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	<title>Brasiliana Fotográfica &#187; Cooperativa Alcoólica da Bahia</title>
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		<title>Vapor, ferro e álcool: 120 anos da Cooperativa Alcoólica da Bahia, por Diana Santos</title>
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		<pubDate>Mon, 27 Jul 2026 14:33:53 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Andrea Wanderley]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Análise de documento]]></category>
		<category><![CDATA[Convidados]]></category>
		<category><![CDATA[Curadoria]]></category>
		<category><![CDATA[Bahia]]></category>
		<category><![CDATA[Cooperativa Alcoólica da Bahia]]></category>
		<category><![CDATA[Diana dos Santos Ramos]]></category>
		<category><![CDATA[história]]></category>
		<category><![CDATA[industrialização]]></category>

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		<description><![CDATA[Hoje publicamos o artigo "Vapor, ferro e álcool: 120 anos da Cooperativa Alcoólica da Bahia", escrito por Diana Santos, uma das curadoras da Brasiliana Fotográfica. Com a análise do conjunto de 11 fotografias da empresa preservadas no acervo da Biblioteca Nacional, uma das instituições fundadoras do portal, a imagem da Bahia das primeiras  décadas do século XX, normalmente associada a uma economia fortemente ligada a estruturas agrárias tradicionais, revela-se outra: a de uma economia que incorporava as tecnologias industriais ao setor açucareiro. "O xarope dos velhos engenhos transformava-se em álcool industrial". A Cooperativa Alcoólica da Bahia foi fundada, em 1906, na cidade de Santo Amaro, uma iniciativa do Sindicato Açucareiro da Bahia, reunindo proprietários de engenhos e usinas da região e o Banco Comercial da Bahia. Foi premiada na Exposição Nacional de 1908 e também na Exposição Internacional de Bruxelas, em 1910. Suas atividades foram encerradas em 1935, quando seu valioso maquinário foi desligado. ]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><span style="color: #800000;"><em><strong>Vapor, ferro e álcool: 120 anos da Cooperativa Alcoólica da Bahia. Um retrato fotográfico da industrialização baiana</strong></em></span></p>
<p style="text-align: center;">Diana Santos*</p>
<p>Quando se pensa na Bahia das primeiras décadas do século XX, é comum imaginar engenhos, canaviais e uma economia ainda fortemente ligada a estruturas agrárias tradicionais. As fotografias da Cooperativa Alcoólica da Bahia, preservadas no acervo da Fundação Biblioteca Nacional, entretanto, revelam outra paisagem: um universo de chaminés, caldeiras, correias de transmissão, oficinas mecânicas e trabalhadores especializados que testemunham a rápida incorporação de tecnologias industriais ao setor açucareiro. O xarope dos velhos engenhos transformava-se em álcool industrial.</p>
<p>Fundada em 1906, na cidade de Santo Amaro, coração da zona açucareira baiana, a Cooperativa surgiu como iniciativa do Sindicato Açucareiro da Bahia, reunindo proprietários de engenhos e usinas da região e o Banco Comercial da Bahia. A empresa tornou-se uma das mais modernas destilarias do país, equipada com maquinário francês e inglês, geradores de eletricidade e sistemas de refrigeração. A usina alcançou uma produção diária de milhares de litros de álcool e de aguardente. Desenvolveu fortemente o espírito industrial, constituindo-se em um dos principais expoentes da modernização industrial baiana do início do século XX.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><span style="color: #800000;"><a style="color: #800000;" href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/visualizar-grupo-trabalho/462" target="_blank"><strong>Acessando o link para as fotografias da Cooperativa Alcoólica a Bahia disponíveis na Brasiliana Fotográfica, o leitor poderá magnificar as imagens e verificar todos os dados referentes a elas.  As imagens revelam mais do que registros arquitetônicos: constituem uma experiência visual da industrialização brasileira raramente documentada na Bahia do início do século XX.</strong></a></span></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>O conjunto de 11 fotografias apresenta diferentes dimensões desse empreendimento. As imagens externas registram os edifícios administrativos e industriais, revelando uma arquitetura funcional, marcada pela simplicidade das construções e pela presença dominante da chaminé, símbolo da industrialização. Em uma das vistas, a torre da fábrica ergue-se acima das demais edificações, antecipando visualmente a escala do maquinário encontrado no interior da usina.</p>
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<div style="width: 710px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/14466" target="_blank"><img src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/bitstream/handle/20.500.12156.1/14466/icon629635.jpg.jpg?sequence=3&amp;isAllowed=y" alt="Thumbnail" width="700" height="574" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/14466" target="_blank">Cooperativa Alcoólica da Bahia : Uma secção do edificio, 193?. Santo Amaro, Bahia / Acervo FBN</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>Outras fotografias conduzem o observador para dentro do complexo industrial. Tanques, colunas de destilação, tubulações e estruturas metálicas ocupam quase toda a composição, enquanto figuras humanas aparecem reduzidas diante da monumentalidade das máquinas. A opção do fotógrafo por enquadramentos frontais e simétricos reforça a ideia de ordem, eficiência e controle técnico — valores frequentemente associados ao discurso do progresso industrial naquele período.</p>
<p>&nbsp;</p>
<div style="width: 710px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/14465" target="_blank"><img src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/bitstream/handle/20.500.12156.1/14465/icon629629.jpg.jpg?sequence=3&amp;isAllowed=y" alt="Thumbnail" width="700" height="580" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/14465" target="_blank">Cooperativa Alcoólica da Bahia : Secção dos aparelhos para fabricação de álcool e aguardente, 193?. Santo Amaro, Bahia / Acervo FBN</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>Particularmente expressiva é a imagem do escritório da administração. Nela, alguns homens posam em torno de uma mesa de trabalho, cercados por móveis, relógios e instrumentos que remetem à organização burocrática necessária para gerir um empreendimento de grande porte. A fotografia complementa a narrativa técnica da fábrica ao evidenciar que a modernidade industrial dependia não apenas de máquinas, mas também de novas formas de administração e controle.</p>
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<div style="width: 711px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/14470" target="_blank"><img src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/bitstream/handle/20.500.12156.1/14470/icon629634.jpg.jpg?sequence=3&amp;isAllowed=y" alt="Thumbnail" width="701" height="580" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/14470" target="_blank"> Cooperativa Alcoólica da Bahia : Escriptorio e Administração, 193?. Santo Amaro, Bahia / Acervo FBN</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>As oficinas e a tanoaria revelam outro aspecto fundamental da Cooperativa: sua capacidade de manter uma infraestrutura própria para reparos e produção de vasilhames. Nas imagens, barris em diferentes estágios de fabricação dividem espaço com ferramentas, peças mecânicas e operários, registrando atividades indispensáveis para o armazenamento e transporte dos produtos. Esses ambientes mostram que a usina funcionava como um complexo produtivo integrado, onde o trabalho da madeira, do metal e da química industrial coexistiam em um mesmo espaço.</p>
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<div style="width: 710px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/14464" target="_blank"><img src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/bitstream/handle/20.500.12156.1/14464/icon629639.jpg.jpg?sequence=3&amp;isAllowed=y" alt="Thumbnail" width="700" height="580" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/14464" target="_blank">Cooperativa Alcoólica da Bahia : Secção de tanoaria, 193?. Santo Amaro, Bahia / Acervo FBN</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>Além do conteúdo histórico, as fotografias possuem significativo valor documental enquanto objetos materiais. Impressas em gelatina de prata e montadas individualmente em cartões ornamentados, seguem um padrão comum aos álbuns institucionais e empresariais do início do século XX, concebidos para demonstrar prosperidade, eficiência e capacidade tecnológica. Mais do que simples registros, eram instrumentos de representação corporativa destinados a divulgar uma imagem de modernidade e progresso.</p>
<p>Esse conjunto, de autoria desconhecida, foi doado à Biblioteca Nacional pelo Dr. Armando Fragoso, em agosto de 1937, juntamente com outros documentos fotográficos relacionados à Bahia. Os títulos das imagens foram transcritos de anotações manuscritas registradas no verso dos cartões originais.</p>
<p>Premiada na Exposição Nacional de 1908 e também na Exposição Internacional de Bruxelas, em 1910, a Cooperativa Alcoólica da Bahia buscava afirmar-se como símbolo do desenvolvimento econômico regional. A grandiosa destilaria teve suas atividades encerradas em 1935, quando seu valioso maquinário foi desligado. Mais tarde, suas instalações seriam ressignificadas pela indústria no Recôncavo Baiano.</p>
<p>Essas fotografias preservam não apenas a memória de uma empresa, mas também os vestígios visuais de uma transformação econômica que alterou profundamente a paisagem do Recôncavo Baiano. Ao observar cada detalhe — das construções aos trabalhadores, das caldeiras aos barris — o visitante encontra um retrato singular do momento em que a tradição açucareira baiana passou a dialogar com a engenharia, a eletricidade e a indústria moderna.</p>
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<p><span style="color: #800000;"><strong>Sobre as fontes:</strong></span></p>
<p>Premiações e outros registros das atividades da Cooperativa e de seus gerentes mais proeminentes da firma Magalhães &amp; Cia. foram recuperados nos periódicos disponíveis na Hemeroteca Digital Brasileira. As primeiras notícias tratam das premiações obtidas na Exposição Nacional de 1908, registradas no <em><strong>Almanak Laemmert</strong></em>, enquanto as mais recentes datam do início da década de 1940, quando as instalações da antiga Cooperativa Alcoólica da Bahia já se encontravam sob a administração do Instituto do Açúcar e do Álcool.</p>
<p>O livro<em> <strong>Impressões do Brazil no Seculo Vinte</strong></em> (originalmente intitulado <em>Impressions of Brazil in the Twentieth Century</em>), um volume monumental de 1.080 páginas publicado em 1913 e impresso na Inglaterra pela <em>Lloyd&#8217;s Greater Britain Publishing Company, Ltd. </em>oferece um panorama detalhado das condições socioeconômicas do Brasil às vésperas da Primeira Guerra Mundial. A obra constitui fonte indispensável para a contextualização histórica da Cooperativa Alcoólica da Bahia, fornecendo os detalhes técnicos e administrativos da empresa que permitem compreender a dimensão e a modernidade dos documentos fotográficos aqui apresentados.</p>
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<p>*Diana Ramos é curadora do portal Brasiliana Fotográfica e Chefe da Seção de Iconografia da Fundação Biblioteca Nacional.</p>
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<p><span style="color: #800000;"><strong>Fontes:</strong></span></p>
<p>LLOYD, Reginald (dir.). <em>Impressões do Brazil no seculo vinte: sua historia, seu povo, commercio, industrias e recursos</em>. Londres: Lloyd&#8217;s Greater Britain Publishing Company Limited, 1913. p. 893.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong>Hemeroteca Digital da Biblioteca Nacional:</strong></p>
<p><em>A ILLUSTRAÇÃO BRAZILEIRA</em>. Rio de Janeiro: Sociedade Anonyma O Malho, ano 4, n. 34, jun. 1923. p. 188.</p>
<p><a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/107468/7555">http://memoria.bn.gov.br/DocReader/107468/7555</a></p>
<p><em>ALMANAK LAEMMERT: administrativo, mercantil e industrial do Rio de Janeiro</em>. Rio de Janeiro: Companhia Typographica do Brazil, 1909. nº 66, p. 2350-2373.</p>
<p><a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/313394/38991">http://memoria.bn.gov.br/DocReader/313394/38991</a></p>
<p><a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/313394/38995">http://memoria.bn.gov.br/DocReader/313394/38995</a></p>
<p><em>A NOITE</em>. Rio de Janeiro: [s.n.], ano 18, n. 6.018, 20 ago. 1928. p. 8.</p>
<p><a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/348970_02/23552">http://memoria.bn.gov.br/DocReader/348970_02/23552</a></p>
<p><em>BRASIL AÇUCAREIRO</em>. Rio de Janeiro: O Instituto, ano 1, n. 17, 5 ago. 1933. p. 38-39.</p>
<p><a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/002534/688">http://memoria.bn.gov.br/DocReader/002534/688</a></p>
<p><em>DIÁRIO DE PERNAMBUCO</em>. Recife: Diário de Pernambuco, ano 99, n. 61, 15 mar. 1923. p. 5.</p>
<p><a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/029033_10/8579">http://memoria.bn.gov.br/DocReader/029033_10/8579</a></p>
<p><em>DIARIO DO PIAUHY: orgão official dos poderes do estado</em>. Teresina: [s.n.], ano 1, n. 32, 1911. p. 2.</p>
<p><a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/231371/130">http://memoria.bn.gov.br/DocReader/231371/130</a></p>
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