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	<title>Brasiliana Fotográfica &#187; carta</title>
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		<title>Série &#8220;1922 &#8211; Hoje, há 100 anos&#8221; III &#8211; A eleição de Artur Bernardes e a derrota de Nilo Peçanha</title>
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		<pubDate>Wed, 02 Mar 2022 02:37:33 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Andrea Wanderley]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Análise de documento]]></category>
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		<category><![CDATA[Série 1922]]></category>

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		<description><![CDATA[No 3º artigo da "Série 1922 - Hoje, há 100 anos A eleição de Artur Bernardes", a Brasiliana Fotográfica traz três fotografias de Artur Bernardes (1875 - 1955), da Coleção Presidentes da República, e oito de Nilo Peçanha (1867 - 1924), todas do acervo do Museu da República, uma das instituições parceiras do portal.]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p>No 3º artigo da Série <em>1922 &#8211; Hoje, há 100 anos,</em> <em>A eleição de Artur Bernardes e a derrota de Nilo Peçanha, </em>a Brasiliana Fotográfica traz três fotografias de Artur Bernardes (1875 &#8211; 1955), da Coleção Presidentes da República, e oito de Nilo Peçanha (1867 &#8211; 1924), todas do acervo do Museu da República, uma das instituições parceiras do portal. Uma das imagens de Bernardes foi produzida pela Annunciato Photo e as outras duas são de autoria de fotógrafos ainda não identificados. Um dos registros de Nilo Peçanha, o candidato derrotado, é de autoria de <a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=5398" target="_blank">Juan Gutierrez (c. 1860 -1897).</a> Há também a imagem do verso de um estojo de madeira que protege o álbum fotográfico da <a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=18379" target="_blank">Escola de Aprendizes e Artífices do Estado de Alagoas</a>, que já foi tema de um artigo do portal, onde Nilo aparece desenhado entre as bandeiras do Brasil e de Alagoas.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: center;"><span style="color: #800000;"><em><strong>O candidato vitorioso, Artur Bernardes (1875 &#8211; 1955)</strong></em></span></p>
<p>&nbsp;</p>
<div style="width: 710px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/8418" target="_blank"><img src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/bitstream/handle/20.500.12156.1/8418/Artur%20Bernardes.%20PR04ab.JPG.jpg?sequence=4&amp;isAllowed=y" alt="Thumbnail" width="700" height="516" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/8418" target="_blank">Artur Bernardes, s/d / Acervo Museu da República</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/visualizar-grupo-trabalho/297   " target="_blank">Acessando o link para as fotografias de Artur Bernardes disponíveis na Brasiliana Fotográfica, o leitor poderá magnificar as imagens e verificar todos os dados referentes a elas.</a></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Mineiro de Viçosa, Artur Bernardes foi eleito pelo Partido Republicano Mineiro, em 1º de março de 1922, quando derrotou Nilo Peçanha, candidato do Movimento Reação Republicana, tornando-se o 12º presidente do Brasil (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/110523_02/9227" target="_blank"><em>O Jornal</em>, 2 de março de 1922</a>).</p>
<p>No mesmo mês de março, foi fundado o Partido Comunista do Brasil, por iniciativa do Grupo Comunista de Porto Alegre, que realizou, no Rio e em Niterói, nos dias 25, 26 e 27 de março, um congresso. Abílio de Nequete (1888 &#8211; 1960) foi eleito secretário geral.</p>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_28233" style="width: 529px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2022/03/pcb.jpg"><img class="size-full wp-image-28233" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2022/03/pcb.jpg" alt=" De pé, da esquerda para a direita: Manuel Cendon, Joaquim Barbosa, Astrogildo Pereira, João da Costa Pimenta, Luís Peres e José Elias da Silva; sentados, da esquerda para a direita: Hermogênio Silva, Abílio de Nequete e Cristiano Cordeiro / Nosso Século" width="519" height="360" /></a><p class="wp-caption-text">De pé, da esquerda para a direita: Manuel Cendon, Joaquim Barbosa, Astrogildo Pereira, João da Costa Pimenta, Luís Peres e José Elias da Silva; sentados, da esquerda para a direita: Hermogênio Silva, Abílio de Nequete e Cristiano Cordeiro / Nosso Século</p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>Voltando às eleições: foram 466.877 votos contra 317.714 e o pleito dividiu o país: Bahia, Pernambuco, Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul deram apoio a Nilo Peçanha enquanto Minas Gerais e São Paulo apoiaram a candidatura de Bernardes, que tomou posse em 15 de novembro de 1922 e ficou no cargo até 15 de novembro de 1926. Governou grande parte de seu mandato sob estado de sítio, decretado por ele.</p>
<p>&nbsp;</p>
<div style="width: 599px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/8419" target="_blank"><img src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/bitstream/handle/20.500.12156.1/8419/Artur%20Bernardes%20PR.09%281%29.ab.JPG.jpg?sequence=4&amp;isAllowed=y" alt="Thumbnail" width="589" height="800" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/8419" target="_blank">Anunciato. Artur Bernardes, s/d / Acervo Museu da República</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>Formado em Direito, Bernardes foi vereador, deputado, secretário das Finanças e governador de Minas Gerais antes de chegar à presidência da República. Sua eleição para o governo de Minas representou a ascensão de uma nova geração de políticos no estado e durante seu mandato fez grande oposição às atividades do proprietário da Itabira Iron Ore Company, o empresário norte-americano Percival Farquhar (1865–1953).</p>
<p>Era o representante da política que ficou conhecida como <em>Café com Leite</em>, que alternava candidatos das oligarquias de São Paulo e Minas Gerais. Durante a campanha presidencial houve o episódio das <em>cartas falsas: </em>ele foi acusado de ter escrito cartas ao senador Raul Soares (1877 &#8211; 1924), publicadas no jornal <em>Correio da Manhã</em>, atacando seu opositor, Nilo Peçanha, chamado de<em> moleque</em>, e o marechal Hermes da Fonseca (1855 – 1923) referido como um <em>sargentão sem compostura</em>, o que acirrou os ânimos dos militares contra sua candidatura. Bernardes chegou ao Rio de Janeiro, em 15 de outubro de 1921, para apresentar sua plataforma de governo e foi recebido por uma multidão raivosa na avenida Rio Branco. Houve um quebra-quebra na cidade e seus retratos foram arrancados das vitrines das lojas e queimados (<em>Correio da Manhã</em>, <a href="http://memoria.bn.br/DocReader/089842_03/7966" target="_blank">9 de outubro, última coluna</a>; <a href="http://memoria.bn.br/docreader/089842_03/8013" target="_blank">13 de outubro</a> e <a href="http://memoria.bn.br/DocReader/089842_03/8049" target="_blank">16 de outubro </a>de 1921).</p>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_26650" style="width: 778px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://memoria.bn.br/DocReader/089842_03/8049" target="_blank"><img class="size-large wp-image-26650" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2021/12/cartas-1024x408.jpg" alt="Correio da Manhã, 16 de outubro de 1921" width="768" height="306" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="http://memoria.bn.br/DocReader/089842_03/8049" target="_blank"><em>Correio da Manhã</em>, 16 de outubro de 1921</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>Os reponsáveis pelas cartas foram Jacinto Cardoso de Oliveira Guimarães, Oldemar Lacerda e Pedro Burlamaqui e, ainda durante a campanha, foi provado que haviam sido forjadas, mas a contestação a Bernardes nos meios militares já era irreversível. Apesar da importante crise política, Artur Bernardes se elegeu, mas, durante seu governo, enfrentou o movimento tenentista, que deu início a um processo de ruptura política que teria como consequência a Revolução de 1930. Seu governo foi fortemente marcado pela dura repressão a seus oposiocionistas e pela censura à imprensa.</p>
<p>&nbsp;</p>
<div style="width: 519px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/8410" target="_blank"><img src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/bitstream/handle/20.500.12156.1/8410/Artur%20Bernardes.%20PR.03.ab.JPG.jpg?sequence=4&amp;isAllowed=y" alt="Thumbnail" width="509" height="800" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/8410" target="_blank">Artur Bernardes, s/d / Acervo Museu da República</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>Curiosidades: Freire Júnior (1881 &#8211; 1956) e Luiz Nunes Sampaio (1886 &#8211; 1953) compuseram a marcha carnavalesca conhecida como &#8220;<i>Ai, Seu Mé&#8221;</i>, em 1922. <em>Seu Mé</em> era um apelido dado pela oposição a Bernardes. Versos como <i>O queijo de Minas está bichado, seu Zé Não seu porquê é, não sei porquê é </i>e <i>Aí, seu Mé! Aí Mé, Mé Lá no Palácio das Águias, Olé Não hás de pôr o pé </i>ironizavam o candidato. Apesar de nas gravações da música não aparecer o nome dis compositores e sim o nome do conjunto <em>A Canalha das Ruas</em>, com a eleição de Bernardes, eles foram presos. <a href="https://www.youtube.com/watch?v=4UiP5U1Tr6c" target="_blank">Ouça aqui a músicas</a>.</p>
<p style="text-align: left;"><span style="font-size: medium;">O compositor José Barbosa da Silva, conhecido pelo pseudônimo Sinhô (1888 &#8211; 1930), também compôs uma música alfinetando Artur Bernardes. Foi a marcha carnavalesca <em>Fala baixo</em>, cujo título denunciava a censura policial da época. Nos versos, as invocações de uma “rolinha”, que era o apelido injurioso dado a Artur Bernardes pelos jornais do Rio, complicaram a vida do artista que foi perseguido e teve que sumir por uns tempos.</span></p>
<p>&nbsp;</p>
<div style="text-align: center;"><strong><span style="color: #800000;"> <em>Fala baixo (1919-1921)</em></span></strong></div>
<div style="text-align: center;"></div>
<div style="text-align: center;"><span style="color: #800000;"><em>Quero te ouvir cantar </em></span></div>
<div style="text-align: center;"><span style="color: #800000;"><em>Vem cá, rolinha, vem cá </em></span></div>
<div style="text-align: center;"><span style="color: #800000;"><em>Vem para nos salvar </em></span></div>
<div style="text-align: center;"><span style="color: #800000;"><em>Vem cá, rolinha, vem cá </em></span></div>
<div style="text-align: center;"><span style="color: #800000;"><em>Não é assim </em></span></div>
<div style="text-align: center;"><span style="color: #800000;"><em>Não é assim </em></span></div>
<div style="text-align: center;"><span style="color: #800000;"><em>Não é assim </em></span></div>
<div style="text-align: center;"><span style="color: #800000;"><em>Que se maltrata uma mulher </em></span></div>
<div style="text-align: center;"><span style="color: #800000;"><em>És a minha paixão </em></span></div>
<div style="text-align: center;"><span style="color: #800000;"><em>Vem cá, rolinha, vem cá </em></span></div>
<div style="text-align: center;"><span style="color: #800000;"><em>És o meu coração </em></span></div>
<div style="text-align: center;"><span style="color: #800000;"><em>Vem cá, rolinha, vem cá </em></span></div>
<div style="text-align: center;"><span style="color: #800000;"><em>Não é assim&#8230;</em></span></div>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: center;"><span style="color: #800000;"><em><strong>Um pouco sobre o candidato derrotado, Nilo Peçanha (1867 &#8211; 1924)</strong></em></span><em><strong> </strong></em></p>
<p>&nbsp;</p>
<div style="width: 604px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/8402" target="_blank"><img src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/bitstream/handle/20.500.12156.1/8402/Nilo%20Pe%c3%a7anha%20NP74.JPG.jpg?sequence=4&amp;isAllowed=y" alt="Thumbnail" width="594" height="800" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/8402" target="_blank">Nilo Peçanha, s/d / Acervo Museu da República</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>O candidato derrotado nas eleições presidenciais de 1922, Nilo Peçanha, era fluminense, de Campos de Goytacazes. Sua candidatura iniciou o movimento chamado de Reação Republicana que protestava contra as oligarquias de São Paulo e Minas Gerais. Inaugurava-se, então, o nilismo &#8211; uma nova forma de fazer política.</p>
<p>&nbsp;</p>
<div style="width: 540px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/8404" target="_blank"><img src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/bitstream/handle/20.500.12156.1/8404/Nilo%20Pe%c3%a7anha%20NP237.JPG.jpg?sequence=4&amp;isAllowed=y" alt="Thumbnail" width="530" height="800" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/8404" target="_blank">Juan Gutierrez, s/d / Acervo Museu da República</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><a href=" https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/visualizar-grupo-trabalho/298" target="_blank">Acessando o link para as fotografias de Nilo Peçanha disponíveis na Brasiliana Fotográfica, o leitor poderá magnificar as imagens e verificar todos os dados referentes a elas.</a></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Já havia sido presidente, o primeiro com um perfil popular, entre junho de 1909 e novembro de 1910, quando Afonso Pena (1847 &#8211; 1909) faleceu no exercício do cargo (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/103730_04/20122" target="_blank"><em>Gazeta de Notícias</em>, 15 de junho de 1909, sétima coluna</a>). Quando assumiu a presidência, Peçanha declarou que as bases de seu governo seriam a paz e o amor<em>. </em>Era formado em Direito e antes de chegar à presidência participou das campanhas abolicionista e republicana e havia sido deputado, governador do Rio de Janeiro e vice-presidente da República. Depois foi ministro das Relações Exteriores e senador. Era um excelente orador, fazia frequentemente discursos em praças do Rio de Janeiro, então capital do Brasil. Gostava de andar pelas ruas da cidade, parando em bares e lojas para conversar.</p>
<p>Foi, muitas vezes, vítima de racismo. Segundo o diplomata e membro da Academia Brasileira de Letras, Alberto Costa e Silva:</p>
<p><em>&#8220;Nilo Peçanha era mulato escuro, assim como diversos outros presidentes da república, a começar por Rodrigues Alves, que era mulato, e também Washington Luís. A questão é que nenhum desses políticos brasileiros era considerado mulato ou negro. Eles eram tidos como brancos, por terem uma posição social elevada. Faziam parte do “mundo dos brancos”, e não de uma minoria. A população dita “branca” no Brasil na realidade era composta por muitos mestiços&#8221;.</em></p>
<p style="text-align: right;"><a href="http://revistaepoca.globo.com/Revista/Epoca/0,,EMI17729-15254,00-O+BRASIL+JA+TEVE+SEU+OBAMA.html" target="_blank"><em>Revista Época</em>, 22 de novembro de 2008</a></p>
<p>&nbsp;</p>
<div style="width: 710px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/8406" target="_blank"><img src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/bitstream/handle/20.500.12156.1/8406/Nilo%20Pe%c3%a7anha%20NP526.JPG.jpg?sequence=4&amp;isAllowed=y" alt="Thumbnail" width="700" height="478" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/8406" target="_blank">Nilo Peçanha. Niterói, Rio de Janeiro, 1915 / Acervo Museu da República</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>Conforme já abordado pelo artigo publicado na Brasiliana Fotográfica, em 26 de março de 2020, <em><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=18379" target="_blank">Escola de Aprendizes e Artífices de Alagoas, 1910</a>,</em><strong><em> </em></strong>de Paulo Celso Corrêa, cientista político do Arquivo Histórico e Institucional do Museu da República, as Escolas de Aprendizes e Artífices foram criadas durante o governo do presidente Nilo Peçanha, em 1909. Sob a responsabilidade do recém-criado Ministério da Agricultura, Indústria e Comércio, elas ofereciam ensino primário e profissional para menores de idade pobres, com a finalidade de formá-los em operários e contramestres para a indústria. Com o texto, estão disponibilizadas as 14 fotos de um álbum da Coleção Nilo Peçanha referentes ao tema. São cenas dos cinco primeiros meses de funcionamento da escola, com as crianças tendo aulas e participando de oficinas de marcenaria, funilaria, sapataria, entre outras. Em 1937, as Escolas de Aprendizes e Artífices foram transformadas em Liceus de Artes e Ofícios. Estas instituições de ensino técnico e profissionalizante deram origem às posteriores Escolas Técnicas, Centros Federais de Educação Tecnológica e Institutos Federais de Educação, Ciência e Tecnologia.</p>
<p>&nbsp;</p>
<div style="width: 711px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/7902" target="_blank"><img src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/bitstream/handle/20.500.12156.1/7902/Verso%20do%20estojo%20de%20madeira%20que%20serve%20de%20prote%c3%a7%c3%a3o%20ao%20%c3%a1lbum%20fotogr%c3%a1fico%20da%20Escola%20de%20Aprendizes%20e%20Art%c3%adfices%20do%20Estado%20de%20Alagoas%2c%20na%20qual%20aparece%20desenhado%20Nilo%20Pe%c3%a7anha%2c%20entre%20dua.JPG.jpg?sequence=4&amp;isAllowed=y" alt="Thumbnail" width="701" height="569" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/7902" target="_blank">Verso do estojo de madeira que serve de proteção ao álbum fotográfico da Escola de Aprendizes e Artífices do Estado de Alagoas, na qual aparece desenhado Nilo Peçanha, entre duas bandeiras, a do Brasil e a do Estado de Alagoas, 1910 / Acervo Museu da República</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>Também criou o <a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=11970" target="_blank">Serviço de Proteção ao Índio (SPI)</a>, precursor da Funai, em 1910. O primeiro diretor do órgão foi o marechal Cândido Rondon (1865 &#8211; 1958).</p>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_41122" style="width: 359px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://memoria.bn.gov.br/docreader/025909_02/1619" target="_blank"><img class="size-full wp-image-41122" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2022/03/nilo.jpg" alt="Revista da Semana, 12 de novembro de 1921" width="349" height="524" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="http://memoria.bn.gov.br/docreader/025909_02/1619" target="_blank"><em>Revista da Semana</em>, 12 de novembro de 1921</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>Andrea C.T. Wanderley</p>
<p>Editora e pesquisadora do portal Brasiliana Fotográfica</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><span style="color: #800000;"><strong>Fontes:</strong></span></p>
<p><a href="https://atlas.fgv.br/verbetes/cartas-falsas" target="_blank">Atlas Histórico do Brasil</a></p>
<p>BARTZ, Frederico Duarte. <a href="https://ojs.ifch.unicamp.br/index.php/rhs/article/view/129/124" target="_blank"><em>Abílio de Nequete (1888-1960): os múltiplos caminhs de uma militância operária</em></a>. Dossiês Mundo do Trabalho, 14 de janeiro de 2011 in <em>História Social,</em> uma publicação semestral dos alunos do Programa de Pós-Graduação em História da Unicamp.</p>
<div class="page" data-page-number="2" data-loaded="true"></div>
<p><a href="https://blogln.ning.com/profiles/blogs/sinho-80-anos-sem-o-rei-do" target="_blank">Blog do Luis Nassif</a></p>
<p><a href="https://acervo.casadochoro.com.br/cards/view/1076" target="_blank">Casa do Choro</a></p>
<p>CPDOC &#8211; <a href="https://cpdoc.fgv.br/producao/dossies/AEraVargas1/biografias/artur_bernardes" target="_blank">Artur Bernardes</a>, <a href="https://cpdoc.fgv.br/sites/default/files/verbetes/primeira-republica/PE%C3%87ANHA,%20Nilo.pdf" target="_blank">Nilo Peçanha</a>, <a href="http://www.fgv.br/cpdoc/acervo/dicionarios/verbete-tematico/partido-comunista-brasileiro-pcb">PCB</a> e <a href="http://cpdoc.fgv.br/sites/default/files/verbetes/primeira-republica/SOARES,%20Raul.pdf" target="_blank">Raul Soares</a></p>
<p>FRANZINI, Fábio. <a href="https://www.anpocs.com/index.php/papers-26-encontro/gt-23/gt06-7/4375-ffranzini-no-campo/file" target="_blank"><em>No campo das ideias &#8211; Gilberto Freyre e a invenção da brasilidade futebolística</em></a>. Departamento de História da Unesp</p>
<p><a href="https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2019/10/com-o-slogan-paz-e-amor-nilo-pecanha-foi-o-primeiro-presidente-de-perfil-popular-do-brasil.shtml?origin=folha" target="_blank"><em>Folha de São Paulo</em>, 18 de outubro de 2019</a></p>
<p><a href="https://jornalggn.com.br/memoria/ai-seu-me-uma-satira-ao-candidato-artur-bernardes/" target="_blank">GGN &#8211; O jornal de todos os Brasis</a></p>
<p><a href="https://www.bn.gov.br/explore/acervos/hemeroteca-digital" target="_blank">Hemeroteca Digital da Biblioteca Nacional </a></p>
<p>Nosso Século</p>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: center;"><span style="color: #800000;"><strong>Links para os artigos já publicados da Série<em> 1922 &#8211; Hoje, há 100 anos</em></strong></span></p>
<p style="text-align: left;"><span style="color: #800000;"><a style="color: #800000;" href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=22501" target="_blank">Série <em>1922 &#8211; Hoje, há 100 anos I &#8211; Os Batutas embarcam para Paris</em>, de autoria de Andrea C.T. Wanderley, publicado em 29 de janeiro de 2022</a></span></p>
<p style="text-align: left;"><span style="color: #800000;"><a style="color: #800000;" href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=26620" target="_blank">Série <em>1922</em> &#8211; <em>Hoje, há 100 anos</em> <em>II</em>-<em> A Semana de Arte Moderna</em>, de autoria de Andrea C.T. Wanderley, publicado em 13 de fevereiro de 2022, na Brasiliana Fotográfica</a></span></p>
<p style="text-align: left;"><a style="color: #800000;" href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=27434" target="_blank" rel="bookmark">Série <em>1922 &#8211; Hoje, há 100 anos</em> <em>IV</em> – A primeira travessia aérea do Atlântico Sul, realizada pelos aeronautas portugueses Gago Coutinho e Sacadura Cabral, de autoria de Andrea C. T. Wanderley, publicada em 17 de junho de 2022, na Brasiliana Fotográfica</a></p>
<p style="text-align: left;"><span style="color: #800000;"><a style="color: #800000;" href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=27715" target="_blank">Série <em>1922 &#8211; Hoje, há 100 anos</em> <em>V</em> – A Revolta do Forte de Copacabana, de autoria de Andrea C. T. Wanderley, publicada em 5 de julho de 2022, na Brasiliana Fotográfica</a></span></p>
<p style="text-align: left;"><a style="color: #800000;" href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=26964" target="_blank">Série <em>1922</em> &#8211; <em>Hoje, há 100 anos VI</em> e série <em>Feministas, graças a Deus XI</em> &#8211; A fundação da Federação Brasileira para o Progresso Feminino, de autoria de Andrea C. T. Wanderley, publicado em 9 de agosto de 2022, na Brasiliana Fotográfica</a></p>
<p style="text-align: left;"><a style="color: #800000;" href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=11397">Série <em>1922 – Hoje, há 100 anos VII</em> &#8211; A morte de Gastão de Orleáns, o conde d´Eu (Neuilly-sur-Seine, 28/04/1842 &#8211; Oceano Atlântico 28/08/1922), de autoria de Andrea C. T. Wanderley, publicado em 28 de agosto de 2022, na Brasiliana Fotográfica.</a></p>
<p style="text-align: left;"><span style="color: #800000;"><a style="color: #800000;" href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=17940" target="_blank">Série <em>1922 &#8211; Hoje, há 100 anos VIII</em> &#8211; A abertura da Exposição Internacional do Centenário da Independência do Brasil e o centenário da primeira grande transmissão pública de rádio no país, de autoria de Andrea C. T. Wanderley, publicado em 7 de setembro de 2022, na Brasiliana Fotográfica.</a></span></p>
<p style="text-align: left;"><a style="color: #800000;" href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=29862" target="_blank">Série <em>1922 &#8211; Hoje, há 100 anos IX</em> – O centenário do Museu Histórico Nacional, de autoria de Maria Isabel Lenzi, historiadora do Musseu Histórico Nacional, publicado em 12 de outubro de 2022, na Brasiliana Fotográfica.</a></p>
<p style="text-align: left;"><a style="color: #800000;" href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=28798" target="_blank">Série <em>1922 &#8211; Hoje, há 100 anos X</em> &#8211;  A morte do escritor Lima Barreto (1881 &#8211; 1922), de autoria de Andrea C. T. Wanderley, publicado em 1º denovembro de 2022, na Brasiliana Fotográfica</a></p>
<p style="text-align: left;"><a style="color: #800000;" href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=30702" target="_blank">Série <em>1922 &#8211; Hoje, há 100 anos XI</em> e série <em>Feministas, graças a Deus XII</em> –<strong> </strong>1ª Conferência pelo Progresso Feminino e o “bom” feminismo, de autoria de Maria Elizabeth Brêa Monteiro, antropóloga do Arquivo Nacional, publicado em 19 de dezembro de 2022, na Brasiliana Fotográfica.</a></p>
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		<title>Série “Conflitos” I &#8211; A Revolta da Armada</title>
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		<pubDate>Sun, 06 Sep 2015 12:04:59 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Andrea Wanderley]]></dc:creator>
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		<description><![CDATA["Grave notícia se espalhou desde manhã cedo pela cidade: uma parte da força armada da nação se sublevara, e havia uma greve assustadora na estrada de ferro Central.

Nem tudo isso era verdade. Os sucessos ocorridos na estrada não tinham a gravidade que se anunciava; mas era certo que a esquadra se achava em atitude francamente hostil ao governo".

Assim a Gazeta de Notícias, de 7 de setembro de 1893, iniciava a matéria sobre a Revolta da Armada, rebelião da última década do século XIX, que evidenciou algumas das cisões da então incipiente República brasileira.

A Brasiliana Fotográfica traz para seus leitores registros fotográficos desse acontecimento produzidos pelo importante fotógrafo Marc Ferrez (1843-1923), que foi fotógrafo da Marinha brasileira, e pelo espanhol Juan Gutierrez (?-1897), que chegou ao Brasil, provavelmente, na década de 1880, e foi um dos últimos profissionais que recebeu o título de "Fotógrafo da Casa Imperial", em 1889.]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p>&#8220;Grave notícia se espalhou desde manhã cedo pela cidade: uma parte da força armada da nação se sublevara, e havia uma greve assustadora na estrada de ferro Central.</p>
<p>Nem tudo isso era verdade. Os sucessos ocorridos na estrada não tinham a gravidade que se anunciava; mas era certo que a esquadra se achava em atitude francamente hostil ao governo&#8221;.</p>
<p>&nbsp;</p>
<div style="width: 520px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/3073" target="_blank"><img src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/bitstream/handle/20.500.12156.1/3073/002055RevdaArmada039.jpg.jpg?sequence=2&amp;isAllowed=y" alt="" width="510" height="340" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/3073" target="_blank">Juan Gutierrez. Revolta da Armada &#8211; Arsenal de Marinha, c. 1893. Rio de Janeiro, RJ / Acervo IMS</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>Assim a <a href="http://memoria.bn.br/DocReader/DocReader.aspx?bib=103730_03&amp;PagFis=8979" target="_blank"><em>Gazeta de Notícias, </em>de 7 de setembro de 1893</a>, iniciava a matéria sobre a Revolta da Armada, rebelião da última década do século XIX, que evidenciou algumas das cisões da então incipiente República brasileira.</p>
<p>A Brasiliana Fotográfica traz para seus leitores registros fotográficos desse acontecimento produzidos pelo importante fotógrafo <a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=6305" target="_blank">Marc Ferrez (1843-1923)</a>, que foi fotógrafo da Marinha brasileira, e pelo espanhol <a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=5398" target="_blank">Juan Gutierrez (?-1897)</a>, que chegou ao Brasil, provavelmente, na década de 1880, e foi um dos últimos profissionais que recebeu o título de &#8220;Fotógrafo da Casa Imperial<i>&#8220;</i>, em 1889.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/discover?query=%22revolta+da+armada%22&amp;submit=Ir" target="_blank">Acessando o link para as fotografias da Revolta da Armada disponíveis na Brasiliana Fotográfica, o leitor poderá magnificar as imagens e verificar todos os dados referentes a elas.</a></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>O Comitê Nacional do Brasil do Programa Memória do Mundo da UNESCO, o MoWBrasil, reunido em Sessão Plenária com a maioria de seus membros, entre os dias 2 e 3 de outubro de 2017, na cidade de Belo Horizonte, escolheu 10 das 22 candidaturas recebidas ao Edital MoWBrasil 2017, para serem inscritas no Registro Nacional do Brasil do Programa Memória do Mundo da UNESCO. <em>Os registros iconográficos da Revolta da Armada (1893 &#8211; 1894)</em>, cuja inscrição foi proposta pelo Arquivo Geral da Cidade do Rio de Janeiro, pelo Instituto Moreira Salles e pelo Museu Histórico Nacional*, foi um dos selecionados. O IMS é um dos fundadores da Brasiliana Fotográfica e o Arquivo Geral da Cidade do Rio de Janeiro é parceiro do portal.</p>
<p>Os outros escolhidos cujos proponentes são parceiros ou fundadores da Brasiliana Fotográfica foram o <em>Arquivo Lima Barreto</em>, da Fundação Biblioteca Nacional; a <em>Coleção Família Passos</em>, do Museu da República; a <em>Correspondência original dos governadores do Pará com a corte. Cartas e anexos (1764-1807)</em>, do Arquivo Nacional; o <em>Formulário médico manuscrito atribuídos aos jesuítas e encontrado em uma arca da igreja de São Francisco de Curitiba</em>, da Fundação Oswaldo Cruz.</p>
<p>Também foram selecionados: Atas do Montepio Geral de Economia dos Servidores do Estado &#8211; o início da Previdência no Brasil, da Mongeral Aegon Seguros e Previdência; a Coleção Tribunal de Segurança Nacional: a atuação do Supremo Tribunal Militar como instância revisional, 1936-1955, do Superior Tribunal Militar; a Coleção Vladimir Kozák: acervo iconográfico, filmográfico e textual de Povos Indígenas Brasileiros (1948 – 1978), do Museu Paranaense; os Livros de registros da Polícia Militar da Bahia, da Polícia Militar da Bahia; e o Testamento do senhor Martim Afonso de Souza e de sua mulher dona Ana Pimentel, da Universidade Federal de Minas Gerais.</p>
<p>A cerimônia de entrega dos certificados ocorrerá no dia 7 de dezembro, no Rio de Janeiro, no Forte de Copacabana.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: center;"><em><strong><span style="color: #800000;">Um pouco da história da Revolta da Armada</span></strong></em></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>As origens da Revolta da Armada remontam a novembro de 1891 (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/docreader.aspx?bib=103730_03&amp;PagFis=4529" target="_blank"><em>Gazeta de Notícias</em>, de 5 de novembro de 1891, na primeira coluna),</a> quando o marechal Deodoro da Fonseca (1827-1892), primeiro presidente do Brasil, fechou o Congresso Nacional por não conseguir negociar com as bancadas de São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais, estados produtores de café. Sob a liderança do contra-almirante Custódio de Mello (1840 &#8211; 1902), unidades da Marinha se sublevaram e ameaçaram bombardear o Rio de Janeiro. Vinte dias depois, em 23 de novembro, Deodoro renunciou e o vice-presidente, marechal Floriano Peixoto (1839-1895), assumiu a presidência (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/docreader.aspx?bib=103730_03&amp;PagFis=4651" target="_blank"><em>Gazeta de Notícias</em>, de 24 de novembro de 1891</a>). Porém, não convocou eleições presidenciais conforme previa a Constituição em vigor. Foi acusado de ocupar ilegalmente a presidência.</p>
<p>Em 1892, ocorreu o primeiro movimento de oposição: 13 oficiais-generais divulgaram um manifesto exigindo a convocação de eleições. Os líderes do movimento foram presos e parte deles foi mandada para o interior do estado do Amazonas, na cidade de Tabatinga (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/DocReader.aspx?bib=763659&amp;PagFis=11065" target="_blank"><em>Diário de Notícias</em>, 23 de abril de 1892, sob os títulos &#8220;Manifesto&#8221; e &#8220;Habeas Corpus&#8221;</a>).</p>
<p>Em <a href="http://memoria.bn.br/DocReader/DocReader.aspx?bib=103730_03&amp;PagFis=8979" target="_blank"> 6 de setembro de 1893</a>, um grupo de oficiais da Marinha, liderados pelo ministro da Marinha e da Guerra, o contra-almirante Custódio de Mello (1840 &#8211; 1902), que pretendia se candidatar à sucessão de Floriano Peixoto, voltou a se rebelar. Iniciava-se assim a Revolta da Armada, na Baía de Guanabara, com os navios <em>Aquidabã</em>, <em>Javari</em>, <em>Trajano</em> e <em>República</em>. Custódio de Mello divulgou um manifesto acusando o governo de ter &#8220;armado brasileiros contra brasileiros&#8221; e de ter iludido<i> &#8220;</i>a Nação, abrindo com mão sacrílega as arcas do erário público a uma política de suborno e corrupção&#8221;(<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/DocReader.aspx?bib=103730_03&amp;PagFis=8985" target="_blank"><em>Gazeta de Notícias</em>, 8 de setembro de 1893, na quinta coluna</a>). Também fazia parte do grupo o almirante Eduardo Wandenkolk (1838 &#8211; 1902), que havia sido ministro da Marinha do governo de Deodoro da Fonseca e que, um ano antes, havia sido um dos oficiais presos por ter assinado o manifesto dos 13 generais.  Além das acusações contra a política de Floriano Peixoto, os oficiais da Marinha também se ressentiam de seu desprestígio em relação aos oficiais do Exército.</p>
<p>Em 13 de setembro, os fortes fluminenses, em poder do Exército, começaram a ser bombardeados (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/DocReader.aspx?bib=103730_03&amp;PagFis=9013" target="_blank"><em>Gazeta de Notícias</em>, 14 de setembro de 1893, sob o título &#8220;A Revolta&#8221;</a>). A frota das forças rebeldes era formada por embarcações da Marinha de Guerra e por navios civis de empresas brasileiras e estrangeiras.</p>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_19031" style="width: 748px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://memoria.bn.br/DocReader/332747/4856" target="_blank"><img class=" wp-image-19031" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2015/09/revilu1.jpg" alt="Reista Illustrada, outubro de 1893" width="738" height="452" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="http://memoria.bn.br/DocReader/332747/4856" target="_blank"><em>Revista Illustrada</em>, outubro de 1893</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_19032" style="width: 272px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://memoria.bn.br/DocReader/332747/4859" target="_blank"><img class="size-full wp-image-19032" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2015/09/revilu11.jpg" alt="Revista Illustrada, outubro de 1893" width="262" height="381" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="http://memoria.bn.br/DocReader/332747/4859" target="_blank"><em>Revista Illustrada</em>, outubro de 1893</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>Na Marinha os revoltosos eram maioria, porém enfrentavam forte oposição no Exército, onde milhares de jovens aderiam aos batalhões que apoiavam o presidente Floriano. As elites dos estados, principalmente a de São Paulo, também eram favoráveis a Floriano.</p>
<p>Na madrugada de 1º de dezembro, Custódio de Mello, no <em>Aquidabã</em>, seguido do <em>República</em> e de cruzadores auxiliares, foi para o sul para unir-se aos federalistas (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/DocReader.aspx?bib=178691_02&amp;PagFis=8766" target="_blank"><em>O Paiz</em>, 2 de dezembro de 1893</a>, sob o título &#8220;A Revolta&#8221;). Na época acontecia a <a href="http://cpdoc.fgv.br/sites/default/files/verbetes/primeira-republica/REVOLU%C3%87%C3%83O%20FEDERALISTA.pdf" target="_blank">Revolução Federalista</a>, uma disputa entre os federalistas (maragatos) e republicanos (pica-paus), esses últimos apoiados por Floriano. A cidade de Desterro, como se chamava então a capital de Santa Catarina, foi dominada pelos revoltosos.</p>
<p>&nbsp;</p>
<div style="width: 445px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/3052" target="_blank"><img src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/bitstream/handle/20.500.12156.1/3052/imagem.jpg.jpg?sequence=2&amp;isAllowed=y" alt="" width="435" height="316" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/3052" target="_blank">Juan Gutierrez. Ilha das Cobras, c. 1893. Rio de Janeiro, RJ / Acervo FBN</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>Em 7 de dezembro, o contra-almirante Luís Filipe Saldanha da Gama (1846 &#8211; 1895), então diretor da Escola Naval, aderiu ao movimento, assumindo o comando dos revoltosos no Rio de Janeiro, dando início à segunda fase da Revolta da Armada (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/DocReader.aspx?bib=103730_03&amp;PagFis=9261" target="_blank"><em>Gazeta de Notícias</em>, 15 de dezembro de 1893, na segunda coluna</a>). A essa altura, os rebelados contavam com pouca munição e não dispunham de víveres. A Fortaleza de São José, na Ilha das Cobras, foi praticamente destruída pelas tropas legalistas e,<span style="color: #000000;"> em 9 de fevereiro de 1894,</span> quando os rebelados, sob o comando de Saldanha da Gama, desembarcaram na Ponta da Armação, em Niterói, foram derrotados. Também foram vencidos na Ilha do Governador (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/DocReader.aspx?bib=103730_03&amp;PagFis=9463" target="_blank"><em>Gazeta de Notícias</em>, 10 de fevereiro de 1894, sob o título &#8220;A Revolta&#8221;</a>).</p>
<p>Niterói, que era a capital do estado do Rio de Janeiro, teve seus sete fortes bombardeados. Em 20 de fevereiro de 1894 , a sede do governo foi então transferida para Petrópolis, cidade serrana fora do alcance dos canhões da Marinha (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/docreader.aspx?bib=304808&amp;PagFis=837" target="_blank"><em>Gazeta de Petrópolis,</em> 24 de fevereiro de 1894</a>). Niterói só voltaria a sediar a capital em 1903.</p>
<p>O governo federal havia adquirido navios de guerra, que foram apelidados de &#8220;frota de papelão&#8221;. O comando dessa esquadra foi entregue ao almirante Jerônimo Gonçalves (1835 &#8211; 1903), veterano da Guerra do Paraguai. Em março de 1894, com o apoio do Exército e do Partido Republicano Paulista (PRP), a Revolta da Armada foi sufocada ( <a href="http://memoria.bn.br/DocReader/docreader.aspx?bib=178691_02&amp;PagFis=9366" target="_blank"><em>O Paiz,</em> 14 de março de 1894</a> e <a href="http://memoria.bn.br/DocReader/docreader.aspx?bib=103730_03&amp;PagFis=9595" target="_blank"><em>Gazeta de Notícias</em>, 16 de março de 1894</a>). Os rebeldes se asilaram nos navios portugueses <em>Mindelo</em> e <em>Afonso de Albuquerque</em>, terminando a segunda fase da revolta.</p>
<p>A Revolução Federalista continuava no sul, para onde Saldanha da Gama e seus homens foram conduzidos. Custódio de Mello havia tomado o porto de Paranaguá e estava unido ao líder federalista Gumercindo Saraiva (1852 &#8211; 1894). Tomaram a cidade da Lapa e as tropas do governo deslocaram-se para o sul. <span style="color: #000000;">Em 16 de abril de 1894, o</span> encouraçado <em>Aquidabã</em>, dos revoltosos, foi torpedeado, em Santa Catarina, pela torpedeira <em>Gustavo Sampaio, </em>comandada pelo tenente Altino Flavio de Miranda Correia (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/DocReader.aspx?bib=103730_03&amp;PagFis=9733" target="_blank"><em>Gazeta de Notícias</em>, 18 de abril de 1894, sob o título &#8220;A Revolta&#8221;</a>).</p>
<p><span style="color: #000000;">No cruzador <em>República, </em>Custódio de Mello, comandando quatro navios mercantes e dois mil homens, tentou, sem sucesso, desembarcar na cidade do Rio Grande. Foi derrotado pelas tropas do governo de Julio de Castilhos. Os revolucionários da Armada estavam vencidos. Custódio refugiou-se na Argentina, onde entregou os navios </span><span style="color: #ff0000;"><span style="color: #000000;"> (</span><a href="http://memoria.bn.br/DocReader/DocReader.aspx?bib=369365&amp;PagFis=13421" target="_blank"><em>Diário de Notícias</em>, 23 de abril de 1894</a><span style="color: #000000;">)</span></span>. Segundo o historiador Helio Silva, o fim da terceira e última fase da Revolta da Armada aconteceu com a morte de Saldanha da Gama, em 25 de junho de 1895, em Campo Osório, no Rio Grande do Sul (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/docreader.aspx?bib=103730_03&amp;PagFis=12183" target="_blank"><em>Gazeta de Notícias</em>, 26 de junho de 1895</a>).</p>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_2768" style="width: 226px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://memoria.bn.br/DocReader/docreader.aspx?bib=714178&amp;PagFis=168"><img class="wp-image-2768 size-medium" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2015/09/gama-216x300.jpg" alt="Saldanha da Gama" width="216" height="300" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="http://memoria.bn.br/DocReader/docreader.aspx?bib=714178&amp;PagFis=168" target="_blank">Homenagem ao almirante Saldanha da Gama, na revista <em>Don Quixote</em>, jornal illustrado de Angelo Agostini, de 29 de junho de 1895.</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>Floriano Peixoto ficou conhecido como &#8220;Marechal de Ferro&#8221; e governou até 15 de novembro de 1894, quando foi sucedido por Prudente de Morais, primeiro presidente civil do Brasil.</p>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_2782" style="width: 310px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://memoria.bn.br/DocReader/docreader.aspx?bib=332747&amp;PagFis=5018" target="_blank"><img class="wp-image-2782 size-medium" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2015/09/0-300x206.jpg" alt="Floriano Peixoto" width="300" height="206" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="http://memoria.bn.br/DocReader/docreader.aspx?bib=332747&amp;PagFis=5018" target="_blank">Homenagem da <em>Revista Illustrada</em>, de julho de 1895, na ocasião da morte do marechal Floriano Peixoto.</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>O Decreto nº 310, de 21 de outubro de 1895, anistiou &#8220;todas as pessoas que directa ou indirectamente se tenham envolvido nos movimentos revolucionarios occorridos no territorio da Republica até 23 de agosto do corrente anno, com as restricções que estabelece&#8221;(<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/DocReader.aspx?bib=103730_03&amp;PagFis=12933" target="_blank"><em>Gazeta de Notícias</em>, de 22 de outubro de 1895,</a> sob o título &#8220;Amnistia&#8221;). Custódio de Mello e outros oficiais envolvidos na Revolta da Armada  retornaram ao Brasil (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/docreader.aspx?bib=103730_03&amp;PagFis=12946" target="_blank"><em>Gazeta de Notícias</em>, de 24 de outubro de 1895</a>, sob o título &#8220;Telegrammas&#8221;, e <a href="http://memoria.bn.br/DocReader/docreader.aspx?bib=103730_03&amp;PagFis=12983" target="_blank"><em>Gazeta de Notícias</em>, de 31 de outubro de 1895,</a> no topo da segunda coluna). Chegaram no Rio de Janeiro em 6 de novembro (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/docreader.aspx?bib=103730_03&amp;PagFis=13021" target="_blank"><em>Gazeta de Notícias</em>, de 7 de novembro de 1895</a>, na terceira coluna).</p>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_2783" style="width: 227px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://memoria.bn.br/DocReader/docreader.aspx?bib=714178&amp;PagFis=282" target="_blank"><img class="wp-image-2783 size-medium" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2015/09/1-217x300.jpg" alt="Custódio de Mello" width="217" height="300" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="http://memoria.bn.br/DocReader/docreader.aspx?bib=714178&amp;PagFis=282" target="_blank">Capa da revista <em>Don Quixote</em>, jornal ilustrado de Angelo Agostini, de 9 de novembro de 1895, com a figura do almirante Custódio de Mello.</a></p></div>
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<p>Para a elaboração desse resumo da Revolta da Armada, a Brasiliana Fotográfica pesquisou diversos jornais da Hdmeroteca Digital da Biblioteca Nacional, além do Atlas da Fundação Getúlio Vargas, e dos livros <em>A Revolta da Armada</em>, de Hélio Leôncio Martins; <em>Nasce a República 1888-1894</em>, de Hélio Silva, e &#8220;Coleção História Naval Brasileira&#8221;.</p>
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<p><strong><span style="color: #800000;"><em>Outras publicações da Brasiliana Fotográfica sobre conflitos no Brasil:</em></span></strong></p>
<p><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=3002" target="_blank">Guerra de Canudos pelo fotógrafo Flavio de Barros</a></p>
<p><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?page_id=9533" target="_blank">Lampião e outros cangaceiros pelas lentes de Benjamin Abrahão</a></p>
<p><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=8034" target="_blank">Registros da Guerra do Paraguai</a></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>A Brasiliana Fotográfica convida seus leitores para uma visita ao<a href="http://www.correioims.com.br/" target="_blank"> Correio IMS</a>, onde estão publicadas duas cartas que o jurista, escritor e jornalista Rui Barbosa (1849-1923) &#8211; opositor de Floriano Peixoto, que o considerava o mentor intelectual da Revolta da Armada &#8211; escreveu para sua esposa, Maria Augusta Viana Bandeira (1855-1949), na época da rebelião:</p>
<p><a href="http://www.correioims.com.br/carta/as-delicias-de-ser-preso/" target="_blank">&#8220;As &#8220;delícias&#8221; de ser preso&#8221;, de 7 de setembro de 1893</a></p>
<p><a href="http://www.correioims.com.br/carta/nao-sei-como-ainda-vivo/" target="_blank">&#8220;Não sei como ainda vivo!&#8221;, de 19 de setembro de 1893</a></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>A Brasiliana Fotográfica faz um agradecimento especial ao Departamento de História da Marinha, à socióloga Roberta Zanatta e ao arquiteto Bruno Buccalon, ambos da equipe do IMS.<span style="color: #000000;"> </span></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Andrea C. T. Wanderley</p>
<p>Editora-assistente e pesquisadora do portal Brasiliana Fotográfica</p>
<p>*ERRATA: anteriormente, a Brasiliana Fotográfica havia apontado o Museu da República como um dos proponentes. A correção foi feita em 30 de maio de 2018.</p>
<p>Esse artigo passou a integrar a série <em>Conflitos</em>, em 20 de março de 2026.</p>
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