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	<title>Brasiliana Fotográfica &#187; Balança-mas-não-cai</title>
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		<title>Série “Os Diários Associados na Brasiliana Fotográfica” VI &#8211; O &#8220;Balança-mas-não-cai&#8221; por Cássio Loredano</title>
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		<pubDate>Fri, 28 Mar 2025 11:52:38 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Andrea Wanderley]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Análise de documento]]></category>
		<category><![CDATA[Convidados]]></category>
		<category><![CDATA[Curadoria]]></category>
		<category><![CDATA[Balança-mas-não-cai]]></category>
		<category><![CDATA[Cássio Loredano]]></category>
		<category><![CDATA[história]]></category>
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		<category><![CDATA[Rio de Janeiro]]></category>
		<category><![CDATA[Série "Os Diários Associados na Brasiliana Fotográfica]]></category>

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		<description><![CDATA[Pela terceira vez o jornalista e caricaturista Cássio Loredano escreve para a Brasiliana Fotográfica. Desta vez, o assunto do sexto artigo da série “Os Diários Associados na Brasiliana Fotográfica” é o prédio "Balança-mas-não-cai". Cássio conta um pouco da história do emblemático complexo de três edifícios localizado, na Avenida Presidente Vargas, inaugurada no Centro do Rio de Janeiro, em 7 de setembro de 1944. Também estão destacadas imagens de igrejas que foram demolidas para a construção da avenida. O acervo fotográfico dos Diários Associados – Rio de Janeiro, foi incorporado, em 2016, por um dos fundadores da Brasiliana Fotográfica, o Instituto Moreira Salles (IMS).]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: left;">Pela terceira vez o jornalista e caricaturista Cássio Loredano escreve para a Brasiliana Fotográfica. Desta vez, o assunto do sexto artigo da série<em> Os Diários Associados na Brasiliana Fotográfica</em> é o prédio &#8220;Balança-mas-não-cai&#8221;. Cássio conta um pouco da história do emblemático complexo de três edifícios localizado, na <a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=27822" target="_blank">Avenida Presidente Vargas</a>, inaugurada no Centro do Rio de Janeiro, em 7 de setembro de 1944 (<a href="http://memoria.bn.gov.br/docreader/030015_06/29331" target="_blank"><em>Jornal do Brasil</em>, 8 de setembro de 1944</a>). Também estão destacadas imagens de igrejas que foram demolidas para a construção da avenida. O acervo fotográfico dos Diários Associados – Rio de Janeiro, foi incorporado, em 2016, por um dos fundadores da Brasiliana Fotográfica, o Instituto Moreira Salles (IMS).</p>
<p style="text-align: center;"><span style="color: #800000;"><strong><em>O &#8220;Balança-mas-não-cai&#8221; por Cássio Loredano</em></strong></span></p>
<p style="text-align: center;">Cássio Loredano*</p>
<p> São três aqueles prédios da avenida Presidente Vargas, no Rio, que a cidade se acostumou a ver como único e a que deu apelido no singular: &#8220;Balança&#8221;, na intimidade; por extenso, &#8220;Balança-mas-não-cai&#8221;. São esses siameses os edifícios Prefeito Frontin, Maipú e Onze de Junho. Existem na coleção <i>Diários</i> <i>Associados</i> do acervo do Instituto Moreira Salles ao menos três imagens mostrando que o conjunto formado pela pequena quadra entre a avenida e as ruas Santana, Gustavo Barroso e Frederico Silva subiu um terço de cada vez, três fotos que comunicam a quem as vê uma sensação esquisita de desconforto: como assim aquilo não ter sido desde sempre uma coisa só?</p>
<div>
<p>A foto em que aparece apenas um dos prédios, o Prefeito Frontin, é do desfile militar que acontece todo 7 de setembro, neste caso o de 1947.</p>
<p>&nbsp;</p>
<div style="width: 711px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/13327" target="_blank"><img src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/bitstream/handle/20.500.12156.1/13327/036ADIAA0008F003.jpg.jpg?sequence=3&amp;isAllowed=y" alt="Thumbnail" width="701" height="536" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/13327" target="_blank">Dia da Independência do Brasil Sete de Setembro, 7 de setembro de 1947. Rio de Janeiro, RJ / Diários Associados (RJ) &#8211; Acervo IMS</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>E as que mostram já dois, faltando ainda o Maipú no meio, são as duas de 1951; uma do Carnaval e a outra de pouco depois, em maio, com uma formação de cadetes da Aeronáutica alinhada tendo às costas o Campo de Santana, portanto de frente para o palácio Duque de Caxias, atual comando militar do leste.</p>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_38987" style="width: 469px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2025/02/loredano2.jpg"><img class="wp-image-38987 " src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2025/02/loredano2.jpg" alt="loredano2" width="459" height="279" /></a><p class="wp-caption-text">Carnaval 1951, c. fevereiro de 1951. Praça Onze, Rio de Janeiro / <em> O Jornal</em>,  4 de fevereiro de 1951</p></div>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_38984" style="width: 471px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2025/02/loredano.jpg"><img class="size-full wp-image-38984" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2025/02/loredano.jpg" alt="Aviação - Exame de admissão para Aeronáutica, maio de 1951. Centro, Rio de Janeiro" width="461" height="345" /></a><p class="wp-caption-text">Aviação &#8211; Exame de admissão para Aeronáutica, maio de 1951. Centro, Rio de Janeiro / Diários Associados (RJ) &#8211; Acervo IMS</p></div>
<p>&nbsp;</p>
<div></div>
<div>A avenida Presidente Vargas foi aberta na administração do prefeito Henrique Dodsworth, entre 1941 e 1944, arrasando tudo o que estava entre as velhas ruas de São Pedro e do Sabão e, mais adiante, entre Senador Eusébio e Visconde de Itaúna, ao longo do canal do Mangue. Foram vitimados nesse percurso parte do Campo de Santana e a praça Onze de Junho e os largos de São Domingos e do Capim, os três últimos completamente apagados da cartografia. E &#8211; aqui já criminosamente &#8211; as igrejas do Bom Jesus do Calvário, São Domingos e sobretudo a jóia de inexcedível beleza e importância arquitetônica que era a de <a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=26587" target="_blank">São Pedro dos Clérigos</a>.</div>
<p>&nbsp;</p>
<div style="width: 591px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/11688" target="_blank"><img src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/bitstream/handle/20.500.12156.1/11688/037SL03046.jpg.jpg?sequence=2&amp;isAllowed=y" alt="Thumbnail" width="581" height="800" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/11688" target="_blank">Igreja da Venerável Ordem Terceira do Senhor Bom Jesus Calvário c. 1915. Rio de Janeiro, RJ / Acervo IMS</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<div style="width: 711px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/9662" target="_blank"><img src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/bitstream/handle/20.500.12156.1/9662/007A5P3F10-053.jpg.jpg?sequence=2&amp;isAllowed=y" alt="Thumbnail" width="701" height="539" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/9662" target="_blank">Augusto Malta. Igreja de Santo Domingos, 1926. Rio de Janeiro, RJ / Acervo IMS</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<div style="width: 529px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/11683" target="_blank"><img src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/bitstream/handle/20.500.12156.1/11683/037SL03039.jpg.jpg?sequence=2&amp;isAllowed=y" alt="Thumbnail" width="519" height="701" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/11683" target="_blank">Igreja de São Pedro dos Clérigos, c. 1922. Rio de Janeiro, RJ / Acervo IMS</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>Para os paredões que se projetou construir ao longo do novo corredor, estabeleceu-se o gabarito de 22 andares para edifícios de lojas e sobrelojas bem recuadas em relação às fachadas superiores apoiadas sobre pilotis. Critérios observados à risca também pelo &#8220;Balança&#8221;.<br />
&nbsp;<br />
Transferida a capital da República para o planalto central apenas dezesseis anos depois de aberta a avenida, teve início o gradual esvaziamento funcional e econômico do Rio. Arrefeceu o inicial entusiasmo incorporador, que só teve fôlego, do lado ímpar, da Candelária até a esquina da rua Uruguaiana, e, do par, até pouco depois da avenida Passos. De forma que o &#8220;Balança&#8221;, residencial, erguido muito mais longe, ficou completamente isolado de seus primos-ricos de escritórios do começo da avenida. E próximo demais da zona do meretrício do canal do Mangue. Isolamento aquele e proximidade esta as razões de ir sendo então parcialmente ocupado por agentes do lenocínio e do tráfico ilegal de drogas, com os delitos de que essas atividades costumam se fazer acompanhar.<br />
&nbsp;<br />
Daí o apelido. &#8220;Balança-mas-não-cai&#8221; foi um programa humorístico semanal de Haroldo Barbosa e Max Nunes na Rádio Nacional, entre 1950 e 1967. Divertia a audiência com piadas sobre a convivência caótica nesses cortiços modernos surgidos com a verticalização urbana.</p>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_39026" style="width: 402px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://www.youtube.com/watch?v=EeVeoUHz1sI" target="_blank"><img class="wp-image-39026" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2025/03/balança.jpg" alt="balança" width="392" height="215" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://www.youtube.com/watch?v=EeVeoUHz1sI" target="_blank">Programa <em>Balança-mas-não-cai</em> / Youtube</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>Ultimamente, iniciou-se uma lenta retomada imobiliária da avenida, agora já não mais tomando conhecimento do gabarito original. Chegou o Sambódromo, chegaram oito novos edifícios, entre eles o dos Correios, o Arquivo da Cidade e o &#8220;Piranhão&#8221;, centro administrativo da prefeitura. Chegaram o metrô Estácio e Cidade Nova. Povoaram-se as ruas, encheram-se de comércio e casas de pasto onde aquele formigueiro de funcionários tem que almoçar. Tudo ficou mais caro, aluguéis, por exemplo, fator este que também espanta a turma que vive de expedientes menos rendosos. O &#8220;Balança&#8221; está menos isolado e um tanto mais seguro. Os aluguéis no Prefeito Frontin oscilam entre R$1.500 e R$2.000 em andar mais alto, condomínio a R$450. No 4º andar esteve um apartamento à venda por R$270 mil e outro no 13º  por R$450 mil. No Maipú é tudo mais em conta. No Onze de Junho, mais silencioso ao ser de fundos, um quarto-e-sala está na base de R$1.200 o aluguel, e R$1.500 um 2-quartos, condomínio a R$540.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>* Cássio Loredano é jornalista e caricaturista. E, sobretudo, um apaixonado pelo Rio de Janeiro e suas histórias.</p>
</div>
<p>Assista <span style="color: #800000;"><strong><a style="color: #800000;" href="https://www.youtube.com/watch?v=0scPQnGye5U" target="_blank">aqui</a></strong></span> a entrevista que o Arquivo Geral da Cidade do Rio de Janeiro, uma das instituições parceiras da Brasiliana Fotográfica, fez com Cássio Loredano, em 24 de setembro de 2024, a 41ª edição dos <em>Depoimentos Cariocas</em>, a série que vem registrando as memórias e reflexões de cariocas sobre o Rio de Janeiro. Foi gravada no apartamento de Cássio, no bairro de Laranjeiras, e foi conduzida pelo Coordenador de Promoção Cultural do Arquivo, Pedro Paulo Malta, com participações especiais do jornalista Álvaro Costa e Silva, do professor e crítico de arte Luiz Camillo Osorio e do cartunista Miguel Paiva.</p>
</div>
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