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	<title>Brasiliana Fotográfica &#187; Charles Dancla</title>
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		<title>Após encantar-se com Molière e Giulietta Dionesi, o imperador Pedro II sofre um atentado</title>
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		<pubDate>Wed, 15 Jul 2020 14:39:13 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Andrea Wanderley]]></dc:creator>
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		<description><![CDATA[Dom Pedro II (1825 - 1891) foi alvo de um atentado quando saía do Theatro Sant´Anna, no Rio de Janeiro, com alguns membros de sua família, em 15 de julho de 1889. "Pela primeira vez, após um reinado de mais de meio século, fora quebrado o respeito que sempre cercou a pessoa do imperador". Na verdade, Pedro II governou por quase 50 anos e não por mais de meio século - de 23 de julho de 1840 a 15 de novembro de 1889 e, segundo José Murilo de Carvalho, o fez “com os valores de um republicano, com a minúcia de um burocrata e com a paixão de um patriota. Foi respeitado por quase todos, não foi amado por quase ninguém”.]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p>Dom Pedro II (1825 &#8211; 1891) foi alvo de um atentado quando saía do Theatro Sant´Anna, no Rio de Janeiro, com alguns membros de sua família, em 15 de julho de 1889. Foi o primeiro governante do Brasil a sofrer um atentado!</p>
<p>&nbsp;</p>
<div style="width: 303px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/2952" target="_blank"><img src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/bitstream/handle/20.500.12156.1/2952/imagem.jpg.jpg?sequence=2&amp;isAllowed=y" alt="Thumbnail" width="293" height="452" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/2952" target="_blank">Pedro Hees, Photographia Popular. Pedro II, Imperador, 18?. / Acervo FBN</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p><span style="color: #800000;">&#8220;<em>Pela primeira vez, após um reinado de mais de meio século, fora quebrado o respeito que sempre cercou a pessoa do imperador&#8221;. </em></span></p>
<p><em>                                                                                                                                            <a href="http://memoria.bn.br/docreader/178691_01/7358" target="_blank"><span style="color: #333333;">O Paiz, </span></a></em><a href="http://memoria.bn.br/docreader/178691_01/7358" target="_blank"><span style="color: #333333;">17 de julho de 1889</span></a></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Na verdade, Pedro II, um <em>Habsburgo perdido nos trópicos</em>, cuja figura de 1,90m, louro e de olhos azuis contrastava com a aparência da maioria da população do Brasil, governou por quase 50 anos e não por mais de meio século &#8211; foram 49 anos, três meses e 22 dias.  Pedro II governou o Brasil, país pelo qual era apaixonado, de 23 de julho de 1840 a 15 de novembro de 1889 e, segundo José Murilo de Carvalho, o fez “<em>com os valores de um republicano, com a minúcia de um burocrata e com a paixão de um patriota. Foi respeitado por quase todos, não foi amado por quase ninguém</em>”. Lembramos aqui o fato de dom Pedro II ter sido um grande entusiasta da fotografia, tendo sido o primeiro brasileiro a possuir um daguerreótipo,e  provavelmente, o primeiro fotógrafo do Brasil. Devido ao seu interesse no assunto, implantou e ajudou decisivamente o desenvolvimento da fotografia no país.</p>
<p>&nbsp;</p>
<div style="width: 535px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/618" target="_blank"><img src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/bitstream/handle/20.500.12156.1/618/imagem.jpg.jpg?sequence=2&amp;isAllowed=y" alt="Thumbnail" width="525" height="800" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/618" target="_blank">Joaquim Insley Pacheco. Pedro II, imperador do Brasil: retrato, s/d / Acervo FBN</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>Na noite de 15 de julho de 1889, houve a apresentação de uma jovem violinista italiana e a encenação de uma peça,  no Theatro Sant´Anna. O imperador Pedro II (1825 &#8211; 1891), acompanhado da <a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=6798" target="_blank">imperatriz Teresa Cristina (1822 &#8211; 1889)</a>, de sua filha, a <a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=1797" target="_blank">princesa Isabel (1846 &#8211; 1921)</a>, e do príncipe Pedro Augusto (1866 &#8211; 1934), seu neto mais velho, estiveram presentes.</p>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_19856" style="width: 381px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://memoria.bn.br/DocReader/103730_02/15898" target="_blank"><img class=" wp-image-19856" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2020/06/prop.jpg" alt="Gazeta de Notícias, 15 de julho de 1889" width="371" height="369" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="http://memoria.bn.br/DocReader/103730_02/15898" target="_blank"><em>Gazeta de Notícias</em>, 15 de julho de 1889</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p><span style="color: #800000;"><a style="color: #800000;" href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/visualizar-grupo-trabalho/66" target="_blank">Acessando o link para as fotografias de dom Pedro II disponíveis na Brasiliana Fotográfica, o leitor poderá magnificar as imagens e verificar todos os dados referentes a elas. </a></span></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>O Theatro Sant´Anna localizava-se onde anteriormente ficava o Theatro Casino Franco-Brésilien. Foi reinaugurado em 29 de outubro de 1880, com a opereta do alemão Jacques Offenbach (1819 &#8211; 1880), <em>La fille du tambour major</em>, executada pela Companhia Lírica Francesa. Era, desde então, um dos palcos mais importantes do Rio de Janeiro. Ficava na Praça da Constituição, atual Praça Tiradentes (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/146633/680" target="_blank"><em>Revista Musical e de Bellas Artes</em>, 30 de outubro de 1880, segunda coluna</a>). Em 26 de janeiro de 1905, já propriedade do empresário Paschoal Segreto (1868 &#8211; 1920), foi reinaugurado com o nome de Theatro Carlos Gomes com a encenação da peça <em>Papa Lebonnard</em>, de Jean Aicard (1848 &#8211; 1921), com a Companhia Christiano de Souza e Lucinda Simões (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/116300/4064" target="_blank"><em>O Malho</em>, 21 de janeiro de 1905</a>).</p>
<div>Voltando à noite de 15 de julho de 1889. O Sant&#8217;Anna achava-se repleto: <em>platéia e camarotes ocupados por pessoas da melhor sociedade; as galerias cheias da gente que de ordinário a freqüenta</em><span style="color: #800000;"> (</span><a href="http://memoria.bn.br/DocReader/830321/2585" target="_blank"><em>Novidades,</em> 16 de julho de 1889, quinta coluna</a>). Foi apresentada a comédia <em>Escola de Maridos </em>(1661), do célebre dramaturgo francês Molière (1622 &#8211; 1673), traduzida pelo jornalista e dramaturgo maranhense Arthur de Azevedo (1855 &#8211; 1908), que em um dos intervalos foi chamado ao camarote do imperador, que felicitou seu trabalho e manifestou o desejo de possuir uma cópia de sua <em>excelente tradução</em> (<a href="http://memoria.bn.br/docreader/103730_02/15900" target="_blank"><em>Gazeta de Notícias</em>, 16 de julho de 1889, quarta coluna</a>). Arthur de Azevedo foi, anos depois, um dos fundadores da Academia Brasileira de Letras e algumas de suas peças de maior sucesso foram <em>A Capital Federal</em> e <em>O Mambembe</em>.</div>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_19859" style="width: 451px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://objdigital.bn.br/objdigital2/acervo_digital/div_iconografia/icon406734/icon406734.jpg" target="_blank"><img class="wp-image-19859" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2020/06/azevedo.jpg" alt="Arthur Azevedo no seu leito de morte, gravura de Modesto Brocos, 1910" width="441" height="311" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="http://objdigital.bn.br/objdigital2/acervo_digital/div_iconografia/icon406734/icon406734.jpg" target="_blank">Arthur Azevedo no seu leito de morte, gravura de Modesto Brocos, 1910</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>Nos intervalos da peça, a violinista Giulietta Dionesi (c. 1877 &#8211; 1911), com a apenas 11 anos e já considerada uma virtuose do instrumento, executou a<em> Grande Marcha Militar</em>, do belga Hubert Leonard (1819 &#8211; 1890); e o <em>Andante e Polonesa de Concerto</em>, do francês Charles Dancla (1817 &#8211; 1907). Foi acompanhada por seu irmão, 10 anos mais velho do que ela, o maestro e pianista Romeu Dionesi (c. 1867 &#8211; ?). A apresentação foi um sucesso (<em>Gazeta de Notícias</em>, <a href="http://memoria.bn.br/DocReader/103730_02/15889" target="_blank">14 de julho de 1889, quarta coluna;</a> e<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/103730_02/15904" target="_blank"> 17 de julho de 1889, penúltima coluna</a>).</p>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_19865" style="width: 261px" class="wp-caption aligncenter"><img class="wp-image-19865" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2020/06/GIULIETA1.jpg" alt="GIULIETA1" width="251" height="365" /><p class="wp-caption-text">A violinista italiana Giulietta Dionesi, aos 11 anos, em gravura da revista Pantheon</p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: left;">Os Dionesi haviam chegado em junho no Rio de Janeiro, após uma bem sucedida excursão pela Itália, Espanha e Portugal. No dia 6 de julho, Giulieta foi cumprimentar o imperador que, segundo noticiado, a recebeu com <em>benéfico acolhimento</em> e pediu que ela deixasse com ele o álbum com os artigos que a imprensa havia publicado sobre ela. Os irmãos ficaram órfãos de mãe e fugiram da Itália devido à exploração que o pai fazia do talento dos dois (<em>Gazeta de Notícias</em>, <a href="http://memoria.bn.br/DocReader/103730_02/15820" target="_blank">29 de junho de 1889, quinta coluna</a>; e <a href="http://memoria.bn.br/DocReader/103730_02/15852" target="_blank">7 de julho de 1889, quinta coluna</a>).</p>
<p>Enfim, a noite no Teatro Sant´Anna havia sido um sucesso absoluto! <em>O espetáculo correu na melhor ordem.</em> <em>A atitude do povo era de todo o ponto pacífica e cortês</em>. Porém, quando dom Pedro II e seus familiares, ao fim do espetáculo, chegaram ao saguão do teatro, houve uma manifestação contra a família imperial. Alguém gritou &#8220;Viva o Partido Republicano!&#8221;, <em>abafado imediatamente esses gritos sediciosos aos aplausos de Viva o imperador! Viva a família imperial! Viva a monarquia!</em> (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/830321/2585" target="_blank">(<em>Novidades</em>, 16 de julho de 1889, quinta coluna</a>; e <a href="http://memoria.bn.br/DocReader/830321/2589" target="_blank"><em>Novidades</em>, 17 de julho de 1889, quinta coluna</a>).</p>
<p>&#8220;<em>Causou a mais viva impressão a notícia da deplorável ocorrência de ontem à noite, às portas do teatro Sant&#8217;Anna e suas circunvizinhanças. Um grupo, quando o Imperador saía do teatro em companhia de sua augusta família, levantou vivas à república, o que produziu a maior confusão no povo, que em desafronta de Sua Magestade levantou vivas ao imperador. Sua Magestade embarcou em seguida no seu coche, que partiu a trote largo, e afirmam várias pessoas que, no momento de passar aquele por defronte da Maison Moderne, ou Stat-Coblentz, ouviu-se a detonação de um tiro</em>&#8221; (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/085669/2049" target="_blank"><em>Cidade do Rio</em>, 16 de julho de 1889</a>).</p>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_19850" style="width: 495px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://memoria.bn.br/DocReader/332747/4030" target="_blank"><img class="size-full wp-image-19850" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2020/06/atentado.jpg" alt="Capa da Revista Illustrada de 20 de julho de 1889" width="485" height="517" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="http://memoria.bn.br/DocReader/332747/4030" target="_blank">Capa da <em>Revista Illustrada</em> de 20 de julho de 1889</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>Foi na frente do restaurante <em>Maison Moderne, </em>localizado na própria Praça da Constituição, entre a rua Espírito Santo e a Travessa da Barreira, que foram disparados tiros na direção da carruagem imperial, que seguiu pela rua da Carioca em direção ao Paço Imperial.</p>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_19853" style="width: 624px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://memoria.bn.br/DocReader/085669/2049" target="_blank"><img class=" wp-image-19853" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2020/06/desacato.jpg" alt="Cidade do Rio, 16 de julho de 1889" width="614" height="409" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="http://memoria.bn.br/DocReader/085669/2049" target="_blank"><em>Cidade do Rio</em>, 16 de julho de 1889</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>Ainda na madrugada do dia 16 de julho, o 1º delegado de polícia, Bernardino Ferreira da Silva, começou as investigações. O primeiro detido, logo liberado, foi Germano Hasslocher. Depois compareceu à delegacia Eduardo José de Freitas informando que um funcionário da <em>Maison Moderne</em>, Antônio José Nogueira, conhecia o autor dos disparos, Adriano Augusto do Valle. Assim, o delegado Bernardino prendeu o acusado em um bonde da Companhia de Botafogo, na rua de Gonçalves Dias. Ele tinha 20 ou 21 anos, era natural de Coimbra, filho de Adriano Francisco Augusto do Valle e trabalhava desde maio como primeiro caixeiro do estabelecimento de pedras açorianas e máquinas para lavoura dos Srs. Ferreira &amp; C., na rua Teófilo Otoni, nº 119, mesma rua onde residia, no nº 128. Na edição de <em>O Paiz</em> de 17 de julho de 1889, foram publicados alguns antecedentes do acusado que, segundo o periódico, há algum tempo <em>discutia assuntos políticos , mostrando-se extremado em suas opiniões. </em>Noticiou também o boato de que Adriano já havia dado um tiro em um retrato do <a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=11397" target="_blank">conde d´Eu (1842 &#8211; 1922)</a>, marido da princesa Isabel, <em>dizendo que sentia não poder fazer o mesmo, por enquanto, na pessoa desse príncipe</em> (<a href="http://memoria.bn.br/docreader/178691_01/7358" target="_blank"><em>O Paiz</em>, de 17 de julho de 1889</a>; e <a href="http://memoria.bn.br/DocReader/248070/923" target="_blank"><em>Diário do Commércio</em>, 17 de julho de 1889, terceira coluna</a>).</p>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_19851" style="width: 296px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://memoria.bn.br/docreader/178691_01/7364" target="_blank"><img class="size-full wp-image-19851" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2020/06/adriano.jpg" alt="O Paiz, 18 de julho de 1889" width="286" height="387" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="http://memoria.bn.br/docreader/178691_01/7364" target="_blank"><em>O Paiz</em>, 18 de julho de 1889</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>Segundo alguns relatos, pouco antes do atentado, junto com outros rapazes, em bebedeira, Adriano do Valle teria afirmado ter coragem de dar “Vivas a República” diante do imperador. Foi incentivado pelos colegas, atirou e fugiu. Tentou se esconder em diversos hotéis, mas todos estavam cheios. No Hotel Provenceaux, pediu que o caixeiro Antônio Gonçalves guardasse os dois revólveres que possuía. Durante o interrogatório, confessou seu crime e declarou:</p>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_19875" style="width: 248px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://memoria.bn.br/DocReader/830321/2585" target="_blank"><img class=" wp-image-19875" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2020/06/inte.jpg" alt="Novidades, 16 de julho de 1889, penúltima coluna" width="238" height="154" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="http://memoria.bn.br/DocReader/830321/2585" target="_blank"><em>Novidades</em>, 16 de julho de 1889, penúltima coluna</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>Houve um clima de consternação geral. O atentado causou polêmica em torno da imigração estrangeira, em crescimento durante a década de 1880, já que o criminoso era português, pertencendo à maior colônia de imigrantes da Corte e também à comunidade mais rica da cidade do Rio de Janeiro; e do movimento republicano.</p>
<p>Os republicanos imediatamente declararam-se contra o atentado, dissociando-se da ação criminosa. Quintino Bocaiuva (1836 &#8211; 1912 ), chefe do Partido Republicano e redator-chefe do jornal <em>O Paiz,</em> publicou o editorial &#8220;<em>Os dois fatos</em>&#8220;(<a href="http://memoria.bn.br/docreader/178691_01/7358" target="_blank"><em>O Paiz</em>, 17 de julho de 1889, terceira coluna</a>).</p>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_19879" style="width: 296px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://memoria.bn.br/DocReader/178691_01/7358"><img class="size-full wp-image-19879" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2020/06/quintino.jpg" alt="O Paiz, 17 de julho de 1889" width="286" height="468" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="http://memoria.bn.br/docreader/178691_01/7358" target="_blank"><em>O Paiz</em>, 17 de julho de 1889</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>Outros jornais também se pronunciaram nesse sentido:</p>
<p>&#8220;<em>Infelizmente, houve ontem um atentado que não podemos atribuir senão à inconsciência de quem o praticou: ou loucura ou embriaguez, pois, por honra do partido republicano, não acreditamos que tal ato dele partisse. Esse triste acontecimento é ainda uma das consequências da profunda anarquia que lavra nos espíritos do Brasil, onde todas as noções de direito, dever e liberdade acham-se completamente obliteradas&#8221;. </em>Tal ato contrariaria a &#8220;<em>brandura do coração brasileiro e dos nossos costumes&#8221; (<span style="color: #333333;"><a href="http://memoria.bn.br/DocReader/226688/9859" target="_blank">Gazeta da Tarde, </a></span></em><span style="color: #333333;"><a href="http://memoria.bn.br/DocReader/226688/9859" target="_blank">16 de julho de 1889, segunda coluna</a>)</span><em>.</em><em><span style="color: #333333;"> </span></em></p>
<p style="text-align: center;"><span style="color: #800000;"><em>&#8220;Revolucionários, sim, assassinos, nunca!&#8221;</em></span></p>
<p><em>&#8220;O Partido Republicano não tem a menor responsabilidade pelo desacato cometido contra S.S.M.M&#8230; O desacato que sofreu o chefe do estado, alquebrado pelos anos e pela moléstia, junto à santa senhora que o acompanhava só pode ser levado à conta da loucura daqueles que a todo transe procuram indispor e vilipendiar o nosso partido. Apelamos para o próprio imperador, e ele, que com cosciência nos diga, se julga que haja nesta terra um &#8220;verdadeiro republicano&#8221; que seja capaz de atentar contra a sua vida! Revolucionários, sim, assassinos, nunca!&#8221;</em> (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/808911/41" target="_blank"><em>República Brazileira</em>, 17 de julho de 1889, primeira coluna</a>).</p>
<p>O próprio dom Pedro II, que no dia seguinte ao atentado foi com a imperatriz para o Palacete Itamaraty, no Alto da Boa Vista, procurou minimizar publicamente a importância do ocorrido, descartando a possibilidade de Adriano fazer parte de uma trama para sua deposição: “<em>Não foi nada, foi um tiro de louco!</em>” teria exclamado, na tentativa de encerrar o caso. Na ocasião, recebeu diversas visitas em desagravo ao ocorrido (<a href="http://memoria.bn.br/docreader/178691_01/7358" target="_blank"><em>O Paiz</em>, 17 de julho de 1889, última coluna</a>).</p>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_19876" style="width: 297px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://memoria.bn.br/docreader/178691_01/7358" target="_blank"><img class="wp-image-19876 size-full" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2020/06/palacete.jpg" alt="palacete" width="287" height="316" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="http://memoria.bn.br/docreader/178691_01/7358" target="_blank"><em>O Paiz</em>, 17 de julho de 1889, última coluna</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>Devido à nacionalidade do acusado, o conselheiro Nogueira Soares, ministro de Portugal no Brasil, convocou seus compatriotas a uma reunião para a discussão sobre o atentado contra o imperador (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/103730_02/15925" target="_blank"><em>Gazeta de Notícias</em>, 21 de julho de 1889, sexta coluna</a>). Associados das caixas beneficentes e associações portuguesas lançaram uma nota de repúdio ao crime e a diretoria do Liceu Literário Português anunciou seu total desacordo com o ato cometido contra o imperador: &#8220;<em>Este ato manou de um louco, e os loucos não têm pátria</em>” (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/103730_02/15907" target="_blank"><em>Gazeta de Notícias</em>, 18 de julho de 1889, terceira coluna</a>).</p>
<p>Na reunião do ministério de Portugal, realizada no Gabinete Português de Leitura, no dia 24 de julho, o ministro Nogueira Soares leu um retrospecto dos acontecimentos acerca do atentado e fundamentou a seguinte proposta:</p>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_19890" style="width: 299px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://memoria.bn.br/DocReader/178691_01/7402" target="_blank"><img class="size-full wp-image-19890" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2020/06/aplausos.jpg" alt="O Paiz, 25 de julho de 1889" width="289" height="500" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="http://memoria.bn.br/DocReader/178691_01/7402" target="_blank"><em>O Paiz,</em> 25 de julho de 1889</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>A <em>Gazeta de Notícias</em> publicou um editorial contra a posição aprovada por parte da colônia portuguesa durante a reunião (<a href="http://memoria.bn.br/docreader/103730_02/15953" target="_blank"><em>Gazeta de Notícias</em>, 26 de julho de 1889, primeira coluna</a>). O jornal <em>O Paiz</em>, cujo dono era o português João José dos Reis Junior, também se pronunciou afirmando que “<em>A nacionalidade portuguesa não pode de modo algum ser lastimada pelo acidente da origem do jovem presumido criminoso” </em>e desaprovando o ato de Nogueira Soares classificando- o de&#8221;<em>azáfama de zumbaias à monarquia&#8221;</em> e de &#8220;<em>ostenstação</em> <em>de desprezo e de abandono para com o desventurado moço português </em>(<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/178691_01/7416" target="_blank"><em>O Paiz</em>, 28 de julho de 1889, quarta coluna</a>).</p>
<p>Enquanto isso, o imperador seguiu recebendo, entre os meses de julho e agosto, vários telegramas o felicitando por ter sobrevivido ao atentado. Pelo mesmo motivo, também foram oferecidas diversas missas em Ação de Graças. Mas o fato é que a monarquia estava mesmo em seus estertores no Brasil. Em 9 de novembro, foi realizado o baile da Ilha Fiscal (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/docreader.aspx?bib=103730_02&amp;PagFis=16509"><em>Gazeta de Notícias</em>, de 11 de novembro de 1889</a>), que passou à história como o último baile do regime monárquico no país. Dias depois, em 15 de novembro, foi proclamada a República (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/103730_02/16528" target="_blank"><em>Gazeta de Notícias</em>, 16 de novembro de 1889</a>).  Em 17 de novembro, a família real partiu para o exílio, na Europa, a bordo do Alagoas (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/DocReader.aspx?bib=103730_02&amp;PagFis=16536"><em>Gazeta de Notícias</em>, edição de 18 de novembro de 1889, sob o título “O Embarque do Imperador”, na segunda coluna</a>).</p>
<p>Cerca de uma semana depois, no dia 23 de novembro de 1889, aconteceu o julgamento de Adriano do Valle perante o júri. Foi presidida pelo juiz Hollanda Cavalcanti. O reú compareceu acompanhado por seu curador, Julio Ottoni, e por seu defensor Ferreira Lima. O promotor do caso foi Lima Drummond. A defesa alegou que o grito de “Viva o Partido Republicano” tornara-se irrelevante devido à mudança de regime de governo ocorrido no Brasil; que Adriano não havia atirado contra a carruagem imperial já que nem os cocheiros nem os membros do piquete haviam ouvido disparos; e que não havia marca de tiros na carruagem. Argumentaram também que Adriano do Valle havia ingerido absinto, um dos motivos de ter tomado uma atitude irracional. O juiz Hollanda Cavalcanti fez 10 perguntas para os jurados, sendo a primeira “O acusado atirou no carro do imperador?” As demais estavam associadas a ela. Por 10 votos a 0, os jurados responderam “não” à primeira questão. As seguintes perderam o sentido e Adriano do Valle foi então, poucos dias após a proclamação da República, absolvido e posto em liberdade (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/103730_02/16566" target="_blank"><em>Gazeta de Notícias</em>, 24 de novembro, penúltima coluna).<br />
</a></p>
<p>Pedro II faleceu, no exílio, em Paris, em 5 de dezembro de 1891, no Hotel Bedford, na rua Arcade, no oitavo <em>arrondissement</em> da cidade. Foi retratado pelo renomado fotógrafo Nadar e seu atestado de óbito foi assinado por Jean Marie Charcot (1825 &#8211; 1893), Charles Jacques Bouchard (1837 &#8211; 1915) e por seu médico e amigo pessoal, Cláudio Velho da Motta Maia (1843 &#8211; 1897). A causa da morte foi pneumonia aguda no pulmão esquerdo.</p>
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<div id="attachment_16683" style="width: 276px" class="wp-caption alignleft"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2015/12/registro.jpg"><img class="size-full wp-image-16683" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2015/12/registro.jpg" alt="Registro de morte de dom Pedro II" width="266" height="372" /></a><p class="wp-caption-text">Registro de morte de dom Pedro II</p></div>
<p>Tradução do registro de morte do imperador:</p>
<p><i>&#8220;</i>Nós, abaixo assinados, Professores da Faculdade de Medicina e doutores em medicina, certificamos que Dom Pedro II d’Alcantara morreu em 5 de Dezembro de 1891 à meia noite e 35 (da manhã) no hotel Bedford, 17 rue de l’Arcade, em Paris, em conseqüência de uma pneumonia aguda do pulmão esquerdo.</p>
<p>Paris, 5 de dezembro de 1891</p>
<p>J.M Charcot</p>
<p>C. de Motta Maia</p>
<p>Bouchard&#8221;</p>
<p><a href="http://piaui.folha.uol.com.br/questoes-manuscritas/o-registro-da-morte-do-imperador/" target="_blank">Link para o registro da morte de Pedro II.</a></p>
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<div style="width: 720px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/2951" target="_blank"><img class="" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/bitstream/handle/20.500.12156.1/2951/imagem.jpg.jpg?sequence=2&amp;isAllowed=y" alt="" width="710" height="454" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/2951" target="_blank">Nadar; Pacheco &amp; Filho. Pedro II, Imperador do Brasil : retrato, 1891. Paris, França / Acervo FBN</a></p></div>
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<p>&nbsp;</p>
<p>Andrea C. T. Wanderley</p>
<p>Editora e pesquisadora do portal Brasiliana Fotográfica</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><span style="color: #800000;"><strong>Fontes:</strong></span></p>
<p><a href="http://www.academia.org.br/academicos/artur-azevedo/biografia" target="_blank">Academia Brasileira de Letras</a></p>
<p><a href="https://cpdoc.fgv.br/sites/default/files/verbetes/primeira-republica/BOCAIUVA,%20Quintino.pdf" target="_blank">CPDOC</a></p>
<p>BESOUCHET, Lídia. <em>Exílio e morte do Imperador</em>. Rio de Janeiro: Editora Nova Fronteira, 1975</p>
<p>CARVALHO, José Murilo de. <em>Os bestializados, o Rio de Janeiro e a República que não foi</em>. São Paulo: Cia. das Letras, 1987.</p>
<p>CARVALHO, José Murilo. <em>Pedro II: ser ou não ser</em>. São Paulo: Companhia das Letras, 2007.</p>
<p><a href="https://www.britannica.com/biography/Jacques-Offenbach" target="_blank">Enciclopédia Britannica</a></p>
<p>HARING, Bertita.<em> O Trono do Amazonas – a história dos Braganças no Brasil</em> – José Olympio, RJ, 1944.</p>
<p><a href="http://bndigital.bn.br/hemeroteca-digital/" target="_blank">Hemeroteca Digital da Biblioteca Nacional</a></p>
<p><a href="https://jmonline.com.br/novo/?noticias,22,ARTICULISTAS,166298" target="_blank"><em>Jornal da Manhã</em> de Uberaba, 20 de setembro de 1918</a></p>
<p>MEDEIROS, Karla Armani. <em><a href="http://karlaarmani.blogspot.com/2019/01/giulietta-dionesi-jovem-violinista.html">Giulietta Dionesi, a jovem violinista</a></em>. <em>O Diário de Barretos</em>, 8 de janeiro de 2019.</p>
<p>OLIVEIRA, Olga Maria Frange de. <a href="https://jmonline.com.br/novo/?noticias,22,ARTICULISTAS,166298" target="_blank"><em>O atentado e o resgate de um gênio</em></a>. <em>Jornal da Manhã</em> (Uberaba), 20 de setembro de 2018.</p>
<p>SCHWARCZ, Lilia Moritz. <i>As barbas do Imperador: D. Pedro II, um monarca nos trópicos</i>. São Paulo: Companhia das Letras, 1998.</p>
<p><a href="https://www.naxos.com/person/Hubert_Leonard/53690.htm" target="_blank">Site Naxos</a></p>
<p><a href="http://www.ctac.gov.br/centrohistorico/teatroXperiodo.asp?cdp=17&amp;cod=108" target="_blank">Site Theatros do Centro Histórico do Rio de Janeiro</a></p>
<p><a href="https://www.violinman.com/Violin_Family/history/composer/biography/DANCLA,%20Charles/DANCLA,%20Charles%20%20(1817-1907).htm" target="_blank">Site ViolinMan.com</a></p>
<p>VIDIPÓ, George. <a href="https://www.encontro2018.rj.anpuh.org/resources/anais/8/1528452552_ARQUIVO_AtentadocontraDPedroII-GeorgeVidipo-Anpuh2018II.pdf" target="_blank"><em>Um processo criminal nos jornais do século XIX: o atentado contra dom Pedro II</em></a>. Anais do Encontro Internacional XVII Encontro de História da Anpuh-Rio: História e Parcerias, 2018.</p>
<p>&nbsp;</p>
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