no Brasil</em> (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/364568_11/679" target="_blank"><em>Jornal do Commercio</em>, 5 de fevereiro de 1921, sexta coluna</a>).</p>
<p align="justify">Em 23 de junho, tornou-se o primeiro brasileiro nomeado Doutor Honoris Causa, da Universidade de Harvard, nos Estados Unidos.</p>
<p align="justify">Nesse ano não houve vencedor na categoria Medicina do Prêmio Nobel. Chagas havia sido indicado à láurea por Hilário de Gouvêia (1843-1923), professor de oftalmologia e otorrinolaringologia na Faculdade de Medicina da Universidade do Brasil, atual Universidade Federal do Rio de Janeiro.</p>
<p align="justify"><span style="color: #800000;"><strong>1922</strong></span> &#8211; Tornou-se Doutor Honoris Causa da Universidade Nacional de Buenos Aires.</p>
<p align="justify">Teve início, na Academia Nacional de Medicina uma acirrada polêmica em torno da definição clínica da doença de Chagas e, sobretudo, da importância social da tripanossomíase americana Os críticos de Chagas, liderados por Julio Afrânio Peixoto (1876-1947), catedrático de higiene da Faculdade de Medicina da Universidade do Rio de Janeiro, afirmavam que a doença não seria um flagelo nacional já que, segundo eles, sua ocorrência era restrita à região de Lassance. Também questionaram a patogenicidade do <em>Trypanosoma cruzi</em> e a autoria de sua descoberta, que, segundo alguns, caberia não a Chagas mas a Oswaldo Cruz (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/178691_05/11775" target="_blank"><em>O Paiz</em>, 21 de dezembro de 1922, primeira coluna</a>).</p>
<p align="justify"><strong><span style="color: #800000;">1923</span></strong> &#8211; Tornou-se presidente da Sociedade Brasileira de Higiene, fundada no ano anterior (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/110523_02/47928" target="_blank"><em>O Jornal</em>, 29 de setembro de 1921, quinta coluna</a>; <a href="http://memoria.bn.br/DocReader/110523_02/11186" target="_blank"><em>O Jornal</em>, 22 de dezembro de 1922, quarta coluna</a>; e <a href="http://memoria.bn.br/DocReader/110523_02/11318" target="_blank"><em>O Jornal</em>, 11 de janeiro de 1923, segunda coluna</a>).</p>
<p align="justify">Na Europa participou da sessão de abertura dos trabalhos do Comitê de Saúde das Nações Unidas, do qual era membro. Na ocasião, foi convidado para integrar a equipe encarregada pela elaboração das bases da Organização Permanente de Higiene Internacional.  Posteriormente, participou como chefe da comissão brasileira na Conferência Comemorativa sobre o Centenário de Louis Pasteur, realizado em Paris e em Estrasburgo. Ganhou o Prêmio <i>Hors-Concours </i>(<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/110523_02/12676" target="_blank"><em>O Jornal</em>, 31 de maio de 1923, segunda coluna</a>; e <a href="http://memoria.bn.br/DocReader/089842_03/16040" target="_blank"><i>Correio da Manhã</i>, 21 de agosto de 1923</a>).</p>
<p align="justify">Foi agraciado com os títulos de Comendador da Coroa da Bélgica e de Cavaleiro da Ordem Nacional da Legião de Honra da França.</p>
<p align="justify">Promoveu a criação do Instituto Franco-Brasileiro de Alta Cultura e a fundação da Sociedade de Biologia do Rio de Janeiro, filiada à Sociedade de Biologia de Paris.</p>
<p align="justify">Carlos Chagas solicitou ao Ministério da Justiça a renovação da Patente da <a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=10646" target="_blank">vacina da manqueira</a> por mais 15 anos. Foi o segundo produto que obteve no Brasil a renovação da Patente, fato só ocorrido anteriormente pela Fornicída Matarazzo.</p>
<p>Com discursos dos médicos Clementino Fraga (1880 &#8211; 1971) e Parreiras Horta (1884 &#8211; 1961), realização de uma sessão em torno da<em> Moléstia de Chagas</em> (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/178691_05/15379" target="_blank"><em>O Paiz</em>, 23 de novembro de 1923, quarta coluna</a>). O parecer oficial da Academia Nacional de Medicina em relação à polêmica envolvendo a Doença de Chagas reiterou os méritos de Carlos Chagas porém não se posicionou quanto à questão da definição clínica e da extensão geográfica da enfermidade. Em 6 de dezembro, Chagas proferiu uma conferência na Academia, quando defendeu suas convicções e rebateu o<em> falso nacionalismo</em> que pretendia <em>encobrir o mal e impedir seu estudo. </em>Foi ovacionado (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/178691_05/15453" target="_blank"><em>O Paiz</em>, 1º de dezembro de 1923, quinta coluna</a>; <a href="http://memoria.bn.br/DocReader/110523_02/14741" target="_blank"><em>O Jornal</em>, 7 de dezembro de 1923;</a> <a href="http://memoria.bn.br/DocReader/178691_05/15518" target="_blank"><em>O Paiz</em>, 7 de dezembro de 1923, sexta coluna</a>).</p>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_15213" style="width: 277px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://memoria.bn.br/docreader/DocReader.aspx?bib=025909_02&amp;pagfis=6046" target="_blank"><img class="wp-image-15213 size-full" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2019/06/revista.jpg" alt="revista" width="267" height="381" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="http://memoria.bn.br/docreader/DocReader.aspx?bib=025909_02&amp;pagfis=6046" target="_blank"><em>Revista da Semana</em>, 15 de dezembro de 1923</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>Pelo Decreto nº 16.300 de 31 de dezembro de 1923 e por iniciativa de Carlos Chagas, foi criada a Escola de Enfermagem Anna Nery, desdobramento do Serviço de Enfermagem Sanitária, que ele havia criado com o apoio da Fundação Rockefeller. Assim foi introduzido o ensino profissionalizante de enfermagem no Brasil.</p>
<p align="justify"><span style="color: #800000;"><strong>1924</strong> </span>- Participou do 2º Congresso Brasileiro de Higiene, em Belo Horizonte (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/110523_02/18553" target="_blank"><em>O Jornal,</em> 27 de novembro de 1924, quinta coluna).</a></p>
<p align="justify">Tornou-se membro da Societas ad Artes Medicas in India Orientali Neerlandica e membro correspondente da Academia Médica de Roma.</p>
<p align="justify"><strong><span style="color: #800000;">1925</span></strong> &#8211; Tornou-se membro correspondente da Real Academia Nacional de Medicina da Espanha e também Comendador da Ordem Civil de Alfonso XII, rei de Espanha.</p>
<p align="justify">Recebeu o Prêmio Kümmel, conferido pela Faculdade de Medicina da Universidade de Hamburgo.</p>
<p align="justify">Foi nomeado professor da Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro, para a então criada cátedra de Medicina Tropical, estabelecendo as bases para o estudo desta área no Brasil (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/110523_02/20499" target="_blank"><em>O Jornal</em>, 26 de abril de 1925, última coluna</a>).</p>
<p align="justify">Recebeu o cientista alemão Albert Einstein (1879 &#8211; 1955) durante sua visita ao Rio de Janeiro (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/178691_05/21108" target="_blank"><em>O Paiz,</em> 9 de maio de 1925, primeira coluna</a>).</p>
<p>&nbsp;</p>
<div style="width: 720px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/5126" target="_blank"><img class="" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/bitstream/handle/20.500.12156.1/5126/IOC_V_II_3867.jpg.jpg?sequence=3&amp;isAllowed=y" alt="Thumbnail" width="710" height="508" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/5126" target="_blank">J. Pinto. Visita de Albert Einstein ao Instituto Oswaldo Cruz, 8 de maio de 1925. Manguinhos, Rio de Janeiro / Acervo Casa de Oswaldo Cruz</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p align="justify">Sua contribuição para os estudos e a profilaxia da malária foi reconhecida no I Congresso Internacional de Paludismo, realizado em Roma (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/030015_04/40512" target="_blank"><em>Jornal do Brasil</em>, 9 de setembro de 1925, quarta coluna</a>). Passou alguns dias em Paris onde foi homenageado pelo diretor do Instituto Pasteur, Albert Calmette (1863 &#8211; 1933), e pelo embaixador do Brasil, Luiz Martins de Souza Dantas (1876 &#8211; 1954) (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/030015_04/41852" target="_blank"><em>Jornal do Brasil</em>, 3 de novembro, sexta coluna</a>).</p>
<p align="justify"><strong><span style="color: #800000;">1926</span> </strong>- Organizou o Curso Especial de Higiene e Saúde Pública, ministrado por pesquisadores do Instituto Oswaldo Cruz como especialização na Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/364568_11/16086" target="_blank"><em>Jornal do Commercio</em>, 3 de maio de 1926, quarta coluna</a>).</p>
<p align="justify">Proferiu a aula inaugural da cadeira de Medicina Tropical na Faculdade de Medicina da Universidade do Rio de Janeiro, em 14 de setembro, na qual destacou a importância do estudo das doenças tropicais na formação médica, tendo em vista o enfrentamento dos problemas da saúde pública brasileira, sobretudo as endemias rurais.</p>
<p align="justify">Recebeu o título de Doutor Honoris Causa da Universidade de Paris (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/178691_05/27662" target="_blank"><em>O Paiz</em>, 7 de novembro, quarta coluna</a>).</p>
<p align="justify">Deixou a direção do Departamento Nacional de Saúde Pública, em novembro, quando terminou o mandato do presidente Arthur Bernardes (1875-1955). Seu sucessor no cargo foi Clementino Fraga (1880-1971) (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/178691_05/27821" target="_blank"><em>O Paiz</em>, 20 de novembro de 1926, segunda coluna</a>).</p>
<p align="justify">Foi agraciado com o título de Comendador da Ordem de Isabel, a Católica, Espanha</p>
<p align="justify">Tornou-se membro da Academia Imperial Alemã de Pesquisas Naturais de Halle e membro honorário da Academia de Medicina de Nova York.</p>
<p align="justify"><strong><span style="color: #800000;">1928</span></strong> &#8211; Em 30 de maio, foi eleito membro titular da Sociedade Real de Medicina Tropical e Higiene de Londres.</p>
<p align="justify">Abaixo, na cabeceira da esquerda, Carlos Chagas presidindo uma ssessão da Sociedade de Biologia do Rio de Janeiro.</p>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_24184" style="width: 592px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/6258" target="_blank"><img class="size-full wp-image-24184" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2021/06/adolfp.jpg" alt="Sessão da Sociedade de Biologia do Rio de Janeiro, na biblioteca do Instituto Oswaldo Cruz, 1929. Rio de Janeiro, RJ / Acervo Casa de Oswaldo Cruz" width="582" height="428" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/6258" target="_blank">Sessão da Sociedade de Biologia do Rio de Janeiro, na biblioteca do Instituto Oswaldo Cruz, 1929. Rio de Janeiro, RJ / Acervo Casa de Oswaldo Cruz</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_24185" style="width: 706px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://books.scielo.org/id/tpyj4/pdf/kropf-9786557080009-12.pdf" target="_blank"><img class="size-full wp-image-24185" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2019/06/adolfo.jpg" alt="A mesma foto, com mais identificações / Na direção de Manguinhos por Aline LOpes de Lacerda e Skmone Kropft, pág 20" width="696" height="544" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="http://books.scielo.org/id/tpyj4/pdf/kropf-9786557080009-12.pdf" target="_blank">A mesma foto, com mais identificações /<em> Na direção de Manguinhos,</em> por Aline Lopes de Lacerda e Simone Kropf, pág 20</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p class="titulo"><strong><span style="color: #800000;">1929</span></strong> &#8211; Tornou-se Doutor Honoris Causa da Faculdade de Medicina de Lima e Cavaleiro da Ordem da Coroa da Romênia.</p>
<p align="justify">Presidiu a IV Conferência Pan-americana de Higiene, Microbiologia e Patologia, realizada no Rio de Janeiro entre 30 de junho e 30 de julho.</p>
<p align="justify">Chagas recepcionou em Manguinhos um grupo de cirurgiões norte-americanos.</p>
<p>&nbsp;</p>
<div style="width: 721px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/6552" target="_blank"><img class="" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/bitstream/handle/20.500.12156.1/6552/FFC%28F%292-35.jpg.jpg?sequence=3&amp;isAllowed=y" alt="Thumbnail" width="711" height="654" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/6552" target="_blank">Carlos Chagas em recepção a grupo de cirurgiões americanos em Manguinhos, 1929. Manguinhos, Rio de Janeiro / Acervo Casa de Oswaldo Cruz</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p align="justify"><span style="color: #800000;"><strong> </strong></span></p>
<p align="justify"><span style="color: #800000;"><strong>1930</strong> </span>- Tornou-se membro da Sociedade de Biologia de Buenos Aires</p>
<p align="justify"><strong><span style="color: #800000;">1931</span></strong> &#8211; Tornou-se membro correspondente da Academia de Medicina de Paris.</p>
<p align="justify"><strong><span style="color: #800000;">1934</span></strong> &#8211; Tornou-se Doutor Honoris Causa da Universidade Livre de Bruxelas.</p>
<p align="justify">Inauguração do Centro Internacional de Leprologia, com sede no Instituto de Manguinhos, idealizado e dirigido por ele (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/089842_04/20490" target="_blank"><em>Correio da Manhã</em>, 4 de fevereiro de 1934</a> e <a href="http://memoria.bn.br/DocReader/DocReader.aspx?bib=110523_03&amp;pesq=Centro%20Internacional%20de%20Leprologia&amp;pasta=ano%20193" target="_blank"><em>O Jornal</em>, 14 de junho de 1934, terceira coluna</a>).</p>
<p align="justify">Carlos Chagas faleceu em 8 de novembro, no Rio de Janeiro, de infarto (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/030015_05/48377" target="_blank"><em>Jornal do Brasil</em>, 9 de novembro de 1934</a>). Na direção de Manguinhos, foi sucedido por Antonio Cardoso Fontes (1879-1943), que havia sido seu colega na Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/110523_03/22179" target="_blank"><em>O Jornal</em>, 6 de janeiro de 1935, terceira coluna</a>).</p>
<p>&nbsp;</p>
<div style="width: 721px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/6553" target="_blank"><img class="" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/bitstream/handle/20.500.12156.1/6553/Foto%20enterro%20C.Chagas.jpg.jpg?sequence=3&amp;isAllowed=y" alt="Thumbnail" width="711" height="539" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/6553" target="_blank">Enterro de Carlos Chagas no Cemitério São João Batista,1934. Rio de Janeiro, RJ / Acervo Casa de Oswaldo Cruz</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>Realização na Academia de Medicina de uma sessão em sua homenagem (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/DocReader.aspx?bib=110523_03&amp;pesq=Centro%20Internacional%20de%20Leprologia&amp;pasta=ano%20193" target="_blank"><em>O Jornal</em>, 15 de dezembro de 1934</a>).</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><a href="https://www.youtube.com/watch?v=9nkysMzPWzQ" target="_blank">Assista aqui: </a><em><a href="https://www.youtube.com/watch?v=9nkysMzPWzQ" target="_blank">Carlos Chagas &#8211; Ciência em gotas, </a></em><a href="https://www.youtube.com/watch?v=9nkysMzPWzQ" target="_blank">realizado pela Casa de Oswaldo Cruz / Fiocruz, com a consultoria de Simone Kro</a><a href="https://www.youtube.com/watch?v=9nkysMzPWzQ" target="_blank">p</a>f</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><span style="color: #800000;">A elaboração dessa cronologia foi baseada principalmente na Biblioteca Virtual Carlos Chagas, da Fundação Oswaldo Cruz, e na Hemeroteca Digital da Biblioteca Nacional. Contou com a colaboração da historiadora e pesquisadora Simone Petraglia Kropf e da jornalista Cristiane d´Avila, ambas da Casa de Oswaldo Cruz.</span></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Andrea C. T. Wanderley</p>
<p>Editora-assistente e pesquisadora do portal Brasiliana Fotográfica</p>
<p>&nbsp;</p>
<p align="justify"><strong><span style="color: #800000;">Fontes:</span></strong></p>
<p align="justify">CAVALCANTI, Juliana Manzoni. <a href="https://www.arca.fiocruz.br/bitstream/icict/16089/2/201.pdf" target="_blank"><em>A Trajetória Científica de Rudolf Kraus (1894-1932) entre Europa e América do Sul: Elaboração, produção e circulação de produtos biológicos.</em></a> Tese (Doutorado em História das Ciências e da Saúde) &#8211; Casa de Oswaldo Cruz / Fiocruz, Rio de Janeiro, 2013. 284 f.</p>
<p align="justify">CHAGAS, Carlos, Filho. <i>Meu pai</i>. Rio de Janeiro: Casa de Oswaldo Cruz, Fundação Oswaldo Cruz, 1993</p>
<p align="justify"><a href="http://www.bvschagas.coc.fiocruz.br/php/" target="_blank">Fundação Oswaldo Cruz &#8211; Biblioteca Virtual Carlos Chagas</a></p>
<p align="justify"><a href="http://bndigital.bn.br/hemeroteca-digital/" target="_blank">Hemeroteca Digital da Biblioteca Nacional</a></p>
<p>KROPF, Simone P. <em>Carlos Chagas e as doenças do Brasil.</em> In: HOCHMAN, Gilberto; LIMA, Nísia Trindade. Médicos intérpretes do Brasil. São Paulo: Hucitec, 2015, p. 194-222.</p>
<p>KROPF, Simone P. D<em>oença de Chagas, doença do Brasil: ciência, saúde e nação (1909-</em><em>1962).</em> Rio de Janeiro: Editora Fiocruz, 2009.</p>
<p>KROPF, Simone P.; LACERDA, Aline. <em>Carlos Chagas, um cientista do Brasil.</em> Rio de Janeiro: Editora Fiocruz, 2009 (edição bilíngue).</p>
<p>KROPF, Simone P. SÁ, Magali R. <em>The discovery of Trypanosoma cruzi and Chagas disease (1908-1909): tropical medicine in Brazil</em>. <em>História, Ciências, Saúde-Manguinhos</em>, v.16, suplemento, p.13 -34, 2009.</p>
<p>KROPF, Simone P. <em>Carlos Chagas e os debates e controvérsias sobre a doença do Brasil (1909-1923)</em>.<em> </em><em>História, Ciências, Saúde-Manguinhos</em>, v.16, suplemento 1, p.205-227, 2009.</p>
<p align="justify">LEWINSOHN, Rachel. <i><a href="https://academic.oup.com/trstmh/article-abstract/73/5/513/1905244" target="_blank">Carlos Chagas (1879-1934): a descoberta do tripanossoma cruzi e da tripanossomíase americana (notas da história da doença de Chagas)</a>. </i>Transactions of The Royal Society of Tropical Medicine and Hygiene, Volume 73, Edição 5, págs 513-523, 1979.</p>
<p align="justify">PITELLA, José Eymard Homem. <em><a href="http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&amp;pid=S0037-86822009000100014" target="_blank">O processo de avaliação em ciência e a indicação de Carlos Chagas ao prêmio Nobel de Fisiologia ou Medicina.</a> </em>Revista da Sociedade Brasileira de Medicina Tropical, vol 42. nº 1, Uberaba, fevereiro de 2009.</p>
<p align="justify">SCLIAR, Moacyr . <i>Oswaldo Cruz &amp; Carlos Chagas: o nascimento de ciência no Brasil</i>. São Paulo: Odysseus, 2002</p>
<p align="justify"><a href="http://www.abc.org.br/a-instituicao/memoria/historia/" target="_blank">Site da Academia Brasileira de Ciências</a></p>
<p align="justify"><a href="http://www.anm.org.br/conteudo_view.asp?id=256&amp;descricao=Carlos+Justiniano+Ribeiro+das+Chagas+(Cadeira+No.+86)" target="_blank">Site da Academia Nacional de Medicina</a></p>
<p align="justify"><a href="https://eean.ufrj.br/index.php/historico-da-eean/sobre-a-eean" target="_blank">Site da Escola de Enfermagem Ana Nery</a></p>
<p align="justify"><a href="http://www.icc.fiocruz.br/carlos-chagas-3/" target="_blank">Site da Fiocruz Paraná &#8211; Instituto Carlos Chagas</a></p>
<p align="justify"><a href="https://cpdoc.fgv.br/producao/dossies/AEraVargas1/biografias/artur_neiva" target="_blank">Site do CPDOC</a></p>
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		<title>Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas: centenário da construção da pesquisa clínica em Manguinhos</title>
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		<pubDate>Fri, 21 Dec 2018 14:29:39 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Andrea Wanderley]]></dc:creator>
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		<description><![CDATA[A Brasiliana Fotográfica publica o terceiro e último artigo da trilogia em comemoração ao centenário do Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas, com um texto de autoria de Dilene Raimundo do Nascimento, pesquisadora do Departamento de Pesquisa da Casa de Oswaldo Cruz/Fiocruz, instituição parceira do portal. Da construção de um centro de ciência na Fazenda de Manguinhos – o Castelo Mourisco – surgiu a ideia de um hospital dedicado aos experimentos, resultantes das expedições científicas realizadas pelos cientistas do Instituto Soroterápico Federal, denominado de Instituto Oswaldo Cruz, em 1908. O novo hospital estaria de acordo com os princípios da moderna higiene, com inspiração no Hospital Pasteur de Paris e a assistência ambulatorial, as internações e os cuidados médicos estariam atrelados a finalidades científicas. O projeto inicial foi assinado pelo arquiteto Luiz de Moraes Júnior e o processo de construção foi registrado pelo fotógrafo J. Pinto. ]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: left;">A Brasiliana Fotográfica publica o terceiro e último artigo da trilogia em comemoração ao centenário do Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas, com um texto de autoria de Dilene Raimundo do Nascimento, pesquisadora do Departamento de Pesquisa da Casa de Oswaldo Cruz/Fiocruz, instituição parceira do portal. Da construção de um centro de ciência na Fazenda de Manguinhos – o Castelo Mourisco – surgiu a ideia de um hospital dedicado aos experimentos, resultantes das expedições científicas realizadas pelos cientistas do Instituto Soroterápico Federal, denominado de Instituto Oswaldo Cruz, em 1908. O novo hospital estaria de acordo com os princípios da moderna higiene, com inspiração no Hospital Pasteur de Paris e a assistência ambulatorial, as internações e os cuidados médicos estariam atrelados a finalidades científicas. O projeto inicial foi assinado pelo arquiteto Luiz de Moraes Júnior, também responsável pela construção do Pavilhão Mourisco. O processo de construção foi registrado pelo fotógrafo J. Pinto. Ao longo de sua história, o Hospital de Manguinhos foi denominado Hospital de Doenças Tropicais, Hospital Oswaldo Cruz, Hospital Evandro Chagas, Centro de Pesquisa Clínica Hospital Evandro Chagas, Instituto de Pesquisa Clínica Evandro Chagas (IPEC) e, desde 2010, Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas.</p>
<p style="text-align: center;"><strong><span style="color: #800000;"><em>Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas: centenário da construção da pesquisa clínica em Manguinhos</em></span></strong></p>
<p style="text-align: center;">Dilene Raimundo do Nascimento*</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>A ideologia do progresso e da civilização, vigente no início do século XX, no Brasil (Benchimol,1990), fez de <a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=10762" target="_blank">Oswaldo Cruz</a>, como diretor geral da Saúde Pública, nomeado em 1903, o responsável por erradicar as epidemias que ocorriam na cidade do Rio de Janeiro – febre amarela, varíola e peste – sobre as quais Rodrigues Alves, eleito presidente da República em 1902, disse no Manifesto à Nação: “Aos interesses da imigração, dos quais depende em máxima parte o nosso desenvolvimento econômico, prende-se a necessidade do saneamento desta capital (&#8230;)” (1) .</p>
<p>A campanha de saneamento da capital do país empreendida por Oswaldo Cruz foi exitosa e ele pode capitalizar seu prestígio para o Instituto Soroterápico Federal, do qual era também diretor. Da construção de um centro de ciência na <a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=11321" target="_blank">Fazenda de Manguinhos</a> – o <a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=11758" target="_blank">Castelo Mourisco</a> – surgiu a ideia de um hospital dedicado aos experimentos, resultantes das expedições científicas realizadas pelos cientistas do Instituto Soroterápico Federal, denominado de Instituto Oswaldo Cruz, em 1908.</p>
<p><strong><span style="color: #800000;"><a style="color: #800000;" href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/visualizar-grupo-trabalho/165" target="_blank">Acessando o link para as fotografias relativas ao centenário da construção da pesquisa clínica em Manguinhos<em> </em>disponíveis na Brasiliana Fotográfica, o leitor poderá magnificar as imagens e verificar todos os dados referentes a elas.</a></span></strong></p>
<p>Essas expedições adentravam o país para colaborar com empreendimentos ferroviários e hidrelétricos, além de obras de infraestrutura, que compunham o cenário de progresso e civilização, realizados tanto por empresas privadas quanto públicas, no sentido de debelar as doenças que acometiam os trabalhadores desses empreendimentos (Benchimol, 1990).</p>
<p>Os cientistas de Manguinhos se deparavam com uma diversidade de doenças, algumas já identificadas e outras totalmente desconhecidas. Foi em uma dessas expedições, realizada em Minas Gerais com o objetivo de combater a malária para facilitar a construção da Estrada de Ferro Central do Brasil até Pirapora/MG, que Carlos Chagas (1878 &#8211; 1934) descobriu, em Lassance, a nova tripanossomíase, que ficou conhecida como doença de Chagas.</p>
<p>&nbsp;</p>
<div style="width: 710px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/6218" target="_blank"><img src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/bitstream/handle/20.500.12156.1/6218/BR-RJ-COC-02-10-20-20-007-V01-001.jpg.jpg?sequence=3&amp;isAllowed=y" alt="Thumbnail" width="700" height="491" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/6218" target="_blank">Carlos Chagas atendendo a menina Rita. Ao fundo, vagão que servia de alojamento e laboratório na Estrada de Ferro Central do Brasil, 1908. Lassance, MG / Acervo Casa de Oswaldo Cruz</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<div style="width: 711px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/6217" target="_blank"><img src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/bitstream/handle/20.500.12156.1/6217/Imagem%202%20-%20BR-RJ-COC-02-10-20-20-007-V01-029%20%281%29.jpg.jpg?sequence=3&amp;isAllowed=y" alt="Thumbnail" width="701" height="415" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/6217" target="_blank">Idosa e criança em frente uma casa de pau-a-pique, 1908. Lassance, Minas Gerais / Acervo Casa de Oswaldo Cruz</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>Os anseios de Oswaldo Cruz de ter um hospital moderno e equipado para estudos clínicos e epidemiológicos dos doentes tomou mais corpo com o desenrolar das pesquisas da doença de Chagas. Sua repercussão possibilitou a obtenção de recursos, em 1912, para equipar um pequeno hospital em Lassance, para continuidade das pesquisas in loco, e para construir um hospital em Manguinhos (Decreto 9.346, de 24 de janeiro de 1912).</p>
<p>&nbsp;</p>
<div style="width: 710px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/6216" target="_blank"><img src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/bitstream/handle/20.500.12156.1/6216/Imagem%203%20-%20Decreto%209346%20Decreto%20de%201912.jpg.jpg?sequence=3&amp;isAllowed=y" alt="Thumbnail" width="700" height="704" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/6216" target="_blank">Decreto de Hermes da Fonseca concede verba para construção de hospital destinado ao tratamento de doentes acometidos pela Doença de Chagas</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>O plano de prover a cidade de um novo hospital de acordo com os princípios da moderna higiene, com inspiração no Hospital Pasteur de Paris, possibilitaria o isolamento individual dos doentes. A assistência ambulatorial, as internações e os cuidados médicos estariam atrelados a finalidades científicas, diferindo, dessa maneira, do modelo de hospitais voltados para a assistência em geral às populações urbanas. Ambicioso, o projeto inicial foi assinado pelo arquiteto Luiz de Moraes Júnior, também responsável pela construção do Pavilhão Mourisco, e previa a construção de seis pavilhões, dos quais só um se concretizou 3 (Cotrim, 2004). As obras foram iniciadas tão logo a verba foi liberada e concluídas em 1918, ano de sua inauguração. Oswaldo Cruz, falecido em 1917, não chegou a ver o hospital concluído. O processo de construção foi registrado pelo fotógrafo<a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=10616" target="_blank"> J. Pinto</a>, desde a organização do canteiro de obras até a montagem da estrutura primária do edifício, de ferro forjado e em forma de gaiola.</p>
<p>&nbsp;</p>
<div style="width: 710px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/6088" target="_blank"><img src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/bitstream/handle/20.500.12156.1/6088/IOC_V_III_2038%20copy.jpg.jpg?sequence=3&amp;isAllowed=y" alt="Thumbnail" width="700" height="500" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/6088" target="_blank">J. Pinto. Construção do Hospital de Manguinhos, 1912-1918. Manguinhos, Rio de Janeiro / Acervo Casa de Oswaldo Cruz</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
<div style="width: 710px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/6091" target="_blank"><img src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/bitstream/handle/20.500.12156.1/6091/IOC_V_II_0825%20copy.jpg.jpg?sequence=3&amp;isAllowed=y" alt="Thumbnail" width="700" height="489" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/6091" target="_blank">Fachada do Hospital de Manguinhos, 1918. Manguinhos, Rio de Janeiro / Acervo Casa de Oswaldo Cruz</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>Carlos Chagas, que se tornou diretor do Instituto Oswaldo Cruz, com a morte deste, tinha total envolvimento com o Hospital de Manguinhos, porque ali ele acompanhava os seus casos de Doença de Chagas, doentes trazidos do interior.</p>
<p>&nbsp;</p>
<div style="width: 509px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/6212" target="_blank"><img src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/bitstream/handle/20.500.12156.1/6212/Imagem%2013%20-%20IOC_V_II_0643%20Carlos%20Chagas%2c%20pacientes%20e%20a%20Comiss%c3%a3o%20designada%20pela%20Academia%20Nacional%20de%20Medicina%20para%20avaliar%20os%20estudos%20sobre%20a%20Doen%c3%a7a%20de%20Chagas.jpg.jpg?sequence=3&amp;isAllowed=y" alt="Thumbnail" width="499" height="702" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/6212" target="_blank">Anônimo. Carlos Chagas, pacientes e a Comissão designada pela Academia Nacional de Medicina para avaliar os estudos sobre a Doença de Chagas, 1924?. Manguinhos, Rio de Janeiro / Acervo Casa de Oswaldo Cruz</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>Ainda estudante, seu filho Evandro Chagas foi trabalhar no hospital, juntamente com outros pesquisadores como Eurico Vilela, primeiro diretor do hospital de Manguinhos, Lobato Paraense, Nery Guimarães, Emanuel Dias, dentre outros. Evandro Chagas desempenhou toda a sua prática profissional no Hospital de Manguinhos, desenvolvendo a partir dele suas incursões ao interior do Brasil para pesquisar, principalmente, casos de leishmaniose visceral americana. Nessas expedições, deparou-se com as várias endemias existentes no país, que o motivaram a criar o Serviço de<br />
Estudos de Grandes Endemias (SEGE), no âmbito do Instituto Oswaldo Cruz, em 1937.</p>
<div style="width: 227px" class="wp-caption alignleft"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/6101" target="_blank"><img src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/bitstream/handle/20.500.12156.1/6101/IOC%28P%29%20Chagas%2c%20E.-1-1%20c%c3%b3pia.JPG.jpg?sequence=3&amp;isAllowed=y" alt="Thumbnail" width="217" height="300" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/6101" target="_blank">Anônimo. Evandro Chagas, s/d. Manguinhos, Rio de Janeiro / Acervo Casa de Oswaldo Cruz</a></p></div>
<p>Sua ideia de expandir institucionalmente os estudos realizados no Hospital de Manguinhos já o havia levado a negociar com o governador do estado do Pará a criar no ano anterior o Instituto de Patologia Experimental do Norte (IPEN). O governador criou o instituto com a condição de ele se dedicar não somente ao calazar, mas também a outras doenças tropicais importantes daquela região, como a malária, a leishmaniose tegumentar, a amebíase, as parasitoses intestinais etc. Mas era natural que o calazar tivesse sido a primeira doença estudada pelo instituto. E foi com o calazar que o Evandro Chagas começou a trabalhar com a sua equipe, da qual faziam parte os irmãos Deane. A primeira viagem foi feita em dezembro de 1936. Leônidas Deane relata, em entrevista concedida à revista História, Ciência e Saúde – Manguinhos:</p>
<p style="text-align: left;"> “<em>foi nosso primeiro contato com a selva (&#8230;), nós que nunca tínhamos saído de </em><em>Belém, sempre citadinos. E tivemos uma experiência bem especial, porque </em><em>todos os ruídos — ruídos dos sapos, dos grilos etc. — para nós eram como se </em><em>fossem feras (&#8230;).”</em><br />
<em>“[Evandro] era um sujeito muito corajoso. Realmente ele dava o exemplo para </em><em>tudo, porque era um homem muito arrojado, audacioso, inclusive. Fazia questão </em><em>de mostrar que não tinha medo de coisa nenhuma. Como eu disse, ele ia para </em><em>essas viagens de bermudas, botas e o chapéu colonial. E naturalmente os outros </em><em>apetrechos, como a máquina fotográfica e o microscópio de campo, que ele </em><em>usava a tiracolo também</em>”(2).</p>
<p>Foi em Piratuba que encontraram os primeiros casos de calazar, vivos, da região amazônica. Examinavam as pessoas, pesquisando baço grande; se encontrasse faziam punção para procurar leishmânia. Evandro Chagas voltou a essa cidade várias vezes para dar continuidade à sua pesquisa de leishmânia e discutir e orientar a sua equipe do Pará.</p>
<p>&nbsp;</p>
<div style="width: 710px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/6213" target="_blank"><img class="" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/bitstream/handle/20.500.12156.1/6213/Imagem%2016%20-%20BR-RJ-COC-02-10-20-10-024-011%20Evandro%20Chagas%20em%20seu%20r%c3%bastico%20laborat%c3%b3rio%20em%20Piratuba.jpg.jpg?sequence=3&amp;isAllowed=y" alt="Thumbnail" width="700" height="513" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/6213" target="_blank">Anônimo. Evandro Chagas em seu rústico laboratório em Piratuba, Região Amazônica, s/d / Acervo Casa de Oswaldo Cruz</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>A morte precoce e repentina de Evandro Chagas, em um acidente aéreo na Baía de Guanabara, aos trinta e cinco anos de idade, em 08 de novembro de 1940, interrompeu suas pesquisas em andamento e deixou sua equipe impactada. Para interromper um clima de instabilidade que se estabeleceu após a morte de Evandro Chagas, o então ministro da Educação e Saúde, Gustavo Capanema, nomeou Carlos Chagas Filho diretor do hospital e chefe do Serviço de Estudos de Grandes Endemias, que aí permaneceu por três anos. Apesar das dificuldades decorrentes da morte repentina de Evandro Chagas, o hospital permaneceu pelas mãos e esforços de seus pesquisadores, médicos e funcionários empenhados em realizar pesquisas clínicas a respeito de doenças infecciosas e parasitárias, em que se destacam a doença de Chagas, a leishmaniose, a malária, a toxoplasmose e a esquistossomose. Em 1942, em homenagem póstuma, o hospital foi nomeado Evandro Chagas, nome que carrega até hoje.</p>
<p>&nbsp;</p>
<div style="width: 710px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/6215" target="_blank"><img src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/bitstream/handle/20.500.12156.1/6215/Imagem%2017%20-%20IOC%28E%29%203-14%20solenidade%20de%20rebatismo%20do%20hospital%20.jpg.jpg?sequence=3&amp;isAllowed=y" alt="Thumbnail" width="700" height="498" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/6215" target="_blank">J. Pinto. Hospital Oswaldo Cruz é rebatizado como Hospital Evandro Chagas após a morte do cientista, em 1940, 1942. Manguinhos, Rio de Janeiro / Acervo Casa de Oswaldo Cruz</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>Ao longo de sua história, o Hospital de Manguinhos foi denominado Hospital de Doenças Tropicais, Hospital Oswaldo Cruz, Hospital Evandro Chagas, Centro de Pesquisa Clínica Hospital Evandro Chagas, Instituto de Pesquisa Clínica Evandro Chagas (IPEC) e, desde 2010, Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas.</p>
<p>Em sua história constam fases de decadência, principalmente, no período da Ditadura Militar, instaurada com o golpe de 1964 e que perdurou por vinte e um anos, e fase de ascensão, com o processo de redemocratização no país.</p>
<p>Nessa ocasião, surgiram os primeiros casos de aids no Brasil, doença infecciosa grave e, na época, fatal, com uma tendência de crescimento. A questão central na defesa da permanência do Hospital Evandro Chagas na Fiocruz foi exatamente a sua vocação no âmbito das doenças infecciosas. O contexto epidêmico da aids contribuiu para impulsionar a reestruturação do<br />
hospital.</p>
<p>Esta teve entre seus princípios a pesquisa clínica ampliada, que não se restringe aos médicos infectologistas, mas se expande a outras especialidades para alargar e aprofundar o conhecimento sobre o doente e sobre a doença, como a enfermagem, serviço social, nutrição, farmácia e psicologia. De acordo com essa concepção, era importante compreender as relações de adoecimento do paciente e o contexto que ele traz para o hospital. A empreitada foi liderada pela Dra. Keyla Marzochi, uma das principais entusiastas da pesquisa clínica ampliada, que elaborou o projeto de reestruturação apresentado e aceito pela presidência da Fiocruz.</p>
<p>Denominado Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas (INI) desde o VI Congresso Interno da Fiocruz, realizado em 2010, o INI hoje se caracteriza pela excelência na pesquisa clínica, na assistência, no ensino e na gestão voltados tanto para a saúde humana como para a saúde animal, a partir dos estudos de zoonoses, além de ser referência no campo das doenças infecciosas. A pesquisa clínica desenvolvida no INI, desde sua reestruturação, como diz sua atual diretora, Valdiléa Veloso, é uma construção coletiva que congrega vários saberes dos diferentes profissionais que trabalham na unidade, com inclusão dos usuários, visando à melhoria da saúde da população.</p>
<p>Ao completar os seus 100 anos, no ano de 2018, a luta pela saúde pública implica para o INI a prática da pesquisa clínica ampliada, a assistência − em especial aos grupos vulneráveis −, o ensino para formar e capacitar novos profissionais na área, uma gestão participativa e parcerias com movimentos sociais e instituições nacionais e internacionais nessas áreas de atividade, e, a partir disso, dá sua inestimável contribuição para o desenvolvimento do SUS &#8211; Sistema Único de Saúde.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>(1) Manifesto Inaugural de Francisco de Paula Rodrigues Alves, presidente eleito para o quadriênio de1902 a 1906. 15 de novembro de 1902. Rio de Janeiro, 1902, p. 11.</p>
<p>(2) História, Ciência e Saúde – Manguinhos. Vol.1, nº1, jul/out., 1994. Seção Depoimento.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>*Dilene Raimundo do Nascimento é pesquisadora do Departamento de Pesquisa da Casa de Oswaldo Cruz</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><span style="color: #800000;">Outros textos sobre o centenário do Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas publicados na Brasiliana Fotográfica:</span></p>
<p><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=13276" target="_blank">Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas: 100 anos de pesquisa clínica, por Cristiane d´Avila, em 26/10/2018</a></p>
<p><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=13402" target="_blank">Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas 100 anos: Carlos e Evandro Chagas em retratos de família, por Aline Lopes de Lacerda, em 27/11/2018</a></p>
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