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	<title>Brasiliana Fotográfica &#187; desconhecimento do Brasil</title>
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		<title>&#8220;Sertões distantes&#8221; por Ricardo Augusto dos Santos</title>
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		<pubDate>Fri, 20 Mar 2026 13:06:35 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Andrea Wanderley]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Análise de documento]]></category>
		<category><![CDATA[Convidados]]></category>
		<category><![CDATA[Curadoria]]></category>
		<category><![CDATA[Afrânio Peixoto]]></category>
		<category><![CDATA[Belisário Penna]]></category>
		<category><![CDATA[consciência de nacionalidade]]></category>
		<category><![CDATA[crítica]]></category>
		<category><![CDATA[desconhecimento do Brasil]]></category>
		<category><![CDATA[discussão intelectual]]></category>
		<category><![CDATA[doença]]></category>
		<category><![CDATA[expedições científicas]]></category>
		<category><![CDATA[reforma urbana]]></category>
		<category><![CDATA[saneamento]]></category>

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		<description><![CDATA[O pesquisador Ricardo Augusto dos Santos, da Casa de Oswaldo Cruz/Fiocruz, uma das instituições parceiras da Brasiliana Fotográfica, aborda no artigo "Sertões Distantes", um tema que marcou, no Brasil, o campo intelectual nas primeiras décadas do século XX: a verdadeira identidade do país. Para os autores ufanistas, o país era um paraíso terrestre. Já o sanitarista Belisário Penna lamentava que "esses agentes sociais, iludidos por uma visão edênica", pensassem o país a partir de reformas urbanas que tornaram o centro do Rio de Janeiro uma "Paris Tropical". Confirmando a frase do médico e político Afrânio Peixoto - "os sertões começam no fim da Avenida Central!!"-, Penna advertia os idealistas da nação imaginada: "Vocês estão enxergando o país como um paraíso, pois vivem nas avenidas recém-construídas à beira-mar".]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><span style="color: #800000;"><em><strong>Sertões Distantes</strong></em></span></p>
<div><em>                                                                                                 Ricardo Augusto dos Santos*</em></div>
<p>&nbsp;</p>
<div style="width: 712px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/14169" target="_blank"><img src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/bitstream/handle/20.500.12156.1/14169/br_rjcoc_bp_06_tp_04_v03_021.jpg.jpg?sequence=3&amp;isAllowed=y" alt="Thumbnail" width="702" height="516" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/14169" target="_blank">Combate à malária no Rio de Gato, 192?. Campo Grande, Rio de Janeiro / Acervo Casa de Oswaldo Cruz </a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong><em> </em></strong></p>
<p style="text-align: center;"><span style="color: #800000;"><strong><em>“Se raros escapam à doença, muitos têm duas ou mais infestações. Veem-se, muitas vezes, confrangido e alarmado, nas nossas escolas públicas, crianças a bater os dentes com o calafrio das sezôes&#8230; E isso não nos confins do Brasil, aqui no Distrito Federal, em Guaratiba, Jacarepagu</em></strong><strong><em>á</em></strong><strong><em>, Tijuca&#8230; Porque n</em></strong><strong><em>ã</em></strong><strong><em>o nos iludamos, o nosso sert</em></strong><strong><em>ã</em></strong><strong><em>o come</em></strong><strong><em>ç</em></strong><strong><em>a para os lados da Avenida Central</em></strong><strong><em>”</em></strong><strong><em>. </em></strong></span></p>
<p style="text-align: right;">Discurso Pronunciado por Afrânio Peixoto em 19/05/1918</p>
<p><strong> </strong></p>
<p>Esta frase de Afrânio Peixoto (1876-1947) marcou o campo intelectual nas primeiras décadas do século XX. Estava em pauta qual era a verdadeira identidade do país. Alguns afirmavam que existia uma divisão entre o Brasil real e o ideal. Este último representado pelas cidades do litoral e instituições republicanas. Enquanto o verdadeiro habitava os sertões distantes. Eram constantes as referências críticas realizadas por um determinado grupo de intelectuais. Eles apresentavam o desconhecimento do Brasil profundo por amplas parcelas da sociedade.</p>
<p>No entanto, para os autores ufanistas, o Brasil era um paraíso terrestre. O sanitarista Belisário Penna (1868-1939) lamentava que esses agentes sociais, iludidos por uma visão edênica, pensassem o país através das reformas urbanas que transformaram uma parte do centro do Rio de Janeiro numa <em>Paris Tropical</em>. Penna criticava a ausência de uma consciência da nacionalidade. Confirmando a frase de Afrânio Peixoto &#8211; <em>os sertões começam no fim da Avenida Central!!</em>-, Penna advertia os idealistas da nação imaginada: <em>Voces estão enxergando o país como um paraíso, pois vivem nas avenidas recém-construídas à beira-mar.</em> Para o sanitarista, os intelectuais ufanistas, deslumbrados com a reforma que derrubou cortiços e importou pardais, eram detentores de um <em>“monopólio do saber”</em>, mas não conheciam a “<em>realidade dos fatos”, </em>pois “<em>na sua quase totalidade não conhecem do Brasil senão o trecho que vai da praia de Ipanema à cidade de Petrópolis.” </em>Para Penna, eram um <em>“grupinho, sem documentação e sem base”</em>.</p>
<p>Mas, como Belisário Penna e Afrânio Peixoto chegaram a essas conclusões? Lembrando que, segundo os críticos mais realistas e rígidos, nunca alcançaríamos o progresso das demais nações.</p>
<p>Percorrendo o interior do país entre 1911 e 1913, as expedições científicas do Instituto Oswaldo Cruz desempenharam um papel fundamental no debate sobre os problemas nacionais, influenciando as propostas do movimento sanitarista em relação ao progresso do país. Essas viagens forneceram as representações sociais que ainda hoje inspiram o imaginário social. Penna integrou uma das viagens científicas que rasgaram o país, visitando as mais distantes localidades. O diagnóstico da realidade fez com Belisário Penna qualificasse de forma especial sua pregação pelo saneamento. Não se via como mais um intelectual a falar, mas como alguém que conhecera de perto o Brasil real.</p>
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<div style="width: 711px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/14346" target="_blank"><img src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/bitstream/handle/20.500.12156.1/14346/br_rjcoc_bp_06_tp_04_v12_028.jpg.jpg?sequence=3&amp;isAllowed=y" alt="Thumbnail" width="701" height="520" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/14346" target="_blank">Leito em construção, 192?. Mesquita, Rio de Janeiro / Acervo Casa de Oswaldo Cruz</a></p></div>
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<p>O tema do combate às doenças não serviu apenas de justificativa para expedições científicas e campanhas de saneamento, mas como ideologias de construção nacional. Falar dos sertões abandonados, habitados por um povo doente, mas capaz de produzir, depois de curado, tornava-se necessário para convencer os políticos, fazendeiros e industriais de que, acima das diferenças que marcavam o país, havia os interesses nacionais.</p>
<p>As expedições científicas exerceram, portanto, um ato político extremamente relevante: um projeto de nacionalidade. A ciência orientaria os peregrinos da modernização. Em nome desse projeto justificavam-se as iniciativas higienizadoras dos corpos, cidades e instituições. Esse era o projeto da nacionalidade brasileira. Um ideal a ser perseguido. A construção da nação brasileira nascia sob o signo da doença, miséria e ignorância.</p>
<p>&nbsp;</p>
<div style="width: 710px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/14300" target="_blank"><img src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/bitstream/handle/20.500.12156.1/14300/br_rjcoc_bp_06_tp_04_v12_002.jpg.jpg?sequence=3&amp;isAllowed=y" alt="Thumbnail" width="700" height="502" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/14300" target="_blank">Saneamento rural no Rio Sarapuí, 8 de janeiro de 1923, Mesquita, Rio de Janeiro / Acervo Casa de Oswaldo Cruz</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>Ao atribuir uma condição inferior do país em relação às nações devido à ausência de saúde e educação, Penna e os sanitaristas apresentavam uma solução original para a tragédia nacional, recusando os determinismos biológico, climático e geográfico, ainda predominante no pensamento social brasileiro. Por que somos miseráveis se o país é tão rico? Porque conhecemos tantos problemas, se nossas florestas são plenas de riquezas? Por que somos um povo doente e pobre?</p>
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<div style="width: 710px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/5723" target="_blank"><img src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/bitstream/handle/20.500.12156.1/5723/BP_06_TP_04_V14_002.jpg.jpg?sequence=3&amp;isAllowed=y" alt="Thumbnail" width="700" height="494" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/5723" target="_blank">Visita do Presidente da República Epitácio Pessoa ao Posto de Pilares no Rio de Janeiro, 11 de novembro de 1919. Pilares, Rio de Janeiro / Acervo Casa de Oswaldo Cruz</a></p></div>
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<p>Um dos projetos sanitários executados pelo estado foi o aterro de pântanos e saneamento de rios nos arrabaldes do Rio de Janeiro. Portanto, nosso sertão estava muito perto. Como sugerem centenas de fotografias dos fundos documentais de Belisário Penna e da Fundação Rockffeler, ambos sob a guarda da Casa de Oswaldo Cruz, o Brasil abandonado estava a poucos quilômetros das novas avenidas, do porto recém-construído e dos prédios monumentais, como a Biblioteca Nacional e Teatro Municipal.</p>
<p>No Fundo Pessoal Belisário Penna, estão depositadas mais de 1.500 fotografias, reunindo imagens de familiares e amigos, bem como de sua atuação política e profissional. No entanto, desejamos resgatar as imagens das obras de saneamento no Rio de Janeiro e demais estados. Documentando as obras do Serviço de Saneamento e Profilaxia Rural encontramos 529 imagens.</p>
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<div style="width: 710px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/14347" target="_blank"><img src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/bitstream/handle/20.500.12156.1/14347/br_rjcoc_bp_06_tp_04_v08_016.jpg.jpg?sequence=3&amp;isAllowed=y" alt="Thumbnail" width="700" height="472" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/14347" target="_blank">Posto Rural de Jacarepaguá, 192?. Lagoa do Camorim, em Jacarepaguá, Rio de Janeiro / Acervo Casa de Oswaldo Cruz</a></p></div>
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<p>*Ricardo Augusto dos Santos é  Pesquisador Titular da Fundação Oswaldo Cruz.</p>
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<p><span style="color: #800000;"><strong>Fontes: </strong></span></p>
<p>DOS SANTOS, Ricardo Augusto.<a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=12777" target="_blank"><em> O sanitarista Belisário Penna (1868-1939), um dos protagonistas da história da saúde pública no Brasil </em></a>in Brasiliana Fotográfica<em>, </em>28 de setembro de 2018.</p>
<p>DOS SANTOS, Ricardo Augusto. <em><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=36607" target="_blank">A Fundação Rockefeller no Brasil in Brasiliana Fotográfica</a></em>, in Brasiliana Fotográfica, 15 de julho de 2024.</p>
<p>DOS SANTOS, Ricardo Augusto. <em>BELISÁRIO PENNA (1868-1939)</em>. In: DANTAS, Carolina Vianna &amp; ENGEL, Magali. (Org.). <em>Trajetórias e sociabilidades intelectuais no Rio de Janeiro (séculos XIX e XX)</em>.1º ed. Rio de Janeiro: Editora Contracapa, 2017, p. 158-168.</p>
<p><strong> </strong></p>
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<p><strong> </strong></p>
<p><strong> </strong></p>
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