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	<title>Brasiliana Fotográfica &#187; Arthur de Azevedo</title>
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		<title>Arthur Azevedo (1855 &#8211; 1908), entusiasta e incentivador do teatro brasileiro</title>
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		<pubDate>Mon, 07 Jul 2025 13:14:43 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Andrea Wanderley]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Análise de documento]]></category>
		<category><![CDATA[Biografia]]></category>
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		<description><![CDATA[Há 170 nos, , em 7 de julho de 1855, nascia o teatrólogo, comediógrafo, jornalista, contista e poeta maranhense Arthur Nabantino Gonçalves de Azevedo, o Arthur Azevedo. Generoso e muito ativo, foi um importante intelectual da cena artístico-cultural brasileira na virada do século XIX para XX. Figura muito querida e admirada no Rio de Janeiro, onde passou a viver nos anos 1870, foi o autor de mais de 70 peças teatrais e seu trabalho foi um dos principais pontos de partida da dramaturgia nacional, da qual era grande entusiasta. Destacamos neste artigo registros de Arthur Azevedo produzidos por fotógrafos ainda não identificados e por Luis Musso (18? – 19?) - todas do acervo fotográfico da Fundação Biblioteca Nacional, uma das instituições fundadoras da Brasiliana Fotográfica.]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p>Há 170 nos, em 7 de julho de 1855, nascia o teatrólogo, comediógrafo, jornalista, contista e poeta maranhense Arthur Nabantino Gonçalves de Azevedo, o Arthur Azevedo. Generoso e muito ativo, foi um importante intelectual da cena artístico-cultural brasileira na virada do século XIX para XX. Figura muito querida e admirada no Rio de Janeiro, onde passou a viver nos anos 1870, foi o autor de mais de 70 peças teatrais e seu trabalho foi um dos principais pontos de partida da dramaturgia nacional, da qual era grande entusiasta. Destacamos neste artigo registros de Arthur Azevedo produzidos por fotógrafos ainda não identificados e por Luis Musso (18? – 19?) &#8211; todas do acervo fotográfico da Fundação Biblioteca Nacional, uma das instituições fundadoras da Brasiliana Fotográfica.</p>
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<p><a style="color: #800000;" href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/visualizar-grupo-trabalho/415" target="_blank"><strong>Acessando o link para as fotografias de Arthur Azevedo </strong><strong>disponíveis na Brasiliana Fotográfica,</strong><strong> o leitor poderá visualizar e magnificar as imagens.</strong></a></p>
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<div style="width: 604px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/13406" target="_blank"><img src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/bitstream/handle/20.500.12156.1/13406/periodico.jpg.jpg?sequence=3&amp;isAllowed=y" alt="Thumbnail" width="594" height="800" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/13406" target="_blank">Arthur Azevedo, 19? / Acervo FBN</a></p></div>
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<p>Sua primeira peça encenada em um teatro público foi <a href="http://www.educadores.diaadia.pr.gov.br/arquivos/File/2010/literatura/obras_completas_literatura_brasileira_e_portuguesa/ARTUR_AZEVEDO/AMORPORANEXINS/AMORPORANEXINS.PDF" target="_blank"><em> Amor por Anexins</em></a>, uma comédia em um ato, que escreveu, em 1870, com apenas 15 anos (<a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/029033_05/12196" target="_blank"><em>Diário de Pernambuco,</em> 18 de fevereiro de 1875, segunda coluna</a>). Incentivou a encenação de obras brasileiras e consolidou a comédia de costumes, tendo sido no Brasil o principal autor do teatro de revista em sua primeira fase. De sua obra, destacaram-se <i>A almanjarra</i> (1888)<i>, </i><em>A Capital Federal </em>(1897), <i>A filha de Maria Angu </i>(1875)<i>, </i><em>O Dote </em>(1907), <em>O Mambembe</em> (1904), <em>O Tribofe </em>(1891)<em> </em>e <em>Véspera de Reis </em>(1876).<em> </em>O cotidiano da vida, os usos e costumes dos habitantes da então capital federal, o Rio de Janeiro, foram a matéria-prima de suas peças e contos. Entre 1876 e 1908, também atuou como tradutor e adaptou dramas, comédias e operetas.</p>
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<div id="attachment_39987" style="width: 257px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://memoria.bn.gov.br/docreader/029033_05/12196" target="_blank"><img class="size-full wp-image-39987" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2025/05/arthur5.jpg" alt="Diário de Pernambuco, 18 de fevereiro de 1875" width="247" height="516" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="http://memoria.bn.gov.br/docreader/029033_05/12196" target="_blank"><em>Diário de Pernambuco</em>, 18 de fevereiro de 1875</a></p></div>
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<p>Nasceu em São Luís, no Maranhão, em 7 de julho de 1855, filho do vice-cônsul português Davi Gonçalves de Azevedo (1816 &#8211; 1878) e de Emília Amália Pinto Guimarães (1818 &#8211; 1888), também portuguesa. Sua mãe havia sido casada com o comerciante Antônio Joaquim Branco, de quem se separou com pouco mais de um ano de casamento. Com Davi, teve quatro filhos além de Arthur: o escritor Aluísio de Azevedo (1857 &#8211; 1913), Emília (1860 -?), Camila Amália (1858 -?) e o teatrólogo Américo Garibaldi (1863 &#8211; 1900).</p>
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<div style="width: 375px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://dinodealcantarablog.wordpress.com/2021/08/05/imortais-maranhenses-emilia-amalia-pinto-magalhaes/" target="_blank"><img class="" src="https://dinodealcantarablog.wordpress.com/wp-content/uploads/2021/08/emilia-amalia-pinto-magalhaes.jpg?w=658" alt="" width="365" height="568" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://dinodealcantarablog.wordpress.com/2021/08/05/imortais-maranhenses-emilia-amalia-pinto-magalhaes/" target="_blank">D. Emília Azevedo, entre seus filhos Aluísio Azevedo (esq.) e Arthur, c. 1870. São Luis, Maranhão / Acervo Cedoc/Funarte</a></p></div>
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<p>Quando faleceu, em 1908, era casado com a artista gravadora Carolina Adelaide Leconflé (18? &#8211; 1936) com que teve quatro filhos: Arthur (c. 1886 &#8211; 19?), Rodolfo (c. 1898 &#8211; 19?), Américo (c. 1902 &#8211; 19?) e Aluísio (c. 1904 &#8211; 19?). Eram seus enteados Luiz, José, Fernando e Lucinda Cordeiro. Havia sido casado anteriormente com Carlota de Morais (18? -?) (<a href="http://memoria.bn.gov.br/docreader/178691_03/17723" target="_blank"><em>O Paiz</em>, 23 de outubro de 1908, segunda coluna</a>; <a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/093092_02/27484" target="_blank"><em>Diário Carioca</em>, 18 de novembro de 1936, quarta coluna</a>).</p>
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<div id="attachment_39957" style="width: 244px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://memoria.bn.gov.br/docreader/259063/12997" target="_blank"><img class="size-full wp-image-39957" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2025/05/arthur2.jpg" alt="Fon-Fon, 22 de fevereiro de 1913" width="234" height="474" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="http://memoria.bn.gov.br/docreader/259063/12997" target="_blank"><em>Fon-Fon,</em> 22 de fevereiro de 1913</a></p></div>
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<p>Ainda em São Luiz, adolescente, publicou, em 1871, seu primeiro livro de poemas, <em>Carapuças, </em>trabalhou no comércio e fundou o jornal <em>O Domingo.</em> Depois foi trabalhar na administração provincial, da qual foi demitido devido a publicações de sátiras contra autoridades governamentais. Concorreu e foi classificado para uma vaga de amanuense da Fazenda. Transferiu-se para o Rio de Janeiro, em 1873. Inicialmente, trabalhou como professor de Português no Colégio Pinheiro e escreveu para o jornal <em>A Reforma</em>. Em 1875, obteve um emprego na Secretaria da Agricultura.</p>
<p>Era abolicionista e defendia a causa em seus artigos e em suas peças, dentre elas<em> A Família Salazar</em>, escrita com o acadêmico baiano Urbano Duarte de Oliveira (1855 &#8211; 1902), que foi proibida pela censura imperial. Foi, posteriormente, publicada com o título <a href="https://objdigital.bn.br/objdigital2/Acervo_Digital/Livros_eletronicos/O%20Escravocrata.pdf" target="_blank"><em>O Escravocrata</em> (1884</a>).</p>
<p>Uma peça traduzida por ele, a comédia <em>Escola de Maridos </em>(1661), do célebre dramaturgo francês Molière (1622 – 1673), foi uma das atrações da noite de 15 de julho de 1889, no Theatro Sant´Anna, no Rio de Janeiro, quando Dom Pedro II (1825 – 1891) foi alvo de um atentado na saída do teatro (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/085669/2049" target="_blank"><em>Cidade do Rio</em>, 16 de julho de 1889</a>). Em um dos intervalos, Arthur foi chamado ao camarote do imperador, que felicitou seu trabalho e manifestou o desejo de possuir uma cópia de sua <em>excelente tradução</em> (<a href="http://memoria.bn.br/docreader/103730_02/15900" target="_blank"><em>Gazeta de Notícias</em>, 16 de julho de 1889, quarta coluna</a>).</p>
<p>Foi um dos fundadores da <a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=28740" target="_blank">Academia Brasileira de Letras</a>, em 20 de julho de 1897.  Ocupou a cadeira nº 29, que tem como patrono o diplomata e dramaturgo carioca Martins Pena (1819 &#8211; 1848), considerado o <em>Molière brasileiro</em>.</p>
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<div style="width: 307px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://memoria.bn.gov.br/docreader/DocReader.aspx?bib=103730_03&amp;pagfis=16605" target="_blank"><img src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2022/07/academiabrasileira5.jpg" alt="academiabrasileira5" width="297" height="378" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://memoria.bn.gov.br/docreader/DocReader.aspx?bib=103730_03&amp;pagfis=16605" target="_blank"><em>Gazeta de Notícias</em>, 22 de julho de 1897</a></p></div>
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<div id="attachment_39960" style="width: 807px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Artur_Azevedo#/media/Ficheiro:Imortais_ABL_encenam_Li%C3%A7%C3%A3o_de_Anatomia.png" target="_blank"><img class="size-full wp-image-39960" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2025/05/arthur3.jpg" alt="Fotografia originalmente pertencente a Olavo Bilac, com sua assinatura, em que intelectuais que participaram da fundação da Academia Brasileira de Letras encenam a &quot;Lição de Anatomia&quot;, quadro do pintor holandês, Rembrandt. Da esquerda para a direita: Olavo Bilac, Leôncio Correia, Henrique Holanda, Pedro Rabelo, o doutor Pederneiras, Álvaro de Azevedo Sobrinho e Plácido Júnior. O autopsiado é Artur Azevedo, sendo o legista, que o opera com o sabre emprestado pelo oficial da ronda, Coelho Neto, 1900 / Wikipedia" width="797" height="474" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Artur_Azevedo#/media/Ficheiro:Imortais_ABL_encenam_Li%C3%A7%C3%A3o_de_Anatomia.png" target="_blank">Fotografia originalmente pertencente a Olavo Bilac, com sua assinatura, em que intelectuais que participaram da fundação da Academia Brasileira de Letras encenam a &#8220;Lição de Anatomia&#8221;, quadro do pintor holandês, Rembrandt. Da esquerda para a direita: Olavo Bilac, Leôncio Correia, Henrique Holanda, Pedro Rabelo, o doutor Pederneiras, Álvaro de Azevedo Sobrinho e Plácido Júnior. O autopsiado é Arthur Azevedo, sendo o legista, que o opera com o sabre emprestado pelo oficial da ronda, Coelho Neto, 1900 / Wikipedia</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>Fundou as seguintes revistas: em 1879, com Lopes Cardoso (18? &#8211; ?), a <em>Revista do Teatro; </em><em>Gazetinha</em>, com Antônio Vicente da  Fontoura Xavier (1856 &#8211; 1922) e Anibal Falcão (1859 &#8211; 1900), em 1880; em 1893, <em>O Álbum, </em>com Francisco de Paula Ney (1858-1897)<em>; </em>e<em> A Vida Moderna,</em> em 1886, com Luiz Murat (1861 &#8211; 1929) e outros. Colaborou em <em>A Estação</em>, ao lado de Machado de Assis (1839 &#8211; 1908), seu companheiro na Secretaria da Viação; e no jornal <em>Novidades</em>, onde seus companheiros eram Alcindo Guanabara (1865 &#8211; 1918), Coelho Neto (1864 &#8211; 1934), Francisco Moreira Sampaio (1851 &#8211; 1901) e Olavo Bilac (1865 &#8211; 1918).</p>
<p>Teve colunas em diversos jornais, dentre elas “A Palestra”, em <em>O Paiz</em>; &#8220;De Palanque&#8221;, no <em>Diário de Notícias; </em>e o folhetim &#8220;O Teatro&#8221;<em>, </em>em <em>A Notícia</em>, tendo escrito milhares de artigos sobre eventos artísticos, com ênfase no teatro. Escreveu também em <em>O Século, </em>em<em> O Mequetrefe, </em>na<em> Kosmos</em> e no <em>Correio de Manhã</em>. Usou diversos pseudônimos, dentre eles <em>Batista, o trocista; </em><em>Cosimo</em>, <em>Dorante, </em><em>Elói, o herói;</em> <em>Frivolino</em>, <em>Gavroche</em>, <em>Juvenal</em> e <em>Petrônio.</em></p>
<p>Em 1889, reuniu alguns de seus contos no livro <em>Contos possíveis</em>, dedicado a Machado de Assis. Posteriormente, publicou outros livros, dentre eles <em>Contos fora de moda </em>(1894), <em>Contos efêmeros</em> (1897) e <em>Contos em versos</em> (1898).</p>
<p>Em 1908, por ocasião da <a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=11621" target="_blank">Exposição Nacional Comemorativa do 1º Centenário da Abertura dos Portos do Brasil, no Rio de Janeiro</a>, inaugurada, em 11 de agosto de 1908, na região da Urca, no Rio de Janeiro, o então Teatro Constitucional ergueu, no local do evento, um pavilhão temporário para apresentar peças e concertos para o público. Vários espetáculos de Arthur Azevedo foram montados nesse espaço confortável, batizado de Teatro João Caetano, organizado em platéia, galeria e camarotes. O teatro tinha  870m2 e sua decoração interna, em tons de verde e ouro, foi idealizada por Raul Pederneiras (1874 &#8211; 1953).</p>
<p>&nbsp;</p>
<div style="width: 710px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/5467" target="_blank"><img src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/bitstream/handle/20.500.12156.1/5467/Cole%c3%a7%c3%a3o%20FPft0121.JPG.jpg?sequence=3&amp;isAllowed=y" alt="Thumbnail" width="700" height="558" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/5467" target="_blank">Augusto Malta. Exposição Nacional de 1908. Teatro João Caetano com escultura da alegoria da Dança na fachada superior, 1908. Rio de Janeiro, RJ / Acervo Museu da República</a></p></div>
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<p>Foi um dos maiores entusiastas da construção do <a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=9445" target="_blank">Theatro Municipal do Rio de Janeiro</a>, mas faleceu nove meses antes de sua inauguração, ocorrida em 14 de julho de 1909. Em 1904, foi aberta uma concorrência pública, durante a gestão do prefeito do Rio de Janeiro, <a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=7566" target="_blank">Francisco Pereira Passos (1836 – 1913)</a>, para a escolha do projeto arquitetônico do futuro teatro (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/103730_04/7346" target="_blank"><em>Gazeta de Notícias</em>, 20 de março de 1904, na quarta coluna</a> e <a href="http://memoria.bn.br/DocReader/103730_04/7349" target="_blank">na última coluna</a>). Em 20 de setembro de 1904, Arthur integrou a subcomissão formada pelo diretor da Estrada de Ferro Central do Brasil, José de Andrade Pinto, pelo arquiteto Adolfo Morales de los Rios (1858 – 1928), pelo escultor Rodolfo Bernardelli (1852 – 1931) e pelo industrial Carlos Hargreaves que se reuniu para estudar os projetos apresentados <em>(<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/103730_04/8405" target="_blank">Gazeta de Notícias</a></em><a href="http://memoria.bn.br/DocReader/103730_04/8405" target="_blank">, 21 de setembro de 1904, na quinta coluna</a>). Finalmente, a comissão encarregada para a escolha do melhor projeto decidiu pelo empate entre os projetos <em>Áquila</em> e <em>Isadora</em> (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/103730_04/8410" target="_blank"><em>Gazeta de Notícia</em>s, 22 de setembro de 1904, sétima coluna</a>). O autor do primeiro foi o engenheiro Francisco de Oliveira Passos (1878 – 1958), filho do prefeito, e, o do segundo, o arquiteto francês Albert Guilbert (1866 – 1949), vice-presidente da Associação dos Arquitetos Franceses. Sua peça, O Mambembe&#8221;, foi um dos espetáculos apresentados dentro das comemorações dos 50 anos do Teatro Municipal, em 1959. Foi encenado pelo Teatro dos Sete e uma das atrizes foi Fernanda Montenegro (1929-) (<a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/003581/122067" target="_blank"><em>O Cruzeiro</em>, 19 de dezembro 1959</a>).</p>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_39991" style="width: 388px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/116300/1185" target="_blank"><img class="size-full wp-image-39991" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2025/05/arthur6.jpg" alt="Arthur de Azevedo e Theatro Municipal, caricatura de Klixto / O Malho, 11 de julho de 1903" width="378" height="474" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/116300/1185" target="_blank">Arthur Azevedo e Theatro Municipal, caricatura de Klixto / O Malho, 11 de julho de 1903</a></p></div>
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<p>Pouco antes de falecer, foi nomeado Diretor da Contabilidade Geral do Ministério da Viação e Obras Públicas (<a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/259063/1424" target="_blank"><em>Fon-Fon</em>, 17 de outubro de 1908</a>; <a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/459194/583" target="_blank">Relatório do Ministério da Viação e Obras Públicas (1910 a 1927)</a>). Faleceu em 21 de outubro de 1908 (<a href="http://memoria.bn.gov.br/docreader/178691_03/17722" target="_blank"><em>O Paiz,</em> 22 de outubro de 1908</a>; <a href="https://hemeroteca-pdf.bn.gov.br/224782/per224782_1908_00661.pdf" target="_blank"><em>O Século</em>, 22 de outubro de 1908</a>).</p>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_39953" style="width: 482px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://memoria.bn.gov.br/docreader/259063/1447" target="_blank"><img class="size-full wp-image-39953" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2025/05/arthur.jpg" alt="Fon-Fon, 24 de outubro de 1908" width="472" height="365" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="http://memoria.bn.gov.br/docreader/259063/1447" target="_blank"><em>Fon-Fon</em>, 24 de outubro de 1908</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<div style="width: 597px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/13405" target="_blank"><img src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/bitstream/handle/20.500.12156.1/13405/periodico.jpg.jpg?sequence=3&amp;isAllowed=y" alt="Thumbnail" width="587" height="800" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/13405" target="_blank">Luiz Musso. Arthur Azevedo, 19? / Acervo FBN. Foto publicada na primeira página do jornal <em>O Paiz</em>, de 23 de outubro de 1908 (abaixo)</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_39758" style="width: 415px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://memoria.bn.gov.br/docreader/178691_03/17722" target="_blank"><img class=" wp-image-39758" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2025/04/azevedo.jpg" alt="O Paiz, 23 de outubro de 1908" width="405" height="587" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="http://memoria.bn.gov.br/docreader/178691_03/17722" target="_blank"><em>O Paiz</em>, 23 de outubro de 1908</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_39954" style="width: 522px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/259063/1481" target="_blank"><img class="size-full wp-image-39954" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2025/05/arthur1.jpg" alt="Fon-Fon, 31 de outubro de 1908" width="512" height="413" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/259063/1481" target="_blank"><em>Fon-Fon</em>, 31 de outubro de 1908</a></p></div>
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<div class="content">
<p>&nbsp;</p>
<div style="width: 451px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://objdigital.bn.br/objdigital2/acervo_digital/div_iconografia/icon406734/icon406734.jpg" target="_blank"><img src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2020/06/azevedo.jpg" alt="Arthur Azevedo no seu leito de morte, gravura de Modesto Brocos, 1910" width="441" height="311" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://objdigital.bn.br/objdigital2/acervo_digital/div_iconografia/icon406734/icon406734.jpg" target="_blank">Arthur Azevedo no seu leito de morte, gravura de Modesto Brocos, 1910</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>Alguns teatros do Brasil foram batizados com o nome de Arthur Azevedo. Em São Luís, um dos teatros mais antigos do Brasil, inaugurado, em 1º de junho de 1817, muito antes de seu nascimento, teve seu nome trocado para Teatro Arthur Azevedo, nos anos 1920 (<a href="https://www.ma.gov.br/noticias/teatro-arthur-azevedo-completa-206-anos-como-simbolo-da-historia-e-cultura-do-maranhao#:~:text=Edificado%20em%20estilo%20arquitet%C3%B4nico%20neocl%C3%A1ssico,Dom%20Jo%C3%A3o%20VI%20em%201816." target="_blank">Governo do Maranhão</a>). Em São Paulo, foi criado o Teatro Arthur Azevedo, em 2 de agosto de 1952 (<a href="https://capital.sp.gov.br/web/cultura/w/noticias/31853#:~:text=Inaugurado%20em%2002%20de%20agosto,de%20259%20anos%20da%20Mooca." target="_blank">Secretaria Municipal de São Paulo de Economia e Cultura Criativa, 2 de agosto de 2022</a>). Em agosto de 1956, foi inaugurado o Teatro Arthur Azevedo, em Campo Grande, no Rio de Janeiro, pelo embaixador Francisco Negrão de Lima, então prefeito do Distrito Federal, durante o governo do presidente Juscelino Kubitschek (<a href="http://memoria.bn.gov.br/DocReader/089842_06/63956" target="_blank"><em>Correio da Manhã</em>, 7 de julho de 1956, sexta coluna</a>).</p>
<p>&nbsp;</p>
<div style="width: 553px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://g1.globo.com/ma/maranhao/noticia/2020/03/17/teatro-arthur-azevedo-suspende-espetaculos-por-conta-do-coronavirus.ghtml" target="_blank"><img src="https://s2-g1.glbimg.com/TmfkCdLEyGMheqH5RbEoybh786o=/0x0:2000x1430/984x0/smart/filters:strip_icc()/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a/internal_photos/bs/2017/B/A/WpiNYjSQ6eAEGGwacXNQ/foto-3-teatro-arthur-azevedo.jpg" alt="Teatro Arthur Azevedo em São Luís — Foto: Divulgação" width="543" height="388" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://g1.globo.com/ma/maranhao/noticia/2020/03/17/teatro-arthur-azevedo-suspende-espetaculos-por-conta-do-coronavirus.ghtml" target="_blank">Teatro Arthur Azevedo, em São Luís (MA)</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_39985" style="width: 388px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://capital.sp.gov.br/web/cultura/teatros" target="_blank"><img class=" wp-image-39985" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2025/05/arthur4.jpg" alt="Teatro Arthur Azevedo, em São Paulo (SP)" width="378" height="224" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://capital.sp.gov.br/web/cultura/teatros" target="_blank">Teatro Arthur Azevedo, em São Paulo (SP)</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<div style="width: 385px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://www.rj.gov.br/funarj/node/145" target="_blank"><img src="https://www.rj.gov.br/funarj/sites/default/files/styles/imagem_375x235/public/imagens_teatros/espa%C3%A7os%20funarj%20site.png?itok=Soiz3572" alt="." width="375" height="235" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://www.rj.gov.br/funarj/node/145" target="_blank">Teatro Arthur Azevedo, em Campo Grande, no Rio de Janeiro </a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<div style="width: 598px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/13407" target="_blank"><img src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/bitstream/handle/20.500.12156.1/13407/periodico.jpg.jpg?sequence=3&amp;isAllowed=y" alt="Thumbnail" width="588" height="800" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/13407" target="_blank">Busto em bronze de Arthur Azevedo no cemitério de S. Francisco Xavier, s/d. Rio de Janeiro, RJ / Acervo FBN</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>Andrea C.T. Wanderley</p>
</div>
</section>
<p>Editora e pesquisadora da Brasiliana Fotográfica</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><span style="color: #800000;"><strong>Fontes:</strong></span></p>
<p>BARROS, Maria Pia Fontes Lins de; WANDERLEY, Andrea C. T. Agenda do Centro de Documentação da TV Globo</p>
<p><a href="https://literaturabrasileira.ufsc.br/documentos/?action=download&amp;id=88452" target="_blank">Biblioteca Digital de Literatura de Países Lusófonos</a></p>
<p>COUTINHO, Afrânio; SOUSA, José Galante de. <em>Enciclopédia de literatura brasileira</em>. Rio de Janeiro: Fundação Biblioteca Nacional; Academia Brasileira de Letras, 2001.</p>
<p><a href="https://dinodealcantarablog.wordpress.com/wp-content/uploads/2024/04/depoimento.pdf" target="_blank">Depoimento de Emília Amália Pinto Magalhães a Dunshee de Abranches, biógrafo de Arthur Azevedo</a></p>
<p><a href="https://memoria.bn.gov.br/hdb/periodico.aspx" target="_blank">Hemeroteca Digital da Biblioteca Nacional</a></p>
<p><span style="font-family: 'Times New Roman', Times, serif;">MAGALDE, Sábato. <i>Panorama do Teatro Brasileiro</i>. São Paulo: Global, 1997.</span></p>
<p><span style="font-family: 'Times New Roman', Times, serif;">MAGALHÃES JUNIOR, Raimundo. <i>Arthur Azevedo e sua época</i>. São Paulo : Martins, 1955.</span></p>
<p><span style="font-family: 'Times New Roman', Times, serif;">MERCARELLI, Fernando Antonio. <i>Cena aberta: a absolvição de um bilontra e o teatro de revista de Arthur Azevedo</i>. Campinas : Editora da Unicamp, 1999.</span></p>
<p>PEREIRA, Margareth da Silva. <a href="https://www.ufrgs.br/propar/wp-content/uploads/2023/06/01_MSP.pdf"><em>A exposição de 1908 ou o Brasil visto por dentro</em></a>.</p>
<p><a href="https://www.multirio.rj.gov.br/index.php/reportagens/17356-artur-azevedo-e-seu-papel-na-cria%C3%A7%C3%A3o-da-abl-e-do-theatro-municipal" target="_blank">Portal MultiRio</a></p>
<p>Siciliano, Tatiana.<a href="https://books.openedition.org/oep/589"><em> O guerreiro do Theatro Municipal</em></a> in Open Editions Books</p>
<p><a href="https://www.academia.org.br/academicos/artur-azevedo/biografia" target="_blank">Site Academia Brasileira de Letras</a></p>
<p><a href="https://enciclopedia.itaucultural.org.br/pessoas/1195-artur-azevedo" target="_blank">Site Enciclopédia Itaú Cultural</a></p>
<p>WANDERLEY, Andrea C. T. <a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=28740" target="_blank">Academia Brasileira de Letras</a> in Brasiliana Fotográfica, 20 de julho de 2022.</p>
<p>WANDERLEY, Andrea C. T. <a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=19845" target="_blank"><em>Após encantar-se com Molière e Giulietta Dionesi, o imperador Pedro II sofre um atentado</em></a> in Brasiliana Fotográfica, 15 de julho de 2020.</p>
<p>WANDERLEY, Andrea C. T. <a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=9445" target="_blank"><em>Série “Teatros e cinemas do Brasil” III – A inauguração do Theatro Municipal do Rio de Janeiro</em></a> in Brasiliana Fotográfica, 14 de julho de 2017.</p>
<p>&nbsp;</p>
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		<title>Após encantar-se com Molière e Giulietta Dionesi, o imperador Pedro II sofre um atentado</title>
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		<pubDate>Wed, 15 Jul 2020 14:39:13 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Andrea Wanderley]]></dc:creator>
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		<description><![CDATA[Dom Pedro II (1825 - 1891) foi alvo de um atentado quando saía do Theatro Sant´Anna, no Rio de Janeiro, com alguns membros de sua família, em 15 de julho de 1889. "Pela primeira vez, após um reinado de mais de meio século, fora quebrado o respeito que sempre cercou a pessoa do imperador". Na verdade, Pedro II governou por quase 50 anos e não por mais de meio século - de 23 de julho de 1840 a 15 de novembro de 1889 e, segundo José Murilo de Carvalho, o fez “com os valores de um republicano, com a minúcia de um burocrata e com a paixão de um patriota. Foi respeitado por quase todos, não foi amado por quase ninguém”.]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p>Dom Pedro II (1825 &#8211; 1891) foi alvo de um atentado quando saía do Theatro Sant´Anna, no Rio de Janeiro, com alguns membros de sua família, em 15 de julho de 1889. Foi o primeiro governante do Brasil a sofrer um atentado!</p>
<p>&nbsp;</p>
<div style="width: 303px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/2952" target="_blank"><img src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/bitstream/handle/20.500.12156.1/2952/imagem.jpg.jpg?sequence=2&amp;isAllowed=y" alt="Thumbnail" width="293" height="452" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/2952" target="_blank">Pedro Hees, Photographia Popular. Pedro II, Imperador, 18?. / Acervo FBN</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p><span style="color: #800000;">&#8220;<em>Pela primeira vez, após um reinado de mais de meio século, fora quebrado o respeito que sempre cercou a pessoa do imperador&#8221;. </em></span></p>
<p><em>                                                                                                                                            <a href="http://memoria.bn.br/docreader/178691_01/7358" target="_blank"><span style="color: #333333;">O Paiz, </span></a></em><a href="http://memoria.bn.br/docreader/178691_01/7358" target="_blank"><span style="color: #333333;">17 de julho de 1889</span></a></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Na verdade, Pedro II, um <em>Habsburgo perdido nos trópicos</em>, cuja figura de 1,90m, louro e de olhos azuis contrastava com a aparência da maioria da população do Brasil, governou por quase 50 anos e não por mais de meio século &#8211; foram 49 anos, três meses e 22 dias.  Pedro II governou o Brasil, país pelo qual era apaixonado, de 23 de julho de 1840 a 15 de novembro de 1889 e, segundo José Murilo de Carvalho, o fez “<em>com os valores de um republicano, com a minúcia de um burocrata e com a paixão de um patriota. Foi respeitado por quase todos, não foi amado por quase ninguém</em>”. Lembramos aqui o fato de dom Pedro II ter sido um grande entusiasta da fotografia, tendo sido o primeiro brasileiro a possuir um daguerreótipo,e  provavelmente, o primeiro fotógrafo do Brasil. Devido ao seu interesse no assunto, implantou e ajudou decisivamente o desenvolvimento da fotografia no país.</p>
<p>&nbsp;</p>
<div style="width: 535px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/618" target="_blank"><img src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/bitstream/handle/20.500.12156.1/618/imagem.jpg.jpg?sequence=2&amp;isAllowed=y" alt="Thumbnail" width="525" height="800" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/618" target="_blank">Joaquim Insley Pacheco. Pedro II, imperador do Brasil: retrato, s/d / Acervo FBN</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>Na noite de 15 de julho de 1889, houve a apresentação de uma jovem violinista italiana e a encenação de uma peça,  no Theatro Sant´Anna. O imperador Pedro II (1825 &#8211; 1891), acompanhado da <a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=6798" target="_blank">imperatriz Teresa Cristina (1822 &#8211; 1889)</a>, de sua filha, a <a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=1797" target="_blank">princesa Isabel (1846 &#8211; 1921)</a>, e do príncipe Pedro Augusto (1866 &#8211; 1934), seu neto mais velho, estiveram presentes.</p>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_19856" style="width: 381px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://memoria.bn.br/DocReader/103730_02/15898" target="_blank"><img class=" wp-image-19856" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2020/06/prop.jpg" alt="Gazeta de Notícias, 15 de julho de 1889" width="371" height="369" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="http://memoria.bn.br/DocReader/103730_02/15898" target="_blank"><em>Gazeta de Notícias</em>, 15 de julho de 1889</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p><span style="color: #800000;"><a style="color: #800000;" href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/visualizar-grupo-trabalho/66" target="_blank">Acessando o link para as fotografias de dom Pedro II disponíveis na Brasiliana Fotográfica, o leitor poderá magnificar as imagens e verificar todos os dados referentes a elas. </a></span></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>O Theatro Sant´Anna localizava-se onde anteriormente ficava o Theatro Casino Franco-Brésilien. Foi reinaugurado em 29 de outubro de 1880, com a opereta do alemão Jacques Offenbach (1819 &#8211; 1880), <em>La fille du tambour major</em>, executada pela Companhia Lírica Francesa. Era, desde então, um dos palcos mais importantes do Rio de Janeiro. Ficava na Praça da Constituição, atual Praça Tiradentes (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/146633/680" target="_blank"><em>Revista Musical e de Bellas Artes</em>, 30 de outubro de 1880, segunda coluna</a>). Em 26 de janeiro de 1905, já propriedade do empresário Paschoal Segreto (1868 &#8211; 1920), foi reinaugurado com o nome de Theatro Carlos Gomes com a encenação da peça <em>Papa Lebonnard</em>, de Jean Aicard (1848 &#8211; 1921), com a Companhia Christiano de Souza e Lucinda Simões (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/116300/4064" target="_blank"><em>O Malho</em>, 21 de janeiro de 1905</a>).</p>
<div>Voltando à noite de 15 de julho de 1889. O Sant&#8217;Anna achava-se repleto: <em>platéia e camarotes ocupados por pessoas da melhor sociedade; as galerias cheias da gente que de ordinário a freqüenta</em><span style="color: #800000;"> (</span><a href="http://memoria.bn.br/DocReader/830321/2585" target="_blank"><em>Novidades,</em> 16 de julho de 1889, quinta coluna</a>). Foi apresentada a comédia <em>Escola de Maridos </em>(1661), do célebre dramaturgo francês Molière (1622 &#8211; 1673), traduzida pelo jornalista e dramaturgo maranhense Arthur de Azevedo (1855 &#8211; 1908), que em um dos intervalos foi chamado ao camarote do imperador, que felicitou seu trabalho e manifestou o desejo de possuir uma cópia de sua <em>excelente tradução</em> (<a href="http://memoria.bn.br/docreader/103730_02/15900" target="_blank"><em>Gazeta de Notícias</em>, 16 de julho de 1889, quarta coluna</a>). Arthur de Azevedo foi, anos depois, um dos fundadores da Academia Brasileira de Letras e algumas de suas peças de maior sucesso foram <em>A Capital Federal</em> e <em>O Mambembe</em>.</div>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_19859" style="width: 451px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://objdigital.bn.br/objdigital2/acervo_digital/div_iconografia/icon406734/icon406734.jpg" target="_blank"><img class="wp-image-19859" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2020/06/azevedo.jpg" alt="Arthur Azevedo no seu leito de morte, gravura de Modesto Brocos, 1910" width="441" height="311" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="http://objdigital.bn.br/objdigital2/acervo_digital/div_iconografia/icon406734/icon406734.jpg" target="_blank">Arthur Azevedo no seu leito de morte, gravura de Modesto Brocos, 1910</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>Nos intervalos da peça, a violinista Giulietta Dionesi (c. 1877 &#8211; 1911), com a apenas 11 anos e já considerada uma virtuose do instrumento, executou a<em> Grande Marcha Militar</em>, do belga Hubert Leonard (1819 &#8211; 1890); e o <em>Andante e Polonesa de Concerto</em>, do francês Charles Dancla (1817 &#8211; 1907). Foi acompanhada por seu irmão, 10 anos mais velho do que ela, o maestro e pianista Romeu Dionesi (c. 1867 &#8211; ?). A apresentação foi um sucesso (<em>Gazeta de Notícias</em>, <a href="http://memoria.bn.br/DocReader/103730_02/15889" target="_blank">14 de julho de 1889, quarta coluna;</a> e<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/103730_02/15904" target="_blank"> 17 de julho de 1889, penúltima coluna</a>).</p>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_19865" style="width: 261px" class="wp-caption aligncenter"><img class="wp-image-19865" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2020/06/GIULIETA1.jpg" alt="GIULIETA1" width="251" height="365" /><p class="wp-caption-text">A violinista italiana Giulietta Dionesi, aos 11 anos, em gravura da revista Pantheon</p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: left;">Os Dionesi haviam chegado em junho no Rio de Janeiro, após uma bem sucedida excursão pela Itália, Espanha e Portugal. No dia 6 de julho, Giulieta foi cumprimentar o imperador que, segundo noticiado, a recebeu com <em>benéfico acolhimento</em> e pediu que ela deixasse com ele o álbum com os artigos que a imprensa havia publicado sobre ela. Os irmãos ficaram órfãos de mãe e fugiram da Itália devido à exploração que o pai fazia do talento dos dois (<em>Gazeta de Notícias</em>, <a href="http://memoria.bn.br/DocReader/103730_02/15820" target="_blank">29 de junho de 1889, quinta coluna</a>; e <a href="http://memoria.bn.br/DocReader/103730_02/15852" target="_blank">7 de julho de 1889, quinta coluna</a>).</p>
<p>Enfim, a noite no Teatro Sant´Anna havia sido um sucesso absoluto! <em>O espetáculo correu na melhor ordem.</em> <em>A atitude do povo era de todo o ponto pacífica e cortês</em>. Porém, quando dom Pedro II e seus familiares, ao fim do espetáculo, chegaram ao saguão do teatro, houve uma manifestação contra a família imperial. Alguém gritou &#8220;Viva o Partido Republicano!&#8221;, <em>abafado imediatamente esses gritos sediciosos aos aplausos de Viva o imperador! Viva a família imperial! Viva a monarquia!</em> (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/830321/2585" target="_blank">(<em>Novidades</em>, 16 de julho de 1889, quinta coluna</a>; e <a href="http://memoria.bn.br/DocReader/830321/2589" target="_blank"><em>Novidades</em>, 17 de julho de 1889, quinta coluna</a>).</p>
<p>&#8220;<em>Causou a mais viva impressão a notícia da deplorável ocorrência de ontem à noite, às portas do teatro Sant&#8217;Anna e suas circunvizinhanças. Um grupo, quando o Imperador saía do teatro em companhia de sua augusta família, levantou vivas à república, o que produziu a maior confusão no povo, que em desafronta de Sua Magestade levantou vivas ao imperador. Sua Magestade embarcou em seguida no seu coche, que partiu a trote largo, e afirmam várias pessoas que, no momento de passar aquele por defronte da Maison Moderne, ou Stat-Coblentz, ouviu-se a detonação de um tiro</em>&#8221; (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/085669/2049" target="_blank"><em>Cidade do Rio</em>, 16 de julho de 1889</a>).</p>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_19850" style="width: 495px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://memoria.bn.br/DocReader/332747/4030" target="_blank"><img class="size-full wp-image-19850" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2020/06/atentado.jpg" alt="Capa da Revista Illustrada de 20 de julho de 1889" width="485" height="517" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="http://memoria.bn.br/DocReader/332747/4030" target="_blank">Capa da <em>Revista Illustrada</em> de 20 de julho de 1889</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>Foi na frente do restaurante <em>Maison Moderne, </em>localizado na própria Praça da Constituição, entre a rua Espírito Santo e a Travessa da Barreira, que foram disparados tiros na direção da carruagem imperial, que seguiu pela rua da Carioca em direção ao Paço Imperial.</p>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_19853" style="width: 624px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://memoria.bn.br/DocReader/085669/2049" target="_blank"><img class=" wp-image-19853" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2020/06/desacato.jpg" alt="Cidade do Rio, 16 de julho de 1889" width="614" height="409" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="http://memoria.bn.br/DocReader/085669/2049" target="_blank"><em>Cidade do Rio</em>, 16 de julho de 1889</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>Ainda na madrugada do dia 16 de julho, o 1º delegado de polícia, Bernardino Ferreira da Silva, começou as investigações. O primeiro detido, logo liberado, foi Germano Hasslocher. Depois compareceu à delegacia Eduardo José de Freitas informando que um funcionário da <em>Maison Moderne</em>, Antônio José Nogueira, conhecia o autor dos disparos, Adriano Augusto do Valle. Assim, o delegado Bernardino prendeu o acusado em um bonde da Companhia de Botafogo, na rua de Gonçalves Dias. Ele tinha 20 ou 21 anos, era natural de Coimbra, filho de Adriano Francisco Augusto do Valle e trabalhava desde maio como primeiro caixeiro do estabelecimento de pedras açorianas e máquinas para lavoura dos Srs. Ferreira &amp; C., na rua Teófilo Otoni, nº 119, mesma rua onde residia, no nº 128. Na edição de <em>O Paiz</em> de 17 de julho de 1889, foram publicados alguns antecedentes do acusado que, segundo o periódico, há algum tempo <em>discutia assuntos políticos , mostrando-se extremado em suas opiniões. </em>Noticiou também o boato de que Adriano já havia dado um tiro em um retrato do <a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=11397" target="_blank">conde d´Eu (1842 &#8211; 1922)</a>, marido da princesa Isabel, <em>dizendo que sentia não poder fazer o mesmo, por enquanto, na pessoa desse príncipe</em> (<a href="http://memoria.bn.br/docreader/178691_01/7358" target="_blank"><em>O Paiz</em>, de 17 de julho de 1889</a>; e <a href="http://memoria.bn.br/DocReader/248070/923" target="_blank"><em>Diário do Commércio</em>, 17 de julho de 1889, terceira coluna</a>).</p>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_19851" style="width: 296px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://memoria.bn.br/docreader/178691_01/7364" target="_blank"><img class="size-full wp-image-19851" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2020/06/adriano.jpg" alt="O Paiz, 18 de julho de 1889" width="286" height="387" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="http://memoria.bn.br/docreader/178691_01/7364" target="_blank"><em>O Paiz</em>, 18 de julho de 1889</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>Segundo alguns relatos, pouco antes do atentado, junto com outros rapazes, em bebedeira, Adriano do Valle teria afirmado ter coragem de dar “Vivas a República” diante do imperador. Foi incentivado pelos colegas, atirou e fugiu. Tentou se esconder em diversos hotéis, mas todos estavam cheios. No Hotel Provenceaux, pediu que o caixeiro Antônio Gonçalves guardasse os dois revólveres que possuía. Durante o interrogatório, confessou seu crime e declarou:</p>
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<div id="attachment_19875" style="width: 248px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://memoria.bn.br/DocReader/830321/2585" target="_blank"><img class=" wp-image-19875" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2020/06/inte.jpg" alt="Novidades, 16 de julho de 1889, penúltima coluna" width="238" height="154" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="http://memoria.bn.br/DocReader/830321/2585" target="_blank"><em>Novidades</em>, 16 de julho de 1889, penúltima coluna</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>Houve um clima de consternação geral. O atentado causou polêmica em torno da imigração estrangeira, em crescimento durante a década de 1880, já que o criminoso era português, pertencendo à maior colônia de imigrantes da Corte e também à comunidade mais rica da cidade do Rio de Janeiro; e do movimento republicano.</p>
<p>Os republicanos imediatamente declararam-se contra o atentado, dissociando-se da ação criminosa. Quintino Bocaiuva (1836 &#8211; 1912 ), chefe do Partido Republicano e redator-chefe do jornal <em>O Paiz,</em> publicou o editorial &#8220;<em>Os dois fatos</em>&#8220;(<a href="http://memoria.bn.br/docreader/178691_01/7358" target="_blank"><em>O Paiz</em>, 17 de julho de 1889, terceira coluna</a>).</p>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_19879" style="width: 296px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://memoria.bn.br/DocReader/178691_01/7358"><img class="size-full wp-image-19879" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2020/06/quintino.jpg" alt="O Paiz, 17 de julho de 1889" width="286" height="468" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="http://memoria.bn.br/docreader/178691_01/7358" target="_blank"><em>O Paiz</em>, 17 de julho de 1889</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>Outros jornais também se pronunciaram nesse sentido:</p>
<p>&#8220;<em>Infelizmente, houve ontem um atentado que não podemos atribuir senão à inconsciência de quem o praticou: ou loucura ou embriaguez, pois, por honra do partido republicano, não acreditamos que tal ato dele partisse. Esse triste acontecimento é ainda uma das consequências da profunda anarquia que lavra nos espíritos do Brasil, onde todas as noções de direito, dever e liberdade acham-se completamente obliteradas&#8221;. </em>Tal ato contrariaria a &#8220;<em>brandura do coração brasileiro e dos nossos costumes&#8221; (<span style="color: #333333;"><a href="http://memoria.bn.br/DocReader/226688/9859" target="_blank">Gazeta da Tarde, </a></span></em><span style="color: #333333;"><a href="http://memoria.bn.br/DocReader/226688/9859" target="_blank">16 de julho de 1889, segunda coluna</a>)</span><em>.</em><em><span style="color: #333333;"> </span></em></p>
<p style="text-align: center;"><span style="color: #800000;"><em>&#8220;Revolucionários, sim, assassinos, nunca!&#8221;</em></span></p>
<p><em>&#8220;O Partido Republicano não tem a menor responsabilidade pelo desacato cometido contra S.S.M.M&#8230; O desacato que sofreu o chefe do estado, alquebrado pelos anos e pela moléstia, junto à santa senhora que o acompanhava só pode ser levado à conta da loucura daqueles que a todo transe procuram indispor e vilipendiar o nosso partido. Apelamos para o próprio imperador, e ele, que com cosciência nos diga, se julga que haja nesta terra um &#8220;verdadeiro republicano&#8221; que seja capaz de atentar contra a sua vida! Revolucionários, sim, assassinos, nunca!&#8221;</em> (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/808911/41" target="_blank"><em>República Brazileira</em>, 17 de julho de 1889, primeira coluna</a>).</p>
<p>O próprio dom Pedro II, que no dia seguinte ao atentado foi com a imperatriz para o Palacete Itamaraty, no Alto da Boa Vista, procurou minimizar publicamente a importância do ocorrido, descartando a possibilidade de Adriano fazer parte de uma trama para sua deposição: “<em>Não foi nada, foi um tiro de louco!</em>” teria exclamado, na tentativa de encerrar o caso. Na ocasião, recebeu diversas visitas em desagravo ao ocorrido (<a href="http://memoria.bn.br/docreader/178691_01/7358" target="_blank"><em>O Paiz</em>, 17 de julho de 1889, última coluna</a>).</p>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_19876" style="width: 297px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://memoria.bn.br/docreader/178691_01/7358" target="_blank"><img class="wp-image-19876 size-full" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2020/06/palacete.jpg" alt="palacete" width="287" height="316" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="http://memoria.bn.br/docreader/178691_01/7358" target="_blank"><em>O Paiz</em>, 17 de julho de 1889, última coluna</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>Devido à nacionalidade do acusado, o conselheiro Nogueira Soares, ministro de Portugal no Brasil, convocou seus compatriotas a uma reunião para a discussão sobre o atentado contra o imperador (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/103730_02/15925" target="_blank"><em>Gazeta de Notícias</em>, 21 de julho de 1889, sexta coluna</a>). Associados das caixas beneficentes e associações portuguesas lançaram uma nota de repúdio ao crime e a diretoria do Liceu Literário Português anunciou seu total desacordo com o ato cometido contra o imperador: &#8220;<em>Este ato manou de um louco, e os loucos não têm pátria</em>” (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/103730_02/15907" target="_blank"><em>Gazeta de Notícias</em>, 18 de julho de 1889, terceira coluna</a>).</p>
<p>Na reunião do ministério de Portugal, realizada no Gabinete Português de Leitura, no dia 24 de julho, o ministro Nogueira Soares leu um retrospecto dos acontecimentos acerca do atentado e fundamentou a seguinte proposta:</p>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_19890" style="width: 299px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://memoria.bn.br/DocReader/178691_01/7402" target="_blank"><img class="size-full wp-image-19890" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2020/06/aplausos.jpg" alt="O Paiz, 25 de julho de 1889" width="289" height="500" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="http://memoria.bn.br/DocReader/178691_01/7402" target="_blank"><em>O Paiz,</em> 25 de julho de 1889</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>A <em>Gazeta de Notícias</em> publicou um editorial contra a posição aprovada por parte da colônia portuguesa durante a reunião (<a href="http://memoria.bn.br/docreader/103730_02/15953" target="_blank"><em>Gazeta de Notícias</em>, 26 de julho de 1889, primeira coluna</a>). O jornal <em>O Paiz</em>, cujo dono era o português João José dos Reis Junior, também se pronunciou afirmando que “<em>A nacionalidade portuguesa não pode de modo algum ser lastimada pelo acidente da origem do jovem presumido criminoso” </em>e desaprovando o ato de Nogueira Soares classificando- o de&#8221;<em>azáfama de zumbaias à monarquia&#8221;</em> e de &#8220;<em>ostenstação</em> <em>de desprezo e de abandono para com o desventurado moço português </em>(<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/178691_01/7416" target="_blank"><em>O Paiz</em>, 28 de julho de 1889, quarta coluna</a>).</p>
<p>Enquanto isso, o imperador seguiu recebendo, entre os meses de julho e agosto, vários telegramas o felicitando por ter sobrevivido ao atentado. Pelo mesmo motivo, também foram oferecidas diversas missas em Ação de Graças. Mas o fato é que a monarquia estava mesmo em seus estertores no Brasil. Em 9 de novembro, foi realizado o baile da Ilha Fiscal (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/docreader.aspx?bib=103730_02&amp;PagFis=16509"><em>Gazeta de Notícias</em>, de 11 de novembro de 1889</a>), que passou à história como o último baile do regime monárquico no país. Dias depois, em 15 de novembro, foi proclamada a República (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/103730_02/16528" target="_blank"><em>Gazeta de Notícias</em>, 16 de novembro de 1889</a>).  Em 17 de novembro, a família real partiu para o exílio, na Europa, a bordo do Alagoas (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/DocReader.aspx?bib=103730_02&amp;PagFis=16536"><em>Gazeta de Notícias</em>, edição de 18 de novembro de 1889, sob o título “O Embarque do Imperador”, na segunda coluna</a>).</p>
<p>Cerca de uma semana depois, no dia 23 de novembro de 1889, aconteceu o julgamento de Adriano do Valle perante o júri. Foi presidida pelo juiz Hollanda Cavalcanti. O reú compareceu acompanhado por seu curador, Julio Ottoni, e por seu defensor Ferreira Lima. O promotor do caso foi Lima Drummond. A defesa alegou que o grito de “Viva o Partido Republicano” tornara-se irrelevante devido à mudança de regime de governo ocorrido no Brasil; que Adriano não havia atirado contra a carruagem imperial já que nem os cocheiros nem os membros do piquete haviam ouvido disparos; e que não havia marca de tiros na carruagem. Argumentaram também que Adriano do Valle havia ingerido absinto, um dos motivos de ter tomado uma atitude irracional. O juiz Hollanda Cavalcanti fez 10 perguntas para os jurados, sendo a primeira “O acusado atirou no carro do imperador?” As demais estavam associadas a ela. Por 10 votos a 0, os jurados responderam “não” à primeira questão. As seguintes perderam o sentido e Adriano do Valle foi então, poucos dias após a proclamação da República, absolvido e posto em liberdade (<a href="http://memoria.bn.br/DocReader/103730_02/16566" target="_blank"><em>Gazeta de Notícias</em>, 24 de novembro, penúltima coluna).<br />
</a></p>
<p>Pedro II faleceu, no exílio, em Paris, em 5 de dezembro de 1891, no Hotel Bedford, na rua Arcade, no oitavo <em>arrondissement</em> da cidade. Foi retratado pelo renomado fotógrafo Nadar e seu atestado de óbito foi assinado por Jean Marie Charcot (1825 &#8211; 1893), Charles Jacques Bouchard (1837 &#8211; 1915) e por seu médico e amigo pessoal, Cláudio Velho da Motta Maia (1843 &#8211; 1897). A causa da morte foi pneumonia aguda no pulmão esquerdo.</p>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_16683" style="width: 276px" class="wp-caption alignleft"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2015/12/registro.jpg"><img class="size-full wp-image-16683" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/wp-content/uploads/2015/12/registro.jpg" alt="Registro de morte de dom Pedro II" width="266" height="372" /></a><p class="wp-caption-text">Registro de morte de dom Pedro II</p></div>
<p>Tradução do registro de morte do imperador:</p>
<p><i>&#8220;</i>Nós, abaixo assinados, Professores da Faculdade de Medicina e doutores em medicina, certificamos que Dom Pedro II d’Alcantara morreu em 5 de Dezembro de 1891 à meia noite e 35 (da manhã) no hotel Bedford, 17 rue de l’Arcade, em Paris, em conseqüência de uma pneumonia aguda do pulmão esquerdo.</p>
<p>Paris, 5 de dezembro de 1891</p>
<p>J.M Charcot</p>
<p>C. de Motta Maia</p>
<p>Bouchard&#8221;</p>
<p><a href="http://piaui.folha.uol.com.br/questoes-manuscritas/o-registro-da-morte-do-imperador/" target="_blank">Link para o registro da morte de Pedro II.</a></p>
<p>&nbsp;</p>
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<p>&nbsp;</p>
<div style="width: 720px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/2951" target="_blank"><img class="" src="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/bitstream/handle/20.500.12156.1/2951/imagem.jpg.jpg?sequence=2&amp;isAllowed=y" alt="" width="710" height="454" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/2951" target="_blank">Nadar; Pacheco &amp; Filho. Pedro II, Imperador do Brasil : retrato, 1891. Paris, França / Acervo FBN</a></p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Andrea C. T. Wanderley</p>
<p>Editora e pesquisadora do portal Brasiliana Fotográfica</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><span style="color: #800000;"><strong>Fontes:</strong></span></p>
<p><a href="http://www.academia.org.br/academicos/artur-azevedo/biografia" target="_blank">Academia Brasileira de Letras</a></p>
<p><a href="https://cpdoc.fgv.br/sites/default/files/verbetes/primeira-republica/BOCAIUVA,%20Quintino.pdf" target="_blank">CPDOC</a></p>
<p>BESOUCHET, Lídia. <em>Exílio e morte do Imperador</em>. Rio de Janeiro: Editora Nova Fronteira, 1975</p>
<p>CARVALHO, José Murilo de. <em>Os bestializados, o Rio de Janeiro e a República que não foi</em>. São Paulo: Cia. das Letras, 1987.</p>
<p>CARVALHO, José Murilo. <em>Pedro II: ser ou não ser</em>. São Paulo: Companhia das Letras, 2007.</p>
<p><a href="https://www.britannica.com/biography/Jacques-Offenbach" target="_blank">Enciclopédia Britannica</a></p>
<p>HARING, Bertita.<em> O Trono do Amazonas – a história dos Braganças no Brasil</em> – José Olympio, RJ, 1944.</p>
<p><a href="http://bndigital.bn.br/hemeroteca-digital/" target="_blank">Hemeroteca Digital da Biblioteca Nacional</a></p>
<p><a href="https://jmonline.com.br/novo/?noticias,22,ARTICULISTAS,166298" target="_blank"><em>Jornal da Manhã</em> de Uberaba, 20 de setembro de 1918</a></p>
<p>MEDEIROS, Karla Armani. <em><a href="http://karlaarmani.blogspot.com/2019/01/giulietta-dionesi-jovem-violinista.html">Giulietta Dionesi, a jovem violinista</a></em>. <em>O Diário de Barretos</em>, 8 de janeiro de 2019.</p>
<p>OLIVEIRA, Olga Maria Frange de. <a href="https://jmonline.com.br/novo/?noticias,22,ARTICULISTAS,166298" target="_blank"><em>O atentado e o resgate de um gênio</em></a>. <em>Jornal da Manhã</em> (Uberaba), 20 de setembro de 2018.</p>
<p>SCHWARCZ, Lilia Moritz. <i>As barbas do Imperador: D. Pedro II, um monarca nos trópicos</i>. São Paulo: Companhia das Letras, 1998.</p>
<p><a href="https://www.naxos.com/person/Hubert_Leonard/53690.htm" target="_blank">Site Naxos</a></p>
<p><a href="http://www.ctac.gov.br/centrohistorico/teatroXperiodo.asp?cdp=17&amp;cod=108" target="_blank">Site Theatros do Centro Histórico do Rio de Janeiro</a></p>
<p><a href="https://www.violinman.com/Violin_Family/history/composer/biography/DANCLA,%20Charles/DANCLA,%20Charles%20%20(1817-1907).htm" target="_blank">Site ViolinMan.com</a></p>
<p>VIDIPÓ, George. <a href="https://www.encontro2018.rj.anpuh.org/resources/anais/8/1528452552_ARQUIVO_AtentadocontraDPedroII-GeorgeVidipo-Anpuh2018II.pdf" target="_blank"><em>Um processo criminal nos jornais do século XIX: o atentado contra dom Pedro II</em></a>. Anais do Encontro Internacional XVII Encontro de História da Anpuh-Rio: História e Parcerias, 2018.</p>
<p>&nbsp;</p>
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