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	<title>Brasiliana Fotográfica &#187; Assis Horta</title>
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		<title>Diamantina, Chichico Alkmim (1886 &#8211; 1978) e Carlos Drummond de Andrade  (1902 &#8211; 1987)</title>
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		<pubDate>Sun, 06 Mar 2016 06:17:33 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Andrea Wanderley]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Análise de documento]]></category>
		<category><![CDATA[Biografia]]></category>
		<category><![CDATA[Cronologia]]></category>
		<category><![CDATA[Efemérides]]></category>
		<category><![CDATA[aniversário]]></category>
		<category><![CDATA[Assis Horta]]></category>
		<category><![CDATA[Augusto Riedel]]></category>
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		<category><![CDATA[crônica]]></category>
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		<description><![CDATA[A Brasiliana Fotográfica homenageia Diamantina, cidade mineira fundada em 6 de março de 1831, com uma seleção de imagens produzidas no século XIX e nas primeiras décadas do século XX. As fotografias do século XIX são de autoria de Augusto Riedel e foram produzidas durante uma expedição pelo interior do Brasil acompanhando a comitiva de D. Luis Augusto Maria Eudes de Saxe Coburgo Gotha e por seu irmão D. Luis Philippe, em 1868. Os registros das primeiras décadas do século XX são do mineiro Chichico Alkmim (1886 - 1978), pioneiro da fotografia em Diamantina. A gestão do acervo de 5.549 negativos de vidro foi transferido para o Instituto Moreira Salles, em 2015. Sua obra é uma das principais referências da memória visual de Minas Gerais. Além disso, a Brasiliana Fotográfica oferece a seus leitores a crônica "Encanto de Diamantina", do poeta e escritor mineiro Carlos Drummond de Andrade, publicada no Jornal do Brasil de 19 de outubro de 1972.]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p>A Brasiliana Fotográfica homenageia Diamantina, cidade mineira fundada em 6 de março de 1831, com uma seleção de imagens produzidas no século XIX e nas primeiras décadas do século XX. As fotografias do século XIX são de autoria de Augusto Riedel e foram produzidas durante uma expedição pelo interior do Brasil acompanhando a comitiva de D. Luis Augusto Maria Eudes de Saxe Coburgo Gotha e por seu irmão D. Luis Philippe, em 1868.</p>
<p>Os registros produzidos entre as décadas de 1910 e 1950 são do mineiro <a href="http://www.ims.com.br/ims/explore/artista/chichico-alkmim" target="_blank">Chichico Alkmim (1886 &#8211; 1978)</a>, autodidata e pioneiro da fotografia em Diamantina. A gestão do acervo do fotógrafo, de 5.549 negativos de vidro, foi transferida para o Instituto Moreira Salles, em 2015. A obra de Chichico, que compreende imagens da arquitetura diamantinense, sua religiosidade, costumes, ritos e retratos de seus habitantes, é uma das principais referências da memória visual de Minas Gerais. Foi o mestre do fotógrafo <a href="https://revistazum.com.br/revista-zum-7/o-clique-unico-de-assis-horta/" target="_blank">Assis Horta(1918 &#8211; 2018)</a>, mineiro de Diamantina, que se tornou conhecido por registrar a classe trabalhadora na era Vargas.</p>
<p>Além disso, a Brasiliana Fotográfica oferece a seus leitores a crônica <em>Encanto de Diamantina</em>, do poeta e escritor mineiro Carlos Drummond de Andrade (1902 &#8211; 1987), publicada no <em>Jornal do Brasil,</em> de 19 de outubro de 1972 (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/030015_09/70082" target="_blank"><em>Jornal do Brasil</em>, 19 de outubro de 1972, última coluna</a>).</p>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: center;"><strong><span style="color: #800000;">&#8220;Encanto de Diamantina&#8221;</span></strong></p>
<p style="text-align: center;">Carlos Drummond de Andrade</p>
<p>De Diamantina se pode dizer o que em Diamantina se diz musicalmente no famoso tim-tim:</p>
<p>Quem não gosta dela,</p>
<p>de quem gostará?</p>
<p>Quem, conhecendo Diamantina, será capaz de não gostar de Diamantina? Mesmo não conhecendo: ouvindo falar. Pois, entre outras excelências, povo de Diamantina é povo que canta, e isto significa riqueza de coração. Canta, sem necessidade de festival de canção, essa psicose do grito que já começa a invadir cidades mineiras.</p>
<p>À noite, depois do batente &#8211; é Aires da Mata Machado Filho que informa &#8211; há sempre um barzinho aberto a pessoas de temperamento melódico. Finda a libação mais ou menos discreta &#8211; o que depende antes do frio do que da vontade &#8211; os cidadãos saem para a rua, providos de violão, clarineta, saxofone, flauta. Saem &#8220;cantando à toa&#8221;. Pelo prazer de cantar. Depois é que se lembram, aniversário de Fulano? Então vamos lá? Vamos. Em frente à janela fechada de Fulano &#8211; fechada, parece, deliberadamente, para o gosto de abrir-se às lufadas de música &#8211; a turma bate um castelo. Pode ser noite alta, olha lá a janela se abrindo feliz. Havendo modinha, Diamantina ignora o sono. Acabada a cantoria, pensam que os seresteiros vão dormir? Aí começa a segunda parte, mais íntima, de ternura ou dor-de-cotovelo: eles se dispersam, mas em direção a outras janelas, atrás das quais dormem (ou esperam) suas respectivas amadas. Nesse deambular já de madrugada, os seresteiros voltam a encontrar-se, cruzando os caminhos do sentimento. Assim é a noite em Diamantina: música por todos os lados, abrindo janela e alma, entre o chão e os sobrados. E, em boa parte, música de tradição local, obra de compositores e poetas diamantinenses, conhecidos ou anônimos, que desafiam o tempo.</p>
<p>O peixe-vivo, marca de Diamantina, que cobre vasta região mineira, conta-nos o mesmo Aires, foi enriquecido de trovas feitas no Rio de Janeiro, por volta de 1939. Manuel Bandeira fez quatro, a primeira delas aproveitada, com variante, na Lira dos Cinquent´anos:</p>
<p>Vi uma estrela tão alta,</p>
<p>Vi uma estrela tão fria.</p>
<p>Estrela, por que me deixas</p>
<p>sem a tua companhia?</p>
<p>Vinícius de Morais fez duas por conta própria, e uma de parceria com Pedro Nava. Este, por sua vez, compôs duas e mais uma quintilha. Ouçamos Nava:</p>
<p>Dom Diniz, o rei poeta,</p>
<p>derrotou a mouraria</p>
<p>para merecer um pouco</p>
<p>dessa tua companhia.</p>
<p>E Carlos Sá, cearense-mineiro:</p>
<p>Vivo alegre na tristeza</p>
<p>vivo triste na alegria,</p>
<p>no desejo e na saudade</p>
<p>dessa tua companhia.</p>
<p>Mas Diamantina não é apenas serenata e coreto. Como nas boas cidades antigas de Minas, tem tesouro escondido, como por exemplo &#8220;duas garrafas de ouro e três chifres de diamante&#8221;, e quem cavar junto ao córrego Pururuca, atrás do quartel do III BP, é capaz de encontrá-los: segredos de padre, à espera de decifrador. Lendas, festas religiosas e populares que teimam em resistir na medida do possível à descaracterização universal da sociedade mercantil. Igrejas antigas de fino acabamento artístico, sobrados que a gente desejaria ver em pé para sempre, não vá o progresso arrasá-los. Diamantina enfrenta o problema da industrialização. Precisa criar riquezas outras além das que derivam do temperamento amável de seus filhos. Lá se fala agora em incentivos fiscais, energia elétrica, e até já se exporta a flor da sempre-viva para outros países.</p>
<p>Que Deus conserve Diamantina gostosa, musical e hospitaleira depois que subir nas asas do chamado desenvolvimento. É o voto que faço depois de ler <em>Dias e Noites em Diamantina</em>, livro que o bom Aires acaba de publicar corajosamente em edição de autor, e tão chamativo, tão cheio de graça e apelo sensorial, que dá vontade de sair correndo, e:</p>
<p>_ Rápido, uma passagem para Diamantina, mas de ida só, porque eu fico por lá!</p>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: center;">
<p><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/discover?query=diamantina&amp;submit=Ir" target="_blank"><span style="color: #800000;">Acessando o link para as fotografias de Diamantina disponíveis na Brasiliana Fotográfica, o leitor poderá magnificar as imagens e verificar todos os dados referentes a elas.</span></a></p>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: center;"><strong><span style="color: #800000;">Pequeno histórico de Diamantina</span></strong></p>
<p>A formação de Diamantina está ligada à exploração de diamante e de ouro.  Foi  Jerônimo Gouvêa que, a partir da descoberta de uma grande quantidade de ouro nas confluências do Rio Piruruca e do Rio Grande, deu início à ocupação do território. O povoado, então denominado Arraial do Tejuco, começou a ser formado nas primeiras décadas do século XVIII, sempre seguindo as margens dos rios que eram garimpados. Aos poucos foi surgindo o conjunto urbano de Diamantina. O Arraial do Tijuco emancipou-se do município do Serro, em 1831, e passou a se chamar Diamantina.</p>
<p>Uma das cidades históricas mais conhecidas e visitadas do Brasil, Diamantina, o Portal do Vale do Jequitinhonha, é  também o ponto inicial da Estrada Real, que levava ouro e diamantes até Paraty, no Rio de Janeiro. A cidade conserva o casario colonial, as edificações históricas e as igrejas seculares. Em 1938, o conjunto arquitetônico de seu centro histórico foi tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, e, em 1999,  recebeu da Unesco o título de Patrimônio Cultural da Humanidade. Além do patrimônio construído, a cidade possui um rico patrimônio natural e cultural, com uma marcante tradição religiosa, folclórica e musical.</p>
<p>Foi em Diamantina, na época Arraial do Tijuco, que a escrava alforriada Chica da Silva (c. 1732-1796) viveu. É também a cidade natal do ex-presidente do Brasil, Juscelino Kubitschek (1902-1976).</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong><span style="color: #800000;">Publicações relacionadas a Chichico Alkmim:</span></strong></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><a href="http://blogdoims.com.br/familia/" target="_blank">Família, texto de Silviano Santiago sobre uma fotografia de autoria de Chichico Alkmim</a></p>
<p><a href="http://www.ims.com.br/ims/explore/acervo/noticias/o-anfitriao-de-chichico" target="_blank"><em>O anfitrião de Chichico</em>, por Elvia Bezerra.</a></p>
<p><a href="http://www.ims.com.br/ims/explore/acervo/noticias/retratista-de-diamantina" target="_blank"><em>O retratista de Diamantina</em>, por Manya Millen</a></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Andrea C. T. Wanderley</p>
<p>Editora-assistente e pesquisadora do portal Brasiliana Fotográfica</p>
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